Notas iniciais
Voltei! Okay, demorei um bucado. E nem tenho desculpa pra dar, porque tô de férias uahsuahsuhaushuahsua. Mudei de curso e agora minhas aulas começam só em maio. Acabei foi me distraindo com série, confesso. Mas perdoem eu? Sou tão legal. Quero agradecer ao Felipe Perdigão, à Bianca e à Vanylla de Wrath pelas recomendações! Espero que gostem do capítulo :)

GABRIEL

De repente, Marcelo agora só andava na casa de Pedro. Ele parecia diferente dos outros amigos do loiro. Nunca tinha ouvido um palavrão sair de sua boca, muito menos comentários idiotas sobre as pessoas. Sentei perto num banquinho de madeira pintada de branco, observando os dois chegarem da cidade, ambos sujos de lama. O carro devia ter atolado na estrada.

— Essa droga de chuva. — Pedro praguejou enquanto tirava a camisa. — Por isso que não gosto daqui.

— Isso é normal. — Marcelo sorriu, aproximando-se de uma torneira, perto de uma mangueira. — É tempo de chuva.

Pedro revirou os olhos. Abriu a boca para dizer alguma coisa. No entanto, dona Juliana, vestida impecavelmente, apareceu na porta da sala. Ela colocou as mãos na cintura, mostrando uma expressão cansada.

— Pedro, você pegou o carro de novo? Você só tem 14 anos! Não pode dirigir.

O menino levantou a cabeça e respondeu com a cara mais lavada do planeta:

— Mãe, nem tem guarda lá na rua.

A mulher suspirou.

— Vai tomar um banho. Torneira não resolve nada. Você também, Marcelo.

— Eu espero o Pedro aqui fora. — Marcelo respondeu, olhando para mim. — Depois eu me lavo.

Pedro jogou a camisa para o lado e entrou. Espiei-o até que sumisse de minhas vistas. Acabei não percebendo o momento que Marcelo aproximou-se. Ao vê-lo quase tomei um susto. Ele cutucou meu braço.

— Oi.

— Oi.

— Como... Vai?

— Bem, eu acho. — dei de ombros. — E você?

— Cansado.

— Ah.

— Sabe andar de cavalo? — Marcelo apontou para os cavalos separados de nós pela cerca.

— Sei.

— O Pedro não sabe.

— O Pedro não curte esse lance de fazenda.

— Eu saquei. Eu também não sei. Sabe, essa é a primeira vez que frequento uma fazenda, então... Sou calouro. Me... Ensina?

— Eu? — espremi as sobrancelhas. — Minha mãe não deixa.

— Mas a mãe do Pedro deixa. Ela gosta de você, já percebi.

Olhei ao redor, a fim de ver se minha mãe estava por perto. Não gostava muito do pensamento de desobedecê-la. Vendo que não estava, levantei do banco. Fui até Nelson, o cara que cuidava do geralzão dos bichos. Ele me deixou tirar um cavalo de boas. Montei e voltei para o banco, aonde Marcelo me esperava. Ele sorriu, encarando-me por longos instantes.

— Que foi?

— Nada, é que tu... E cavalo combinam. Teu pai é peão?

— Ele era, mas mudou para a cidade. Agora é pedreiro. Sobe. — estendi a mão.

Ele segurou-me e subiu também em cima do animal. Suas mãos envolveram minha cintura de um jeito esquisito. Franzi o cenho, porém, não falei nada. Desci a pequena ladeira que dava na porteira. Eu sentia a respiração quente do garoto em meu pescoço. Dei meia volta.

— Agora, você tenta. — virei-me.

— Não... Outra volta contigo no comando?

[...]

Iara passou um braço ao redor de minha cintura, ainda rindo de uma piada idiota que ouvimos minutos antes, na sala. Peguei uma mecha de seu cabelo liso, apenas pelo carinho mesmo. Seguimos o caminho desse jeito até a parada de ônibus. Só havia uma pessoa já esperando ônibus: Caio. Acenei para o jovem. Ele ergueu o polegar direito.

— Oi, Gabriel. Como vai?

— Bem. — sorri.

— E tu, Iara?

— Eu me sinto fabulosamente fabulosa. — Iara deu de ombros.

Franzi o cenho e olhei para o rosto dos dois.

— De onde vocês se conhecem?

— Iara e eu somos da mesma cidade... — Caio explicou calmamente. — Digamos que nós temos uns anos na conta. Lugar pequeno, sabe. Aí...

— Quando ia me contar que conhecia o amigo do Pedro? — mirei os olhos castanhos da menina.

— Quando houvesse necessidade. — ela soltou uma risada, como se achasse graça. — E aí tô contando agora, então.

— Quem tá contando é o Caio!

— Jovem, fique feliz.

Ergui a sobrancelha, descrente. O mundo é pequeno, cheio de conexões. Balancei o chinelo. Uma formiga havia subido no meu pé direito e eu estava sentindo uma pequena ferroada na pele. Droga, no dia que venho sem tênis. Esfreguei o calcanhar esquerdo contra a região. Caio disse:

— Cuidado com o formigueiro, Gabriel.

— Tarde demais. — arrumei a postura.

Ele riu.

— O Pedro chegou atrasado hoje. Aconteceu alguma coisa com ele?

A índia encarou-me, meio que obviamente me analisando. Suspirei. Deixei Pedro dormir porque ele iria surtar se me visse logo de manhã. O cara poderia ter me beijado durante a noite, mas o preconceito não sumiria tão fácil. E... Sinceramente? Eu estava nervoso. Foi a primeira vez que masturbei alguém. Minha mente ainda não conseguia conter a imagem do sêmen de Pedro escorrendo entre meus dedos. Parecia muito louco o fato de que realmente fiz isso e de que ele me pediu para ficar.

— Tá aí, cara? — Caio estralou os dedos.

Minha amiga cruzou os braços.

— Eu acho que ele tá lembrando de alguma coisa que esqueceu de me contar. Nada sobre o Pedro, claro.

— Hum. — pigarreei, procurando disfarçar meu momento de devaneio. — Eu... Esqueci de acordar o Pedro. E sabe, ele é meio fracassado na tarefa de fazer isso sozinho.

— Ah sim.

Um ônibus exibindo o nome “São Félix II” em letras luminosas surgiu no nosso campo de visão. Caio aproximou-se do meio fio e levantou a mão. Virou-se de escanteio para mim e Iara e falou:

— Até outra oportunidade.

Caiu dentro do veículo. Sentei no banquinho. Iara me acompanhou.

— Quando vai começar a me contar as coisas direito? Acho que o atraso do Pedro e sua viagem para outro planeta tem alguma relação, não?

Cocei a nuca. Primeira coisa a se aprender nesse ano, como enrolar dona Iara Anauã. Ela levantou as mãos, esperando minha resposta. Limpei o suor que escorria do meu beiço. Maldito verão que não acaba.

— Não é exatamente assim.

— Fala logo seu égua ridículo. Aproveita que a gente tá sozinho.

— A gente... Ficou. — mostrei meu melhor e mais lindo sorriso amarelo.

— Aí são quase sete da noite e tu conta agora.

— É.

— Gabriel, tu é imprestável assim mesmo ou é só comigo? Desembucha, quero detalhes.

Respirei fundo e falei o que aconteceu. Nem terminei direito e Iara puxou os próprios cabelos. Apoiou os cotovelos nos joelhos, mordendo o lábio. Senti que ela estava ligeiramente zangada.

— Gabriel. Silva. Mendes. Você foi embora do quarto. Não, cara, tu não tá entendendo a complexidade do assunto. Você foi embora do quarto, deixando senhor Pedro Rabugento simplesmente de pau para fora do short. — ela juntou os dedos. — Não, pera. Sério, tava tudo perfeito nessa história. Tava lindo, lindérrimo, bateu uma emoção aqui dentro. — apontou o peito. — Tava cheia de orgulho do meu aluno. Mas tu foi embora! Estragou tudo!

— Fui.

— Não, Gabriel. Desisto de ti. Chega de viver. Vou ali me atirar do meio-fio. Para de fugir, pelo amor desses milhões de deuses!

Coloquei a unha do dedo indicador entre os lábios. Iara não entendia. Fui embora porque não sabia mais o que fazer. Pedo havia gozado. E aí? Além disso, meu coração não aguentava tanto de uma única vez. Ele simplesmente estava a 1000 batimentos por segundo. Então, saí do quarto, apesar de ter uma ereção pulsando contra minha maldita calça jeans apertada. O nervosismo havia entupido minhas veias.

— Nada a dizer? — Iara fez uma cara de decepção.

— Nada.

Ela suspirou. No mesmo instante, uma cabecinha loira passou na nossa frente, andando apressada, agarrada a uma bolsa vermelha. Bianca. Ela usava um vestido branco de crochê. Os fios dourados de seu cabelo estavam trançados. Iara observou a jovem até que entrasse na universidade. Puxei seu cotovelo.

— Gosta mesmo dela, né.

— Pra caramba. E ela nem me dá moral. Porque sou a sapata. Só pra ti mesmo.

— Mas eu não queria ela.

— É. — Iara gargalhou sarcasticamente. — Iara amava Bianca, que amava Gabriel, que amava Pedro, que amava a cerveja.

— Idiota. — soquei de leve seu braço fino.

[...]

Mal cheguei em casa e corri para o quarto, pensando num banho gelado e longo. Meu corpo merecia. Desabotoei a camisa. Quando terminei, joguei-a em cima da cama. Desci, então, o zíper da calça. Olhei para a porta, somente por olhar. Para a minha completa surpresa, dei de cara com os olhos castanhos de Pedro na fresta. Senti os batimentos do coração rasgarem meu peito.

— Pedro. — falei.

Pedro socou o batente e simplesmente sumiu. Suspirei. Lembrei que o playboy havia bebido até cair depois da última vez que ficamos. Que não esteja bêbado agora, ele vai morrer de cirrose assim. Subi o zíper e fui atrás do jovem. Encontrei-o na cozinha, batendo freneticamente os punhos contra a pobre pia.

— Pedro, para com isso. — aproximei-me e agarrei seus braços.

— Me solta. — grunhiu.

Deixei-o livre, erguendo as mãos no ar. No entanto, ele puxou-me para si. Pedro era definitivamente um caso a ser estudado. Não ofereci resistência. Passeou dois dedos pelo meu peito nu. Borboletas voaram no meu estômago. Nunca fui acostumado a toques íntimos. Recuei um passo. Porém, o loiro apertou meu pulso.

— Não.

Tornei à minha posição inicial, sob seus orbes não muito amigáveis. Ele mordeu o lábio, olhando meu corpo de cima a baixo. Provavelmente, um tom de vermelho chegou às minha bochechas. Fechei os punhos. E outra vez, a tensão tomava conta de mim. Respirei fundo.

— Tu tá suado. — resmungou, de repente.

— Como se tu tivesse limpo. — relaxei as mãos. — E eu estava indo justamente tomar banho.

— Eu tô limpo. — murmurou, fazendo sua melhor cara de nojo. — Não sei o que tá fazendo aqui então, se manda.

Afastei-me. Esse menino é doido. Ele ficou parado, somente me observando. Olhei-o uma última vez e saí da cozinha. Voltei ao meu quarto. Fitei minha imagem no espelho assim que entrei. Eu não estava errado, meu rosto parecia um pimentão. E não era branco como Pedro para chegar a esse ponto facilmente.

Banho, foquei. Tirei a calça jeans e a cueca, rapidamente, nervos e hormônios à flor da pele. Entrei no banheiro. Liguei o chuveiro desajeitadamente. A água morna caiu em cima de meu corpo como cachoeira. Todavia, mal catei o sabonete e a porta se abriu. Ergui a cabeça. Era Pedro.

— Tão inocente. — disse em tom reflexivo, mais consigo do que comigo.

Espreitei a toalha. Era ridículo pegá-la, Pedro tinha me visto sem roupa inúmeras vezes. Contudo, não podia evitar uma sensação esquisita tomando meu estômago. Algo parecido com vergonha. Ou a vergonha mesmo. Ele mirou meu membro subitamente semi endurecido, exposto.

— O que tu quer? — indaguei.

O garoto aproximou-se.

— Tão inocente. — repetiu, como se fosse uma grande descoberta.

Segurou meu braço e me beijou. Sua língua apressada invadiu minha boca surpresa. Apenas abracei-o, quando finalmente consegui me recuperar do susto. Acabei deixando-o molhado. Entretanto, não demorou e Pedro se livrou da camisa, com uma destreza impressionante. A atirou em cima do vaso, graças aos Céus tampado.

— Quero ver correr agora, seu inútil. — sussurrou, no seu tom típico de pedrice. — Molhado e pelado.

E pegou no meu membro, já ereto por completo. Engoli em seco. Se eu não tivesse me apoiado na parede, teria caído. Fechei os olhos, sentindo seus dedos correrem a extensão de meu pênis. E gozei. Abri os olhos. Mas Pedro não parou. Ajoelhou-se e limpou o sêmen com a língua. Enfiei o máximo de ar que consegui dentro dos pulmões. Ele levantou.

— Pedro...

— Puta que pariu, gato borralheiro, meu nome é lindo pra tu falar toda hora.

Retomou o beijo, cheio de ferocidade. Não sei de que jeito, também ligou o chuveiro. Arrancou o resto de sua roupa, juntando outras peças à camisa esquecida. Tremi o lábio ao vê-lo diante de mim, nu. O corpo dele era firme, desenhado, um poço de brancura. Lindo.

Gelando por dentro, coloquei uma mão na sua barriga sem pelos. Permiti que ela viajasse em cada pedacinho de pele do seu peito. Era como uma exploração, completamente nova. Desci, então, os dedos para seu membro rígido. Pedro soltou um gemido baixo e encostou a testa ao meu ombro, quando toquei na glande.

Com a outra mão, puxei um tufo de seus cabelos úmidos. Meu Deus, isso é..., comecei a pensar. Não, não pensa. A visão de um traseiro branco e nem um pouco pequeno puxou meus olhos, tal qual imã. Caminhei com o indicador até ele. Apertei-o, descendo o dedo pelo limite interior da metade esquerda. No entanto, abruptamente Pedro me largou.

— Não mesmo. — cuspiu rispidamente.

Nem percebi e o loiro já estava fora do banheiro. Franzi o cenho, tendo a sensação de que havia feito algo tremendamente errado.