Just love me
1 Baby Boy
Notas iniciais
Boa leitura
Peter Povs:
Primeiro dia de aula nunca é fácil, ainda mais quando você é o alvo dos valentões. Eu não conto isso para o meu pai, ou melhor, os meus pais, tenho medo deles ficarem decepcionados comigo. Motivos? Meu pai Steve é chefe militar, que já lutou até em guerras, meu outro pai Tony é engenheiro em robótica, que antigamente fabricava armas, mais agora mudou sua empresa para uma bio-conversível que cria energia sustentável que podem durar anos, pena que o governo ainda não aprovou isso.
Seria uma vergonha para eles descobrirem que eu nem ao menos consigo me livrar de uns valentões na escola.
Às vezes apareço com um olho roxo, mais sempre digo que fui ajudar alguém e levei um soco antes de ganhar a briga, mais não é inteiramente mentira, já que muitas vezes de que apanhei foi pra ajudar alguém que estava nas mãos do Flash e sua turma, deve ter sido por isso que Flash pegou essa antipatia por mim.
Mais sempre no primeiro dia de aula é pior, não sei que desculpa vou inventar esse ano.
- Filho já está pronto? – pergunta meu pai Tony abrindo a porta.
- Pai! Você não sabe que tem que bater antes? E se eu ainda estivesse me trocando?
- Não iria ver nada demais – ele responde me magoando um pouco – Não curto pegar crianças, seu pai é o suficiente pra mim.
- Mesmo assim é falta de educação.
- Não me importo, vem o café já tá pronto.
Desço as escadas junto a meu pai.
- Oi filho – Steve sorri para mim colocando panquecas no meu prato.
- Você fica tão sexy de avental – Tony vai ate meu pai e o beija fervorosamente.
- Eca!
Meu celular toca, vejo e é uma mensagem da Gwen.
“Pronto pro primeiro dia de aula?”.
“Não muito”.
“Adivinha quem vai estar com a gente esse ano. Wade Wilson”.
Travo um pouco, perdendo até a voz. Wade Wilson? O cara mais forte da escola? Ano passado ele e o professor Logan brigaram, e pelo que soube deu empate. Tomara que ele não faça amizade com o Flash, senão eu estou ferrado!
- Peter, tá tudo bem? – Tony me pergunta parecendo preocupado – Você está com uma cara estranha.
- Eu estou legal, não foi nada.
- Com quem estava trocando mensagens? – Steve indaga.
- Gwen.
- Ela é sua namorada?
- Não – digo super rápido – Somos só amigos.
- Não me diga então que é o Osborn? – Tony me questiona.
- Também não! Não estou namorando ninguém. – Digo aflito, odeio quando eles começam com essas perguntas.
- Você pelo menos já beijou alguém? – Tony me olha, mais não sei se esse olhar é pena ou zombaria.
Demoro um pouco pra responder, isso está constrangedor demais.
- Não.
- Não precisa ficar assim, eu conheci seu pai quando estávamos no primeiro ano de faculdade e ele ainda era virgem. – Tony segurou a risada – Acredita que quando transamos foi a primeira vez dele? Ainda não me canso de zoa-lo.
- Por que você tinha que contar isso ao Peter? – indaga Steve nervoso – Não gosto quando você fala isso para as pessoas.
- A culpa não é minha se você não pegava ninguém.
- E você pegava muitos né?
- Na verdade, pegava sim.
Não acredito que eles já estão brigando. Ainda não entendo como eles têm dezessete anos de casados.
Bebo meu café correndo e vou à escola, na entrada encontro Gwen.
- Como está se sentindo? – ela me pergunta andando ao meu lado.
- Nervoso, e você?
- Acho que o mesmo.
- Me contaram que o Wade repetiu o ano, foi o castigo por ter batido no professor de educação física.
- Droga, e nós é que paga o pato.
- Pois é, mais quem sabe ele seja legal.
- Duvido muito – digo um pouco sarcástico.
- Não julgue um livro pela capa – Gwen me fala – Tenho que ir, depois nos falamos.
Vou ao corredor guardando os livros da ultima aula.
- Eaí Parker, faz algum tempo que a gente não se vê.
Eu conheço essa voz, nem precisei me virar pra saber que é o Flash.
- Não está feliz em me ver?
Assim que ia me virar recebo um soco perto de meu olho esquerdo, eu ando para trás cambaleante, mais permaneço em pé.
Flash não gostou nada já que lançou um novo soco em mim, bem no meu estomago. Solto um gemido de dor sem som e caio no chão com falta de ar.
Flash já estava vindo em minha direção quando alguém o vira e soca a sua cara.
- Vai me encarar? – diz a pessoal, não consigo vê-la, pois Flash está na frente. Ele pareceu ameaçar partir pra cima, mais saiu correndo. E finalmente pude ver quem era. Wade Wilson.
Ele vem até mim esticando a mão.
- Você está legal?
Fico um tempo imóvel tentando processar tudo isso.
- S-Sim. – Pego em sua mão, que me ajuda e levantar – Obrigado.
Olho bem no rosto dele e vejo as várias cicatrizes, eu sabia que ele tinha, mais nunca tinha visto tão de perto, mais não consigo retirar meu olhar desses olhos azuis, são tão lindos.
Wade sorri de volta de um jeito bobo. Sinto algo apertar minha mão e só então percebo que ainda estávamos de mãos dadas. Olho em volta e vejo que vários alunos nos olhavam boquiabertos, até alguns professores saíram das classes pra nos ver. Com certeza eu estou corado!
Desgrudo minha mão com a do Wade e desvio o olhar.
- A gente se fala depois? – Wade me pergunta.
- C-Claro – respondo ainda constrangido.
- Até mais baby boy.
- Até.
Ele sai se misturando com o meio da multidão. Espera ai, ele me chamou do que?
Quando vejo todos estavam me olhando com expressões pasmas, sei que o sinal ainda não bateu mais já fui para a sala de aula. Sentei-me na primeira carteira perto da janela. Nem dois minutos de passaram e bate o sinal, o primeiro a chegar é o professor Eric de raciocínio lógico, não sei o que os outros alunos acham dele, mais acho esse cara um vagabundo, ele só passa meia lousa de exercícios e depois dorme em sua carteira, ninguém aprende nada nas aulas dele.
Todos vêm entrando e se acomodam, Wade aparece e senta atrás de mim.
- Hoje classe, vou passar um trabalho – fala Eric com um cappuccino na mão – Só precisam me trazer semana que vem, e na próxima aula podem tentar fazer as contas junto com os colegas, hoje apenas vou coloca-los na lousa e vocês copiam, depois será aula livre. Esqueci-me de me dizer, tem que ser dupla.
Pensei em chamar Hank, mais desisti deixando Raven tomar meu lugar.
- Wade, você quer fazer comigo? – pergunto receoso.
- Serio? – ele parece não acreditar.
- Sim.
- Claro. Podíamos ir à biblioteca hoje e fazermos.
- Por mim tudo bem.
As contas que Eric passava na lousa são tão fáceis, em meia hora acabo o trabalho inteiro.
- Isso é tudo pessoal. – Ele fala escondendo o rosto com os braços enquanto dormia na carteira. Esse cara é muito vagabundo.
Wade me cutuca.
- Você ainda não me disse o seu nome.
- Peter.
- Eu diria meu nome, mais vejo que já me conhece.
- Desculpe.
- Tudo bem, eu sei o que as pessoas falam de mim. – Diz Wade sorrindo, mais podia ver que ficou melancólico ao dizer isso.
- E você não liga?
- Mais ou menos, acho que eles não têm culpa.
- Como você conseguiu bater no professor Logan? – já queria perguntar isso faz tempo. – Todo mundo tem medo dele.
- Eu não. E alias foi ele que começou!
- E qual foi o motivo?
- Segredo.
Tá legal, agora sim eu estou curioso.
- Melhor mudarmos de assunto, não? – indaga Wade me fitando.
- S-Sim.
Conversamos sobre games, na maior parte do tempo God of War. Mais sempre Wade ficava quieto do nada e dizia coisas sem nexo e voltava a falar comigo, meio assustador na verdade. Eu podia perguntar, mas é melhor não.
O sinal bate dando fim a essa aula.
Charles, de ciências entra na sala. Ele faz uma cara zangada ao ver Eric dormindo na mesa, pega o seu caderno e o enrola batendo com força na nuca de Eric.
- Acorda seu vagabundo!
- Cara isso doeu. – Diz Eric levantando-se de uma vez.
- Ninguém manda você dormir sendo que deveria estar passando matéria.
- Eu passei matéria – Eric se defende.
- Uma mixaria!
- Você que é chato demais!
- Ai calem a boca! – esbraveja Raven recebendo olhares mortais dos dois – Há anos que tenho que ver essa briguinha, já está me irritando!
- Raven, isso é jeito de falar com seu irmão? – questiona Charles pasmo. Eric aproveita isso e sai de fininho.
- Nesses momentos é sim.
Charles não diz nada abrindo um livro e escrevendo a data na lousa.
- Por que aqueles dois se odeiam tanto? – pergunto a Raven.
- Segredo.
Fala sério, tudo agora é confidencial? Assim eu não aguento.
- Não pode me dar nem uma dica?
- Não.
Abro a boca pasmo, isso sim deixa qualquer um triste.
- E você Hank?
- Também não posso contar. – Ele fala, mais diferente da Raven de modo gentil. Será que isso é tão grave assim?
- Prestem atenção, por favor – diz Charles – Eu sei que é começo de bimestre, mais preciso que me entreguem um trabalho sobre a teoria de espécies, a diretoria precisa que façam isso pra uma prova de ciências, pra ver como estão na matéria. A entrega é esse mês, não importa o dia, okay?
- Que droga – sussurra Raven fazendo careta.
- Eu ouvi isso.
- Vamos fazer juntos também? – pergunto a Wade.
- Claro.
- Você podia ir à minha casa hoje. Então fazemos o do Eric e começamos o do Charles.
- Tudo bem. Posso ir embora junto com você? – Wade me pergunta.
- Seu pai não vai ficar bravo? – indago.
- Eu tenho certeza que não. – ele fala mudando o tom de voz.
- Tudo bem. – Digo achando isso estranho.
Charles começa a passar matéria, mais não demora muito pra chegar o recreio.
Harry e Gwen vêm até mim parecendo desesperados.
- É verdade que estava de mãos dadas com o Wade? – Gwen me pergunta.
- Ouvi uns boatos falando que se beijaram. – Diz Harry com os olhos arregalados.
- Não, claro que não! – digo sacudindo minhas mãos. – Ele só me salvou do Flash mais cedo, foi só isso.
- Falaram que parecia que iam se beijar – Gwen falava um pouco envergonhada – Disseram que nem largaram as mãos.
- Ele só me ajudou a levantar.
- Não sabia que esse era seu gosto – Harry fala – Pensei que curtia as baixinhas.
- Eu não gosto dele! – esbravejo.
- Então por que está corado?
- Eu... Eu não sei!
- E o Wade? Ele também gosta de você? – Gwen parecia a mais curiosa daqui.
- Não tem nada entre nós – justifico esperando encerrar essa conversa.
- E ai baby boy – Wade vem até nos sorrindo – Esqueci-me de te perguntar, não vamos mais a biblioteca não é? O trabalho vai ser feito todo na sua casa?
- Sim.
- Tá, só queria saber disso. Até.
Eu fiquei vendo-o ir embora enquanto acenava em despedida, ao voltar meu olhar Gwen e Harry me encaravam com as sobrancelhas arqueadas.
- O que? Isso não tem nada a ver. Só vamos fazer um trabalho juntos.
- Sei... Vou fingir que acredito – fala Harry cruzando os braços.
O sinal toca encerrando o recreio. Nunca fiquei tão feliz por ter que ir a aula do Charles.
As últimas aulas passaram rápido, foi educação física com o Logan, Wade foi à aula, mas ficou sentado na arquibancada. Os dois trocavam olhares, mais sempre no final acabavam dando uma risada.
- Vamos? – perguntei a Wade quando Logan falou que estamos liberados.
- Vamos.
Seguimos o caminho falando sobre coisas monótonas, mas queria fazer tantas perguntas a ele, sempre quis saber sobre suas cicatrizes.
- Cara, é aqui que você mora? – Wade me pergunta olhando a torre Stark.
- Sim, antes morávamos em uma mansão, mais meu pai quis mudar pra uma torre, pois assim seria mais fácil projetar seus equipamentos.
- Seu pai é Anthony Stark? E Steve Rogers?
- Sim.
- Deve ser legal ser tão rico.
- Ah sei lá.
Assim que entramos Wade não parava de olhar pros cantos e abrir a boca.
- A minha casa inteira é do tamanho dessa sala.
- Vamos ao meu quarto – digo entrando no elevador.
- Olá Peter, devo informar que seu pai e outras visitas estão te esperando na sala. – Fala Jarvis.
- Daqui a cindo minutos eu estou lá.
Eu guiei Wade ao meu quarto e peguei alguns livros.
- Daqui a pouco eu volto. Você se importa em esperar? – pergunto.
- Não, tudo bem – ele sorri sentando-se na cama.
Eu vou à sala encontrando meus pais, Clint, Natasha e dois outros jovens.
- Oi filho – Tony vem a mim colocando-me ao lado dos dois jovens – Esse são Pietro e Wanda, começaram a trabalhar na Shiled.
- Oi.
Tony me puxa ao corredor, longe dos demais.
- Qual dos dois você achou mais bonito?
- Nenhum. Por quê?
- Ora Peter, não haja assim. Já está na hora de você namorar, e não existem jovens mais legais que esses, são melhores que o Osborn.
- Já disse que não tenho nada com o Harry.
- Eu não acredito. Mais posso te apresentar a outros jovens que tal?
Não dá pra acreditar nisso, só bastava ano passado quando Tony me apresentou a uma Mary Jane e perguntou se eu gostei dela. Tenho que pensar em algo.
- Na verdade já estou namorando – minto sentindo um frio percorrer a minha espinha.
- Serio? Quem?
Pensa, pensa, pensa.
- Ele se chama Wade, está no meu quarto, estamos na mesma classe.
- Mostre-me ele então.
- Tá bem, eu vou chama-lo.
Assim que viro o corredor praticamente corro parecendo que meu coração vai saltar pela boca.
- Wade! – abro a porta de uma vez – Me desculpa, desculpa. Eu não tive outra escolha.
- Do que você está falando Petey? – ele fez uma expressão confusa.
- Só preciso que você concorde comigo em tudo o que eu disser, ok?
- Okay...
Seguro em sua mão levando-o aos meus pais.
- Pais, esse é... Esse é meu namorado! – Digo sentindo minhas bochechas arderem de vergonha.
Olho para Wade que me encarava atônito, ele olha os meus pais e apenas afirma com a cabeça.
- Sinto pena da sua bunda – fala Tony o olhando de cima a baixo. Tapo meu rosto com minhas mãos todo vermelho.
- Se vocês são namorados por que não se beijam? – indaga Steve desconfiado – Não tem problema não é?
- N-Não... – gaguejo.
Olho para Wade que parecia sem ação.
“Por favor...” peço sem sair som da minha boca.
Wade fica um tempo imóvel, mas se abaixa ficando quase do meu tamanho, sem jeito ele aperta a minha cintura, vendo qual seria a minha ação.
Todo envergonhado, eu seguro em seus ombros com minhas mãos trêmulas e levanto os pés.
Sentia o olhar de meus pais caírem sobre nós.
Fecho meus olhos, sentindo meu coração bater mais forte, ainda mais quando sinto o hálito quente de Wade bater em meu rosto. E do nada algo macio roçar aos meus lábios. Eu correspondo timidamente, deixando-o juntar nossos corpos. Posso sentir suas cicatrizes tocando em minhas bochechas, fazendo-me sentir cócegas, é até bom.
- Caham – pigarreia Steve.
Separo-me de Wade encerrando o beijo.
- Agora acreditam? – indago tentando não demonstrar meu constrangimento.
- Sim – fala Steve parecendo um pouco enciumado – Bom se quiserem podem ir a cozinha comer algo, já fiz o almoço.
- Tá.
Eles saem voltando a sala.
Mais agora tem algo mais importante a discutir.
Que porra aconteceu aqui?!
Fale com o autor