Just for you
2 Pela primeira vez.
Notas iniciais
Clark saiu do escritório de Samantha Concannon aturdido. Ele não sabia se era por causa dos cabelos ruivos dela, ou dos grandes e intensos olhos verdes ou sua força e inteligência. Talvez, tenha sido tudo isso. A irlandesa era esse tipo de mulher que alguns homens temiam e queriam conquistar.
Lembrou-se de como estava ansioso para conhecê-la, já era um grande admirador do seu trabalho. Ela era uma das poucas mulheres solteiras bilionárias que se engajava em grandes causas como ajudar estudantes, e feminismo. Mas, mesmo sabendo ou tentava saber o tipo de mulher ela era, não estava preparado para sentir toda a sua presença.
Ah, sim! Samantha Concannon era uma mulher que tinha muita presença. Nos olhos verdes existia um olhar firme, concentrado e desafiador. E foi esses olhos que quase dificultou fazer o trabalho dele.
Se Clark não fosse sobre-humano, ele nunca teria conseguido realizar seu trabalho de maneiro profissional com uma mulher daquelas na frente dele. Nem mesmo ele conseguia explicar suas reações. Já tinha entrevistados mulheres bonitas, elegantes, carismáticas, inteligentes, mas nenhuma delas despertou nele a vontade de conhecê-las mais profundamente.
Até conhecer Samantha Concannon.
E não sabia o que fazer sobre isso.
— Terra chamando Clark! — Lois estralou os dedos na frente dele.
— O que foi? — Pigarreou e percebeu que tinha se desligado completamente. Estava diante da sua mesa no Planeta Diário, encarando a tela em branco esperando para ser preenchida com a entrevista da Samantha.
— Onde você estava? — Ela perguntou e encostou na mesa dele. — Esquece! Quero saber como foi a entrevista com a irlandesa — Lois falou e mordeu uma das suas roscas.
Lois...o beijo que eles trocaram quando o Zod tinha invadido a terra algumas messes atrás, tinha ficado no passado. Ambos tinham decidido que não poderiam ir mais longe que isso, que era melhor Lois e Clark ser amigos, do que amantes.
Admitia que no começo ficou um pouco decepcionado com a decisão, afinal, Lois tinha sido a primeira mulher que sabia sobre seu super segredo, que o tinha ajudado e acreditado nele. Ela o ajudou a vencer Zod.
Foi ela a pessoa que abraçou depois de matar Zod e ainda era algo que o assombra em seus sonhos. Tinha aprendido com seu pai, Jonathan que nunca deveria ferir alguém, não importasse o tipo que pessoa a vítima era. Clark tinha uma extrema força e nunca deveria usá-la para ferir.
Mas ele não teve escolha.
— Foi uma boa entrevista, Lois, como qualquer outra — Clark falou e encarou os olhos dela, que o encarava de volta, desconfiados.
— É só isso que tem para me contar, Kent? Então porque desde que voltou está assim? — Indicou para ele.
— Assim como?
— Avoado e com os olhos de cachorro perdido em dia de mudança?
— Estava pensando no que escrever — mentiu e tentou mudar de assunto. — Você não tinha uma entrevista com Lex Luthor?
— Tive, fiz — deu de ombros. — Nada demais.
E Lois continuou conversando com ele sobre outras coisas do trabalho, que até o final da tarde, ele não voltou a pensar em Samantha Concannon.
Porém, quando a noite tinha caído, Clark lembrou dela e o pedido que tinha feito a ele. Por que ela queria conversar com o Superman? O que teria de tão importante para discutir com ele?
Tirou o papel com o endereço dela do bolso e encarou-o por alguns minutos. Depois, andou até um beco escuro e correndo, abriu camisa deixando à mostra o símbolo S em seu peito.
Ele sobrevoou Metrópoles na noite escura em direção a casa que Samantha possui na cidade. Era uma das coisas que mais amava fazer, zoar. Era algo que não teria como comparar. As luzes da cidade ao longe, parecia que decoração natalinas, tudo brilhava na escuridão da noite e nada era mais lindo que isso.
Com sua super audição procurou alguém em busca de socorro, já que estava ali mesmo. E ouviu um sufocado pedido de pare. Parou, fechou os olhos por um segundo e fez algo que a mãe o tinha ensinado quando criança para focar sua audição.
Pensou que estava em uma ilha, focando na voz da pessoa que pedia um sufocado socorro e pronto. Ao abrir os olhos, sabia o lugar onde a mulher estava e voou em uma descida, como um foguete. Um meteoro em direção ao chão. A mulher estava sendo cercada por dois homens em um beco e Superman chegou atrás deles.
— Ela pediu para vocês pararem — falou atrás deles com os braços cruzados diante do peito largo. Ele viu a mulher o olhar aliviado ao mesmo tempo que os dois homens se viraram para ele, em um olhar que Superman julgou que era para ser amedrontador para uma pessoa normal.
Porém o herói somente elevou uma sobrancelha, questionador.
— Não vão soltá-la? Ou eu vou ter que fazer isso?
Eles viram algo no Superman que os assustou e saiam correndo. Preocupado, Superman foi até a mulher que estava no chão, o olhando com extrema gratidão.
— Obrigada Superman! — Ela chorou em seus braços, enquanto ele a tentava pôr em pé.
— Quer ia até a polícia? — Perguntou prestativo e sentiu que a mulher tremia. Mas ela o olhou carinhosamente.
— Estou bem, eles não fizeram nada. Você chegou a tempo.
— Tem certeza? — Ao vê-la assentir continuou. — Quer que eu a acompanhe para casa?
— Não precisa, eu posso chamar um táxi — a mulher sorriu, mas ele pode ver medo nos olhos dela.
— Certo, eu chamo o táxi para você — falou por fim e acompanhou até a rua principal. E chamou o táxi.
— Obrigada Superman — ela agradeceu e entrou no carro e quando voltou a olhar para fora, o herói já tinha alcançado voou.
Superman encontrou a casa na beira de um grande lago, e enquanto descia, observou que ela era inteira de vidro e madeiras. Seguiu as luzes acessas, no andar de cima, onde ele julgou ser o quarto dela, e quando se aproximou, conseguiu ver que ela estava na varanda daquela janela.
Aproveitando que não tinha sido visto ainda, Clark resolveu observá-la. Ela estava debruçada na grande da varanda, olhando as estrelas com uma xicara na mão. Os cabelos estavam soltos, balançando suavemente na brisa noturna e então ela virou o rosto na direção dele.
Clark não tinha percebido que tinha chegado tão perto da varanda até ter os olhos verdes fixos nele. Ele voou diante dela na varanda. Ela o olhava mais atentamente e tinha um brilho brincalhão nos olhos verdes, deixando-o parecendo esmeraldas brilhantes na meia luz.
— Ora, ora, quem diria que o repórter Clark Kent é o Superman? — Samantha falou com um largo sorriso e Clark desfez sua posse de Superman.
— Não sei do que você...
— Ah, pelo amor de deus! Eu tenho uma ótima visão e reconheceria esses olhos azuis em qualquer lugar — falou apontando para seu rosto. — Bem, quer entrar? — Indicou a porta de vidro que daria para seu quarto.
Sem escolhas, Clark aterrissou na varanda e a seguiu para dentro. O quarto era um lugar enorme, tinha sofás brancos, mesas, estantes de livros e uma cama grande de madeira escura. Observou Samantha sentar-se na poltrona, cruzou as pernas longas e lisas que o short curto deixava à mostra.
— Não fica tão chocado Clark, posso te reconhecer. Agora sente-se.
— Nunca ninguém conseguiu enxergar Clark Kent no Superman — falou e ocupou a poltrona em frente a ela. Pela primeira vez, se sentia desconfortável dentro da sua roupa de Superman. Porque ele era Clark que de vez em quando, se vestia de Superman e não ao contrário.
Superman era o que ele podia fazer, Clark Kent era quem ele realmente é.
— Então, o que gostaria de falar comigo? — Perguntou.
— Bem... — ela estralou a língua. — Pensei em muitas formas de como abordar esse assunto, mas todas as formas pareceram estranhas e insensíveis. Por isso.... Resolvi ser direta.
Ela estava nervosa, ele podia ouvir seus batimentos nervosos dentro do peito e esperou, curioso e ansioso para saber do que se tratava.
— Sei que pode parecer loucura, mas…Eu, como você, tenho outro nome. Você é Kal-El, Clark Kent e Superman, o último homem que Krypton. Eu, além de Samantha Concannon, sou também Sun-El, a última mulher de Krypton.
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