Just for you
3 O simbolo do Superman
Notas iniciais
Ela viu todos os tipos de expressão passar nos seus olhos, supressa, desconfiança, confusão e por último, curiosidade.
— Sei que parece loucura, mas se estiver disposto a ouvir minha história posso esclarecer tudo — Samantha falou ao vê-lo todo quieto. — Mas quero vinho — falou e pegou a garrafa que tinha deixado no quarto para poder beber enquanto desfrutava do banho de espumas. Serviu-se e como Clark recusou, sentou-se novamente.
— Bem... por onde começo? — Os olhos dele estavam atentos nos dela. —Eu fui adotada por uma jovem mulher irlandesa, depois que ela me encontrou dentro de uma nave no quintal da casa dela — falou, sorrindo ao lembrar-se da mãe. — Minha mãe, Layla era filha única do casal bilionário Concannon. E ela sempre me disse que no momento que me viu, me amou. — Viu Clark sorrir, como se pudesse entendê-la perfeitamente e Samantha não duvidava que poderia. — Minha mãe é uma mulher muito mente aberta e curiosa, por isso, sozinha, tentou descobrir tudo o que podia sobre mim e no começo, não tinha descoberto muito. Além da nave, ela só tinha isso como pista — enquanto falava, Samantha puxou uma corrente de prata para fora do roupão de seda azul e mostrou o pingente que a corrente pendurava. Era em formato de diamante, com o S dentro, em um material que não existia na Terra.
— Isso é.... — Clark apontou para o S no próprio peito, surpreso.
— Sim, é o seu símbolo. O símbolo do Superman — Samantha falou e entregou para ele ver mais de perto.
— Está escrito Sun-El na parte de trás — falou, apontando para a parte de trás do pingente.
— Sim, pensamos que esse poderia ser meu nome alienígena. Devo dizer que se o Superman não tivesse colocado a cara no sol, minha mãe e eu nunca descobriríamos meu planeta natal.
Lembrou-se de ver as matérias nos jornais sobre o alienígena que veio de Krypton, até chorou quando viu o símbolo que ela sempre carregava no pescoço estampado no peito daquele homem com uma capa vermelha. E ficou com medo quando viu o que Zod tinha feito com Metrópoles para pegar o Superman.
Na época, sua mãe a tinha aconselhado para esperar antes de pegar o avião para a cidade, o tal de Zod poderia ser perigosa para ela também. E ela esperou e viu a vitória do homem de aço.
— Meu deus! — Clark exclamou e seu olhar pareceu cansado. — Mas...e seus poderes? Se você é de Krypton, como eu, não deveria ter....
— Sim, minha mãe ficou assustada e animada quando meu viu erguer o maravilhoso sofá do meu avô aos 5 anos — Ela sorriu e pegou de volta seu colar que Clark devolveu. — Fui treinada para conhecer meus poderes e conseguir controlá-los.... Foi muito difícil na verdade.
É, não tinha sido nada fácil aprender a controlar seus poderes. Desde pequena ela tinha frequentado um colégio particular onde as outras meninas a tratavam mal, por isso, tinha poucas amigas. Na verdade, sua melhor amiga era sua mãe e Clara.
— Eu sei como isso pode ser difícil — a voz de Clark a tirou dos pensamentos e a fez sorrir ao ver a compreensão nos olhos azuis. — Tive um momento muito difícil para conseguir controlar os meus poderes.
— Sim — Samantha disse aliviada por finalmente conhecer alguém que a entendia. — Super audição, visão, força, tudo ao mesmo tempo. Levei um bom tempo para conseguir controlar cada um no seu momento e claro, para aprender a ligar e desligar eles.
— E percebeu que eles não podem ser desligados, somente ignorados.
— É — ela suspirou e serviu-se de mais uma taça de vinho. — Não quer mesmo? — Ofereceu a ele, que novamente negou. Deu de ombros e sorriu por cima da borda da taça.
— Então, o que você quer que eu faça por você? — Superman perguntou.
— Quero que me ajude a descobrir o quem eu sou — Samantha deu de ombros. — Você é a única pessoa que posso pedir isso, se soubesse que você também é Clark Kent, já tinha pedido na entrevista — piscou e o viu sorrir.
— Então, como Clark Kent farei algumas pesquisas sobre suas origens, Superman é facilmente notado e alguém poderia suspeitar o envolvimento com você — explicou e Samantha arqueou uma das sobrancelhas.
— E Clark Kent envolvido comigo pode?
— Tenho uma desculpa perfeita — deu de ombros. — Sou repórter afinal de contas.
— Certo — ela assentiu e por um longo momento o silencio caiu como uma cortina entre eles. Mas não foi algo incomodo, como a maioria, para Samantha foi algo aconchegante, como se ambos tivessem muita coisa na cabeça e precisavam desse tempo para assimilar as informações, aceitá-las.
Ela levantou-se quando o viu fazer o mesmo. Quando Superman virou-se para ir até a varanda, tudo que Samantha conseguiu fazer foi apreciar o modo que a capa vermelha farfalhava enquanto ele andava e a segurança que aquelas costas lhe passava.
— Está uma noite muito bonita — Clark falou quando ela se juntou a ele na varanda e como ele, também olhou para o céu estrelado sentindo a brisa fria acariciar seu rosto.
— Sim, muito bonita — Samantha falou e fechou os olhos. Amava sentir o vento em seu rosto, como se fosse capaz de fazer tudo. E mesmo sendo quem era, ela não podia fazer tudo. — Eu não consigo voar, Clark.
Não precisou olhá-lo para saber que a encarava com aqueles sinceros olhos azuis, como se pudesse enxergá-la como ninguém tinha feito antes e Samantha sentia que se encarasse aqueles olhos de volta, ficaria exposta como nunca esteve antes.
— Por que? — Foi tudo que ele perguntou.
— Tenho medo — suspirou e fechou os olhos ao sentir os cabelos balançarem pela brisa. — Eu sei que posso voar, mas... A ideia me assusta.
Na verdade, a ideia de sair por aí voando sem ajuda de nenhuma tecnologia, tão natural como andar a apavorava. Era uma mulher de negócios, que gostava de saber onde estava pisando.
Samantha Concannon era uma mulher com os pés muito bem plantados no chão. Essa era a realidade dela, se ela voasse, seu ponto de referência mudaria e a realidade dela também.
Tudo mudaria.
Porém, no fundo, ela sabia que sua vida já tinha mudado quando Clark Kent entrou no seu escritório, com os olhos azuis sinceros e fez seu coração palpitar como louco dentro do peito.
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