Just Sex
24 Vinte e três – História meia boca.
Notas iniciais
Eram pouco mais de sete horas quando terminei minhas atividades na escola. Eu e alguns líderes ficamos jogados no meio da quadra no pós treino, conversando para decidir nossos cronogramas de modo que os horários batessem. Os grupos foram divididos em subgrupos para separar por seções treinos sinônimos ou parecidos. Cana e Natsu dividiriam as quadras internas nos mesmos dias, já que ambos eram líderes das mesmas categorias, apenas separados por sexo. Os salões deveriam ser compartilhados com atividades que requirissem o mesmo tipo de ambiente. Como a Erza não estava podendo vir e eu que fiquei responsável por seu relatório, não foi difícil separar os horários e os dias. Infelizmente, nós duas teríamos que dividir alguns ambientes com o pessoal metido da torcida, mas nada foi muito confirmado já que Lissana, a líder, não estava ali. Uma das dançarinas apenas me ajudou a contra gosto, mantendo algumas seções em branco para possíveis preenchimentos. Mas de uma maneira ou de outra, pelo menos duas vezes na semana, ou eu ou a Erza teríamos que trabalhar paralelamente com eles. Infelizmente.
— Amanhã é o dia da avaliação psicológica. – Juvia comentou enquanto nos trocávamos no vestiário. – Você vai ficar bem?
— Por que não ficaria? – Perguntei, estranhando a pergunta.
— Bom. Ano passado você quase matou o avaliador.
Me recordei do fato, automaticamente ficando irritada.
— Lógico! Aquele desgraçado só tinha que conversar comigo e saber se eu estaca apta a liderar. Mas não. Ele tinha que começar com uma baboseira de análise pessoal, dizendo que eu gostava de mandar para manter as coisas no controle... Francamente.
Juvia sorriu sem graça.
— Não acho que ele estava de todo errado.
— Vai se ferrar você também! – Exclamei. – Ele me chamou de controladora. E pior! Disse que eu faço isso porque na realidade não quero demonstrar meus sentimentos, que acho isso uma fraqueza. Como ele pode dizer tudo isso depois de só dez minutos de conversa?
— Mas no final, deu tudo certo. – Disse. Estava claro que ela queria amenizar o clima.
Respirei fundo, guardando minhas coisas no armário.
— Só deu porque Aquarius interviu, se fosse por ele eu não teria sido líder.
— Aquarius sempre te salva, não é?
Me virei para Juvia, me espantando com suas palavras. Ela estava de pé, penteando o cabelo. Parecia bastante intrigada.
— O que quer dizer?
— Ah, sei lá. – Deu nos ombros. – Ela sempre te salva das confusões em que você se mete e cuida bastante de você.
— Você está ficando doida? – Debochei. – A Aquarius não vai com a minha cara. E muitas das merdas em que me enfiei foi por culpa dela. Como naquela vez que quase quebrei o braço do novato que ela insistiu que eu instruísse, sendo que o cara era um devasso.
— Eu lembro disso. Você foi ameaçada de ser expulsa.
— Tá vendo só? Acho que essa confusão toda que estamos passando está nos fazendo desconfiar de todo mundo.
Rimos da nossa própria desgraça.
— Tem razão. – Admitiu. – Acho que estou um pouco paranoica.
***
Podia parecer ridículo, mas eu estava plantada na frente da minha casa esperando o tempo passar. Se era birra e infantilidade minha fazer isso só para não chegar no horário estipulado por minha mãe? Com certeza era. Mas o orgulho é mais forte que eu. Ela pode ser minha mãe, mas me recuso a lhe dar o gostinho do controle.
O que me faz pensar que, se o filho da puta daquele psicólogo estiver mesmo certo, já sei a quem puxei.
Olhei no celular e eram 8:10h PM. Nem pontual, nem muito atrasada. Perfeito. Entrei em casa com a cara mais deslavada do mundo. E como eu esperava, a mesa já estava posta. Com meus pais me esperando pacientemente sentados à ela. Como imaginava, não havia sinal de Levy. Terei que ligar para ela depois.
— Que gentileza não terem começado sem mim. – Não resisti ao deboche.
— Muito engraçado, Lucy. – Layla me respondeu, virando-se para mim. – Venha logo para a mesa.
Joguei a mochila no pé da escada e me sentei de frente para Layla. Como sempre, meu pai estava na ponta, porém calado demais para ser normal. Ao que parecia, minha mãe tomaria as rédeas do sermão dessa vez.
Estava colocando salada no prato quando meu pai me olhou com severidade. Revirei os olhos e dei a mão para ele, que também segurou a da esposa para começar o ritual religioso da oração pré-refeição.
— Obrigada, senhor, por nosso alimento e família. Amém.
— Amém. – Repeti, com urgência, em seguida montando meu prato. – Então. Qual vai ser o castigo por eu ser uma filha ingrata e rebelde?
— Não vamos te castigar, Lucy. – Disse papai, enchendo seu copo com água. – Queremos apenas conversar.
— Estou ouvindo.
— Eu quero saber o que está acontecendo com você. – Minha mãe exigiu. – Você anda esquisita, cheia de segredos. Não respeita mais a gente.
Olhei pra cara dela sem acreditar no que ela havia acabado de dizer.
— Não seria eu quem deveria estar questionando isso? Vocês que estão estranhos. E eu não tenho segredos, ao contrário de vocês.
— Então se trata de nós? – Perguntou, surpresa. – É isso?
— Mas é claro! Eu me sinto sufocada aqui dentro, porque eu percebi que não sei de nada! – Me exaltei. – Primeiro, meu pai aparece surtando desconfiando de mim. O Laxus vai embora depois de discutir com você. Depois coisas começam a sumir do meu quarto e então vocês ficam brigando pelos cantos. Eu quero respostas!
Jude se mantinha normal diante da minha explosão, e Layla me olhava como se eu fosse uma pré-adolescente rebelde, que quer chamar atenção e só pensa em si mesma.
— Quer mesmo saber o que está acontecendo?
— Acho que é o mínimo que vocês podem fazer.
— Pois bem. – Ela limpou a boca, colocou o guardanapo sobre a mesa e olhou para o marido. – Eu e seu pai estamos nos separando.
Soltei abruptamente o garfo que segurava com força. O choque foi imediato, mas ao olhar para o lado, notei que Jude parecia mais surpreso que eu.
— Você disse que resolveríamos isso!
— Ela não queria saber? É melhor saiba de uma vez.
— Não acredito... – Murmurei, mas não por estar triste ou abalada, pelo menos não depois do choque inicial. Meus pais são adultos, eu sou quase uma adulta. Se fosse isso mesmo que eles quisessem, eu não teria objeções. Mas eu realmente não acredito nisso! Não porque não quero, mas sim porque está na cara que é uma puta mentira. Uma desculpa para acabar com minha desconfiança.
Entretanto, aproveitei o momento, fazendo-os confundir minha descrença com incredulidade.
— Não tem mesmo jeito?
— Não. – Disse ela, ao mesmo tempo em que meu pai respondeu:
— Estamos conversando.
Estreitei os olhos.
— Parece que vocês não concordam um com o outro.
— Lucy, eu sei que está triste, mas...
— Triste? – O interrompi, rindo com sarcasmo. – Vocês não têm ideia de com que eu estou triste, mas podem ter certeza que não é pelo aparente divórcio de vocês.
Eu estava mesmo triste por estar sendo enganada. De novo.
— Se é o que vocês querem – Gesticulei com as mãos. – Vão em frente. Não tenho mais cinco anos.
Me levantei da mesa após empurrar meu prato. Não conseguiria ficar olhando para eles por mais muito tempo.
— Já vai para o quarto? – Layla perguntou. – Você mal comeu.
— Perdi a fome. – Fui até a escada e peguei minha mochila, mas não saí até dar minha cartada final: – E para o bem dessa família, é melhor que haja um divórcio daqui a um tempo. Caso o contrário, vocês terão que inventar outra coisa.
***
Tive uma noite péssima. Não conseguia pregar os olhos, e quando finalmente o fazia, uma enxurrada de coisas chegavam na minha cabeça, me fazendo ficar elétrica demais para dormir. Pelo menos são preocupações reais, não pesadelos de um trauma passado.
Só consegui dormir depois que anotei algumas coisas na minha agenda. Era uma maneira de tirar aquilo de dentro de mim e não me perder nas descobertas. Escrevi tudo o que achava estranho. Absolutamente tudo. Meus apagões, as atitudes do Natsu, sobre meus pais, meu irmão, Lissana sendo supostamente coagida por Sting e as coisas que descobrimos sobre Gajeel e Gray. Até anotei o que a Juvia disse sobre a Aquarius, só por preocupação. Prestaria mais atenção nela daqui para frente.
De manhã, depois das poucas horas de sono inquieto, eu estava me sentindo quebrada. Fiz questão de fechar meu quarto à chave, porque definitivamente eu não tinha engolido nada daquela história de separação. Isso não era explicação para um monte de coisas estranhas que estavam acontecendo dentro de casa.
Na cozinha tomei apenas uma xícara de café.
— Só isso? – Meu pai entrou na cozinha de repente, assustando-me.
— Não tenho fome.
— Você tem que comer.
— Você está parecendo a Aquarius.
Ele encheu sua caneca com chá e sorriu.
— Como ela está?
— Chata. – Respondi. – Como sempre.
O ouvi respirar fundo enquanto lavava minha xícara.
— Você não pode ficar com raiva da gente assim, Lucy.
Me virei para ele.
— Ah, eu posso sim. – Ajeitei minha mochila nas costas. – Não sei de que horas vou chegar.
No caminho para escola, tentei ligar para o meu irmão, mas seu celular estava desligado. Aborrecida com esse isolamento total, estava vagando pela minha própria mente ao entrar no pátio. Logo alguém apareceu para perturbar minha paz.
— Lucy. – Era Aquarius. Olhei para ela, me espantando com o local praticamente vazio. – Hoje o refeitório abriu mais cedo para o café da manhã.
— Sério? Ainda bem que não comi.
— Eu já sabia disso. – Fez cara feia. – No início, era pra ser apenas para os líderes, mas acabamos expandido para os atletas e agora o colégio inteiro está lá. Toda sexta distribuiremos todas as refeições do dia.
— Isso é novidade. – Comentei, caminhando ao lado dela. – E é um gasto e tanto, geralmente o diretor restringia isso ao máximo. Já sei, aumento na mensalidade, certo?
— Deixa de palhaçada. Nosso colégio investe no desenvolvimento social e atlético dos alunos. E não são apenas os atletas que trabalham. O resto está envolvido com o comitê do evento esse ano, já que os Jogos serão feitos aqui depois de tanto tempo.
— Isso vai dar merda. – Comentei. Mas ela não estava mais do meu lado para ouvir, já tinha voltado ao portão para comunicar os alunos que chegavam.
Como pensei, o refeitório era puro caos. Os alunos idiotas não descansavam com coisas novas, até que enjoassem delas e tudo voltasse a normalidade. Havia piadas sobre bancons e ovos ecoando por diversas mesas, e eu só encarava aquele povo me perguntando como diabos eu fazia parte daquele grupo social. Não me surpreendi ao ver Natsu ao longe fazendo um bigode de bancon, arrancando risadas de todos, inclusive das garotas.
Peguei iogurte, frutas e torradas para enrolar uma refeição e procurei um lugar mais calmo para sentar. Ao que parecia, as salas estavam divididas por mesas ou times em separado. Quando achei a minha e me sentei na ponta, encontrei uma cabeleira vermelha à minha frente.
— Erza?
— Lucy! – Tirou os olhos do celular, notando minha presença. – Nem vi você chegar.
— O que está fazendo aqui? Pensei que só viria na segunda.
— Eu pretendia, mas o Jellal ficou melhor e eu resolvi vir! Seria muito injusto deixar tudo na sua mão, e no final você não pode ser avaliada por mim.
— Verdade. – Peguei seu relatório da pasta. – Toma. Eu separei do melhor jeito que pude. Algumas coisas estão em branco por que temos que esperar a Lissana para decidir.
— Obrigada mesmo, você me salvou. – Agradeceu. – Mas o que aconteceu com a Lissana? Será que está com uma espinha na ponta do nariz?
Não resisti a rir. Seria bem típico dela faltar por uma coisa dessas.
— O professor disse que ela está com o irmão que chegou de viagem. Só acreditei porque o Laxus já tinha comentando comigo, caso contrário a sua opção me pareceria a mais lógica.
Erza foi interrompida por um cara que esbarrou em suas costas, que pediu desculpas e foi embora antes que recebesse um olhar mortal da mesma.
— Eles estão fazendo a comida de bola de Beisebol?
— Pra você ver. – Bufei. – E são do time oficial. Se fosse eu, Aquarius já estaria no meu pé.
— Vocês não sabem o que a nossa sala fará! – Juvia chegou de repente, levantando um papel para que todos da mesa visse. – Ficamos com as barraquinhas de comida!
Uma onda de vozes se ergueu. Aquilo não havia agradado a todos.
— Por que ficamos logo com isso? – Perguntou uma das garotas, irritada.
— Por que eu corri para pegar primeiro. – Juvia respondeu.
— Logo isso? – Questionou outro. – Eu teria pego coisa melhor.
Juvia estava prestes a explodir, mas tentava controlar sua raiva.
— Ah, é? – Ironizou, pegando a lista das atividades do comitê. – Vocês queriam ficar com a banda? Alguém aí sabe tocar alguma coisa ou pelo menos cantar?
Silêncio.
— Ou então queriam a peça? Não, espera, que tal a apresentação oficial dos alunos exemplares da escola?
A olhei espantada. Nem sabia que tinha aquilo.
— Juvia tem razão. – Erza se levantou para dar apoio e todos ficaram calados. – Tem muita gente da nossa classe que participa dos times, e como no comitê teremos que trabalhar todos juntos em prol da classe, devemos escolher coisas simples. Comida podemos comprar, ou pedir para nossas mães nos ajudarem.
Ouvimos um grito fino. Alguém estava histérico na mesa de Cana, era uma garota esguia e alta. Era uma das atacantes do time de vôlei feminino, um dos mais importantes. O motivo do chilique era porque a sala dela havia ficado com o grupo musical. Por um lado entendo o desespero. Uma banda requer treino e dedicação, o que é ruim para atletas que já treinam duro em suas categorias. Me perguntava se eles conseguiriam fazer, mas Cana não parecia nem um pouco incomodada.
Vendo isso, pouco a pouco nossos colegas de classe foram pegando uma cópia das atividades com as barraquinhas. Até eu fui obrigada a pegar um.
— Toma! – Juvia enfiou um no compartimento aberto da minha bolsa. – Depois você lê.
Respirei fundo. Deve ser por isso que essa época é a que mais gosto e que mais odeio ao mesmo tempo.
***
O treino de hoje havia sido dispensado devido a avaliação psicológica, e os atletas do meu grupo quase se ajoelharam no chão e deram graças quando souberam disso. Para falar a verdade, eu bem que queria ir para casa mais cedo como eles, mas eu estava presa na secretaria, esperando na fila junto com os outros líderes.
Erza já havia modificado os horários necessários do segmento dos treinos, já que eu não era muito adepta das atividades da categoria para descrever com precisão. Eu estava a ajudando a terminar quando Cana chamou atenção de todos.
— Todo mundo vai hoje, não?
A maioria concordou, animada. Eu só os encarava sem entender merda menhuma.
— Ir para onde? – Erza fez a pergunta que eu não fiz.
— Para a festa, lógico! Vamos ter o último dia de diversão antes do treinamento de verdade começar.
— Eu passo. – Dispensou Erza. – Vou estar ocupada.
— Que chato! – Choramingou Cana, logo vindo para cima de mim. – Mas você vai, não é? Por favor, Lu!
— Lu?! – Exclamaram Juvia e Erza, obviamente estranhando aquela intimidade. Os outros também pareciam surpresos.
— Longa história. – Suspirei. – E não, Cana, é claro que eu não vou. Tenho mais o que fazer do que aumentar minha taxa sanguínea de álcool, ou outras drogas.
— Ninguém está mandando você beber. Ou será que a certinha não consegue resistir? – Exibiu um sorriso sacana.
— Vai se fuder!
— Ora, vamos lá! – Ignorou meu xingamento, me balançando irritantemente pelos ombros. – O Natsu vai!
Até o dito cujo nos olhou surpreso. O que diabos isso queria dizer?
— Mais um motivo para eu não ir. Sai de mim, encosto!
Para a sorte da própria Cana, ela foi chamada para sala antes que eu a esbofeteasse na cara.
— Ainda não desisti de você. – Declarou antes de entrar.
Revirei os olhos.
— Como você foi ficar amiga da Cana? – Juvia perguntou. – Não que eu tenha nada contra, mas está na cara que ela te irrita.
— Você nem imagina o quanto. Ela que veio pra cima de mim como uma doida. E agora se acha no direito de me fazer ir a uma festa! Como se a gente frequentasse esse tipo de lugar.
Quando Juvia me olhou sem graça, soube que tinha algo errado.
— Espera aí! Você vai?!
— Vou. – Admitiu. – Tenho outros interesses nisso.
Cai em mim e fiz cara de quem entendeu, fazendo Erza nos olhar desconfiadas. Felizmente, Cana chegou depois de um tempo e roubou a cena, mas tratei de expulsá-la dali. Logo foi a vez de Erza. Quando ela saiu da sala, me deu uma dica.
— É uma mulher.
— Sério? – Não sei se me aliviava ou ficava mais preocupada. – E como ela é?
— Muito bonita e simpática.
Merda, não fode comigo. Esse tipo de gente geralmente não vai com a minha cara.
Erza foi embora ficar com Jellal, me deixando sozinha quando foi a vez de Juvia entrar. Estava perdendo a paciência com a demora, até que me revoltei quando notei que meu nome havia sido pulado da lista alfabética.
Fui até a secretária.
— Essa porcaria de lista não deveria estar em ordem alfabética?
Ela piscou um par de vezes, espantada. Analisou a lista.
— E está. Como é o seu nome?
— Lucy Heartfilia.
— Estranho. – Procurou meu nome com o dedo indicador. – Você é a última.
— Isso é algum tipo de erro de digitação?
— Na verdade, não. – Ela me olhou sem graça. – Foi a Dra. que colocou dessa forma. Espere, logo será sua vez.
Me sentei no banco, incrédula. Será que essa mulher já não foi com a minha cara sem nem me conhecer? Ou a minha fama já havia chegado até ela? Só pode ser algum tipo de maldição!
Estava com um tique nervoso na perna quando Natsu me estendeu uma pasta.
— O que é?!
— O trabalho de física. É até hoje, o professor ainda deve estar na sala dos professores.
— E por que você mesmo não faz isso?
— Por que eu não quero. – Jogou o objeto em mim e sorriu. – Eu que terminei de digitar essa porcaria, então faça alguma coisa.
Me controlei para não socá-lo pela audácia.
— Já peguei, então some da minha frente.
Estapeei sua mão quando ele veio apertar minha bochecha, e ele saiu rindo da minha cara.
— Idiota.
— Lucy Heartfilia? – Chamou-me a secretária. – Sua vez.
— Finalmente! – Exclamei.
Ia entrar de vez na sala, mas pensei melhor, recuei e bati antes.
— Entre.
— Boa tarde. – Cumprimentei depois de fechar a porta atrás de mim. A mulher estava agachada sobre a cadeira e de costas para mim.
— Sente-se. – Ao ouvir sua voz de novo, percebi que me era familiar. E quando ela se levantou, constatei o pressentimento.
— Doutora Mavis?! – Quase gritei. – O que está fazendo aqui?
Ela sorriu para mim.
— Há quanto tempo, Lucy. Como vai? Sou a nova avaliadora.
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