Just Sex
27 Vinte e seis – Primeira vez.
Notas iniciais
— Se você me soltar... – Insinuou, tentando capturar minha boca mais uma vez. – Você não vai se arrepender.
Ri e estalei a língua, fazendo que não com o dedo. Natsu tencionou o maxilar, se debatendo mais agressivamente.
— Não adianta, você não vai me seduzir. – Me levantei, fiquei de frente para a cama e deixei o roupão escorregar pelo meu corpo até cair no chão. – Eu que vou fazer isso.
A expressão dele estava mais chocada do que quando mostrei a foto no celular. Ele só olhou meu corpo de cima a baixo diversas vezes, sem saber o que dizer. Caminhei até a poltrona ao lado da cama, sendo acompanhada pelo seu olhar.
— Acredita que eu entrei num Sex Shop pra comprar essa merda? – Cruzei as pernas, levantando meus próprios seios encobertos pela langerie de renda. – Eu ia pegar uma preta, mas lembrei qual era sua cor favorita. Vermelho, não é?
— Porra! – Tentou se levantar. – Lucy, eu juro que quando eu sair daqui, eu vou te fuder tão forte que você não vai conseguir andar até o dia seguinte.
Gargalhei.
— Que medo. Essa ameaça me deu uma ideia. – Peguei o frasco da sacola e sentei em suas pernas, de frente para seu sexo rígido e à mostra. – Eu estava pensando se iria usá-lo ou não, mas acabei pegando da sua geladeira. Espero que não se importe.
Natsu parecia com medo, provavelmente pensando que eu faria algum mal ao seu precioso amiguinho.
— O que é isso?
— Chantily. – Sorri pervertidamente e balancei o recipiente antes de espalhar o doce… Lá. Ele gemeu quando eu o chupei. – É bom?
— Se me soltar – Se contraiu quando o lambi de novo. –, vai saber se é bom ou não. Ah!
— Sua cara já diz tudo.
— Vem aqui que eu arranco essa calcinha com os dentes.
— E por que eu faria isso? – Revirei os olhos. – Acabei de comprar esse pedaço de pano e não foi tão barato.
— Então senta aqui. – Sugeriu, balançando o quadril. Gargalhei com a visão, mas depois fiquei séria.
— Não consigo. – Confessei.
Ele me olhou sem entender.
— Não está excitada o suficiente? – Arrsicou. – A culpa é sua por me deixar preso.
— Não é isso. – Minha voz imediatamente ficou mais baixa, eu estou completamente encabulada para admitir isso. – É que… Eu não consigo se não for você que, hum…
Natsu entreabriu os lábios, para em seguida mordê-lo, jogando a cabeça para trás.
— Não se eu rio da sua cara por falhar em me torturar ou quebro essa cama pra te fuder pelas seis horas seguintes. – Sua voz estava rouca. – A verdade é que eu que te excito, tocando em você ou não. E pelo visto, você não consegue fazer isso sozinha. É tão adorável você admitir isso que me dá vontade de nunca mais te deixar sair desse quarto.
Evito ficar vermelha. Estou mesmo parecendo uma garotinha “inocente” e submissa.
— Cala a boca, seu idiota.
— Já que estou aqui nessas condições, por que você não me faz uma pequena apresentação?
Arqueei as sobrancelhas para ele.
— O que você quer?
Quando ele me olhou com aquela cara pervertida, sabia que vinha alguma merda:
— Você já se tocou, Lucy?
Dessa vez senti minha cara queimar gradativamente. Não acredito que ele me perguntou isso! Mas pela cara dele, tenho certeza de que ela já sabia da resposta antes mesmo de fazer a pergunta.
— Por que você quer saber, seu nojento? – Tentei parecer normal.
— Não adianta disfarçar, você é muito transparente. – Ele sorriu e eu peguei um dos travesseiros para esconder minha cara. – Você nunca teve curiosidade?
Lembro-me de quando era mais nova. Eu estaria mentindo se dissesse que nunca tentei fazer alguma coisa assim, mesmo que por curiosidade. O problema é que eu tentei e não senti porra nenhuma!
— Espera! – Pareceu ter ligado os pontos e começou a gargalhar. – Então você não sabe…
— Vai pro inferno! – Gritei e joguei o travesseiro em sua cara. – Eu não preciso estar ouvindo isso de você.
— Tá bom, desculpa. – Prendeu o riso. – Juro que não vou rir. Mas Lucy, você tem que conhecer melhor o seu corpo. Pelo visto, eu sei mais sobre ele que você.
Nisso eu tive que concordar. Mentalmente.
— Então, o que você quer que eu faça?
— Que você tente agora. – Apontou com o queixo. – Na minha frente.
— Não sei…. – Sinto meu coração acelerar. Uma coisa é fazer sexo com uma pessoa, outra é se masturbar enquanto ela assiste! Alguém me bate!
— Qual é! Estou preso de qualquer forma, infelizmente só poderei assistir. É só lembrar de como eu fiz…
Fiquei em silêncio analisando a situação. O que eu tenho a perder além da vergonha na cara? Um pouco trêmula, abri um pouco as pernas e fiz menção de me despir, mas fui interrompida.
— Não tira a calcinha. – Ele pediu. – Só afasta. Roupas íntimas são tão sexy nas mulheres quanto seu corpo nu.
— Você é um pervertido.
— Você também, por isso nos damos tão bem, não acha? Agora vem cá, mostra pra mim… É só lembrar dos lugares que você gosta que eu toque.
Que porra estou fazendo? Dar prazer a si mesmo parece uma coisa tão sem sentido e vazia, mas por que me sinto tão ansiosa? Sob o olhar feroz de Natsu, estou disposta a me entregar completamente. O primeiro toque foi estranho, mas à medida que eu tentava comecei a sentir alguma coisa…
— Não feche os olhos! – Exigiu, me encarando fixamente. – Olhe para mim!
Depois de dado momento, esqueci completamente do constrangimento. Eu sentia meu sexo formigar e eu sabia que estava dando certo, mas para falar a verdade, eu não estava mais me importando comigo mesma. Agora eu que queria que ele visse. Preso, rígido, sem poder me tocar enquanto eu adquiria prazer sem ele.
— Puta merda, eu queria muito te fuder agora. Continua.
Não demorou muito para que eu chegasse ao orgasmo. Foi estranho e cansativo, mas foi bom ver Natsu praticamente gemer junto comigo. Minhas mãos tremiam.
— Isso foi… – Ofeguei. – Bizarro.
Ao levantar a cabeça e analisar sua expressão, eu sabia exatamente o que ele estava pensando e não demorei à fazer o que nós dois queríamos. Retirei a calcinha rapidamente e subi em cima dele de novo, dessa vez encaixando nossos corpos. Eu estava tão excitada, que senti meu corpo tremer enquanto gemia.
— Parece que tem alguém cheia de vontade aqui. – Sorriu de modo irônico, enquanto analisava cada ação do meu corpo.
— Como se você não estivesse esperando por isso. – Apoiei as mãos em seu peito, rebolando de modo estratégico.
Natsu mordeu os lábios.
— Sabe que não está sendo tão ruim assim ser dominado? – Ele jogou a cabeça para trás, fazendo força contra as correntes. – Porra, você quer me matar?
— Ainda não.
A pergunta me deu uma ideia diabólica, então sorri e me levantei, fazendo com que ele saísse da vibe de êxtase.
— O que está fazendo?
— Cala a boca. – Fiquei de costas para ele e voltei a me sentar. Já encaixada novamente, me preparei para o esforço físico que viria a seguir. – Isso era uma coisa que eu queria tentar há algum tempo. Você vai gostar.
Apoiei minhas mãos nos joelhos e com os pés fincados na cama, fiz o primeiro movimento. Sua reação foi instantânea.
— Puta que pariu!
Não pude evitar de rir. Eu tinha visto essa posição em algum lugar uma vez e descobri que era uma das mais prazerosas para o homem, já que desse jeito o membro é completamente... engolido. Por outro lado, é bastante cansativo para a mulher, mas como sou bem treinada, posso fazer isso facilmente. Enquanto ainda me aproveito da situação.
— Você tá muito sensível, fica quietinho aí.
— Não, você não tá entendendo... Isso é coisa de louco. Ah! – Ele gemeu, dava pra sentir sua respiração irregular. – Não para, continua.
Devo admitir que estava sendo engraçado vê-lo dessa forma, mas também, de alguma forma, prazeroso. Saber que estou causando isso enche meu ego, o que me deixa ainda mais instigada a continuar. A masturbação realmente ajudou para que eu sentisse muito mais do que sentiria se eu tivesse ido para cima dele logo de cara, além de ter criado uma tensão sexual deliciosa, que logo foi sanada quando o fiz entrar dentro de mim. Confesso que estou começando a me sentir cansada, mas sei que não resta muito tempo até que ele chegue ao orgasmo. Ele não vai conseguir se segurar como normalmente faz.
— Lucy... Puta merda.
Intensifiquei os movimentos, e acabei gozando logo depois dele. Vi uma vez que a ejaculação masculina ajuda no orgasmo feminino, e acabei de comprovar essa teoria. Não sei se isso se deve a questões físicas ou pelo fato de que saber que a causa do prazer sou eu, é suficiente para me fazer gozar também.
Tremendo até o último fio de cabelo, me joguei para trás, ofegando pelo esforço. E mesmo que ele não tenha feito absolutamente nada, Natsu estava igualmente suado.
— Cacete... Juro que se estivesse solto, te comeria de quatro mais umas cinco vezes.
Revirei os olhos, me colocando ao seu lado na cama.
— Nenhuma das suas peguetes fez isso pra você?
— Confesso que eu nunca deixei muito que eles fizessem o que queriam. – Ele ofegou, dando de ombros.
Bufei, o olhando com certo desprezo.
— É por isso que você é tão limitado, Natsu. Você tem que se manter aberto à novas experiências.
— Parece que você conseguiu me convencer a isso. – Ironizou, exibindo os braços acorrentados. Mas sua expressão mudou subitamente, virando sua cabeça em minha direção com surpresa. – Você me chamou pelo nome.
Isso foi o bastante para me irritar.
— Não era isso que você queria? – Levantei, pegando o roupão no chão. – Por que está tão surpreso?
— Eu estou surpreso porque percebi que você vem fazendo isso há algum tempo, e está parecendo bastante normal para você.
— Bem, é o seu nome, não? – Desdenhei, amarrando um nó na cintura. – Então pare de tratar isso como algo extraordinário.
Quando virei, ele fez uma pergunta que me fez parar.
— Você sente falta dos nossos tempos? – Fiquei em silêncio, absorvendo suas palavras. – Sente falta de como nós éramos antes do Sting chegar?
Minhas palavras saíram mais firmes do que como eu realmente estava me sentindo naquele momento.
— A saudade nem chega a bater por que quando eu penso em fraquejar dessa maneira, a sua traição é o que me faz voltar a realidade. E o tempo não cura os erros. – Cerrei os punhos, indignada por saber que isso ainda me afeta. – Além do mais, a relação que temos é bem melhor agora. Eu não espero absolutamente nada de você, então não espere nada de mim.
— Aonde você vai? – Perguntou ao me ver andar até o banheiro.
— Tomar banho.
— Que tal me soltar? – Perguntou de modo raivoso, e eu pude ouvir o som das correntes. Mas já tinha fechado a porta, deixando-o sozinho para pensar no que eu havia dito.
Mas a verdade mesmo é que sou eu quem mais está pensando sobre minhas próprias palavras. Por que, depois de tudo o que ele me fez, eu ainda estou aqui, deitando na mesma cama, compartilhando sensações? Sexo é realmente a única coisa que nos une?
Retiro o roupão e ligo o chuveiro, esperando que a água gelada me faça pensar com mais clareza. Existiu um tempo em que eu faria tudo por ele, e ele por mim. Quando exatamente as coisas mudaram? Não sei dizer ao certo, mas nossa relação já estava enfraquecida antes mesmo de Sting chegar e eu me rebelar como uma “garota livre”. Não sinto orgulho das coisas que fiz, mas eu realmente me senti bem com toda aquela loucura, quando não pensava nas consequências dos meus atos. Em todos esses anos que se passaram, essa não é a primeira vez que me pergunto sobre o motivo de Natsu ter feito o que fez, mas sei que lá no fundo uma parte de mim quer acreditar que teve um motivo, mesmo que isso não tirasse sua culpa ou me fizesse perdoá-lo.
A única maneira que eu consegui para superar tudo isso foi negando dentro de mim o que fazia ser quem eu era, por que também foi isso que me destruiu. Liberdade, a confiança que eu tinha nas pessoas... Foram coisas que joguei fora para me tornar mais forte, por que era a única coisa que podia fazer para não pirar de vez. Me tornando outra pessoa.
Saí do box e peguei uma toalha, enxugando meus cabelos em frente ao espelho embaçado. O que será que poderia ter acontecido se Sting nunca tivesse chegado? Natsu teria me traído de outra maneira ou teríamos continuado amigos? Às vezes penso no quão injusto é minha mania de culpar o diabo loiro de todas as coisas ruins que me aconteceram. É como culpar apenas o traficante, quando os usuários é que foram aceitaram seus vícios. Foi um conjunto de ações erradas, especialmente minhas, que me levaram ao lugar em que eu estou hoje. E se continuar errando significa que terei pelo menos o mínimo controle sobre minha vida, então é isso que eu farei.
Fui puxada de minhas conclusões ao sentir o aço gélido em meu punho, quando estiquei o braço para colocar a toalha de volta no cabide. Por reflexo, gritei e tentei dar uma cotovelada, mas ele foi mais rápido e me jogou contra a banheira. Minhas costas queimaram de dor, mas motivo da minha falta de ar foi olhar para expressão de Natsu à minha frente. Fios em cima dos olhos, sorriso contido e assustador. Não imaginei que ele ficaria tão irritado assim, tão irritado ao ponto de despertar o pior lado dele. Àquele me me machuca intencionalmente, mas não o suficiente para ultrapassar os limites. Me pergunto se dentro da minha cabeça esses limites não vão longe demais.
— Natsu! – Tentei me levantar, mas uma dor aguda cortou minhas costelas. – Como você se soltou?
Ele apenas riu, prendeu uma das minhas mãos no metal preso á parede e fez o mesmo com a outra, na lateral da banheira. Eu estava igual a ele, exceto pelo fato de minhas pernas estarem livres, o que nesse caso não é grande coisa.
— Não sei acho graça da pergunta ou pelo fato de que você achou mesmo que aquilo estava me prendendo.
Engoli em seco quando ele ligou a torneira com água morna.
— Como assim?
— Eu não sei se você percebeu, mas as peças da minha cama são de encaixe. A única coisa que eu fiz foi tirar quando você não estava vendo. E as chaves – Balançou à minha frente antes de colocar na pia. –, você deixou claramente em cima do aparador. Mas admito que foi divertido enquanto durou. Agora é minha vez de brincar.
Sorri. Parece que o feitiço se voltou contra o feiticeiro.
— Por que está rindo? – Natsu me perguntou com um sorriso macabro, perto demais do meu rosto. Meu coração parou por um segundo. Ele é louco!
— O que você queria que eu fizesse? Chorasse?
Foi a vez de ele rir. Só o encarei desconfiada, tenho que me lembrar de analisar melhor as características psicológicas desse garoto.
— Você é realmente uma figura, Lucy. Com certeza deve estar achando que vai se dar bem nessa, mas não vai. Eu quero um tipo de diversão mais… pesada.
Confesso que suei frio. Será que ele quer partir pra o lado masoquista da coisa? Eu até curto umas paradas mais leves, mas apanhar não é comigo não. Se ele fizer isso, juro que mato o desgraçado.
— Você não ousaria…
— Não é nada disso que você está pensando.
— Então vá em frente. – Dei nos ombros e abri as pernas. Se é isso que ele quer, quem disse que não posso tirar proveito disso?
— Realmente acha que vai ser assim? Eu disse que quando eu me soltasse, eu ia te fazer ficar sem andar até o dia seguinte.
— Aposto que você vai cansar antes disso. A não ser que você me bata, e se você fizer isso eu juro que te mato. – Estreitei os olhos.
Ele riu ironicamente.
— Ah, tem certeza disso? E eu ainda estou falando sobre prazer. E não aqueles papos de prazer na dor, apesar de que tem um pouco disso.
Quando a banheira ficou completamente cheia, ele desligou a torneira, sentou na beirada e esticou o braço para pegar alguma coisa. Foi aí que eu comecei a perder a calma.
— Você sabe o que é isso aqui? – Ele estendeu o objeto à minha frente. Era uma ducha higiênica. Me remexi e engoli em seco. – O famoso chuveirinho! Garotas espertas que não sabem o que fazer com suas próprias mãos usam ele para se satisfazer. Mas pelo visto você nunca pensou nessa hipótese.
— Você é doente. Isso não vai funcionar.
Natsu me olhou de modo sério.
— Eu percebi que você tende a se fazer de burra quando está encurralada, e isso não é nada excitante. – Do nada ele ligou a água e jato foi bem na minha cara. Quase engasguei. – Forte, não é? Mas nada extraordinário, por que depende de onde bate. A pressão da água é grande, mas agora imagine ela em um lugar mais sensível… Tipo aqui.
Me contraí e grunhi quando ele finalmente direcionou em minhas partes íntimas. A pressão não estava realmente tão forte, mas tudo mudou quando bateu… lá.
O olhei com irritação. Mas ele apenas riu e entrou na banheira, ficando de frente para mim. Beijou meus seios e pescoço, até chegar em meu ouvido e sussurrar:
— Eu vou te fazer gritar, implorando para que eu pare.
— Eu nunca vou fazer isso.
Ele ficou sério, sentou em cima das minhas pernas e finalmente deixou que a água esguichasse constantemente em meu sexo.
— É o que veremos.
****
Caí em mim que a desgraça estava feita quando, pela manhã, nem mesmo tive a oportunidade de despertar sozinha. Em baixo das cobertas, duas mãos se insinuavam sobre meu corpo, e não para um simples carinho. Tudo que tínhamos feito até quase o dia amanhecer veio à tona, mas por incrível que pareça, a pior delas foi me dar conta de que havíamos dormido juntos, agarradinhos como dois namorados apaixonados. Fiquei com ânsia de vômito e me desviei abruptamente de seu toque.
— Será que nem agora você me deixa em paz? – Ralhei, me afastando enquanto limpava os olhos.
Natsu riu, me agarrando por trás quando me sentei.
— Te deixar em paz é impossível, ainda mais depois de tudo o que fizemos.
Junto com a irritação, veio a vergonha extrema. Ainda podia sentir a água morna, nós dois no banheiro úmido e quente, ofegantes enquanto fazíamos coisas indecentes. Indecentes demais.
— O certo não seria que o que você me obrigou a fazer?
— Não se faça de inocente, Lucy. – Sussurrou, afastando os fios do meu pescoço. – Eu até posso ter te influenciado, mas você também quis.
Minha orelhas queimaram e eu me levantei bruscamente, no intuito de esconder minha clara humilhação. Entretanto, minhas pernas falharam e eu quase fui ao chão. Como deixei que ele fizesse aquilo comigo?!
— Vai com calma. – Natsu me segurou, mas não evitei de me arrastar pela cama até sentar no chão de modo desolado. Nunca senti tanta vergonha na vida por algo que eu quis. Algo que eu achei que jamais faria!
— Eu te odeio, sabia?! – Gritei, estapeando sua mão. Eu choraria se pudesse.
— Ei. – Segurou meu queixo, me fazendo olhá-lo nos olhos. Parecia calmo e sério. – Não precisa ficar com tanta vergonha assim, okay?
Quando ele me abraçou, quase me debati, mas deixei que seus braços fortes me rondassem. Consigo discernir suas atitudes, e sei que neste momento ele não está debochando da minha cara. A timidez bateu só agora, depois do feito, pois no momento eu parecia embriagada pela situação. E diante da proposta, mesmo relutantemente, eu quis experimentar.
— Você já tinha feito isso antes? – Perguntei de modo manso e ele me soltou. Talvez por espanto.
— Bem... já. – Confesso que algo dentro de mim morreu por um segundo, até que ele continuou. – Mas sabe, essa foi a primeira vez que eu pedi, que eu realmente quis. Algumas mulheres oferecem isso como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e eu seria hipócrita ao dizer que não aceitei várias vezes. Porém, dessa vez, confesso que me senti um pouco… Realizado.
— Por que eu me humilhei diante de você? – Indaguei com raiva.
— Como você pensa pequeno, Lucy. É claro que não. Estou feliz por que eu tive todas suas primeiras vezes.
Arregalei os olhos, não conseguindo evitar que meu coração se acelerasse no mesmo instante.
— O que quer dizer?
Natsu sorriu.
— Primeiro beijo, primeira transa, sexo oral… Até sua primeira masturbação foi minha.
Fiquei calada diante disso. Claro que uma das minhas principais indagações são sobre o por que logo ele tem o privilégio sobre mim, até que me dou conta de que fui que forneci isso a ele. Não existe pessoa mais contraditória que eu, eu deveria ser estudada.
De repente me senti insegura, então mordi o lábio com força espantando o sentimento para longe. Mesmo assim, perguntei:
— Você gosta tanto assim de me dominar?
— Você nem imagina o quanto. – Sorriu. – Mas na última, você deixou a lista mais completa.
Fechei os olhos com força quando ele piscou de modo charmoso para mim. Ele realmente vai ficar lembrando disso o tempo inteiro? Puta merda! Eu não sei se fico mais envergonhada com a estranheza do momento de inicio, ou com a sensação boa que senti depois. E eu achando que nas relações gays só os ativos se davam bem…
— Já consegue andar?
Dessa vez o chutei, e foi bem na cara. O desgraçado realmente cumpriu o que prometeu. Depois de uma série de orgasmos com aquele chuveirinho maldito e as indecências seguintes, minhas pernas não respondiam ao meu comando. Só tremiam. E é claro que, muito orgulhosamente, Natsu me carregou até a cama e me alimentou. Agora, com o rosto vermelho, ele não parecia muito feliz.
Me afastei, quase me levantando, mas o filho da puta me levou de novo ao chão e nós dois caímos num baque. Eu sabia muito bem o que ele queria, por isso me agitei violentamente, me arrastando para longe.
— Me solta, seu maníaco sexual!
— Adoro quando você se faz de difícil. – Ele me imobilizou completamente e admito que não senti tanta vontade de fugir ao sentir seu sexo rígido e quente em minhas nádegas. Quando ele forçou a entrada, rebolei de modo inconsciente. Ele riu. – Você quer isso tanto quanto eu. Estamos no mesmo barco.
Se os ditados fossem espelhados na minha vida, a palavra pizza seria substituída por sexo, por que é assim que as coisas sempre acabam entre nós. Antes de… começarmos essa coisa que temos, acabava no cacete mesmo, mas talvez fosse uma reação frustrada de nós dois? Provavelmente, mas… Hoje teve um desfecho um pouquinho diferente do esperado.
— Mano, eu che...
No meio do rali-rola, com os gemidos e o som das estocadas, a porta do quarto se abriu à nossa frente. Se você acha que a expressão de choque estava no rosto da pessoa que nos flagrou, está redondamente enganado. Quase desloquei meu maxilar de tanto que abri a boca, querendo gritar, mas nenhum som saia.
— ...guei. — Terminou ela, com uma cara apática de quem enxerga algo super comum. Foi aí que meu grito finalmente saiu, mas fino do que eu esperava, e eu comecei a me desesperar puxando os lençóis caídos no intuito de esconder minha nudez.
Mais uma pra lista de primeiras vezes/vergonhas que Natsu me proporciona: Ser pega em flagrante. Eu mereço.
Próximo capítulo: Flagrante!
Wendy se tornou uma adolescente mais estranha do que eu esperava. Lembro-me de como ela sempre ficava de fora nas brincadeiras, justamente por ser a menor do grupo, e chorava por horas em nossos ouvidos até que a incluíssemos. Achei que ela se tornaria uma garota sensível, mas agora vejo que ela está mais para uma Kuudere. O único problema é que quando sua personalidade “altera” para uma coisa mais fofa, sua expressão fria não muda, o que torna toda a situação bastante bizarra. E pelo o que percebi, ela só faz isso quando quer alguma coisa.
— Vai mano, por favorzinhooooo! – Wendy se agarrou ao braço de Natsu, esfregando seu rosto nele como um gato. – São só algumas horas!
— Eu já disse que não! Ainda mais com essa onda de estupro por aí.
Só a encarei espantada quando ela respondeu:
— Tá, só perguntei por quê quis ser uma boa irmãzinha, mas eu vou de qualquer jeito mesmo.
— Wendy!
Interrompendo a briga de irmãos, atinei para o que Natsu havia dito.
— Como assim onda de estupro?
— Você não vê televisão nem lê jornal. – Wendy disse, e não foi uma pergunta.
Natsu quase pirou:
— Como assim você não sabe? – Perguntou ele, como se dissesse que mais do que todo mundo eu deveria saber.
Me irritei com sua atitude, não deixando de pensar que ele poderia ter evitado o que aconteceu.
— Dá pra falar logo ou não?
Um jornal foi jogado no balcão e a manchete era sobre uma garota encontrada descordada num circuito de esportes. A vítima disse ter sido violentada por vários homens, que só se sabia que eram jovens, já que ela e todas as outras que passaram pela mesma situação foram drogadas e dessa forma não conseguiram identificar os suspeitos. Pus a mão na boca, chocada com tudo aquilo acontecendo bem na minha região e eu nem fazia ideia disso. Entretanto, outro choque foi maior. Ao analisar a foto onde a garota havia sido deixada na calada noite, eu reconheci o local e minha cabeça fez duas ligações, e a segunda veio atrasada demais para o meu gosto.
O local era o mesmo onde minha tragédia pessoal de quase cinco anos atrás havia ocorrido: uma pista de skate. E ela ficava perto do colégio da zona leste.
Onde estuda Gajeel Redfox.
Continua...
Fale com o autor