Just Sex
26 Vinte e cinco — Quebra de contrato.
Notas iniciais
Já não era tão cedo assim quando saí de casa munida com alguns objetos cruciais. Entretanto, mesmo que estivesse pronta para dopar aquele cavalo com os remédios que costumava tomar quando tinha problemas de insonia, e deixá-lo mais careca que o Kuririn¹, eu sentia que ainda faltava alguma coisa para incrementar meu objetivo: torturá-lo. Além do mais, dentro da minha mente diabólica também habita a mais pura perversão, e eu procuro me divertir com ambas quando possível.
Então desviei do caminho depois que desci do ônibus e, em plenas nove horas da matina, eu estava entrando num lugar que jamais imaginaria entrar. Da vitrine mesmo já identifiquei o que queria, e entrei no estabelecimento sem mais delongas, não me importando com os olhares alheios. Engoli todo meu orgulho, mesmo morrendo de vergonha por dentro, mas quando vi as algemas reluzentes em minha frente, esqueci completamente do constrangimento.
— Aquilo é de verdade? – Perguntei com um sorriso contido.
A vendedora olhou para mim e sorriu igualmente diabólica. Pegou da estante e as colocou em minhas mãos.
— Claro que sim. Tão forte quanto as dos policiais. – Garantiu. – Sei por que fui presa pelas duas.
— Interessante. – Comentei, mas não sobre o que ela tinha dito e sim sobre as ideias que passavam em minha cabeça. Qual teria a graça de fazer todo o trabalho com ele desacordado?
— Vai levar?
Fiz que sim com a cabeça. Mas só havia um problema:
— Tem um tamanho maior?
****
Entrar na mansão foi fácil. Como eu sabia que o desgraçado estaria mais bêbado que um gambá, apenas foram necessárias algumas palavras de boa moça.
— Caprico!
— Menina Lucy. – Sua voz no interfone não parecia mais tão surpresa quanto a última vez. – Está tudo bem?
— Está sim. – Sorri para a câmera. – Eu vim cuidar do Natsu. Sei que ela está de ressaca pela noitada, então trouxe algumas frutas e remédios que podem ajudá-lo.
Pra dar vericidade ao teatro, levantei a sacola com o arsenal de tortura e a balancei. Por um lado, eu não precisaria dar satisfações, mas não quero levantar suspeitas. Uma hora ou outra, a vovó e os pais dele irão perceber que estamos próximos demais. Então prefiro que pensem que voltamos a ser amigos do que saibam que estamos comendo um ao outro. Literalmente.
— Isso é ótimo! O senhor Natsu foi trazido até aqui por uns amigos e ele aparentava estar bastante mal. Fiquei preocupado por ninguém está em casa, mas ele alegou que dormir o faria bem.
Vibrei por dentro. Será que os deuses estão finalmente ao meu favor?
— Foi exatamente por isso que vim. – Menti descaradamente. Se tivesse alguém em casa, eu teria que mudar de tática. – Obrigada, Caprico!
Logo os portões se abriram para mim.
— Eu que agradeço, Lucy.
Me senti tão eufórica que tive que me controlar para não correr até a entrada. Ao longe, uma pessoa que não reconheci limpava a piscina, mas fora isso nem sinal de outros funcionários. Abri a enorme porta pivotante da frente, entrando no hall de piso tão polido que mais parecia um espelho. Notei uma jaqueta de couro jogada nos degraus da escada, mas o que me chamou mesmo atenção foi a calça jeans colocada de qualquer jeito no cabideiro. O filho da puta está tão bêbado que nem sabe o que porra tá fazendo. Provavelmente os amigos dele o jogaram porta a dentro e se mandaram logo em seguida. Também alcoolizados, e dirigindo ainda mais, aposto!
Me envergonhando por um dia ter agido da mesma forma, tomo o caminho que lembro até a cozinha para executar a primeira parte do plano. Quando disse que trouxe frutas, não foi ao todo uma mentira. Retirei um maracujá da sacola e algumas folhas de couve, colocando-as em cima do balcão. Assim como o resto da casa, a cozinha era impecável, mas demorei quase meia hora só para achar um liquidificador. A todo momento de olho na porta com medo de ser pega no flagra, bati o suco hidrante adoçado com mel². Quase dei uma gargalhada de bruxa ao adicionar o ingrediente especial, vulgo meu sossega leão tarja preta. Por um lado, eu não deveria fazer isso agora, já que misturar remédios pesados com o álcool que ainda corre pelas veias não é uma boa ideia. Mas quem liga?
Depois de tudo terminado, olhei para o líquido verde e quase bati em mim mesma. Como vou fazer aquele idiota tomar isso? Chego lá em cima e enfio pela goela abaixo? Entretanto, tenho uma ideia antes que eu possa me chamar de mula. Pego um post it da geladeira e escrevo algumas palavras, em seguida colando-o ao lado do copo. Depois de subir as escadas com cautela, passo direto pelo corredor até achar o banheiro social, e lá deixo minha mochila e sacolas. Mordendo os lábios e na ponta dos pés, abro a porta bege nova, que antes era na cor mogno quando a quebrei com um chute. O quarto estava frio e escuro, e a única luz que podia vez era o led do despertador de cabeceira. Se eu aguçasse bem meus ouvidos, podia ouvir sua respiração ao fundo. Bêbado ou não, sei que ele tem o sono leve. Então ele acordaria se eu fizesse…
Abri a porta de vez e a bati de volta com toda a força que pude, em seguida correndo como um furacão escada a baixo, pulando do corrimão para baixo na metade do caminho. Entrei dentro da dispensa e o esperei, olhando pela fresta da madeira.
Não demorou muito para que eu ouvisse os passos e os gemidos de Natsu. Vestido apenas com uma calça moletom cinza, o dito cujo cambaleou até a cozinha chamando por alguém, provavelmente sua Dinha, mas a voz estava muito estranha para que eu entendesse bem. Quando viu o copo na mesa, cambaleou de leve para trás, estreitou os olhos e foi até o balcão. Prendi a respiração enquanto ele tentava ler o que estava escrito, com medo que ele pudesse me ouvir mesmo em seu estado de ressaca. O desgraçado sempre teve boa audição.
Ele pegou o copo nas mãos e deu um bom gole, fez careta, olhou o copo de novo e em seguida tomou todo o resto de uma vez. Mas infelizmente, para a minha tragédia pessoal, ele não voltou para o quarto. Sentou em uma das baquetas do balcão e enfiou a cara no granito. Em pânico, eu xingava-o mentalmente e pedia aos deuses que o intimassem a voltar para a cama, mas ao invés disso ele continuou ali por vários minutos. Quase chorando de frustração, eu estava sufocando de calor ali dentro, por que além do lugar abafado eu sentia minhas orelhas queimando de tanto que estava vermelha de raiva. Na agonia, tive um mini infarto quando bati em uma prateleira e derrubei alguma coisa. Me abaixei para parar o barulho das latas rolando pelo chão, quase arrancando um pedaço da minha boca, mas quando me levantei, ele não estava mais lá.
— Merda, merda, merda. – Murmurei, praguejando.
E se ele sabia que eu estava aqui o tempo todo? E se estivesse à espreita esperando que eu saísse apenas para me atacar?
Pensar que eu seria surpreendida quando deveria ser ao contrário me deixou com tanta raiva que abri a porta de vez, mas a cozinha estava vazia. Respirei fundo e com mais calma, caminhei pelo ambiente com a guarda alta. Entretanto, ao chegar na sala soltei um meio grito de susto. Com as mãos na boca, eu encarava um Natsu jogado no chão, com as costas encostadas na parede. O chutei de leve, mas ele não mexeu um músculo sequer. Então eu ri, ri alto pra caralho, por que tudo isso é ridículo. E eu só passei de rir a quase chorar quando olhei para as escadas e percebi que teria que carregá-lo até o quarto.
— Os deuses não se decidem se me odeiam ou me amam. – Me aproximei dele, fazendo careta pelo cheiro. – Puta merda, você fede a vômito e cerveja. – O peguei pelos braços, arrastando-o pelo piso liso com dificuldade até os pés da escada. Já nos primeiro degraus meus braços pareciam estar sendo arrancados. Estou sem apoio e ele pesa pra cacete. – Argh! Vai se fuder!
***
Quando percebi que ele estava acordando, não deixei que o fizesse sozinho. Um copo d‘água foi o suficiente para que ele despertasse de vez e em desespero. Aquela cena era tão revigorante para mim que quase me esqueci do sufoco que passei para carregá-lo até a cama.
— Acorda, Bela Adormecida.
Depois de fazer uns sons estranhos de como se estivesse se afogando, Natsu finalmente levantou a cabeça em direção à minha voz. Colaborando, apareci em seu campo de visão, o olhando de cima com um sorriso satisfeito. Provavelmente minha figura está desfocada em sua visão e ele ainda não se deu conta do seu atual estado. Confesso que fiquei surpresa por ele ter dormido por apenas duas horas depois da quantidade de sonífero que coloquei. Ele é realmente forte, aquilo era para tê-lo sedado por no mínimo seis horas.
— Lucy? – Perguntou, com a voz rouca.
— A própria.
— O que está fazendo aqui? – Tentou se levantar, mas é claro que não conseguiu. Comecei a rir enquanto tomava meu refrigerante sentada na cadeira, por que ele levantou os braços e olhou para as algemas como se estivesse vendo a fada do dente. – Mas o quê…? Que porra é essa?!
Levantei quando ele começou a se debater descontroladamente, mas não adiantava por que eu havia prendido suas pernas à cama também. Tomei o resto num gole só e apoiei o joelho na cama, batendo em sua cara.
— Acorda, amorzinho. Você não vai sair daí, então a não ser que queira marcas acho melhor ficar quietinho.
— Mas que porra, Lucy! – Parecendo mais desperto, e agora com raiva, ignorou meu conselho e continuou tentando se soltar, fazendo a cama ranger. – Me solta!
— Não. – Pronunciei a palavra de modo divertido e ele me lançou um olhar mortal. – Mas você pode se sentar se quiser, as correntes são longas o suficientes para isso.
Quando ele se sentou, tentou utilizar os braços na posição para se se soltar. Ele parecia mais um daqueles lobisomens de filme, que as pessoas prendem para que não saia matando arrancando tripas por aí. As veias dos seus braços pareciam explodir com o esforço, porém mesmo que ele seja realmente forte, a cama dele é de madeira pura, e seus braços seriam seriamente feridos pelo aço das algemas antes que ele conseguisse quebrá-las.
— Você quer cortar os pulsos e morrer? – Chutei sua perna. – Fique quieto.
Ele rosnou para mim, mas em seguida respirou fundo como se procurasse paciência.
— Okay, então vamos fazer do seu jeito. – Sorriu sarcástico. – Provavelmente está nua por baixo desse roupão, que aliás é meu. E já que eu estou completamente pelado e vulnerável, e você tá afim de comandar a situação, então por que não senta logo no meu pau pra acabar com isso de uma vez? Já estou pronto.
Estreitei os olhos, com ódio, em fúria, principalmente por que vi que ele realmente já estava ereto. E mesmo que faça parte dos meus planos usar e abusar dele em todos os sentidos, me recuso a aceitar que ele fale desse jeito.
Subi em seu abdômen e o estapeei de novo, dessa vez com força.
— Dobre a porra da língua antes de falar comigo como se eu fosse uma de suas putas! – Sibilei entre dentes, devolvendo o mesmo olhar raivoso. Ele odeia receber tapas na cara, por que nós dois sabemos que eu sou a única que tem coragem de fazê-lo. Assim como fiz pela primeira vez há anos atrás. – Eu sei que você odeia se sentir preso, é da natureza dos animais selvagens ficarem arredios assim. Por isso vou deixar passar a audácia.
— Quando eu sair daqui, eu juro que vou…
— Quando você sair! – Não deixei que terminasse. – Até lá, você está literalmente acabado.
Bufou, cerrando os pulsos.
— Posso pelo menos saber por que estou aqui? Acho que não é apenas para satisfazer seus desejos sexuais.
— Sabe que você não é tão burro? – Ironizei e ele revirou os olhos. – A verdade, Natsu Dragneel, é que você fez merda. Bom, isso não é novidade, mas as coisas mudam quando é comigo.
— Dá pra falar logo? Eu não sei o que você acha que eu fiz. – Deu nos ombros.
— Ah, acho? Eu sabia que você iria tentar se safar da situação, mas mesmo assim quero ver a porra da desculpa que você vai dar agora.
Agarrei seu cabelo com força e sussurrei:
— A festa foi boa? Com quantas você trepou ontem?
— Puta que pariu, do que você está falando?
— Exatamente, Dragneel. – Concordei. – Puta. Que. Pariu. Eu te disse pra não ferrar comigo, mas parece que até um contrato não foi suficiente!
— Os caras me fizeram beber muito, por que com o início dos treinos vamos ficar na seca. – Alegou, como se isso retirasse sua culpa no cartório. – Foi só isso que aconteceu!
— Sóbrio ou não, o que importa é o que você fez. E se você não se lembra das consequências, vou te refrescar a memória…
— Caralho, Lucy. – Choramingou.
O ignorei. Do outro bolso, retirei a cópia do contrato e li em voz alta:
— Cláusula dezessete. Ambas as partes estão terminantemente proibidas de manter qualquer tipo de contanto íntimo como beijos, afagos ou qualquer tipo de ação que tenha conteúdo sexual ou erótico, sob pena de quebra de contrato pelo não seguimento desta e outras cláusulas do presente contrato de relacionamento.— Arqueei as sobrancelhas em deboche, fazendo com que ele engolisse em seco. – A pena por quebra é ter a cabeça completamente raspada, procedimento realizado pela parte prejudicada.— Joguei o papel pra qualquer lado e me aproximei de seu rosto. – No caso, euzinha aqui.
— Mas eu não fiz nada! – Gritou, se remexendo inquieto em baixo de mim.
Estalei a língua e fiz que não com a cabeça. Peguei o celular e mostrei a imagem, fazendo com ele prontamente arregalasse os olhos.
— Que coisa feia, Natsu. Mentindo assim.
— Puta que pariu! – Tentou desprender os braços, mas as algemas estavam muito bem presas à cabeceira da cama. – Eu estava bêbado, não lembro de nada disso.
— Azar o seu, Dragneel.– Sorri e peguei a máquina no criado mudo. Ele ficou branco assim que avistou o objeto. – Estou pensando se passo a zero de vez, ou faço aos poucos.
— Você não vai fazer isso.
Olhei para ele com superioridade e desdém, mas quando liguei o aparelho, minha expressão era a mais diabólica possível. Dragneel só olhava a máquina barulhenta em minhas mãos, como se fosse a coisa mais apavorante que tinha visto em toda a sua vida. Sentimentos de poder, vingança e justiça me inebriaram de uma forma maravilhosa. Então eu sorri, e me aproximei.
— Por que não começamos com o lado esquerdo?
Cortei o espaço lentamente, fazendo com que ele se esquivasse para trás como se quisesse se fundir com a parede.
— Ei, ei, ei! Espera aí! Aaaaah. – Parei diante de tal desespero. Natsu parecia uma criancinha berrando. Segurei o riso para ouvi-lo. – Essa foto não prova nada! Quem te mandou isso?
— Sabe que eu também não sei? – Desliguei a máquina e parei para pensar. Será que foi mesmo a Cana?
— O quê? – Cuspiu, incrédulo. – Como você acredita em algo que nem sabe de onde veio?
Arqueei as sobrancelhas.
— Sabendo a fonte ou não, a imagem fala por si só! Ou vai ter a cara de pau de dizer que é montagem?
Ele não soube o que falar.
— Você perdeu, Natsu. – Liguei novamente, assustando-o. – Como não posso descartar a possibilidade, então vou considerá-la. E eu não sinto muito.
— Puta merda! Não, espera!
Não tive pena. Quem visse de fora, com certeza cogitaria estar vendo uma cena de filme de terror. Natsu se debatia e gritava em baixo de mim, com o som irritante do barbeador ao fundo enquanto eu raspava gradativamente a lateral de sua cabeça. O primeiro buraco que fiz me deu uma sensação esquisita, então parei e o olhei nos olhos. Ele parecia estar passando mal.
— Por que seu cabelo é tão importante para você? – Perguntei, querendo realmente saber.
— Por que ele foi importante para alguém importante para mim.— Respondeu, com uma expressão pesarosa.
Suas palavras me trouxeram lembranças e isso foi o suficiente para eu desligar a máquina mais uma vez. Ele está falando de mim? Por que a época boa da minha vida, antes de todas as merdas acontecerem, são coisas que não esqueci mesmo me obrigando a esquecê-las. Como quando éramos colados um no outro e fazíamos tudo juntos, e éramos felizes. Eu amava mexer nos cabelos das pessoas, mas os de Natsu sempre foram especiais para mim. Do mesmo modo, ele só deixava que eu os cortasse quando estavam grandes demais. E a maioria do nosso tempo juntos se resumia aos cafunés que eu fazia em sua cabeça.
Durante todo esse tempo em que o odiei, eu me forçava a esquecer todos os momentos bons. Por que as lembranças só servem para mostrar que o tempo não volta atrás e que a traição que sofri foi inesperada, cruel e real. O Natsu que está em minha frente agora não é mais aquele de anos atrás. Então por que ele insiste em resgatar a essência do amigo que ele já foi em dados momentos? O objetivo é me confundir, brincar comigo? Ou mostrar que lá no fundo ele ainda é a mesma pessoa?
— Lucy? – Ele me chama. E ao simples som da sua voz minhas dúvidas se esvaem. O Natsu que eu conheci morreu. Quando liguei o barbeador novamente, Natsu parecia triste. – Lucy, por favor…
Mas o que me parou dessa vez foi o som do celular tocando. Impaciente por ter sido interrompida da minha convicção, soltei a máquina desligada para pegar o celular no bolso.
— Alô.
— Lucy!
— Quem é? – Afastei o celular do ouvido para ver o número. Não o reconheci. – Cana?!
— O que você está fazendo?— Quis saber. – Onde está o Natsu?
— Está na minha frente. – Disse, por que não tinha por que não falar. Ele me olha como se quisesse explicações.
— Pare o que está fazendo!— Ela grita. – Agora!
Fico assustada com suas palavras. Como ela pode saber?
— Do que porra você tá falando?
— Você recebeu a imagem, não recebeu?
— Como você sabe disso? – Estreitei os olhos. – Então foi você!
— Claro que não fui eu! Sei disso por que não foi só você que recebeu essa imagem, um monte de gente recebeu.
— Não estou entendendo nada. – Disse, confusa. – O que isso quer dizer?
— Presta atenção. Pode parecer paranoia, mas alguém mandou essa imagem pra todo mundo no intuito de encobrir o verdadeiro alvo: você! — Eu mal estava captando as palavras de Cana. – Alguém sabe que ia ter retaliação da sua parte, ou seja, alguém quer manjar se você tem algo com o Natsu ou não.
Olhei para Natsu em choque. Mas que porra!
— E quem me garante que essa pessoa não é você? – Arrisquei.
Cana bufou.
— Pelo amor de Deus, Lucy! Nem você acredita nisso. Eu estava na festa ontem e acredite, o Natsu não fez nada. Mesmo bêbado, ele recusou todas as garotas, a foto só mostra que elas ficaram em cima dele tentando tirar uma casquinha, mas nem beijo rolou.
Encarei o buraco nos fios róseos como se encarasse minha cara de trouxa no espelho. Fiz merda, fiz muita merda.
— Enfim.— Continuou. – Tô te ligando pra você deixar o coitado em paz, ele foi fiel a seja lá o rolo que vocês tem. Você acredita em mim, não é?
Fechei os olhos e respirei fundo. Eu não queria acreditar, mas acredito. Cana me passa confiança de alguma forma, e agora entendo o que o Natsu quis dizer com calafrios quando ela sente as coisas que estão acontecendo.
— Eu acredito em você, sua macumbeira. Tchau.
Quando desliguei o telefone, fui encarada por olhos afiados.
— Eu ouvi tudo. – Ele se adiantou quando eu abri a boca para falar. – Agora estou com a porra de um buraco na cabeça por nada! Me solte. Agora.
— De jeito nenhum! – Ri, nervosa. – Se eu te soltar agora, não ficarei viva para ver a luz do dia outra vez.
— Conserte!
Arregalei os olhos.
— Como vou consertar, meu filho?! Tá doido? Ou quer que eu cole os tufos de volta?
— Não importa. – Rangeu os dentes. – Você sempre mexeu com isso, ainda deve ter habilidades com a tesoura. Eu só não posso sair assim por aí.
— Tá, tá, eu já entendi. – Olhei para o estado da sua cabeça e tive uma ideia. Estou meio enferrujada, mas pode dar certo. – Vou te dar um novo visual, é melhor que raspar todo o resto. Só não reclame.
Me inclinei para pegar a tesoura e um pente.
— Não vou reclamar, confio em você. – Sorriu. – Mas eu quero que saiba que você também será punida.
— Vai querer que eu corte meu cabelo também? – Revirei os olhos, mas por dentro me senti em pânico. Eu não corto meu cabelo há anos, só dou alguns reparos eu mesma nas pontas. Tanto que ele está na bunda.
— Não. Gosto de mulheres com cabelos longos, é bom para puxar na hora H. – Fingi que não ouvi e continuei analisando onde deveria cortar. – Mais simples que isso, apenas quero que você mude seu guarda-roupa. Por minha conta.
O olhei sem acreditar no que tinha ouvido.
— Quê?!
— Não se faça de desentendida! – Se irritou. – Porra, já viu as porcarias que você usa?
— Eu estou muito bem com minhas roupas, obrigada. Era só o que me faltava!
— Eu não perguntei se você quer. Você vai fazer. – Exigiu. – Ou eu faço coisa pior.
Suspirei. Encarar a fúria de um Natsu raspado ou passar o mico na frente de todos da escola quando me virem com um visual diferente? Eu poderia mesmo não aceitar essa merda, por que eu não tenho medo dele. Mas consciência é uma droga, e a minha tá pesada pra cacete no momento. Odeio meu jeito impulsivo, ele só me põe na merda.
— Eu aceito. – Respondi finalmente. – Mas com limites. Não vou me vestir como uma dançarina de bordel. Agora posso continuar?
— À vontade. – Sorriu, dando de ombros.
Continuei meu trabalho, me sentindo nostálgica ao tocar nos fios macios. Agradeci mentalmente por não ter passado a zero, então deixei baixo o resto da lateral esquerda e aparei os fios na parte superior. Eu só havia visto esse tipo de corte e fotos, mas como sempre fui boa de olho, o resultado ficou muito bom.
— Você bem que podia abrir esse roupão para eu olhar seu decote enquanto isso.
— Terminei. – Peguei o espelho e mostrei seu reflexo. – O que achou?
Natsu fez uma careta, parecia se segurar para não me espancar, o que é irônico por que ele está preso.
— Eu tô parecendo um desses integrantes de boyband. – Quase ri da cara que ele fez. Ele virou a cabeça dos dois lado para analisar melhor. – Mas até que não ficou tão ruim…
Olhei para a cena e me peguei divagando. Com essa cara séria, agora vejo o quão sexy ficou, mas ainda do que o acho normalmente. O cabelo dele estava enorme, em um corte simples, acho que por que ele mal deixa que mexam nele, então a mudança radical deu um ar ainda mais perigoso à sua expressão. Os fios laterais acentuaram o olhar puxado, e quando me dei conta, tinha tirado o espelho de sua mãos e o beijado.
Ele pareceu surpreso com isso, mas logo se recompôs.
— Estou irresistível?
— Está. – Confessei, me sentindo inquieta. – Puta que pariu, parece que eu aumentei a sua pinta de badboy.
— E você está excitada por que gosta do que vê, não é? – Natsu passa a língua pelos lábios, me causando um arrepio. – Você sempre teve uma queda por badboys, Lucy. Assim como teve pelo Sting, não é?
Recuei.
— Ora, vamos lá! – Ele sorriu. – Não faça essa cara. Quando ele apareceu, com aquela cara de garoto malvado, você gamou na hora. Ainda me lembro de algumas loucuras que vocês fizeram juntos. Como na vez em que vocês pegaram o carro da minha mãe e foram passar a noite na praia, bêbados e batendo palmas para o pôr do sol. Tão romântico.
Sentindo o sangue ferver nas veias, o tapa que dei foi tão forte que senti minha mão latejar. Mas o sorriso de quem sabia que estava me afetando com as palavras não saia, e eu sei que ele está completamente certo. Eu sempre tive uma queda pelo errado e, infelizmente, não é hoje que me livrarei desse carma.
— Cala a boca. – O beijei agressivamente e o esbofeteei de novo quando não fui correspondida. – Só cala a boca e me beija.
No próximo capítulo: Primeira vez!
— Espera! – Pareceu ter ligado os pontos e começou a gargalhar. – Então você não sabe…
— Vai pro inferno! – Gritei e joguei o travesseiro em sua cara. – Eu não preciso estar ouvindo isso de você.
— Tá bom, desculpa. – Prendeu o riso. – Juro que não vou rir. Mas Lucy, você tem que conhecer melhor o seu corpo. Pelo visto, eu sei mais sobre ele que você.
Nisso eu tive que concordar. Mentalmente.
— Então, o que você quer que eu faça?
— Que você tente agora. – Apontou com o queixo. – Na minha frente.
— Não sei…. – Sinto meu coração acelerar. Uma coisa é fazer sexo com uma pessoa, outra é se masturbar enquanto ela assiste! Alguém me bate!
Continua...
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