Just Sex

21 Vinte – Zona de ebulição.


Notas iniciais
Gente, primeiro quero pedir desculpas pelo atraso (de novo), e por estar postando sem responder os comentários. Mas se eu não fizesse isso, eu ia demorar ainda mais, então achei melhor postar logo. E vocês sabem: eu sempre respondo vocês. Saibam que li todos os comentários e amei todos, inclusive uns leitores novos muito especiais S2. SEJAM BEM-VINDOS! Bom, outra coisa que quero me desculpar é pelo capítulo gigante. Sei que é incomum eu fazer isso por aqui (não tanto), mas foi inevitável. Quis "fechar" tudo nesse, por que o próximo é o especial Gale e depois vem a segunda parte de JS! Eu espero realmente que vocês gostem, esse capítulo tem muita coisa, muita mesmo :v Agora, quero agradecer à linda Neko, que presenteou JS com mais uma recomendação! Minha gente, eu surtei. É serio. Antes, eu estava acostumada com recomendações. Eu tinha 11 em Destino, minha primeira fic já excluída. Mas quando postei JS, custou a começar a chegar. E cada uma que vem é uma emoção gigantesca! Muito obrigada pelas palavras, Neko! Fico muito feliz que você goste de JS e espero que continue com a gente até o final! Sua linda S2 ANTES DE LEREM QUERIA DIZER UMA COISA! Postei um jornal sobre JS no SS, falando muita coisa que vocês não sabem sobre a fic. O link vai estar lá em baixo. E, outra coisa também importante, que me deixou muito feliz! PARABÉNS! Você que chegou lendo até aqui, leu em JS o equivalente a mesma quantidade de páginas do livro A Culpa é das Estrelas, do John Green. Quando paro pra pensar, quase não acredito que já escrevi tudo isso, e ainda falta muito mais. Felicidade me define *0* Não editei direitinho como sempre faço, mas prometo ajeitar depois! Boa leitura!

Voltei para casa com aquela conversa martelando na minha cabeça, e logo pude sentir as dores. Quando cheguei, já era de noite e pela garagem vazia papai ainda não havia voltado do trabalho.

— Lucy. – Mamãe saía da cozinha no momento em que fechei a porta da sala. – Chegou tarde de novo.

— Treinamento para as Olimpíadas. E a Levy?

— Está lá em cima. – Ela se sentou no braço do sofá com um sorriso triste. – Se eu não tivesse levado comida para ela no quarto, ela estaria esse tempo todo sem se alimentar.

Respirei fundo e segui para as escadas.

— Que bom que fez isso.

— Não brigue com ela!

Tarde demais. Abri a porta do quarto, já jogando a mochila no chão. Teria começado com o sermão logo de cara, se eu não tivesse visto que ela estava dormindo na minha cama. Me aproximei e notei que ela havia chorado dormindo, ou chorado até dormir. Mas o pior de tudo, foi vê-la agarrada ao celular que exibia uma foto dos dois. Gajeel e Levy, abraçados na lanchonete tradicional em que se viram pela primeira vez. E eu sei disso por que estava lá.

Dei a volta para sair de fininho e respeitar aquele momento privativo, como se nunca tivesse visto nada. Mas acabei chutando o pé da cama, o que a fez despertar na hora.

— Lucy? – Perguntou com a voz sonolenta. Quando me virei, ela mantinha cabeça erguida e enxugava os olhos ainda úmidos. – Você me assustou.

— Droga. – Me sentei na cama e ela escondeu o celular discretamente. – Como você está?

— Melhor. – Levy respirou fundo e me olhou fixamente. – Não finja que não viu.

Fiquei calada. Não por ter sido pega de surpresa, mas por simplesmente não saber o que falar. Felizmente, fui poupada de abrir a boca e dizer alguma besteira.

— Ele não é tão ruim quanto parece.

O quê? Demorei alguns segundos para raciocinar, e quando consegui mandei um foda-se para a delicadeza com amigas traumatizadas.

— Eu realmente não acredito que você está dizendo isso, Levy. O filho da puta tentou te matar!

— E tudo que nós passamos juntos…

Quase bati em minha própria cara apenas para não esbofeteá-la, mas consegui me conter apenas em fechar os punhos com força. Se eu fosse considerar tudo o que já passei com o Natsu, a bela merda que ele fez comigo não teria afetado em nada na nossa relação. Mas não é assim que as coisas funcionam.

— Um erro apaga uma vida de acertos, Levy.

— Mas eu vi, Lucy! Vi hesitação nos olhos dele. – Agora ela chorava de novo. – Aliás, como acha que consegui fugir? Pura sorte é que não foi.

Encerrando o assunto e me deixando com cara de tacho, Levy se levantou e foi até o banheiro. Respirei fundo, pensando enquanto tirava meus sapatos. Se ele hesitou, então se arrependeu e por isso a deixou ir? Mesmo assim, isso não deixa de ser uma bizarrice. Igual a conversa que tive com a Erza. Mas não posso falar nada a ninguém até que eu cumpra o que prometi a ela e a mim mesma. Preciso ir atrás desse cara e descobrir o que merda ele tem a ver com isso tudo.

Avistei meu notebook fechado em cima da escrivaninha depois que levantei para tirar as calças. Nem tinha analisado o treco depois da confusão de ontem.

— Ah, seu notebook já era. – Levy avisou assim que saiu do banheiro.

— Como é que é? – Me virei descrente e tentei ligar o negócio. Pus a bateria pra carregar e nada. – Puta merda. Como foi isso? É possível foder um computador a distância?

Levy deu nos ombros.

— Bom, sei que dá pra controlar as funções básicas à distância, com uma invasão por exemplo. Por isso ele desligou.

— Sim, isso eu sei. Mas parar de funcionar? – Arqueei a sobrancelha. – Muito esquisito.

— É, pra fazer uma coisa dessas, acho só pessoalmente mesmo.

De repente, passei a desconfiar até da minha sombra.

— Alguém entrou aqui? Você mexeu nele?

— Só sua mãe. Tá querendo dizer que eu ferrei com seu PC? – Indagou com raiva. – Claro que não, Lucy. A única vez que mexi depois daquilo foi pra tirar o pendrive do USB. Que aliás, já está bem guardado com tudo que eu consegui salvar.

Ela me deu as costas e se cobriu com o cobertor. Decidi parar de pensar asneiras e troquei de roupa, me deitando ao lado dela depois de apagar a luz. Mas até pegar no sono, não consegui parar de pensar em como minha confiança nas pessoas vem diminuindo cada vez mais a cada dia que passa.

E o pior é que eu sei que isso é apenas o começo.

***

Quando levantei da cama de manhã, Levy não estava ao meu lado. Com as roupas que estava, desci até a cozinha e a encontrei descascando batatas com a minha mãe? Acho que ainda estou dormindo.

— Vamos comer batatas cozidas no café da manhã?

— Lucy! – Mamãe virou a cabeça em minha direção.

— Pelo amor de Deus, Lucy. – Papai surge magicamente ao meu lado, com o jornal em mãos. Sendo o cara que sempre foi. – Vista umas roupas, isso não são modos.

Olhei para minhas pernas. Eu estava só de calcinha e uma camisa velha. Mas quem se importa?

— Não tem nada aqui que vocês não tenham visto. – Revirei os olhos e sentei-me a mesa, arriscando soltar umas ironias matinais. – Então o senhor é do tipo de pai que passa a noite fora, mas preza pelo café da manhã em família?

Não é a primeira vez que ele faz isso, mas minha hostilidade se deve a desconfiança que foi plantada em mim por ele mesmo desde o dia anterior.

— Você quis dizer almoço. – Mamãe disse quando meu pai apenas fez cara feia e se escondeu atrás do jornal.

Demorei alguns segundos para raciocinar.

— Espera. Como é que é?

Levy finalmente olhou para mim.

— Já são 10:50h da manhã. — Respondeu, apontando a faca para o relógio de parede.

— Porra, Levy! Por que não me acordou? – Dei um pulo da mesa. Não acredito que perdi a hora!

— Eu tentei, acredite. Mas você não acordava de jeito nenhum. Achei que queria descansar.

A olhei de cara feia. Ela está com raiva de mim. Não a culpo, praticamente a acusei.

— Você sabe que tenho que estar na escola todos os dias, ainda mais nessa época. Obrigada por nada.

Sorri amargamente e me virei para sair. Puta merda, se eu não entrar nessa escola eu juro que quebro aquele lugar. Geralmente não sou tão responsável assim, mas se tem uma coisa que não posso vacilar é com as Olimpíadas Escolares. É a única coisa que gosto naquela porcaria.

— Não vai pelo menos comer alguma coisa?!

— Deixe-a, Layla. A Lucy sabe o que faz, assim como sabe o que diz.

Estanquei na escada com a ironia detectada. Virando a cabeça, apenas vi o arquear de sobrancelhas do senhor Jude antes que este voltasse a ler seu jornal. Não sei por que, mas fiquei com uma imensa vontade de gritar, tanto que minha garganta doeu. Mas apenas engoli em seco e segui para o meu quarto.

Depois do banho, saí de casa batendo portas, deixando claro que eu havia encarado aquilo como uma briga na qual eu havia saído mais do que puta. Eu quase nunca troco “delicadezas” com meu pai, mas quando isso acontece, meu humor vai para o espaço. No final de tudo, pelo menos Levy parece estar melhor. Acho que sua aparente chateação comigo lhe deu combustível para reagir de alguma forma. E eu realmente espero que ela obtenha mais força para as outras coisas que virão.

***

Obviamente o portão estava fechado. Nem me dei o trabalho de enrolar o traste do porteiro, por isso fui logo para a parte detrás e pulei aquele muro de cemitério. Entrei pela janela de um dos corredores sem saída e olhei a hora no meu celular, que descarregou logo depois. Droga, eu estou muito bem esses dias.

Andando como se fosse dona do lugar, caminhei até o refeitório, pois havia chegado exatamente na hora do almoço. Mas assim que eu peguei minha bandeja, fui abordada por ninguém mais ninguém menos que minha stalker preferida.

Aquarius.

— O que foi agora? Estou indo comer, não está vendo? Não precisa começar com o papo de nutricionista.

Ela estalou a língua.

— Antes fosse. O diretor quer falar com você.

Ah, era só o que me faltava. Soltei a bandeja na esteira.

— Ironias do destino. Eu estou com fome, quero comer, mas aí não me deixam! Depois não reclame.

Ela me empurrou de leve por cima da mochila e eu a olhei pelo canto do olho.

— Sua inocência me cativa, Lucy. Ou você acha que não foi vista pulando o muro agora? As câmeras dentro do colégio ainda não estão instaladas, mas as externas estão funcionando perfeitamente bem ao ponto de ver uma loira muito habilidosa escalando um muro de três metros como se estivesse num playground.

— Droga.

Aquarius abriu a porta do diretor para mim.

— Você tem companhia.

Antes que eu pudesse perguntar, avistei a inconfundível cabeleira rosa do filho da puta, que estava sentando em frente ao diretor. Revirei os olhos quando ele olhou para mim, e rapidamente evitei contato visual.

Me sentei de vez.

— Tá, o que foi dessa vez?

O velho apoiou o queixo entre as mãos entrelaçadas, com o rosto duro.

— Fora sua falta nas primeiras aulas e seu recente ato deliquente de pular o muro da instituição, o que acha do descumprimento do castigo?

Apertei os olhos, quase me dando um soco. Eu esqueci dessa porcaria.

— Que merda.

— Concordo. – O diretor respondeu. – Nenhum dos dois compareceu na biblioteca, e a pobre coitada da senhora Hilda ficou a ver navios.

— Eu fui visitar um amigo no hospital. Eu e o senhor estávamos lá quando ele passou mal, o namorado da Erza.

Senti Dragneel se remexer ao meu lado, provavelmente por não saber disso. Entretanto, não me virei para ele.

— Eu conheço o senhor Fernandes, nosso ex-aluno. Engraçado que o senhor Dragneel me deu a mesma desculpa.

— Não é desculpa alguma, ele é meu primo.

O diretor respirou fundo e mexeu em alguns papéis inúteis.

— Okay. Averiguei melhor a situação, e sei que o horário é um infortúnio para vocês, líderes. Então irei dispensá-los do castigo.

Na mesma hora, relaxei totalmente na cadeira. Menos uma merda para me preocupar.

— Eu só espero que, realmente, não haja mais confusão entre os dois. Vocês me entenderam?

Fiz algo como um balançar de cabeça.

— Podem ir.

Tratei de sair dali antes da pantera cor de rosa, que teve de segurar a porta antes que viesse a levar uma portada na cara.

— O que foi que aconteceu exatamente para o Jellal ter surtado? – Ouvi ele perguntar detrás.

Estranhei no mesmo instante. Então Erza não contou? É um segredo até para o Natsu?

— Pergunte a Erza.

— Ela não me falou nada.

— Então não é pra você saber.

— Você está evitando olhar para mim? – Agora ele parecia perplexo.

— Talvez. Me poupa as ânsias de vômito.

Perdendo a paciência, ele me segurou pelo braço e me jogou contra a parede. Sua face estava incrivelmente transformada pela raiva e meu sentimento de desdém se engrandeceu com isso.

— Vai continuar me ignorando assim?

Olhei para o aperto de sua mão.

— É melhor você me soltar, Dragneel.

— Não antes de você me falar o que porra está acontecendo, Heartfilia. Eu não sou obrigado a aturar frescura de uma mulher que eu achei que nem frescura tinha. Mas acho que me enganei.

Estalei a língua e puxei meu braço com toda e força. Mas ao invés de me afastar, cortei ainda mais a distância entre nossos rostos.

— Quer saber o motivo da minha frescura? – Sorri com sarcasmo. – O motivo da minha frescura foi a sua viadagem de ontem! Eu te pedi pra nunca mais fazer aquilo, e eu estou falando sério, Dragneel! Se me tocar daquele jeito de novo, eu juro que te mato, entendeu? Eu te mato, seu filho da puta.

Ele se afastou e ergueu as mãos de modo zombeteiro.

— Oh, parece que a Heartfilia não gostou muito do meu lado gentil de ser.

— Não fiz o caralho do contrato para receber gentilezas, ainda mais de sua parte. – Cuspi em sua cara.

Com o susto, meu sangue ferveu quando ele espalmou fortemente as duas mãos ao redor do meu corpo na parede, fazendo um estalido oco percorrer todo o corredor.

— Pois me diga o que você quer!

Levantei a cabeça para olhá-lo melhor. E falei entre dentes:

— Nada de baixas temperaturas. Se eu gosto de coisas quentes, eu quero fervendo. Entendeu bem?

Ele se afastou do meu rosto e sorriu de canto, me estendendo a mão em seguida.

— Então eu vou te mostrar o quão doloroso e excitante pode ser se manter numa zona de ebulição.

Com a menção da palavra “doloroso” eu hesitei antes de pegar sua mão. Mas o desgraçado nem me deu tempo para decidir, ou ao menos pensar. Saiu me arrastando pelo corredores, e pelo seu aperto forte pude sentir o quão irritado ele parecia estar.

— Pra onde está me levando? É hora do almoço!

Me surpreendi quando ele me levou para um dos banheiros femininos mais afastados.

— Exatamente um ótimo horário em que os corredores estão vazios e ninguém vai ouvir você gritar.

Apenas fiquei paralisada quando ele me empurrou para dentro e retirou do armário de limpeza um daqueles suportes amarelos de “interditado” e o colocou em frente a porta. Em seguida, tirou chaves de sua própria carteira, trancou a fechadura e jogou a mochila no chão, me olhando como um selvagem das cavernas.

E só no que eu consegui pensar foi: Quantas mais regalias esse filho de uma puta tem aqui dentro dessa escola para para transar com as garotas entre os intervalos?

— Você já deve ter trazido várias aqui. – Disse, colocando minha mochila na pia.

Ele riu e logo após retirou a camisa.

— Você quer ser tratada como especial agora? – Me puxou com força pela cintura, logo mordendo meu lábio inferior e sussurrando: – Ou isso tudo seria ciúmes?

— Vai se ferrar.

O trouxe até minha boca pela nuca, puxando os fios de seus cabelos com violência. Em algum lugar dentro de mim sinto que eu não deveria estar fazendo isso, mas o calor que emana de seu corpo me consome como uma chama ardente de uma fogueira, que aos poucos vai tornando brasa os tocos de madeira ainda intactos. Assim como cada centímetro do meu corpo, gradativamente, não me dando oportunidade para pensar em mais nada que não seja senti-lo por completo.

Dragneel põe as mãos por baixo da minha camisa, agarrando minha cintura com tanta força que gemi de dor em sua boca. O beijo fica mais selvagem e, admito, como vingança, faço o mesmo com seu pescoço. Ele desce para minha bunda e nesse momento se interrompe para cessar o beijo e me olhar nos olhos com uma careta desdenhosa.

— Demoro um século para achar sua bunda nesse monte de pano.

— Você quer que eu use calças ou legging de malhação? – Respondo sem fôlego, arqueando as sobrancelhas.

Ele estala a língua, rapidamente abrindo meu zíper e puxando as calças de vez para baixo.

— Se você usasse saias seria tudo mais simples.

— Eu gosto de dificultar um pouco as coisas. – Sorri ironicamente. – Gosto da sua cara irritada ao me despir.

Como previ, sua expressão impaciente se intensifica e quase gargalho em sua face. Mas, antes que eu possa fazê-lo, ele me surpreende mais uma vez.

— Então você vai adorar me ver fazer isso.

A incrível sensação de dejavu chega tão rápido quanto um soco. O filho da puta rasga minha camisa ao meio como se fosse uma folha de papel. Exatamente como na casa de campo, no dia em que me entreguei à esse desejo incontrolável pela primeira vez. De primeiro momento, me excito. Sentindo o peito subir e descer desregulado devido a respiração acelerada, enquanto nos fitamos intensamente. Mas então a sanidade grita de volta, e eu me lembro que estamos na escola e não trouxe roupa extra alguma comigo, exceto meu uniforme de educação física que está em meu armário no vestiário.

— Você é louco?! – Grito, não me importando se vão me ouvir. Ao contrário dele.

— Fale baixo. – Com o aviso, ele coloca a mão dentro de minha calcinha, como se o castigo por falar alto fosse me torturar com seus dedos. – Não vai querer que nos encontre aqui, vai?

Nem tenho tempo de responder, quando desta vez ele se dirige ao top que usava como sutiã. Entretanto, dessa vez sou mais rápida.

— Não! – Agarro seu pescoço, como se quisesse sufocá-lo. – Eu tiro.

Levanto os pés, me desfazendo totalmente das calças que ainda estavam presas às minhas pernas. Em seguida, retiro o top pela cabeça e o jogo perto das outras peças. Dragneel assistia a tudo de braços cruzados, sua pele bronzeada exibindo os músculos definidos e os quase imperceptíveis pelos rosados. O que é um atrativo bastante charmoso, admito. Com um sorriso satisfeito, ele disse quando eu fiquei completamente nua:

— Boa garota.

Em resposta, lhe mostrei o dedo do meio. E sendo ainda mais obsceno que o normal, ele segura o próprio pênis rígido dentro das calças, com um ar debochado.

— Acho que você precisa mais disso aqui.

— Então porque você não me mostra?

Sorrio ao me aproximar, mas ela segura meu braço antes que eu possa desabotoar sua calça. Arqueio a sobrancelha.

— Eu disse que você precisa, não que você vai fazer o que quiser.

— E qual a diferença?

— A diferença é que eu mando aqui.

Como se quisesse mostrar na prática o significado de sua ordem, Dragneel torceu meu braço atrás das costas, me imobilizando contra a parede. Depois de passada a surpresa, tentei me desvencilhar, mas fui dominada por algo muito mais forte que força física. Sua voz sussurrando em meu ouvido é o único motivo pelo qual me deixo ficar completamente entregue. Por que ela é o presságio da natureza dos acontecimentos seguintes. Apenas através do seu timbre, sei quando vou sair da história com as pernas literalmente bambas.

— Pensou que eu também não fosse capaz de alguns truquezinhos? – Riu em meu pescoço, o que fez com que eu me arrepiasse dos pés a cabeça. – Posso surpreender de vez em quando. Na verdade, eu poderia quebrar seu braço nesse exato momento, se quisesse.

Engoli em seco com a insinuação e o aperto tão forte que meu pulso começou a latejar. Não é apenas eu que vai sair dessa esgotada. A vibe mudou completamente em instantes, tanto que sinto seu corpo sofrer a transição de morno para completamente fervente, em todos os sentidos da palavra. O outro cara chegou e não parece muito contente.

— Natsu...

Antes que eu pudesse completar, fui virada de modo brusco novamente e tive a boca selada por sua mão direita que eu podia sentir tremer de leve. Se é por excitação ou uma crise nervosa, eu nunca poderei saber realmente. A única coisa de que tenho certeza, é que essa outra personalidade é mais destrutiva para ele mesmo do que para mim. E no fundo, não fico muito feliz com essa conclusão.

— Sabe, Lucy. – Começou a dizer, ainda tapando minha boca. – Às vezes fico me perguntando se sou muito controlador. Sou?

Tentei me soltar com uma das mãos livres, mas esta acabou sendo esmagada contra os azulejos com uma intensidade um pouco forte demais.

— Apenas balance a cabeça.

Queria dizer que só com essa atitude sua pergunta estava respondida, mas não estou em condições no momento. Para contrariar, meneei negativamente. Grande erro.

— Que ótima resposta.

Sem me dar tempo para pensar, Dragneel rapidamente me levantou pelas pernas e me colocou em cima da pia, não tardando em lamber a carne quente entre minhas pernas. Quis sair daquela posição completamente constrangedora, mas a língua que me acaricia entorpece meus pensamentos. Como nas três situações em que estive com esse outro lado do Natsu, posso sentir algo diferente de todos que ele finge ser. Sim, por que esse é o verdadeiro e único lado negro de tudo o que é Natsu Drganeel. A parte animalesca e perigosa, que ainda assim excita por ser exatamente o que é: Puro sexo, e apenas sexo.

Enquanto tento não gemer tão alto que possam escutar, alguma parte enevoada de minha mente se lembra do que Erza falou sobre Jellal, e só agora consigo entender o que ela quis dizer com transtorno de humor vindo de apenas uma única personalidade. Alegria, tristeza, raiva e irritação são sentimentos que temos guardados dentro de nós, e dependendo de certas ocasiões podemos pular de uma para a outra num piscar de olhos. Só que o que difere essa coisa comum de um problema real é a intensidade e a continuidade dessa mudança repentina, como também a razão que a desencadeia. Até agora, eu fui a responsável por isso em todas as vezes que presenciei. Contudo, o que preciso realmente saber é se sou a única que pode desencadear isso. Porque se a resposta for sim, há um mundo completamente perigoso e inexplorável dentro dele que somente eu posso desvendar. E estarei mais do que pronta para pagar o preço pelo risco.

Com o corpo tremendo, quando percebo já estou gozando em sua boca. Sinto-o bruto e desesperado ao me pegar mais uma vez no colo e me penetrar de vez sobre a parede oposta. Realmente nem vi quando ele deixou seu sexo a mostra, o que me deixa tão incomodada que me atrevo a falar.

— Não vai tirar o resto das roupas? – Perguntei com a voz ofegante, olhando dentro daquele olhos verdes que pareciam não me enxergar de verdade.

E sua crua e fria resposta foi:

— Você já está sentindo tudo o que merece.

As palavras tiveram efeito. Meu corpo entrou em dessincroniza com minha cabeça, que teimava em repetir suas palavras várias e várias vezes. Ele não me beijou mais desde então. Quase não me tocou. E continuou me penetrando vestido com calças.

Mas contraditório a todo esse turbilhão em minha mente, o prazer me invade cada vez mais. A crueldade de tudo isso é que ele é um tremendo filho da puta, mas ainda sabe fazer o que parece que foi feito para fazer. Parte de mim era gemido e raiva. Com o mix desses dois, o machuquei conscientemente, mordi seu braço, chupei e arranhei seu pescoço e costas com força. Mas ele não abriu a boca para reclamar ou sequer falar mais alguma coisa. E eu gozei de novo.

Quando ele me desceu ao chão e me pôs de quatro em frente a pia, caí em mim no sentido de suas palavras anteriores, como também de minhas próprias palavras. Altas temperaturas, sem gentileza. E enquanto ele saia e entrava de dentro de mim, segurando meus seios, mantive contato visual até o final, mostrando que aceitava de vez a dor que era estar na zona de ebulição. Por que lidar com meus sentimentos é uma coisa que apenas eu posso fazer. Mas com meu corpo, ele pode fazer o que quiser.

Com tudo acabado como se nada tivesse acontecido, ele se vestiu, pegou sua mochila e destrancou a porta.

— Quando sair, guarde a placa. – Disse e foi embora. Simples assim.

E eu ali, nua, com as pernas tremendo, o coração acelerado e o interior quente com seu gozo. Fui com minha mochila e o que sobrou de minhas roupas até o único box do banheiro, rindo de minha própria desgraça. Geralmente sou eu que tem essas deixas dramáticas e desdenhosas. Parece que o jogo virou, não é mesmo, Lucy? Bom, eu pedi, mesmo não tendo certeza do que eu queria nem de como me sentiria. Por que o relaxamento pós orgasmo que sinto em meus músculos não está condizente com minha mente completamente esmagada pela tensão. Mas tudo bem, posso aprender a conviver com isso. Tudo se resume a convivência, costumes e experiências.

Porém, se tem uma experiência que eu não gostaria de repetir é essa de ser deixada para trás sem roupas. Depois de me lavar, analisei os trapos de minha camisa preta. Completamente inviável sair vestida com isso por aí. Quando tenho a brilhante ideia de ligar para a Juvia pedindo socorro, nem pensando em como vou me explicar, me lembro que minha bateria foi para o inferno. Hades, recarregue meu celular!

Chuto a porta por dentro com raiva. Droga, Lucy. Como você é burra! Analisei minhas opções, mas logo descartei a única que consegui pensar: Me aventurar de sutiã pelos corredores até chegar à sala de Aquarius. Evidentemente, uma péssima opção. Ser flagrada pulando o muro é mais que o suficiente por um dia.

Ouço um barulho na porta e subo no banquinho rapidamente, prendendo a respiração como se quisesse ficar invisível. Se alguma das fofoqueiras de plantão me verem aqui, estou definitivamente com o resto da vida atlética destruída. Entretanto, quem eu vejo é ninguém mais ninguém menos que Cana Alberona. Parece que a placa de “interditado” não foi o suficiente para ela ir até outro banheiro, justamente por que esse é o local perfeito para o que deseja. Cana retira de dentro das calças um maço de cigarros, ao qual pega um e se encosta na parede para tragá-lo com prazer. Nem preciso dizer que é proibido fumar dentro das dependências da escola, mas quem sou eu para falar? Minha única opção é ficar ali quieta esperando que ela termine e vá embora de uma vez, mas ela acende outro logo após tragar o primeiro. Quase explodindo de raiva e pensando em quão irresponsável ela é por fumar sendo uma líder e atleta, tenho que me controlar para não tossir no meio do nevoeiro.

E no calor do desespero, tenho uma brilhante e péssima ideia. Cana pode me ajudar, por vontade própria ou não. Qual é, ela está fumando! Se o negócio for chantagem, estamos quites. É minha única opção.

Respiro fundo e saio de vez do banheiro com a cara mais lavada do mundo.

— Opa, opa! – Cana pula de susto, arregalando os olhos ao me ver. – Como que...

— Não precisa apagar seu cigarro. – Digo, lavando as mãos como se estivesse ali utilizando o banheiro casualmente. – Não contarei nada a ninguém.

Ela fica alguns minutos sem fala enquanto analisa minhas condições. Pelo meu reflexo no espelho, eu não estava muito apresentável com aquelas marcas pelo corpo. Só me conformo por que fiz o mesmo com o desgraçado.

— Alguém estava batendo em você? Me diga quem foram as desgraçadas que eu esfrego a cara delas no asfalto!

Arqueei as sobrancelhas e quase ri diante disso. Por essa eu não esperava.

— Não vai ser necessário. – Respondi, secando as mãos e me virando para ela. – Geralmente sou eu que bato nas pessoas.

Cana fez uma careta confusa, mas logo seu rosto se desfigurou em choque.

— Espera, você é a Lucy? Lucy Heartfilia?!

— Vejo que sabe meu nome, Cana.

— É, pelo visto você também. – Ela riu maliciosamente e puxou o fumo. – Que cena incomum te ver por aqui... assim.

Ri ironicamente.

— Acho que posso dizer o mesmo. – Fui direto ao ponto. – Olha, o negócio é o seguinte. Eu geralmente nunca peço nada a ninguém, principalmente a desconhecidos. Mas você é a única por aqui e preciso que faça uma coisa pra mim. Só não espere que eu vá agradecer por que vou te dar algo de igual valor em troca, então se contente com isso.

— Hm... – Cana me avaliou enquanto murmurava. – Pelo o que eu entendi, você precisa que eu faça algo pra você, e vai me dar algo em troca? Interessante. Eu só não concordo que somos desconhecidas. Afinal, nós duas somos líderes desde o ano passado.

— Se trocamos mais que vinte palavras, eu me dane. Isso é desconhecido pra mim.

Ela ergueu as mãos.

— Okay, como quiser. – Cruzei os braços. – O que você precisa?

Respirei fundo. Não acredito que estou prestes a fazer isso. Faço uma nota mental do troco que darei ao Dragneel futuramente.

— Preciso de uma camiseta para vestir. Te dou uma nova depois.

Cana fez algo que eu nunca imaginaria. Riu escandalosamente na minha cara.

— Essa é a coisa de igual valor? Por favor, não estou a fim de uma blusa nova.

— Então o que você quer? – Estreitei os olhos, começando a achar que foi uma péssima ideia.

— É muito simples. – Ela respondeu, apagando o cigarro na pia úmida. – Quero que você me diga com quem estava transando loucamente aqui dentro.

***

Eu não sei o que é pior: A minha cara de poucos amigos ou a expressão dos outros ao me verem passar pelos corredores com o que estou vestindo. Uma “blusinha básica”, foi que a maconheira de uma figa me disse quando foi buscar a bendita em sua bolsa. Mas o que ela me trouxe foi um negócio difícil de vestir, com alças no pescoço e um decote mais filha da puta que a própria dona. E para variar, é vermelha, a cor do diabo – e eu estou falando dos dois que conheço. Eu devo ficar muito bem com essa cor, por que esses desgraçados insistem em me ver passando por ridículo com ela.

Fingi que não ouvia os cochichos de todo mundo e desci as escadas, passei pelo pátio cheio de gente fazendo vários nadas e segui até a entrada traseira do refeitório. Quando subi a rampa, encontrei Dragneel e sua trupe jogados por ali.

— Nossa, que visão excitantemente incomum. – Infelizmente, o maldito do Sting estava ali dando seu desprazer.

O evitei completamente por que outra coisa mais interessante estava me chamando atenção. Todos pareciam rodear Dragneel, que estava com uma cara azeda de quem chupou limão. Quando observei melhor, percebi que a peste estava botando os bofes para fora.

Não perdi a chance de alfinetá-lo.

— Está enjoadinho, Dragneel?

Ele me olhou de baixo, devolvendo na mesma moeda com deboche.

— Comi algo que não me fez bem.

Ri com o trocadilho audacioso, e me abaixei para sussurrar uma resposta final e sem volta.

— Talvez você não tenha comido direito. – Dei leves tapinhas em seu ombro e saí deixando sua careta raivosa para trás.

Encontrei Juvia sozinha numa mesa, tomando um iogurte de copinho. Só de olhá-la, estava na cara a aura antissocial que emanava, tanto que ninguém quis chegar perto. Penso que talvez ela esteja assim por que hoje é o dia. Porém, caio em mim que ela está assim há muito tempo. Eu que fui muito egoísta e fingi que não notei.

— Juvia.

Ela ergueu o olhar para mim quando me sentei ao seu lado.

— Ah, oi, Lucy.

— Tá tudo bem?

Ao invés de me responder, desviou o olhar para uma direção que quase não percebi. Quando fui verificar, me deparei com Gray sentado no parapeito da janela. Aos seus pés, sentados no banco, estavam alguns de seus amigos de classe que conheço de vista. Ele ria e conversava naturalmente, exceto por fingir que não a via, ou nos via. A gente sente quando a pessoa simplesmente evita olhar e quando realmente não viu. Entretanto, presumi que toda aquela tensão gerada e acumulada para o dia de hoje era voltada apenas para nós, e Gray estava complemente alheio a isso. O que só aumenta minha curiosidade.

— Estou bem, sim. – Respondeu depois de um tempo longo demais, mas ela não pareceu notar. A maneira como brincava com a colher na sobremesa parecia distraída, só que eu sabia que ela estava mesmo é nervosa. – Então, que roupa é essa?

— Meu novo estilo. – Resolvi brincar quando ela riu, o que me animou um pouco.

Desde quando Juvia alcançou esse nível de importância pra mim?, é o que me pergunto. E o pensamento me traz uma careta no rosto, que logo deixo de lado.

— Acho que é disso que eu também estou precisando… Mudar.

— Que horror, Juvia. Não vem com esses papos melancólicos pro meu lado não.

— Mas não é melancólico, é a verdade! Quem eu sou? A garota apaixonada, que literalmente se fudeu e ainda continua se fudendo?

Fiz uma coisa inacreditável no calor do momento: segurei a mão dela.

— Você pode não perceber, mas já mudou, Juvia. – Ela olhou para nossas mãos juntas e vi seus olhos se encherem de lágrimas. Não sei se foi pelo meu ato ou minhas palavras. – Desde quando a antiga Juvia daria um tapa muito bem dado na fuça do Gray? Nunquinha.

Ela riu e enxugou o olho.

— Realmente. Mas esse fato é uma coisa que quero esquecer.

— Lá vamos nós de novo. Tá, você não me contou o que…

— Eu sei. – Ela me interrompeu. – Mas você não esqueceu, esqueceu? De hoje…

— Mas é claro que não, minha filha! Estou em comichão há dias para este dia. E dependendo do que for, eu mesma mato a praga.

Desta vez, foi a hora de Juvia impressionar. Ela simplesmente se ergueu na mesa e me puxou para um abraço. Fiquei estática, não por causa de um abraço, mas sim por que nunca tinha a abraçado antes. Mas acho que já ultrapassei a linha claramente imposta por mim e por ela na nossa “amizade” há muito tempo, tanto que agora nem preciso por a palavra entre aspas. Amigas, é isso que nós somos.
E quando finalmente a envolvo com meus braços, tenho em meu campo de visão uma morena muito esperta e até traiçoeira. Cana acenava sutilmente para mim, como quem diz: Olá, vadia, eu sei de tudo, não se esqueça.

Pelo o que parece, ganhei mais uma amiga de brinde.


***

Como Juvia havia me dito, Gray saiu um pouco mais cedo da escola. Mesmo que não estivesse no time e fosse sua obrigação ficar até o fim do horário normal. Pelo o que parece, esta quarta é um dia especial e ele conseguiu passe livre dos últimos horários para seu compromisso. Que por sinal, Juvia está totalmente a par.

Só passei um uma noite com o carro de Jellal, mas já sinto falta dele. Devo criar vergonha na cara e tirar a carta, por que se eu já a tivesse não precisaríamos ir para uma perseguição de ônibus. É ridículo! Acabei contando minha indignação sobre isso a Juvia, o que fez com que ela relaxasse um pouco. Mas não o suficiente.

Durante os treinos de hoje – onde tive que pedir um uniforme emprestado de Juvia, já que eu havia levado o meu para lavar –, estava com os pensamentos tão dispersos, que até peguei mais leve com meu pessoal. Não falei com Dragneel e Cana continuou com suas gracinhas mudas, aos quais ignorei. O dia passou como um borrão, e acho que as únicas partes concretas foram as cenas do banheiro, que por sinal não saem da minha cabeça. Só que o presente está me puxando agora e eu tenho que dar atenção a ele.

— Vamos descer aqui.

Juvia se levanta de repente e não me resta outra opção se não seguir. Quando descemos do ônibus com nossas mochilas nas costas e começamos a andar mais para dentro onde só se vê carros importados, percebi que estávamos no lado rico da cidade. As ruas arborizadas e bem cuidadas são típicas da região, porém o que difere mesmo são as casas. Começando pelos lotes. Os terrenos por aqui são quatro ou cinco vezes maiores que os do meu bairro, o que significa que são ridiculamente grandes para uma só residência. Elas se parecem bastante com a mansão dos Dragneel, com seus jardins de frente tão vastos que se dá uma verdadeira maratona até chegar à porta da frente. A diferença é que estamos na Zona Sul, não Norte. Aqui é a banda dos ricos que moram perto da praia, o que mostra que são mais ricos que os outros ricos. É muito dinheiro pra eu assimilar com apenas dois olhos. E as luzes de led que encandeiam as mansões não estão ajudando.

— Okay, estamos aqui. – Falo enquanto andamos lado a lado na calçada. Estou quase vendo a hora de guardas nos abordarem, já que estamos num condomínio. – Mas o que realmente viemos fazer aqui?

— Viemos atrás do Gray. – Juvia continua andando, como se já fosse dona do lugar.

— Você acha que o Gray está aqui?

— Eu não acho, eu tenho certeza. – Ela para e olha pra mim. – Por que eu vi.

Respiro fundo e a sigo quando ela continua em frente.

— Então ele está aqui, tá. Mas o que diabos ele veio fazer aqui, num bairro rico?

Me recuso a usar a palavra nobre, como muitos dizem por aí. Para mim, riqueza não é sinônimo de nobreza. Nobreza quer dizer dignidade, e a história está aí para provar que muitos “nobres” poderiam ser tudo, menos dignos.

— Chegamos.

Paramos em frente a uma casa branca, o que é uma descrição meio ridícula por que praticamente todas ali eram daquela cor. A mansão era quase uma réplica da Casa Branca, só que ao invés da fonte na frente, havia uma piscina que mais parecia um lago que rodeava a entrada. Espalhafatosa era a melhor palavra para aquilo.

— Sim, chegamos. E…?

— Merda! – Juvia praguejou de repente, me jogando no meio de uns arbustos que separavam uma via da outra. Simplesmente caí de bunda ali no meio do mato enquanto a doida espiava. – Que ótimo, não sabia que ela estaria em casa hoje.

— Mas que porra! – Quis surtar, mas fui interrompida.

— Shii.

À contra gosto, me juntei a ela para espiar o que estava acontecendo de tão chocante.

— Aquela ali não é a Laki? O que estamos fazendo em frente à casa da Laki Olietta?

— Você conhece ela? – Juvia me olhou espantada.

Apenas ri. Laki estava saindo da mansão batendo portas, com uma cara de poucos amigos. E entrou furiosamente em seu carro conversível.

— Não queria. – Respondi. – Mas a desgraçada veio mexer comigo uma vez, então fui apresentada à sua ilustre pessoa na coordenação.

Para falar a verdade, eu nem lembro o motivo da briga.

— Então…

Juvia não falou até que Laki saiu da garagem cantando pneus. Essa claramente seria eu se tivesse um carro, só que tudo numa versão mais barata e com uma cara menos patricinha.

— Estamos aqui… Por causa disso.

No meio daquele breu, Juvia acendeu seu celular e o entregou para mim. Chocada, analisei sua caixa e e-mail, mensagens e até as redes sociais. Ela estava sendo cruelmente humilhada por algo que eu não estava entendendo. Apenas pelo fato de saberem que ela é apaixonada pelo Gray, tudo o que descobriram sobre ele a afetava diretamente. E não psicologicamente falando.

Desviei meu olhar do visor para ela, com expressão de quem está sem palavras. E eu estou mesmo.

— Juvia, o que isso significa? – Indaguei, descrente. – Você está sendo ridicularizada e até ameaça por causa do Gray! Como isso pode acontecer? A Laki também está te ameaçando? É por isso que estamos aqui?

Ela tentou se manter firme, porém mesmo que seus lábios estivessem rígidos, vi uma única lágrima escorrer por sua bochecha.

— Não por ela, Lucy. E sim pelo Gray. É por isso que estamos aqui. – Enxugando a bochecha com o braço, ela apontou com o queixo para a grande mansão do outro lado da rua. – Quando o ele sair por aquela porta, você vai entender sobre o que eu estou falando.

Arregalei os olhos e me fixei na entrada como se minha vida dependesse disso. Os minutos se passaram arrastados, nenhuma de nós duas falava e quando percebi, já eram dez da noite. Estava quase perguntando se Juvia não havia se enganado quando vimos finalmente a porta da frente abrir.

Um Gray completamente diferente emergiu do arco como uma daquelas cenas de cinema. Peito à mostra em camisa de botão, jaquetas de couro numa mão e capete na outra. Por trás dele, como uma cobra envolvida em seda, duas mãos acariciaram seu pescoço, mostrando em seguida que pertenciam a uma coroa madame com cara de socialite. Eu só conseguia encarar tudo aquilo chocada, e quando olhei para minha amiga, só consegui enxergar a repulsa que ela estava sentindo.

— Juvia…

— É isso que o Gray está fazendo, Lucy.

Olhei novamente para os dois na porta, agora se beijando em despedida. Estava tentando ligar uma coisa à outra quando algo me ajudou a raciocinar: A cor do cabelo da mulher, a aparência… Aquela era a Sra. Ollieta, mãe de Laki.

— Não pode ser o que eu estou pensando…

— Pois é exatamente isso. – Agora ela chorava abertamente. – Gray Fullbuster, seu amigo de infância, virou garoto de programa.

Existe uma diferença entre saber e ouvir. Quando você escuta da boca de alguém, a ficha cai de verdade. Eu não entendi errado. É real. E olhando para ele se despedindo daquela mulher que tem idade para ser sua mãe, eu soube: Gray se tornou um gigolô.

— Por que? – Era a única coisa que eu queria saber, por que nada fazia sentido. – Por que ele está fazendo isso! O Gray não precisa fazer esse tipo de coisa para viver.

Juvia riu amargamente.

— Aí que está a questão. Talvez ele goste. O que me faz pensar que nós nunca o conhecemos.

Eu estava pensando a mesma coisa. Quando fiz menção de me levantar no impulso, ela segurou meu braço e me puxou de volta, balançando a cabeça.

— Então você se pergunta – Continuou a falar –, o que isso tem a ver comigo?

— Isso que eu também não entendi. – Confessei, agora analisando Gray em frente á calçada. Ele segurava um capacete, mas não havia moto alguma. Será que esperava alguém? – Qual a ligação?

— A ligação é que ele não tem apenas uma cliente. Descobri esse seu serviço extraoficial da pior maneira possível. Pela minha prima.

— Sua prima?

— A Kinana.

— A Kinana é sua prima? Que azar. Mas como foi isso?

Juvia se virou para mim desta vez. Havia parado de chorar, mas sua expressão ainda estava instável, mesmo que esboçasse raiva.

— Para chegar nas mães, eles usam as filhas como caminho.

Quis vomitar.

— Que horror! Então ele pegou sua tia?

— Tecnicamente ela não é minha tia, e sim mulher do meu tio.

— Mesmo assim, isso é…

— Repugnante? É, eu sei. – Voltamos a olhar para ele. – Ainda mais por que ele só curte as mais ricas e influentes. Parece algum tipo de fetiche, por que sinceramente, eu me recuso a acreditar que isso seja só por causa da grana.

Minha cabeça girava, porém lembrei de algo importante.

— Aquele dia, no corredor… – Ela respirou fundo quando iniciei o assunto. – O que ele disse?

Juvia passou a contar sem desprender os olhos dele nem por um segundo.

— Ali, eu já não aguentava mais as humilhações que as garotas estavam fazendo. Demorou um tempo para eu descobrir, tudo estava acontecendo bem embaixo do meu nariz e eu não fazia ideia. Um dia, no vestiário, Kinana perguntou como eu ia com o Gray, e eu obviamente não respondi. Então ela se juntou com as outras e começaram a falar que era lógico que nós não poderíamos ter nada, por que eu não tinha o que ele queria. E isso foi só início das coisas.

— Eu sinto muito.

— Eu também. Bom, como boba que eu era, eu não conseguia acreditar naquilo, mas a desconfiança não me deixava. Tentei conversar com ele, mas ele me cortou completamente, dizendo que sua vida pessoal não lhe dizia respeito. Depois disso, passamos a nos estranhar.

Me recordo do dia esquisito no início das aulas com aquela troca de cumprimento suspeita dos dois.

— O Gray sempre soube que eu gostava dele, mas por vontade própria decidiu que não iríamos passar daquela ficada. Agora vejo, que talvez fosse por que minha família não é rica.

— O que quer dizer?

— Naquele dia, do tapa. – Ela respirou fundo, como se a lembrança fosse difícil de recordar. – Eu fui perguntar a ele diretamente, porque eu simplesmente não aguentava mais. Eu já o havia seguido, já tinha visto com meus próprios olhos. Então eu perguntei: por quê? Ele disse que eu não entenderia e que não tinha nada a ver com aquilo. Continuei insistindo feito uma idiota e perguntei porquê ele preferia fazer aquilo tudo a ficar comigo, que gostava dele de verdade. Foi aí que ele mereceu o tabefe.

Ela se interrompeu para rir.

— Sabe o que ele respondeu? – Balancei a cabeça. – “Quanto sua mãe ganha?”.

Não acredito no que ouvi.

— Esse filho da puta. – Praticamente gritei, sentindo tanta raiva que até estava tremendo. Desde quando Gray é assim? – Ah, eu vou lá!

— Não! – Juvia me puxou de volta de novo, porém me desprendi. Eu preciso saber o que diabos está havendo. Por que se isso tudo não tiver uma explicação lógica, eu nunca conheci meu amigo. – Lucy, eu sei que está com raiva. Mas desse jeito ele só vai sair na evasiva. O melhor que temos a fazer é esperar para ver quem vem buscá-lo.

— Acho que não vamos mais precisar esperar…

Uma moto vinha do início da rua e como eu previa, parou exatamente em frente à mansão. Gray cumprimentou a pessoa com um aperto de mão, porém sacou o celular e os dois continuaram ali.

— É um homem!

— Estou vendo. Será que é um cliente? – Perguntei.

— Eu não me surpreenderia.

Gray, com homens? Por Hades, quais mais podres eu não sei sobre ele?

— O cara está pegando o celular, ele vai tirar o capacete.

Continuamos quietinhas na moita, esperando para ver o rosto do dito cujo. Mas quando longos fios negros caíram sobre suas costas, meu coração gelou. Juvia falou alguma coisa, mas eu estava muito vidrada no homem para prestar atenção em outra coisa. Quando finalmente Gray subiu na moto e os dois saíram dali, eu voltei a respirar, mesmo que irregularmente.

— Acabou que não deu em nada. Nem faço ideia de quem seja.

Quando não respondi, Juvia notou que eu não estava muito bem.

— Lucy, o que aconteceu? Você está pálida! Tá tudo bem?

— Não, Juvia. Não está nada bem.

— O que está acontecendo? Está me assustando!

— Eu conheço aquele cara da moto, Juvia. – Surtei. – Eu sei quem é o desgraçado!

— Então, quem é ele?!

Passei as mãos suadas pelo rosto, pondo meu cabelo para trás. Ainda sentada no chão, olhei para minha amiga já em pé com uma cara assustada a me olhar. E com as palavras presas na garganta, eu respondi:

— Aquele é o ex-namorado da Levy: Gajeel Redfox.

FIM DO ARCO INTRODUÇÃO

Nos próximos capítulos de Just Sex...

Eu mal podia acreditar que a Erza estava chorando na minha frente.

— Eu fiquei com muito medo, Lucy. Quando eu acordei e vi ele olhando para mim, eu percebi que aquele não era o Jellal. Não era o meu Jellal. Era uma pessoa completamente desconhecida. E o pior de tudo: Eu descobri que tinha medo dela.

[...]

– Já que estou aqui nessas condições, por que você não me faz uma pequena apresentação?

Arqueei as sobrancelhas para ele.

— O que você quer?

Quando ele me olhou com aquela cara pervertida, sabia que vinha alguma merda:

— Você já se tocou, Lucy?

[...]

Eu não conseguia me mexer, e não tentava. Estava tentando juntar forças para o que eu estava prestes a fazer. E ele continua com suas ameaças insinuantes.

— Você não sabe de nada, Lucy Heartfilia. Não sabe nem mesmo quem é, muito menos com quem está se metendo. Eu salvei a sua vida.
Aquele era o único momento em que consegui juntar coragem e força ao mesmo tempo.

— E eu vou acabar com a nossa.

Foi quando o fiz perder o controle do carro.

Continua depois do Especial GaLe...

Notas finais
EITCHAAAAA. Muita coisa aconteceu, não? No final, descobrimos que o Gray conhece o Gajeel? O que diabos esse cara tem a ver com todo mundo? É isso que vamos descobrir mais com o especial e os próximos capítulos! Tem duas conversas pendentes aí: O que se deu com a Cana e a Lucy no banheiro: Ela contou ou não? E o resto da conversa da Lucy com a Erza. Inclusive, uma desses prévias no final é sobre essa conversa. ATENÇÃO: Essa prévias não são totalmente fiéis ao texto. Ou seja, são só resumos aleatórios, mas o contexto é o mesmo. Aqui vai o link do jornal, é importante que leiam: https://socialspirit.com.br/perfil/sekaiyume/jornal/mais-de-500-5079284 Bom, agora vou indo! Saibam que responderei os comentários e estarei a espera de novos! Prometo não demorar tanto, um beijo pra vocês *3*