Just Sex

8 Sete – Negação.


Notas iniciais
Oi, gente! Como vão nessa madrugs? ¬u¬ Vendo muitos vídeos... educativos a essa hora da noite? ¬u¬ CAHAM *tosse* Parei e.e Bem, como vocês perceberam, me atrasei um pouco, mas aqui estou! Quero agradecer a todos os cometários e favoritos, vocês são demais. Bem, admito que esse capítulo foi inusitado. Ele é grande, mas não diz muita coisa... Pelo menos não de cara. Tem muitas dicas e spoilers nele, então tentem se ligar! Bem, já enrolei demais, então... BOA LEITURA! Ps: Eu já tinha falado no cap anterior, mas caso alguém não tenha visto e estiver interessado, estou com um grupo no whats! Me mande seu número com DDD, eu amo conversar *0*

– Droga, droga. Onde está, onde está... Caralho, não encontro!

– Filha, o que está fazendo?

Dou um salto quando mamãe entra no quarto, me encontrando num estado psicótico. Continuo tirando as roupas da cômoda desesperadamente, quase gritando:

– Eu não encontro, não está em lugar nenhum! – Ponho as mãos na cabeça.

– Por acaso não seria isso aqui? – diz, balançando o frasco transparente que surgiu de lugar nenhum.

Quase pulo em cima dela.

– Como encontrou? – Posso sentir o alívio me abater quando seguro os comprimidos nas mãos.

– Estava no seu criado-mudo. – Ela dá uma risada, passando a ficar séria quando me vê tomar vários comprimidos de uma vez. – O que aconteceu para estar assim? Não é comum te ver tão... Desesperada.

Solto um longo suspiro ao deitar na cama, no meio do mar de roupas espalhadas. O que eu vou dizer? "Mãe, estou com medo de perder o lacre?" ou "Talvez eu descubra que tenho tendências aracnídeas, pois muito provavelmente eu terei matado o meu macho após o coito¹".

Decidi ocultar as partes mais constrangedoras.

– Basicamente, vou ter que fazer um trabalho de escola com alguém eu odeio.

Ela ri e se encosta na parede, cruzando os braços.

– Já sei, Natsu.

Levanto-me rapidamente.

– Como você sabe? – pergunto, na defensiva. Está tão na cara assim? – Existem muitas pessoas que eu odeio, você nem imagina. A lista é imensa! Digamos que nem caberia em Alexandria².

Exageraaada. – enfatiza, revirando os olhos para mim. – Sei que é ele porque não existem muitas pessoas que te deixariam assim. E pare de tomar tantos comprimidos! – Puxa o frasco da minha mão quando faço menção de tomar mais.

– Eu só tomei cinco. – bufo e coço o pescoço.

Estou com um tique nervoso, sinto que minha cabeça vai estourar. E isso deve ao conflito contraditório do meu corpo e minha mente. Cada centímetro da minha pele clama por isso, um bom sexo selvagem com o cara que mais odeio na vida, mas que ainda assim desejo. Porém, em contrapartida, meu cérebro sabe que isso é errado. Que ele não presta e que nunca vai prestar.

Infelizmente, tenho quase certeza de quem vai ganhar essa guerra interna. E aí está o motivo de tanto alvoroço.

– Lucy, vai ficar tudo bem. – Mamãe me diz carinhosamente, e eu apenas balanço a cabeça e continuo a mexer a perna esquerda. – Você está ficando vermelha, acalme-se.

– Preciso ir treinar. – Levanto-me rapidamente, trocando de roupa. Olho meu reflexo de relance no espelho e percebo que estou realmente ficando vermelha, mas não corada, e sim pipocada. Começando da base do pescoço, minha pele exibe milhares de pontinhos vermelhos que vão ficando cada vez mais escuros.

Droga, tomei remédios demais.

– Porque não diz o real motivo de estar assim? – Mamãe estreita os olhos e faz que não com cabeça, enquanto continuo a colocar o short e o top de modo apressado. – Sinceramente, acho que você confia mais no seu irmão do que em mim.

Suspiro ao pegar minhas luvas e olho para ela, mais calma.

– Mãe, não é nada disso. Já disse o que era, e não há nada mais a declarar.

Noto que fui um pouco fria demais e a abraço para aliviar o clima.

– Só queria que você conversasse mais comigo. – diz ela num tom triste, depois de nos separarmos.

– Se a senhora quer realmente saber, não tenho conversas profundas com ninguém além da Dra Mavis. Mas pode ter certeza de que no dia que for necessário, você será a primeira a quem vou recorrer.

– Isso me deixa feliz. – sorri, mas logo ele se desfaz. – Mas, quero que saiba que, você deve fazer o que tem que fazer. Não pense nas consequências , nem no futuro. – Completa, já da porta. – Apenas viva o agora e aproveite enquanto pode. Por que o amanhã pode ser tarde demais.

Quando fico sozinha, sinto um arrepio, e não sei dizer ao certo o que me fez sentir isso. Mães realmente são seres mágicos, porque mesmo que eu nunca tenha comentado uma vírgula se quer sobre esse assunto, ela deduziu rapidamente apenas analisando minhas reações.

Também chego a conclusão de que, bem mais do que antes, isso está cada vez mais difícil de esconder. Ainda me recuso a aceitar essa parte de mim ao qual não tenho controle e com todas as minhas forças, farei de tudo para que amanhã seja nada mais nada menos que uma noite chata e irritante com o ser que mais odeio na face do universo.

Nada a mais que isso.

***

Se existe uma coisa que eu também odeio, é ter que ouvir minha mãe dizer:

– Arrume-se e comporte-se como uma mocinha.

Hoje em dia, essa frase me deixa com mais raiva que tudo. Além de esse negócio de "mocinha" ser coisa do tempo da minha tataravó, eu odeio me arrumar. Especialmente para jantares. E mais ainda para um jantar desagradável como esse.

Abro meu guarda roupa sem um pingo de animação e analiso as peças comuns que tenho. Normalmente eu vestiria um short, mas como sei que mamãe me mataria se eu não vestisse algo mais formal, opto por uma calça jeans simples. Bufo ao me abaixar para colocá-la, mas minha cabeça lateja e o mundo gira, fazendo com que eu vá de encontro ao chão com as calças ainda nas coxas.

Estou quase dormindo no chão enquanto espero a tontura passar, mas me recordo do jantar e me forço a levantar. Não por aquela vaca, mas sim por Mira e meu irmão. E também, não estou tão ruim assim.

Errado.

Me sinto quente e dormente. Passo pelo espelho e vejo o quão a vermelhidão piorou. Pareço um maldito tomate, que droga. Preciso de antialérgicos.

– Lucy, ja está pronta... Wow! – Laxus fica horrorizado ao entrar no quarto. – O que aconteceu com você?

– Estava nervosa, então tomei alguns comprimidos.

– E você ainda me chamou para treinar desse jeito? – resmunga, massageando o local dolorido de suas costelas onde o golpeei. O bom de treinar com Laxus é que ele sempre me deixa extravasar, ainda que me alertando sobre meus pontos fracos e brechas. O lado ruim é que ele sempre me deixa ganhar. E nunca revida.

O que às vezes é irritante, mas dessa vez foi ótimo.

– Eu precisava extravasar.

– Então por isso estava vermelha. – faz uma careta, parecendo irritado. – E agora a quantidade que tomou está fazendo efeito. Olha só sua cara de sono! Melhor nem descer, avisarei a Mira.

– Não. – respiro fundo, vestindo uma blusa rapidamente e ajeitando os cabelos de qualquer jeito com as mãos. – Vamos descer.

– Lucy, você está quase dormindo em pé. Você precisa de uma medicação para se desintoxicar.

– Laxus, irei cumprimentar a Mira, jantar e depois sumirei da sua vista. Satisfeito?

Ele revira os olhos e vem andando atrás de mim.

– Tudo bem, teimosa.

Ando calmamente pelo corredor, em seguida descendo as escadas com cautela. Nunca me senti tão lerda na vida, sinto como se minhas pálpebras pesassem uma tonelada cada.

Estanco no lugar ao chegarmos à sala, onde me deparo com Lissana sentada confortavelmente em nosso sofá. Quando me vê, seus olhos se arregalam, mas logo se recompõe sorrindo de modo amigável. Vejo seu nariz com curativo e me lembro de que estou completamente vermelha. Droga.

Com o mínimo de educação aceno com a cabeça e a cumprimento. Odeio demonstrar fraqueza na frente dos meus inimigos, especialmente ela. Porém não deixo de inibir meu tom sarcástico ao dizer:

– Boa noite.

– Boa noite. – me responde, porém de um modo até... gentil. Que estranho.

Vejo Mira atrás de nós na sala de jantar, então raciocino para o motivo de sua estranha atitude.

Mas é claro que a querida irmã mais nova quer se passar por boazinha na frente da irmã mais velha. Que ridículo, odeio pessoas que mudam suas atitudes quando estão perto de outras. Ainda não sei por que espero algo descente de Lissana.

– Boa noite, Mira. – Quando chego perto, ela para de organizar a mesa e se vira para me cumprimentar, mas seu sorriso morre ao me ver.

– Meu Deus, Lucy! – Ele me abraça carinhosamente, em seguida segurando meu rosto com a mão. – O que aconteceu com você?

Decidi poupar os detalhes sórdidos, como, por exemplo, o motivo de eu ter me entupido de remédios.

– Crise alérgica. – Sorrio sem graça. – Mas estou bem, ficarei quieta e subirei logo após o jantar. Faz tempo que não conversamos.

– Verdade. – ela me envia um sorriso genuíno e eu automaticamente sorrio também. Incrível como duas pessoas tão parecidas podem ser tão diferentes. Nunca me dei bem com Lissana, nem mesmo antes de tudo acontecer. Ela sempre pareceu ter inveja de mim, mesmo eu não sabendo o que de tão interessante tenho para se invejar. Vai entender.

– Ah, Lucy! Você desceu. – Mamãe sai da cozinha e me beija na bochecha. – Está se sentindo melhor?

– Estou. – minto. Só estou mais desperta porque estou de pé e conversando. Quero ver quando eu me sentar. – Cadê o papai?

– Preparando o jantar.

– O senhor Jude cozinha muito bem. – Me surpreendo quando ouço a voz nasalizada de Lissana, próxima demais de mim. – Lembro-me de quando éramos crianças e ele fazia espaguete para nós. Não é, Lucy?

Não consegui reprimir minha incredulidade, e olhei abertamente para ela com a sobrancelha erguida. Mamãe também a olhou de modo estranho, mas soube disfarçar melhor que eu e rapidamente mudou de assunto, quando percebeu que eu não ia responder a pergunta que me fizera. Mira pareceu ficar sem graça, vendo que a irmã está literalmente forçando a barra.

Mas simplesmente não vou respondê-la como se fossemos grandes amigas. Seria repugnante tamanha falsidade. Que nojo.

Nos sentamos à mesa e por ironia do destino, a vadia fica ao meu lado. Santo Zeus, eu mereço... Mamãe me olha como se me repreendesse, ordenando que eu me comporte. Desdenhei discretamente com as mãos e dei nos ombros, ficando de fora da conversa enquanto esperamos o jantar ser servido. Sinto da cozinha um cheiro maravilhoso de peixe com mais alguma coisa. Mamãe ajuda papai a trazer os pratos à mesa. Ele fez um peixe ao forno com legumes, salada de batata e arroz temperado. Realmente, ele cozinha muito bem. Sinto meu estômago roncar. A fome me despertou um pouco, talvez se eu comer melhore.

– Espero que gostem, é um robusto Robalo³ que consegui fresquíssimo hoje de manhã.

– Tenho certeza de que está ótimo, sogrinho. – Mira brincou.

– Obrigado. – Jude sempre fica encabulado ao ser chamado assim, mas todo o seu constrangimento vai embora quando ele me analisa melhor. – Meu Deus, Lucy! – Todo mundo parece dizer apenas isso para mim hoje, que saco. Ele se estica para tocar minha testa. – O que aconteceu com você?

– Crise alérgica.

– Você tem que se medicar!

– Eu disse a ela. – Laxus completa e mamãe balança a cabeça. Ela às vezes desiste de tentar burlar minha teimosia.

– Depois do jantar, depois do jantar. – Respondo sem muita animação.

– Bem, quem vai fazer a oração? – Meu pai torna a falar.

Não sei por que me surpreendi quando Lissana levantou a mão.

– Como sou a mais distante, gostaria de expressar minhas preces. – ela parece envergonhada. Filha da puta, admito que daria uma boa atriz. Todos balançam a cabeça em aceitação, menos eu, claro. – Demos as mãos, então.

Pego a mão de Jude ao meu lado, e pondero por alguns longos segundos ao olhar para a mão esguia e pálida de Lissana, estendida para mim. Mas ela apenas sorri e pega minha mão a força. Respiro fundo, me sentindo agoniada. E tenho vontade de vomitar ao ouvir sua oração.

– Senhor Deus, abençoe esta maravilhosa família que minha irmã fará parte, e consequentemente, eu também. Desejo toda a felicidade do mundo a este casal, e que eu tenha uma boa relação com minha nova família. Meus novos pais... e minha nova irmã.

Sinto vontade de me soltar, mas ela parece perceber e aperta mais minha mão, sorrindo ainda de olhos fechados. Só eu que estou com os meus abertos, ainda sem acreditar naquelas palavras.

– Sempre quis uma irmã mais nova para cuidar, e sei que mamãe e papai estão felizes de nos ver acolhidas neste lar. E mesmo que Elfman esteja longe, também faz parte desse laço. Amém.

Solto bruscamente sua mão, me sentindo enjoada. Sei que Lissana e Mira são órfãs há muitos anos e que elas também têm um irmão mais velho. Mas e essa parte de eu me tornar sua irmã? Simplesmente desnecessária. Eu já odiava o título de cunhada, e definitivamente esse papinho de irmãs me enjoa. E ela nem é tão mais velha assim, apenas alguns meses.

Meus instintos dizem que vem merda por aí. E das grandes. Lissana está aprontando alguma, sei disso. Tenho que ficar de olhos abertos.... o que é meio impossível já que esse sono dos infernos não me deixa em paz. Argh!

– Foi uma bela oração, Lissana. – Papai diz e todos concordam. Menos eu, evidentemente. – Tenha certeza de que serás acolhida.

Mira parecia emocionada com as palavras da irmã. Tadinha, só ela cai nessa lábia.

Quando começamos a comer, o assunto em questão passa a ser o casamento e afins. Apenas me concentro em meu prato, pescando algumas vezes, despertando em espasmos torcendo para que ninguém tenha visto. Mas todos parecem distraídos demais para terem visto. Mesmo a comida estando maravilhosa, não consigo me manter acordada.

– O que foi isso no seu nariz, Lissana? – Jude pergunta. – Sem querer ser indelicado.

Por alguma razão, sinto que papai sabe de tudo ao olhar de relance para mim. Continuo remexendo a salada com o garfo.

– Ah, foi hoje na aula de natação. Eu escorreguei no deck da piscina e cai. Foi um baita tombo. – Ela sorri sem graça, contando a mesma história que disse na escola. Não consigo reprimir um sorriso de canto. – Amanhã vou a um médico-cirurgião. Aproveitarei para consertar uns errinhos no nariz.

– Espero que fique tudo bem. – mamãe encerra o assunto. Pela cara dela, provavelmente vou escutar muito mais tarde. – Bem, Mira. Como vai a construção da casa de vocês?

– Ah, vai de vento em poupa, não é amor? – Mira diz animadamente. Ela é arquiteta e está construindo a casa onde vai morar com Laxus depois do casamento. E agora que ele ganhou uma boa grana com o campeonato, a casa vai ficar pronta ainda mais rápido. – A entrega está prevista para daqui a sete meses. Depois disso vamos comprar os móveis.

– Desculpe interromper, mas vou ter que me retirar. – levanto da mesa e a atenção se volta para mim.

– Vai deitar, querida?

– Não, mãe. Vou à farmácia. – coço os olhos. – Estou sem antialérgicos.

– Tem condições de ir sozinha? – papai me pergunta.

– Eu posso te levar. – Diz Laxus, fazendo menção de se levantar.

– Não precisa. – Falo rapidamente. – Eu estou bem, que coisa. Vou deitar quando voltar.

– Tudo bem, Lu. – Mira me chama com as mãos e eu abraço rapidamente. – Já que provavelmente não nos veremos mais hoje, tenha uma boa noite. Obrigada pelo seu esforço.

– Não tem de quê. – sorrio em seguida assumindo uma expressão séria. – Lissana.

Lucy. – cumprimentou-me, sem tirar aquele maldito sorriso do rosto. Desgraçada.

Pego algumas notas no meu quarto e depois sigo rua fora, tomando cuidado em andar rápido, porém de modo seguro. Não sei quando posso levar outro tombo, e acho que se caísse agora, ficaria no chão de vez.

Depois de andar alguns quarteirões, chego a uma grande farmácia 24h. No final das contas, ela é a única aberta nesse horário e que possui um enfermeiro de plantão, agora me lembro. Abro a porta, que faz um barulho irritante de sino. O ar gelado faz com que eu me arrepie e de certa forma fique mais dormente. Arrasto-me até o balcão de medicamentos e chamo um carinha que arruma algumas caixas nas prateleiras.

– Hey.

Ele se vira para mim.

– Boa noite, senho... Lucy?

– Ah, é você. E aí?

O garoto ruivo me olha com surpresa, tanto que ajeita os óculos de grau no rosto como se estivesse testando a capacidade das lentes de fazê-lo enxergar direito. Acabo tendo um lampejo, e automaticamente passo a sentir raiva do garoto. Ele é filho do professor de física, o desgraçado que passou aquele trabalho. É tudo culpa dele!

– O que aconteceu com você? Está toda vermelha!

– Não, estou azul, virei um Avatar*. – reviro os olhos. – Estou com uma crise alérgica, imbecil. Quero alguma coisa, anda.

– Não me parece uma crise alérgica, e sim uma intoxicação. Preciso chamar minha mãe.

– Então vai logo, Loke.

Ele parece chocado.

– Você se lembra do meu nome?

– Não vou responder sua pergunta idiota.

– Desculpe. Mãe, vem aqui, por favor! – ele grita ao se afastar um pouco. Em seguida ajeita o jaleco branco e passa a me olhar de modo curioso. – Pensei que não se lembrasse de mim, faz tantos anos. Você está diferente.

Loke estudou comigo e as meninas no fundamental I, bem antes de todas as merdas acontecerem. Acho que ele está surpreso com a minha natural acidez, já que eu costumava ser boba.

Fico calada, sem saber o que falar. Ele parece aflito ao me ver num estado zumbístico** e morrendo de frio, esfregando meus braços. Uma mulher com os cabelos da mesma cor de Loke surge pela porta atrás do balcão.

– O que aconteceu? – ela pergunta para ele, e depois olha para mim. – Nossa, querida! Quantos você tomou além da dose?

– Como você sabe?

– Sou farmacêutica e enfermeira. – diz ela, parecendo preocupada ao sair dali e vir até mim. Puxa meu braço e analisa minhas pintinhas. – Sei a diferença.

– Então, qual comprimido preciso tomar?

– Não, querida. Vai ter que ser uma injeção.

– Ótimo, ande logo com isso. – Estendo meu braço.

Ela sorri de modo travesso.

– Não aí, nas nádegas.

Fico boquiaberta e Loke parece ter ficado mais vermelho que eu, tentando disfarçar ao mexer na armação verde.

– Fazer o que, né? – Me dou por vencida e ela me leva para uma salinha ainda mais gelada.

Enquanto ela prepara a agulha, levanto minha blusa e abaixo um pouco o cós da calça. Logo sinto uma picadinha chata, e acabou.

– Quanto fica?

– Não precisa pagar.

– Porque não? – Fico confusa.

– Você não se lembra de mim, mas eu me lembro de você.

Penso alguns instantes sobre minha infância, mas não consigo me lembrar da mãe do Loke, apenas de seu pai que hoje ainda é meu professor.

– De onde nos conhecemos?

– Talvez um dia você se lembre. Mas agora você tem que se sentar e descansar por alguns minutos.

Arqueio as sobrancelhas.

O quê?

– A injeção tem efeitos colaterais. – fala enquanto joga as embalagens no lixo. – Você vai sentir tontura, náuseas e confusão mental. Pode até desmaiar.

– E você só me diz isso agora? – quase grito. – E além do mais, tenho que ir para casa. E estou me sentindo muito bem.

Porém, quando dou alguns passos, minha vista fica escura e eu perco a consciência por alguns breves segundos. Quando volto a mim, estou sentada confortavelmente numa poltrona, aquecida com um cobertor. E Loke está presente na sala.

– Eu avisei, querida. – A mãe de Loke balança a cabeça negativamente. – Eu já volto.

Nem consigo responder. Minha cabeça agora dói terrivelmente, me sinto mole, mas dessa vez como se meus ossos fossem feitos de gelatina. Minha visão está tão desfocada que às vezes vejo dois Lokes ao invés de um.

– Tenho que ir para casa. – Tento me levantar, mas antes mesmo que eu consiga, duas mãos em meus ombros me põem de volta no lugar.

– Você precisa ficar aqui. Só dura alguns minutos. No máximo duas horas.

Duas horas? Porra, preciso ir embora.

– Eu preciso de água.

Ouço ele suspirar.

– Tudo bem, vou buscar.

Sentindo que estou completamente sozinha, me forço a levantar. As primeiras tentativas foram completamente falhas, mas na terceira vez consegui. Com as pernas bambas, vou apoiando as mãos na parede, tateando a saída sem poder enxergar direito. Saio dali, passo pelo balcão e derrubo alguns objetos ao me apoiar nas prateleiras. De alguma forma consigo achar a saída e a diferença de temperatura é palpável quando o vento bate em meu rosto. Um pouco menos desorientada, vou seguindo pela rua, me equilibrando nas árvores de vez em quando. Não sei por quanto tempo fiquei andando, mas percebo que o efeito realmente vai passando aos poucos.

Porém ao apertar os olhos e avistar ao longe um grande campo livre, caio em mim que estou completamente perdida. Subo alguns degraus e pelo barulho ao meu redor, me vejo numa praça. Caramba! Vim parar na praça da Cerejeira, bem longe de casa. Como isso aconteceu? Consigo sentar num banco de madeira e tento raciocinar. Não posso ficar aqui para sempre, tenho que arranjar um jeito de ligar para meu irmão. Droga, porque sou tão teimosa? Era pra eu ter ficado na maldita farmácia. Porém odeio receber ordens.

Massageio minhas têmporas e abro os olhos, enxergando meus pés. Certo, está voltando ao normal. Só mais alguns minutos e consigo voltar sozinha. Afinal, sempre me virei.

Entretanto, um barulho peculiar me chama a atenção. São vozes. Vozes conhecidas. Sem saber direito porque, vou em direção a elas, misturadas com um quicar de bola incessante. Finalmente encontro uma quadra, onde vários garotos jogam basquete. E ao forçar minha vista e enxergar um rosto conhecido, me agacho no chão e me escondo atrás dos arbustos.

Eles pararam de jogar. Estão conversando alguma coisa. A discussão parece ficar séria. Em seguida gritos e mais gritos, e a partir disso escuto algo que me deixa chocada.

Por alguma razão me sinto mais desnorteada que antes. Viro-me na direção oposta e abraço meus joelhos. Meu peito dói muito. Minha garganta também. Me sinto sufocada. Encolho os pés e aperto a camisa com a mão no local do peito. Minha respiração passa a ficar irregular. Estou prestes a explodir quando ouço uma voz de perto.

– Lucy! Te achei! O que está fazendo aqui?

Não respondo, apenas balanço a cabeça repetidas vezes, a respiração cada vez mais acelerada.

– Meu Deus, o que houve?!

Não. – É só o que eu digo. E fico repetindo isso até sentir ser erguida do chão.

Alguém está me carregando. Aninho-me num peito magro. Balanço as pernas, esperneio. Até que sinto algo molhado em meu rosto. Está chovendo, mas de alguma forma a chuva me tira um pouco a dor do peito.

Não aguento suportar o nó em minha garganta, então o deixo sair pela boca, diversas e doloridas vezes. Balbucio algumas palavras, mas minha mente não raciocina bem ao passo que sou consolada com palavras reconfortantes.

A última coisa de que eu me lembro é da voz me pedindo calma, enquanto continuava a chover.

Notas finais
Quero ver vocês entenderem esse final ¬u¬ Se não entenderam, fudeo, não vai ser explicado nem tão cedo! ~le diabinho. Mas, lembrem-se: a intenção é não entender mesmo! MHUAHUAUAUA Legenda: ¹ As aranhas matam seus parceiros após o coito. Ou seja, eles só servem para se reproduzir. CHUPA, MACHOOOOO ~le diabinho dançando tango. ² Menção a Antiga Biblioteca de Alexandria, que foi uma das maiores bibliotecas do mundo antigo. A biblioteca continha praticamente todo o saber da Antiguidade, em cerca de 700 mil rolos de papiro e pergaminhos. Seu lema era “adquirir um exemplar de cada manuscrito existente na face da Terra”. Infelizmente, Júlio César queimou acidentalmente a biblioteca quando ele incendiou seus próprios navios para frustrar a tentativa de Achillas de limitar a sua capacidade de comunicação por via marítima. Porém, essa é uma versão não confirmada. ³ Peixe da espécie Centropomus undecimalis, popularmente conhecido como robalo, robalão, robalo‑bicudo, robalo‑flecha... * Avatar é um filme americano de ficção científica de 2009, onde um grupo de cientistas invade outro planeta em que seus habitantes tem a cor azul. ** Zumbístico, de zumbi e.e Lucy (eu) e suas idéias :v COMENTÁRIOS SÃO VIDA, POR ISSO ME FAÇAM UMA VISITA! É SÓ ESCREVER AÍ EM BAIXO, APERTAR NO BOTÃO "ENVIAR COMENTÁRIO" E DEIXAR ESSA AUTORA FELIZ PRA CARALHO! Beijos e até, gente! ~Contagem regressiva: apenas mais um capítulo para o hentai (/¬u¬)/