Just Sex

5 Quatro – Aula de natação, parte 2: Aparição desagradável.


Notas iniciais
Olá!!!! 66 acompanhamentos, que lindo! Vamos comentar mais? ¬u¬ Mas, estou feliz! O capítulo de hoje tem alguma pequenas revelações ¬u¬ Espero que gostem! Boa leitura!

Enquanto ainda estou rindo do Dragneel, percebo o quanto é bom e revigorante zombar da desgraça alheia.

– Quem está rindo aí? – Ouço Aquarius perguntar ao longe. – Conte-nos a piada, todo mundo quer rir.

– Lucy... – Juvia toca no meu ombro, com temor. Mas eu não tenho medo da Aquarius.

Dragneel me fuzila com os olhos e eu gesticulo com as mãos um "se fudeu". O que posso fazer? Vou chorar, por acaso? Bem feito! É nessas horas que agradeço por ser mulher. Porque se eu fosse um homem, estaria com uma ereção do tamanho de um bonde.

Envio um beijo no ar e lhe dou as cotas.

– Acho que você não iria gostar, já que estou falando mal de você. – Grito da fila.

– Ah, só podia ser você. – Comenta Aquarius, reconhecendo minha voz. – Sua vez está chegando, moça.

Blá. Blá. Blá.

Não consigo reprimir a vontade de virar a cabeça de novo, portanto o faço. Agora ele já está em sua posição na largada, agachado enquanto espera. E, vejam só, parece que ele tem a mesma habilidade que eu, já que inclina a cabeça na minha direção. Esboça aquele maldito sorrisinho de canto, e, mesmo que seus olhos estejam cobertos pelos óculos de mergulho, sei que expressão eles tem nesse momento. Então soa o apito, e ele salta genuinamente na água, tomando a frente. Vejo que Gray está ao lado dele, Dragneel é rápido, mas aquele nudista desgraçado é mais e se desfaz da vantagem. O Fullbuster sempre foi um grande nadador. Assim como Juvia, que o assiste com admiração no olhar. Analisando bem, os dois combinam bastante.

Depois de mais algum tempo na fila, chega a minha vez. Subo na largada e abaixo os óculos em cima da touca, balançando meus braços e pernas. Caralho, faz tempo que não nado. Mas, ao longo da minha vida, principalmente depois daquilo, eu aprendi muitas coisas, especialmente a mando do meu pai. Até atirar eu sei. Jude sempre me instigou a fazer um pouco de tudo, para que assim eu me sobressaia de qualquer situação. Ele até tem uma pistola nove milímetros super foda dentro do cofre no quarto. Nem sei por que ele tem isso, meu pai é tão calmo e bondoso que não mata nem uma formiga.

Mas, vai saber.

– Ah, senhorita Lucy Heartfilia! – Aquarius praticamente grita ao me ver. – Que bom que veio. Como o resto, você terá 45 segundos para fazer os 50 metros rasos. Se passar disso, está fora.

Abri a boca para responder algo debochado quando um murmurinho se inicia por todo o saguão, especialmente do lado dos seres de raça inferior pertencentes ao gênero masculino. Se até então eles não tinham notado minha ilustre pessoa, isso foi por descarga a baixo. No segundo seguinte eles começam a assobiar, soltar gracinhas e dizer coisas como "Mentira que aquela ogra tem esse corpão?" ou "Puta que pariu, e não é que a vadia é gostosa?", ou ainda "Pensei que ela fosse hermafrodita".

Por Hades... eu posso com isso?

– Obrigada por me fuder, sua maldita. – resmungo, jogando mentalmente uma praga em Aquarius. Espero que ela tenha cãibra quando for nadar e morra afogada.

– O que disse? – pergunta desconfiada, com os olhos semicerrados.

Obrigada por me dizer, professora querida.

Ao longe, posso escutar as gargalhadas de Erza e Levy que estão em outras filas. Até Juvia que está atrás de mim solta uma risadinha.

– Hum, muito bem. – ela se dá por vencida. – Lockser, querida! – A demônio muda totalmente sua expressão carrancuda ao falar com Juvia. Mas que porra? – Vá para o lado dessa fedelha. Quero as duas juntas. Pirralha, saia daí. – ela expulsa a garota ao meu lado, que rapidamente dá o lugar a azulada.

Ah, tinha esquecido que ela é a queridinha da Aquarius. E a intenção dela é humilhar a fedelha, que no caso, sou eu. Lógico porque, eu vou perder feio para ela! Juvia nada profissionalmente e faz parte do time principal da escola. Ela é a chave para a Instituição conseguir um ouro nessa categoria também.

Os "elogios" não param de vir do outro lado, e em conjunto sinto minhas costas queimarem pelos olhares raivosos que recebo das vadias. Como se eu quisesse qualquer um dali! Podem ficar com todos, queridas. Menos um.

Espera... o que diabos estou pensando?

– E eu sou obrigada a ter essa platéia? – pergunto para Aquarius, apontando com o dedo. Drganeel, que já saiu da água e está sem a touca, me olha desafiadoramente de braços cruzados, achando graça da minha desgraça. Filho da puta, deu o troco. – Eu nem consigo me concentrar com esses imbecis chiando como porcos.

A gota d'água acontece quando pisco os olhos por causa de um flash de câmera. Porra, estão tirando fotos minhas?

– Vão se fuder, seus putos. – Grito, dessa vez fazendo pose para câmera, com um belo dedo do meio.

PAREM JÁ COM ISSO. OU VÃO TODOS PAGAR CEM NO CHÃO! – Aquarius ameaça e todos se calam. Até o professor dos garotos fez uma careta amedrontada.

Ah, como eu queria pegar um por um e torturá-los deliciosamente. Então, os faria desmaiar e arrancaria seus testículos. Prepararia uma sopa para cada um e os daria de comer quando acordassem. Daí, poderia olhar na cara deles e dizer meigamente: "Oi, você acabou de comer suas bolas".

Um sonho realizado.

– Todas em seus lugares! – respiro fundo e fico na posição enquanto aguardo o sinal. Juvia sorri para mim e eu faço o mesmo. – Vão!

Pulo na água, mas não tão rapidamente. Concentro-me apenas em mim mesma, sei que sou capaz de completar o teste no tempo estipulado facilmente. Sinto a água penetrar minha pele e me deixo ficar leve com isso. Não estou desesperada, por isso faço com que minhas braçadas sejam calmas, porém longas. Giro a cabeça pegando o ar antes do último movimento até a girada. Impulsiono meus pés com força e sigo repetindo os movimentos até que finalmente chega ao fim e eu possa submergir.

Nossa, confesso que fiquei um pouco sem ar no final. Saio totalmente da água e fico na beirada da piscina. Percebo que muitas garotas ainda estão terminando e olho o meu tempo cronometrado no relógio.

– Trinta e três e sete... É, não foi tão ruim.

– Mais lenta que uma tartaruga manca, Heartfilia. – Aquarius me menospreza. – Juvia não fez por menos que o esperado, sempre perfeita. Mas já que passou, suma da minha frente.

Faço uma reverência irônica e ela estala a língua, voltando a perturbar outras garotas.

Quando me viro, vejo que Juvia está sentada num dos bancos perto dali, já sem a touca. Olho para o tempo dela e quase tenho um enfarto.

VINTE E QUATRO E DOIS?! – grito, correndo até ela. – Puta que pariu, cara. Como consegue ser tão rápida?

– Eu só tive sorte. – ela dá nos ombros, sorrindo sem graça.

– Ah, nem vem com essa falsa modéstia. Isso é um tempo olímpico! – Não me contenho e começo a procurar pistas, apalpando seus braços e pernas. – E então, cadê?

– Cadê o que? O que está fazendo?

– Estou procurando suas guelras, minha filha. Por que, ou você é a filha perdida de Poseidon, ou comeu um Guelricho¹!

– Que exagero, Lucy. – Erza aparece magicamente ao meu lado. Percebo que seu tempo foi um pouco menos que o meu. – A Juvia tem um talento nato.

– Já eu... Nem tanto. – se pronuncia Levy, ofegante ao sair da piscina. Coitada, está quase morrendo e passou por um triz no tempo.

– Bom, pelo menos sei que vamos foder todas as pobres almas dos outros colégios. Eu odeio admitir, mas o Dragneel é bom no basquete. – Bufo quando Levy me olha surpresa ao falar dele. Ah, se ela soubesse o que eu penso... – Some a Erza no Kendo, a Juvia na natação e eu no Jiu-Jtsu. Cara, não vai ter pra ninguém!

– Hey, não se esqueça de mim. – Levy resmunga irritada, ainda pegando fôlego encostada em Juvia.

Olho confusa para ela.

– E você vai participar, por acaso? Você é um boa no vôlei, mas não sabia que iria.

– Xadrez, Lu-chan. – explica, me olhando tediosamente.

– Nossa, nem sabia que ia ter competição disso aqui. Deve ser muito chato.

– Claro que você acha chato. Você só sabe usar o corpo, ao invés do cérebro.

– O que está insinuando? – pergunto irritada.

– Acho que ela está te chamando de burra, Lucy! – diz Erza, a gargalhadas.

– Bem – Juvia se pronuncia ao parar de rir. – Vamos nos esforçar.

Surpreendo-me quando ela estende o punho, como um cumprimento. E antes que apenas eu possa retribuir, as meninas se juntam a nós. Me permito a sorrir um pouco. Talvez Juvia não seja tão ruim. Pelo menos, estamos todas juntas.

– Bem, se vocês vão ficar aí, eu vou vazando. – retiro a touca. – Juro que, antes de ir para casa, vou passar numa igreja e tomar um banho de água benta.

– Como se você fosse religiosa, Lucy. – Erza aponta.

Dou nos ombros.

– Não sou mesmo, nem um pouco. Mas, se tantos filmes e séries falam sobre isso, deve ter algum fundo de verdade, não? Pelo menos no efeito placebo².

– Eu não sei não, viu. – Levy ri. – Agora, vá na paz de Deus, minha filha. – Ela espalma sua mão no ar e as outras riem. Reviro os olhos e dou as costas.

Enquanto estou andando pelo saguão tentando não escutar os deboches direcionados a mim, vou até o vestiário. Chego lá, tem um.idiota já conhecido meu, do clube de luta. Ele finge normalidade quando me aproximo, mas percebo que está suando frio. Palhaçada, a maioria do pessoal do clube ficou assim pro meu lado quando eu, acidentalmente, quase quebrei o braço de um dos juniores. Claro porque, ele também, acidentalmente, apalpou meus seios enquanto treinávamos.

– Vaza. – falo, gesticulando com a cabeça para ele dar o fora da minha vista.

– Não posso. – ele diz seriamente.

– Como assim? – olho descrente para ele. – Porque um marmanjo como você está guardando os vestuários? Por acaso tem alguém se pegando aí dentro? – espio por sobre o ombro.

– Não, são ordens da Aquarius-sensei. A última aula será reservada para os banhos, então ninguém pode entrar lá. Ninguém pode sair do saguão antes.

– Olha aqui, seu...

– Se quebrar meu braço, não vai competir. – ele me corta e eu fico boquiaberta. Engole em seco antes de completar rapidamente: – Ordens da Aquarius.

Imagino a faceta obscura com uma risada maligna daquele projeto de Sereia. Sabiam que as sereias não são doces e boazinhas como dizem? Esqueçam a Disney, meus filhos. O buraco de verdade é bem mais embaixo.

– Tá, tá. – Bufo como um touro. – Já que não posso entrar, tem algum chiclete aí?

Estou começando a ficar com abstinência da goma de mascar.

– Tenho, mas é de menta. – ele me estende um tablete.

– Aff, prefiro de morango ou tutti-frutti. – reviro os olhos, mas pego mesmo assim. – Tudo bem, vai servir.

Dou as costas e coloco o chiclete na boca. Hum, pelo menos é um trident.

– De nada! – ouço ele gritar.

Rio e apenas faço um joinha com a mão.

Vou até os bancos e me volto aos pensamentos que sempre tomam conta da minha mente quando não tenho nada de melhor para pensar. Na verdade, acho que quase sempre estou pensando nisso. Ou melhor, nele.

Puxa vida, eu devo ter uma puta vontade de dar essa perseguida minha, como diria vovó. Porque, nunca vi uma pessoa pensar tanto em sexo como eu. Chego a sentir vergonha de mim mesma às vezes. E ódio principalmente. O ato sexual deveria ser piamente desprezado por mim, por causa do que aconteceu há cinco anos. Bom, quase aconteceu. Mas a questão é que aquilo abriu muitas outras portas na minha vida, e não falo de coisas boas. Foram caminhos obscuros, aos quais até hoje eu ando à procura de uma luz no fim do túnel. Algo que possa me curar completamente desse trauma e, por incrível que pareça, pensamentos sexuais ajudam a inibir os fantasmas do passado.

Minha psicóloga, Mavis, disse que isso poderia acontecer e realmente aconteceu. Muitas pessoas que passaram por algo parecido pelo o que passei sentem uma maior necessidade sexual, mesmo com o trauma sendo diretamente relacionado a isso. É como se fosse uma forma de buscar por vontade própria e sentir prazer naquilo que um dia fora forçado e aterrorizou tanto. Para tentar superar e dominar aquilo que um dia te dominou.

É exatamente como me sinto.

Depois daquele dia infernal, tive que tomar remédios fortes durante alguns meses. Nas primeiras terapias, eu não falava absolutamente nada. Simplesmente não tinha o que falar. Era o que era. Sonhava todas as noites com aquele dia, mas na minha cabeça, não tinha precisão de falar. Mavis já sabia de tudo que havia acontecido por outra boca. Mas, eu não vivia com medo, mesmo sabendo que um daqueles filhos da puta estava solto por aí. Eu pensava que, se ele viesse atrás de mim, eu faria a mesma coisa que fiz com o outro.

Acho que, aqueles sete meses em que fiquei sem falar nada, apenas ouvindo a melodiosa voz de Mavis, foi como uma espécie de transição. De deixar aquele parte forte e rígida de mim tomar o controle, enquanto eu escondia atrás de uma barreira aquela garota frágil que chorava e tinha medo de tudo. Aprendi todo tipo de coisa para me defender e também a ser mais cautelosa. Talvez pelos efeitos do remédio e ainda do choque, no início eu não tinha medo de nada e achava que era invencível. Como uma forma desesperada que achei para proteger minha mente. Mas hoje, admito sim que tenho medo. Morro de medo de que aquilo possa se repetir. Cheguei a ter algumas crises de pânico, mas ao invés de apenas remédios, treinar também me ajudou. Por isso que quando os pesadelos diários me abalam, eu desço para o porão e enfrento meu oponente saco de pancadas. Acho que se não fosse isso, eu teria pirado, mesmo com esses comprimidos chatos que tenho que tomar de vez em quando.

Com quinze anos que senti necessidade de falar, quando comecei a sentir... essas coisas estranhas. Sobre o Dragneel. Fazia quase ano que não ia à consultas e foi uma surpresa eu ter chegado lá por conta própria. Mas, eu queria me entender. E, para isso, contei da minha boca a parte do Dragneel na história. De como eu tinha raiva pelo que ele me fizera. De como eu nunca perdoaria sua traição.

Mas também de como... eu me sentia perto dele. Que o ódio que eu nutria queimava tanto dentro de mim, que chegava a ser algo a mais. E, pode ter certeza, não eram as sensações de estar apaixonada, pelo contrário. Sabe quando você sente tanto desprezo por uma pessoa, que sente tesão por ela? Eu sei que parece maluco, e realmente é, mas... Eu sinto isso até hoje. Pelo filho da mãe do Dragneel.

Amanhã depois das aulas, terei uma consulta com a Mavis. Ultimamente, estou com meus hormônios mais desequilibrados que o normal, e eu sinceramente não sei até quando vou aguentar. Sinto que posso explodir a cada olhar sacana que aquele miserável me dá. E o pior é que eu gosto. Sou uma desgraça mesmo.

Estou distraída competindo comigo mesma fazendo bolas de chiclete cada vez maiores, até que chega a última pessoa que eu quero ver na vida.

– Blondie...

Automaticamente o gosto de menta fica amargo na minha boca. Descruzo as pernas e fecho os olhos, buscando paciência, coisa que menos tenho em mim. Quando abro os olhos e vejo aquele rosto que fudeu a minha vida, não me aguento e cuspo o chiclete no chão.

Olha só, o diabo loiro apareceu na minha frente!

Notas finais
¹ Guelricho: É uma planta mágica que dá a capacidade de quem dela comer respirar dentro d'água, já que dá aos bruxos que a comerem guelras. Harry Potter usou na segunda parte do Torneio Tribruxo (Sim, a Lucy é Potterhead *-*) ² Efeito Placebo: É um remédio ou procedimento inerte, que não faz nenhum efeito físico, mas acaba fazendo efeito psicológico por causa da crença que se tem que vai funcionar. Reviews? *U* Até o próximo