Just Sex
6 Cinco – Aula de natação, parte 3: Deliciosa ameaça.
Notas iniciais
– Que coisa feia, Blondie. É falta de educação cuspir antes de falar com alguém.
Ele apenas sorri para mim. Um sorriso podre e nojento, mascarado por uma falsa gentileza. E que um dia me enganou.
– Oh, sério? – finjo surpresa. – Bem, isso pode até ser verdade. Mas, você não é alguém. Desiluda-se, meu filho.
– Sempre delicada, Blondie. – sorri ironicamente e seus olhos azuis faíscam num brilho obscuro.
Esses olhos azuis, tão angelicais, que parece o maior dos erros divinos por estar naquele rosto. Porque foi com esses mesmos olhos encantadores que ele destruiu minha vida. Mas, a única coisa que me conforta é minha marca nele que sempre estará à vista para quem olhar aquele rosto bonito. A cicatriz em sua sobrancelha é a única satisfação que tenho quando o vejo.
– Com você, abelha, sempre.
– Sting!
Ah, não! Já não está suficientemente ruim? Eu devo ser a pessoa mais odiada do mundo. Mas já que Dragneel está vindo em nossa direção como um touro, não vou perder a oportunidade de irritá-lo. Ele fica sexy com raiva.
– O que está fazendo aqui? – o rosado pergunta ao loiro, mas olhando para mim. Olha, parece que ele está com raivinha pelo abelha falar comigo.
– Ah, chegou meu casal preferido! – me levanto e bato palmas ao sorrir: – Então, me digam, como é morar no fundo do mar?
Os dois me olham confusos.
– Ué, que cara é essa? Eu vejo vocês praticamente todos os dias na tevê.
– Do que está falando, Lucy? – Dragneel me indaga. Oh, ele me chamou de Lucy de novo! Quase caio na gargalhada, mas me contenho.
– Como assim? Vocês não sabiam? – ele se entreolham e eu reviro os olhos. Aponto para cada um: – Bob Esponja e Patrick Estrela.¹
Nessa hora, quem ri é a abelha.
– Você é a melhor, Blondie.
– Você é doida, isso sim. – diz Dragneel.
– Ria, é engraçado mesmo. Porque, além de ser um caso gay, ainda é incesto já que as duas criaturas aqui são meio-irmãos. – Dessa vez quem ri sou eu. – Me diga, abelha, como é ser o passivo? O Dragneel come bem?
– Tá bom, agora chega. – o cabeça de cupcake me interrompe. Ele puxa o loiro. – Vamos, Sting.
– Fica de boa, Natsu. – ele solta seu braço do aperto. – Ainda tenho o que falar para a Blondie.
Faço uma expressão horrorizada e olho para meu relógio imaginário de pulso.
– Olha só a hora! Foi mal, mas já passou o horário do meu vômito matinal. Ficar tanto tempo sentindo o cheiro podre de vocês me faz ficar ainda pior. Vou ali, cuspir meu esôfago.
Viro-me dramaticamente para ir embora, mas sou impedida por um aperto no braço. Fecho os olhos com força, sentindo seu toque queimar. As lembranças de cinco anos atrás me vêm à mente, fazendo com que minha raiva cresça de tal modo que quase estou bufando como um touro.
– Sting. – Ouço Dragneel falar com cautela. – Solta ela.
– Por quê? – Indaga ironicamente. – Eu apenas quero conversar com a Blondie. Relembrar os velhos tempos.
Quando percebo, já estou com os punhos fortemente cerrados, devido ao ódio que me faz tremer, mas também especialmente pronta para socar sua cara de pau.
– Eucliffe, se não quiser dormir por algumas horas, acho melhor soltar o meu braço.
Ele finge não entender minha clara ameaça e apenas ri com desdém.
– Que violência, Blondie. Sabia que você está muito gostosa agora? – Meu corpo inteiro se arrepia com tais palavras, mas é de puro nojo. – Sinceramente, se eu soubesse que aquela garota chata e sem sal se tornaria isso, eu não teria te dado um pé na bunda.
Ah, agora com toda a certeza ele passou dos limites! Mandando um foda-se mental para a advertência do diretor sobre me meter em brigas, solto-me facilmente de seu aperto. E como ele já bem me conhece, se afastou rapidamente antes que meu punho fosse de encontro com seu queixo.
– Briga, briga, briga, briga... – Finalmente se dando conta do que está acontecendo, todos formam um círculo ao nosso redor, excitados para verem uma boa confusão. Ao longe escuto as vozes da Aquarius e dos outros instrutores, mas o paredão impenetrável contém qualquer intruso que possa acabar com o show.
Dragneel está com uma expressão séria, como se me repreendesse pelo o que vou fazer. Claro que o filho da puta quer proteger o outro filho da puta que é o irmãozinho dele. Mas não vou ficar em paz enquanto não tirar a porradas aquele sorriso nojento de seus lábios.
– Você vai me pagar com sua alma, seu bastardo!
Antes que eu possa avançar em cima dele, Gray aparece do nada em minha frente, segurando meus ombros para impedir que eu continue.
– Lucy, não! – Me repreende como quem fala com um cachorro. Estalo a língua.
– Não se mete, Gray. Ou vai haver ovos mexidos hoje.
– Não! – Interrompe minha passagem mais uma vez quando tento desviar. – Não vale a pena.
– Você que pediu. – Perdendo o resto de paciência que tinha, dou uma joelhada generosa em seus países baixos, e logo em seguida ele vai ao chão, gemendo de dor. Ao longe posso ver Juvia com o rosto escondido no colo de Erza, que me repreende com o olhar. Já Levy parece animada em torcer por mim com pequenos pulinhos. – Da próxima, te deixarei estéril.
Mas o que aconteceu a seguir foi até demais para minha personalidade desastrada. Ali, no meio do saguão molhado e na frente de todo mundo, enquanto eu andava à passos pesados em direção a meu alvo, eu escorreguei desastrosamente. Não evito de soltar um mini gritinho quando caio de bunda no chão, e tudo fica extremamente silencioso no mesmo instante. Oh, droga. O que fiz para merecer a fúria dos deuses e ter tanto azar?
Por que é claro que depois do choque todo mundo se explode em gargalhadas.
– O que foi, Blondie? – Pergunta a Abelha, pondo as mãos na barriga devido às gargalhadas. E a veia que salta em minha testa lateja mais quando vejo Dragneel prender o riso com as mãos. – Você não ia acabar comigo? Não tem coragem o suficiente, ou... – Se inclina para frente como se seu sussurro fosse baixo o bastante para que ninguém mais ouvisse. – ... ainda gosta de mim?
Sem que eu possa raciocinar direito, meu corpo age por impulso e grito ao derrubá-lo no chão numa investida. Um sonoro "oooooh" dá lugar ao clima descontraído rapidamente. Mas apenas sorrio de modo diabólico quando ele levanta a cabeça atordoado e se dá conta de que estou montada em cima dele.
– Tenha ótimos pesadelos. – Sem medir força, soco seu rosto e tenho um arrepio de prazer ao ouvir o crack de sua mandíbula. Levanto-me de cima daquele encosto, que agora dorme tranquilamente com a cabeça inclinada para o lado e os lábios abertos de onde sai uma mistura de sangue e saliva.
– O que você fez, sua maluca?! – O algodão doce parece uma gazela desesperada ao me empurrar para o lado, verificando se o projeto de gente no chão ainda respira. – Sting! Sting!
– Não adianta gritar, imbecil. – reviro os olhos enquanto ele continua a dar tapas nada delicados em seu rosto. – Ele não vai acordar nem tão cedo. Deixe-o nos braços de Morfeu, quem sabe Hades não vê sua cria por lá e o leva de volta para casa?
Ele se levanta com uma cara de poucos amigos dirigida a mim.
– Você já se olhou no espelho com essa cara? Sério mesmo, é horrível. Sinto que vou ter pesadelos hoje.
Eeeee, é lógico que isso não é verdade. Posso até ter sonhos, mas eles seriam especialmente eróticos. Admito que a expressão raivosa do Dragneel é bem estimulante, e eu realmente estou adorando ver. Só que eu nunca admitiria isso, evidentemente.
– Você, como sempre, não mede as consequências de suas ações. – O olho entediada quando ele se aproxima de mim, me dando um sermão. – Ele pode ter tido uma concussão!
– Teve nada, vaso ruim não quebra. – Suspiro entediadamente, até que minha raiva volta com força total. – Ele que começou, então teve o que mereceu. E a culpa disso é sua, quem manda não ter rédeas com sua mulherzinha?!
Ele bufa e vejo sua veia do pescoço inchar. Põe o dedo em minha face ameaçadoramente.
– Olha aqui...
Pela segunda vez no dia, perco a paciência. Mas como admito que não tenho coragem de machucá-lo de verdade, apenas entorto sua mão e giro seu braço, o imobilizando atrás das costas. Ele solta um suspiro de dor e surpresa.
– Se não é canhoto, vai aprender a ser da próxima vez que por o dedo na minha cara. – Aperto mais o golpe e ele geme ao ranger os dentes, enquanto falo em seu ouvido: – Entendeu bem?
Impedindo que eu ouça a resposta, ou até um balançar de cabeça, sinto algo duro se chocar contra meu crânio, e acabo soltando-o devido a surpresa.
– Não machuque o Nat-kun! – Uma voz aguda e extremamente irritante se pronuncia atrás de mim.
Viro-me calmamente, vendo o suicida que me acertou com uma bola de basquete.
– Lissana! – Diz Natsu. Mas parece estar mais a repreendendo do que agradecendo.
– Não bata nele, sua vaca! – ela grita em minha direção.
Sinto os olhares em mim, esperando que eu faça algo a respeito. Ando até ela, que mesmo assustada com minha aproximação, continua firme. Oh, o gasparzinho tem um pouco de coragem.
– Você não pode me bater! – diz rapidamente, com uma falsa confiança. – Se encostar em mim...
Seguro suas marinhas chiquinhas com as mãos, interrompendo sua fala ao dar-lhe uma leve cabeçada. A multidão praticamente grita e automaticamente ela põe as mãos no nariz de onde jorra sangue à vontade.
– Meu nariz! Você quebrou meu nariz! – Repete ela em desespero, afogando-se em seu próprio sangue.
– Deixem-me passar, seus pirralhos. – Ouço a voz de Aquarius de longe, e em seguida um salto na água. O que me faz ter uma ideia.
– Ao invés de afogar-se em terra, porque não vamos ao seu habitat natural? – Ela grita quando passo a arrastá-la pelos cabelos com um sorriso maligno. – Ouvi dizer que as piranhas podem ficar horas dentro da água sem subir para a superfície! Não é incrível?
Algumas pessoas ficam horrorizadas, mas ninguém interrompe minha passagem para a piscina. Jogo Lisvadia de joelhos e mergulho seu rosto na água, onde ela se debate e grita.
– Vamos, seja boazinha. – Empurro mais sua cabeça. – Você está em casa.
Nem cinco segundos depois sinto me puxarem pelos braços e a deixo cair na água. Rio abertamente, me deixando levar. Aquarius sai da outra piscina de onde provavelmente foi jogada, para resgatar a desbotada. A vadia pelo menos ficou com um pouco de cor com o líquido vermelho manchando seu rosto.
Enquanto sou arrastada por coordenadores para a diretoria, sorrio e gesticulo com a mão cortando o pescoço, antes de perder de vista sua feição assustada.
***
– Isso é inadmissível! Definitivamente decepcionante!
Reviro os olhos para a gritaria do diretor. Ainda estou encharcada sentada na cadeira em frente a ele, recebendo sermões junto com o Dragneel que também foi arrastado para a culpa.
– Olha, meus ouvidos estão em perfeitas condições. – Ironizo, com uma careta. – Eu realmente queria que continuasse assim.
– Vejo que ainda tem a língua afiada, Sta. Heartfilia. – O senhor baixinho levanta os óculos com o dedo de modo sombrio. – Certamente não mostrará relutância em aceitar o castigo, já que é tão orgulhosa.
– Eu só não sei por que estou aqui. – Dragneel se remexe inquieto na cadeira, como sinal de sua revolta. – Essa maluca que começou com tudo.
Sinto meu sangue ferver de raiva.
– Ora, seu...
– Silêncio! – Makarov grita, batendo a mão na mesa. Aquarius está no canto da sala, apenas observando tudo calada. Calada até demais. – Não importa de quem foi a culpa, a questão é que em 90% das confusões vocês dois estão metidos no meio. Serão punidos os dois. Talvez assim haja mais harmonia entre vocês.
– Isso é impossível. – Ressalto, com convicção. – Nosso destino não se cruza, definitivamente nascemos para nos odiar. Não concorda, algodão doce?
Fico no vácuo, pois ele apenas suspira e continua sem me olhar. Estranho.
– Bem, continuando. Vocês mandaram três alunos para a enfermaria. – Engraçado que ele disse o pronome no plural, mas olhou especificamente para mim. – Não obtivemos queixa de nenhuma das partes, confirmando apenas que realmente foi um acidente.
– Claro que foi um acidente! Eu te disse. – Rio internamente do meu teatro. Eu sabia que nem o Abelha nem o Gray fariam nada contra mim. E quanto a Lisvaca... acho que ela entendeu o meu singelo pedido de manter o bico calado. A única coisa que não entendo é porque Aquarius não disse o que realmente viu, e isso de certa forma me deixa inquieta, mesmo que aliviada.
– Mas isso não pode ficar impune. – Continua Makarov. – E como não posso tirar nenhum dos dois do nosso corpo de atletas – vibro com a notícia. O campeonato escolar é uma das únicas coisas que me alegram nessa escola. –, decidi fazer uma coisa mais leve.
– O que, especificamente? – Indaga Dragneel.
– Hoje é quinta-feira, então não serei tão maldoso em fazê-los começar amanhã. Por isso quero que venham aqui segunda após as aulas, lhes direi o que fazer. Agora podem ir se trocar e voltar para a aula.
Levanto-me da cadeira, achando aquela ordem ridícula. Ele deveria nos mandar para casa, já que pegaremos apenas o final da última aula. Mas dessa vez decido ficar quieta, com a consciência de que o meu está na reta. Gargalho internamente, pelo menos não me fodi sozinha.
– Agradeça às entidades que você venera por eu não ter perdido meu título de capitão do time. – Dragneel se pronuncia atrás de mim ao fechar a porta. – Você ia me pagar caro se isso acontecesse.
Arqueio as sobrancelha diante de sua ameaça, até que me dou conta de suas palavras. Ele me chamou de macumbeira?
– Na verdade, eu quem deveria dizer isso, meu bem. – Ironizo, piscando um olho. – E a culpa disso também é sua. Mandei você cuidar da sua vadia loira enlouquecida.
Repentinamente, ele começa a rir, mas não por ter apreciado o novo apelido que dei ao Eucliffe. Como pelo alvoroço ainda estamos com trajes de banho, fico observando seu corpo reagir às risadas, com o pomo de Adão subindo e descendo, e seu abdômen definido que se contrai.
– Pensando bem, as consequências disso não foram tão ruins. – Caio em mim quando ele volta a falar de modo debochado. E ao me olhar maliciosamente e se aproximar de modo perigoso, me dou conta de que também estou seminua, e me sinto completamente indefesa. – Vou saber tirar proveito desse castigo.
O que esse garoto é? Bipolar? Uma hora ele quer me matar e na outra parece querer me devorar... Acabo chegando a conclusão de que também sofro de bipolaridade, se esse for o caso.
Tento parecer firme ao retroceder os passos no corredor vazio, enquanto ele ainda continua andando até mim. Droga, estou sem reação, ainda mais com essa ameaça cheia de segundas intenções.
– Vai se foder, idiota! – Digo com meu natural tom desdenhoso e quase acredito que realmente não estou nervosa.
Mas aí ele ri de novo, uma risada mais lenta e mais rouca, jogando a cabeça para trás enquanto enfia os dedos da mão direita nos cabelos rosados e revoltos. Meu corpo se contrai em surpresa quando repentinamente ele coloca a mão esquerda na parede atrás de mim, me fazendo perceber que estou encurralada.
– Eu podia até dizer o mesmo – diz ele, na mesma posição. –, mas vou reformular melhor a frase.
Enfim, move a mão até a nuca, fazendo com que os fios fiquem todos para trás. Inclina a cabeça em minha direção, e seus olhos estão mais densos que nunca, com as pupilas tão dilatadas que até consigo me ver refletida na superfície negra e brilhante. Meu corpo está paralisado. Sinto a agitação dele passar para mim, fazendo com que meu desejo aumente. Engulo em seco, pois minha garganta está ressecada. Apenas perdemos o contato do olhar quando ele aproxima os lábios na minha orelha, onde sua respiração quente ao falar faz todo meu corpo se arrepiar da cabeça aos pés:
– Quem vai foder você, sou eu.
Mordo o lábio, sentindo uma gota de suor descer pela lateral da minha testa. Ele se move vagarosamente para voltar a me olhar nos olhos, e eu não consigo fazer mais nada além de sentir meu coração quase sair pela boca. E quando ele passa a língua pelos lábios e se afasta de mim, percebo que mais do que nunca, quero que ele cumpra o que disse.
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