Just Sex
12 Onze – Incontrolável.
Notas iniciais
"– Natsu, vai mais devagar!
– Você é muito lenta, Lucy!
Natsu se virou para mim e sorriu, estendendo a mão enquanto eu fazia um bico mimado. A luz do sol entrava como feixes através das árvores, iluminando ainda mais a trilha, mesmo que fosse de dia. Reparei em seu cabelo bagunçado, notando o buraco em sua nuca causado pelo corte errado que havia feito duas semanas antes. Sorri também e acabei segurando sua mão pelo resto do caminho.
Como de costume, estávamos indo à cachoeira. Mas, por algum motivo que Natsu não quis me explicar, fomos apenas nós dois. Escondidos.
Lembro que me sentia muito estranha no dia, mas não tinha medo. Por que era o Natsu, e eu sempre podia confiar nele.
Com quase 13 anos de idade, já não podíamos mais tomar banho nus como fazíamos quando éramos crianças, então estávamos com roupas de banho naquele dia. Mas Natsu era um ano mais velho, e de alguma forma eu me sentia inquieta por imaginar que ele estava se tornando um homem, mesmo que as mulheres evoluíssem primeiro. Porém, enquanto eu ainda era meio boba em relação as coisas, ele já exibia um ar masculino. A voz estava mudando, o corpo também. Mas, principalmente, os olhos.
Durante todo o dia que brincamos e nadamos sozinhos, ele me olhava de uma maneira diferente. Tanto que também passei a me sentir diferente.
Mas foi ele que me beijou primeiro. Eu não recuei. Alguma parte de mim, lá no fundo, queria isso também. Mas o que era para ser um beijo inocente de criança, acabou sendo a mais pura expressão do que futuramente viria a fazer parte das nossas vidas.
Um único beijo, que não demos importância. No último dia que ficamos realmente juntos e que fomos amigos.
Por que no dia seguinte, tudo mudaria quando seu meio irmão que nunca tinha chegado a conhecer viesse para cidade.
E juntos, os dois destruíssem a minha vida."
***
A lembrança se esvai rapidamente da minha cabeça quando ele me beija de novo. Veio como se algo quisesse me lembrar de tudo o que ele me fez passar. Dizendo-me que o agora não vai fazer o passado mudar, e nem retirar do meu coração o ódio que sinto dele.
Mas as coisas são diferentes agora.
Seu beijo veio mais desesperado e dominador. Com os dedos enroscados em meus cabelos soltos, ele me segura pela nuca como se não acreditasse que estou aqui.
A questão é que eu sempre estive com ele, fosse em pensamentos ou até fisicamente. Mas agora que tudo se tornou tão concreto, não quero mais fugir. Não vou mais fugir. Estou cansada de lutar contra isso.
Tinha me esquecido de como a sensação de sua língua em minha boca era boa. Apenas beijei duas pessoas em minha vida, e acabou que o primeiro está sendo o terceiro. Lembro-me como se fosse ontem, o quanto meu coração imaturo estava acelerado quando demos nosso primeiro beijo na cachoeira. Éramos praticamente crianças.
Mas diferente da sensação estranha e confusa que senti quando nos beijamos pela primeira vez, hoje tenho total e absoluta certeza do que sinto.
Desejo.
Uma coisa incontrolável e descomunal, que cresce cada vez mais dentro de mim. Não sei se isso se deve ao ódio que criou um sentimento antagônico mais forte, ou se foi um querer reprimido desde a infância. Terminar o que começamos, pelo simples fato de não saber o que fazer ou não ter parecido interessante. Ou de termos sido interrompidos.
Mas não agora.
Em dado momento, o que sobrou da minha camisa foi retirada totalmente do meu corpo. As coisas estão acontecendo rápido demais. Estou correspondendo.
Quase como uma batalha por controle, Dragneel continua a me pressionar contra a parede, seu corpo quase se fundindo ao meu. Não consigo fazer outra coisa além de corresponder ao seu beijo avassalador, tão intenso que me deixa sem fôlego pelo esforço que faço para conseguir acompanhá-lo ou tomar o poder.
Mas sei que nunca conseguiria fazer isso. Ele tem o poder agora. Poder sobre mim. E o que me deixa mais excitada é o aparente desespero que ele demonstra em me ter nos braços, com uma fome fora do comum. Deixou minhas mãos livres, como se soubesse que não mais é necessário me prender. Que apenas isso é o suficiente para que eu não fuja.
E realmente é.
Sem conseguir me conter, passo a tocá-lo. O barulho da chuva lá fora parecendo um eco distante, enquanto assimilo as reações do meu corpo. Mesmo sob o tecido do sutiã, sinto meus seios inchados e os mamilos endurecidos, em contato direto com seu peito quente. Minhas mãos inevitavelmente percorrem seus braços e costas, sentindo cada centímetro dos músculos contraídos.
Meu corpo esquenta gradativamente, o coração mais acelerado, somado aos beijos incessantes me deixam com dificuldade de respirar. Em busca de ar, fico na ponta dos pés tentando afastá-lo pouco.
Percebendo minha intenção, Dragneel segura meu rosto entre suas mãos, a respiração ofegante:
– Por favor, não foge... – Sussurra com lábios roçando nos meus. Fecho o olhos, um gemido fraco acaba saindo da minha boca. – Não foge.
Seguro uma de suas mãos, olhando dentro de seus olhos na penumbra, que ainda assim brilham como as chamas da lareira.
– Também cansei dos joguinhos.
Tomo a iniciativa dessa vez e o empurro um pouco para beijá-lo. Cansada de ser reprimida, aproveito a deixa de sua surpresa e tomo o controle do beijo, adorando a sensação de tê-lo dominado. Agora sem apoio, tenho que ficar na ponta dos pés para alcançá-lo, mas logo sinto suas mãos em minha cintura dando suporte, ou talvez um sinal de posse. Porém, minha aparente vantagem se vai rapidamente quando ele volta a segurar meus braços, me virando de costas e me jogando contra a parede. Suas mãos tremem, e isso de alguma forma me deixa ainda mais excitada, pois minhas pernas estão do mesmo jeito.
Sinto seu sexo rígido por baixo da roupa roçar atrás de mim quando ele afasta meus cabelos e sussurra em meu ouvido:
– Eu cansei dos joguinhos há muito tempo, mas venho me controlando até agora para não fazer um grande estrago em você. – Para de falar para beijar meu pescoço, a agressividade com que me aperta me faz empinar inconscientemente o quadril. – Só que agora, você não tem poder algum aqui. Você vai ser minha, e eu vou fazer o que eu quiser com você.
Antes que eu pudesse pensar em responder, ele retira meu sutiã e minhas roupas de baixo num ato rápido, estapeando com força minhas nádegas. A umidade entre minhas pernas parece aumentar de uma hora para outra com isso, fazendo com que eu sinta literalmente algo ameaçar escorrer entre minhas pernas.
Ele tem razão. Eu não consigo ter nenhum poder aqui. Estou absolutamente entregue à suas ações, deixando que ele me agarre pela cintura e me coloque em cima do balcão da cozinha.
– Você quer que eu toque aqui? – Mesmo que eu não responda, ele move a mão até minha barriga, acariciando minha pele com a ponta dos dedos. Meu peito sobe e desce cada vez mais rápido à medida que ele vai subindo a até meus seios, com um sorriso malandro no rosto.
– Quer? – Me pergunta de novo, fazendo círculos com ao redor do esquerdo.
Isso é tortura. Parece que eles vão explodir, de tanta vontade que tenho de que ele os toque. Eu preciso disso.
Entretanto, uma onda de orgulho toma conta de mim, e de novo não digo nada.
– Esse seu orgulho ainda vai te matar. Acho que devo puni-la com isso.
Como se previsse uma possível retração minha, segura meus braços fortemente antes de lamber um dos meus seios. Reprimindo um gemido, me inquieto ao arquear um pouco as costas. Uma onda de prazer percorre todo meu corpo, mas a sensação logo para. Abro os olhos e o encontro sorrindo ao ver minha expressão.
– Des... graçado. – Digo, tentando me soltar. Ele está brincando comigo.
Segura meu queixo com força, suas mãos ainda estão tremendo.
– Ah, então ainda sabe falar? – Antes que eu possa responder, ele me beija de novo, como se quisesse mostrar quem está no controle. – Essa foi a expressão mais excitante que você poderia fazer, Lucy. Eu quero muito foder você à minha maneira, mas eu sei de suas peculiaridades. E talvez eu não conseguisse me controlar. Mas saiba que o som dos seus gemidos, são a melhor cosia que eu poderia ouvir.
Minha boca mal se fecha de tanta excitação. Ouvi-lo falar essas coisas só piora tudo, mas não consigo me controlar. Com os pés, tento retirar sua bermuda gradativamente, sem desviar o olhar do seu por um segundo sequer. Ele percebe o que eu estou fazendo e olha para baixo, onde ainda continuo minha tarefa. Estou o desafiando, e pelo olhar igualmente ardente que ele me devolve, sei que aceitou o desafio. As sensações estão se intensificando, mas ainda estou insatisfeita. Consigo abaixar de vez suas roupas, deixando seu sexo livre para mim.
Eu preciso de mais.
– Então me faça gemer.
Seu semblante está indecifrável quando ele me pega de novo nos braços, jogando-me no chão em frente à lareira. Antes que eu possa racionar que estou completamente nua, ele me puxa para si, fazendo com que eu sente em seu colo. Uma de suas mãos apóia minhas costas enquanto com a outra ele inclina minha cabeça para trás pelos cabelos.
Então ele volta a usar a língua. Dessa vez não consigo reprimir os gemidos. Acabo cravando minhas unhas em seu ombro quando ele suga meu mamilo, chupando com fervor. Nunca achei que poderia sentir tanto prazer nisso, meus seios parecem ter um contato direto com meu sexo, fazendo com que todo o prazer que sinto seja direcionado para lá. Estou ficando cada vez mais molhada. Seu membro ereto roçando em minha barriga parece me atiçar ainda mais, e a única coisa de que consigo pensar com clareza é que o quero dentro de mim.
Parecendo se cansar do que está fazendo, me coloca de novo no chão, com minhas pernas ainda continuam enroscadas em sua cintura, fazendo com que nossas intimidades estejam a um fio de se tocarem. Consigo sentir o calor.
– E aqui, você quer que eu toque? – Tento esconder minha nudez, sentindo uma repentina vergonha. Segura minha mão antes que eu me cubra, falando de modo autoritário: – Não se cubra!
Aperto os olhos, sentindo prazer na ordem. Por que ainda estou me escondendo? Algo dentro de mim, bem lá no fundo, não quer que isso aconteça. De alguma forma, estou me protegendo. Mas de quê? Todo esse tempo tentei com todas as minhas forças evitar chegar aonde cheguei, mas isso só me levou ao limite. Não posso mais voltar atrás.
Ignorando o incômodo repentino, acabo abrindo as pernas, me deixando completa e totalmente a mostra. Eu o quero. Agora.
– Tão molhada... – Ele parece fascinado ao dizer, e quase grito quando sinto seus dedos em mim. Massageando meu ponto sensível, inevitavelmente abro ainda mais as pernas, os espasmos mais intensos me fazendo quase delirar. – Isso é bom?
Um gemido ainda mais alto sai da minha boca quando ele intensifica o movimento.
– Por favor... – Suplico. Não estou mais aguentando. Perdi todo meu orgulho. – Eu quero...
– O que você quer?
– Ah!
– Diga!
– Você!
Então, ele sorri. Mas eu não conheço esse cara. O homem que surgiu em cima de mim agora não é o Dragneel. Nem o Natsu. Ele tem uma presença tão dominadora, que fico completamente paralisada. Mas tão rápido quanto veio, se foi.
E sei que é o Dragneel de volta quando ele encosta seu peito no meu, falando com a voz rouca em meu rosto.
– Se você realmente me quer, isso não vai doer nem um pouco.
Uma fisgada intensa atravessa a cavidade do meu sexo quando o sinto em minha abertura. Fechos os punhos com força com o atrito, não me controlando em olhar para baixo. Tenho que admitir que ele é enorme, e olha que já vi alguns homens pelados para comparar. Só que sei que isso realmente não vai me machucar, por que o quero tanto que sinto minha intimidade tremer.
Respiro fundo e olho para ele, que me beija de novo antes que eu possa falar. Um beijo molhado e demorado, porém sem língua.
– Você é fascinante, Lucy. Tão irritadinha, e tão safada. Nem precisei fazer muita coisa para te deixar pronta. Você já nasceu pronta pra mim.
– Convencido. – Quase solto uma risada, mas me contenho. Estou me sentindo estranha nesse momento, e isso não se deve a nada físico.
Também não é uma hesitação.
Só consigo definir como algo confuso. Estou me sentindo agitada, porém não por causa do sexo. É algo que não sei explicar.
– Você sabe que eu posso.
Ele se posiciona melhor e gradativamente sinto-o me penetrar. Fecho os olhos, meu sexo pulsando ainda mais, como se o chamasse para mim. Soltando meus braços, se inclina para sussurrar em meu ouvido:
– Agora você é minha.
Minha boca se abre num gemido mudo quando sou completamente preenchida por ele. Não sentia esse vazio até tê-lo completamente dentro de mim. Tudo parece girar quando ele começa a se mexer lentamente. A cada investida, meus lábios se entreabrem, dessa vez com gemidos abafados. Seus olhos não se desprendem dos meus, como se eu fosse a coisa mais fascinante que ele já vira na vida. Mas não consigo raciocinar direito. Tudo se tornou lento demais, o que se torna um incômodo.
Os olhos dele mudaram de novo. Agora é o Natsu. Mas o Natsu me deixa ainda mais confusa e estranha.
Preciso de velocidade para que essa sensação se vá de uma vez por todas. Tenho me concentrar no ato, e não especificamente em nós dois.
Remexe-me dentro dele.
– Mais... Rápido...
– Com essa expressão e se movimentando desse jeito, como eu poderia negar?
Meu pedido é concedido, e como esperado a sensação vai embora, porque cada centímetro do meu corpo parece se concentrar apenas no sexo. O som de nossas intimidades se chocando mal entra em meus ouvidos quando vejo Dragneel se permitir a esboçar expressões de prazer. Nunca imaginei que quisesse tanto ver isso até estar acontecendo. Me sinto cada vez mais apertada à medida que ele entra e sai totalmente, o que não faz muito sentido.
Parecendo se cansar daquela posição, me coloca mais uma vez sentada em seu colo. Ele segura minha cintura, me ajudando a ser preenchida completamente mais uma vez. Com os braços ao redor do seu pescoço, solto um gemido alto. O prazer se tornou tão dolorosamente bom que quase não aguento. A sensibilidade nessa posição é extremamente grande.
Dessa vez eu inicio os movimentos, sem perceber que também comecei a beijá-lo. Às vezes o pensamento descrente de que eu estou realmente fazendo isso me passa pela cabeça, mas a situação acaba por espantá-lo no intuito de aproveitar ao máximo.
Afinal, mesmo que muitas vezes eu não quisesse admitir, eu sempre quis isso.
Agora ele também geme em minha boca. Nesse momento, esqueço de tudo. Tudo o que ele me fez, que o odeio. Não consigo desprender meus olhos dos dele. O formato puxado e às íris verdes, dão um toque animalesco em sua expressão. Como olhos de um dragão.
Perdendo totalmente o controle, passamos a nos movimentar num ritmo frenético, meus gemidos saindo altivos e sem hesitação agora. Deixando que eu me movimente sozinha, ele move suas mãos por outras partes do meu corpo. Costas, seios, nádegas e pernas.
Mais apertado.
Não consigo parar. Todo esse conjunto de sensações me fazem tremer. Sinto algo se acumular dentro de mim. Contorço os dedos dos pés.
– Hã...
– Ah, sim. Goza pra mim, loirinha.
Sem conseguir controlar meu próprio corpo, o empurro no chão, ficando em cima dele. Durante alguns instantes em que abri os olhos, vi seu sorriso satisfeito, talvez por ter gostado da minha atitude.
Mas depois disso, não consegui pensar mais em nada. Apoiei as mãos em seu peito enquanto ele apalpava meus seios. Ele se desliza tão facilmente dentro de mim, que aumento a velocidade quando sinto que estou mais perto.
E como se soube se de tudo, ele diz:
– Grite!
– Ah!
Não aguentando mais os espasmos de prazer que parecem fazer meu corpo explodir, eu gozo, gritando quando sinto o orgasmo percorrer todo meu corpo através do meu sexo, como se tudo de ruim que houvesse dentro de mim estivesse saindo em uma forma dolorosa de prazer.
Mesmo com minhas forças se esvaindo a cada onda que sai de dentro de mim, eu continuo a me mexer na tentativa de prolongar o prazer. Mas logo não consigo me manter ereta e acabo desabando em cima dele. Nunca pensei que me sentiria tão bem ficando completamente esgotada.
– Ainda não te dei permissão para descansar. – Me pegando de surpresa, me vira de novo, voltando a ficar em cima de mim. Respiro ofegante, o coração ainda acelerado e o corpo sensível por causa do orgasmo. – Eu tive que me segurar quando vi sua expressão de puro êxtase, mas acho que não foi o suficiente.
Agora estou mais excitada que antes.
– Para mim foi... mais que... suficiente.
Balança a cabeça.
– Eu estou guardando o melhor para o final. – Encosta os lábios em meu ouvido. – Sabe o que é melhor que o primeiro orgasmo para uma mulher?
Faço que não com a cabeça.
– Gozar ao mesmo tempo que seu parceiro, pela segunda vez.
Ele sorri, ficando de joelhos no chão enquanto segura meus quadris, fazendo com que só a parte de cima das minhas costas fique no chão. E me penetra de novo.
Agora tudo está mais intenso que antes. Os espasmos vêm mais rápidos e fortes. Ele aperta minha cintura com força, agora se permitindo a aproveitar realmente.
Não sei o que a eu de dois dias atrás pensaria disso, mas agora só uma coisa se passa pela minha cabeça:
Incontrolável.
É isso que define nossa relação. Nunca poderei ter controle perto dele. A partir de agora, sempre que nossos olhos se cruzarem, essa coisa indomável vai surgir, ficando mais forte a cada vez.
Não sei se isso deveria me fazer recuar, mas a questão é que agora eu não quero mais. Quero me entregar profunda e totalmente a esse descontrole, ao desejo que sinto por ele. E que ele sente por mim.
Quando o segundo orgasmo chega, mais forte que o primeiro, olho para sua expressão agora também contorcida de prazer. O fogo da lareira iluminando atrás dele, faz parecer que seus fios rosados estão em chamas.
Assim como seus olhos.
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