Just Sex
10 Nove – Tentada.
Notas iniciais
Ele me vê antes que eu o ache no meio dos garotos suados que correm pela quadra.
Exibindo um sorriso satisfeito, Dragneel me olha de modo divertido enquanto é mercado no jogo de basquete por um cara tão forte quanto ele. Reviro os olhos e gesticulo com o olhar, como quem diz para ele prestar atenção na porra do jogo. Mas ele é ágil. Ainda sem parar de sorrir, a marcação do garoto parece ser inútil quando ele pula para pegar a bola e o ultrapassa facilmente. Corre até a cesta e joga a bola de um ponto crítico, praticamente impossível de acertar. Ele acertou.
Todos comemoram, tendo terminado o terceiro período vencendo de 64 a 21¹. Eu sempre soube que ele era um bom jogador, assim como todo mundo. Dragneel tem a fama de nunca ter errado uma cesta sequer, desde o dia que entrou no time no primeiro ano escolar. Percorro o caminho até a arquibancada, atraindo alguns olhares incrédulos dos jogadores reservas que estão no banco. Eu nunca venho aqui durante um jogo, e da última vez que vim, não foi uma coisa boa de se ver.
Jogo minha mochila e apoio as costas nela, olhando diretamente para ele que bebe água rapidamente antes do quarto e último tempo. Percebo então algo que me faz arregalar os olhos, e notando meu espanto, ele solta uma risada. Os fios rosados da franja do algodão doce estão amarrados com um elástico no alto da cabeça, como um penteado de um bebê fofo.
Isso me faz voltar no tempo, recordando-me da minha mania de criança: Dar uma de cabeleireira. E a principal cobaia era ele. Lembro que fazia milhares de coisas, até cortar e pintar, o que estragou muito o seu cabelo na época. Ficava reclamando o tempo inteiro, emburrado. Mas bastava eu chorar que ele cedia facilmente.
Peguei-me num quase sorriso, mas o reprimi antes que o fizesse. São tempos que não voltam mais. A realidade agora é outra, e nenhum de nós dois é o mesmo.
Se ele quer me atingir me fazendo voltar ao passado, está perdendo tempo. Não vou ficar boazinha com ele nunca, muito menos de uma hora para outra. Mas ele quer me desestabilizar, estou começando a entender seus joguinhos. E eu realmente estou ficando tentada ao desafio. Vamos ver quem vai fuder quem.
O quarto tempo começa e mesmo com a vitória de seu time já praticamente certa, ele não deixa de dar tudo de si. Depois de algum tempo percebo que ele está se exibindo. Se exibindo pra mim. Dragneel é rápido, suas fintas² são perfeitas e seus bloqueios inquebráveis. E o mais importante de tudo: ele realmente nunca erra a cesta, não importa de onde ele lance. Uma mira incrível, ele seria um ótimo lutador se quisesse também. Mas pelo visto ele gosta de alvos, e atualmente eu sou o mais importante deles.
De repente, sinto algo cair em meu colo.
– Você deveria se alimentar direito.
Olho para cima e me deparo com Aquarius, me fitando como se desse uma bronca. Abro o saquinho marrom de padaria e encontro um sanduíche de pão integral com peito de peru, um iogurte e uma maçã.
– Ham?
– Eu sei que você não almoçou. – Senta ao meu lado, empurrando a comida contra mim. – Coma. Você tem que se alimentar direito. Daqui a duas semanas começam os treinos para as Olimpíadas.
Não digo nada, apenas pego o sanduíche e dou uma mordida. E então percebo o quanto estou faminta.
– Eu vi aquilo lá no corredor. – Começa a falar, cautelosa. – Espero que não faça nenhuma besteira, o responsável será punido pela direção.
– Não irei. – Respondo, ainda mastigando. – Pelo menos não dentro da escola.
– Lucy...
– Aquarius, eu realmente não quero falar disso agora. – Ela balança a cabeça e eu solto um suspiro ao abrir o iogurte. – Obrigada pela comida.
Ela se levanta logo em seguida, entendendo a indireta de que quero ficar sozinha.
– Procure se alimentar direito, segunda feira vamos pesar você. Antes do início do treino você tem que estar com o peso ideal e mantê-lo.
– Sei disso.
– É bom mesmo. – Assume uma expressão dura. – Juízo. Tenha cuidado.
Paro o sanduíche no ar, com a boca aberta. Segunda pessoa que me diz isso hoje, eu deveria ter me benzido no caminho para cá! Queria saber o que todos parecem estar sabendo que eu não sei. Odeio não saber das coisas, especialmente quando tem relação comigo.
Estou tão concentrada em comer que nem percebo a presença dele.
– Bu.
Me sobressalto, em reflexo empurrando-o com pé em seu peito. Ele sorri e se afasta um pouco, de joelhos no degrau abaixo, apoiando os braços no chão ao redor de mim.
– O que está fazendo?! Sai daqui!
– Também estou feliz em te ver. – Ironiza.
Reviro os olhos.
– Se afaste. – O empurro mais, porém ele continua firme. – Vou te chutar a fuça, caralho.
– Sempre tão carinhosa. – Vendo que eu realmente cumpriria a ameaça, se senta ao lado.
Droga, o que ele está fazendo aqui? O que eu estou fazendo aqui? Fico com vontade de perguntar sobre o Gray, mas sei que não é momento certo. Tento me concentrar na maçã, mas fica difícil. Ele ainda está ofegante, com o rosto corado pelo esforço e absolutamente suado. Eu deveria achar isso nojento, mas na verdade é sexy pra porra.
E os braços dele são tão fortes... Hades, me leva para o Inferno? Eu mereço ir pra lá.
– Vou tomar banho.
Estreito os olhos de modo descrente, com uma expressão interrogativa.
– E?
Ele estende a mão e fico olhando para ela.
– É um convite.
– Porque você não vai pro inferno? – pergunto de modo falsamente meigo.
Mas ele apenas se levanta e diz antes de sair:
– Já estive nele, Lucy. Já estive nele.
***
Eu definitivamente estou esgotando minha cota de dias bizarros. Cada dia está sendo pior que o outro.
Esperando de modo impaciente em frente ao portão, volto a pensar na merda que estou fazendo. Aqui estou eu, Lucy Heartphilia, prestes a passar a noite na casa do meu maior inimigo. Alguém me interna?
– Onde se meteu esse desgraçado? – Murmuro, com um tique nervoso no pé enquanto olho o relógio de segundo em segundo.
Daqui a pouco são três horas e a última coisa que quero é que me vejam saindo junto com ele.
Quando dou por mim, o filho da mãe aparece no pátio.
– Até quem enfim!
– Eu nem demorei.
– Nada, só exatamente 27 minutos. Se arruma mais que mulherzinha.
Ele sorri daquele jeito cafajeste.
– Se tivesse me acompanhado, não teria ficado entediada.
Não respondo nada, apenas lhe mostro o dedo do meio.
– Ouvi os caras comentando sobre o que aconteceu hoje. – começa o assunto do nada, enquanto andamos em direção a saída.
Solto um suspiro pesado.
– E o que tem? Se você não tem nada a ver com isso, então pode calar a boca e fofocar quando eu não estiver por perto, como todo mundo faz.
Ele sorri de modo zombeteiro.
– Por que pensa que eu faço isso? Você se acha importante demais, Heartfilia. O mundo não gira em torno de você.
Fiquei até surpresa com seu desdém e o modo como me chamou, já que ele vem me chamando de Lucy há algum tempo. Esse garoto é completamente bipolar, uma hora ele parece triste, falando aquela merda de já ter estado no inferno, ao qual já passei e duvido muito que algo tenha acontecido para ele ter passado também. Depois é totalmente sacana e galanteador. E agora parece ter nojo só de estar perto de mim.
– Qual é a tua? – Indago, estancando na calçada com uma careta indignada. – Diz isso, mas agora você está absolutamente parecendo uma dessas vadiazinhas com inveja.
E de novo sua expressão muda. Um sorriso surge em seus lábios.
– Own, ficou magoadinha? – diz com uma voz irritante, aproximando a mão do meu rosto como se quisesse apertar minha bochecha.
Rapidamente seguro sua mão, pressionando os dedos num ponto vital, disposta a qualquer momento quebrar seu pulso. Ele conseguiu me deixar incrivelmente mais irritada que o normal.
– Faça isso de novo e nunca mais poderá jogar basquete.
Solto sua mão com nojo e ele ri, passando a olhar a outra mão.
– Também sei encestar com a mão esquerda. Minha mira é ambidestra.
– Ótimo, pois na próxima vez não hesitarei em quebrar uma delas.
– É tão legal irritar você, Lucy. – Pisca um olho para mim. – Absolutamente adorável, de um modo bem negro.
Cerro o punho com força, tentando inutilmente esconder o rubor em meu rosto. Por que diabos estou corando?
– Cale a boca e vamos logo para o ponto de ônibus.
Ele me olha de modo impassível.
– Agora tenho que questionar sua inteligência. Sabe que ônibus não chegam perto de lá, e imagina quanto tempo demoraria para esperarmos um e de lá pegarmos outro transporte?
Reviro os olhos.
– Então o quê? Vamos voando?
Dragneel não responde, apenas sorri de modo estranho e aponta com o queixo para o outro lado da rua. Fico confusa até que avisto milhares de motos estacionadas uma ao lado da outra.
Não consigo entender por que, mas meu coração dá um pulo.
– Está louco?! – quase grito. – Espera mesmo que eu vá com você para uma distância de quilômetros em cima de uma moto?
– Eu não espero, você vai.
– Olha aqui, seu pu...
– Tem certeza de que quer pensar sobre isso agora? – Ele me interrompe, olhando para dentro dos portões, onde ao fundo milhares de alunos estão saindo aglomerados do prédio da escola.
Porcaria! Nem ouvi o sino tocar.
– Então? – torna a dizer. E eu realmente odiei ver a satisfação em seu rosto, mas não tenho tempo para isso.
– Apenas ande logo. – E segui para atravessar a rua rapidamente.
Ele não falou mais nada, e quase o agradeci por isso. Por todos os deuses do Olimpo, o que estou fazendo? Desejei imensamente que naquele momento eu conseguisse xingá-lo, virar as costas e ir embora. Mas não posso. Não consigo.
– Essa é a minha. – diz ele, como se me mostrasse a coisa mais valiosa do mundo.
A moto é enorme e vermelha, tão chamativa que não sei como não a vi antes no meio de tantas outras de cores escuras.
– Por que não me surpreendo...
Ele ri e estende um capacete para mim. E advinha? Também é da cor vermelho-me-note-que-quero-chamar-atenção.
– Gosto de vermelho.
O olho com as sobrancelhas arqueadas. Esse cara é completamente instável. Só posso observar ele conversar comigo casualmente como se fossemos amigos íntimos.
Ele sobe na moto e eu fico ali, parada, pensando em tudo ao mesmo tempo.
Eu quero fazer isso.
Mas então, pela primeira vez em anos, percebo que estou com medo. De que uma das poucas coisas que tenho medo é ele. De me envolver com ele e no final dar tudo errado. Não quero a porra de um romance. Mas eu o quero. E isso está me corroendo...
– Acho melhor você se apressar. – ele me adverte. Olho para trás, vendo os alunos tomarem a rua. Droga, não quero que eles nos vejam juntos. Dessa vez não seria um mero boato.
Mando um foda-se mental para minha consciência fudida e coloco a capacete rapidamente, subindo na moto em seguida. Também não liguei por segurar sua cintura, mesmo eu sabendo que ele está sorrindo, ainda que eu não possa ver.
Respiro fundo.
– Corra.
– Foi você que pediu.
Com o barulho alto do motor, saímos cantando pneu dali.
Não sei onde isso vai dar. Também não sei se vou conseguir. Mas nunca me senti tão tentada...
Tentada a tentar.
***
Depois de mais ou menos duas horas de viagem, acabei me sentindo enjoada de tanto olhar para árvores e mais árvores. Ainda sem falar nada um para outro, saímos da interestadual e seguimos por uma pista sem asfalto, consequentemente tendo que diminuir a velocidade. Alguns solavancos e desvios mais tarde, começamos a passar por diversas casas de campo, afastadas consideravelmente uma da outra, até chegar na dele. Não consigo reprimir a nostalgia que sinto ao olhar para a fachada da casa de madeira pintada de branco. É simples, porém grande e aconchegante, tendo como quintal a floresta por onde tanto corri e brinquei. A casa de Erza fica mais ou menos a um quilômetro e meio daqui, e me recordo de como brincávamos pelas trilhas existentes mata a dentro. Subíamos nas árvores, tínhamos a sensação maravilhosa de comer das frutas direto da fonte, e íamos a cachoeira mais ao fundo. Eu, Erza, Levy, Gray e... Natsu. Lembro que também tinha o Loke e alguns outros, mas não eram tão próximos como nós e nem vinham muito aqui. Bons tempos de infância que não voltam mais. E agora aqui estou eu mais uma vez, só que parar fazer tudo, menos algo inocente de criança.
Desço da moto, olhando ao redor. Pergunto-me se a trilha ainda existe.
– A trilha não existe mais. – Fala Dragneel de repente, como se lesse meus pensamentos. – Ela foi encoberta pelo mato, e por algum motivo os guarda florestais não a refizeram ou a mantiveram. – Desce da moto. – Mas, felizmente, tenho uma ótima memória.
– Que bom para você.
– Tenho fortes lembranças sobre aquele lugar, então nunca poderia me esquecer de como chegar lá.
Estou quase a revirar os olhos para mais uma de suas frases enigmáticas, porém sei sobre o que ele está falando. Engulo em seco, minha mente inevitavelmente voltando anos no tempo, onde também tenho lembranças sobre a cachoeira. Na verdade, nossas lembranças. Eu e ele, dois pré-adolescentes que tinham acabado de começar a perder aquela inocência de criança, sozinhos na clareira.
Me odeio por sentir o coração acelerado. Desgraçado, não queria lembrar disso. Não queria mesmo.
– Vai ficar parada aí? Já está escurecendo. – Volto a mim quando o vejo parada na porta, já aberta.
Olho para o céu alaranjado, em poucos minutos vai estar absolutamente escuro. Respiro fundo e balanço a cabeça para dispersar os pensamentos, tirando a mochila dos ombros ao entrar.
O lugar deveria estar com cheiro de mofo, mas por incrível que pareça cheira a desinfetante, como se tivesse sido higienizado a pouco tempo. Coloco a mochila no balcão da cozinha, constatando que a casa não mudara nada desde a última vez que estive aqui. De frente para a cozinha estilo americana vem a sala de estar, gigante e com uma lareira na parede principal. A porta de correr de vidro dá para o lado de fora, onde tem um amplo terraço, em seguida o jardim e mais ao fundo a floresta, que já começa a ficar obscura. Viro-me e olho para escada que dá para o primeiro andar onde ficam os quartos. Já cai tantas vezes ali quando era mais nova que chego a rir de mim mesma.
– Não preciso fazer apresentações, você já conhece o lugar. – Diz ele, jogando as chaves em cima da mesa. – Pode tomar um banho se quiser. Já está escurecendo, então é melhor começarmos logo.
Olho para ele, com toda sua indiferença e profissionalismo... Não existe pessoa mais bipolar.
– Okay. – Pronuncio a palavra de modo arrastado. – Desço em 15 minutos.
Pego minha mochila e subo as escadas rapidamente, me preocupando em não cair. Caminho até a segunda porta do corredor, por onde já fiz muito jus ao nome. Rio e entro no banheiro, me banhando rapidamente. Mas aí vou me vestir, e quase reprimo a vontade de gritar. Eu disse quase.
– AH!
– Tudo bem aí em cima? – Ouço a voz abafada do Dragneel.
Droga.
– Sim. – Grito de volta.
Não. Não está nada bem. Como sou retardada, eu não trouxe nenhuma calça! E eu definitivamente não quero vestir a mesma calça suada do dia inteiro agora que estou limpa. Inferno. Pelo menos sou descente e meus shorts são comportados. O problema é que eles são folgados.
Bem, foda-se. Coloco uma camisa de mangas longas e faço um rabo de cavalo, em seguida saindo do banheiro com desconfiança. Sinto como se pudesse ser atacada a qualquer momento. Abro um dos quartos, o que eu costumava ficar quando vinha aqui, e jogo minha mochila sobre a cama. Retiro o necessário para fazer o trabalho e desço em seguida.
Já está completamente escuro, mas as luzes da sala e da cozinha não estão acesas. Sinto um leve temor me abater, porém logo sou iluminada pelas luzes do terraço que deixam a sala na penumbra. Dragneel está lá fora, regulando a luneta voltada para o céu estrelado. Uma manta foi posta no chão com alguns cadernos sobre ele, e por algum motivo senti meu coração acelerar.
Mantenha a calma, Lucy.
Abro as portas de vidro e quando me aproximo, percebo que ele trocou de roupa. Está com uma bermuda mais leve e com uma regata meio que... cavada demais. Os músculos de suas costas se contraem à medida que ele se move, assim como seus fortes braços a mostra. Fico com calor de repente. Estou começando a perder o controle. O que eu estou fazendo aqui? Isso é ridículo! Parecemos dois velhos amigos felizes ou dois adolescentes em flerte, cada um tentando o outro à sua maneira. O objetivo é seduzir. E eu definitivamente sou tapada e grossa demais para fazer isso.
Também, qual a necessidade?
Okay, eu entrego o jogo. Estou completamente seduzida. E olha que ele nem me olhou ou disse nada. Sou uma merda mesmo.
Parecendo notar minha presença, ele se vira de repente, e eu estanco com seu olhar. Sem nem disfarçar, ele me olha da cabeça aos pés, mas não diz nada indecente ou irônico. Ele está... absolutamente normal.
– Você sabe qual a localização para o dia de hoje?
Fico alguns segundos apática, em seguida abrindo um dos livros que trouxe em mãos.
– Começa no Norte.
Ele balança a cabeça e se abaixa para posicionar a luneta.
– Vamos começar. Vai ser uma longa noite.
– Vai ser mesmo. – enfatizo, sentando na manta.
Começo a me sentir estranha. Ele está estranho. Nada de gracinhas, nada de piadas, apenas se concentrando no trabalho. Sinto-me desprezível por estar, aparentemente, sentindo falta disso.
O tempo vai passando de modo arrastado e lento, o vento fresco batendo em meu rosto me faz ficar um pouco melhor. Dragneel posiciona a luneta a cada 45 minutos, e eu marco no caderno a longitude e a magnitude das estrelas que formam a Constelação de Órion: Mintaka, Alnilam e Alnitak, popularmente conhecidas como "As Três Marias", que formam o cinturão de Órion e estão localizadas no centro da constelação³. Demos uma volta de 180 graus até o fim da observação.
Começa a ficar realmente frio, tanto que o blusão que estou usando não serve para nada. Mas Dragneel não parece estar nem um pouco incomodado. Ou ele é imune ao frio, ou é quente demais.
Quase coro com o último pensamento.
– Está bastante tarde. – me assusto um pouco ao ouvir sua voz, quase não falamos um com o outro durante este tempo.
– Acho que acabamos. – Me levanto do chão, inevitavelmente esfregando as mãos nos braços.
Cara, que frio. Está ventando muito, alguma coisa está errada.
– Sim.
Começo a recolher a coisas do chão enquanto Dragneel desmonta o tripé da luneta. Infelizmente, o trabalho ainda não acabou. Temos que digitalizar tudo e falar passo a passo como trabalho foi feito, as condições climáticas, visualização e etc.
Entramos na sala e fechamos a porta, o vento lá fora ficando mais úmido e mais forte a cada segundo. Coloco minhas coisas numa mesinha e ele deixa a Luneta num canto, acendendo as luzes em seguida.
– O clima ficou estranho de repente. – Não consigo reprimir a vontade de falar isso. Por alguma razão estou ficando nervosa.
Escuto sua risada maligna, no instante em que olho para seu rosto. Sua expressão é quase diabólica.
– É por que vai chover.
No segundo seguinte um trovão ecoa no céu, estrondoso e assustador. E então, todas as luzes se apagam de vez.
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