Just Sex

11 Dez – Sob controle.


Notas iniciais
Olá, gente! Aqui estou eu como prometido! Bem, li os comentários do capítulo anterior e amei a todos! Vou responder todos os atrasados no final de semana, okay? Obrigada também aos acompanhamentos, que só fazem crescer S2. Boa leitura!

Uma chuva forte começa a desabar sobre nossas cabeças, como se um balde gigante fosse virado de vez sobre a terra.

Sinto meu estômago se contorcer. É a fúria dos céus. Zeus, por quê? O que fiz para você mandar essa chuva, seu desgraçado?

Não consigo enxergar quase nada, mas aos poucos minha visão vai se acostumando à escuridão. O barulho da chuva é forte, entretanto, além disso, na casa reina o mais completo silêncio.

Sei que não estou sozinha, mas o desgraçado parece ter desaparecido no ar depois de mais uma alteração de humor. Não consigo sentir a presença dele, e estou nervosa demais para falar. O pânico ameaça crescer cada vez mais dentro de mim, mas eu continuo ali, parada, esperando alguma coisa.

Meu coração quase sai pela boca quando ouço um barulho. Dou um pequeno sobressalto com isso, e no mesmo instante um relâmpago seguido de um trovão ilumina o ambiente por breves momentos, fazendo com que eu veja um vulto esgueirar-se pelos cantos.

Natsu? – Minha voz sai trêmula. E odeio mais a mim mesma por isso.

Como fui parar nessa situação? Sinto que vou enlouquecer! Estou com medo. Meu corpo está em alerta, em posição de combate, mas minha mente está enevoada pelo temor. Sinto meu corpo tremer quando ouço o barulho mais uma vez.

– Pode parar com isso, seu idiota. – Tentei manter meu tom habitual, mas saiu como um choramingo amedrontado. – Não tenho tempo para brincadeiras, procure logo algo parar iluminar este lugar.

Ele não responde.

Finalmente decido sair do lugar, dando um passo de cada vez com bastante cautela. Talvez na cozinha haja uma lanterna ou velas.

Minha pulsação começa a apitar em meus ouvidos. Sei que não há mais ninguém aqui além dele, mas o medo irracional começa me jogar de frente com suposições desesperadas. Estou com medo do que possa acontecer.

Natsu? – chamo mais uma vez, assim que chego à mesa.

Em resposta, sinto uma mão em meus cabelos, retirando o elástico que os mantinham presos. Viro-me para um contra-ataque, mas é tarde demais. É como se fosse um fantasma, que não exibe nenhum sinal, movimento ou presença. Como não pude notá-lo tão próximo assim?

Fico paralisada no lugar, a respiração mal saindo. A ideia de que pode haver mais alguém aqui dentro me deixa em pânico, entretanto sei que não é verdade. Apenas ele está aqui.

Mas isso está conseguindo me apavorar. Meu peito dói, estou começando a ficar sem ar. Meu corpo está entrando em mecanismo de defesa. Droga! Estou tendo um surto depois de tantos meses em equilíbrio psicológico! Isso não pode estar acontecendo.

Meus pensamentos são cortados por mais um ruído, e quando dou por mim, dois braços me cercam me puxando para perto.

Perco o controle.

Meu corpo age por impulso e instinto. Desvencilho-me dos braços com avidez, jogando-os para os lados, em direções contrárias. Sem tempo para revide, espalmo as mãos em seu peito, empurrando-o com brutalidade para trás, fazendo um estalido oco no ar.

Com um gemido abafado, tenta levantar um dos braços, mas o chuto numa das pernas, minha visão ficando melhor de uma hora para outra. Pego uma faca em cima do balcão, girando-a no ar antes de estar na posição necessária para direcioná-la em sua garganta.

– Lucy! Sou eu! – Fala de modo desesperado.

Continuo a pressionar a lâmina de modo ameaçador em sua veia, meu braço esquerdo o imprensando contra a parede, meu joelho no ponto crítico entre suas pernas. O sangue corre pelas minhas veias numa velocidade extraordinária, fazendo com que eu me sinta anestesiada. Não tenho pretensão de soltá-lo.

– Sou eu! – repete ele, outro relâmpago iluminando seu rosto transformado em surpresa. – Sou eu...

Algo em mim parece morrer, e me afasto de modo brusco, soltando a faca no chão em seguida.

Meu corpo treme em espasmos violentos, sem que eu possa controlar. Ainda sinto minhas células aceleradas, como quando uma parte do corpo fica dormente e o sangue começa a fluir de vez; mas agora a velocidade vai diminuindo aos pouco, assim como meu coração. Sinto meu corpo lutar contra alguma coisa... Amansando qualquer que seja a fera existente dentro de mim. Com a respiração ofegante pelo esforço, fecho os olhos e encosto-me à mesa.

– Que... merda é... Comigo...

– Lucy, você precisa se acalmar. – Dragneel pronuncia, gesticulando com as mãos como se falasse com um animal feroz.

– Cala a boca, seu idiota! – Grito, ignorando a dor em minha garganta. Ainda com as pernas trêmulas, saio me arrastando para longe dele. – Isso tudo é culpa sua.

Por incrível que pareça, o filho da puta não parece nem um pouco com medo. Apenas... surpreso. Riria se pudesse. Qual a surpresa de eu tentar matá-lo? Chega a ser hilário, esse desgraçado.

– Fique quieta, você tem que sentar. – Quando ele faz menção de me tocar, esquivo rapidamente como diabo corre da cruz, me apoiando na parede.

– Não me toque! Seu... – O encaro nos olhos, a boca ainda tremendo. – Isso tudo é culpa sua, deveria ter te matado mesmo!

De repente, muda a expressão para uma seriedade anormal.

– Acredite em mim. Você não iria querer fazer isso.

– Acredite em mim: eu não acredito em você. Muito menos confio! Fui uma idiota por ter vindo aqui... – A chuva ainda cai torrencialmente lá fora, com raios e trovões de brinde. Mas não posso ficar mais um segundo sequer aqui. – Preciso ir embora.

– Está louca? – Dragneel parece irritado. – Sair nessa chuva é pedir para morrer.

LOUCA EU VOU FICAR SE CONTINUAR AQUI COM VOCÊ! – Estouro de vez, o pouco que tinha melhorado se revertendo rapidamente, o corpo tremendo violentamente e o coração acelerado de novo. Desesperada, passo a andar aleatoriamente na sala, sem saber o que fazer. – Droga... Merda... Caralho...

Geralmente, falar palavrões ajudam a desestressar, mas nesse caso, que nem estresse é, só me faz ficar com mais raiva de toda essa situação ridícula.

E para piorar, também esqueci meus comprimidos, jogados ao relento no chão depois das doses a mais que tomei noite passada. Parando para pensar agora, preferiria ter de novo aquela intoxicação maldita do que essa crise miserável.

Ainda está escuro, mas como meus olhos já se adaptaram, consigo ver suas feições com clareza. Sua expressão é indecifrável, mas ainda continuo a tagarelar.

– Eu preciso muito dos meus remédios, porra.

– Você... – Há um pouco de choque em sua voz. Mas não deixo que termine a frase. Vou pirar, odeio esses acessos de pânico. O tive poucas vezes na vida, mas esse parece ser o mais... Intenso. Talvez por que tenha sido culpa dele.

– Preciso dos remédios! O que eu vou fazer? – Indago a mim mesma, murmurando com a voz falha.

– Tem certeza de que, realmente, precisa deles? – Ele anda calmamente em minha direção, o rosto fechado. Estou encurralada na parede, mas nervosa demais para me preocupar com isso.

– Claro! Imbecil! Só consigo me acalmar com eles! – Minha voz fica mais aguda. – Por que ainda está falando? Cala a boca, cala a boca, cala a boca!

Estou sem controle, nunca fiquei desse jeito antes. Absolutamente patético.

– Eu sei de uma coisa que vai te acalmar, e é melhor que qualquer remédio.

Mesmo a contra gosto, pergunto de modo azedo.

– Ah, é? O quê?

Não tenho reflexo e nem forças para reagir quando o vejo tirar a camisa, e avançar sobre mim.

Isso.

Então ele me beija.

Agarrando meus punhos e os imprensando ao lado do meu corpo, seus lábios chegam aos meus numa investida desesperada. Ofego em surpresa e tento me soltar, porém estou fraca demais e agora ele parece ter adquirido uma força sobre-humana. Quando percebeu minha tentativa de chutá-lo, colocou um dos joelhos em meio à minhas pernas, fazendo-me recuar. Seus lábios são quentes, com uma leve aspereza que me causa um prazer mínimo e gracioso. Mas não consigo me mexer, ele também não se move. Ainda de olhos arregalados, tento empurrá-lo mais uma vez, porém não tenho mais um grama de força existente em meu corpo. E quando nota que parei de lutar, folga os aperto em meus braços, se separando de mim, sem deixar de me olhar por nenhum segundo.

O beijo foi para me acalmar.

Não sei se obteve o efeito planejado, por que apesar de meu corpo estar mole e completamente dormente agora, meu coração palpita mais que antes. Posso estar tudo, menos calma. Mas pelo menos, os efeitos da crise estão passando numa velocidade tão rápida quanto vieram.

Estou completamente sem fala. Mesmo no escuro seus olhos brilham, e seus lábios ainda continuam entreabertos. Num lampejo de sanidade, pergunto-me por que não tentei mordê-los.

– Boa garota. – diz ele, a voz calma e aveludada, porém com um toque de erotismo.

– O que você... – Meu peito sobe e desce com a respiração entrecortada, como se ele ainda estivesse me beijando. Com alguma fagulha de disposição, me debato. – O que está fazendo?!

Sem dó, ele aperta as mãos em meus pulsos, tanto que chega a doer um pouco, mas me recuso em demonstrar qualquer sinal de dor ou desconforto. Eu realmente não consigo me soltar. Não sabia que ele era tão forte.

– Eu mandei você falar? Ham? – Indaga, virando a cabeça de modo ameaçador. Engulo em seco, nunca o vi assim. Aproxima mais o rosto do meu, sussurrando: – Calada.

Por alguma razão, não sinto medo ou nada do gênero. Sinto prazer. Estou excitada. E isso me irrita.

– Quem você pensa que é? – Não deixo minha teimosia morrer. – Me solta, seu croqui¹ de psicopata!

Dragneel abaixa a cabeça, negando enquanto ri baixinho. Minha expressão agora deve ser cômica, tentando inutilmente me impor ao erguer o queixo e exalar fúria no olhar.

Gente orgulhosa é foda.

– Você não vai sair, por que eu não quero. E com certeza você não quer me ver zangado.

– O que você quer... de mim? – Pergunto, ainda ofegante.

– Você. – Engulo em seco mais uma vez, meu coração está no limite, impossível de bater mais rápido que isso.

Meu bom Zeus... Digo, por Hades – já que o líder do Olimpo me deserdou está noite –, abra um buraco sobre meus pés e me leve para o inferno, por favor? Fico repetindo esse mantra até ele falar de novo.

– Escute bem. Eu vou soltar um dos seus braços, mas você não vai fazer nada, certo?

Continuo calada.

Certo? – Repete, com mais veemência. Quase uma ameaça.

– Sim...

Não acredito que falei isso. Imagino um milhão de coisas sobre o que fazer quando ele deixar um dos meus braços livres, como socos e coisas assim. Mas quando ele me solta... Eu não faço nada. Fico absolutamente quieta, mansa como um filhote de gato.

– Boa menina. – Ele sorri abertamente. Até que com a mão agora também livre, tira do bolso o... Meu celular. Mas como...? – Ligue para a Erza.

Fico olhando apática para o aparelho por alguns segundos, até finalmente dizer por falta do que falar:

– O quê?

– Ligue para a Erza.

– Pra quê?

– Por que você vai dizer que não vai mais para lá, nem hoje, nem amanhã, nem depois. Você vai ficar comigo esse final de semana.

A Lucy de verdade volta com força total.

– Endoidou, meu filho? – Digo, com total descrença. – Por que acha que eu faria isso? E, pior ainda, por que acha que eu ficarei aqui com você, um final de semana inteiro? É cada gente doida.

Me assusto num sobressalto desajeitado quando ele esmurra a parede com força. Que mer...

– Estou de saco cheio dessa merda. – Sua voz está num tom que nunca ouvi antes. Acuada sob ele, nada posso fazer a não ser olhar sua expressão raivosa e impaciente, ao dizer: – Sempre tenho que dizer o que você realmente quer, já que não consegue ser sincera consigo mesma. Mas isso acaba aqui. Você vai ligar para Erza por que eu quero que você ligue para Erza. E vai ficar aqui, por que eu quero que você fique. Você me entendeu bem?

De novo, não consigo falar nada. Estou surpresa... E excitada. Isso é ridículo, mas excitada. Que droga!, grito mentalmente. Corre, Lucy. Tenta se mover!

– Vou tomar seu silêncio como um sim. – Seu rosto se suaviza um pouco. Estende o celular para mim. – Ligue. Agora.

Minha mente parece enevoada quando estico o braço e pego o celular das mãos dele, passando a digitar os números de modo trêmulo. Ainda não acredito que estou fazendo isso.

– Coloque no viva-voz. – Ela manda e... eu obedeço. Eu obedeci!

Está tudo perdido, minha moral foi parar em Marte, sem chance de recuperação.

Fico torcendo internamente para que não pegue ou que ela não atenda. Mas por incrível que pareça, como toda essa chuva desabando, ainda tem sinal. E no quinto toque, Erza atende.

Alô? Lucy?

Um silêncio tenso se forma, e eu fico olhando para ele, sem saber como falar.

Lucy? – Erza volta a perguntar. – Você está aí?

Dragneel gesticula com a cabeça, o rosto endurecendo, me intimando a falar.

– Er, oi. Erza. – Consigo dizer.

Ótimo, agora estou parecendo um robô.

Lucy! O que houve? Você está estranha. Tá tudo bem?

NÃO!, grito, mas mentalmente. Minha vontade era de pedir socorro e mandarem chamar a polícia, porém ao invés disso, falei:

– Hã? Não, tá tudo muito bem. Tá tudo ótimo. – Ele aperta meu braço diante da ironia. – Estou te ligando pra dizer que eu não vou puder ir para sua casa. Estou presa por causa da chuva – dei bastante ênfase na palavra, mas o filho da puta me ignorou completamente. –, e vou estar...

– Resolvendo umas coisas. – Ele se aproxima para sussurrar em meu ouvido.

– ... resolvendo umas coisas.

Merda! O que é agora? Virei capacho dele?

Estranho quando percebo que Erza está muito calada e demora para responder. Quando volta a falar, parece distante.

Ah, é? Que pena... Espero que... Esteja tudo... BEM! – A última palavra saiu como um grito, me assustando.

– Erza? Tá tudo bem aí?

Ouço uns cochichos e ruídos estranhos.

Hã? Tá, tá sim. Eu... só... Espera um segundo. – Em seguida um barulho, como se ela estivesse se mexendo bastante. E ao longe, consigo ouvir de modo abafado: – Fica quieto, Jellal! Estou numa ligação!

Que maldade, moranguinho! Não posso provar sua doçura?

Mais um grito agudo. Que vem de Erza.

Um mundo está definitivamente perdido. Estou... Completamente traumatizada. Descobri a Erza na privacidade, onde ela é muito mulherzinha, totalmente diferente do dia-a-dia. Olho horrorizada para Dragneel, que apenas dá e ombros e sorri de modo cafajeste. Desgraçado! Ele sabia, talvez até tenham se ajudado, afinal as duas pragas são primos.

De repente, Erza volta a falar:

Desculpa, Lucy. Está chovendo muito mesmo, tanto que estou preocupada com a Levy.

Sinto meu coração gelar.

– O quê? Porquê? Ela não está aí com você?

Não. Terminamos o trabalho cedo e o namorado veio buscá-la.

Fico de queixo caído.

– Não me diga que é o punk...

Ele mesmo. Gajeel. Eles saíram um tempo antes da chuva começar, mas não sei se deu para conseguirem abrigo. Enfim, fica bem você também.

– Vou tentar. – Alfineto mais uma vez, olhando nos olhos do desgraçado que só faz rir.

Beijos. – e ela desliga.

A ligação cai e eu ainda fico ali, parada. É muita coisa para assimilar. Porém tenho coisas mais importantes, como a merda em que me meti, para me preocupar agora.

Antes que eu possa fazer qualquer coisa, Dragneel toma o celular das minhas mãos e se afasta bruscamente de mim, tanto que quase caio no chão quando ele me deixa livre.

– Ei!

– O quê? Queria continuar presa a mim? – indaga de modo zombeteiro, se dirigindo à lareira, que, suspeitosamente, já tinha lenha pronta para uso.

– Idiota.

– Sente-se. – Aponta para o único assento da sala, uma poltrona.

De novo não...

– É melhor você sentar. – Fala de modo mais altivo, ainda acendendo o fogo.

Ando até lá e sento calmamente, como uma boa menina. Pergunto-me por que estou fazendo tudo isso, mas... Já sei a resposta. É por que, por incrível que pareça, estou gostando de toda essa merda. Me acostumei a nunca obedecer ninguém e a sempre me impor as pessoas... E mesmo em todos esses anos de ódio, ele nunca se impôs a mim. Não dessa maneira.

Isso é sexy. Estou sentindo um desejo descomunal, minhas entranhas se contraindo... Mas uma parte de mim não quer ceder.

– Acho melhor eu subir... – Fiz menção de me levantar.

Ele virou o rosto em minha direção, a lareira já acesa atrás dele fazendo sua expressão se tornar mais sombria.

– Não mova um músculo. – Na iminência da ameaça, fiquei estancada no ar, ponderando se corria de vez ou me sentava de volta. Exibiu um sorriso sacana. – Se gosta de brincar de pique esconde, tudo bem. Mas saiba que eu jogo pesado.

Num lampejo, antes que eu pudesse pensar, já estava de pé, agora a irritação voltando com força total.

– Quem você pensa que é? Quem está de saco cheio sou eu! – Bato a mão no peito, ele se levantando e ficando de braços cruzados, com uma expressão de “Acabou o show?”. Mas o ignoro e continuo a falar. – Não caio nesse papinho de merda de “eu sei o que você quer mais que você mesma” – Imito uma voz débil e faço aspas com as mãos. – Ah, quer sabe? Vai te catar, mano!

– É mesmo? – Indaga ele, assim que termino de falar. – É péssimo saber que, infelizmente, eu sou o único sincero aqui. Sempre deixei claro o que quero, e você sabe muito bem o que é.

Fico alguns instantes parada, mas já retomando o controle.

– O que você quer dizer com isso? Que eu quero você? Me poupe!

Ei, acabei de descobrir que sou uma ótima atriz.

– Sim. Sou ó único que consegue dizer em voz alta, o que você não consegue. Por vergonha ou medo.

– Eu não tenho medo de você. Eu não quero você!

Ele ri, passando a se aproximar calmamente. Ah, não. Estou tendo uma Dèjá vu²! Está tudo acontecendo de novo! Sem nem perceber, vou recuando aos poucos.

– Não? Tem certeza disso, Lucy?

Engulo em seco.

– Você nem percebeu, mas ficou tão assustada no escuro, que me chamou de Natsu. Como há tantos anos não fazia.

– Desgraçado...

– Fiquei tão excitado com sua voz assustada, que tive me controlar muito para... Não machucar você. – Merda. Os acontecimentos estão tomando outro rumo. Preciso fazer alguma coisa.

Mas só consigo prestar atenção no que ele diz, o desejo em mim crescendo cada vez mais ao ouvir sua voz grave.

– Tenho os sentidos mais apurados que outras pessoas comuns, Lucy³. Consigo ver até mesmo o que se passa dentro de você. – Passa a língua nos lábios. – Se você realmente não me quer, por que seu coração está tão acelerado? Consigo ouvi-lo daqui.

Sou encurralada na parede. Não sei o que fazer.

– Sua boca está seca. Seus pelos, eriçados. Você se arrepia ao ouvir minha voz. A cada cinco segundos e meio, você contorce os dedos dos pés, como se quisesse controlar as ondas que passam pelo seu corpo.

Agora já face a face, ele se inclina para cheirar meu pescoço, causando-me uma onda de prazer.

– Seu cheiro. Consigo senti-lo a uma boa distância. É forte, excitante e absolutamente... Estimulante. Mas ele nunca cheirou tanto a sexo, como agora*.

Abro a boca para falar, mas o que sai não é, nem de longe, o que ele quer ouvir e o que eu esperava dizer.

– O que você está tentando dizer? Com essas paradas aí de sentidos... Você é algum tipo de vampiro? – Dragneel está com uma cara fechada, porém continuo a tagarelar de modo débil. – Não, espera! Você não é tão pálido, nem frio. Na verdade, é até bronzeadinho. Um lobisomen, então? Isso explicaria sua temperatura elevada. Então foi por isso que você ficou feliz quando começou a chover! Sem lua cheia, sem transformação. Bem, saiba que me sinto lisonjeada em saber que você contou comigo parar revelar este segredo. Sério mesmo! Juro que não vou contar a ninguém, nem mesmo para o seu time! Sabe, eles poderiam ficar com inveja do seu porte atlético natural... Ou sobrenatural, né.

– Chega!

Não tenho reação alguma quando ele, do nada, grita e com uma força realmente sobrenatural, rasga minha camisa ao meio.

Em choque, olho para ele, que exibe um semblante completamente negro.

Cansei dos joguinhos.

Notas finais
Legenda: ¹ Croqui é uma esboço ou um rascunho.... Geralmente a Lucy o chama de "projeto de gente", mas dessa vez, nem isso foi KKKKKKKK. ² Dèjá vu é um galicismo que descreve a reação psicológica da transmissão de ideias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. ³ Esse negócio de o Natsu ter os sentidos mais apurados que outras pessoa vai ser explicado depois ¬u¬ * Esse cheiro de sexo que Natsu diz sentir, nada mais é que Feromônios. São substâncias químicas que, captadas por animais de uma mesma espécie, permitem o reconhecimento mútuo e sexual dos indivíduos. Os seres humanos tem a mínima capacidade de sentir esse cheiro... Mas nós não nos damos conta disso no dia-a-dia. Menos o Natsu ¬u¬ ~e mais uma vez, isso vai ser explicado depois :v Bom, agora vou correr por que... NÃO TEVE HENTAI! ~le Annie corre na velocidade da luz.