Just Sex

20 Dezenove – Estranho sentimento.


Notas iniciais
MEUS AMORES, COMO VÃO? Eu disse que ia voltar logo, não disse? u.u E por favor, me deem os parabéns, pois eu respondi todos os comentários, inclusive uns lá na frente esquecido no abismo do vácuo ç.ç Peço desculpas pela demora. Mas saibam que eu amei todos os comentário recebidos, assim como amo você S2 Bom, estou aqui postando nessa madrugada por que como autora não aguento mais esperar, kkkkk. Esse capítulo está bem legal, acho que vocês vão gostar. Sem prender muito vocês, boa leitura! Mas leiam as notas finais, tenho coisas importantes a falar!

Eu odeio ser líder de alguma coisa por dois motivos: Não tenho paciência para ordenhar humanos e odeio falar em público. Acho que o segundo vem em decorrência do primeiro, por que essas porras não sabem fechar a matraca e escutar quando alguém tem algo a dizer. Apenas a professora de línguas da classe B ter dito que eu precisava falar não foi o suficiente para que prestassem atenção. Mas com toda paciência e delicadeza do mundo, subi em cima de uma carteira e gritei:

– Calem as porras das bocas! – Todos pararam de falar e olharam em minha direção, estranhando minha presença ali. – Sou Lucy Heartfilia, do 3-D, uma das líderes dos atletas para os Jogos. Quem tiver se inscrito em meu grupo ou no de Erza Scarlet, está liberado das últimas aulas.

Algumas pessoas passaram a guardar suas coisas e eu desci da cadeira para checar os nomes na lista. A professora parecia meio estupefata com minha atitude, já que ela não dá aula em nossa classe e não está acostumada comigo, porém não me importei.

– Estão todos aqui? – perguntei ao pequeno grupo em frente à porta, que assentiu. – Ótimo, então vamos, ovelhinhas.

Quando saímos para o corredor, instrui ao grupo para se organizar em fila indiana atrás dos alunos de outras classes. Meus escravos estavam em uma boa quantidade e era bem misto, além de estarem extremamente comportados. Me pergunto por que será. Já o do Dragneel, um pouco mais a frente, era constituído apenas por homens. Além de capitão do time de basquete, ele ainda tinha que liderar os times de futsal, vôlei e handeball masculino. Ao total eram dez líderes, e havia poucos que eu não conhecia.

Num grupo só de mulheres ao lado, a líder parecia mais ser uma líder de torcida. Mas era apenas Cana Alberona, uma garota meio pirada que era responsável pelos times femininos de vôlei, basquete e handeball. Eu sabia que ela e Dragneel eram amigos, mas nunca tinha parado para reparar o quão íntimos eles pareciam ser. Os grupos dos dois interagiam bem, e pareciam estar fazendo uma aposta esportiva. Revirei os olhos, quanta idiotice.

– Vamos, cambada! – Aquarius gritou para todos e passamos a segui-la pelos corredores até a quadra.

No fim das contas, eu também estou sendo ordenhada.

– Hey, Lucy. – Escutei uma voz me chamar. Virei a cabeça e encontrei Juvia em frente ao seu grupo de esportes aquáticos. Havíamos conversado brevemente no intervalo e eu lhe expliquei sobre a Levy e a Erza. – O Gray não está no grupo do Natsu?

Arregalei os olhos, me lembrando de sexta passada. Aquela briga havia sido muito esquisita, e olha que nem foi por causa do olho roxo. O vi hoje no intervalo, mas ele não estava com a turminha do Dragneel, e nem está na fila agora… Porra, o Gray saiu do time mesmo! Não achei que era tão sério.

– Juvia, eu acho que ele saiu do time...

Ela parecia realmente surpresa.

– Ele já chegou a esse ponto, então?

– O que quer dizer?

– Nada. – Respirou fundo. – Depois conversamos melhor.

Fiquei a ver navios. Se Juvia está ligando o que sabe à saída de Gray do time, então Dragneel provavelmente deve saber o que aconteceu! Mais tarde, tentarei arrancar dele alguma coisa, pelo menos. Não vou aguentar até amanhã, a maldita quarta-feira em que Juvia finalmente vai me falar o que diabos está havendo.

Decidi esquecer tudo isso por hora e me concentrar no que estava fazendo. Mesmo com toda merda, eu gosto de treinar. E agora, posso ter em mãos outra coisa de brinde: Torturar seres humanos. A maioria dos alunos que se inscreveram no meu grupo e no da Erza não são adeptos ao esporte em suas vidas. E isso significa duas coisas: sedentarismo e corpo despreparado. Não sei se eles têm sorte ou azar de me terem como treinadora, porque eu sou do tipo de pessoa que odeia quem faz corpo mole. O engraçado é que eles já pareciam estar com medo antes de eu começar a falar. Depois de todos colocarem os uniformes de educação física, nos juntamos aos outros grupos na imensa quadra poliesportiva interligada.

– Eu olhei a ficha de vocês, dos testes de ontem. – Falei alto por causa do barulho. – Nem preciso dizer que a maioria só faz levantamento de garfo, e olhe lá. Se querem mesmo participar, precisam fazer o que eu mando. Se no final do treinamento de hoje vocês aguentarem, então vão até o fim. Mas se começarem a chorar no meu ouvido, podem ir embora encher outro penico, não o meu.

– Não deveríamos estar usando quimonos? – Um engraçadinho ousou perguntar.

Sorri para o garoto.

– Primeiro: Como querem quimonos se não pagam por eles? O colégio incentiva sim ao esporte, mas quimonos são materiais caros e cada um deve pagar o seu. Segundo: Acho que o senhor está sendo apressadinho demais, não? Você pelo menos sabe para que serve o quimono nas artes marciais?

– Um uniforme?

– Típica resposta de um desinformado dando uma de sabichão. – Eu disse e algumas pessoas riram. – Um quimono não é apenas um uniforme, ele tem uma função, e a vestimenta não é a mesma para todas as modalidades. Existem quimonos diferentes para o Kendo e o Jiu-Jitsu, por exemplo. E além do mais, vocês não conseguem nem pular corda por um minuto sequer, e já querem um quimono? Por favor, vamos ser realistas.

– E o que vamos fazer então? – Uma garota pergunta de modo entediado.

– É bem simples. Vamos queimar esse tecido adiposo de vocês com alguns exercícios aeróbicos e de resistência.

Aquarius passa por nosso grupo e balança a cabeça em negativa ao observar minha expressão diabólica.

– Que os jogos comecem.

***

Fui uma das últimas a sair da quadra naquele fim de tarde. Eu me sentia cansada, porém de um jeito revigorado. Já isso eu não podia dizer o mesmo dos cinco alunos que desistiram no meio do caminho. Os pobres coitado não aguentaram a bateria de exercícios que comandei, e olha que três eram garotos. Acho que por eu ser acostumada com os aquecimentos intensos do Muay Thai, eu tenha pego um pouco pesado. Mas é melhor se acostumar com a pressão desde o início do que começar de leve e desistir quando o negócio ficar sério.

Ergui a cabeça das anotações que eu fazia nas fichas dos alunos. O grupo de Dragneel estava se dispersando, mas o de Cana Alberona ainda estava firme nos aquecimentos com bolas, especialmente os de vôlei. Bom saber que ela pensa como eu, mesmo sendo notável seu cansaço e o das outras garotas. Vejo Aquarius andar até mim, e logo ela está ao meu lado me entregando uma garrafinha com água.

– Como foi? Vi que alguns desistiram.

– É. Mas por incrível que pareça, não foi tão ruim. – Tomo um gole da água. – A maioria não consegue nem correr direito, mas alguns estão realmente se esforçando.

– Você pegou um grupo muito despreparado. – Ela se encosta na grade, cruzando os braços. – Já fez o cronograma? Sabe que tem que adiantar isso.

Depois dessa semana conturbada, os treinamentos terão de ser devidamente separados e planejados. Tenho que separar os atletas por categoria e modalidade, mas antes disso preciso analisar quem é melhor no quê. As escolhas que fazem nem sempre são as melhores para suas habilidades, que nem mesmo eles sabem. Pelo menos, tenho o grupo de veteranos que vai ajudar a auxiliar todo mundo. Caso o contrário, teria que me desdobrar em quatro para dar conta.

– Você vai ter esse cronograma até sexta. Me dê um desconto, por que tenho que fazer o da Erza também.

Quando me levanto levanto, vejo Dragneel saindo ao longe e lembro de uma coisa. Talvez Aquarius possa me ajudar, por que algo que diz que aquela ameba rosa não vai me falar exatamente o que houve mesmo.

– Aquarius, você sabe porquê o Gray saiu do time?

Ela me olha desconfiada.

– Ué, ele é um dos seus poucos amigos, e você não sabia? – Arqueia as sobrancelhas.

– Não tive tempo de perguntar direito. – E isso é até verdade. – Sabe ou não?

– Ele brigou com o Natsu.

– Isso eu já sabia. – Revirei os olhos. – Quero saber o porquê.

– Você realmente não sabe? – Antes que eu possa respondê-la acidamente, ela ri sem humor. – Lucy, Lucy. Você se acha tão esperta, mas na verdade é muito burra. Você está na boca do povo dessa escola, e eu admiro você pelo fato de não ligar para isso. Mas às vezes, temos que nos manter atentos as fofocas, por que a maioria delas tem um fundo de verdade.

Ela arranca as pranchetas de minhas mãos, me deixando com cara de vento. Que porcaria de indireta foi essa?

– Vá tomar um banho, você está precisando.

Olho para ela, querendo esganar seu pescoço. Mas com isso eu não conseguiria nada além de uma detenção, ou quem sabe um desligamento da escola. Apenas respirei fundo, deixando isso de lado. Eu só quero descansar.

– Nunca pensei que ia dizer isso, mas você está certa.

– Não se esqueça de comer, eu vi que você mal almoçou.

– Começou, tava demorando. – Desde que virei líder no ano passado, em todo evento esportivo a Aquarius fica pirada desse jeito com todos que são irresponsáveis com sua própria saúde. Sigo para o vestiário antes que ela inicie outra ladainha. – Fui.

E como um presente dos deuses, cheguei para o banho no momento exato em que o pequeno grupo de líderes de torcida de Lissana saia em bando da ala feminina. Ela não olhou para mim, nem mesmo durante as aulas que assistiu. Mesmo sendo um grupo pequeno, as líderes de torcida são bem famosas e consideradas importantes integrantes dos Jogos. A rixa entre os colégios só aumentava nessa época do ano, e Lissana mantinha em segredo todas as coreografias que elas ensaiavam. Há poucos meninos, e estes são em maioria namorados das garotas. O engraçado, é que eles se acham um grupo privilegiado só por que podem treinar numa sala fechada e climatizada. Coisa de maricas, por que pra mim o negócio só presta suando pra valer.

Me despi na velocidade da luz e entrei debaixo da ducha. O vestiário estava vazio e o som da água caindo me acalmou tremendamente. Enquanto me ensaboava, pensei em como os últimos dias estão pesando em minhas costas. Um acontecimento atrás do outro, sem intervalo entre eles para que eu possa me recuperar. Espero não pirar de vez e aguentar pelo menos mais essa semana. Sinto que muita coisa ainda vai acontecer e eu preciso estar totalmente ativa para o que está por vir.

Quando me enxáguo, escuto um barulho do lado de fora. Diminuo o fluxo da água para ouvir melhor, mas só recebo silêncio. Lembro-me de que estou sozinha e de repente me sinto vulnerável no meio daquelas duchas sem proteção alguma. A ideia de ter que brigar pelada com alguém seria engraçada se não fosse um dos meus piores pesadelos.

– Tem alguém aí? – Pergunto para o nada.

A resposta que tenho é tão nítida quanto a água. Alguém entrou e nos trancou aqui dentro.

Desligo o chuveiro no mesmo instante, com o coração acelerado. Só ouço agora os pingos que caem no chão e minha respiração forte. Ponho a cabeça para fora do Box, mas só vejo os armários e bancos distribuídos pelo vestiário na penumbra devido à baixa do sol. Maldita hora que não acendi as luzes. Estico a mão para pegar a toalha no suporte, mas ela sumiu. Praguejo e cubro os seios com o braço.

– Se for algum tipo de brincadeira de garotas, eu juro que quebro a cara rebocada de vocês.

Com cautela, ponho um pé para fora, olhando para os lados. Nada. Minha única opção é vestir as roupas e dar o fora dali o mais rápido que posso. Não sou de acreditar em fantasmas, mas agora parece que estou sendo perseguida por uma sombra. Sigo até meu armário,virando a cabeça para trás de vez em quando. Mas o reflexo avermelhado denuncia meu perseguidor atrás de mim tarde demais.

Sinto a mão tapando minha boca antes que eu possa reagir. Com a esquerda, ele segura meus braços atrás das costas com um força descomunal, e eu me vejo perdida. Minha única saída é empurrá-lo para trás, e como apoio, salto do chão e empurro os armário à minha frente com toda força que tenho, o que faz com que eles quase caiam em cima de nós. Pego de surpresa, ele bate as costas com força, perde o equilíbrio e caímos por cima do bancos, mas isso não foi o suficiente para que me soltasse. O toque dessas mãos tem um quê familiar, mas o desespero do desconhecido toma conta de mim, e eu me sinto desfalecendo.

Entretanto, antes que minha mente se apagasse, para logo em seguida recobrar a consciência com alguém machucado, ou morto, aos meus pés, eu escuto a voz sussurrar em meu ouvido:

– Shiii.

Ele tampa minha visão, agora me segurando com uma chave de braço. O sussurro faz com que eu pare de me debater aos poucos, e eu não sei se o reconheci pela voz ou pelo hálito quente. Ou talvez por seus lábios tocando suavemente o meu pescoço. A única coisa que sei, é que nesse momento estou em cima do muro. Num limiar entre o pânico e a serenidade, sem saber para que lado seguir.

– Sou eu.

Meu suspiro forte foi o suficiente para uma resposta. Folgando o aperto em meu pescoço, ele se sentou comigo no banco, fazendo com que eu ficasse entre suas pernas. Só então recobrando um pouco dos sentidos, senti que ele estava nu. Senti seu corpo quente, o cheiro de suor, e de como aquilo incrivelmente era uma boa sensação.

– O que você… está fazendo? – Falei baixinho, com um pouco de dificuldade.

Ele deu um riso anasalado, o que fez com que eu me arrepiasse.

– Vim tomar banho com você.

– Acho que você chegou atrasado. – Respondi. – Já tomei banho.

Quis me soltar de seus braços, mas sem esforço algum ele me manteve ali, em seu colo e vendada. O cansaço que eu achei que tinha ido embora com banho, agora havia voltado, por que sempre esteve ali. Por que ele sempre seria causa da minha tensão, mas também, de alguma forma, do meu relaxamento.

– Eu posso te sujar de várias maneiras diferentes, se você quiser.

– Dragneel…

Como resposta de seu descontentamento, ele me pressionou mais contra seu peito e eu senti seu sexo rígido em minhas costas.

– Não é Dragneel, Lucy. – Mordeu minha orelha, fazendo com eu me encolhesse. – É Natsu.

Descendo calmamente por minha barriga, ele chegou ao ponto de tortura. Gemi com seus dedos em mim, e como num ato de proteção, tentei fechar as pernas. Rapidamente ele fez com que eu me abrisse mais do que antes. O vestiário parecia agora uma sauna. Sem poder enxergar, meu cérebro só se concentrava em sentir. E totalmente entregue, eu gozei em suas mãos.

– Vamos lá, ainda não acabamos. – Disse depois do que pareceram horas, mas minha cabeça não está muito apta para ter noção do tempo nesse momento.

Ainda me mantendo vendada, me guiou para dentro de uma das duchas, ligando o chuveiro no modo quente. Me levantando pela cintura, ele beija minhas costas antes de me penetrar calmamente. Sua língua encontra meu pescoço antes de chegar a minha boca, com um beijo calmo que me deixa um pouco irritada. E mesmo com o rosto virado para trás, não consigo vê-lo com clareza. Seus toques são tão delicados que isso me deixa profundamente incomodada. Quando ele me beija de novo, sinto-o diferente. Como se a cada beijo eu fosse preenchida com algo desconhecido. Um calor que não se devia a temperatura da água, nem de seu corpo. Era do tipo de calor que só surgiu ali, naquele momento.

Quis pedir para que parasse, mas ao mesmo tempo, eu queria ter mais daquilo para ter certeza do que era. Natsu mordeu meu lábio inferior, se apoiando na parece com as mãos ao redor de mim. Aquela água quente só parecia deixar o tempo mais lento, e eu não sabia se aquilo era devido ao meu cansaço ou algo a mais. Eu podia sentir com total clareza cada sensação nos momentos em que ele entrava e saia de mim. A lentidão continuava e até nossos gemidos pareciam chegar em câmera lenta em meus ouvidos. E o orgasmo veio igualmente lento e aconchegante, me deixando leve como se tudo de ruim tivesse saído do meu corpo. E eu achei que tinha fechado os olhos por um segundo.

– Lucy?

Ouvi Natsu me chamar, e só então percebi que havia apagado por breves instantes.

– O que aconteceu? – Perguntei, me levantando do banco.

– Você parecia tão mole, então te coloquei aqui e você acabou dormindo.

Me senti tonta por um momento.

– O que foi... isso? – O fitei intensamente, confusa com tudo aquilo. Minha cabeça girava, minha pele formigava e eu me sentia em paz. Havia sido diferente das outras vezes. Era por que eu estava apenas muito cansada, ou por que ele realmente estava diferente?

– Isso o quê? – Ele riu e eu finalmente voltei a enxergar o ser desprezível que ele era. – Você dormir depois de gozar? Não é a primeira vez que acontece, se não se lembra.

Fico séria e jogo as roupas em sua cara, me levantando agora totalmente desperta. A vibe esquisita se foi e agora sou a Lucy de novo. Simplesmente odiei o vislumbre do sentimento que houve ali, mesmo que eu não saiba o que foi.

– O que deu em você? – Pergunta ele, me vendo vestir as roupas furiosamente.

Fechando o zíper da minha calça, ponho um dedo em sua cara.

– Nunca mais faça isso, entendeu? – Natsu apenas me olha sem entender absolutamente nada. Mas quando destranco a porta e me viro antes de sair, percebo que agora ele parece totalmente perplexo.

E com um bolo na garganta, enfatizo mais uma vez.

– Nunca mais.

Saí do prédio da escola me sentindo sufocada. Minha garganta doía como o diabo e meu estado febril só contribuía mais para o meu mau humor. Quando fechei a porta do vestiário e deixei aquele filho da puta rosa pra trás, o que eu mais queria era esquecer tudo o que aconteceu debaixo daquele chuveiro, pelo menos por enquanto. Mas como sempre, Natsu tem o poder de me deixar marcada com seus toques. O local onde seus lábios tocaram meu pescoço quando ele me pegou por trás ainda está sensível. Não sei se foi pelo susto e a expectativa criada por mim antes de ser abordada, mas o fato de ele ter vendado meus olhos apenas cooperou para cena ficar ainda mais marcada em minha mente. E eu me odeio por isso.

Sei que aquele nojento não tem lá a cabeça muita boa, e diga-se de passagem, nem eu tenho. O grande problema é que eu não deveria me sentir afetada por uma mudança de humor vinda dele, mesmo que esta tenha sido diferente de todas que já vi antes. Mais acolhedor, mais quente, só que não no sentido ardente da palavra. E sim o tipo de temperatura morna que te aconchega e te dá vontade de se aninhar e dormir. Talvez eu tenha estado vulnerável pelo cansaço, porém isso não pode mais acontecer. Ao lado desse sentimento esquisito, havia um incômodo terrivelmente agonizante de minha parte. Algo parecido com medo. E se existe uma coisa que eu odeio nessa vida, é sentir medo de algo que eu nem sei o que é.

Só sei que as únicas coisas que eu devo sentir por Natsu Dragneel são tesão e ódio. Nada mais que isso.

O que me trouxe de volta para o mundo real foi avistar um carro azul bastante familiar estacionado na entrada do colégio. Laxus estava atrás do volante do carro de Jellal com uma expressão séria, mas esta se suavizou ao me avistar. Respirei fundo e andei rapidamente até lá.

– Saiu tarde. – Ele abaixou a cabeça para me ver enquanto eu abria a porta do carona. – Já começou os treinos?

– Sim. Eu realmente espero que tudo dê certo, já que esse ano os jogos serão feitos aqui.

Ele soltou uma risada e deu partida no carro.

– No meu primeiro ano os jogos também foram feitos aqui. Foi um verdadeiro inferno para mim que era calouro.

Revirei os olhos.

– Você fala isso por que não tinha a Aquarius como treinadora.

– Mas é claro que tinha! – Ele responde e eu fico chocada. – Ela era legal comigo.

– Espera, o quê? – Arregalei os olhos. – A Aquarius já lecionava aqui? E ainda era legal com você? Não consigo acreditar.

– Lucy, eu não sou tão velho assim.

– Não, mas a Aquarius sim. Uma dinossaura, inclusive.

– Exagerada. – Ele ri. – Ela estudou com o pai.

– Sério?

Essa eu não sabia, ou simplesmente esqueci. A verdade é que esse colégio é o mais tradicional da cidade e sei que meus pais estudaram nele, e foi assim que se conheceram. Seguindo a tradição, Laxus e eu também. Mas isso é meio esquisito, se parar pra pensar. Afinal, me sinto meio fechada nesse círculo colégio/vida pessoal. Mal conheço pessoas de outros lugares. Talvez isso não seja de todo ruim, já que no fim das contas eu mesma decidi não abranger minhas relações interpessoais. E eu já tive várias provas de que é melhor que as coisas sejam assim.

– Onde... Seu amigo está?

– Que amigo? – Me perdi na conversa. Laxus respirou fundo.

– O dono do carro, Lucy.

– Ah. – Cocei a cabeça. Burra, não foi por isso que ele veio com o carro te buscar? – No hospital estadual.

– Então vamos para lá.

– O papai voltou? – Perguntei de repente e o senti levemente desconfortável com isso.

– Não.

Monossilábico. Ele está com raiva.

– Eu vou passar uns dias fora. – Ele voltou a falar quando notou meu silêncio. – Umas duas semanas.

– Por causa da briga com a mamãe? – Fui direto ao ponto.

Laxus ficou calado até estacionar no prédio garagem do hospital. Puxou o freio de mão e me entregou as chaves.

– Não, não tem nada a ver com isso. Meu tempo de descanso acabou e o José quer retomar o treinamento de um jeito mais... Intensivo.

Papo furado. Apesar de eu saber que é verdade, sei que esse não é o real motivo.

– Hm. – Murmurei, apenas. – E a Mira?

– A Mira vai ficar em casa com a irmã. Parece que o Elfman chega de viagem por esses dias, então vai ser bom elas aproveitarem esse momento em família.

– Daqui a uns meses você vai ser parte da família. – Arqueei as sobrancelhas.

– É, talvez para as duas.

Decidi ficar calada e saí do carro depois dele. Laxus não se dá muito bem com o irmão mais velho das Strauss, e eles evitam ao máximo se encontrar. Nunca soube o motivo.

– Você sabe como voltar para casa?

Coloquei a mochila nas costas e o olhei debilmente.

– Não, tenho seis anos e nunca andei de ônibus.

– Engraçadinha. – Ele riu e se dirigiu até o elevador. – Não volte muito tarde.

– Claro, papai.

Travei o carro, dei meia volta e segui até a passarela que dava acesso ao hospital. No meio daquela brancura e cheiro de éter, me senti suja com as minhas roupas largadas e mochila gasta, mesmo que eu tivesse acabado de tomar banho. Por isso odeio hospitais e, principalmente, médicos. Eles sempre têm aquele ar de superioridade, com a pele gelada artificialmente pelas horas em baixo do ar condicionado.

Depois de perguntar na recepção o número do quarto de Jellal, segui até o terceiro andar e bati na porta do quarto. Quando Erza me atendeu, suas olheiras entregaram a noite em claro.

– Lucy. – Falou suavemente e me abraçou. Entreguei as chaves em suas mãos e ela me puxou para dentro.

A janela estava fechada e o ar, gelado. A suíte era simples, porém ampla. Havia um cobertor amarelo jogado numa daquelas poltronas desconfortáveis de hospital, e sei que foi ali que Erza dormiu, ou pelo menos tentou. Na cama, Jellal dormia como se nada tivesse acontecido.

– Como ele está?

– Bem. – Ela cruzou os braços. – Acordou hoje de manhã.

Caralho, foi um belo desmaio.

– O médico disse o que foi?

– Não exatamente. – Fez uma careta confusa. – Algo como crise de ansiedade, ou pânico, sei lá.

– Entendo. – Foi a única coisa que consegui dizer diante dessa esquisitisse. – E como você está?

– Já tive dias melhores. – Sorriu sem graça, o que fez eu me sentir péssima. – E a Levy? A Juvia me ligou na hora do almoço.

– Foi? Bom, a Levy está bem. Meio abalada com o término... Violento do namoro.

Assim que pronunciei a palavra, me arrependi.

– Violento?

– Depois vocês conversam melhor. – Tratei de desconversar do assunto. – A família dele já veio aqui?

Essa pergunta fez o semblante de Erza mudar completamente. Se antes era parecia cansada, agora apresentava estar com raiva e ao mesmo tempo triste.

– O Jellal não se dá muito bem com a família. Então só a Wendy veio. Junto com o Natsu.

Balancei a cabeça, me recordando disso. Wendy é a irmã mais nova de Jellal, mas ela não o considera desse jeito. Há alguns anos, soube que transferiu esse posto ao Natsu, a quem sempre chamou de irmão, porém tinha realmente decidido morar na casa dos Dragneel depois de brigas familiares. Jellal nunca foi flor que se cheire, mas se tem uma coisa que é verdade, é que a Erza fez uma melhora muito mais que significativa nele, mesmo que este ainda tenha ferrado com ela.

– Você quis dizer que o Natsu veio com a Wendy. – Enfatizei. – Sei que ele a arrastou para cá.

– Sim, e ela não quis entrar.

O clima ficou tenso quando observamos Jellal se mexer, mas ele apenas mudou de posição e continuou a dormir.

– Situação complicada.

– Muito mais do que isso, Lucy. – Ela segurou minha mão. – Vamos tomar um daqueles cafés caros de máquina?

Ri e deixei que ela me guiasse pelos corredores. Numa área mais quente, perto de uma janela com vista para cidade, nos sentamos nos bancos enquanto tomávamos nossos mini capuccinos.

– Sabe. – Erza assopra seu café e em seguida me olha nos olhos. – Não é a primeira vez que isso acontece.

– O que quer dizer?

– Sobre o Jellal. – Assinto com a cabeça, deixando minha curiosidade aflorar. – Digamos que ele não seja uma pessoa muito… equilibrada.

Quase ri com isso. Quem sou para falar? Entretanto, permaneci quieta enquanto ela continuava.

– Conheci Jellal no primeiro ano, quando ele já era do terceiro. Mas você lembra disso.

– Lembro sim, assim como lembro das brigas de vocês no começo.
Ela riu.

– Verdade. Éramos como cão e gato, quase como você e Natsu hoje. – Revirei os olhos o mais dramaticamente que pude, deixando claro meu desdém com aquela indireta. – Mas depois de um tempo, fomos nos conhecendo melhor.

– E você viu que ele era um canalha, igual quando ele provou isso pra todo mundo naquela calourada da faculdade?

Erza respirou fundo diante da minha acidez e tomou mais de seu café.

– Eu já disse que o perdoei por isso, Lucy. Voltamos há três meses, eu só não te contei por que sabia que você ia fazer a mesma cara que está fazendo agora.

No mesmo instante tentei amenizar minha expressão, mas acho que só piorei tudo.

– De qualquer forma, depois que começamos a ficar, eu vi um outro lado do Jellal. Um lado que não conhecia.

De repente me senti desconfortável com o assunto, tanto que acabei queimando minha língua.

– Falando assim, parece até que ele é realmente maluco.

– Bom, quase isso. Digamos que ele tem alguns problemas de… personalidade.

– Não me diga que ele é bipolar!

Cara, qual é? Isso é mal de família? Me pergunto se a Wendy é tão desequilibrada quanto os dois primos e o irmão. Pelo o que eu me lembre, ela era apenas uma criança chata e chorona que queria vir atrás de nós o tempo todo, mas era sempre escanteada por ser “café com leite”.

– Não bipolar. A bipolaridade é um transtorno de humor variante de uma única personalidade.

Fingi que tinha entendido o que ela disse.

– Tá, então o que ele tem?

– Um transtorno dissociativo de personalidade.

No próximo capítulo...

Vinte — Zona de ebulição.

"Perdendo a paciência, ele me segurou pelo braço e me jogou contra a parede. Sua face estava incrivelmente transformada pela raiva e meu sentimento de desdém se engrandeceu com isso.

– Vai continuar me ignorando assim?

Olhei para o aperto de sua mão.

– É melhor você me soltar, Dragneel.

– Não antes de você me falar o que porra está acontecendo, Heartfilia. Eu não sou obrigado a aturar frescura de uma mulher que eu achei que nem frescura tinha. Mas acho que me enganei.

Estalei a língua e puxei meu braço com toda e força. Mas ao invés de me afastar, cortei ainda mais a distância entre nossos rostos.

– Quer saber o motivo da minha frescura? – Sorri com sarcasmo. – O motivo da minha frescura foi a sua viadagem de ontem!

Eu te pedi pra nunca mais fazer aquilo, e eu estou falando sério, Dragneel! Se me tocar daquele jeito de novo, eu juro que te mato, entendeu? Eu te mato, seu filho da puta.

Ele se afastou e ergueu as mãos de modo zombeteiro.

– Oh, parece que a Heartfilia não gostou muito do meu lado gentil de ser.

– Não fiz o caralho do contrato para receber gentilezas, ainda mais de sua parte. – Cuspi em sua cara.

Com o susto, meu sangue ferveu quando ele espalmou fortemente as duas mãos ao redor do meu corpo na parede, fazendo um estalido oco percorrer todo o corredor.

– Pois me diga o que você quer!

Levantei a cabeça para olhá-lo melhor. E falei entre dentes:

–Nada de baixas temperaturas. Se eu gosto de coisas quentes, eu quero fervendo. Entendeu bem?

Ele se afastou do meu rosto e sorriu de canto, me estendendo a mão em seguida.

– Então eu vou te mostrar o quão doloroso e excitante pode ser se manter numa zona de ebulição."



CONTINUA...

Notas finais
MENINA, ATÉ O JELLYN É PIRADÃO? QUE PAPO É ESSE? E sim, foi de propósito eu não ter explicado o nome difícil que a Erza disse aí :v Vocês sabem que eu sempre coloco legenda, mas dessa vez quero que vocês procurem saber o que é :3 E aquela indireta da Aquarius, ein? Será que ela sabe de alguma coisa específica? No final, a Lucy tem a ver com a saída do Gray com o time? Mas a Juvia acha que é por causa do segredo que ele esconde! E agora, o que pensar? E esse hentai maluco aí, a Lucy ficou putona. E sim, coloquei essa prévia gigante e super quente de propósito ¬u¬ Como também adicionei o nome dos próximos capítulos, tudo para atiçar ainda mais a curiosidade de vocês ¬u¬ Bom! SEM ENROLAÇÃO, QUERO FALAR ALGUMAS COISINHAS! O próximo capítulo é o 20, e ele vai marcar o fim da introdução da fic e o começo do verdadeiro desenvolvimento dela! KKKKKKK Sim, foram 20 capítulos de introdução u.u Agora os romances vão começar, inclusive o Nalu (ou não ¬u¬), mais mistérios virão, novos personagens e mais revelações! Por isso, não desistam de JS!. Outra coisa. Depois do capítulo 20, vou postar o especial Gale explicando tudo o que aconteceu, já que a maioria voltou para sim :3 E COMO UMA ÚLTIMA COISA! Lembram que uma vez eu perguntei se queriam entrar num grupo no WhatsApp? Eu realmente fiz um grupo, mas depois tive que desfazer ele, e foi uma confusão danada. Só que agora estou voltando de novo, então quem quiser seria muito legal! Me mandem uma MP com seus números e DDD, vou amar conversar com vocês. Então é isso, gente. Espero que tenham gostado e saibam que o próximo capítulo já está pronto! Voltarei rapidinho. Nos vemos nos reviews? Amo vocês S2 Ps. Desculpem qualquer erro, tô postando às pressas por que minha mãe tá pirando comigo -_-