Just One Of Us
3 Rapunzel Corona
Notas iniciais
3 “Rapunzel Corona
No fundo, eu sabia. Eu sabia que Gothel poderia voltar, eu sabia que ela poderia voltar para tentar me capturar novamente. Mas, eu esperava que não fosse possível. Afinal, ela havia desaparecido. Ninguém a via desde o dia em que Eugene apareceu e me salvou dela. Ele cortou os meus cabelos, eles perderam o poder e ficaram castanhos. Eu sabia que podia aprender a ser uma garota normal, eu não precisava ter cabelos gigantes (que me atrapalhavam mais do que ajudavam) e loiros, eu só os usava para manter aquela bruxa mais jovem. E pensar que eu a chamava de “mamãe”, oh, mas isso me dá nojo.
– Rapunzel, querida. – minha mãe chamou meu nome, fazendo-me acordar de meus pensamentos, eu havia feito uma careta de raiva e nem sequer havia notado. Isso sempre acontece, poxa, estava ficando muito previsível. – Você está imersa em pensamentos novamente. O que foi dessa vez? Gothel de novo?
– Sim, mamãe. Eu... Tenho medo de que ela volte.
– Querida, ela não irá voltar, e mesmo que voltasse, nunca conseguiria tocar-lhe novamente. E, por que ela viria atrás de você? Você não tem mais seus dons. – ela me olhou, enquanto eu olhava para baixo, cabisbaixa. Só porque eu poderia ser uma garota normal não significa que eu não gostaria de ter meus “poderes”, se assim for o nome correto. – Desculpe. – ela disse, olhando-se pelo espelho.
– Não há nada para se desculpar. – eu disse, enquanto via os meus cabelos castanhos caírem aos ombros. Desde que Eugene os cortou, eles já haviam crescido bastante. Minha mãe, agora os penteava, tudo estava tranquilo. – Apenas... Sinto falta da cor do sol que eles possuíam.
– Mas... Isso podemos resolver, não é mesmo? – ela se alegrou.
– Hã? – eu estava visivelmente confusa.
– Querida, seus cabelos perderam o poder, agora são cabelos normais. Não que não fossem normais antes, só não brilham mais, não curam não... Enfim, você pode pintá-los. Da cor que quiser. Só.... Não me aparece com cabelos cor de fogo.
– (Risos) É uma ótima ideia, mãe. Vou pintar, mas... Com que tinta? Eu nunca fiz isso antes. Com exceção de uma vez, quando “acidentalmente” eu pintei uma mecha de cabelo de rosa, ficou bem legal. Mas Gothel brigou comigo e lavou a mecha até que o rosa saísse, o que não foi muito difícil, já que a tinta não era apropriada para a ocasião. – eu ri com a lembrança. Gothel sempre fora uma boa mãe, com exceção de não me deixar sair da torre, mas, se eu for pensar bem, nunca tive tanta vontade de sair, eu vivia bem lá, eu só tinha vontade de ver as luzes flutuantes... Digo, as lanternas. Todos os anos, no meu aniversário, os meus pais as lançavam. E ela prometeu que faria isso sempre.
– Eu tenho um pouco de tinta loura aqui, vou buscar! – ela disse. Por que minha mãe tinha tinta de cabelo, loura principalmente em casa? Ela já teria ficado loura? Momentos que eu perdi. Às vezes eu choro, pensando na vida que eu teria com meus pais. Não falando da riqueza, ou do castelo, mas com o amor deles.
– Prontinho! Parece exatamente com a cor do seu cabelo, não é? – poxa, não é que pareciam mesmo?
– Sim, são idênticas. – eu disse, fascinada.
– Venha, deixa que eu passo.
Ela preparou meu cabelo com vários cremes, o hidratou e enfim, passou a tinta em uma mecha.
Quando ela terminou a mecha, o meu cabelo ficou completamente loiro novamente. Da cor que eram, talvez um pouco mais claro.
– Mas o que foi que aconteceu? – eu estava assustada. Minha mãe parecia saber sobre o que estava acontecendo, mas eu estava boiando completamente.
– Bem como eu imaginava. – ela pegou uma faca. – Punzie, querida, será que eu poderia fazer um teste?
– Depende, o que a senhora vai fazer? – eu falei pausadamente, com medo do que poderia fazer com a faca em mãos.
– Apenas, chore. Pense no momento mais triste da sua vida e chore. – ela cortou o braço.
– Mãe, NÃO! – eu gritei, me levantando em reflexo e pegando o braço dela. Eu não havia pensado em nada, só de ver ela fazendo isso eu chorei. E por forças do destino (ou da minha mira perfeita) uma lágrima caiu exatamente no lugar da ferida. – O quê? – sussurrei.
– Eu sabia. – ela estava fascinada com o que eu acabara de fazer. – Rapunzel sua magia não estava nos seus cabelos, estavam em você! Os cabelos eram apenas a maneira mais fácil de você controlá-la.
– Oh, então... Aquele dia... Na torre, quando Eugene estava morrendo... – eu refleti – Tudo faz sentido agora. Mas, como vou controlar essa magia sem os meus cabelos?
– Ah, isso podemos resolver. – ela saiu do quarto e voltou com um folheto – Essa escola, Powers High, ensina jovens com talentos e poderes a controlar seus potenciais.
– Oh!
– E você pode se matricular. Mas terá de ser rápido, você deverá partir no domingo! – ela me alertou.
– O que estamos esperando?
...
Arrumamos minhas coisas, e no domingo, eu parti.
Seria uma longa viagem de navio, eu deveria dormir.
E foi o que fiz. Uma garota ruiva estava deitada no mesmo quarto que eu, eu só não sabia quem era ela. (N/A Não é a Merida, quem lembra dessa outra garota? Nota: Ela não era ruiva!)
Adormeci, e só lembro de ser acordada no porto de “E.L.P.”, a ilha da escola.
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