Just One Night
14 Capítulo 13 – Regras de ouro
Notas iniciais
Stefan
— Me conta sobre a sua primeira vez… — Care estava de barriga para baixo e eu passava os dedos lentamente pelas suas costas.
— Você quer saber sobre a minha primeira vez? — ela voltou a ficar de frente para mim, seus olhos azuis me encaravam totalmente curiosos – Você tem certeza, mesmo, de que quer saber sobre a minha primeira vez?
— Estou perguntando, então sim, eu quero saber – respondi – É meio injusto que você saiba tudo da minha primeira vez e eu não saiba nada sobre a sua.
— E o que aconteceu com o “não quero saber de nada do seu passado, Caroline”? — lembrou – Pensei que essa fosse uma regra importante nessa nossa “nova amizade”.
— Essa não é uma das regras de ouro – foi a minha vez de argumentar – Não tem nenhum problema em quebrá-la.
Caroline e eu decidimos impor algumas regras para a nossa amizade colorida, mas três delas foram nomeadas como “regras de ouro”, que não podem ser quebradas de maneira alguma. A primeira é a de que estava proibida qualquer tipo de demonstração de afeto enquanto estivermos em público; a segunda é a que os nossos encontros só aconteceriam nos finais de semana, de sexta a domingo poderíamos até ficar direto no apartamento do outro, mas nos outros dias é cada um na sua própria casa; já a última, mas não menos importante, é a de que se um dos dois começar a namorar, tudo isso acaba aqui, claro que eu não estou com a menor pressa para colocar um fim em tudo isso e tenho certeza de que minha amiga pensa da mesma maneira, estamos nos curtindo e é isso que importa.
— Stef, nós já estamos há um mês nisso e você nunca teve essa curiosidade de saber a respeito a minha primeira vez – observou – E por que logo agora? O que foi que mudou?
Já faz um mês que estamos nessa amizade colorida? Uau…, parece que foi ontem, eu realmente não vi todo esse tempo passar…
— Care, nós somos amigos há cinco anos e sempre que você fala sobre a sua vida em Mystic é sempre sobre como era a sua amizade com a Bonnie e a Elena ou alguma coisa sobre os seus pais – tentei explicar – Nunca falava sobre ex-namorados ou sobre a sua primeira vez. Talvez você não gostasse de falar disso antes, mas agora, nós estamos dormindo juntos, acho que seria legal se você compartilhasse isso comigo.
Não que eu realmente estivesse confortável para ouvir a história da primeira relação sexual da minha melhor amiga com outro cara, mas eu tenho que demonstrar que posso ser uma pessoa em que Caroline pode confiar. Acho que essa é uma boa maneira de mostrar isso.
— Eu não gosto muito de falar sobre isso, mas… — ela soltou um longo suspiro – Mas já que você quer ouvir.
Segurei a mão dela, tentando incentivá-la a continuar com o seu relato.
— Eu tinha 16 anos e nome dele era Tyler Lockwood – disse – Nós eramos…, digamos que nós eramos namorados.
— Você não parece muito certa disso… — comentei.
— Tínhamos um relacionamento conturbado e cheio de idas e vindas – revirou os olhos com aquelas lembranças – Foi uma dessas reconciliações que acabou acontecendo. Hoje eu percebo que não era o momento ideal e talvez ele nem fosse o cara ideal, mas eu era jovem e imatura, acabei me deixando levar.
— E por que ficou com ele tantos anos? — quis saber – Isso não parece o seu estilo, ficar com um cara canalha.
— Assim como os Forbes, os Lockwoods também são uma das famílias fundadoras de Mystic Falls e igualmente influente na cidade, eu o conheço há tanto tempo quanto conheço a Elena, embora ele seja um ano mais velho que nós – prosseguiu – O pai dele foi prefeito por cinco mandatos seguidos e meu pai era um dos grandes apoiadores financeiros da sua campanha e isso acabou nos aproximando.
— Um acordo político? — foi a única conclusão que eu consegui chegar – Você estava com ele por causa de um acordo político.
— Oh não! Eu gostava do Ty, ou, pelo menos, achava que gostava – negou com a cabeça – Embora eu ache que o desejo secreto do meu pai era que eu não fosse para a faculdade, casasse com o Tyler assim que terminasse o Ensino Médio, então teríamos filhos, ele seria prefeito igual ao pai e nós dois administraríamos a fazenda da família, juntos.
Abri e fechei a boca várias vezes sem saber o que falar. Caroline já havia falado vários absurdos a respeito do seu pai, como, por exemplo, sempre ter sentido uma certa frustração de ter tido apenas uma filha e não ter um herdeiro homem para seguir com os negócios e levar o sobrenome Forbes adiante, mas nunca pensei que ele fosse capaz de um absurdo desses.
— Obviamente ele nunca comentou sobre isso abertamente e também tenho certeza de que minha mãe nunca concordaria com um absurdo desses – continuou – Ela se casou cedo, engravidou muito nova e sei que ela nunca quis esse mesmo destino para mim; ainda me lembro quando eu era pequena, minha mãe dizia que sonhava comigo fazendo faculdade e conhecendo o mundo.
— E você está fazendo exatamente o que a sua mãe queria – a puxei para mais perto de mim e dando um beijo na sua testa – Mas agora me fala, como esse namoro com o filho do prefeito acabou.
— Bom…, como eu disse, ele era um ano mais velho que eu e assim, foi para a faculdade um ano antes – respondeu – Ele foi estudar em Whitmore, uma universidade que não fica muito longe de Mystic Falls e, apesar dele morar no campus, ia me visitar e ver os pais quase todos os finais de semana. Mas então, pouco depois das férias de final de ano, acabei descobrindo que ele estava me traindo e não foi só uma vez e… foi assim que acabou…
— Sinto muito… — eu agora estava passando a mão pelo seu cabelo – Deve ter sido um choque para você.
— Eu tive bastante apoio da Bon e da Lena e da minha mãe também – soltou mais um longo suspiro – E acho que o fim definitivo do meu namoro com o Tyler foi o suficiente para me fazer seguir em frente e decidir me mudar aqui para Los Angeles. Foi quase como um divisor de águas na minha vida.
— Acho que tenho que agradecê-lo um dia desses – brinquei – Se ele não tivesse te decepcionado, você nunca viria embora e nós dois nunca teríamos nos conhecendo.
— Você não acredita em destino, Stefan Salvatore – ela também decidiu brincar, fazendo uma careta – Um dia, você poderia ir a Mystic Falls, por algum motivo qualquer e a gente poderia se conhecer.
— E você estaria casada com o tal de Lockwood – reclamei – Não, não teria sido a mesma coisa.
— Mas poderíamos ter sido amigos – colocou os braços em volta do meu pescoço – Tudo bem, não seria igual, mas seria divertido também.
Ela aproximou o rosto do meu para poder me dar um selinho. Apesar de estar perturbado com aquela possibilidade mas tentei esquecer aquilo no segundo em que os lábios de Caroline tocaram os meus.
— Fiquei sabendo que o Tyler está mesmo tentando seguir os passos do pai na carreira política e parece que pretende se candidatar a vereador nas próximas eleições – voltou a falar depois que nos afastamos – Acho que nós dois estamos fazendo coisas que queríamos, no final das contas.
Eu nem ao menos o conheço, mas já estou com muita raiva desse tal de Tyler. Acho que se algum dia eu encontrá-lo sou capaz de lhe dar um soco, só por saber de tudo que ele fez a Care sofrer… Melhor nem pensar nisso.
— Por favor, será que podemos parar de falar desse idiota do seu ex-namorado? — pedi – Só tenho três dias na semana para ter você só para mim e quero aproveitar.
— Tudo bem, acho que você tem razão – concordou.
Voltei a ficar por cima dela e comecei a beijá-la ao mesmo tempo que afastei o lençol do seu corpo. Foi nesse momento que o estômago da minha amiga roncando fez com que eu parasse o que estava fazendo no mesmo instante.
— Pelo jeito tem alguém com fome aqui… — brinquei.
— Você não pode e culpar, acho que só tomamos o café da manhã hoje – lembrou – Nem ao menos paramos para almoçar.
— Isso é verdade – ri – Vou pegar uma coisa para nós lá na cozinha — avisei enquanto me levantava da cama e pegava a minha cueca boxer no meio das nossas roupas espalhadas no chão.
— Vou até lá com você – avisou fazendo menção de se levantar, mas eu a impedi antes.
— Não precisa. Eu vou sozinho – respondi – Volto rapidinho, eu prometo…
Dei mais um selinho nela antes de ir em direção a porta e sair do quarto.
***
Foi uma grande surpresa quando vi pela janela que o sol já estava bem fraco do lado de fora, já deveria ser quatro ou cinco da tarde. Era sempre assim quando eu e ela estávamos juntos, nunca via o tempo passando.
Claro que isso acabava sendo um problema, o sábado está acabando, logo seria domingo e na segunda-feira seria o fim de mais um final de semana juntos.
Tentei não pensar muito sobre isso e fui até a cozinha procurar alguma coisa para comer. No final, eu acabei fazendo um sanduíche, um pouco de suco de laranja e ainda peguei um potinho de pudim de chocolate que tinha na geladeira, logo eu estava pronto para levar tudo para a Caroline.
Quando estava passando pela sala novamente eu vi o barulho da chave abrindo a porta. Damon e Freya entraram abraçados e rindo muito, então pararam no segundo em que me viram.
— Eu ia perguntar se a Caroline estava aqui, mas acho que a sua “roupa” já me responde que sim – meu irmão comentou me olhando de cima a baixo enquanto mantinha um sorriso malicioso no rosto.
— Desculpe eu nós estávamos sozinhos em casa, por isso me vesti assim, não tinha ideia de que vocês viriam para cá – de repente me senti desconfortável por estar apenas de cueca, não pelo Damon, afinal, ele nunca cansa de lembrar que já ajudou nossa mãe a trocar as minhas fraldas quando eu era bebê, mas pela presença da minha futura cunhada – Posso ir trocar roupa, volta em um minuto.
Eu e Caroline temos sido aos mais discretos o possível, mas depois de um mês “juntos”, as pessoas mais próximas a nós já estão sabendo da amizade colorida e todos tem respeitado isso. Mas é claro que Damon tem feito diversas piadas e comentários garantindo que é apenas uma questão de tempo para que a gente perceba que estamos apaixonados um pelo outro.
— Você não precisa fazer isso, Stefan, nós não demoraremos – para a minha surpresa, foi Freya quem respondeu – O Damon só veio buscar uma coisa e já vamos sair novamente.
— E, para falar a verdade, é até bom que vocês estejam aqui – meu irmão prosseguiu – Nós queremos fazer um convite para vocês?
— Stef, eu ouvi vozes, está tudo bem? — nós três nos viramos a tempo de encontrar a Care passando pela divisão entre o corredor e a sala, ela estava usando exatamente a mesma camisa que eu vestia ontem a noite quando chegamos aqui ao meu apartamento – Damon? Freya? O que vocês estão fazendo aqui?
— Ora, cunhadinha, sei que vou me mudar depois do casamento, mas eu ainda moro aqui – Damon brincou, fingindo-se de ofendido – Será que eu não posso mais vir ao meu próprio apartamento?
— Eu sei disso, desculpa – balançou a cabeça negativamente – essa foi mesmo uma pergunta idiota, claro que você tem todo o direito de vir ao seu apartamento.
— Na verdade, ele e a Freya estavam prestes a nos fazer um convite – eu avisei – E eu estava aqui curioso para saber o que era.
— Estamos indo para um pub novo lá em West Hollywood – ele voltou a falar – E queremos saber se vocês querem ir conosco.
— Enzo, Bonnie, Ric e Lexi irão conosco – Freya continuou – Seria muito legal se vocês também forem. Será como um encontro com os padrinhos duas semanas antes do casamento. Claro que ainda vai faltar a minha irmã e o namorado, mas como eles só chegam na semana do casamento, só iremos nos reunir no almoço de ensaio.
Meu irmão e minha cunhada decidiram fazer um almoço de ensaio na véspera do casamento, em vez do tradicional jantar de ensaio. Assim as últimas horas que antedem a cerimônia serão ocupadas com as despedidas de solteiro.
— Uma noite entre amigos em um pub, parece divertido – comentei – O que você acha, Care?
— O que, exatamente, tem nesse pub? — ela perguntou diretamente para a Freya.
— Ela é um pub um pouco diferente, tem mesa de sinuca e dardos, como em qualquer pub, mas também tem um palco de karaokê e nas noites de sábado tem até um concurso – explicou, totalmente empolgada – A Bonnie disse que você adora karaokê e que vocês já foram a vários quando moravam em Mystic Falls. E também comentou como a sua voz é linda.
— A Bonnie tem mesmo razão, a voz da Care é linda – afirmei, totalmente orgulhoso.
— Como você pode saber disso, Stef? — me questionou – Você nunca me ouviu cantando no karaokê…
— Mas eu já te ouvi cantando no chuveiro – afirmei – Por isso sim, eu tenho certeza de que a sua voz é linda, se não estivesse tão feliz sendo estilista, até dizia que você podia seguir a carreira de cantora.
— Você está exagerando, Stef – revirou os olhos – Até porque todo mundo sabe que a acústica do banheiro faz com que todo mundo cante bem.
— Pois eu não estou exagerando – garanti.
— Muito bem, pombinhos, essa discussão de vocês até que é fofa, mas um pouco melosa e enjoada – Damon nos interrompeu – Será que vocês podem se decidir logo? Vocês vão ou não conosco?
— Eu adoraria ouvir vocês cantando no karaokê, Care – avisei – Mas não vou te forçar a nada, é você quem sabe.
— Acho que pode ser mesmo divertido – acabou concordando – Tudo bem, nós iremos com vocês.
— Que bom! — Freya se aproximou de Caroline e deu um abraço forte nela – Fico muito feliz que você tenha concordado. Essa será a noite mais divertida de todas, eu tenho certeza!
— Bom, acho que eu vou até o meu quarto buscar o que vim aqui pegar – meu irmão avisou – Depois nós podemos ir, Freya? Ric e Lexi avisaram que chegariam ao pub cedo.
— Sim, nós já podemos ir – afirmou – E vamos esperar vocês dois por lá…
— Pode deixar que nós iremos – foi minha amiga quem respondeu – Pode ficar tranquila quanto a isso.
***
Depois que Damon e Freya foram embora, Care fez questão de comer o sanduíche antes de ir tomar uma rápida ducha. Enquanto isso eu fui até a pia fazer a barba.
— Preciso confessar, fiquei bem surpreso por você ter concordado em sair com o pessoal – comentei, o vidro do box ficava bem frente ao espelho, o que significa que podia vê-la pelo reflexo – Confesso que pensei que você não fosse aceitar.
— Não vou mentir, pensei em dizer que não queria ir – respondeu – Mas nós dois não podemos passar o final de semana todo trancados no quarto e também admito que a Bonnie está certa, eu adoro karaokê.
— Só lamento que não poderei ficar grudadinho em você enquanto estivermos lá no pub – lamentei, fazendo um biquinho.
— Sem demonstração pública de afeto, essa é uma das regras de ouro – lembrou – Nem pense em quebrá-las.
— Certo… — soltei um longo suspiro.
— Mas sei que você vai saber compensar muito bem mais tarde, quando nós voltarmos para cá – disse – É só ter um pouco de paciência.
— Não preciso ter tenta paciência assim – eu já tinha terminado de fazer a barba, então retirei a cueca e caminhei na direção da minha amiga.
— Espera um minuto, o que você pensa que está fazendo, senhor Salvatore? — me repreendeu quando entrei no box – Eu disse que era melhor eu tomar banho sozinha e depois você pode tomar também.
— Talvez seja mais fácil que façamos isso juntos… — passei a mão pelo seu cabelo molhado – Vai nos poupar tempo…
— Como se eu não te conhecesse, Stef – reclamou – Não existe “banho rápido” com você.
— Achi que você pode estar certa – de ombros – Mas eu sei que você gosta também.
Puxei seu rosto para perto do meu e a beijei. Ela pareceu relutante, mas logo começou a corresponder.
***
Exatamente como Caroline previu, o nosso banho acabou demorando mais tempo do que o previsto. Então trocamos de roupa rapidamente e tentamos sair o mais rápido possível dentro da hora que tínhamos combinado anteriormente.
Mesmo assim, quando chegamos, todos os outros já tinha chegado ao pub.
— Desculpe a demora – disse assim que nos aproximamos da mesa que ficava apenas alguns metros do palco – Acabamos saindo um pouco mais tarde do que estávamos planejando e depois e também acabamos pegando transito no caminho até aqui.
— Tudo bem, irmãozinho, nós entendemos – Damon se levantou e colocou a mão no meu ombro – Relacionamento novo e vocês dois não conseguem desgrudas as mãos um do outro, é perfeitamente compreensível.
— Cala boca, Damon… — Care reclamou, revirando os olhos.
— Deixa os dois em paz, meu amor – Freya também se levantou e se aproximou do noivo, dando um beijo no seu rosto – Não vê que os dois estão envergonhados com o seu comentário.
Foi só então que eu reparei o quanto o rosto da minha amiga estava vermelho e tenho certeza de que não devo estar muito diferente, pois já sentia as minhas bochechas esquentarem.
— Certo, por que vocês não sentam – ele mudou de assunto – Todos aqui estão bebendo cerveja, vocês vão beber também?
— Sim, é claro – afirmei – E quanto a você, Caroline?
— Também vou querer beber cerveja – respondeu – Mas não se preocupe, não vou exagerar como naquela vez na casa de praia – fez uma careta, provavelmente se lembrando do tudo que aconteceu naquela época.
Damon se levantou indo até o balcão para pedir as cervejas e nós cumprimentamos todos os outros que estavam a mesa. Costumo ver Enzo com bastante frequência, por ele ser um dos amigos mais próximos do meu irmão e também por namorar uma das melhores amigas da Caroline. Alaric também é um amigo de colégio deles, mas sempre foi mais responsável dos três, conheceu Lexi no primeiro ano de faculdade e eles se casaram logo depois da formatura e já tem três filhos: Jacob, de 9 anos, e as gêmeas Josie e Lizzie, de 5, elas, inclusive serão as damas de honra e entraram na frente da Freya na igreja.
— Pronto, aqui está… — meu irmão voltou trazendo duas garrafas e entregou, uma para mim e uma para Care – Bom, acho que agora, que estamos todos aqui, podemos fazer um brinde.
— A que, exatamente – foi Alaric quem perguntou.
— Ao meu casamento com a Freya, é claro – continuou – A essa hora, em duas semanas, estaremos a caminho da igreja e prestes a nos tornarmos marido e mulher.
Segurou a mão da Freya deu um beijo nos seus dedos.
— Ainda não acredito que finalmente está chegando – comentou – Ainda estou achando que vou acordar e descobrir que tudo isso é apenas um sonho.
— Eu garanto que nada disso é um sonho, meu amor – Damon garantiu – Você não vai se livrar de mim assim tão fácil.
— E eu tenho certeza de que esse casamento será maravilhoso – Caroline prosseguiu— Você será a noiva mais bonita também, eu desenhei o seu vestido, sei disso.
— Não vi o seu vestido, mas tenho certeza de que está perfeita – Bonnie concordou.
— E um brinde a isso… — meu irmão ergueu a sua garrafa e todos nós imitamos o seu gesto.
Nos batemos as nossas garrafas e em seguida tomei um gole da minha cerveja.
***
Exatamente como tinha me “prometido”, Care realmente quase não bebeu, na realidade nenhum de nós bebeu muito. E além da cerveja também pedimos uma porção de batata frita e de pasteizinhos.
Os três casais na mesa não paravam de trocar beijos e palavras de carinho. Confesso que estava cada vez mais difícil de manter a “regra de ouro” de não demonstrar afeto em público, mas eu estava me segurando.
— Por que você não participa do concurso de karaokê, Caroline? — Bonnie sugeriu, várias pessoas tinham cantado e eram todas bem desafinadas, tenho certeza de que minha amiga será capaz de ganhar se subir naquele palco para cantar – Você sempre gostou tanto disso.
— Não tenho certeza se devo – disse – Tenho medo de ser péssima e pagar mico na frente de todas essas pessoas.
— Você não vai pagar mico nenhum, Care – garanti – Você vai arrasar, tenho certeza.
— Sim, vai lá, Caroline! — todos começaram a incentivá-la.
Por fim, ela acabou concordando e se levantou e foi até a pessoa que estava supervisionando o concurso para passar o seu nome e dizer qual música cantaria. Eu lhe lancei um sorriso encorajador para ela.
Agora vamos receber mais uma concorrente do nosso concurso – o “apresentador” anunciou – É a primeira vez dela na casa, então peço palmas para a senhorita Caroline Forbes.
Depois das palmas, Caroline seguiu na direção do microfone. Uma melodia conhecida começou a ecoar do alto-falante e ela soltou um longo suspiro antes de começar a cantar.
Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming
Is this burning an eternal flame
Ela estava com os olhos fechados, totalmente concentrada na música. Como eu já imaginva, Care tinha mesmo uma linda voz.
I believe it's meant to be, darling
I watch you when you are sleeping
You belong with me
Do you feel the same
Am I only dreaming
Or is this burning an eternal flame
Say my name sun shines through the rain
A whole life so lonely
And then you come and ease the pain
I don't wanna lose this feeling
Abriu os olhos e ficou me encarando. Era como se cantasse apenas para mim e não pude deixar de ficar envergonhado, mas, mesmo assim, mantive meu olhar no dela. Meu coração estava disparado, aquela era a melhor sensação possível.
Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming
Is this burning an eternal flame
Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming
Is this burning an eternal flame
Is this burning an eternal flame
Close your eyes, give me your hand, darling
Do you feel my heart beating
Do you understand
Do you feel the same
Am I only dreaming
Is this burning an eternal flame
Ela passou o restante da música sem tirar os olhos de mim. Assim que a canção acabou, uma nova salva de palmas e antes que eu percebesse, Caroline já tinha voltado a se sentar ao meu lado.
— E então? — perguntou, totalmente receosa – Como eu fui?
— Você foi incrível, Care – disse – Você é realmente uma cantora maravilhosa.
— Obrigada – deu um sorriso sem graça – É muito importante ouvir isso de você.
E naquele instante eu me esqueci completamente dos nossos amigos ali. Era como se só houvéssemos nós dois naquele pub.
***
— Muito bem, todos os nossos cantores foram maravilhosos – mais três pessoas se apresentaram depois da Caroline, eu, pessoalmente, não acho que nenhum outro foi melhor do que ela – Agora vamos ao grande vencedor dessa noite.
Ele abriu o envelope que estava segurando e retirou o papel onde estava o nome do ganhador.
— E o prêmio dessa noite vai para… — começou – Caroline Forbes
Tudo a seguir aconteceu muito rápido: todos na nossa mesa começaram a bater palmas e Care subiu ao palco para pegar o seu troféu. Quando ela retornou tudo que consegui fazer foi ficar de pé e segurar o seu rosto para beijá-la.
— É isso ai, irmãozinho! — ouviu Damon falar quando nos afastamos, minha amiga me encarava em estado de choque.
— Eu preciso ir ao banheiro – me entregou o troféu antes de seguir na direção do banheiro feminino – Com licença.
— Acho melhor eu ir atrás dela – Bonnie avisou e tudo que eu consegui fazer foi concordar com a cabeça enquanto ela seguia pelo mesmo caminho da Care.
***
Depois que retornou a banheiro, Caroline parecia ter esquecido do incidente do beijo e tivemos um resto de noite bem agradável. Depois que decidimos ir embora, dividimos a conta e cada casal foi para o seu próprio carro.
— Stefan, será que você pode me deixar em casa – ela me pediu quando eu já estava enfrentando o caótico trânsito de Los Angeles – Eu estou um pouco cansada.
— Você quer ir para a sua casa? — fiquei realmente surpresa com aquilo – Pensei que fossemos passar o final de semana no meu apartamento.
— Esse era o plano, mas eu realmente estou cansada – respondeu – Por favor, não fica chateado comigo.
— Claro que eu não estou com raiva de você, Care – a tranquilizei – Só não me diga que isso tem alguma coisa a ver com o que aconteceu hoje lá no pub.
— Você violou uma das regras de ouro, mas não, não é por isso que eu estou pedindo para ir para casa – garantiu – Só estou precisando mesmo passar a noite de hoje na minha casa, é isso.
— Certo…- murmurei – Vou deixar você em casa então.
Mesmo contrariado, eu segui pelo já conhecido caminho até o prédio da minha amiga. Quando parei o carro, ela já foi tirando o sinto e se preparava para abrir a porta.
— Care, espere – pedi, colocando a mão sob a sua – Me desculpa por ter quebrado uma das regras de ouro, realmente não foi a minha intenção, acho que eu agi por impulso.
— Tudo bem, Stef, eu já disse que não estou chateada por isso – disse.
— Só espero que você não queira acabar com o que temos por causa disso – continuei – Eu realmente estou gostando muito dessa nova “fase” da nossa amizade e acho que posso dizer que você se sente da mesma maneira.
Sim, Stef, eu estou adorando a nossa amizade colorida – deu um sorriso bobo – E pode ficar tranquilo, eu jamais acabaria com tudo por causa de uma bobagem dessas.
— Mesmo sendo uma das regras de ouro? — brinquei, quando estipulamos essas regras, Caroline tinha deixado claro que essas “regras de ouro” eram as mais importantes e que seriam a base de tudo que temos vivido.
— Mesmo sendo uma das regras de ouro – afirmou – Mas você tem que me prometer que nunca mais quebrar uma das regrar de ouro outra vez.
— Eu prometo… — levantei os dois braços em sinal de rendição – Nunca mais quebrarei uma das regras de ouro.
— Perfeito… — sorriu – Bom, agora eu já vou mesmo, eu te ligo amanhã.
Dei mais um selinho nela antes de sair do carro. Eu a observei ir na direção do prédio.
Talvez essa não tenha sido a única regra que eu quebrei…
***
Não foi exatamente uma surpresa encontrar meu irmão quando cheguei em casa. Ele estava sentado no sofá e segurava um copo de whisky com bastante gelo.
— Deixei a Freya em casa e disse que era melhor eu vir para cá – comentou – Acho que eu estava certo. Onde está a Caroline?
— Foi para casa também – expliquei – É bom ter você aqui.
— Pelo jeito você está precisando conversar – bateu na almofada ao seu lado – Sente aqui, Stef, vamos conversar.
— Acho que eu estou me apaixonando pela Caroline… — decidi ser direto e admitir logo tudo de uma vez.
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