Just One Night
15 Capítulo 14 – Visão de fora – Bônus da Bonnie
Notas iniciais
Bonnie
Conheço Caroline Forbes desde que tinha quatro anos e somos melhores amigas desde então, por isso eu acho que posso afirmar que a conheço melhor do que qualquer outra pessoa, talvez só menos do que a Elena.
Por esse motivo sempre percebi que, lá fundo, ela e Stefan tinham sido feitos um para o outro, mas como eram teimosos demais para admitir, eu também não falava nem fazia nenhuma insinuação. Então não foi nenhuma surpresa quando os dois anunciaram que agora eles eram amigos com benefícios; pelo menos eles estavam “juntos”, apesar de não ser um relacionamento.
Care passou o mês seguinte insistindo que era apenas sexo e que eles nem demonstrariam afeto em público, seria algo apenas para quando estivessem a sós entre quatro paredes; e eu continuei o meu plano de me manter em silêncio e deixar a natureza seguir o seu curso. Tudo continuou da mesma maneira, até aquela noite de karaokê no pub…
Movida pela insistência de todos na nossa mesa, Caroline acabou concordando em subir no palco para cantar. Ela escolheu uma música bem romântica e em poucos instantes ficou claro para qualquer um para quem ela estava cantando, os dois não tiraram os olhos um do outro durante toda a canção. Mas a grande surpresa ficou para um pouco depois, quando foi anunciado que ela tinha vencido o concurso de karaokê e Stefan lhe beijou assim que retornou a nossa mesa com o troféu que ganhou.
— É isso ai, irmãozinho! — Damon gritou quando os dois se afastaram, o desconforto deles era visível, pelo menos para mim.
— Eu preciso ir ao banheiro – minha amiga avisou imediatamente – Com licença – e então saiu correndo sem nem ao menos olhar para trás.
— Acho melhor eu ir atrás dela – avisei, Stef apenas concordou com a cabeça e eu segui na mesma direção que ela.
***
Quando cheguei ao banheiro, Care estava com as duas mãos apoiada na bancada da pia e se encarando no espelho, mesmo da porta eu pude ver como o seu rosto estava pálido.
— Care… — chamei sua atenção, fazendo que se vire na minha direção – Está tudo bem?
— Claro que está tudo bem, Bon… — garantiu – Foi uma noite cheia de fortes emoções, não e mesmo?
— Com certeza – concordei enquanto me aproximava – Care, se você quiser conversar, eu estou bem aqui.
— Por que eu precisaria conversar com você, Bonnie? — me olhou confusa – Eu já disse que está tudo bem.
— Não estou tão certa assim de que está mesmo tudo bem… — a olhei de cima a baixo – E quanto ao beijo que você e o Stefan trocaram lá fora agora a pouco.
— Aquilo não foi nada – deu de ombros tentando parecer indiferente – Foi apenas um beijo, Bon, as pessoas se beijam todos os dias, simples assim.
— Quando você disse que estava em uma amizade colorida com o Stefan, também comentou sobre algumas regras que tinha imposto. As “regras de ouro”, como você mesma chamou – lembrei – E beijos em público se eu não estou enganada, era uma dessas regras que não podiam ser quebradas,
— Tudo bem, Bonnie, você está certa. Sem demonstração pública de afeto, essa era uma as regras e o Stefan a quebrou – admitiu – Bom, o Stefan está bêbado e eu também estou bêbada, na verdade. Isso foi apenas um pequeno deslise causado pelo excesso de álcool.
— Nenhum de vocês dois está bêbado – a corrigi – Todos na mesa beberam a mesma coisa e não foi o suficiente para deixar ninguém bêbado ao ponto de fazer alguma besteira.
— Você tem uma tolerância maior do que a nossa – insistiu.
— Caroline, já chega! — elevei um pouco o meu tom de vez, tanto que a minha amiga até mesmo se assustou, não costumo me estressar fácil, mas ela está me dando motivos – Admita logo que esse beijo te abalou. Eu sou sua melhor amiga, Care, pode se abrir comigo, eu estou aqui para isso.
— Bonnie, eu não estou abalada, foi apenas um beijo, um deslise e que não vai se repetir – falou de maneira calma – Eu só vim até aqui porque essa cantoria toda me deixou com calor e eu vim passar um pouco de água no rosto. Entendeu?
— Claro – dei de ombros – Se é o que você diz…
— Ótimo! — deu um fraco sorriso – Agora vamos voltar para a mesa, ou daqui a pouco a Freya e a Lexi vão vir até aqui atrás de nós e querendo saber o que tanto fazemos aqui no banheiro.
Ela passou por mim, indo até a porta do banheiro. Eu não tive escolhas, a não ser voltar a segui-la.
***
Quando retornamos a mesa, tudo voltou a normal e todos voltaram a conversar como se nada tivesse acontecido. Eu, é claro, fiquei observando a Care, ela continuou sentada ao lado do Stefan, mas passou a manter certa distância, sinal de que não estava tudo bem como tinha me garantido.
Ainda ficamos ali no pub por, mais ou menos, uma hora. Os primeiros a decidirem ir embora foram, alegando que tinham deixado os filhos com a babá e que ela cobra o dobro no final de semana; logo depois Freya comentou que estava exausta, resultado de uma semana inteira se dividindo no trabalho da tese e os preparativos finais do casamento, Damon logo concordou com ela e concordou que também estava cansado; Caroline então alegou que já estava mesmo na hora de ir para casa e eu tive que concordar com todos eles. Nós saímos juntos de lá e cada um seguiu para o seu próprio carro.
Será que eu posso saber no que a senhorita está pensando? — Enzo me perguntou quando parou em um sinal vermelho.
— Nada em especial – soltei um suspiro – Você não vai querer saber, acredite em mim.
— Deixe-me tentar adivinhar… — fingiu estar pensativo – Tem alguma coisa a ver com o Stefan e a Caroline?
— A Caroline está sendo teimosa – nem me dei ao trabalho de responder que era isso mesmo, já estava obvio – Está na cara que ela está apaixonada pelo Stefan e não quer admitir.
— Não tenho acompanhado esse novo relacionamento estranho deles – comentou – Mas, pelo Damon sempre fala, o Stefan sempre foi claramente apaixonado pela Caroline e sempre foi covarde demais para admitir.
— O lado do Stefan na história eu não sei, mas pelo da Caroline, tenho certeza de que isso – garanti – Eu realmente pensei que essa nova amizade com benefícios deles fosse o empurrãozinho que os dois precisavam, mas tudo que eles tem feito é negar cada vez mais.
— Você não pode fazer nada quanto a isso, meu amor – passou a mão rapidamente pelo meu cabelo – Isso é algo que depende apenas deles dois e não adianta nada tentar forçá-los a alguma coisa que talvez não estejam prontos ainda.
— Sim, eu sei disso, por isso eu tentei me manter distante, diferente do Damon e da Elena, que só falta trancar os dois em quarto até que se resolvam – me afundei no banco do passageiro, foi nesse momento que o sinal ficou verde e Enzo voltou a andar com o veículo – Mas eu também fico pensando que estou sendo egoísta por não tentar ajudar. Talvez conversar com ela diretamente e…
— Você quer que eu te deixe no seu apartamento? — sugeriu – Acho que você e a Caroline podem conversar mais à vontade.
— Não precisa, até porque eu duvido que ela vá para lá, deve ir para o apartamento do Stefan – disse – E o nosso apartamento está cada vez mais deserto.
Já está mais do que certo, vou mudar definitivamente para o apartamento do meu namorado daqui há algumas semanas, Elena também passa grande parte do tempo com o Liam e agora a Caroline com o Stefan. O sonho de morarmos juntas durante a faculdade já está chegando ao fim.
— Está arrependida de ter aceitado ir morar comigo? — quis saber, parecendo um pouco receoso pela minha resposta.
— Claro que não, Enzo, concordar em morar com você foi a melhor decisão que eu poderia tomar – garanti – Foi como a Care disse quando eu contei que me mudaria para o seu apartamento: sabíamos que isso aconteceria. Só é estranho, mudar toda a nossa rotina de cinco anos.
— Acho bom, porque também acho que te chamar para morar comigo foi a melhor decisão que eu poderia tomar – avisou – E sobre a rotina, logo faremos a nossa.
Segurou a minha mão e beijou os meus dedos, dei um fraco sorriso.
— Mas sabe, uma coisa eu tenho que comentar, o Stefan está sendo um bobo – ele continuou – A Caroline é uma gata, se eu fosse ele, com certeza não estaria nessa zona da amizade há muito tempo.
Dei um tapa no seu braço. Foi de leve e tenho certeza de que não doeu, mas, mesmo assim, Enzo colocou a mão na área atingida, fazendo uma careta.
— Ai, Bonnie… — reclamou – Você não sabe que é errado agredir a pessoa que está dirigindo?
— Você mereceu, por falar assim da minha melhor amiga – reclamei – E tem sorte de ter sido apenas um.
— Eu estava só brincando, Bon… — garantiu.
— Eu conheço a sua fama, Enzo – lembrei – O seu passado te condena, não pensa que eu não estou de olho.
Conheci Enzo em um bar de Los Angeles onde ele costumava tocar vilão e sei que, antes de começarmos a sair, ele e Damon eram companheiros de noitada. Ainda me lembro que uma das primeiras coisas que meu amigo falou a meu respeito foi: “É bom você tomar cuidado com o que está pensando, ela é especial”, e a ameaça surtiu efeito, pois estamos juntos desde então.
Eu tive apenas outro namorado antes do Enzo, Jeremy Gilbert, irmão mais novo da Elena e depois um rápido “rolo” com o enteado da minha mãe, Jamie. Mas desde o início eu sabia que dessa vez seri diferente.
— Sei que você sabe da minha fama – colocou a mão rapidamente sob a minha – Mas você me ama mesmo assim.
Estava tentando me fingir de brava, mas foi impossível não sorrir com aquele comentário.
— Sim, eu te amo… — deitei a cabeça no seu ombro enquanto observava a rua a nossa frente.
***
Foi só quando chegamos ao apartamento eu percebi que estava exausta, a verdade é que a minha semana na agência também foi cansativa, já que estou ajudando o Damon em uma campanha importante e até mesmo fui escolhida para apresentá-la, já que isso será na época em que meu amigo estará em Lua de Mel. Claro que eu trabalho com o que gosto e não trocaria isso por nada, mas não posso negar que a minha rotina é bem exaustiva.
— Tenho uma ideia, porque você não vai tomar um banho relaxante? — Enzo sugeriu – Posso preparar a banheira para você, do jeito que sei que você gosta.
— É uma boa ideia – coloquei os braços em volta do seu pescoço enquanto respondia – E, já que é assim, sabe que eu gosto quando você está na banheira comigo. Você é melhor do que qualquer sal de banho do mundo.
— Sinto muito amor, mais isso fica para um outro dia – avisou – O banho de hoje é só para você.
— Isso não é justo – fiz um careta e soltei um suspiro de frustração – Não será um banho completo sem você lá comigo.
— E se eu disse que estou planejando uma surpresa para você quando acabar banho? — disse – E por isso não posso tomar banho com você.
— Eu digo que é bom ser a melhor surpresa do mundo – me fingi de brava – Ou eu vou ficar muito irritada com você.
— Será a melhor surpresa do mundo, meu amor – prometeu – Mas agora vamos a primeira parte da sua surpresa…
Ele ainda me deu um selinho antes de se afastar e ir na direção do quarto. Pensei que segui-lo, mas depois achei melhor ficar ali esperando que ele me chamasse.
***
Aquele foi mesmo um banho bem relaxante e eu até tive que tomar cuidado para não adormecer dentro da banheira.
Quando eu voltei para o quarto, entendi porque meu namorado tinha dito por que não poderia se juntar a mim. Enzo tinha espalhado milhares de pétalas de rosas pelo chão e em cima da cama e espalhou várias velas espalhadas pelo ambiente, sem contar o balde com uma garrafa de champagne.
— Gostou? — ele estava parado atrás de mim e pousou uma das mãos na minha cintura enquanto sussurrava no meu ouvido.
— Está tudo lindo, Enzo! Perfeito! — afirmei – Será que posso saber por que de tudo isso? — me virei, ficando de frente para ele.
— Apenas querendo fazer uma surpresa para a minha namorada – explicou – Será que eu não posso?
— Claro que pode – afirmei.
— Ótimo – ele foi até a garrafa de champagne e a abriu, colocando o conteúdo em duas taças e me entregando uma delas – Um brinde?
— A nós dois… — concordei, enquanto erguia a taça – E a vida que vamos construir juntos.
Brindamos e eu tomei um gole da minha bebida. Em seguida, Enzo retirou a taça das minhas mãos e me fez deitar na cama para me fazer uma massagem relaxante, com direito a olho de massagem e tudo.
— Está gostando…? — perguntou em algum momento.
— Muito… — murmurei — Mas não posso deixar de ficar preocupada e sem deixar de pensar: será que você faz massagens assim nas suas clientes? Pois eu sou bem ciumenta, caso você ainda não tenha percebido.
Enzo é formado em fisioterapia, mas não exerce a profissão, apenas como massoterapeuta, algo no que é mesmo muito bom. Na verdade, o seu sonho é ser músico e para tornar realidade, ele toca vilão em vários bares de Los Angeles.
— Pode ficar tranquila, meu amor – sussurrou antes de dar um beijo perto da minha orelha, tudo isso sem parar de massagear os meus ombros— Essa massagem especial é só para você.
— Gosto de ouvir isso… — voltei a ficar de frente e coloquei uma das mãos na sua nunca e o puxei para grudas os seus lábios nos meus.
Ele correspondeu ao beijo, me puxando para sentar no seu colo, passando as mãos pelas minhas costas, de cima a baixo.
— Bonnie… — falou – Tenho uma coisa para te pedir…
Fomos interrompido pelo telefone que começou a tocar, estridentemente. Não pude deixar de soltar um gemido de frustração.
— É melhor eu atender – meu namorado avisou, fazendo menção de se levantar – Pode ser algo importante.
— Deixa tocar – pedi – Se for mesmo importante, quem quer que seja, liga de novo uma outra hora.
Ele pareceu relutante, mas acabou concordando comigo. Depois de alguns toques o telefone parou e ouvimos o som de que a secretaria eletrônica tinha sido ativada.
— Bonnie Benett, pode parar de fingir, eu sei muito bem que você está ai – era a voz de Elena – Então é bom a senhorita retirar a boca de sei lá que parte do corpo do seu namorado e me entender. Ou então eu vou continuar ligando, interrompendo a sua transa até vocês desanimarem!
— Acho que é melhor atendermos… — Enzo avisou e eu apenas concordei com a cabeça, então ele se levantou, retirando o telefone sem fio na base – Oi, Elena… Espera, vou passar para ela – avisou, me entregando o aparelho.
— Oi, Lena… — já fui falando – Agora você pode falar, o que tem de tão importante que não pode esperar?
— Será que você pode me contar o que aconteceu com a Caroline?— já foi logo me perguntando – Acabei de chegar em casa e ela está trancada no quarto e não quer falar comigo de jeito nenhum.
— E por que eu saberia o que aconteceu com ela? — questionei.
— Você comentou comigo mais cedo que ia ao pub com o Damon e a Freya e os outros casais de padrinhos do casamento e isso incluía o Stefan e a Caroline – lembrou – Por favor, Bon, eu estou oficialmente preocupada. Acho que nunca vi a Care assim.
— Tudo bem, eu já estou indo para ai – avisei antes de desligar.
— Imagino que agora você quer eu te deixe em casa… — Enzo já concluiu ante mesmo que eu dissesse qualquer outra coisa.
— Parece que a Care está precisando de um ombro amigo – expliquei – Quem sabe ela não se abre e conta logo o que está sentindo sobre toda essa história do Stefan… Por favor, não fica chateado.
— Claro que eu não estou chateada, meu amor – garantiu.
— Continuamos com essa nossa noite um outro dia – prometi – Sem telefonema, sem amigas com crise existencial… Apenas nós dois.
— Mal posso esperar por isso… — puxou meu rosto para mais um selinho antes de levantar para trocar de roupa e eu também fui fazer a mesma coisa.
***
Enzo me deixou na frente do prédio pouco mais de meia hora depois. Quando entrei no apartamento, Elena andava de um lado para o outro da sala, só pelo seu tom de voz deu para ver o quanto estava preocupada, mas agora eu tinha mais certeza ainda.
— Ela ainda está trancada no quarto? — ela apenas balançou a cabeça afirmativamente – Não se preocupe, deixa eu tentar falar com ela…
— Eu já tentei fazer isso e foi inútil – soltou um longo suspiro – Por favor, pelo menos me diga que você sabe o que aconteceu para ela estar assim.
— Eu desconfio… — respondi, não sei o que aconteceu entre ela e o Stefan depois que saíram do pub, mas tenho quase certeza de que tem tudo a ver com aquele beijo – Mas eu preciso confirmar.
— Tudo bem, vai lá… — ela concordou
Fui na direção do corredor e caminhei na direção do quarto da Caroline, que era o último a direita. Como já era de se esperar, a porta estava fechada, então eu dei algumas batidas, de leve.
— Vai embora, Lena…— ela reclamou – Já disse que eu não quero conversar, por favor, entenda isso…
— Não é a Elena – avisei – Ela me ligou preocupada com você, até desconfio o que está acontecendo e por isso vim aqui para poder conversar. Eu quero te ajudar, Care, eu a Lena queremos, mas você precisa se abrir.
Ela abriu a porta. Seus olhos estavam inchados, o rosto vermelho e todo molhado por causa das lágrimas.
— Care… — recomecei, mas minha amiga apenas me abraçou e começou a chorar no meu ombro.
— Eu sou uma idiota, Bon – estava praticamente berrando agora – Eu disse aquela hora no banheiro que estava tudo bem, mas não está nada bem, eu só não queria desabafar os meus problemas naquela hora, depois eu achei que fosse conseguir resolver tudo sozinha, mas…
— Não precisa tentar se explicar, Care – limpei as lágrimas no canto dos seus olhos – Vem aqui, vamos para sala, conversaremos melhor lá.
Coloquei a mão nas suas costas e a guiei na direção da sala. Assim que chegamos, Elena se levantou do sofá.
— Finalmente, a senhorita decidiu aparecer – comentou, referindo-se a nossa amiga – Será que vai finalmente contar o que tem de errado?
— Lena, pega um pouco de água com açúcar, por favor? — pedi, ela concordou e foi na direção da cozinha e eu ajudei Care a se sentar – Muito bem, acho que você pode falar o que está acontecendo, começando pelo beijo.
— Beijo? — Lena tinha acabado de voltar, trazendo a água com açúcar que eu pedi – Você está assim por causa de um beijo? Está na cara que vocês dois já fizeram coisa muito “pior”.
— Elena… — eu a reprimi – Deixa a Care explicar.
Ela deu um sorriso fraco enquanto pegava o copo e tomava um gole antes de voltar a no encarar.
— Não é só pelo beijo, como a Lena acabou dizer, já fizemos, mesmo, coisa muito “pior” — fez uma careta – Mas por causa de toda essa situação.
Eu não disse nada, apenas a encorajei, silenciosamente, que continuasse.
— Realmente pensei que pudesse levar isso adiante, que poderia passar uma noite com o Stefan e continuar com tudo como se nunca tivessem acontecido – prosseguiu – Então ele sugeriu essa amizade colorida e eu acabei aceitando, pensando que mesmo que eu não pudesse deixar as coisas do jeito que eram anteriormente, pelo menos eu poderia manter essa tensão entre quatro paredes e em público continuaríamos com a nossa amizade. Isso até que estava funcionando, pelo menos até…
— Até hoje a noite quando ele te beijou na frente de todo mundo? — saiu como um tom de pergunta, mas, na verdade, estava apenas completando a sua frase.
— Sinto que a nossa amizade está acabando e eu sou a única culpada disso – confessou.
— Eu sempre soube que essa história de amizade colorida não daria certo – Elena comentou – Vocês dois se amam e tem que começar a namorar logo de uma vez e não ficar colocando mais obstáculos nisso.
— Lena! — voltei a reprimi-la – Nós deveríamos estar tentando ajudá-la.
— É o que eu estou fazendo – respondeu – É isso que ela está precisando ouvir, a verdade.
— Bom, por um lado ela está certa, Care – tive que admitir – Você precisa definir o que realmente sente pelo Stefan e depois chegar a uma conclusão sobre o que fazer a respeito da amizade de vocês.
— Eu amo o Stef, tenho certeza disso, mas como meu amigo, só isso – afirmou – Gosto de beijá-lo e de transar com ele, não estou pronta para abrir mão disso, mas também não me vejo casando ou tendo algo romântico com ele.
— E você acha que o Stefan pensa da mesma maneira que você? — voltei a perguntei.
— Sim, eu tenho certeza de que ele pensa da mesma maneira que eu – garantiu – Somo amigos há cinco anos, se ele fosse apaixonado por mim ou eu por ele, já teríamos conversado sobre isso e tomado alguma atitude.
— Bom, posso estar errada, mas acho que essa amizade colorida de vocês, já é tomar alguma atitude – observei – Além disso, porque as coisas não podem ter mudado agora, para vocês dois.
— Isso não aconteceu! — voltou a aumentar o seu tom de voz – Pensei que vocês duas estivessem aqui para me ajudar e vocês só estão piorando a situação…
— Tudo bem, aqui vai um concelho que pode ajudar: você disse que gostar de transar com o Stefan mais que não sente que pode ter um relacionamento de verdade com ele, certo? — minha amiga balançou a cabeça afirmativamente – Acho que é dai que você tem que começar a pensar, o que é mais importante: a amizade de vocês ou esses novos benefícios?
— Isso é obvio, a nossa amizade – respondeu sem nem ao menos pensar duas vezes.
— Então pronto, converse com o Stefan, fale que você está preocupada que isso que está acontecendo acabe com tudo que vocês construíram nesses cinco anos – expliquei – Se o Stefan realmente se importa com a amizade de vocês, vai entender o seu lado, mas se ele não entender, acho que vai ser a hora de repensar se vale a pena tê-lo por perto.
Caroline ficou em silêncio e pensativa. Provavelmente milhares de coisas estavam passando pela sua cabeça naquele momento.
— Acho que você está certa, talvez seja a hora de ter uma conversa séria com o Stefan – concordou – Mas não hoje, eu estou cansada e sem a menor a vontade de conversar com ele.
— Claro que não é para falar hoje – disse – Descanse, pense um pouco mais hoje a noite e amanhã vocês conversam.
— Obrigada, Bon! Obrigada, Lena – deu um sorriso bobo, olhando de uma para a outra – Vocês são, mesmo, amigas de verdade.
— Não foi nada demais, Care – nossa amiga disse – E olha que eu tirei a Bonnie de uma noite com o Enzo, não é para qualquer um que ela faz algo assim.
— Acho que eu posso me sentir especial então – brincou.
— Não é nada demais – dei de ombros tentando parecer indiferente, mas a verdade é que já sentia o meu rosto esquentar – Haverão outras noites, principalmente porque eu e Enzo vamos morar juntos em breve.
— Eu tenho uma ideia! Por que não fazemos uma festa do pijama? Pipoca, sorvete e filme? — Lena sugeriu – Provavelmente será a última vez que faremos isso as três morando juntas. Então, escolhemos um filme bem meloso e ficamos chorando na frente da televisão.
— Acho uma ideia perfeita – Caroline concordou – Eu escolho o filme.
— Então eu faço a pipoca – avisei me levantando – Você pode vir me ajudar, Lena?
— Claro! — afirmou, fazendo a mesma coisa que eu.
***
— O que você achou desse discurso da Caroline? — minha amiga perguntou quando eu estava retirando a pipoca do micro-ondas – Ela pareceu convincente para você?
— Sinceramente, não me convenceu nem um pouco – respondi – Mas não podemos forçá-la a nada, se ela ainda acredita que só sente tesão pelo Stefan, não vamos tentar convencê-la do contrário, só piorará a situação.
Mas ela conversar com o Stefan sobre isso também não pode piorar tudo? — quis saber – Ele pode se sentir ofendido e se afastar dela de vez.
— Os dois são adultos, podem muito bem resolver os problemas deles sozinhos – garanti – Vamos deixar as coisas correrem da maneira natural. E nós duas ainda seremos madrinhas desse casamento.
— Tomara que você esteja certa, Bon – completou – Acho que eu nunca vi a Care tão feliz como ao lado do Stefan.
— Meninas… — nos viramos a tempo de encontrar Caroline na entrada da cozinha, por um instante eu fiquei preocupada que ela tivesse ouvido alguma coisa, mas estávamos sussurrando e ela parecia ter acabado de chegar – Eu já escolhi as pipocas, vocês não vem?
— Sim, já estamos indo – avisei.
Então nós três seguimos para a sala. Aquele seria mais uma noite entre amigas, sem mais, daríamos momentos de tranquilidade para a Care e ela voltaria a pensar nos problemas só amanhã.
Fale com o autor