Just One Night
13 Capítulo 12 – Amizade Colorida
Notas iniciais
Caroline
O percurso entre o apartamento de Stefan e o meu era longo, muito longo, e, para piorar, foi feito totalmente em silêncio. Meu amigo ainda ficou me encarando todas as vezes em que parava em um sinal vermelho, mas não falava nada e eu decidi ficar da mesma maneira.
Stef tinha fico muito quieto desde que anunciei que queria ir para a minha casa logo depois do “flagra” que o seu irmão nos deu. Uma das poucas palavras que ele pronunciou foi se oferecendo de me levar para casa e eu, apesar de um pouco relutante, acabei aceitando.
Queria muito saber o que ele estava pensando, toda aquela expectativa estava acabando comigo. Apesar e todas as nossas promessas, a verdade é que eu ainda tenho medo de que isso abale a nossa amizade.
— E aqui estamos – ele finalmente disse quando estacionou quase em frete do meu prédio, desligou o motor do veículo e retirou o cinto de segurança – Esse é o fim oficial da nossa noite.
— Sim é mesmo – dei um sorriso sem graça, era perceptível pelo seu tom de voz o quanto estava chateado por essa situação; a verdade é que eu também não quero que isso acabe, principalmente por medo de saber como as coisas ficarão depois disso – Acho que posso dizer que foi uma noite bem divertida.
— Com certeza foi… — ele também sorriu sem graça pelo meu último comentário – Confesso que eu não esperava que fosse ser assim, mas você realmente me surpreendeu.
— Superei as suas expectativas, então? — decidi brincar em uma tentativa de aliviar a tensão – Vou começar a usar isso para me definir: boa para superar expectativas.
— Boba… — riu; foi nesse momento que ele segurou a mina mão e ficou fazendo movimentos circulares nela com o polegar, um gesto quase natural, mas que me pegou de surpresa – Você vai ficar bem aqui sozinha? Sei que a Elena e a Bonnie não costumam passar fim de semana em casa.
Ele parecia querer arranjar desculpas para não me deixar aqui sozinha. Para ser sincera eu até poderia deixá-lo subir um pouco, mas essa não é a ideia mais racional a se fazer agora.
— A Bonnie realmente está com o Enzo, mas a Elena estava em casa ontem a noite – expliquei – Talvez ela vá encontrar o Liam mais tarde, mas eu não ligo.
— Tem certeza disso? — perguntei, mais uma vez.
— Sim, Stef, eu tenho certeza, as vezes é bom ficar sozinha um pouco – garantiu – Vou aproveitar para organizar alguns desenhos que eu tenho em casa, talvez eu até responda alguns e-mails pendentes.
— Divirta-se então – completei.
Beije o seu rosto antes de retirar o cinto e abrir a porta do carro, mas antes que eu pudesse sair, Stefan segurou o meu pulso, impedindo que eu me movesse.
— Caroline, ontem a noite eu te prometi que não deixaria que tudo que aconteceu ontem a noite acabasse com a nossa amizade e eu realmente não deixarei – ele estava sério, tanto que voltei a encará-lo – A partir do momento em que você colocar os pés para fora desse carro vamos esquecer tudo e voltarmos a ser os melhores amigos; mas antes que tudo isso acabe, eu só preciso de mais uma coisa.
— O que é? — sussurrei; no fundo eu sabia o que ele iria me pedir, mas não pude deixar de perguntar.
— Um beijo, apenas um beijo – então ele confirmou o que eu já desconfiava – Só mais um beijo e eu prometo que acabamos com tudo de uma vez por todas.
Meu coração disparou após aquele pedido, eu sei que não devo, mas quero muito fazer isso, apesar de termos trocado milhares de beijos nas últimas doze horas, ainda assim eu quero beijá-lo. Mesmo sabendo que não devo, essa será a última vez, acho que merecemos isso.
Stef passou a mão no meu rosto e eu apenas fechei os olhos, não demorou muito para eu sentir os lábios dele encostarem nos meus. Foi um beijo lento, meu amigo claramente sem pressa e quando nos afastamos ele ainda manteve a testa contra a minha.
— Bom, acho que é isso – decidi quebrar o silêncio depois de alguns segundos, aquilo muito bom, não posso negar, mas tinha chegar ao fim – Agora eu preciso mesmo ir.
— Claro, você tem razão – ele concordou, só então se afastando de mim – Mas antes eu preciso perguntar mais uma vez: realmente nada mudou, não é mesmo?
— Nada mudou, Stefan – garanti, Stefan querer saber disso era uma prova de que estava tão preocupado quanto eu – Eu te ligo mais tarde, ou talvez amanhã; a gente pode combinar de almoçarmos juntos na segunda-feira, que acha?
— É uma ideia perfeita – concordou.
Em seguida eu finalmente sai do carro e acenei para ele antes de caminha até o meu prédio. Quando cheguei a portaria vi que meu amigo ainda estava lá parado e meu impulso foi ir até ele, mas eu não fiz, apenas segui o meu caminho.
***
Assim que entrei em casa, Elena estava largada no sofá, vestia um pijama de ursinhos e segurava uma tigela de cerais, além disso, sua pantufa de unicórnio estava no chão ao seu lado. Quando me aproximei, verifiquei que estava passando um desenho qualquer na televisão.
— Mas que bonito, Elena Gilbert… — comentei, pareceu que ela tinha acabado de notar a minha presença.
— Care… — ela se sentou, colocando o pé no chão e pousando a tigela na mesa de centro – Pensei que você só fosse chegar mais tarde.
— Eu tinha coisas para fazer aqui em casa e também não queria ocupa o Stefan durante todo o final de semana – dei de ombros antes de ir me sentar ao lado dela – Mas até que foi bom eu chegar a essa hora, assim eu pude presenciar essa cena fofa.
— Em minha defesa, foi você e a Bonnie quem decidiram me abandonar em pela sexta-feira a noite – reclamou; mas a verdade é que ela é a primeira a sair com o namorado durante os finais de semana. É que ontem ela tinha trabalho a fazer e o Liam está de plantão – E não é como se eu tivesse muitas coisas para fazer aqui sozinha.
— Eu devia ter tirado uma foto e postado na internet – brinquei – Elena Gilbert volta a infância e assiste desenho comendo cereais, sábado de manhã. Queria ver o que o Liam falaria disso.
— Idiota – pegou uma almofada e bateu no meu braço – Lembre-se que eu tenho várias fotos constrangedoras suas e posso mostrá-las para o Stefan também.
Minha amiga sempre fazia piadinhas a respeito de mim e do Stef, já era natural e apesar de dizer a ela que estou irritada, a verdade é que eu nem logo. Mas hoje, depois de tudo que aconteceu, depois de tudo que estou “escondendo”, essas insinuações tinham uma conotação diferente… Meu estômago revirou, mas eu tentei disfarçar a aquela minha reação.
— O Stefan sabe de quase todos os meus momentos constrangedores, não é como se isso fosse um problema – respondi tentando parecer – Já você e o Liam: acredite, Lena, eu sei muito podres seus, são 23 anos de amizade, afinal.
— Vamos fazer o seguinte, ninguém fala nada dos podres da outra – propôs – Combinado assim?
— Combinado… — concordei e apertei a mão dela como se tivéssemos acabado de fechar um acordo – O que você vai fazer hoje a noite? Pensei que poderíamos fazer uma noite das meninas: pedimos uma pizza, vemos um filme e tomamos muito sorvete. A Bonnie não está aqui hoje, mas ainda pode ser divertido.
Talvez isso fosse o que eu precisava para tirar todas essas preocupações da minha cabeça: uma noite de filmes com uma das minhas melhores amigas.
— Na verdade eu vou encontrar o Liam mais tarde – explicou – Tem um evento de caridade do departamento de medicina da UCLA e o Liam precisa ir, então eu vou com ele e depois vou para o apartamento.
— Então está bem – dei de ombros – Acho que vou ver um filme aqui sozinha mesmo.
— Por que você não chama o Stefan para vir ver um filme com você? – sugeriu – Não é como se fosse a primeira vez.
Chamar o Stefan para ver um filme hoje a noite? Não, essa não é uma opção no momento.
— Não acho que essa seja uma boa ideia – fiz uma careta em resposta.
— Está tudo bem, Care? — ela quis saber – Você está estranha desde que chegou aqui, aconteceu alguma coisa ontem a noite ou talvez hoje de manhã?
E pelo jeito eu não estava conseguindo disfarçar tão bem como imaginava…
— Claro que está tudo bem, Lena, não aconteceu nada – apressei-me em dizer – Você está vendo coisas.
— Bom, se você diz – deu de ombros.
— Stefan e eu já vimos um filme juntos ontem – isso não era exatamente uma mentira, tínhamos mesmo visto um filme ontem a noite – Não vou chamá-lo para assistir outro filme hoje, isso seria entediante.
— Certo, eu entendi… — concordou.
— Bom, agora eu preciso ir – avisei enquanto me levantava – Tenho algumas coisas para arrumar e que eu nunca tenho tempo de fazer durante a semana. Se precisar de mim, eu estou no meu quarto.
— Está bem… — Elena já tinha pego a sua tigela de volta e voltou a se concentrar no seu desenho animado.
***
Eu não tinha mentido: nem para o Stefan, nem para a Elena, tinha mesmo algumas coisas para organizar. Para falar a verdade, eu tinha até mais desenhos para organizar do que imaginei e isso utilizou uma grande parte do meu tempo, depois eu ainda dei uma olhada nos meus e-mails, mas não tinha nada de interessante ou que precisasse ser respondido.
Perto da hora do almoço meu telefone começou a tocar. Confesse que uma parte de mim esperava que fosse um Stefan e tive uma pequena decepção ao pegar o celular e verificar que não era ele e sim Freya.
— Freya…? — falei assim que atendi.
— Oi, Care, espero não estar te atrapalhando, eu só consegui um tempo livre aqui no laboratório da faculdade para te ligar — explicou – Quero saber como foi a sua noite com o Stefan ontem.
— Está mesmo falando sério? — foi um impossível não revirar os olhos – Você me ligou só para perguntar isso?
— Admito, eu estou curiosa!— riu – E desculpe-me por mandar o Damon tão cedo para casa hoje de manhã, mas é que eu precisava mesmo vir para a faculdade começar a resolver o incidente de ontem aqui no laboratório. Espero que não tenha atrapalhado muito.
— Não se preocupe, a chegada do Damon não atrapalhou – garanti – Para falar a verdade, foi até bom.
— Quer dizer que foi tão ruim assim?— quis saber – Confesso que pensei que o Stefan não fosse te decepcionar nesse quesito, mas pelo jeito ele não é igual ao irmão então.
— Freya…! — a reprimi – Em primeiro lugar, por favor, eu não quero saber da sua vida sexual com o Damon, é perturbador demais; e, em segundo lugar, eu não disse que foi ruim.
— Então foi bom!— tinha certeza de que ela tinha aberto um sorriso malicioso nesse momento – Isso é bom…, não adianta nada o cara ser gato e ser ruim de cama, não é mesmo?
Foi impossível não rir. Só mesmo Freya para me fazer achar graça em uma situação dessas.
— Acho que podemos trocar conselhos sobre os irmãos Salvatore — continuou – No sexo oral, o Damon gosta de fazer uma coisa com língua, que não é que eu ache ruim, mas…
— Freya, isso é sério? — a interrompi, voltando a reclamar – Eu estou falando sério, não quero falar sobre o que aconteceu ontem a noite – soltei um longo suspiro e me joguei na cama, encarando o teto do meu quarto.
— O que foi que aconteceu, Care?— ela parecia preocupada comigo – Se não foi ruim, o que foi que aconteceu de tão grave para você não querer conversar sobre isso?
— Eu estou confusa, Freya – admiti – Pensei que passando essa noite com ele fosse resolver, que eu mataria a minha curiosidade e pronto, tudo voltaria a ser como era antes, mas não foi isso que aconteceu. Estar perto do Stefan hoje de manhã foi uma tentação, ele ficou querendo me beijar, agindo como um casal, e mesmo agora que estou aqui em casa, e não consigo deixar de pensar em tudo isso.
Tenho que admitir, foi bom desabafar tudo isso com ela, era como tirar mil toneladas de cima de mim. E quando terminei de falar, percebi que até mesmo estava chorando.
— Uau…— ela disse depois daquele meu relato – Bom, Caroline, você e o Stefan cruzaram uma linha muito perigosa ontem a noite; talvez não fosse obvio para vocês, mas para quem via de fora, sempre foi claro o quanto você e ele sempre tiveram uma química incrível. As coisas já mudaram, Care, você querendo ou não.
— Mas eu não quero que as coisas mudem, Freya – insisti, talvez isso tenha soado até mesmo um pouco infantil da minha parte – Eu já sai praticamente fugida da casa dele hoje mais cedo. Sinto que é melhor ficar longe do Stefan agora, mas, ao mesmo tempo, não quero ficar longe dele; você me entende?
— Acredite eu entendo perfeitamente o que você quer dizer— respondeu – E só tenho um concelho para te dar: pare de lutar contra o que você está sentindo, admita que quer ficar com ele, mesmo que seja apenas para fazerem sexo; o que, levando em consideração toda a amizade de vocês, não acredito que seja isso.
— Você não está me ajudando muito, Freya – fiz uma careta.
— Caroline, você foi madura o suficiente para deixar as coisas chegarem onde chegaram — prosseguiu depois de soltar um longo suspiro – Agora seja madura também para lidar com as possíveis consequências dessa sua decisão.
— Possíveis consequências – murmurei – Isso soa tão assustador quando você coloca assim.
— Sim, é assustador, por isso você não pode negar que existe sim a possibilidade – lembrou – Toda essa pressão e expectativa podem sim destruir a amizade de vocês de uma vez por todas, você pode se apaixonar por ele, o Stefan pode se apaixonar por você e tem até mesmo a possibilidade de uma gravidez acidental.
— Nenhuma dessas coisas acontecerá – garanti – Tenho certeza disso.
— Senhorita Mikaelson…— ouvi uma voz um pouco distante – Estamos precisando da senhorita aqui no laboratório.
— Care, eu preciso ir — ela me avisou – Mas antes, um último concelho: ligue para o Stefan, tenho certeza de que ele está precisando disso depois de você ter saído fugida da casa dele, como você mesma admitiu. Vocês precisam conversar, a amizade de cinco anos de vocês está implorando por isso.
— Acho que você tem razão, Freya – tive que concordar – Obrigada pelo concelho.
— Quando precisar, eu estarei aqui — avisou – E, se as coisas forem muito bem…, já aviso que quero ser madrinha desse casamento.
— Acredite, eu não poderia pensar em nenhuma outra pessoa para esse papel – claro que eu não vejo a possibilidade de me casar com o Stefan, mas não pude deixar de entrar na brincadeira – Agora vou deixar de você ir, tchau.
Nós nos despedimos e então desliguei o telefone.
***
Fiquei alguns minutos apenas encarando o celular, criando coragem de ligar para o meu melhor amigo. Freya tem toda razão, nós dois precisamos mesmo conversar.
Também comecei a lembrar da minha conversa com a Elena um pouco mais cedo: “Por que você não chama o Stefan para vir ver um filme com você? Não é como se fosse a primeira vez.”. Talvez essa seja a solução para mostrar como nada entre nós mudou.
É isso, chamá-lo para um filme, uma coisa bem leve. Era disso que eu precisava…
Então eu comecei a procurar o número do meu amigo para poder ligar. P telefone começou a chamar, uma, duas, três, quatro vezes…, aquela espera estava realmente acabando comigo.
— Care…— foi um alívio quando ele finalmente atendeu – Está tudo bem? Eu não esperava a sua ligação hoje.
— Está tudo bem sim, Stefan – apressei-me em dizer – Você está ocupado? Eu posso ligar uma outra hora – podia ouvir um barulho de passos e conversas ao fundo, sinal de que ele não estava em casa.
— Eu não estou ocupado— respondeu – Na verdade eu estou aqui no shopping, comprando o terno do meu casamento junto com o Damon, mas ei já escolhi, então estou aqui apenas esperando o meu irmão se decidir.
— Entendi – ri – Estou doida para ver o seu terno e espero que a sua gravata seja da mesma cor do meu vestido.
— Como você mesma disse a respeito do seu vestido, você só irá ver o meu terno no dia do casamento— ele brincou; há alguns dias Stefan comentou a mesma coisa que eu, que estava doido para ver o meu vestido de madrinha e tudo que eu o deixei saber era qual seria a cor, alegando que seria uma surpresa para o dia do casamento, agora meu amigo estava me dando um troco – Mas não se preocupe, escolhi a gravata da mesma cor daquele tecido que você me mostrou.
— Ótimo! — fiquei realmente satisfeita em saber disso – Mas não foi por isso que eu te liguei. É que a Lena vai para a casa do Liam daqui a pouco e eu queria saber se você não quer vir que no meu apartamento para vermos um filme.
— Ora, o que aconteceu com aquele discurso de querer ficar em casa sozinha para organizar as suas coisas?— brincou, fazendo com que eu revirasse os olhos, eu sabia que ele não esqueceria da minha frase e agora estava justamente jogando isso na minha cara – Já mudou de ideia?
— Eu consegui organizar as minhas coisas agora de tarde – expliquei – E nós dois precisamos continuar as coisas do jeito que eram para que continuem assim, então porque não hoje? Podemos até mesmo ver um filme de ação, exatamente como eu sei que você gosta.
Não sou muito fã de filmes de ação, mas eu sei que Stefan ama. E levando em consideração toda a tensão que ocorreu entre nós hoje de manhã, escolher um filme com bastante ação é garantia e que ele vá prestar mais atenção na televisão do que e mim.
— Um convite irrecusável, senhorita Forbes— respondeu por fim – Eu aceito, estarei ai por volta das sete da noite, pode ser?
— Perfeito! — não pude deixar de dar um pequeno sorriso – Estarei te esperando aqui.
Quando desliguei percebi o quanto minha mão estava tremendo e meu coração disparado. Como é possível que uma conversa ao telefone com o meu melhor amigo, algo que eu faço quase todos os dias, pode ter mexido tanto comigo desse jeito?
— Você só está impressionada com o que a Freya, é isso – disse, essa era a única explicação plausível – Hoje você vai ver um filme com o seu melhor amigo, exatamente como sempre e tudo voltará ao normal.
Pelo menos é isso que eu espero que aconteça…
***
Já estava perto de sete horas da noite, a horário em que Stefan avisou que chegaria e já estava tudo pronto para a nossa “sessão de cinema”. Elena saiu há uns vite minutos para encontrar o Liam, então eu separei a pipoca para estourar no micro-ondas, escolhi um filme e coloquei uma roupa confortável (calça de moletom e uma blusa larga), agora era só esperar pelo meu amigo.
Essa espera também não demorou muito, pois logo eu ouvi o som da campainha e fui correndo para atender. Stef abriu um sorriso torto assim que me viu, ele estava segurando uma sacola de supermercado em uma das mãos e um buquê com a outra.
— São para você – ofereceu-me as flores – Margaridas, as suas favoritas, não é mesmo?
— Exatamente! — foi a minha vez de sorrir – Não acredito que você ainda se lembra disso… — lembro-me de ter comentado sobre margaridas serem as minhas flores favoritas uma única vez, há uns três ou quatro anos, é incrível como ele não se esqueceu disso.
— Eu dificilmente me esqueço de alguma coisa ao seu respeito, Care – garantiu – Acostume-se com isso.
— Se você diz – deu de ombros – E obrigada pelas flores, isso foi muito fofo.
— E eu também trouxe um sorvete de chocolate – mostrou a sacola que ainda estava segurando – Pensei que poderíamos tomar enquanto vemos um filme.
— É uma ideia perfeita – concordei enquanto pegava o sorvete da sua mão – Bom, vou guardar o sorvete no congelador e colocar as flores em um vaso.
— Tudo bem – afirmou – Vou esperar você bem aqui.
Então eu segui para a cozinha. A primeira coisa que eu fiz foi guardar o sorvete antes que começasse a derreter, depois coloquei a pipoca para estourar e peguei um vaso que guardávamos no armário debaixo da pia para colocar as margaridas.
— Você precisa de ajuda com alguma coisa? — me assustei quando me virei e encontrei Stefan parado na divisão entre os dois cômodos.
— Pode levar as flores lá para dentro para mim? — pedi entregando o vaso para ele.
— Claro – afirmou enquanto voltava a se virava de costas para mim novamente.
Assim que meu amigo voltou a se afastar, eu me apoiei na bancada e fiquei esperando a pipoca, já começava a estourar dentro do micro-ondas, ficar pronta. Não demorou muito para Stefan retornar.
— Você ainda não me disse que filme escolheu para assistirmos hoje – comentou em seguida – Você comentou o filme de ação, fiquei curiosa para saber a sua escolha.
— Velozes e Furiosos 7— Stef não era exatamente um maior fã de carros, como a maioria dos homens é, mas sei que ele tem uma peque obsessão pelo seu Porshe antigo e também gostava de filmes com bastante perseguição de carro, isso deve ajudar a mantê-lo distraído – Você já assistiu?
— Para falar a verdade, já – respondeu – Mas não importo de ver outra vez, ainda mais como uma linda companhia com essa.
Foi impossível não dar um sorriso sem graça com esse comentário.
Care, eu queria falar com uma coisa com você… — ele estava encarando alguma coisa no chão, sinal de que estava nervoso – Quero que você saiba que ontem a noite foi, se sombra de dúvidas, a mas incrível da minha vida. Eu…
— Isso foi incrível para mim também, Stef – afirmei – Você sabe, essa não foi a minha primeira vez, mas mesmo sim foi especial, pode ter certeza disso.
— Sei que concordei que seria apenas uma noite, que prometi que depois de te deixar aqui hoje de manhã eu esqueceria de tudo que aconteceu entre nós – continuou – Mas eu sinto muito, não sei se vou poder cumprir a minha promessa…
Nesse momento ele já estava há apenas poucos centímetros de mim, tão perto que conseguiu passar a mão pelo meu cabelo e colocar uma mexa para trás da minha orelha. Foi impossível não prender a respiração quando seu polegar roçou na minha bochecha.
— Stefan, por favor… — implorei.
— Você mesma disse que a intenção era me fazer ter experiência e eu ainda tenho tantas coisas para aprender – lembrei.
— Tenho certeza de que você saberá o que fazer quando chegar a hora – garanti – Tudo que você precisava fazer era tirar essa primeira noite do caminho.
— Care, eu não estou te pedindo em namoro ou em casamento, apenas achei que poderíamos ter uma amizade colorida – sugeriu.
— Uma amizade colorida? — ri – Você está me propondo uma amizade colorida, com essa cara?
— Qual o problema, apenas uma amizade colorida, sem nenhum compromisso – deu de ombros.
— Não sei porque, tenho a impressão de que você andou conversando com o Damon – observei.
Stefan não negou nem confirmou a minha suspeita, o que aumentou mais ainda a minha desconfiança.
— Caroline, eu sinto que essa noite te abalou tanto quanto a mim, então por que não? — prosseguiu – Apenas me responda se sim ou se não. Se a resposta for não eu prometo que nunca mais toco nesse assunto e também cumprirei todas as promessas anteriores e voltaremos a ser apenas melhores amigos.
— Não sei, Stefan… — respondi – Você sabe que o meu maior medo é que tudo que aconteceu abale a nossa amizade e você está querendo é aumentar os motivos para que isso aconteça?
— Isso não vai abalar nada, eu prometo – seu rosto estava tão perto do meu que eu podia sentir sua respiração quente contra o meu nariz – Será apenas isso e se por acaso um de nós encontrar alguém e perceber que é a pessoa certa, terminamos com isso na mesma hora.
Era muito simples, só precisava responder sim; é isso que eu quero, é isso que ele quer. Mas a verdade é que ter Stefan tão perto de mim não me deixa pensar direito e eu posso estar prestes a cometer o maior erro da minha vida.
Antes que eu pudesse tentar raciocinar, Stef me beijou, colocando as mãos na parte de trás das minhas costas e me puxando para mais perto de si. Senti a minha cabeça girar e tudo que consegui fazer em seguida foi colocar o braços em volta do seu pescoço e aproveitar o momento.
Foi quando o micro-ondas apitou, avisando que a pipoca estava pronta.
— Stefan, melhor eu ver a pipoca – reuni toda a força que ainda me restava para empurrá-lo.
Retirei a pipoca do micro-ondas e a coloquei em um pote. Fiz tudo isso sem olhar para o Stefan uma única vez.
— Vamos logo ver o filme – avisei – Ou daqui a pouco vai ficar muito tarde.
— Sim, você tem razão – ele concordou colocando a mão no meu ombro, aquele simples gesto fez com que a minha pele se arrepiasse – Vamos até lá.
***
Tentei me sentar no sofá o mais longe o possível de Stefan, mas ele foi se aproximando com a intenção de pegar pipoca e em poucos minutos já estava com a lateral do corpo encostado no meu. Tentei ignorá-lo e me foquei no filme, até que não era tão ruim assim.
Meu amigo começou a passar a mão pelo meu braço, ombro, até chegar ao meu ombro e afastou o cabelo, dando livre acesso da minha pele aos seus lábios.
— Stef… — murmurei – Você está perdendo o filme todo…
—Eu te disse, já vi esse filme – lembrou – Tenho uma coisa bem mais interessante para fazer, bem aqui.
— Bom, mas eu quero assistir ao filme – avisei – E você está aqui me atrapalhando.
— Tudo bem, vou deixar você ver o filme – prometeu.
E ele realmente deixou, mas só por um tempo, logo voltou a me beijar, exatamente como antes, tentei reclamar, mas foi inútil. Logo ele já estava deitado por cima de mim e me beijando profundamente, então eu comecei a abrir os botões da sua camisa enquanto ele começava a explorar as mãos por dentro da minha blusa.
Eu não estava usando sutiã, então quando ele tirou a peça de roupa, ele tirou a minha blusa, deixou os meus seios expostos. Stefan começou a beijá-los e não pude deixar de gemer baixinho quando ele começou a estimular os meus mamilos com a língua.
Logo começou a descer os lábios pela minha barriga até chegar ao elástico da minha calça de moletom. Antes que eu pudesse perceber ele já tinha arrancado junto com a minha calcinha e logo começou a brincar com o meu clitóris usando a boca, pelo jeito ele tinha mesmo gostado de fazer sexo oral.
— Stefan…! — gritei – Eu….
— Shhhh… — ele parou o que estava fazendo para falar, mas não me olhou enquanto isso. – Não pense em nada, vamos apenas aproveitar, exatamente como ontem a noite.
Ele continuou a estimular o meu ponto mais sensível até que eu chegasse ao clímax. Stef ficou dando vários beijos abaixo do meu umbigo enquanto minha respiração voltava ao normal.
— Você é louco – consegui falar algum tempo depois, rindo – Você sabia disso?
— Sim, eu sou mesmo louco, por você – admitiu – Tudo culpa sua, lembre-se de que foi sua ideia.
— Muito bem… — voltei a me sentar, o obrigando a fazer o mesmo – Agora é a minha vez.
— O que você pretende fazer? — quis saber.
— Você vai ver… — eu o fiz ficar com os dois pés no chão e retirei a sua camisa, que estava totalmente aberta – Agora fica quietinho ai…
Eu me ajoelhei a sua frente, abrindo o seu sinto e desabotoando a sua calça. Seu membro já estava ereto e eu o segurei, fazendo movimentos por toda a sua extensão, para cima e para baixo. Stefan gemeu, apertando o estofado do sofá.
— Care… — sua voz saiu levemente abafado, mas eu consegui ouvir – Isso é mesmo muito bom…
Decidi passar a língua pelo seu membro, meu amigo soltou um murmuro de aprovação, o que me encorajou a continuar, colocando apenas a pontinha na boca e o retirando em seguida. Continuei fazendo isso repetidas vezes e quando senti que ele já estava quase atingindo o orgasmo, parei tudo.
— O que? — reclamou, parecendo não acreditar no que eu tinha feito – Por que você parou.
— Não é assim que isso vai terminar, Stef – avisei.
Então eu me sentei no seu colo, fazendo com que seu membro me invadisse. Quando já estava totalmente dentro de mim, comecei a me mover lentamente e aumentando a velocidade quando Stefan colocou a mão na minha cintura para me auxiliar com os movimentos, também voltei a beijá-lo, para abafar os nossos gemidos.
Em algum momento ele tinha voltado a inverter as nossas posições, voltando a ficar por cima de mim no sofá. Não demorou muito para eu ter o segundo orgasmo daquela noite e mais algumas investidas depois foi a vez dele se derramar dentro de mim.
— Tudo bem, eu aceito… — disse, quando Stefan desabou completamente em cima de mim.
***
Quase meia hora depois e continuávamos na mesma posição de antes: eu no sofá e Stefan deitado por cima, a única diferença em que ele não está mais dento de mim. Os créditos finais de Velozes e Furiosos passavam lentamente na televisão e, sendo sincera, nem tinha prestado atenção no filme.
— Você acha que isso vai mesmo dar certo…? — decidi perguntar e meu amigo, que beijava o meu ombro nesse momento, parou para me encarar.
— Claro que vai dar certo, Caroline – ele garantiu – Acho que já deu para ver que somos bons nisso juntos.
— Eu não falo apenas do sexo – expliquei – Quero saber se essa amizade colorida não será mais prejudicial ainda para a nossa amizade.
— Não será, eu prometo – me deu um selinho e depois ficou me encarando — Mas é claro que, se você quiser mudar de ideia, vou entender perfeitamente.
— Não estou mudando de ideia – garanti – Acho que você tem razão, isso tudo é bobagem da minha parte.
— Agora que o filme acabou, o que você acha de irmos para o seu quarto? — sugeriu – Acho que já está na hora de um segundo round…
— Pensei que nunca fosse pedir isso – sorri.
Ele ficou de pé, mas antes que eu pudesse fazer o mesmo, Stefan já tinha me pego no colo. Apesar de ainda estar um pouco receosa sobre tudo que está acontecendo, tenho certeza de que tomei a melhor decisão a respeito da amizade colorida.
O “estrago” inicial já foi feito. Agora só nos resta continuar aproveitando.
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