Just One Night
16 Capítulo 15 – Despedida de solteira
Notas iniciais
Caroline
Me encarei no espelho mais uma vez. Tinha escolhido um vestido branco com grande flores azuis, sem manga e saia rodada batendo na altura do joelho, prendi a parte de cima do cabelo em uma trança, fiz uma maquiagem simples e uma sapato de salto em um tom nude, uma roupa perfeita para um evento durante o dia.
— Uau, Care… — me virei a tempo de encontrar Elena parada na entrada do meu quarto – Você está incrível!
Minha amiga estava usando uma blusa vermelha, uma calça e um tênis, além do seu cabelo estar preso em um rabo de cavalo. Ela também estava pronta para sair, embora não para o mesmo lugar que eu.
— Obrigada, Lena… — dei um sorriso sem graça, em agradecimento – Eu sou uma das madrinhas, não posso estar feia, não é mesmo?
— Pois eu tenho certeza de que você estará mais bonita até mesmo que a noiva – prosseguiu – Desculpe-me, eu não resisti em falar isso…
— Lena, eu sei que você ainda está magoada, apesar de tentar se fazer de forte – comentei – Mas o casamento vai acontecer, o Damon está feliz ao lado da Freya e você tem que lutar para ser feliz também.
Ela não disse nada, ela apenas caminhou até a minha mesa de desenho e segurou o convite do casamento do Damon e da Freya, onde na capa era possível ver uma foto dos dois abraçados e sorrindo.
— Eles realente formam um casal adorável – admitiu – Isso decididamente eu não posso negar.
— Eles realmente são adoráveis juntos – concordei – Acho que eu nunca vi duas pessoas tão perfeitas uma para a outra como o Damon e a Freya.
Elena soltou um longo suspiro e sentou-se na cadeira, que estava há poucos metros dela.
— Quando você me disse que o Damon tinha pedido a Freya em casamento, eu realmente temi por ela – continuou – Eu realmente temi que ele a magoasse, como fez comigo e como fez com a Davina Claire antes de mim. Mas talvez essa minha preocupação realmente tenha sido exagerada.
— O Damon errou, com você, com a Davina e qualquer outra que tenha vindo antes – afirmei – Mas ele mudou desde que conheceu a Freya. Acredito que todos merecem uma segunda chance e o Damon provou que mudou.
— Eu também errei, quando tentei separá-los há três anos – lembrou – Será que eu também mereço uma segunda chance?
Eu e Bonnie passamos vários meses tentando abrir os olhos dela e mostrando o quanto estava sendo infantil tentando separar o Damon e a Freya. E quando ela finalmente desistiu do seu “plano”, se mostrou bastante arrependida por tudo que fez.
— É claro que você merece uma segunda chance, Lena – respondi – Da mesma maneira que eu o Damon mudou depois que conheceu a Freya, você também mudou depois que conheceu o Liam. Você também parece feliz com ele.
— O Liam… — deu um sorriso sem graça – Não posso dizer que el seja o grande amor da minha vida, também não sei quanto tempo durará, mas garanto que vou continuar aproveitando, da maneira que já tenho aproveitado nesses últimos dois anos.
— O Liam não é um amor da sua vida? — a olhei, confusa – Isso é algo muito triste de se dizer, Lena.
— Não sou apaixonada pelo Liam, Care, acho que realmente nunca fui apaixonada por ninguém, mas eu gosto dele e estamos felizes do jeito que as coisas estão – explicou – Talvez um dia eu conheça alguém que me faça jogar tudo para o alto, mas, por enquanto…
— Não posso dizer que entendo – fiz uma careta – Mas eu respeito.
— Acredite, Care, eu estou feliz do jeito que estou – garantiu – Mas agora você diz: Como estão as coisas com Stefan?
Antes que eu pudesse responder, o toque do meu celular ecoou pelo ambiente. Como o telefone estava em cima da mesa, Elena acabou o pegando no meu lugar.
— Ora, parece até que estava esperando que eu falasse sobre ele – sorriu enquanto olhava o identificador de chamadas – É o Stefan… — me entregou o aparelho e eu pude verificar que ela estava certo quando vi o nome do meu amigo na tela.
— Desculpa, Lena, eu preciso atender – avisei – Espero que não se importe.
— Claro que não me importo, Care – garantiu – Pode atender.
— Obrigada… — agradeci antes de apertar o botão para atender a ligação – Stefan…
— Care!— nós não nos vemos pessoalmente há duas semanas e preciso admitir o quão bom é ouvir a sua voz – Acabei de deixar os pais da Freya no lugar do almoço de ensaio, quero saber se você já está pronta.
— Sim eu já estou pronta – afirmei – Mas você não precisa sair do restaurante só para me buscar. Posso muito bem ir de táxi.
— De maneira, nenhuma, Care— avisou – Você será madrinha desse casamento junto comigo, não tem nada a ver que você chegue ao almoço de ensaio sozinha. A Bonnie vai chegar aqui junto com o Enzo, o Alaric e a Lexi também chegaram juntos, é claro, e a irmã da Freya também vem com o namorado, você não será a única a chegar de táxi, eu não admito.
Revirei os olhos, sabia que qualquer coisa que eu dissesse, não iria convencê-lo, meu amigo consegue ser muito teimoso quando quer. Apesar disso não posso deixar de ficar aliviada também, as coisas entre mim e Stefan estão voltando ao normal.
— Tudo bem, Stef… — concordei – Em quanto tempo você chega aqui?
— Pode descer em quinze minutos— respondeu – Melhor você me esperar na entrada do prédio, assim não perdemos tempo.
— Perfeito! — completei – Vou estar lá embaixo te esperando.
Quando eu desliguei, Elena continuava ali me observando. Fiquei esperando qualquer comentário malicioso da parte dela, mas minha amiga, mas ela não falou nada.
— Bom, já vi que você está ocupada, não vou te atrapalhar mais… — disse, por fim – Também preciso ir, o Liam vai me buscar, vamos passar o final de semana em Nova York.
Eu e Bonnie conversamos e chegamos a conclusão de que não seria uma boa ideia que Lena estivesse em Los Angeles no final de semana do casamento do Damon, principalmente porque planjamos a despedida de solteira da Freya aqui para o nosso apartamento. Por sorte nossa amiga parecia pensar da mesma maneira e já tinha planejado viajar com o namorado.
— Um final de semana em Nova York… — observei – Parece bem romântico para mim.
— Eu realmente não esperava com isso, disse ao Liam que contentava com um final de semana na casa dos pais dele em Santa Barbara – deu de ombros – Mas ele veio com essa surpresa da viagem a Nova York.
Um novo toque de celular ecoou pelo ambiente, mas dessa vez era o de Elena, avisando a chegada de uma mensagem. Ela pegou o aparelho para lê-la.
— O Liam já está me esperando, tenho que chegar ao aeroporto em meia hora – avisou – Até segunda-feira, espero que você se divirta no casamento.
— Eu vou me divertir – garanti – Espero que você se divirta no seu final de semana romântico em Nova York.
— Espero que me divirta mesmo – riu – E mande um oi ao Stefan por mim, por favor.
Dei um aceno para ela antes de sair e fechar a porta. Quando me vi sozinha no quarto, soltei um longo suspiro e sentei na ponta da cama.
Não queria demonstrar nada na frente da Elena, mas aquela conversa com o Stefan ao telefone me fez lembrar da nossa conversa pessoalmente, há pouco menos de duas semanas.
*Flashback*
Estava um dia lindo, uma típica manhã ensolarada de domingo, sem nenhuma nuvem no céu, perfeita para andar de bicicleta e aproveitar o sol. Claro que eu não tinha esquecido da conversa que tive com as minhas amigas ontem a noite e que prometi chamar o Stefan para ser sincero com ele a respeito da nossa amizade colorida; por isso, liguei para ele antes de sair de casa e pedi que fosse me encontrar no parque.
— Care… — quando cheguei ao local combinado, meu amigo já estava lá – Se você tivesse me pedido, eu tinha ido te buscar. Estamos tão longe do seu apartamento.
— Tudo bem, Stefan, eu estava mesmo com vontade de pedalar hoje – garanti – Não foi o menor problema vir até aqui de bicicleta.
— Se você diz… — deu de ombros.
Ele se levantou do banco e veio até mim, me dando um beijo no meu rosto. Pelo menos Stef parecia ter aprendido a lição e não queria quebrar nenhuma outra regra de ouro.
— Você parecia tão preocupada no telefone mais cedo… — comentou – Confesso que isso, somado ao fato de você ter fugido de mim ontem a noite, me deixou bem preocupado. O que você teria para falar de tão importante comigo?
— Eu já disse, não fugi de você, precisava mesmo passar a noite em casa – insisti – As meninas estavam lá também e fizemos uma festa do pijama.
— Sendo assim eu também tenho algo para te falar – segurou uma das minhas mãos entre as suas – Care, eu pensei muito ontem a noite e…
— Espera, deixa eu falar primeiro… — pedi, acho que se eu o deixasse fala primeiro, perderia a coragem – Eu também pensei em algumas coisas, a respeito da nossa amizade, não só sobre a nossa amizade colorida, a nossa amizade e tudo que construímos nesses cinco anos e…
— Care, eu já entendi… — acariciou o meu rosto, com a intenção de me acalmar – Só me diz, que conclusão você chegou sobre a nossa amizade?
— Acho que, para o bem da nossa amizade, deveríamos acabar com essa amizade colorida – disse tudo rapidamente, mas sei que o Stefan tinha entendido – De uma vez por todas.
— Como é…? — ele aumentou o tom de voz, afastando as mãos da minha – Care…, você não pode…, eu pensei que estivéssemos nos divertido. Ontem mesmo você disse que isso tudo estava sendo bom para você também…, como pode ter mudado de ideia da noite para o dia.
— Estamos nos envolvendo muito, levando tudo para o lado sexual – expliquei – Isso pode acabar com a nossa amizade de uma vez por todas e eu nunca vou me perdoar se algo assim acontecer.
— Care… — tentou tocar no meu cabelo, mas eu apenas virei de costas.
— Você já infringiu uma das regras de ouro ontem, estamos levando essa amizade colorida para fora do quarto sem nem ao menos percebermos e não era isso que tínhamos combinado – continuei – O que vai acontecer se um de nós arranjar alguém? Como vamos separar as coisas novamente?
— Care, por favor, olha para mim… — fez com que eu voltasse a ficar de frente para ele, seus olhos estavam cheios de lágrimas – Eu prometo que vou começar me comportar, não vou quebrar nenhuma das regras de ouro, vou saber separar as coisas, só não acaba com a nossa amizade.
— Não estou acabando com a nossa amizade, Stef, apenas com isso aqui que está acontecendo – dei de ombros.
— Eu tenho tantas coisas para aprender com você… — insistiu.
— Stefan, acredite em mim, você não tem mais nada que aprender – foi impossível não dar uma risada nervosa – E essa é a hora de você provas isso, encontre alguém novo, passe uma noite com ela e prove que pode ser tão bom quanto é comigo – confesso, a ideia de vê-lo com outra ainda me deixa com o estômago, mas nós não somos namorados, nunca seremos, uma hora eu preciso “desapegar” e é melhor fazer isso o mais rápido o possível.
— Eu não quero passar a noite com outra, pelo menos não agora – declarou – Eu…, eu não sei se sou capaz…
— Sim, você é capaz – afirmei.
Ele segurou a minha mão, entrelaçando os nossos dedos e, em seguida, encostando a testa contra a minha.
— Talvez seja difícil das coisas votarem ao normal, mas nós somos amigos, vamos conseguir isso – sussurrei – Eu te darei o tempo que for preciso para isso.
— Você tem certeza de que é isso mesmo que você quer? — perguntou.
— Sim, é exatamente isso que eu quero – afirmei, voltando a me afastar dele – Agora eu preciso ir, a gente se fala depois.
— Claro, a gente se fala depois… — concordou – Amiga…
— Eu te ligo amanhã ou mando um e-mail – dei de ombros – Só não vamos perder o contato.
— Nunca… — negou a cabeça.
Eu dei um beijo no seu rosto, bem perto do canto dos lábios e voltei a montar a minha bicicleta. Eu, sinceramente, não sei como as coisas ficaram, mas eu fiz o que tinha que ter feito.
*Fim do Flashback*
Apesar de não ter me arrependido da decisão que eu tomei de colocar um fim naquela amizade colorida, confesso que também temi que esse ato me fizesse perder o contato com o Stefan de uma vez por todas. Nessas últimas duas semanas temos nos comunicado apenas por e-mail e todos em um tom bem formal, nenhum telefonema, nenhum convite para almoçar, nada…
Por sorte, essa nossa conversa de alguns minutos deu a impressão de que as coisas estão normais como eram há dois meses, antes dessa história de virgindade de amizade colorida começarem. Esse almoço provará como estão as coisas entre nós e eu realmente espero que esteja certa.
***
— E o que vocês estão planejando para a despedida de solteira da Freya? — já estávamos no carro de Stefan a caminho do restaurante quando ele me perguntou – Deixe-me tentar adivinhar: vocês vão fazer uma festa cheia de bebida alcoólica e com aqueles garçons que só usam sunga e uma gravata borboleta?
— O nome é gogo boy, Stefan – foi impossível não rir desse comentário dele – Mas, apesar de ser uma ideia tentadora, não, nós não faremos uma festa com o gogo boy.
— Então qual é o plano? — insistiu em saber – Por favor, só não me diga que é ago envolvendo garotos de programa, por que não eu não quero saber se for isso.
— Relaxa, se fossemos fazer uma festa com garoto de programa, eu não te contaria – brinquei – Mas, se você está tão curioso, eu vou contar: vamos fazer uma espécia de festa do pijama: eu, a Bonnie, a Freya, a Lexi, a Cristina, a Emma, a Rebekah e acho que uma cunhada da Freya deve ir também, o nome dela é Hayley, se eu não me engano.
— Uma festa do pijama? — pareceu decepcionado com a minha resposta – Pensei que vocês fossem fazer algo mais animado. Estou começando a desconfiar que vocês farão uma festa com gogo boys e garotos de programa e só está querendo me enrolar…
— Essa é a mais pura verdade, Stefan – garanti – Vamos fazer uma mistura de chá de lingerie com festa de pijama, vamos dar presentes para a Freya usar na lua de mel, faremos brincadeiras e até mesmo falar algumas coisas constrangedoras sobre os noivos.
— Parece interessante… — completou, dando de ombros.
— E quanto a vocês, quais são os planos para a despedida de solteiro do Damon? — foi a minha vez de perguntar – Só devo lembrá-lo que, se fizerem qualquer coisa que possa fazer o Damon desistir do casamento, vocês vão ter que se entender com a Freya.
— Relaxa, Care, não quero evocar a fúria da minha querida futura cunhada – revirou os olhos – Eu, o Enzo e o Alaric estamos planejando isso há alguns meses, vamos apenas levá-lo para beber. O Marcel, que é o outro padrinho também irá e, provavelmente, três dos cinco irmãos da Freya.
— Também parece bem divertido – repeti as suas palavras – Freya sempre fala muito de todos os seus irmãos e da sua irmã, vai ser bom finalmente conhecê-los.
— Só espero que eles sejam mais animados que os pais dela – meu amigo comentou – Eu os levei para o restaurante agora a pouco e eles são tão sérios…
— Freya sempre falou que os pais dela são assim mesmo e parece que o irmão mais velho dela não é muito diferente dos dois – lembrei de uma das várias conversas que tive com ela – Mas os outros irmãos, parece que são mais relaxados, bem mais tranquilos.
— Isso é o que vamos ver – completou.
Fiquei distraída olhando a passagem pela janela e quando o carro parou no sinal vermelho, senti uma das mãos de Stefan no meu cabelo. Gesto que fez com que eu me virasse para ele.
— Como é que estão as coisas nessas duas últimas semanas, Care? — ele finalmente me questionou – A gente mal tem se falado desde… desde…
— Desde a nossa conversa no parque… — completei a sua frase – Sim eu sei, a gente mal se falou mesmo… Bom, eu estive bem ocupada ajudando a Emma com o vestido da noiva e com os vestidos das madrinhas, e também precisamos fazer os vestidos de damas de honra das filhas da Lexi, que nós tínhamos esquecido.
— Parece que foram dias bem atarefados mesmo – concordou – Sua sorte que o casamento já é amanhã e você vai poder descansar.
— Sim, eu estou precisando mesmo disso – afirmei – Mas e você o que tem feito?
— Também andei muito ocupado com as reuniões na agência – respondeu – O que até foi bom por que eu não sei como teriam sido esses dias sem você perto de mim;
A sua mão, que estava no meu cabelo, passou para o meu rosto. Queria dizer para ele que era melhor se afastar de mim, mas eu simplesmente não tinha forças para isso.
— Stefan…- minha voz saiu em um sussurro – Eu também não gosto de ficar longe de você, você é meu melhor amigo e essas duas semanas quase se notícias, não foram fáceis para mim também.
— Não só por esse fato, Caroline, claro que o fato de sermos melhores amigos é importante, mas… — soltou um longo suspiro – Care, eu preciso te contar uma coisa.
Antes que eu pedisse que ela continuasse, começamos a ouvir um som de buzina vida do carro parado atrás de nós. O sinal tinha aberto e estávamos tão distraídos que nem ao menos reparamos.
— Acho melhor conversarmos sobre isso depois – avisei.
— Tem razão – afastou´-se comigo e arrancou com o veículo – Nós já estamos chegando ao restaurante, só mais alguns minutos.
— Ótimo… — completei.
***
Ocorreu tudo bem no almoço de ensaio. Passei a maior parte do tempo conversando com Bonnie e Rebekah, ela era mesmo muito simpática e lembrava muito a irmã mais velha, nós até mesmo acabamos tendo ideias para a despedida de solteira da Freya hoje mais tarde.
Stefan se sentou do lado oposto a mim a mesa e não parou de me encarar por nenhum instante. Confesso que estou curiosa para saber o que ele tinha para falar comigo no carro, mas, por outro lado, não sei se quero realmente ouvir.
— Care… — a voz de Bonnie me tirou dos meus devaneios – Care, você está nos ouvindo?
— Desculpa, eu estava distraída – confessei, voltando a me virar para elas – Sobre o que vocês estavam falando?
— A minha ideia é que, depois de todas as brincadeiras, a gente pode assistir a um filme – foi Rebekah quem respondeu – Algo bem leve, uma comédia romântica, que vai até mesmo ajudar a Freya a relaxar para o grande dia amanhã.
— E eu sugeri que a gente assista “Missão madrinha de casamento” — minha amiga continuou – Que tem tudo a ver com o assunto atual.
— Acho uma excelente, vamos fazer isso – concordei.
Depois da sobremesa e dos brindes dos noivos e de alguns padrinhos, chegou ao fim do almoço de ensaio e todos começamos a sair do restaurante.
Para a minha sorte, Stefan ficou encarregado de levar os pais e o irmão caçula da Freya de volta para o hotel e eu acabei pegando uma carona com o Enzo, que deixou a mim, Bonnie e Rebekah para podermos arrumar tudo para a festa de hoje a noite. Claro que eu não poderia fugir do meu amigo para sempre, mas por enquanto eu e poderia continuar tranquila.
***
Apesar de toda a dificuldade, nós três conseguimos retirar o sofá e a mesa de centro da sala para colocar alguns colchões infláveis que tínhamos guardados na dispensa; perto das seis horas os salgadinhos e o sanduíche de metro que encomendamos na padaria chegaram e colocamos as bebidas para gelar e verificamos se tinha sorvete o suficiente para todas nós. Logo depois disso, Rebekah voltou para o hotel para se arrumar e eu e Bonnie decidimos fazer o mesmo.
— Como eu estou…? — cheguei a sala já vestindo o meu pijama, vestimenta que declaramos obrigatória na noite de hoje, dei uma voltinha para que minha amiga pudesse ver a roupa por completo.
— Está maravilhosa! — Bon afirmou – E quanto a mim? — ela imitou um meu gesto.
— Está incrível também – respondi – Bom, acho que as garotas já devem estar chegando. O que acha de já colocarmos uma música para animar o ambiente?
— Farei isso agora mesmo… — me mostrou o celular e o acoplou no som portátil, fazendo com que o ambiente fosse preenchido por uma música bem animada – Melhor?
— Muito melhor! — concordei.
Eu soltei um longo suspiro e foi me sentar em uma das cadeiras que tínhamos na sala; elas e as mesas foram as únicas coisas que não retiramos por serem pesadas demais e por não ter nenhum outro lugar no apartamento grande o suficiente para colocarmos tudo.
— Você acha que a Elena está bem lá em Nova York com o Liam? — decidi perguntar, todo esse clima de festa do pijama fez com que eu me lembrasse dela imediatamente.
— Como você mesma disse, ela está em Nova York, com o namorado – lembrou – Tenho certeza de que está muito bem e vai se divertir mais do que nós hoje a noite.
— Quanto a isso eu não posso discordar – tive que rir daquele comentário – A Elena sempre sabe como animar uma festa do pijama, seria bem legal tê-la aqui conosco.
— Sim, ela sabe mesmo, só consigo lembrar das festas do pijama que fazíamos lá em Mystic Falls – concordou – Mas essa é a despedida de solteira da Freya, não podemos convidar alguém que ela claramente não quer por perto.
— Sim, Bonnie, eu sei disso – falei – Eu só queria que as coisas tivessem sido diferentes, a Elena e a Freya teriam sido boas amigas se não fosse toda essa confusão envolvendo Damon.
— Mas agora é hora de parar de se lamentar – pediu – Hoje é dia de festa, temos que ficar animadas, até porque daqui a pouco estão todas chegando.
— Tem razão! — me levantando e abrindo um enorme sorriso no rosto.
***
A primeira a chegar foi Rebekah, ela estava acompanhada de Hayley, a quem eu tinha sido apresentada hoje no almoço de ensaio e uma loira que mais cedo estava acompanhada de um dos irmãos da Freya, Klaus, eu acho.
— Olá, meninas – ela cumprimentou a mim e a Bonnie – A Hayley vocês já conheceram, é a namorada do Elijah e essa é a Camille, namorada do Nik.
— Oi, Camille – eu a cumprimentei e ela agradeceu com um sorriso tímido.
— Essa é a pequena Hope, minha primeira sobrinha – colocou uma das mãos sob a barriga de Camille, só agora que eu percebi que estava mais maior do que o normal, ela devia estar com uns quatro ou cinco meses de gestação.
— Ora, isso é maravilhoso – comentei – Meus parabéns…
— Obrigada… — ela voltou a sorrir – Confesso que estava um pouco temerosa, Klaus e eu estamos juntos há apenas alguns meses e os pais dele parecem um pouco tradicionais, mas acabaram aceitando tudo muito bem, todos os irmãos deles aceitaram, e ontem a noite nós contamos as novidades para a Freya e o Damon, que também amaram a notícias.
— Eu admito pensei que meu primeiro sobrinho viria do Finn, que já está casado há três anos, ou até mesmo da Freya, que sempre teve instinto maternal – Rebekah continuou – Mas Niklaus passou a frente de todos e essa garotinha, com certeza, será muito amada e mimada.
— Com seis tios babões, ela será mesmo – brinquei – Bom, vamos entrando, todas podem se sentar nos colchões espalhados pelo chão e Camille, você pode se sentar em uma das cadeiras.
— Eu vou pegar alguma coisa para bebermos – Bonnie avisou.
Nós ficamos ali conversando e bebendo por mais ou menos dez minutos, até que a campainha tocasse novamente. Dessa vez eram Emma e Cristina.
— Obrigada por nos convidar para a despedida de solteira, Caroline – minha costureira falou.
— Ora, não foi nada demais – garanti – Você e a Cristina participaram de tudo tanto quanto nós e também estarão na cerimônia amanhã – lembrei.
Poucos minutos depois, antes mesmo que eu pudesse fechar a porta, foi a vez da Lexi sair de dentro do elevador.
— Oi, Caroline… — ela me cumprimentou com um abraço e um beijo no rosto – Hoje as crianças ficaram com uma babá até que o Ric volte da despedida de solteiro do Damon e depois vai ficar cuidando deles até o final da noite. Eu quero mais é aproveitar.
— Por que você não trouxe as meninas com você, Lexi? — foi Cristina quem perguntou – Elas são tão fofinhas, certamente se divertiriam muito aqui hoje.
— Em uma festa do pijama/despedida de solteira/chá de lingerie? Achei melhor não trazê-las para cá – fez uma careta – Elas estão bem com o irmão e a babá, além disso, o Ric irá deixá-las aqui cedo para poderem se arrumar para o casamento.
— Bom, agora que estamos todas aqui, menos a noiva, podemos começar a nos divertir – avisei – A noite é uma criança e está apenas começando.
— É isso ai! — todas as outras disseram ao mesmo tempo.
***
Freya ainda levou meia hora para chegar nesse ponto já estávamos todas, com exceção de Camille, levemente bêbadas.
Primeiramente fizemos uma brincadeira para que ela acertasse a cor das lingeries que tínhamos comprado para ela usar na lua de mel (oito, uma de cada uma de nós) e depois tentar adivinhar quem foi que deu cada uma das peças e cada item que errasse, precisava tomar um gole de marguerita. Logo depois fizemos um jogo de perguntas e respostas para saber se ela conhecia bem o Damon.
— Isso é ridículo… — Freya reclamo, revirou os olhos – Como é que eu ia saber qual era o nome do primeiro animal de estimação do Damon? Pelo menos eu sei que era um peixinho dourado e que ele morreu por excesso de comida.
— Mas não sabe o nome… — Bonnie avisou – E isso que era importante.
— Onde foi que você descobriu essas coisas, Bon? — quis saber – Damon nunca foi de falar tanto da infância dele, nem mesmo comigo, como deu para perceber.
— Foram apenas algumas coisas que eu arranquei do Damon enquanto trabalhávamos juntos na campanha do parque aquático – deu de ombros enquanto respondia – Acho que ele nem tinha ideia do que para que era, mas, mesmo assim, ele falou. E Freya, você errou, então, vai bebendo.
— Certo… — revirou os olhos antes de beber mais um gole – Agora chega de falar de mim, todas aqui tem namorado, ou, no caso, da Lexi, marido, vamos falar de vocês.
— Eu não tenho namorado… — lembrei.
— Você tem o Stefan, que é quase a mesma coisa – me corrigiu – Essa história de amizade colorida é só uma desculpa para vocês não admitirem que se amam, então sim, eu incluo vocês dois na categoria “namorados”.
— Espera, você está falando daquela cara que levou os seus pais e depois chegou a Caroline? — Hayley quis saber – Ele que é o seu namorado, Caroline? Por que ele é um gato…
— Ele não é meu namorado… — corrigi, mais uma vez – Somos apenas amigos.
— Eles são amigos com benefícios – Freya explicou – Os dois sentaram um longe do outro hoje por um motivo que eu não sei qual foi, por isso vocês não viram como eles são fofos juntos.
— Nós não somos mais amigos com benefícios – decidi ser sincera logo de uma vez – Decidimos acabar com a nossa amizade colorida, há algumas semanas já.
— Mas por que? — ela lamentou – Foi por causa do que aconteceu naquele dia no pub.
— Eu e o Stefan achamos que era melhor assim – soltei um longo e pesado suspiro – Continuamos melhores amigos e é isso que importa.
Um silêncio se instaurou nos segundo seguintes e foi interrompido apenas pelo som de um celular que reconheci imediatamente como sendo o meu. Já tinha passado da meia noite, quem poderia estar me ligando naquela hora?
— E por falar em Stefan… — todos os telefones estavam no móvel perto da televisão e Bonnie, que era a mais perto, o pegou – É ele… — virou o aparelho na minha direção, apesar de eu estar longe demais para conseguir olhar o identificador de chamadas.
— O Stefan…? — achei aquilo muito estranho, será que tinha acontecido alguma coisa na festa? – Por que será que ele está me ligando?
— Isso é fofo demais, Care… — Freya comentou – Ele está no meio de uma despedida de solteiro, mas achou tempo para te ligar.
— Você vai atender ou não? — Bon quis saber.
— Deixa eu entender – me levantei e fui até a minha amiga para pegar o celular – Pode ser algo importante.
***
— Stef…? — fui até o meu quarto para poder falar com o meu amigo com mais privacidade – Está tudo bem? Por que você está me ligando?
— Care…— sua voz estava totalmente enrolada, sinal de que estava bêbado, mais até do que eu ou qualquer uma das meninas – Care, como é bom ouvir a sua voz…
— Stefan, por favor, me diga onde você está? — pedi – Você não está falando coisa com coisa e está me deixando preocupada…
— Eu nunca estive tão bem como estou agora, Care— garantiu – E não precisa se preocupar, eu estou aqui no bar, junto com o Damon e os outros caras, onde eu disse que estaria hoje a noite.
— Certo… — sentei na ponta da cama, sem deixar de me sentir um pouco mais aliviada – Mas por que você está me ligando, então?
— Estamos em uma mesa repleta de bebidas, o bar tem uma mesa de sinuca onde o Enzo já perdeu para o Damon umas cinco vezes, nós falamos um pouco sobre a nova vida de casado do meu irmão e agora estão todos falando sobre as suas namoradas, noivas ou esposas— explicou – Foi então que eu percebi que eu não tenho ninguém especial de quem falar.
— Sinto muito, Stef… — lamentei – Mas você sabe que não tem ninguém porque não quer, você pode arranjar uma namorada bem fácil.
— Mas eu não quero uma namorada qualquer, Caroline!— elevou um pouco o seu tom de voz – Eu quero você, Care! Eu te amo!
O Stefan disse que ama? Não…., isso não pode acontecer, eu e o Stef somos apenas amigos, não podemos nos apaixonar. Isso é errado, de muitas formas…
— Stef, você está bêbado… — lembrei, essa era a única explicação – A gente conversa melhor amanhã, quando você estiver sóbrio.
— Não quero conversar amanhã, Caroline, quero conversar agora!— reclamou – Eu te amo! Será que é tão difícil assim de entender?
— Sim, Stefan, é difícil – tentei usar o tom mais frio que eu consegui – Agora eu preciso ir, as meninas estão me esperando lá na sala.
Então eu desliguei, antes mesmo que meu amigo pudesse falar qualquer outra coisa.
***
Quando voltei para a sala estavam todas conversando normal e animadamente. Por sorte, ninguém me perguntou sobre a conversa com o Stefan, não estava preparada pra falar sobre isso.
— Care, estamos pensando em assistir logo o filme e depois dormirmos – Bonnie comentou – Amanhã todas teremos um dia cheio, afinal.
— Sim, é uma boa ideia – concordei.
Claro que as palavras do meu melhor amigo ainda ecoavam na minha cabeça, mas tentei não pensar mais nisso pelo restante da noite. Amanhã nos conversaríamos e eu resolveria esse mal entendido de uma vez por todas.
Fale com o autor