Just One Night
17 Capítulo 16 – Despedida de solteiro
Notas iniciais
Stefan
*Flashback*
— Acho que estou me apaixonando pela Caroline… — essas palavras estavam presas na minha garganta e era mesmo um alívio finalmente poder falar aquilo em voz alta.
Fiquei esperando que meu irmão dissesse alguma coisa, até mesmo que não era uma novidade e que ele sabia disse há cinco anos. Mas Damon permaneceu em silêncio, apenas me encarando.
— Você não vai falar nada? — finalmente perguntei – Damon, você mesmo acabou de dizer que sabia que eu precisava desabafar e agora está ai, quieto.
— O que você quer que eu diga, irmãozinho? — deu de ombros – Você ama a Caroline, certo… Mas não era exatamente para mim que você deveria falar isso. Não acha?
— Eu não posso simplesmente falar isso para ela – admiti – Não era isso que queríamos e sei que não é isso que a Caroline quer escutar de mim.
— Eu odeio dizer isso, mas: eu avisei… — ele estava com um sorriso convencido no rosto – Mentira, eu não odeio dizer isso; estou adorando toda essa situação…
— Muito engraçadinho, Damon… — revirei os olhos e me sentei em uma das poltronas, bem em frente ao meu irmão – Era para você estar me ajudando e não piorando toda a situação.
— Stef, essa amizade colorida de vocês não poderia acabar de uma forma diferente – continuou – Era só uma questão de tempo até um dos dois se apaixonar.
— Será que eu devo te lembrar que foi você quem me deu a ideia de propor uma amizade colorida para a Caroline? — observei.
— Eu estava tentando ajudar vocês dois – explicou – Não sei qual de vocês dois é mais cabeça dura e achei que estarem em um relacionamento poderia dar um empurrãozinho para fazerem admitir o que sentem e funcionou, pelo menos com você.
— Eu sou virgem…, ou melhor…, eu era virgem… — Damon estava bebendo um gole do seu whisky e quase se engasgou depois da minha revelação.
— Como é que é? — praticamente gritou nesse momento – Stefan Salvatore, você vai me explicar essa história direitinho… Como assim você era virgem? A Caroline foi a sua primeira? Foi isso mesmo que eu entendi?
— Exatamente isso – afirmei – Não era exatamente um segredo, mas a Care acabou descobrindo enquanto brincávamos de “eu nunca”, naquele final de semana em Santa Bárbara. Ela primeiro disse que me ajudaria a encontrar alguém para que eu perdesse a virgindade e depois sugeriu que fosse com ela.
Meu irmão não disse nada, apenas ficou esperando para que eu prosseguisse com o meu relato.
— Era para ter sido apenas aquela noite, ela resolvia o meu “problema” e voltaríamos a ser os melhores amigos, mas as coisas saíram do controle e o resto…, você já sabe – soltei um longo suspiro quando acabei de falar – A Caroline nunca sentiu nada por mim que apenas um simples amizade e está lutando para que as coisas continuem assim.
— Stefan, vamos esclarecer as coisas de uma vez por todas: “apenas amigos”, não andam de mãos dadas para lá e para cá ou fazem gracinhas um com outro, não dormem na mesma cama e, principalmente não transam um com outro, mesmo que seja apenas para ajudar um deles a perder a virgindade – enumerou – Então, meu caro irmão, vocês dois nunca foram apenas amigos e não será agora que vocês vão conseguir isso.
Eu já estive apaixonado antes, ou melhor achei que estivesse apaixonado – admiti – Foi na época da faculdade.
— E o que foi que aconteceu? — ele quis saber – Bom…, levando em consideração que você ainda era virgem há pouco mais de um mês atrás, imagino que não tenha sido tão bem-sucedido.
— Eu me declarei para ela – expliquei – E ela disse que eu era um cara legal, mas que ela gostava de outro cara.
— Uma completa idiota, se quer saber a minha opinião – Damon reclamou – Como ela pode preferir um idiota qualquer e dispensar um Salvatore legítimo como você. Essa garota não devia ter o juízo perfeito.
— Ela teve um “Salvatore legítimo” de qualquer maneira – imitei a sua expressão – Esse outro cara de quem ela gostava era você.
— Bom…, continua não sendo muito ajuizada, levando em consideração como eu era naquela época – revirou os olhos – Quem era a garota? Por favor só não me diga que a Freya ou vamos ter alguns problemas.
— Relaxa, Damon, não é da Freya que eu estou falando – deixei bem claro; eu já tinha problemas o suficiente na minha vida e não preciso que meu irmão pense que eu já estive apaixonado pela futura esposa dele.
— Então quem pode ser… — colocou a mão no queixo, pensativo – A lista é bem grande, mas eu posso ficar aqui o dia inteiro.
— Esquece isso, Damon – pedi – Eu nunca mais vi essa garota e acho que ela nem mora mais aqui em Los Angeles. Isso não é importante.
— Tudo bem, eu entendi – concordou – Agora eu vou te falar uma coisa reconfortante: a Caroline não está a fim de mim, acredite, eu já tentei e ela me rejeitou; então não tem a menor possibilidade dela querer te trocar por mim.
— Idiota – revirei os olhos, mas também não pude deixar de rir daquele comentário.
— Cara, se olha no espelho, você é Stefan Salvatore – lembrou – Você superou o fato de perder os pais com apenas 11 anos, começou a administrar a agência da nossa família praticamente sozinho com apenas 17 anos, foi basicamente quem ficou ao meu lado todos esses anos e não me deixou desistir; agora está me dizendo que está com medo de dizer para a sua melhor amiga que você a ama?
— Estou mesmo com medo, eu não nego – disse – E o principal motivo é que a Caroline pode pensar que eu só estou falando isso porque estamos dormindo juntos. Ela pode pensar que eu estou confundindo amor com tesão.
— E você está? — perguntou.
— É claro que não – neguei – Não é apenas pelo sexo. Caroline é uma mulher incrível, ela é forte, decidida, corre atrás do que quer e está sempre ajudando aqueles de quem gosta; sendo nem sincero, não sei como não percebi que a amo antes.
— E mais uma vez eu digo: não é para mim que você deveria falar essas coisas – insistiu – Diga a ela tudo isso que você acabou de me falar, tenho certeza de que ela acaba com esse discurso de “somos apenas amigos” na mesma hora.
— E acha que eu deveria ir lá no apartamento dela falar tudo isso agora? — para falar a verdade, estava doido para que meu irmão respondesse que sim, eu tinha medo de perder a coagem se deixasse para o dia seguinte.
— Agora não, já está tarde, ela já pode até estar dormindo – disse – Deixe para fazer isso amanhã, ligue para ela e combinem de se encontrar, assim vocês podem conversar com bastante calma e paciência.
— Certo… — soltei um longo suspiro, espero mesmo que ele esteja certo.
— Bom, acho que agora eu preciso de um pouco mais de whisky – avisou enquanto se levantava e mostrava o copo vazio – Você também quer um pouco de whisky, Stefan?
— Oh sim…! — afirmei enquanto também me levantava – Depois da noite de hoje, acho que tudo que eu preciso é de uma bebida forte antes de dormir.
*Fim do Flashback*
Fiquei repassando essa conversa com o meu irmão na minha mente milhares de vezes nessas últimas duas semanas.
Eu estava disposto a seguir os concelhos do meu irmão quando Caroline me ligou marcando um encontro no parque e estava verdadeiramente animado para me declarar, mas em vez disso recebi um banho de água fria… Ela decidiu colocar um fim na nossa amizade colorida e disse que o melhor que eu tenho a fazer no momento era encontrar uma garota para namorar; eu tentei argumentar, mas não adiantou.
Qualquer um já teria desistido depois dessa, mas eu tenho certeza de que eu e Caroline temos futuro. Não estou preparado para jogar a toalha.
— Com licença… — Damon estava parado na entrada do meu quarto e deu uma batida tentando chamar a minha atenção – E ai, irmãozinho…
— Damon… — me sentei enquanto acenava para ele, monotonamente – Pensei que você fosse passar a tarde com a Freya hoje… — em virtude do casamento do meu irmão amanhã e do almoço de ensaio hoje, decidimos que não abriríamos a agência hoje.
— Eu até queria, mas a Freya disse que precisava passar no laboratório, para ter certeza de que as coisas ficarão bens na sua ausência – revirou os olhos – E quando mais tarde são as despedidas de solteiro e amanhã ela deve ficar o dia inteiro se arrumando com as meninas… Em resumo: só devo vê-la novamente no altar.
— Difícil… — ri – Mas pensa pelo lado bom, a saudade vai ser maior quando vocês se reencontrarem amanhã.
— Essa a maior mentira que as pessoas contam, irmãozinho… — revirou os olhos – Acho que eu nem mesmo vou conseguir dormir direito hoje a noite.
— Nós vamos beber bastante na sua despedida de solteiro, Damon – lembrei – Garanto que você dormirá muito bem hoje a noite.
— Talvez você tenha razão – concordou enquanto caminhava para sentar na ponta da minha cama – Mas agora me diga, Stefan, o que você achou do almoço de ensaio hoje?
O almoço de ensaio não foi um grande evento, apenas para os familiares dos noivos e os padrinhos. Tudo muito simples.
— Foi bem legal… — respondi – Interessante finalmente conhecer a família da Freya, nós já a conhecemos há tantos anos.
— E como foi com a Caroline? — voltou a perguntar – Essa foi a primeira vez que vocês se viram desde a conversa no parque, certo?
Obviamente eu contei para o meu irmão sobre a minha conversa com Caroline no parque e ele foi o que mais me deu apoio sobre não desistir. Disse que se era mesmo isso que eu queria, devia mais era correr atrás mesmo.
— Eu tentei contar para ela a respeito de como eu me sinto – expliquei – Mas nós estávamos no carro e o sinal abriu, então depois eu não tive a oportunidade de falar com ela em algum outro momento do almoço.
— Sinto muito, irmão… — lamentou – Mas…, eu tenho certeza de que terá uma oportunidade perfeita para vocês conversarem, lá no casamento.
Soltei um longo suspiro sem dizer nem uma palavra a mais. Espero mesmo que meu irmão esteja certo.
— Quero te pedir um favor – continuou.
Antes que eu pudesse perguntar o que ele queria, Damon jogou uma caixinha de veludo azul. Curioso eu a abri, dentro tinha dois anéis de ouro branco e um deles com uma pedinha em cima, dentro dele estava escrito D&F e a data de amanhã.
— São as alianças do casamento – aquilo era bem óbvio, mesmo assim ele me explicou – Eu tinha mandado gravar e fui buscá-la hoje quando deixei a Freya na UCLA.
— São bonitas – falei – Tenho certeza de que Freya vai amar as alianças que você escolheu.
— Você é um dos meus padrinhos e eu quero que você fique com elas até a hora do casamento – pediu, por fim – Estou confiando essa função importante para você.
— Eu entendo, Damon – afirmei – E estou mesmo muito honrado que você esteja confiando a mim essa função tão importante.
Coloquei a caixinha em cima da mesinha, onde ficaria até a hora de ir para a igreja amanhã.
— Por favor, Stefan, não esqueça delas – implorou – Se você não estiver com as alianças amanhã a Freya vai querer me matar e eu vou falar que eu a culpa é toda sua.
— Pode ficar tranquilo, irmão – garanti – Vou guardar essas alianças com a minha vida.
***
O restante da tarde passou tranquilamente. Em algum momento pensei que ligar para a Caroline, mas sabia que ela estava ocupada planejando a festa do pijama/despedida de solteira da Freya, que seria no apartamento dela, além disso, essa conversa não poderia ser por telefone e sim pessoalmente.
Exatamente as seis e meia da tarde, eu já estava pronto para irmos ao bar onde seria a despedida de solteiro do meu irmão.
— Stef, vamos… — meu irmão me chamou – O Enzo me mandou uma mensagem avisando que já está lá no bar.
— Sim, vamos – concordei enquanto deixava uma foto de Caroline, que eu estava olhando, em cima da mesa – O convidado de honra não pode se atrasar.
— Exatamente, irmão… — completou e só então olhou o que eu estava fazendo anteriormente – Sabe, Stefan, se não der certo essa coisa com a Caroline, você pode seguir o concelho dela e procura outra.
— Engraçadinho – revirei os olhos.
— Mas eu estou falando sério, Stef – garantiu – Tem umas amigas da Freya, lá da faculdade estarão amanhã no casamento, posso te apresentar alguma delas.
— Não, obrigado – respondi.
— Stefan, eu estou falando sério – insistiu – E são todas bem bonitas, tenho certeza de que você irá me agradecer depois.
— Eu vou te agradecer quando chegarmos a sua despedida de solteiro – lembrei – Agora vamos… — eu sai do quarto e percebi que meu irmão fazia o mesmo, vindo atrás de mim.
***
Como beberíamos hoje a noite, decidimos ir para o bar de táxi. Quando chegamos, não só Enzo já estava lá, mas também o Alaric, que avisou que tinha chegado apenas alguns minutos antes de nós.
Nós os cumprimentamos e nos juntamos a eles na mesa. Apesar de estarmos na sexta-feira, o bar não estava muito cheio, mas como ainda está no inicio da noite, com certeza o local deve encher mais depois.
— E a essa hora a festa das meninas deve estar começando também – Enzo comentou, dando uma olhada no relógio de pulso – Quando eu deixei a Bonnie e a Caroline, as duas estavam bem empolgadas com todos os preparativos.
Fiquei ligeiramente incomodado ao ouvir o nome da Caroline, mas não podia me deixar me abalar. Hoje é dia de festa e não posso estragar a despedida de solteiro do meu irmão.
— Caroline comentou comigo sobre o que estavam planejando para a despedida de solteira da Freya – comentei, por fim – Ela parecia mesmo bem empolgada.
— E como é que estão as coisas entre você e a Caroline? — ele perguntou em seguida, me pegando totalmente de surpresa – Vocês já estão namorando oficialmente ou continuam negando e dizendo que são apenas amigos?
— Eu e a Caroline somos apenas bons amigos – garanti – E não estamos negando coisa nenhuma.
— O que acha de mudarmos de assunto? — para o meu alívio, Damon sugeriu – Isso é uma despedida de solteiro, é o meu último dia de “liberdade”, vamos beber.
— Sim, vamos beber – Alaric concordou com ele.
Nós chamamos o garçom e pedimos as cervejas. Logo depois dele trazer os nossos pedidos, vimos quatro pessoas se aproximando da nossa mesa: três deles eu reconheci como irmãos da Freya e o outro eu imaginei ser o namorado da irmã dela, pois estava ao lado dela no almoço hoje.
— Ora, finalmente vocês chegaram – meu irmão já foi se levantando e os cumprimentou – Deixe-me fazer as apresentações, caso tenha esquecido de fazer isso: esses são meus futuros cunhados, Elijah Klaus e Kol, e esse e namorado da Rebekah, minha também futura cunhada, Marcel – foi apontando a medida que falava os nomes – E esses são Enzo e Alaric, meus amigos e padrinhos e meu irmão caçula, Stefan.
Todos os nos cumprimentaram. Nós pedimos mais cerveja e logo todos estávamos bebendo e rindo.
— Olha lá, Damon, uma mesa de sinuca… — Enzo comentou, mostrando a mesa, que nesse momento estava vazia – O que acha de um joguinho? Pelos velhos tempos…
— Eu topo – concordou – Vou acabar com você, exatamente como era na época da faculdade.
— Isso é o que veremos… — eles não se sentiu ameaçado – Pois saiba que eu ainda treinando desde que jogamos pela última vez.
***
Pelo jeito o treino de Enzo todos esses anos não fez muita diferença. Meu irmão já tinha ganho três vezes seguidas quando as pessoas que chegavam ao bar começavam se reunir envolta da mesa para assistir a partida, alguns chegavam até a fazer apostas sobre quem venceria.
Depois da quinta derrota seguida, Enzo cansou de toda a humilhação e decidiu voltar para a mesa.
— O que você estava dizendo mesmo, Enzo? — Damon estava se divertindo com toda aquela situação – Eu ainda sou o campeão de sinuca, é melhor você admitir isso logo.
— Tudo bem, você é o grande campeão de sinuca – revirou os olhos – Um brinde a isso… — tomou um gole da sua cerveja e todos repetimos o seu gesto.
— E um brinde ao meu irmão e a Freya – foi a minha vez de falar – Que eles sejam felizes nessa nova etapa das suas vidas.
— É isso ai! — Alaric concordou – O casamento pode ser um desafio, mas você verá que também é melhor coisa do mundo, principalmente quando os filhos chegarem; Lexi, Jacob, Josie e Lizzie são as pessoas mais importantes da minha vida.
— Acho que o maior desafio em um casamento para mim seria o fato de fazer sexo com apenas uma mulher – lembrou – Mas eu estou nessa de monogamia há alguns anos, então…
— Por favor, Damon, é da minha irmã que você está falando – Klaus reclamou – Se você puder não falar sobre a sua vida sexual com ela, eu agradeço… — Elijah e Kol concordaram com ele.
— Tudo bem… — levantou as duas mãos em sinal de rendição – E sobre os filhos, bom, não que eu esteja com pressa, mas quando vierem serão bem-vindos – voltou a olhar para o Klaus – E por falar em filhos, como o futuro papai está se sentindo?
— Futuro papai? — todos nos viramos na direção do irmão mais novo de Freya – Ora, meus parabéns, Klaus.
Tentei me lembrar dele hoje durante o almoço de ensaio e, parando para pensar, a namorada dele tinha uma barriga de alguns meses de gravidez e os dois pareciam mesmo muito felizes.
— Obrigado – ele agradeceu – Não foi esperado, mas estamos muito empolados com a ideia de sermos pais e garanto que a nossa Hope será muito amada.
— Não só pelos pais, mas pelos tios também – Elijah deu um tapinha de leve nas costas do irmãos – Até mesmo para os tios postiços.
— Com certeza, vamos brindar a isso também – todos voltamos a beber nossas cervejas – Ah! E também ao Enzo, que logo vai morar com a namorada.
— Já vou avisando que realmente não pretendemos ter filhos tão cedo – disse – Talvez daqui há alguns anos, depois de nos casarmos, é claro.
Logo o assunto passou a ser as namoradas e mulheres; Damon sobre a Freya, Enzo sobre a Bonnie, Alaric sobre a Lexi, Klaus sobre a Camille, Elijah sobre a Hayley e Marcel sobre a Rebekah, Kol não tem namorada, mas também começou a falar sobre as suas conquistas.
Fiquei em silêncio, apenas bebendo e pensando na Caroline. Não somos mais nada, apenas amigos, nem amigos com benefícios, só amigos mesmo; mas não pude deixar de imaginar, a gente começando a namorar, ficando noivo, casando, tendo filhos, até mesmo tendo aventuras românticas. Eu já tinha certeza dos meus sentimentos, mas agora percebo o quanto ela é especial e importante na minha vida.
— Está tudo bem, irmãozinho? — Damon perguntou enquanto eu me levantava.
— Eu só preciso ir ao banheiro – avisei enquanto me afastava.
***
Era mentira, eu não precisava ir ao banheiro, só queria sair dali e parar de ouvir aqueles caras falando sobre seus relacionamentos felizes. Fui para uma área isolada do bar e peguei meu celular e comecei a olhar algumas fotos de Caroline, algo que já estava irando rotina; de alguma maneira, ver o seu rosto feliz e despreocupado, me acalma.
Talvez fosse efeito da bebida, mas antes que eu percebesse, já estava ligando para ela. Até pensei em desligar, o problema é que ela atendeu primeiro.
— Stef…?— apenas o fato de escutar a sua voz do outro lado da linha me deixava feliz e fazia com que meu coração acelerasse.— Está tudo bem? Por que você está me ligando?
— Care… — achei que não conseguiria falar, mas a minha voz saiu, um pouco enrolada por causa de toda a bebida— Care, como é bom ouvir a sua voz…
— Stefan, por favor, me diga onde você está?— seu tom de voz era temeroso— Você não está falando coisa com coisa e está me deixando preocupada…
— Eu nunca estive tão bem como estou agora, Care – garanti, voltei a apoiar as costas na parede atrás de mim— E não precisa se preocupar, eu estou aqui no bar, junto com o Damon e os outros caras, onde eu disse que estaria hoje a noite.
— Certo…— parecia um pouco mais tranquila depois da minha resposta— Mas por que você está me ligando, então?
Por que eu estou ligando para ela? Na verdade, nem eu mesmo sei por que estou fazendo isso…
— Estamos em uma mesa repleta de bebidas, o bar tem uma mesa de sinuca onde o Enzo já perdeu para o Damon umas cinco vezes, nós falamos um pouco sobre a nova vida de casado do meu irmão e agora estão todos falando sobre as suas namoradas, noivas ou esposas – comecei a falar exatamente como tinha sido a despedida de solteiro até agora— Foi então que eu percebi que eu não tenho ninguém especial de quem falar.
— Sinto muito, Stef…— sei que ela sabia exatamente onde eu queria chegar, mesmo assim disfarçou— Mas você sabe que não tem ninguém porque não quer, você pode arranjar uma namorada bem fácil.
— Mas eu não quero uma namorada qualquer, Caroline! — falei um pouco mais alto do que estava planejando, por sorte o barulho no bar estava muito grande, por isso, ninguém parecia ter prestado atenção— Eu quero você, Care! Eu te amo!
Ela ficou em silêncio por alguns instantes, provavelmente absorvendo as minhas palavras. Por um momento, eu me arrependi do que tinha acabado de falar.
— Stef, você está bêbado…— comentou, por fim — A gente conversa melhor amanhã, quando você estiver sóbrio.
— Não quero conversar amanhã, Caroline, quero conversar agora! — insisti— Eu te amo! Será que é tão difícil assim de entender?
— Sim, Stefan, é difícil— completou— Agora eu preciso ir, as meninas estão me esperando lá na sala.
— Care… Care… — eu tentei chamá-la, mas minha amiga já tinha desligado.
Foi nesse momento que percebi que o Damon estava parado bem em frente a mim. Não sei o quanto daquela conversa ele tinha escutado, mas estava com um olhar compreensivo para cima de mim.
— Você escutou isso? — meu irmão balançou a cabeça afirmativamente – Ela não acreditou em mim, não acreditou que eu a amo.
— Também, ligar para ela no meio da madrugada, bêbado e dizendo que a ama… — observou – Sei que você não tem muita experiência com relacionamentos, mas essa não é a melhor maneira de conquistar uma garota.
— Eu sou mesmo um idiota… — reclamei, passando a mão pelo cabelo.
— O bom é que amanhã você pode concertar tudo isso amanhã – lembrou – Agora vamos embora, acho que você já bebeu demais por hoje.
— Eu não quero ir embora – reclamei – Estou bem, Damon, é sério.
— Bom, levando em consideração que você acabou de ligar para a sua melhor amiga e dizer que a ama, eu não diria que está exatamente bem – me olhou de cima a baixo – Mas não é nada que uma boa noite de sono não cure…
— Não quero atrapalhar a sua despedida de solteiro, Damon – expliquei.
— Já nos divertimos bastante por uma noite – segurou o meu braço – Agora vamos.
***
Voltamos para a mesa e Damon anunciou que já estávamos indo embora e os outros decidiram que era melhor irem também. Saímos, então, todos juntos do bar.
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