Just One Night
12 Capítulo 11 – Nada mudou…?
Notas iniciais
Stefan
Sou uma pessoa que não costuma sentir muita fome de manhã, sou assim desde de criança; mas no instante em que senti o cheiro das panquecas, ainda no micro-ondas, meu estômago já começou a roncar. Tudo isso, é claro, resultado de todo o “exercício” de ontem a noite e depois hoje de manhã.
Não pude deixar de dar um sorriso bobo com todas aquelas lembranças. Eu e Caroline já éramos melhores amigos e já tínhamos uma relação bem íntima, mas agora… Hoje de manhã, quando acordarmos, já deu para ver como as coisas já estão diferentes…
Claro que eu prometi para a Caroline, não deixaremos que isso não abale o que temos e o que construímos ao longo desses cinco anos. E cumprirei exatamente aquilo que prometi.
O micro-ondas apitou, anunciando que as panquecas estavam quentes. Eu retirei o prato lá dentro e também aproveitei para pegar o tubo de calda de chocolate dentro da geladeira pois sei que é o completo favorito da minha amiga para comer com panqueca. Só então fui até a sala colocar em cima da mesa e depois voltei para a cozinha.
Preparei duas xícaras de café com leite para nós e quando retornei para o outro cômodo, Caroline já estava lá, parada há apenas alguns metros de mim. Ela estava usando a minha camisa preta que eu tinha deixado em cima da cama, posso afirmar que tinha ficado muito bem nela.
— Pensei que você ainda fosse demorar mais um pouco…- lamentei – Queria que já estivesse tudo arrumado quando você saísse do banho.
Isso era mesmo verdade, minha intenção era surpreendê-la com a mesa toda posta quando ela saísse do banho. Mas, infelizmente, minha amiga resolveu terminar o banho mais rápido do que eu imaginei.
— Não precisa, está tudo perfeito de qualquer maneira – garantiu – Eu não sabia que você sabia fazer panquecas.
— Existem muitas coisas que você não sabe sobre mim, Care… — brinquei, sabia fazer o básico na cozinha, mas panquecas realmente não eram o meu forte; mesmo assim decidi brincar um pouco com ela enquanto dava um sorriso convencido.
— Sei… — seu olhar era de desconfiança.
— Certo, a Jenna fez algumas panquecas na semana passada e como eu e Damon não comemos tudo, decidimos congelar o resto – decidi confessar – Sei o quanto você ama panquecas e achei que essa era a melhor ocasião para descongelá-las.
— Você não precisava fazer isso por mim, Stefan – era visível o quanto estava sem graça com esse meu “mimo” – Eu teria ficado satisfeita com algumas torradas, talvez apenas um café.
— Eu quis faze isso, Caroline – completei – Esse é o fim perfeito para a noite perfeita.
Ficamos nos encarando por alguns segundos, acho que poderia ficar encarando aqueles olhos profundamente azuis. Infelizmente, eu não podia fazer isso para sempre, então decidi ir até a mesa colocar as duas canecas que estava segurando em cima da mesa.
— Bom, nós temos as panquecas e a calda e chocolate, exatamente como você gosta – disse ainda sem voltar a olhá-la – Aqui está o café no leite e também temos suco, só que, infelizmente, ele é de caixa.
— Parece tudo maravilhoso para mim – afirmou – E eu gosto de suco de caixa, claro que não é igual ao natural, mas também é bom.
Puxei a cadeira para que ela pudesse sentar. Então voltei a cozinha para poder pegar os dois copos de suco. Quando me sentei em frente a Caroline, começamos a comer em silêncio.
***
— Está gostando das panquecas? — decidi perguntar depois de alguns minutos; Care tinha pego três panquecas, exatamente como eu, e ela já estava quase terminando de comer – Isso é, se você tiver conseguindo sentir o gosto da panqueca.
Caroline tinha colocado bastante calda de chocolate na panqueca, exatamente como sempre faz, enquanto eu preferia as minhas apenas com manteiga.
— Você parece uma criança, se lambuzando toda de chocolate – comentei rindo, ela tentou limpar o canto da boca, mas tudo que fez foi sujar ainda mais o rosto – Pronto, isso aqui vai ajudar… — entreguei um guardanapo para ela, que limpou imediatamente.
— Bom, já que estamos falando de manias estranhas para o café da manhã, acho que posso falar de você também – apontou para o meu prato – Como você consegue comer panquecas apenas com manteiga? Isso deve estar seco demais.
— Eu gosto – me defendi – Chocolate é doce demais… Mas, sei que vocês mulheres gostam de chocolate, principalmente quando estão de TPM.
— Quanto preconceito, senhor Salvatore – cruzou os braços e se fingiu de irritada.
— Só estou falando o que eu sei – falei – Sou seu amigo há cinco anos, sei perfeitamente quando você está de TPM.
— Você é um idiota, Stefan – mostrou a língua para mim em um gesto bem infantil – Mas agora chega de falar do meu ciclo menstrual, agora é hora de você parar com os seus preconceitos e provar um pedaço dessa panqueca de chocolate e ver como é bom.
— Não quero… — balancei a cabeça negativamente e em seguida tapei a boca, um gesto tão infantil quanto o dela – Não quero…
— Ora, Stefan, por favor – pediu, agora segurando o garfo e balançando de um lado para o outro na minha frente – É só um pedacinho…
— Não, não, não… — voltei a negar.
— Bom, se você não quer provar um pedaço da minha panqueca… — ela se levantou e veio caminhando na minha direção – Tenho uma outra maneira de você fazer o que eu quero.
Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, Caroline já tinha se sentado no meu colo e segurou o meu rosto entre as mãos antes de unir os meus. Foi um beijo calmo e lento, posso afirmar que eu realmente pude sentir o gosto de chocolate na sua boca.
— E então, o que achou? — perguntou quando se afastou, embora nossas testas ainda estivessem grudadas.
— Muito bom – afirmei – Mas eu preciso provar de novo, só para ter certeza.
Então foi a minha vez de beijá-la. Passei a minha mão pela lateral do seu corpo até chegar na sua perna e em seguida explorando a parte de dentro da mina blusa que ela estava usando. Esse meu gesto fez com que Caroline soltasse um suspiro pesado.
— Melhor… — murmurei, ainda com a boca encostada na dela – Muito melhor.
Dei um mordidinha no seu lábio inferior e foi quando ouvimos o barulho de chave na porta. Por sorte conseguimos nos separar antes que meu irmão entrasse no apartamento.
— Oi… — ele ficou nos encarando, eu e Caroline, diversas vezes – Interrompo alguma coisa?
Aquela era quase cômica. Care estava com o cabelo bagunçado e os lábios vermelhos por causa do beijo e tenho certeza de que não de estar muito diferente disso. Somando isso ao fato dela usar uma camisa minha, era mais do que evidente o que estava acontecendo ali há alguns minutos.
— Não, Damon, você não está atrapalhando – minha amiga fez questão de negar – Para falar a verdade, eu já estava mesmo indo trocar de roupa para ir embora.
— Espera, Care… — eu a chamei – Você nem mesmo terminou o seu café da manhã.
— Eu já estou satisfeita – garantiu – Acho que já fiquei muito tempo aqui, melhor eu ir para casa.
Ela ficou de costas, indo na direção do corredor. Esse gesto da minha amiga fez com que eu ficasse imediatamente de pé.
— Acho que vou até lá falar com ela – avisei.
— Faça como quiser – deu de ombros encarando a mesa a sua frente – Eu vou é comer essas panquecas, elas parecem ótimas.
— Você não comeu nada lá no apartamento da Freya? — decidi perguntar.
— Na realidade, não – disse – A Freya me expulsou do apartamento antes que eu pudesse comer alguma coisa. Ela disse que precisava fazer umas pesquisas para refazer umas coisas da tese que estragaram e que seria melhor ficar sozinha.
Não disse nada, apenas fiquei encarando o meu irmão. Confesso que tem dias que eu realmente não entendo o relacionamento dele e da Freya…
— Acredite em mim, irmãozinho, quando a Freya começa com isso, eu prefiro não contrariá-la – afirmou – Aprendi isso depois de três anos de namoro.
— Se você diz – completei – Bom, agora eu vou lá falar com a Care.
Nem esperei por uma resposta ou comentário do Damon, apenas segui pelo mesmo caminho que minha amiga tinha feito algum tempo antes.
***
Quando cheguei ao quarto, Caroline já estava totalmente vestida, com as mesmas roupas de ontem a noite. Ela provavelmente me ouviu entrando no local, pois virou-se na minha direção quase que imediatamente.
— Obrigada pela camisa, Stef – disse – Eu vou levar para casa para lavar e depois te devolvo, tudo bem?
— Você não precisa me devolver, Care – garantiu – Você já tem um pijama meu lá na sua casa, fica com essa camisa também.
— Como quiser – deu de ombros – Bom, agora eu vou indo mesmo.
— Espera, Care – coloquei a mão no seu ombro, quando ela tentou passar por mim – Você está indo embora só porque o Damon acabou de chegar? É isso mesmo?
— É melhor assim, Stefan – respondeu – O seu irmão quase nos pegou no flagra, você sabe que como o seu irmão está sempre insinuando que temos alguma coisa e isso só pioraria ainda mais a situação.
E ai está… A realidade me atingindo como um balde de água fria na cabeça; como um alfinete estourando a bolha particular em que tínhamos entrado desde ontem a noite. Nós não estávamos juntos, tinha sido apenas dessa vez, apenas uma noite de sexo, Caroline não tinha esquecido disso e estava me lembrando também.
— Certo, você tem razão – acabei concordando, tentando não transparecer a frustração na minha voz — Pelo menos me deixe te levar para casa.
— Acho que não é uma boa ideia – respondeu antes de fazer uma careta – Eu posso muito bem pegar um táxi, e rapidinho eu estarei em casa.
— Care, eu sempre te dou carona para casa, seja qual for a ocasião, fazia isso até mesmo só quando saímos da faculdade – lembrei – Se eu te deixar ir embora sozinha, ai sim que o Damon vai desconfiar que tem alguma coisa errada aqui.
— Tenho que concordar com você agora – afirmou – Tudo bem, vamos lá.
Foi impossível não dar um sorriso bobo com aquela resposta. Talvez as coisas não estivessem tão diferentes quanto eu temia.
***
Quando voltamos para a sala, Damon ainda estava sentado comendo as panquecas que tinha sobrado. Ele pegou um copo de suco de laranja e também o pote de calda para panquecas. Estava tão distraído com a sua refeição que nem ao menos ligou (ou, pelo menos, não ligou) para a nossa presença.
— Damon, eu vou levar a Caroline para casa – avisei – Daqui a pouco eu estou de volta.
— Está bem… — ele apenas concordou com a cabeça, sem nem ao menos olhar na nossa direção – Divirtam-se!
— Tchau, Damon… — minha amiga disse.
— Tchau, cunhadinha – falou; Care pensou em retrucar, mas eu coloquei a mão no seu ombro e balancei a cabeça negativamente pedindo que deixasse para lá, qualquer comentário a respeito da nossa vida “amorosa” poderia apenas piorar a situação.
Peguei a jaqueta de Caroline, que ainda estava em cima do sofá e entreguei para ela. Depois disso nós dois caminhamos na direção da porta.
***
— E aqui estamos – disse no instante em que parei uma vaga quase em frente ao prédio em que ela mora com as amigas; desliguei o motor e retirei os sinto de segurança para poder me virar – Esse é o fim oficial da nossa noite.
— Sim é mesmo – concordou dando um sorriso sem graça, gostaria muito de saber o que está passando pela cabeça da minha amiga nesse momento: será que está feliz por tudo isso acabar? Ou está lamentando, assim como eu? — Acho que posso dizer que foi uma noite bem divertida.
— Com certeza foi… — foi a minha vez de sorrir, exatamente como ela tinha feito alguns segundos antes – Confesso que eu não esperava que fosse ser assim, mas você realmente me surpreendeu.
— Superei as suas expectativas, então? — brincou – Vou começar a usar isso para me definir: boa para superar expectativas.
— Boba… — ri; coloquei a mão sob a sua e fiquei fazendo movimentos circulares com o polegar, aquele foi um gesto quase que involuntário e não passou despercebido pela Caroline – Você vai ficar bem aqui sozinha? Sei que a Elena e a Bonnie não costumam passar fim de semana em casa.
— A Bonnie realmente está com o Enzo, mas a Elena estava em casa ontem a noite – explicou – Talvez ela vá encontrar o Liam mais tarde, mas eu não ligo.
— Tem certeza disso? — perguntei, mais uma vez.
— Sim, Stef, eu tenho certeza, as vezes é bom ficar sozinha um pouco – garantiu – Vou aproveitar para organizar alguns desenhos que eu tenho em casa, talvez eu até responda alguns e-mails pendentes.
— Divirta-se então – completei.
Care deu um beijo no meu rosto antes de tirar o sinto de segurança e abrir a porta. Então, antes que ela pudesse sair do carro, eu segurei o seu pulso a impedindo de se mover, sei que uma hora isso precisa acabar, mas a verdade é que eu não estou exatamente pronto para deixar essa “noite” chegar ao fim.
— Caroline, ontem a noite eu te prometi que não deixaria que tudo que aconteceu ontem a noite acabasse com a nossa amizade e eu realmente não deixarei – disse tudo aquilo bem sério, minha amiga até mesmo voltou a se virar para me encarar – A partir do momento em que você colocar os pés para fora desse carro vamos esquecer tudo e voltarmos a ser os melhores amigos; mas antes que tudo isso acabe, eu só preciso de mais uma coisa.
— O que é? — sua voz saiu em um sussurro, mas estávamos perto o suficiente para que eu a escutasse perfeitamente.
— Um beijo, apenas um beijo – respondi, por fim – Só mais um beijo e eu prometo que acabamos com tudo de uma vez por todas.
Passei a mão pelo rosto dela e Care apenas fechou os olhos. Eu encarei aquilo como um sinal de que podia seguir em frente e me aproximei para encostar os lábios nos dela.
Diferente de todos os outros que trocamos nas últimas doze horas, esse foi um beijo calmo e lento, não tinha porque ter pressa e também não queria ter. Aquela seria a última vez, então eu queria aproveitar e foi justamente o que eu fiz.
Quando precisamos nos separar, eu apenas grudei a testa na dela, permanecendo com os olhos fechados.
— Bom, acho que é isso – foi Caroline que quebrou o silêncio – Agora eu preciso mesmo ir.
— Claro, você tem razão – afirmei, finalmente me afastando dela – Mas antes eu preciso perguntar mais uma vez: realmente nada mudou, não é mesmo?
— Nada mudou, Stefan – garantiu, mais uma vez – Eu te ligo mais tarde, ou talvez amanhã; a gente pode combinar de almoçarmos juntos na segunda-feira, que acha?
— É uma ideia perfeita – concordei.
Apesar de uma voz dentro da minha cabeça gritar para que eu não a deixasse ir embora, no fundo eu sabia que isso era errado, então simplesmente a deixei sair do carro. Caroline acenou para mim eu a observei caminhar até a entrada do prédio.
— Muito bem, Stefan, agora é hora de parar de lamentar – falei, tentando sair do transe em que me encontrava – Você sabia que seria apenas uma noite e concordou com isso. Agora pronto, acabou…
Voltei a ligar o veículo e sai da vaga em que estava.
***
*Flashback*
Depois de mais uma aula entendiante, fiquei feliz por finalmente aquela manhã chegar ao fim. Ainda tinha mais uma aula no período da tarde e depois eu iria para a agência, mas agora eu poderia almoçar e descansar um pouco antes de voltar para a segunda parte do meu dia.
Exatamente como sempre costuma fazer, Caroline já estava me esperando do lado de fora prédio de administração. Assim que ela me viu sorriu e acenou.
— Oi, Care.. — assim que estava perto o suficiente, dei um beijo no rosto da minha amiga – Como foram as suas aulas de hoje?
— Maravilhosas! — afirmou – Estou simplesmente apaixonada por designer de modas, cada dia tenho mais certeza de que eu nasci para ser estilista…
Claro que não foi nenhuma surpresa quando, no final do primeiro ano de faculdade, Caroline decidir jogar tudo para o alto e largar o curso de administração e fazer designer de modas, ela certamente não estava se dando bem nas aulas e era melhor fazer isso agora do que se arrepender depois de formada. Infelizmente, Care teve problemas com a família, principalmente com o seu pai, mas agora, três meses depois, ela parece te se adaptado e está mais feliz do que nunca.
Não vou mentir, claro que eu sinto falta de ter a minha melhor amiga ao meu lado nas aulas, mas não posso ser egoísta, sei que isso é o melhor para ela.
— Fico feliz que você pense dessa maneira – sorri – E então, vamos almoçar?
— Sim, mas tem que ser em um lugar bem baratinho – pediu – Você sabe, não estou com muito dinheiro.
— Você sabe que eu posso pagar o seu almoço, isso não seria exatamente um problema – lembrei, mas ela fez uma careta, deixando claro que essa não era uma opção – Tudo bem, vamos até uma das milhares de lanchonetes que tem aqui no campus.
— Perfeito! — pareceu satisfeita.
**
Salgado e refrigerante: esse não era exatamente o almoço ideal, mas só o fato de ter a minha melhor amiga ali comigo já deixava isso aqui melhor do que qualquer banquete. Sentamos em uma mesa de piquenique que tem pelo campus e começamos a comer calmamente.
— E então, Stefan… — Caroline começou a falar depois de alguns minutos— A Nora não quis me contar, mas tenho certeza de que você me contará o que aconteceu no encontro de vocês.
Care arranjou um encontro para mim com uma das novas colegas de sala do curso de designer de moda: Nora Hildegard. Nós saímos para jantar e até que foi agradável, mas não foi nada demais, pude sentir que ela não queria estar lá e só aceitou para não fazer uma desfeita.
— Interessante – afirmei, por fim – A Nora é bem legal, gosta de filmes de terror, exatamente como eu, e posso dizer que tivemos uma conversa bem agradável durante o jantar.
— Eu sabia que vocês seriam perfeitos um para o outro! — sorriu, bastante animada – Vocês já marcaram o próximo encontro? Já aviso que quero ser a madrinha desse casamento…
— Pode parar por ai, Caroline Forbes – pedi – Eu disse que foi agradável e tudo bem, eu admito, nós trocamos um beijo quando a deixei em casa, mas não acho que vá passar disso. Não vejo um futuro para nós.
— Como não? — voltou a ficar decepcionada – Você mesmo acabou de dizer que vocês tem várias coisas em comum…, como é que agora você simplesmente diz que não tem futuro?
— Ela é agradável, mas não a vejo como sendo uma pessoa com quem eu possa possivelmente passar a vida inteiro junto – expliquei – Mesmo assim, eu agradeço por você ter tentado arranjar alguém para mim, isso prova o quanto você é minha amiga de verdade.
Desde que nos conhecemos e começaram as insinuações do meu irmãos e até mesmo das amigas delas a respeito de termos alguma coisa, Caroline começou a busca por uma namorada para mim. Ela ainda não tinha tido sucesso, até que sugeriu que eu tivesse esse encontro com a Nora.
— Bom, mas saiba que eu ainda não desisti – avisou – Só vou sossegar quando você estiver noivo e de casamento marcado.
Foi nesse momento que o celular dela tocou, avisando a chegada de uma mensagem. Minha amiga pegou o telefone para poder lê-la.
— Essa não, eu estou atrasada para o meu estágio! — avisou enquanto pegava a sua bolsa e terminava o refrigerante – Eu realmente preciso ir embora, sabe que eu não posso perder esse emprego.
— Claro, não tem problema – avisei; sabia o quanto a sua situação tinha ficado complicada desde que brigou com o pai.
— Vamos combinar de nos vermos um outro dia – avisou – Talvez no final de semana, quando eu estiver menos ocupada.
— Por mim tudo bem – concordei – Mas, por favor, deixe-me pagar o almoço dessa vez…
— Vou pensar no seu caso… — jogou um beijo para mim depois que já estava de pé – Tchauzinho…
*Fim do Flashback*
***
Quando cheguei em casa Damon não estava mais na sala, provavelmente tinha ido para o seu quarto, então eu decidi ir diretamente para o meu também. Peguei o meu celular e comecei a olhar as fotos que eu tinha com a Caroline, e eram várias: na praia, no parque, na faculdade, na agência, no atelier dela, no natal e até mesmo em jogo de basquete para onde eu consegui arrastá-la comigo. Eram cinco anos de amizade, mas as vezes eu sinto como se fosse a vida inteira.
Soltei um longo suspiro ainda encarando uma imagem de nós dois. Eu acabei de deixá-la em casa e já estou com saudades, como isso é possível?
— Oi, Stef… — fui surpreendido pelo meu irmão parado no batente da porta – Espero que não esteja interrompendo nada.
— Não está interrompendo – garanti, sentei na cama e coloquei o celular na mesinha – Está tudo bem? Você parece um pouco pensativo…
— Eu estava querendo conversar uma coisa com você – disse – Tudo para você?
— Claro… — afirmei – Por favor não me diga que você está com algum problema com a Freya? — isso seria uma grande tragédia, principalmente levando em consideração que falta tão pouco para o casamento, mas isso explicaria porque ele teria chegado aqui em casa tão cedo hoje de manhã.
— Oh, não, eu e Freya estamos muito bem, pode ter certeza – garantiu – Na verdade eu queria conversar com você sobre a Caroline.
Senti um gelo na espinha quando meu irmão falou isso. Era claro que ele comentaria sobre o que tinha presenciado mais cedo, minha surpresa foi ele não ter falado sobre isso antes.
— Certo… — tentei me manter calmo – O que você quer saber?
— O que está acontecendo entre você e a Caroline? — já perguntou logo, sem nenhum tipo de preparação – E não vem me dizer que não é nada. Acredite, eu não sou idiota.
— Damon… — soltei um longo suspiro antes de continuar – Acredite em mim, esse é um assunto bem complicado.
— Oh sim! Eu percebi isso – prosseguiu – Na segunda-feira você me diz que vocês dois se beijaram e que tinha ficado abalado com o beijo. Então hoje eu chego aqui e encontro a Caroline usando uma camisa sua, vocês dois estavam claramente constrangidos e ainda parecia que tinham acabado de se beijar novamente. Pode ir falando, vocês transaram ontem a noite, não foi?
Não disse nada, apenas soltei mais um longo suspiro e passei a mão pelo cabelo.
— Tudo bem, você não precisa responder nada – Damon já estava com um sorriso malicioso – O seu silêncio já diz tudo. É aquele famoso ditado: quem cala, consente.
— Por favor, Damon, não comenta nada com a Caroline sobre essa nossa conversa – pedi, não tinha mais porque tentar esconder qualquer coisa – Nós dois combinamos que seria apenas uma noite e eu sei o quanto ela ficaria envergonhada se souber que você sabe.
— Apenas uma noite… — seu tom era irônico – Sinceramente, irmãozinho, pelo que eu vina hora que eu cheguei, não parecia que você estavam na intenção de ficar apenas nessa noite.
— Damon! — eu o reprimi.
— Só estou sendo sincero – deu de ombros – Você mesmo me disse que tinha ficado abalado com o beijo e, levando em consideração que ela aceitou transar com você, a Caroline também ficou abalada. Os dois estão solteiros e desimpedidos, nada impede que vocês comecem uma amizade colorida.
— Amizade colorida? — revirei os olhos – Isso parece até roteiro daquelas comédias românticas que a Care me as vezes me obriga a ver.
— Ora, amizades coloridas podem ser interessantes – garantiu – Eu mesmo já tive algumas durante os meus velhos tempos.
— E desde quando você tinha amigas para ter uma amizade colorida? — o questionei – Que eu saiba a sua única amiga é a Bonnie e tenho certeza de que com ela você não teve nada. Principalmente levando em consideração que ela namora um dos seus melhores amigos.
— Acredite, eu tenho sim amigas – fez uma careta para mim – Mas a questão aqui não sou eu e sim você e a Caroline.
Ter uma amizade colorida com a Caroline? Os argumentos do Damon eram interessantes, tenho que admitir, mas a questão ´que a Care não aceitou passar a noite comigo por ter sentido algo naquele beijo e sim porque tinha se comprometido com a me ajudar a resolver o meu “problema da virgindade”, ms eu nunca poderei falar isso em voz alta.
— Não acha que sugerir uma amizade colorida para a Care não vai prejudicar a nossa amizade? — decidi questioná-lo – Não é isso que eu e a Caroline queremos.
— E ficar por ai com essa tensão sexual será muito pior – argumentou – Será uma maneira de “aliviar” isso e vocês dois ainda se divertem um pouquinho.
Voltei a ficar em silêncio. Não posso dizer que esse concelho do meu irmão tem sido totalmente inútil, mas é algo que eu preciso pensar com muito carinho, não posso agir por impulso ou as coisas piorarão.
— Tudo bem, pense com carinho nisso que eu disse – avisou – Mas agora nós precisamos ir.
— Para onde? — perguntei, não tínhamos combinado nada, mas agora Damon falava com uma naturalidade, que era como se eu tivesse esquecido alguma coisa.
— Ver os nossos ternos do casamento, é claro – lembrou – Ou então a Freya me mata por eu não estar vestido de maneira adequada para o nosso casamento e a Caroline te mata por que a sua roupa não combinará com o vestido dela de madrinha. Ah! E a Freya matará nós dois, de novo, por sermos a causa de uma tragédia tão grande no dia do casamento dela.
Soltei um longo suspiro. Tinha prometido que iria junto com o meu irmão para ver o terno dele e aproveitaria e veria o meu também, mas aconteceram tantas coisas que eu não estou como menor ânimo para isso.
Por lado, não é como se eu tivesse muita escolha no momento.
— Tudo bem, você tem razão – acabei concordando, por fim – Vamos até lá então.
***
Eu fui o primeiro a escolher um terno: ele era preto, exatamente da cor que Freya exigiu que fossem os ternos dos padrinhos, um corte reto e, para completar, ainda encontrei uma gravata do exato tom de azul do vestido que a Caroline já tinha me mostrado anteriormente. Só precisava fazer alguns ajustes na bainha da calça e na manga do paletó, mas era bem simples e poderia ser feito ali mesmo na loja.
Depois foi a vez do meu irmão. Seu terno era de uma cor diferente do meu, um cinza escuro, mas o caimento era parecido com o meu, já a sua gravata era prateada, para poder combinar com o vestido da noiva, exatamente como a dos padrinhos combinaria com a roupa das madrinhas.
— Como eu estou? — Damon deu um volta assim que saiu do provador.
— Muito bom – afirmei – Está realmente parecendo um noivo, tenho certeza de que a Freya vai adorar.
— Bom, essa é a intenção – riu antes de que para a frente do espelho, olhando para ver se precisava ajeitar alguma coisa – Fico imaginando o que a nossa mãe falaria caso me visse vestido desse jeito.
— Ela adoraria, tenho certeza – comentei – Eu só tinha 10 anos, mas me lembro como ela e o nosso pai queriam que você conhecesse alguém e se casasse um dia. Eles teriam gostado da Freya se a conhecessem.
— Também acho isso – concordou – E, eles também teriam gostado muito da Caroline.
— Com licença… — o vendedor que tinha nos atendido quando chegamos a loja, apareceu – O senhor já se decidiu?
— Sim, vou levar esse – meu irmão respondeu – Acho que só precisa de alguns ajustes, exatamente como o do meu irmão.
— Oh sim! Farei isso em um minuto – completou – Só preciso pegar o alfinete para marcar os ajustes.
Ele se afastou, e foi nesse momento meu celular começou a tocar. Peguei o aparelho no bolso da minha calça e vi o nome da Caroline brilha no identificador de chamada, não pude deixar de dar um sorriso bobo.
— Está tudo bem? — Damon perguntou, ainda estava se olhando no espelho e provavelmente vendo o meu gesto pelo reflexo.
— Tudo bem – afirmei – Só preciso atender essa ligação.
***
Sai da loja e fui caminhando até um lugar sossegado do shopping onde eu poderia atender o telefone.
— Care… — disse assim que atendi – Está tudo bem? Eu não esperava a sua ligação hoje.
— Está tudo bem sim, Stefan— garantiu, acho que eu não tinha percebido o quanto era bom ouvir a sua voz até aquele momento – Você está ocupado? Eu posso ligar uma outra hora.
— Eu não estou ocupado – respondi – Na verdade eu estou aqui no shopping, comprando o terno do meu casamento junto com o Damon, mas ei já escolhi, então estou aqui apenas esperando o meu irmão se decidir.
— Entendi— riu – Estou doida para ver o seu terno e espero que a sua gravata seja da mesma cor do meu vestido.
— Como você mesma disse a respeito do seu vestido, você só irá ver o meu terno no dia do casamento – brinquei – Mas não se preocupe, escolhi a gravata da mesma cor daquele tecido que você me mostrou.
— Ótimo!— completou, satisfeita – Mas não foi por isso que eu te liguei. É que a Lena vai para a casa do Liam daqui a pouco e eu queria saber se você não quer vir que no meu apartamento para vermos um filme.
— Ora, o que aconteceu com aquele discurso de querer ficar em casa sozinha para organizar as suas coisas? — obviamente eu não estava pretendendo rejeitar esse convite, mas não resisti em questioná-la – Já mudou de ideia?
— Eu consegui organizar as minhas coisas agora de tarde— explicou – E nós dois precisamos continuar as coisas do jeito que eram para que continuem assim, então porque não hoje? Podemos até mesmo ver um filme de ação, exatamente como eu sei que você gosta.
— Um convite irrecusável, senhorita Forbes – sorri – Eu aceito, estarei ai por volta das sete da noite, pode ser?
— Perfeito!— concordou – Estarei te esperando aqui.
Eu ainda estava sorrindo quando desliguei o celular, aquele convite era mesmo tudo que eu estava precisando. Não que eu fosse fazer a tal proposta que Damon tinha sugerido, mas eu iria ver como estão as coisas entre nós hoje a noite, então eu me decidiria.
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