I.

Some people never change

They just stay the same way.

Change, The Young Veins

Aos poucos, nosso carro se aproximava daquela extremindade de Nevada. Eram as montanhas, incríveis, de Nevada. Só nos alugaram aquele lugar porque o dono de lá era meu amigo, eu sempre estava por lá e depois de eu muito dramatizar – e contar-lhe que eu precisava ficar o maior tempo possível junto ao homem que eu amava para fazê-lo voltar a ser como era comigo -, ele nos deixou entrar em sua cabana, fez-me milhões de recomendações, mas autorizou nossa entrada por tempo ‘supostamente’ indeterminado.

Quando chegamos lá, a primeira coisa que aconteceu foi eu ficar maravilhado com a vista que tinha, depois foi me lembrar que eu não teria Starbucks e que aquele lugar tinha exatos quatro quartos. Era um chalé bastante imponente e bonito, tinha seus dois andares. Estava tudo tão bem arrumado que eu fiquei com um incrível dó de deixar os meninos entrarem lá. Nós nunca fomos muito organizados.

Sorteamos os quartos e o meu seria ao lado do de Ryan e o de Spencer ao lado do meu. Consequentemente o de hóspedes, que ficava na parte térrea do chalé seria o de Jon. Ficava perto da cozinha e isso agradava qualquer um de nós. Confesso que eu trapaceei no sorteio para pegar o melhor quarto. Toda vez que eu ia passar uma temporada com meu amigo ali, eu sempre ficava naquele quarto.

Entrei no mesmo e organizei minhas coisas. Deixei o violão em seu pequeno pedestal perto da grande e confortável cama de solteiro que tinha ali. Estava realmente como eu imaginava que estaria: cama, televisão, móveis próximos. Sorri nostálgico com os momentos que tinha levado Ryan Ross para conhecer aquele lugar, mas esse não era o importante. O importante era que eu tinha errado, de novo, com Ryan Ross e precisava reconquistá-lo, apesar que Keltie Colleen era realmente uma mulher excelente, mas ela estava com alguém que era muito meu desde sempre.

Depois de um banho longo, eu desci. Não tinha muito o que fazer naquele lugar e era exatamente por isso que estávamos lá. Tínhamos que nos inspirar para compor um álbum para nossos fãs. Aplicar nossas reais influências, essas coisas. Sentei numa das cadeiras de madeira e fiquei ali relembrando momentos bons com o Panic at the Disco.

- Brendon. – Ross chamou, fazendo com que eu virasse o rosto para sua direção. – Isso aqui é lindo. Obrigado por me lembrar.

- Não tem como esquecer esse lugar. – Murmurei. – Não precisa me agradecer em palavras, apenas com músicas.

- Eu acho que consigo. – Falou, encostando-se numa das pequenas muretinhas, com o olhar perdido nas colinas.

- A gente devia nadar no lago qualquer hora. – Murmurei, colocando os pés sobre a mesa, imagnando que ele fosse me repreender, querer me matar, porque ele sabia o que acontecia quando nadávamos naquele lago, mas ele não me repreendeu, apenas murmurou:

- É, a gente devia fazer isso.

- Sério? – Apontei uma das cadeiras ao meu lado, e ele se sentou. Fazia bastante tempo, algumas semanas, que não tínhamos uma conversa decente. Eu o tinha traído. Tinha ficado com Shane Valdés e aceitado dividir o apartamento com ele não foi algo que agradasse muito meu estimado Ryan Ross. Ele sentiu-se traído. Ele afastou-se de mim e isso praticamente me matou.

- É. É sério. – Deu os ombros e se sentou – Por que eu não aceitaria?

- Seria legal. – Sorri, desviando o olhar – Shane virá aqui tirar umas fotos daqui alguns dias.

- Legal. – Senti o seu olhar queimando minha face. Chegava a cortar ofrio que começava a fazer devido a altitude que estávamos. Aquilo chegava a ser mesquinho e eu sabia que Ross não tinha gostado da idéia de que eu tivesse a companhia de Shane. – Cadê os meninos?

- Provavelmente, lá dentro ou fazendo trilha. Eu não sei.

- Eu tinha que falar com Spence, mas vejo isso depois. – Murmurou, preguiçosamente. – Tira os pés da mesa, Brendon.

- Mas é confortável. – Resmunguei, contrariado, mas acabei tirando os pés de cima da mesa. – Você... O que faz aqui fora?

- Nada, só vim apreciar a vista. – Sorriu, me fazendo sorrir em seguida- É tão estranho estar tão longe de tudo.

- É estranho pra mim estar longe de você, Ryan Ross. – Confessei, imaginando que ele viria com um de seus “não começa, Brendon. Eu não quero falar sobre isso.”, como sempre fazia. Era seu direito, assim como era meu direito confessar tudo o que eu sentia. A falta que Ryan Ross me fazia. – Desculpe tocar nesse assunto de novo.

- Não, tudo bem. – Murmurou. – É estranho sem você também...

Num impulso, puxei-o para um beijo que quando aprofundado, foi negado. Shane, Shane, Shane. Minha noite com ele estragando o que eu tinha com o Ryan. Eu tinha magoado ambos, mas a arte de ser amigo deles me fazia estar sempre perto, embora minha arte de seguir impulsos fosse bem mais vívida do que a outra arte. A arte de não ferir quem amamos.

Soltei Ryan Ross que me agradeceu com um sorriso e entrou. Devagar, Brendon. Muito devagar, você está lidando com o amor ferido de sua vida, não com uma pessoa qualquer. Mostre a ele que seu erro tem perdão e que você só quer a ele.