Just Let Me Perfect It
3 Capítulo 2
II.
What I’d give to run my fingers, through your hair.
To touch your lips, to hold you near
When you say your prayers, try to understand.
I’ve made mistakes, I’m just a man.
Always, Bon Jovi.
Passaram-se alguns dias e eu peguei um livro qualquer para ler. Sentei-me a beira do abismo e me distraí com aquele livro, não porque era realmente um bom livro, mas porque eu estava desesperado para conseguir tirar Ryan Ross da cabeça e o pseudo-beijo que eu tentei dar nele. Ouvi pequenos passos em minha direção e já imaginava quem era.
- Brendon. – Desviei os olhos do livro para ele e sorri. – Terminei o refrão de uma música, quer ver?
- Claro. – Sorri maior, fechando o livro.– Mostre-me.
George colocou posicionado o violão e entoou a melodia. Dedilhava delicadamente até que achou uma hora para entrar. Talvez ele já tivesse composto mais que o refrão, ou ele tinha esquecido que precisava cantar, devido o seu olhar estar dentro dos meus. Mordi meu lábio e mantive os olhos nele. Como eu queria aquele homem em meus braços, mas eu tinha errado tudo de novo. Eu tinha prolongado algo que não era necessário ser prolongado.
- The men all played along to marching drums, and boy did they have fun. Behind the sea. They sang, so our matching legs are marching clocks, and we’re all too small to talk to God. Yes, we’re all too small to talk to God. – Parou e eu sacudi a cabeça em aprovação.
- É incrível, Ryan. – Sorri. – Esse lugar está realmente te fazendo bem e... Você cantando é tão... – Cortei a frase aí. Eu não quis falar para ele o que sua voz me provocou: a sensação de bem-estar, de companhia. A voz que era feita para ser sentida, para se deixar levar por ela. Voz de comando, imperativa, feita para ser obedecida. Voz de Ryan Ross, como a voz de um anjo rouco.
- É, Brendon... Eu canto de vez em quando. – Piscou, divertido.
- Devia cantar mais. – Voltei a olhar para o livro, não querendo que ele notasse minha ansiedade de amorque eu estava tendo naquele dia, naquele pôr-do-Sol. – Você poderia se sentar ao meu lado e ver isso comigo, uh?
- Eu deveria fazer tanta coisa, Urie. – Suspirou, se sentando ao meu lado e deixando o violão em seu colo. Era lindo o cuidado que Ross tinha com suas coisas. O mesmo cuidado que ele tinha comigo quando estávamos juntos. – Por enquanto, vamos nos concentrar no pôr-do-sol. Aqui tem uma vista incrível!
- Yep. – Não quis questionar mais, apenas passei uma das mãos em volta do seu corpo, embora não o tocasse. Aquilo era suficiente para mim, por hora: Ryan Ross, pôr-do-sol e violão. Quem precisa de mais?
George deitou a cabeça em meu ombro e eu não consegui esconder o sorriso bobo que me invadiu os lábios quando eu senti sua respiração se chocando com minha pele. Cheguei a apertar o chão com vontade de abraçá-lo. “É mais fácil conter a imaginação que conter a saudade”, é mais fácil estar sem você por perto, Ryan Ross, do que conter a vontade de te ter quando está tão perto que sua respiração me acaricia.
- Me fala se eu estiver incomodando. – Murmurou, sem tirar a cabeça do meu ombro. Envolveu as mãos em minha cintura e me acariciou. Aquilo foi algo realmente bom. Neguei com a cabeça e a pendi de leve sobre a dele. Pôr-do-Sol ali era lindo, o pôr-do-Sol com Ryan Ross, ali, era indescritível.
Demoramos um pouco para entrar, mesmo estando escuro. Tínhamos perdido a noção do tempo enquanto conversámos sobre besteiras que se tornavam importantes perto um do outro. Como bons amigos que ainda éramos. Eu o levei ao seu quarto, deixei-o na porta, como um cavalheiro levava uma dama à porta de sua casa há algumas décadas antes de nós. Eu não ia dormir, talvez continuasse a ler o livro não-tão-legal, porque Ryan estaria em minha mente. O que acontecera em pouco tempo não ia sair tão cedo da minha cabeça. Ryan Ross estava mais perto de mim que nunca e eu estava adorando ter aquela sensação.
- Boa noite, B. – Murmurou, sorrindo para mim e eu inclinei meu rosto para dar um beijinho em sua face. – Dorme bem.
- Queria que esses quartos fossem duplos. – Confessei, deixando um bico bobo se formar em meus lábios. Ryan riu. – Sinto falta de dormir com você.
- Vai pro seu quarto. – Murmurou fraco. Eu sabia que não era isso que ele queria. Sabia que ele queria bem mais que aquilo. Queria o que eu queria, mas eu o respeitaria. Por hora, por hoje e por até quando eu pudesse suportar aquele respeito. – Quando é que o Shane chega?
- Amanhã, no máximo. – Murmurei. – Ele me ligou pra avisar se poderia mesmo vir.
- Aí você vai parar de correr atrás de mim. – Lamentou. Ele gostava de me ter perto, ainda que na maioria das vezes eu estivesse sempre implorando por sua atenção, como nos palcos, só que sem público.
- Eu não amo o Shane, Ryan. – Confirmei com a cabeça. – Você sabe bem a quem pertenço e porque pertenço.
- Já não sei de mais nada, Brendon. – Murmurou, abrindo a porta do quarto – Até amanhã.
- Até amanhã, então. – Me atrevi a dar mais um beijo em sua face, dessa vez, no canto de seus lábios. Talvez aquilo o deixasse com saudades de mim eera isso o fizesse me procurar. Aquilo, talvez, o provocasse insônia. Eram tantos “talvez” em minha mente que chegava a ser covardia comigo.
Relutante, fui para o meu quarto. Era completamente sem sentido ficar sem ele. Era totalmente sem sentido dormir sem o acolhedor abraço de George e por isso, sentei-me na minha acolhedora cama e voltei a me distrair com o livro não-tão-legal. Porque ele precisava sair de mim por alguns minutos ao menos.
#Flashback#
Afastamo-nos do ônibus de turnê depois de um pequeno papo do lado de fora do mesmo. Jon e Spencer estavam dentro do ônibus e eu não queria atrapalhar nossos amigos. Na verdade, eles estavam começando a me irritar com o fato de nunca estarem por perto .
- Se não estivéssemos no meio da rua, te puxaria pra mim agora.
- Faz de conta que você realmente se importa que estamos no meio da rua, Brenny.
Puxei-o para mim, até porque nós continuávamos a fingir que não tínhamos nada um com o outro para o resto da banda, mas acho que já estava estampado em nossas caras. Vivíamos juntos, comíamos juntos – em ambos os sentidos – um sempre lembrava do outro quando íam trazer comida, etc, etc.
- Estamos no meio da rua, B. – Murmurou, escondendo o rosto em meu pescoço. Ele não se importava, mas eu tinha que fazer alguma coisa para revidar, com certeza.
- Se quiser, eu me afasto. – Murmurei bem em seu ouvido, fazendo menção em me afastar, mas seus braços envoltos em meu pescoço fizeram questão de se apertar.
- Não, não afasta. – Falou fraco – Nem mesmo se eu pedir para você, não afasta.
- Eu não vou. – Confirmei coma cabeça. Ross deu pequenos beijinhos em meu pescoço e eu puxei seu rosto para mim, toquei seus lábios com os meus. Ficamos trocando aquele carinho, naquela sintonia por alguns minutos quando ele nos afastou.
- Vamos pro ônibus? – Nenhum de nós desfez o abraço para caminharmos até o ônibus. Talvez não queríamos ir a lugar nenhum e decidíssemos ficar sujeitos a quem quisesse nos ver ali, aos beijos apaixonados. – Vamos pro ônibus Brenny?
- Vamos. – Fui o soltando aos poucos, mas não querendo fazê-lo. Entrelacei meus dedos aos dele até que chegássemos ao ônibus. Ross entrou primeiro e eu fui logo depois. Vendo que os demais dormiam, ele tornou a se aproximar de mim e juntar nossos lábios.
- Dorme na minha beliche hoje? - Sorriu contra meus lábios. Aquilo era tão meigo e apaixonante que eu não ia resistir. – Por favor, se quiser eu te acordo antes dos meninos acordarem para você ir pra sua beliche.
- Tudo bem, Ryro. Eu durmo contigo. – Mordi o canto de seus lábios e o fui conduzindo até sua pequena beliche. Nos deitamos, entrelaçando nossas pernas e depois de algumas carícias eu dormi, primeiro queele.
Apesar de pequeno, era muito confortável ali. Talvez porque os braços de Ryan Ross me envolvessem e seus dedos estranhos me davam suporte e uma boa noite de sono.
#Fim do Flashback#
Eram mais ou menos nove da manhã quando eu acordei. Após fazer toda a minha higiene pessoal, desci e os meninos – com exceção de Ryan – estavam jogando Guitar Hero na sala. Girei os olhos divertido ao olhar quão baixa era a pontuação deles.
- Vocês são tão ruins. – Murmurei soberbamente enquanto ajeitava os óculos no rosto – Eu poderia vencer de vocês dois com uma mão amarrada, lesado e cheio de sono.
- Claro, mais viciado que você, nesse jogo Brendon, ainda está pra nascer. – Spencer deu os ombros e eu dei uma risadinha, até porque, não era tão viciado assim. – Cadê o Ryan, Brend?
- Não sei.– Mordi o lábio – Ainda não o vi.
- Ele saiu. – Respondeu Jon concentrado – Disse pra mim que não queria estar aqui quando Shane chegasse.
Desviei o olhar, decidido a entrar na cozinha, embora meus pés não se movessem e meus olhos não reacionassem a nada. Pisquei longamente, antes de me arrastar para a cozinha para fazer chocolate quente. Eu queria que Ryan me acompanhasse na bebida, como era quando íamos passar algumas de nossas férias juntos ali. Eu acordava mais cedo, fazia o chocolate, o acordava de forma doce e bebíamos cuidadosamente nossa bebida ainda quente.
Eu sabia da antipatia que Ross tinha com Shane e vice-versa. Isso ia me incomodar porque eu sabia bem que o motivo dessa antipatia tinha meu nome e meu sobrenome.Quando voltei para sala com três xícaras de chocolate quente nas mãos, me frustrei por não vê-los lá jogando. Nunca gostei de beber chocolate quente sozinho. Deixei a bebida de lado e fui aproveitar meu vício.
Jogar Guitar Hero sempre fazia minha cabeça se esvaziar. Sem Shane, sem Ryan. Só eu, a guitarrinha de botões coloridos e a música. Como Ryan sempre me dizia: “Você é uma criança grande”.
- Isso tá frio. – Shane resmungou eeu estava tão concentrado no jogo que nem fui atendê-lo como ele merece. – Você sempre troca o mundo por essa guitarrinha. – Soou, ciumento.
- Ah, Shane. – Soltei o micro-instrumento e dei pause no jogo. Abracei-o com cuidado e deslizei as pontas dos dedos por suas costas. – Quanto tempo!
- Você e sua maldita hiperatividade fazem falta para mime para Bogart. – Murmurou contra meu ouvido, deixando uma pequena mordidinha provocativa ali. Eu apenas sorri em resposta, torcendo para que Ryan Ross não me visse fechando os olhos em outro abraço que não fosse o seu.
- Como só temos quatro quartos... – Falei, desfazendo o abraço – Você vai dormir no meu, porque lá é o melhor.
- Você vai dormir onde? – Mordeu o lábio – Qualquer coisa eu acampo nas colinas, eu trouxe todo o meu material de camping porque o Ross não gosta de mim e eu quero evitar certos confrontos.
- Nem pensar. – Girei os olhos – Eu acho que no quarto do Ryan tem uma bicama. Eu durmo por lá, não se preocupe.
Assentiu, embora eu tivesse certeza que ele não queria que eu fosse dormir com Ryan. Provavelmente seu plano era ficarmos no mesmo quarto, dividindo a mesma cama ou coisinhas desse tipo. Ross e Valdés tinham uma richa bem grande. Eles realmente não se suportavam. Era muito pior que o jogo de ironias que Ryan tinha com Hayley. Era como um pavio com pólvora e eu era sempre o fogo que fazia tudo sair do controle. Era sempre eu o motivo maior das pequenas intrigas que se tornavam grandes discussões. Eles tinham diferenças demais e entre elas, o Guitar Hero. Shane jogava comigo, Ryan preferia Rockband e mesmo assim, quase não jogava. Porque Jon não sabia roubar do Ry nesse jogo.
- Quer jogar, Urie? – Desafiou, arqueando a sobrancelha. – E você me conhece, só com apostas.
- Demorou, Valdés! – Ri baixinho. – O que quer perder?
- Eu faço o que você quiser, se perder, e vice-versa. – Ponderei e assenti com a cabeça. Escolhemos uma das músicas mais complicadas de se tocar, por causa do tamanho do valor do prêmio. Eu sabia que ia ganhar, mas não sabia o que ia pedir. Talvez, apenas um beijo.
- Você sabe que eu amo perder tudo em você.– Piscou e eu ri baixinho.
Foi exatamente daquele jeito que tinha conseguido minha noite com Shane. Tinha sido por culpa do Guitar Hero que eu tinha traído Ryan e foi na cama que eu dividia com o Ryro que eu transei com Shane.Não foi ruim, mas foi sujo. Sujo com meu apartamento, que era aonde Ryan e eu morávamos, sujo com Ryan que foi traído só porque eu estava carente e não agüentava mais dividí-lo com Keltie, sujo com Shane porque apostas são sujas.
Ryan me pegou na cama com Shane aquele dia. Na nossa cama, na cama que elenos fazia um. Eu esqueci da promessa de ser fiel por um único momento e tudo se estragou. Então passei a dividir minha vida com Shane, embora ficássemos em quartos separados. Eu me lembro de ter sofrido um acesso de raiva esido acertado com um vaso de porcelana chinesa – eu adorava aquele vaso, na verdade – pelo Ryan. Foi nesse dia que as coisas ficaram muito tensas entre Valdés e Ross.
Eu ainda era o fogo que fumegava o paivio e estourava de vez a pólvora.Sempre seria assim, ainda que eu quisesse entregar a outro a maldita obrigação de fazer os melhores caras do mundo, os mais felizes.
Ryan Ross chegou e sequer nos cumprimentou. Parou e olhou as xícaras. Com certeza, pensou que eu estava revivendo com Shane o que eu e ele fazíamos quando íamos àquela cabana. Tudo na minha vida tinha o doce gostinho de Ryan Ross. O pior de tudo era que eu tinha certeza que quando o pavio, a pólvora e o fogo se juntam dentro de uma determinada caixa, só pode acontecer uma coisa: explosão. E explosão causa danos.
Shane levou Spence e Jon para fazer algumas fotos e eu fiquei sozinho com ele. Eu precisava falar sobre a bicama com Ryan. Talvez, dentro daquelas quatro paredes ele me ouvisse, eu começasse explicando para ele que as xícaras eram para Spencer e Jon e não para Shane. Eu não dividiria um dos momentos mais importantes para mim. Dei duas batidas na porta do seu quarto e ouvi um “Pode entrar, B.”, ele sabia que eu viria. Me conhecia demais pra ser verdade.
- Ryan. – Sorri, abrindo a porta. Meu melhor sorriso, para ele – Eu queria falar contigo sobre... Cama.
- Não quero falar sobre isso. – Respondeu, hostil – Vai falar com Shane sobre camas.
- Deixa de ser bobo. – Ri baixinho. – Quero falar sobre cama, não sobre te levar pra cama.
- O que quer, então? – Franziu o cenho. – Você sempre quer levar alguém pra cama, B. Não dá pra não suspeitar.
- Shane vai dormir no meu quarto e eu gostaria que você me emprestasse a bicama daqui para eu dormir durante a estadia dele. – Falei, abaixando o olhar para a barra da minha camisa. – Posso?
- Uh. – Girou os olhos- Por que não dorme agarrado com Shane?
- Você sabe a quem pertenço. – Falei, levantando os olhos- Não deveria ter dúvidas disso.
Ryan encolheu os ombros e fez um sinal com a mão para que eu fechasse a porta. Quando o fiz, Ryan me prendeu nela, como se tivesse algo a me falar, a me passar. Eu estava pronto a atendê-lo sem pensar duas vezes, mas confesso que tinha medo, porque ele tinha mudado muito de dois mil e seis para cá, estava quase irreconhecível às vezes, como estava agora.
Ryan me prendeu na porta com força sem se encostar em mim, me olhava inexpressivamente e mantinha um sorriso cínico no canto daqueles lábios. Um sorriso cínico e adorável. Prendeu meus braços com uma das mãos acima da minha cabeça e eu não consegui fazer muito a não ser fechar os olhos. Roçou cuidadosamente a ponta do nariz em meu pescoço, provavelmente com tantas saudades quando eu estava dele.
- Quer dizer que você ainda é meu, B? – Assenti devagar, mordendo o canto do lábio. – E passe o que passar é pra minha cama que você sempre volta? Eu estou certo, B?
- Está. – Murmurei, curtindo aquela carícia saudosa. – Mas você não me quer mais e, mesmo assim, eu continuo sendo seu.
Abaixei a cabeça e ele perdeu toda aquela hostilidade que me falava. Soltou minhas mãos, deixando de me dominar e deu um passo pra trás. Rompeu a carícia e me olhou completamente triste. Mordi o canto dos lábios e o vi negando com a cabeça e então murmurou:
- Pode dormir comigo, se quiser.
- Você sabe que eu quero. – Sorri, mordendo o lábio para conter o sorriso idiota que teimava em querer escapar quando estava com Ryan.
- Então aproveite minha bondade e minha decisão de ajudar os pobres oprimidos sem quarto. – Brincou, colocando uma das mãos no bolso. Ri baixinho, olhando para ele com certa devoção.
- Bobo. – Mordisquei meu lábio e sua mão veio até mim, por um momento. Breve. Seus dedos voltaram a se fechar e depois disse: — Cadê todo mundo? – E eu, de novo, ia ser obrigado a estragar o momento para falar de Shane.
- Valdés levou os meninos em algum lugar para tirar fotos. – Dei os ombros, afastando da porta. – Quero fazer alguma coisa.
- Tipo...? – Arqueou a sobrancelha, provavelmente maliciando minha afirmação. Ross sentou-se na cama e começou a dedilhar notas aleatórias em seu violão. Me mantive a distância, apenas observando o seu rosto e o seu dedilhar calmo, preciso. Seus pequenos olhos esverdiados desviaram-se para o violão ao perceber que saiu uma nota errada. Voltou a tocar aquele mesmo pedaço de música e acertá-lo.
- Tipo jogar Guitar Hero. – Pisquei, me aproximando aos poucos. Não queria estragar aquele momento, mas Ross parou de tocar, desviando seu olhar para mim e riu negando com a cabeça. – Por favoooor.
- Não, B. – Falou firme, voltando a dedilhar, agora uma música com título “That Thing You Do”, dos Wonders. Eu sempre gostei muito daquela música e agora ela me lembrava Ryan Ross que metade das músicas existentes.
- You doing that thing you do. Breaking my heart into a million pieces like you always do. And you don’t mean to be cruel, you never even knew about the heartache. I’ve been going through.– Ryan cantou. Mordi meus lábios porque sabia que aquela música era pra mim e se não fosse, tomaria as dores. Ross cantava tão baixinho que era quase impossível de se ouvir. – And I tried and tried to forget you, boy, but its just so hard to do. Everytime you do that thing you do.
-I know all the games you play and I’m gonna find a way to let you know that you’ll be mine someday. ‘Cause we could be happy, cant you see? If you’d only let me be the one to hold you and keep you here with me. ‘Cause I tried and tried to forget you boy, but it’s just so hard to do, everytime you do that thing you do.
Cantei e Ross virou-se para mim, me ajudando no refrão. Mordi meu lábio ao que acabei o refrão, porque eu tinha dito praticamente tudo o que ele queria dizer para mim e ao mesmo tempo eu dizia o que queria falar. Doeu, mas eu aguentei o peso dos olhos dele diretamente para mim. Olhos completamente feridos “Cause we could be happy, cant you see?” talvez fosse a pergunta que mais incomodasse a nós dois. Percebendo eu que o clima dali estava fluindo para um vaso na minha cabeça ou mesmo aquele violão, desviei os olhos e disse:
- É só uma música. – Sorri, como se dissesse “você não tocou para mim, Ryan, não se preocupe. Sei que seus dedos te trairam e meus lábios nos levaram a uma maldita letra tão parecida com nossa situação atual. – E, não importa, eu estou com fome.
- Eu também. – Sorriu, aliviado, arrumando as coisas que estavam em cima da cama no criado-mudo sem se levantar.
Fomos para cozinha depois que eu ajudei a arrumar o quarto. A minha falta do que fazer me levou a ser prestativo. Decidimos que faríamos um bolo e quando fui pegar a farinha, ela caiu da minha mão sujando totalmente o Ross e por vingança, ele me sujou com o chocolate que derretemos e já estava frio. O que mais me agradava era vê-lo daquela forma, risonho. Se segurando para não se render aos meus encantos e se divertindo.
Eu queria que fosse assim para sempre.
Notas finais
"Você fazendo aquelas coisas que você faz. Quebrando meu coração em milhões de pedaços como você sempre faz. E você, não pretende ser cruel, você nunca nem soube sobre a dor no coração pela qual tenho passado. E eu tento e tento esquecer você, garoto, mas isso é algo muito difícil de se fazer. Toda vez que você faz aquilo que você faz."
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