Just Don´t Care Anymore
1 To the new life _ for 3 Monthes
Notas iniciais
Deixo agora a casa em que vivi toda a minha vida com somente uma mala Azul marinha, ao lado de Lisanna. Era para ser somente mais uma tentativa de revolta contra o nosso pai, mas quando demos conta ele já nos tinha posto fora de casa, coisa que acreditem ou não, não era o nosso objetivo. Eu e a minha meia-irmã Lisanna estávamos apenas a protestar contra o facto do nosso crido pai não nos deixar ter emprego, ainda gerir todo o nosso dinheiro e controlar toda a nossa vida, mesmo eu já tendo 17 anos e a Lis 16. Ele simplesmente não aguentou mais as nossas “Ideias demasiado criativas”, como o próprio dizia, e deu-nos um castigo exemplar que dava jus á sua personalidade. Por 3 meses nós teremos de viver num apartamento na cidade vizinha, frequentar a escola Fairy High School, e trabalhar para arranjar o nosso próprio dinheiro. Assim, pegamos as duas no nosso carro e saímos de casa. Acho que isto é uma tentativa dele de nos mostrar que gerir o próprio dinheiro e vida é difícil. Mas vai-se dar mal. Eu e a Lisanna vamos passar isto com uma perna ás costas ou eu não me chame Lucy Heartfilia.
- Ainda é cedo. Podes abrandar. _ Lisanna pedia enquanto abria um compartimento secreto disponível no nosso carro e tirava um maço de tabaco, algo que o nosso pai nem desconfiava que existia claro. _ Não vale a pena chegarmos muito cedo. Marcamos com a proprietária apenas para as 10 h e ainda agora deu as 9. Não é preciso acelerar.
Ela estava calma. Acendeu o cigarro e o fumo dele veio para cima de mim.
- Estou muito ansiosa. _ murmurei mas ela ouviu e virou simplesmente a cabeça. _ Tu não?
- Não posso dizer que esteja. _ abriu a janela para o fumo sair e levou de novo o cigarro a boca. Gestos normais quando íamos sozinhas no carro _ Acho que apenas quero que isto acabe logo. Pelo menos estes meses vão nos trazer o gosto da liberdade. Enquanto isso mais vale aproveitar a paisagem. Vai devagar.
Abrandei e suspirei fundo. Sim acho que o que ela dizia era verdade. Pelo menos aqueles dias longe de casa vão nos trazer o gostinho da liberdade. Lisanna dá razão ao que as pessoas dizem. Ela é uma das filhas mais espertas de Jude Heartfilia. Claro que não é a única. Para alem de nós Jude tem mais 2 filhos. O meu irmão caçula Romeu é sem duvida o mais esperto da família. Ainda tenho mais um meio irmão mas nunca o conheci. Ele morreu É uma historia trágica. Na verdade toda a minha família tem uma historia trágica. Somente eu e Romeu somos filhos de Layla e Jude Heartfilia, porque os meus pais são cornos um para o outro a tempo inteiro e nem se importam com isso. O primeiro filho, o filho mais velho, o morto, é filho posterior ao casamento. Na verdade a minha mãe casou com ele no ventre. Ela tinha tido relações com um Bancário de Londres ( por essa altura já estava comprometida com o meu pai) antes de casar e dar á luz Boswel, que foi morto pelo Bancário, uns meses antes de eu nascer, pois não aceitava que aquela criança estava ligada a si. Nasci eu. Fui bem amada. A minha mãe adorava-me, o meu pai adorava-me, os criados adoravam-me, todos me adoravam. Uns meses depois disso o meu pai meu pai teve relações com uma mulher casada que tinha outras duas crianças. A mulher engravidou dando á luz Lisanna. Ela é que ia tomar conta da Lis, mas quando o marido descobriu que a criança não era dele matou a mulher á facada e foi preso pelos policiais antes de matar o resto das crianças e a bebe. O meu pai decidiu então tomar conta dela. A minha mãe nem se importou mas nunca foi ligada a Lisanna. Chamava-lhe coisa branca com pernas. Anos mais tarde os meus pais voltaram a ter relações e delas saiu Romeu, o mais esperto da família. Acho que ainda hoje aqueles dois são cornos um para o outro, mas eles nem querem saber. Eles ainda são felizes depois de tudo.
- Acabamos de passar um sinal vermelho Lucy! _ ela não parecia assim tão alarmada quanto queria transpancer. _ Está atenta á estrada.
- Só tenho a carta á 4 meses. Não reclames Lis. _ Ela olhou-me de olhos serrados.
- Não estou a reclamar. Tu passas-te um sinal vermelho, ou seja o pai vai receber em casa uma multa, muito provavelmente bem choruda. Esta vai ser a primeira coisa que nos vai dizer quando voltarmos. Isto se não ligar hoje á noite a dizer que o dinheiro que fizemos no trabalho será para pagarmos pela multa _ Ela ri alto. Eu solto um gemido frustrado.
- Espero bem que não. Não me importo de pagar pela multa mas hoje não estou para o aturar. _ Ela volta a rir mas desta vez com gosto.
- Então somos duas. Homem chato só sabe falar de negócios. Ele nem sempre foi assim _ uma grande verdade. O meu pai já foi um homem bastante simpático e amistoso. Isto traz-me velhas recordações. Nós os dois a passear pelo jardim
“que flor tão bela papá!”
“É uma Alstroménia. Sabes o que significa?”
“O que?”
Significava Felicidade. Era do que o jardim da nossa casa estava coberto. Retratava bem o clima.
Entramos numa pequena povoação. Uma placa avisava que estávamos a 50 Km de Magnólia, a cidade para onde nos dirigia-mos. Era uma aldeia acolhedora aquela em que passava-mos. O ar das montanhas estava impregnado por ali. Quando avistei um café estacionei estrategicamente num recanto aberto e parei o carro sobe os olhares atentos de Lisanna.´
- Porque paramos Luccccyyyy?! _ A maneira como ela carregava no meu nome quando estava impaciente surpreendia-me sempre e eu já a conhecia á 16 anos.
- Ora! Tenho de ir a casa de banho não é obvio? _ Ela olhou-me feio.
- Bem…mas compra mais tabaco. Só temos mais quatro cigarros. _ revirei os olhos.
- Só tenho 17 anos Lis. E não temos maneira de Subornar os empregados. _ Era assim que mesmo tão novas nós conseguíamos comprar tabaco. Se aprendemos algo com o nosso pai foi que com um pouco de Suborno tudo é possível. Claro que ele não fazia ideia que as suas aulas estavam a servir para os princípios errados.
Lisanna olhou-me atonita. Acho que finalmente lhe caiu a ficha de que ela teria de ficar sem fumar durante os próximos três meses. Fechei a porta com um estrondo e dirigi-me até á porta do pequeno café que estava rodeado de moradias pequenas mas de aparência acolhedora. Senti o vento das montanhas antes de passar pelas mesas de plástico onde alegremente os homens jogavam ás cartas. Alguns desejavam-me os bons dias. Gente simpática. Na cidade nada disto é assim. Não á quem tenha tempo para desejar bom dia a alguém. Estão demasiado distraídos com as vidas secantes. Por isso eu gosto tanto de aldeias. São acolhedoras e fazem-me sentir descontraída. Lisanna detesta-as. Essa poderia ter sido uma das razões para ela não ter saído do carro.
Entrei dentro do estabelecimento e dirigi-me ao balcão. Um rapaz de cabelo num tom rosa que parecia natural dirigiu-se a mim apos ser avisado por outro empregado. Tem aspeto de punk apenas por causa do cabelo. Quem tem cabelo rosa?
- Que vai crer? _ ele sorriu. Pelo menos os dentes eram brancos. E tenho de admitir um sorriso encantador. Ele tem aspeto de ser mais velho que eu. Se Lisanna estivesse aqui já se estava a meter com ele.
- Onde são as casas de banho, poderia dizer-me? _ O sorriso diminuiu para dar lugar a uma risada sedutora.
- Primeiro vai ter que consumir. _ Suspirei tirando a carteira da mala de tiracolo que levava.
- Uma meia de leite por favor _ Ele riu-se mais estridentemente.
- Não vendemos disso aqui riquinha _ Olhei-o feio. Detestava que me chamassem assim.
- Tudo bem. Então que seja um café normal. _ Ele virou-se pondo a maquina a funcionar. Eu inspecionei o local. Não avia muita coisa por ali que se diferencia-se dos cafés a que estou habituada. Apenas a questão do espaço, do luxo e da ementa aparentavam diferenças.
- Aqui tens. São 55 cêntimos. _ Aqui estava outro pormenor. Nas cidades os preços eram mais elevados.
- Barato _ murmurei tirando o dinheiro. Mas ele ouviu, sorriu e debruçou-se sobre o balcão.
- Muito diferente da cidade dos ricos Loirinha? _ Olhei para ele de lado enquanto o mesmo pegava o dinheiro e o metia na registadora.
- Porque pensas que sou rica? _ele encarou-me.
- Pelas roupas. São iguais ás que a minha irmã vê naqueles catálogos para gente rica. Ela só se pode ficar pelos catálogos ao contrario de ti. Obriga-me a ver com ela. Esse conjunto foi a foto de capa da do ultimo mês. _ Ele suspirou _ Tambem pelo facto de apareceres nesta revista.
Atirou-me uma revista onde, na capa, estávamos eu e a minha irmã em grande, a sair de casa á noite em direção a uma festa qualquer. Em tema estava escrito “Irmãs Heartfilia convidadas para assistirem a gala dos famosos pelos próprios organizadores”. Soltei um grande suspiro.
- Este revista já é antiga. É do ano passado. _ Ele arqueou as sobrancelhas. Ficou sexy.
- Nem todos temos dinheiro para comprar revistas novas _ Bebi o ultimo gole do café. Ele pegou num pano e atirou-o para trás do ombro. _ As casas de banho são ao fundo riquinha. Espero que estejam do gosto da classe alta.
Ele até pode ser sexy mas parece ter algum complexo com pessoas com dinheiro!
____ ____
Ao fim de um tempo Lisanna já me avistava a sair do café pela janela do carro. Tinha um ar impaciente. Abri a porta e atirei-me para o banco do condutor.
- Por que demoras-te tanto? _ Eu repousei e pus a chave na ignição.
- Tive de consumir. _ Ela franziu a testa.
- Isso não demora muito tempo. _ Eu suspirei.
- O empregado que me atendeu pareceu ter algum tipo de problema com pessoas ricas. _ Ela recostou-se.
- Acho que isso pode ser considerado uma desculpa. Mas vamos embora. Este ar da montanha está a dar-me comichão. _ Ri-me e pus o carro a andar. Dizer que um ar puro como o das montanhas faz comichão é típico da minha meia-irmã. Por momentos penso nos comentários sarcásticos que Romeu daria se estive-se aqui. É dele que vou sentir mais falta nestes três meses.
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