Just Don´t Care Anymore
2 This city…this boy…this maniac
Notas iniciais
–Merda! _ Lisanna tropeçara pela centésima vez na escada do arranha céus, onde fica o nosso apartamento. Chegamos á pouco tempo, e fomos logo abordadas com uma senhora de baixa estatura que nos entregou uma chave e nos ameaçou sobre o pagar da renda de mês a mês. Quando entramos no prédio fomos abordadas por um técnico que nos avisou da falha do elevador. Sendo que o nosso apartamento se situava no 6º andar, de 40 andares, eu dei-me por felizarda por o nosso pai nos ter alugado uma casa perto do res do chão, mas Lisanna, que transportava 5 malas e eu ainda levava 2 delas, Fartava-se de reclamar e tropeçar.
– Vai com calma. Ainda cais. _ Ela suspirou e murmurou algo inaudível.
– Só espero que o apartamento valha a pena _ “duvido muito” pensei para mim mesma. Se o que o nosso pai cria era castigar-nos não nos ia alugar um apartamento de puro Luxo. Suspiro quando finalmente chegamos ao nosso andar e meto as chaves na porta abrindo-a com um crack. Lisanna entra a correr pousando as malas.
– Não é mau. _ Olhando em volta via-se que estávamos numa sala já decorada, provavelmente pelos criados da mansão. Era bastante grande e tinha-se uma vista excelente pela parede de vidro reluzente. Havia duas casas de banho ornamentadas e dois grandes quartos com camas de casal. A cozinha era ligada á sala. Não é mau é pouco. Aposto que a maioria das pessoas não tem acesso a sítios como este em metade da sua vida. Pergunto-me se o meu pai sabe algo sobre a vida dos “simplórios” como Lisanna lhes chama.
– Acho um pouco exagerado. _ Lisanna não contem o riso.
– Tu achas tudo exagerado. _ Ela atira-se para os sufás curvos que se encontravam no centro da sala e liga a televisão gigante na qual nem tinha reparado. _ Digo já que o quarto com vista para o Oceano é meu!
– Tu queres tudo extravagante. Ao contrario de mim! _ Ri-me alto e atirei-me de costas para o outro sofá ficando deitada de barriga para cima.
_ C´est Moi! _ Ela piscou-me e levantou-se dirigindo-se ás malas. _ Que me dizes? Vamos á praia?
– Ainda agora chegamos! Temos coisas para arrumar! _ Desde pequena que os meus pais me trazem a experimentar o esplendor das praias de Magnolia.
O mar calmo, as bandeiras verdes, a areia fina e o céu limpo faziam parte das minhas recordações. Decidi, antes mesmo de saber que vinha a Magnólia, ainda em pequena na verdade, que um dia levaria Lisanna a uma das prais Magnoliences. A verdade é que como Lisanna era filha bastarda, a minha mãe não gostava de a ter por perto e o meu pai queria afasta-la das mas bocas da imprensa, então ela nunca teve oportunidade de sair de férias em família.
– Vá lá! Amanha tratamos disso tudo. Tenho um biquíni novo que está a pedir para ser estreado. _ Suspirei pesadamente e sorri divertida.
– Tudo certo. Acho que não faz grande diferença mesmo. _ Peguei na mala e levei-a para o quarto contrario ao que a Lis querias. Era acolhedor. Tinha uma cama de Dorcel com lenções azuis claros, um tapete de folhos Rosa flamengo e uma varanda com cortinados acolhedores. Na varanda estavam posicionadas duas cadeiras e uma mesinha com um cinzeiro. O quarto tinha sido preparado para mim, por Laurinda. Ela era a única da casa que conhecia os hábitos fumadores de Lisanna, e a maneira como ela gosta de se refugiar na varanda do meu quarto, voltado contra os jardins onde o pai costuma passear, para o fazer. Ficaria contente em saber que ali havia também uma varanda.
Abri a mala azul e pu-la em cima da cama tirando apenas o meu biquíni branco simples e o meu páreo azul ás bolinhas brancas para servir de toalha. Abri a casa de banho do meu quarto e olhei-me ao espelho durante um tempo antes de me começar a vestir. Apanhei esta mania com a minha mãe. Uma mulher decidida e trabalhadora, mas que gosta de perder tempo a admirar-se. Eu era como ela. Uma vaidosa por natureza. Não pensem que como só trouxe uma mala sou uma mulher conservadora e tímida para com o próprio corpo. Na verdade naquela mala está apenas o resto da roupa que eu tinha no armário. O resto dela tinha ido no camião das mudanças e tinha ocupado metade dele. Lisanna decidiu não mandar a sua. Estava demasiado preocupada que acontece-se algo ao camião e perde-se as suas “belezas”. Visto o biquíni a correr pois já oiço Lisanna a bater á porta freneticamente. Pegando no páreo faço um vestido tal como a minha ama me tinha ensinado a fazer e saio porta fora.
– Finalmente! _ Lisanna esperava-me de braços cruzados. _ Estavas a preparar a terceira guerra mundial ali dentro?
– Quase isso _ respondo dando de ombros _ Estava mais para planear o meu suicídio.
– Meu deus! Isso seria pior do que a terceira guerra mundial _ No sentido Literal. A família Heartfilia faz bastante polemica entre a imprensa e os seus leitores. Qualquer coisa que nós faça-mos é como uma bomba largada na sociedade. Então, se mais alguém cometesse o suicídio, ia gerar uma polemica louca e incontrolável.
Mais alguém porque já ouve quem cometesse. Nem todos na minha família são tão invulgarmente compreensíveis uns com os outros como os meus pais são. A minha tia era um exemplo. Um dia, quando a tinha ido visitar, ela levou-me para casa dela calmamente e mais cedo do que tinha planeado.
“vamos pregar uma surpresa ao teu tio” disse ela “vai ficar contente em te ver”. Errado. Ele não ficou nem um pouco contente em me ver e muito menos a minha tia, especialmente nas condições em que ele se encontrava. Ele estava na cama com outra mulher. Se querem mais detalhes essa mulher era a minha mãe.
“Bennedeta eu posso explicar!” O meu tio tentava. Mas a minha tia pegou-me ao colo e saiu dali a correr. Ela era demasiado apaixonada pelo meu tio. Naquela altura eu pode tirar algumas conclusões mesmo só tendo 6 anos.
“ Não te preocupes tia Bennedeta. Ouvi um empregado dizer que o papa e a mama estão sempre a por os cornos um no outro e mesmo assim eles são felizes” O meu sorriso tinha acompanhado aquela frase. Um sorriso de uma criança inocente que não percebia o desprezo por ela nos olhos da tia. Naquele dia a minha crida e falecida tia tinha criado um rancor incrível por mim, a filha mais velha da irmã. Ao fim de tantos anos nunca percebi porque ficou com raiva de mim e não com raiva da minha mãe.
“ Vai te embora Lucy. Não te quero ver” Essas foram as ultimas palavras que ela me dirigiu. Três dias depois o corpo dela foi encontrado pendorado por uma corda no cimo da Torre Eiffel. Ela sempre disse que queria morrer lá. Foi o que ela fez. A torre esteve fechada por muito tempo. Dois ou três anos antes de voltar a abrir. Nunca mais lá voltei. A minha mãe não sente nem uma pitada de rancor. Eu sempre pensei que ela não tem sentimentos. Muito antes de se suicidar a minha tia disse-me…
“A Flicity ainda estaria viva se não fosse a tua mãe” Felicity era o nome de uma cadela que eu e a Lisanna tínhamos quando eramos pequenas. Todos adoravam Flicity. A mãe detestava-a. Sem pudor nenhum um dia levou-nos ás duas, nesse dia Lisanna também foi, Para passear a cadela, sem sabermos que ela tinha pagado a um homem para a atropelar bem á frente dos nossos olhos. Os olhos de uma criança de 5 e de 6 anos.
– Terra chama Lucy! Acorda Lucy! _ Lisanna movia a mão á frente da minha cara. _ Vamos?
Saímos porta fora e entramos no agora arranjado elevador. Lisanna emitiu um guincho de satisfação repentina.
– Não podemos gastar o dinheiro todo. Lembra-te que temos apenas 300 dolares nada mais. _ Ela assentiu com a cabeça fazendo biquinho
– Assim até parece que tenho cara de gastadora compulsiva. _ Saímos do prédio e entramos no carro. Olhei o relogio. Cinco e meia. Tinham passado 5 horas desde que cheguei. Não sei como me distrai tanto com o tempo mas aconteceu.
– Temos uma hora e meia _ Lisanna sentava-se agora no banco do passageiro
– Apenas isso? _ Suspirou. _ Bem acho que já era de prever.
Não dava para ir no dia seguinte pois temos aulas.
– Aulas no segundo dia de chegada? Que seca!
Estas foram as palavras proferidas por Lisanna quando o nosso pai nos avisou.
Rumamos para a praia. Arranjei estacionamento numa zona pertinho da mesma. Lisanna saiu triunfante levantando alto os braços. Eu sai atrás. As pessoas olhavam-nos e comentavam umas para as outras. Tambem, Somos de uma das famílias mais conhecidas do mundo. Tirei da minha mala de palha os meus óculos de sol Pretos tirei dois puxinhos amarrando o cabelo em duas marias chiquinhas. Respirei fundo e pus os óculos de sol caminhando para a praia com Lisanna a meu lado.
As pessoas seguiam-nos com o olhar, em especial os homens. Esses tinham luxuria na face. Passamos por um bar de praia e eu parei.
– Espera Lis! _ Ela olhou-me com cara de impaciência. _ Vamos comprar um café?
– Um café? _ Ela riu-se _Acompanho-te Mana mas fica a saber que não estou virada para coisas simplórias.
– Sim. contigo é tudo extravagante! _ Ri-me aproximando-me do local onde encontraria o Bar men. _ Boa tarde…
– Riquinha! _ Conhecia aquela cara. Ele parecia tão surpreendido quanto eu.
– Quem é Lucy? _ Lisanna não sussurrou. Falou em alta voz olhando desdenhosa para o tipo mas com luxuria no olhar.
– É o tal homem do café que eu te disse que me empatou _ Ela pareceu desiludida.
– Apenas mais um simplório! _ Ela sussurrou mas ele ouviu e mostrou-se irritado.
– Algum problema Albina? _ Lisanna odiava que a chamassem assim. Fudeu. Ia dar briga.
– Bem, eu só quero dizer, Para mim uma pessoa que não se pode sustentar só de uma coisa é somente um simplório! _ eu queria levar Lisanna dali. nunca me tinha arrependido tanto em entrar num café.
– Desculpa! É que nem todos podem ter todo o dinheiro do papá para pagar os custos da vida. Á quem tenha de trabalhar por ela. _ O Rosinha enfureceu-se mesmo. calou mesmo Lisanna que eu empurrei dali antes que fala-se algo mais.
– Vamos Lis. Vamos prá praia. _ Estava a empurra-la quando vejo um cartaz ao pé do bar. Um cartaz que me erradio. _ Estão a contratar?
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