Just A Villain

3 O conto de Jasmine


Connor abre o pergaminho com paciência, havia acabado de chegar em seu quarto, nas terras de Auradon, o jovem padrinho havia ficado responsável por cuidar da pequena Jasmine e para isso, estava ali no castelo dentro do seu reino. Sua missão era única, guiar a garota por todos os anos, até que pudesse se tornar uma Rainha, ele seria o seu conselheiro, aquele que a orientaria e a ajudaria com ou sem magia. Ele deveria ensinar a aquela garota os valores nobres da realeza, ensinar ela a ter seus próprios princípios e ser sábia para comandar o seu reino.

Quanto ao seu destino escrito naquele pergaminho, apenas Connor teria acesso, já que nada deveria ser alterado, e nada deveria ter uma rota diferente, por isso ele leria por uma vez, gravaria o conto em sua mente e se contentaria em esperar até o momento certo, para que a princesa tivesse o seu feliz para sempre.

Os Estados Unidos de Auradon era enorme e ali dividido em pedaços, havia outros reinos, como se ele fosse um país, e os pequenos reinos fossem estados.

Ele se pôs a ler o pergaminho de cor verde água, que estava repleto de tinta prateada, igualmente a capa do livro.

“Era uma vez, uma bela princesa de nome Jasmine, essa linda garota tinha a pele morena, os olhos castanhos médios, nem muito claro ou muito escuro, e um cabelo enorme, que a deixava tão bela quanto qualquer princesa. A garota era reconhecida pela sua gentileza e sua alma nobre, além da sua personalidade independente e decidida. Ela desejava prosperar o seu povo e protegê-los. Mas seu pai, o sultão, desejava que Jasmine se concentrasse no seu casamento com o príncipe Aladdin, este que estava vindo de muito longe só para conhecê-la, mas Jasmine sempre se perguntava como poderia casar-se com um homem que nunca vira, como poderia ceder aos caprichos de seu pai e entregar o controle do seu reino a um desconhecido que vinha de um lugar tão desconhecido quanto. Mesmo com sua resistência, o pai de Jasmine insistiu muito para que a princesa conhecesse o príncipe, e cedendo ao seu velho, ela finalmente aceitou a proposta de ter um encontro com o príncipe e conhecê-lo um pouco mais. Então o príncipe Aladdin animado com o encontro, chegou ao reino de Agrabah com um lindo cortejo para os cidadãos, alegrando toda a cidade, lhe trazendo vida e festividade. Jasmine achou um tanto demais aquele ato, mas curiosamente ela queria conhecer aquele príncipe que chegara com tanto barulho ao seu redor. E foi como amor à primeira vista, quando os dois se encontraram, sorrindo um para o outro, o príncipe Aladdin a cortejou devidamente e conquistou o coração da princesa com toda a sua energia e jeito desengonçado. Decidida a aceitar o pedido de seu pai para se casar, Jasmine escolheu o príncipe Aladdin para viver ao seu lado e viveram felizes para sempre”.

Ele enrola o pergaminho enquanto assente brevemente com a cabeça, precisava guardar em sua memória cada pedacinho, para que não pudesse esquecer. Ele dá um laço no pequeno tubo que acabara formando ao dobrar o papel, e passa sua mão sobre ele, fazendo-o desaparecer, devolvendo a sala dourada, indicando que sim, ele havia lido e sim, ele estava caminhando para cumprir com aquilo. Naquele momento a princesa ainda tinha oito anos, mas quando chegasse aos dezoito deveria cumprir seu destino.

O toque na madeira o fez olhar em direção a mesma, e abrir um sorriso quando viu a garota tão animada surgir, ao seu lado havia um enorme tigre de bengala de nome Rajah, este que a protegia como um dos guardas do castelo.

— Senhor Connor, que bom finalmente conhecê-lo – ela fala animada enquanto acaricia as costas do seu bichano que já estava aprumado no corpo dela.

— Princesa Jasmine, é um prazer poder conhecer-lhe, mas não deveria ter vindo sem o seu pai, ele não vai gostar nada disso – Connor sorri gentil enquanto arrancava uma risada gostosa da menina, ela realmente não ligava para os modos reais, não com aqueles que podiam ser seus amigos próximos.

— Baba está acostumado – ela sacode a mão com um gesto, indicando que ele realmente não deveria se importar com aquilo ou temer as reações do rei – hm, senhor Connor eu posso fazer-lhe uma pergunta?

— Contanto que ela não envolva o seu conto de fadas, será um prazer responder.

— Ah não, não – ela sorri demonstrando leveza, realmente não tinha intenção em querer saber sobre o seu conto de fadas, pois sabia que de qualquer maneira seria bom o suficiente para surpreendê-la – eu gostaria de saber se posso chamar-lhe de padrinho, será mais confortável para mim.

— Claro que sim princesa, fique à vontade.

Ela dá pulinhos de alegria enquanto Rajah corre ao seu redor, expondo também a sua felicidade.

— Quando começamos as lições? – ela pergunta, sempre fora uma garota sedenta por ensinamentos e informações que pudesse ajudá-la a ser uma boa princesa.

— Na próxima semana, te ensinarei e a guiarei em tudo que precisar princesa.

— Certo – ela assente e logo se despede dele, levando Rajah consigo.

Sozinho no quarto, Connor encara suas malas no pé da cama, era uma nova vida e teria que se adaptar a uma realidade, se adaptar a aquilo que cresceu para cumprir, mas algo em seu âmago o deixava temeroso, talvez fosse a voz em seu ouvido, sussurrando coisas absurdas para ele, ou talvez fosse o medo de falhar. Aquela garota a qual havia deixado seu quarto minutos atrás, era muito alegre e merecia o mundo, então ele se sentia na obrigação de dar-lhe um final feliz.

Ao canto do seu quarto ele percebeu uma gaiola consideravelmente pequena, e estava coberta, em sua frente havia um bilhete deixado em tinta preta.

Espero que goste do presente e seja bem-vindo.

Com amor – Jasmine

Ele sorriu deixando o bilhete sobre a mesa e removendo o pano sobre a gaiola, recebendo sobre si os pares de olhos amarelados e o bichano de pelos vermelhos com uma única pena sobre a cabeça, azul, então sorriu para ele, era um papagaio, que viraria seu mais leal companheiro. Assim que o removeu da gaiola, o bicho pousou sobre seu ombro, se sentindo confortável ali.

— Que tal eu chamar-lhe de Iago? – Connor pergunta para o bicho que agita suas penas e aponta seu bico de baixo para cima, repetindo ao menos duas a três vezes o nome que havia sido lhe dado – então estamos de acordo.

Sua vida parecia estar se encaixando nos astros e estava feliz de poder ser padrinho de uma garota tão gentil e extraordinária quanto Jasmine. E mesmo que estivesse tão nervoso com a possibilidade de falhar, daria tudo de si.

Um espelho surge em sua frente, indicando que alguém estava entrando em contato consigo, ele pega o pequeno objeto e vê a imagem de Pandora surgir em sua frente.

— O que você quer? – ele pergunta, deixando seu bom humor de lado e adquirindo uma carranca mal-humorada.

— Você também o ouve? – pergunta a mesma, fazendo o moreno franzir o cenho em confusão, Pandora parecia uma louca daquela forma, ele mal havia deixado Poneros e ela já estava alucinando.

— Pandora, eu acabei de chegar, estou cansado, por favor...

— Tem algo acontecendo Connor, e eu sei que você sente isso, sentiu no dia em que estivemos naquela clareira, eu sei que você se sentiu tentado pelo livro.

Connor engole em seco, não era novidade que ele realmente havia sentido a tentação pairar sobre si naquele lugar, e não gostava de lembrar, então Pandora não precisava ficar jogando aquilo em sua cara.

— Não estou lhe acusando de nada, apenas me escute e se ainda achar que estou louca, como está achando agora, pode desligar – ela fala nervosa e ele apenas sacode a cabeça, concordando com as condições dela – o livro é um objeto magico, na verdade ele é o livro original dos contos de fadas, o que está aprisionado dentro dele é o que todos em Poneros temem.

Ele semicerra os olhos apenas ouvindo aquela asneira, de onde Pandora havia tirado tantas coisas como aquela? Estava começando a criar um conto ou estava realmente ficando louca?

— Isso não tem graça Pandora – Connor solta um riso fraco, decidindo tratar aquilo como uma brincadeira – só existe um livro na dimensão mágica, ele tem a capa prateada, as folhas são coloridas como um arco íris e as letras são prateadas, não existe e nunca existiu outro livro de contos de fadas além desse.

— E se eu provar que existiu? Você acreditaria em mim?

Aquilo havia o pego desprevenido, se ela estava brincando ou alucinando, não teria como provar nada, certo? Então porque ele estranhamente passara a duvidar de suas suposições, por que aquilo parecia tão misterioso e sufocante?

— Eu sei que você ouve uma voz sussurrando no seu ouvido – ela torna a falar depois do breve silencio de Connor, que mordia os lábios com nervosismo – eu sei por que eu também o ouço – ela engole em seco nervosa – seja lá o que tem naquele livro, ou dentro daquela caixa, está conosco agora, e se não descobrirmos o que é ou o que pode fazer, pode interferir no nosso destino.

— Pandora, eu começo a treinar a garota Jasmine na semana que vem, não posso retornar a Poneros.

— Eu ainda estou aqui – ela insiste prontamente – não preciso que venha aqui, apenas que confie em mim, Belladona acha que estou ficando louca, ela acha que é culpa do meu destino que não foi apresentado, acha que é besteira minha.

— Porque eu e não o Asafe?

— Porque você sabe do que estou falando, eu ouvi seu nome sendo sussurrado, quanto mais longe de Poneros, mas fácil quebrar a ligação entre a floresta e seu intimus, eu estou aqui.

Ele podia compreender por que ela havia o escolhido, ele seria o último que deixaria alguém para trás.

— Okay, mas precisa me trazer todas as provas concretas e depois eu decido se acredito em você ou não.

Ela assente e logo desaparece no espelho, fazendo aquele canal ser dispensado. Agora era somente questão de tempo para que ela trouxesse provas e que eles pudessem decidir o que fazer com tudo aquilo.