Just A Villain
19 O último descendente

As memórias de Chiang renegando a própria filha eram dolorosas para Balthazar, mas ele as aceitou porque precisava saber quem era aquele homem, a quem lhe foi confiado o seu destino, o mesmo destino que acabou o deixando trancado por anos, dentro daquele livro.
Balthazar caminhou pela floresta agora clara demais para anos de escuridão, ele se sentia nostálgico ao lembrar que aquela mesma floresta era o lugar onde se encontrava com sua amada, quando precisava ir a Poneros. E ele não só se sentiu nostálgico como também alucinou, como havia alucinado no dia em que foi sido aprisionado no livro, ele viu a imagem de sua bela dentro do caixão de vidro, sobre a mármore branca.
Ele caminhou até lá e abriu a tampa da caixa, admirando o belo rosto da mulher, depositando um beijo em seus lábios, fazendo-a acordar de seu sono profundo.
— Balthazar – a garota falou sorrindo – meu amor, você voltou para mim.
— Você que voltou para mim minha princesa – o homem sorriu enquanto sentia o afago dela em seus cabelos, enquanto podia sentir o cheiro gostoso de lavanda nos cabelos dela.
— Balthazar – a garota chamou atrás deles, era Harriet, em seu corpo e forma, Balthazar já havia lhe devolvido seu corpo – eu posso ir?
— Sim Harriet, você pode, mas antes eu preciso que dê um recado a uma pessoa – Balthazar diz encarando-a – diga a Pandora que seremos o sacrifício daqueles que um dia brincaram de deuses.
Harriet franziu o cenho, havia perdido muitas coisas, mas com certeza Pandora lhe diria imediatamente, pois o tempo deles estava acabando.
Harriet deixou o livro, depois de sorrir para Balthazar que estava ocupado demais olhando para sua amada. A garota agora podia sentir a magia do livro mais forte e sabia que o tempo deles estava realmente no fim.
Ela correu até a base da floresta, onde encontrou cinco pessoas reunidas ao redor de um corpo, eles pareciam ter sofrido alguma alteração do tempo, e até ela mesma agora percebia que havia algo errado em si. Olhou para as mãos, unhas longas como nunca havia usado, olhou para as roupas, em um modelo que nunca havia guardado em suas vestes, o rosto lhe parecia diferente e o cabelo mais ainda, seu alterego era real, tão real quanto o dos outros a sua frente.
— Balthazar mandou um recado para você – Harriet atrai a atenção dos outros para ela, enquanto ela se junta a eles – ele disse que somos o sacrifício daqueles que brincaram de deuses.
— Fala isso só pelos contos de fadas? – Belladona pergunta confusa.
— Não Bella, isso é maior do que nós, maior do que eu, do que você, do que Balthazar.
— Então? – Declan franze o cenho confuso.
— Eles estão seguindo o que o destino quer, porque uma delas ousou quebrar isso, uma delas se recusou a isso, e ela pagou caro.
— Caro quanto? – Dandara pergunta temerosa, eles sabiam que não estavam falando de número e sim de consequências.
— Com a vida, ela foi condenada a vegetar dentro do seu próprio corpo, enquanto sua mente gritava e ninguém podia ouvi-la – Harriet parecia relembrar cada detalhe que viu no livro, era importante e por causa daquilo, a informação mais precisa veio a sua mente, a fazendo ter um sobressalto – Asafe, ele também quer vingança, também quer acabar com Poneros.
Todos ali pareciam confusos, Harriet nem esteve ali, como podia saber que Asafe estava tão envolvido naquilo? E como se tivesse o invocado, o próprio apareceu ali, com uma aparência medonha, que daria medo em qualquer criancinha, mas que neles só causou confusão, afinal, ainda estavam tentando entender o que finalmente aquele ser tinha a ver com os planos de Balthazar.
— Todos nós viemos de um dos nossos criadores – Harriet esclarece, aquilo, eles não sabiam – Belladona e Dandara vieram de Hilla, Declan veio de Gamela, Pandora veio de Jumbo, eu e Kane viemos de Grimm e Asafe.
— Vim de Kira – Asafe conta com um meio sorriso – e eu a conheci, ela tentou ser uma mãe pra mim, mesmo contra as regras e bem... ela foi punida todos esses milênios – Asafe suspira cansado – por isso eu não podia deixar vocês me impedir, Poneros não pode ser salva e Balthazar sabe disso.
— Não há o que salvar – Pandora indica a floresta, a magia estava tomando tudo – vamos nos preparar, chamem June.
— Tem certeza? – Belladona pergunta meio temerosa.
— Ela garantirá que nós selaremos o livro – Pandora concorda, não havia muito o que fazer, o tempo deles estava acabando, e precisavam ser rápidos.
Muitos milênios atrás, quando nada havia naquelas terras, o Caos tomou para si a responsabilidade e colocou sobre aquelas montanhas, cinco seres dotados de magia, com apenas uma missão, criar um mundo lindo e nele fazer florescer as mais belas histórias, atendendo ao destino.
Mas eles entenderam muitas coisas erradas e acabaram fazendo daquele lugar, uma podridão, mesmo que aparentemente tudo fosse lindo.
Eles criaram todo o reino de Auradon, e junto a eles, planejaram todos os outros reinos, ou mini reinos. Fizeram tudo pensado, criaram todos os contos com cuidado, mas quando a fonte que os conectava ao destino foi mostrando as imagens em um fluxo desconexo, eles acharam que tudo deveria ser alterado e foi por isso que Kira, a criadora do reino de Auradon desistiu de seguir as imagens, mesmo que estas fossem interpretadas errada, ela queria que Auradon fosse destruída, queria que eles pagassem por fazer todos aqueles seres sofrerem de formas diferentes.
Kira definhou por séculos, e com suas últimas forças, com a visão que Jumbo lhe contou em um momento de loucura, ela criou Asafe, o seu descendente que traria para aquele reino, uma nova realidade, por isso, ela ficou aprisionada dentro de sua própria mente, pois a última centelha do seu poder que a mantinha lúcida, foi transferida para seu último descendente. E Asafe não podia contar com Balthazar, mas acabou lhe sendo muito útil em sua vingança contra aqueles que acharam que podiam ser deuses, aqueles que deixaram a ganancia tornar o belo em feio. Mas agora tudo estaria acabado, e eles garantiriam que o futuro fosse diferente, que nenhum mocinho ou vilão ousasse seguir a porcaria de um destino mal feito.
Fale com o autor