Just A Villain
6 Ilha dos perdidos

A garota se remexia na cama, estava dentro de um terrível pesadelo, que parecia mais vivido do que os momentos reais que presenciava, era como se ela estivesse acordada naquele momento, em uma realidade diferente, fazendo parte de um plano maléfico. O plano onde ela tomava para si a coroa da irmã e tudo que seria um dia da pequena Alice. Era perfeito o plano, se Alice não tivesse sobrevivido ao seu cão. Ela podia sentir a pele arder ao ter a coroa arrancada de sua enorme cabeça, essa que poderia facilmente ser parte de um universo de cartoon.
Seus olhos se abriram repentinamente, sua respiração estava ofegante e ela precisava urgentemente abrir aquele pergaminho, precisava ter certeza de que de alguma forma, seu destino e o destino da Alice era belo, que não havia cães, ou cabeças degoladas. Que tudo que acabara de vivenciar havia sido apenas um maldito pesadelo, feito para assustar criancinhas.
Porém sua decepção foi enorme ao ver que seu destino era horrível, cruel, que o desejo pelo qual seu coração pulsava, agora lhe entregava de bandeja em forma de letras, escritos e traçados pelo destino.
O choro complacente que rompeu de sua garganta foi tenebroso, e alto o suficiente para fazer sua irmã correr até seu quarto, para lhe afagar, mesmo sem saber o terrível monstro que sua irmã se tornaria, mesmo sem saber que aquela seria a pessoa a lhe apunhalar pelas costas.
Não chore minha criança, eu sei o que deseja, porque somos ruins por dentro. Ditara a voz, e ela sabia que não pertencia a sua irmã, e por isso, desejou com todas as forças que sua irmã fosse embora, até lhe externou a gritos.
Naquela noite, Eleanor saiu do castelo e se perdeu pela floresta de Auradon, ela não sabia onde estava indo, mas desejava apenas se livrar de toda aquela angústia e esperava que de alguma forma isso lhe fosse preenchido através do abraço da natureza. Mas algo tão puro jamais a tocaria, pois ela já estava marcada, já estava corrompida, e para um vilão, nunca há um caminho de volta.
O espelho apareceu diante de si, como um brilho na escuridão, ela parou imediatamente, deixando seus joelhos cederem na terra suja. O rosto de Pandora surgiu diante de si, parecia que a outra havia sentido seu desespero.
— Pamy, eu... eu...
— Está tudo bem querida, se acalme – Pandora maneia a cabeça, havia sentido em sua amago que a outra não estava bem, parecia que a cada descoberta de um novo conto de fadas surgia, algo nela se alertava para aquilo, era como uma espécie de farol para a maldade, estavam realmente todos condenados.
— Eu desejei aquilo Pamy, por mais que eu odeie isso, eu desejei que por um segundo fosse tudo meu, mas...
— Não precisa terminar Lea, estamos fadados a escolhas que não são nossas, assim como estamos condenados a sermos os alvos de algo maior que a gente, estamos perto da verdade, mas para que ela emerja de uma vez, devemos renunciar.
— Renunciar ao que? – Eleanor parecia confusa, sua amiga estava estranha, não parecia tanto com a jovem Pandora enérgica que sempre tinha uma palavra de conforto.
— A nossa bondade, renunciar ao que nunca tivemos, um final feliz.
Era como se o próprio Balthazar falasse através dela, ele queria vingança e ela desejava a verdade, e se precisasse ludibriar todos para tê-la, faria isso, arrancaria os Perrault’s do centro e daria ao mundo mágico uma nova perspectiva dos padrinhos e madrinhas de Poneros, pois seriam eles, os donos dos seus contos de fadas, seriam eles, aqueles que mereciam um final feliz.
— O que está acontecendo conosco? Com Poneros? Com você – Eleanor questiona, havia resgatado um pouco da sua sanidade, e agora era sua amiga quem parecia louca.
Mas afinal, quem não estaria, se houvesse um lunático sussurrando em seu ouvido vinte quatro horas por dia, incitando-a a afundar seu guardião em um rio de pistache.
— Tudo que posso lhe dizer no momento é que os contos de fadas estão sendo alterados, como aconteceu no passado, e isso tem a ver com o livro de Douros – Pandora explica rapidamente, recebendo um acenar de cabeça de Eleanor, ela precisava de mais detalhes, mas por hora, se contentaria, o conto dela não podia ser o pior de todos podia? Realmente, estava bem longe de ser, até porque um deles, ainda resultaria em algo que nem a magia poderia resolver, ou seja, a morte – volte ao seu quarto, Kane irá lhe visitar em breve, cuide-se.
— Obrigada Pamy.
A outra lhe lança um sorriso antes de desaparecer junto ao espelho, cansada, Eleanor apenas retorna ao seu quarto, sendo ignorada pelos guardas que pareciam todos adormecidos de pé, mas algo ali estava estranho até demais, o tempo havia parado, e por um segundo, ela pôde ver tudo.
O que significava aquilo agora? Seria parte da magia que envolvia seu mundo, ou seria a magia provinda do livro? De qualquer forma, toda a Auradon foi afetada, e naquele instante, uma parte da ilha dos perdidos foi emergida das profundezas. Naquele momento, o futuro estava sendo mais do que alterado, estava sendo moldado, esculpido, e a ilha dos perdidos, fazia mais parte daquilo do que qualquer um deles que pertenciam a aquele mundo.
Eleanor pega o pergaminho de volta e vê que algumas partes estavam desaparecendo, realmente como magica, mas não era porque ela havia lido, e sim porque a magia estava enfraquecendo, porque algum coisa para eles estava sendo alterada.
Quanto mais finais felizes, mas energia em tenho para me vingar daqueles que me aprisionaram.
A garota olha de um lado para o outro, aquela voz não saia da sua cabeça, mas não se lembrava a quem pertencia, por isso ignorou e voltou para cama, e naquele momento, o pergaminho desapareceu, retornando para a sala, agora eram quatro e logo haveria mais nove, era tudo uma questão de tempo. Tempo, aquele mesmo que estava sendo alterado e remexido, nada daquilo sairia barato pois o que começou com os Perrault’s acabaria com eles.
E quanto aos anciões, havia apenas mais um. E no momento em que ele sentiu o impacto do tempo sobre ele, soube imediatamente que ele havia sido solto, e logo, uma fúria colérica cairia sobre si, estrondosa e dolorosa. Capaz de revira-lo do avesso, de dentro para fora, como ele próprio o fez ao ser conivente com o destino cruel que aquele pobre casal teve.
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