Just A Villain
10 Escolha entre o bem e o mal

A garota soltou o pergaminho sobre a mesa, enquanto o outro se debruçava em cima de um livro.
— Você sabia – ela diz atraindo a atenção dele para seu rosto, ele não parecia surpreso ou mesmo chocado, sabia que algo estranho estava acontecendo e o fato de Kane não estar ali, lhe confirmava isso.
— Você abriu – ele olha para o pergaminho sem cor, estava curioso para saber o que havia ali.
— Como você sabia o que aconteceria com ela? – Dandara pergunta, se sentando ao seu lado.
— Eu sei de muitas coisas Dandara, inclusive que você desejou a voz dela, é belíssima, não? – Asafe sorri ladino, enquanto Dandara lhe encarava com os olhos semicerrados – tudo bem se sentir assim, somos todos ruins por dentro.
— Eu não...
— Não precisa se justificar lindinha, aproveite a estada – Asafe indica o pergaminho sorridente e se levanta, logo fechando o livro e indo embora, deixando a Cecaelia ali, perdida.
Dandara havia aberto o pergaminho da Ariel e bem, aquilo era algo que ela mal podia imaginar, mas o que lhe surpreendeu mesmo, foi o fato de que dias atrás, em uma conversa com Asafe, ele lhe fez uma pergunta hipotética, sobre o que Dandara faria se Ariel se perdesse nos sete mares, bem, foi basicamente isso que aconteceu, o pergaminho foi aberto três dias depois e a curiosidade de Dandara só aumentou, o amigo lhe parecia muito misterioso e tinha um ar estranho nele, como se algo maligno o rondasse.
Dandara precisava descobrir o que fazer, por isso o espelho em sua mão fez a imagem de Pandora aparecer, Kane estava ao lado dela, os dois pareciam consternados, as testas soavam e os olhos estavam desfocados.
— Estavam transando? – Dandara pergunta e os dois lhe lançam uma careta de desgosto.
— Você só pensa nisso? Credo garota – Kane retruca, e revira os olhos – diga logo o que quer.
— Bem – ela pigarreia, retomando sua atenção para o que realmente importa – eu... não sei como dizer isso mais, Asafe está estranho, ele... – ela encara os dois que pareciam curiosos – a Ariel vai se perder nos sete mares, e vai ficar sem voz por minha causa.
— Não é estranho para você? – Kane pergunta.
— Sim é... mas, eu não sei, Asafe sabia exatamente o que estaria lá, ele está estranho, Pandora, ele é seu melhor amigo, converse com ele por favor, está me deixando assustada – Dandara suspira, havia muita coisa em sua mente e Asafe lhe parecia misterioso demais.
— Asafe bloqueou o nosso sinal Danda, não posso fazer muito e não posso ir a Auradon, mas pedirei a Bella que faça algo – Pandora fala, sua voz estava fraca e ela parecia abatida demais.
— O que há com vocês?
Os dois se entreolham e suspiram.
— Tem uma bagunça enorme no nosso reino, eu e a Pandora estamos no centro de tudo enquanto vocês brincam de Perrault’s, desejando coisas e fazendo a história ser reescrita – Kane fala meio irritado, era verdade o que dizia, havia reparado naquele fato desde que Eleanor contou sobre desejar aquilo, e no fundo, todos eles sempre invejariam ter uma realidade diferente.
— O que eu faço agora? – Dandara pergunta perdida.
— Nada, apenas cuide da Ariel e impeça que o pergaminho se realize.
Dandara apenas assente e a conexão é cortada. Kane encara Pandora em dúvida, eles ainda estavam acordados desde que tivera aquele sonho com Balthazar, e já era manhã, então estava mesmo só o corpo porque a alma estava longe dali.
— Vamos reuni-los – Pandora fala – nem todos abriram o pergaminho, ainda dá tempo de mudar.
— Eu faço isso, você precisa dormir – Kane diz e faz a outra se deitar novamente, ele sabia que Pandora era a mais afetada naquilo, afinal, era nas suas costas que a consciência de Balthazar sussurrava.
Pandora não retrucou, nem relutou, apenas se deitou e deixou que Kane convocasse os outros padrinhos, precisava reuni-los de uma vez e contar tudo que estava acontecendo por ali, era a única chance que ainda tinham de conseguirem impedir o livro de eclodir e impedir Balthazar de ter sua vingança.
Todos já estavam ali, e Asafe era o único atrasado, o mesmo havia dito que passaria no quarto só para deixar algumas coisas e logo chegaria à sala de reunião, mas aquilo estava demorando mais do que o esperado, mas o motivo daquilo era simplesmente porque havia uma carta no chão, e mesmo que não fosse endereçada a ele, a curiosidade lhe faltou mais alto.
A letra sobre o papel era de seu mestre, ele reconhecia, pelas inúmeras vezes que Chiang escreveu sobre o quadro negro.
“Se você estiver lendo isso, quer dizer que está acontecendo de novo, e os contos de fadas estão sendo alterados para uma realidade sombria, desejos que nós temos que infelizmente são maiores do que qualquer magia de amor. Eu fui um padrinho como vocês, mas ao contrário de vocês, eu fui obrigado a mentir e manipular o meu afilhado, eu fui o motivo da sua ruína, e fui o motivo que o transformou em alguém ruim, pois ele tinha tudo para ser o herói de sua história, mas as mentiras e falhas da minha parte, o fizeram um vilão temido em toda Poneros. Infelizmente os Perrault’s não ligam para o que acontece e somos nós padrinhos que devemos lutar para que o mal que foi criado, não seja o motivo da nossa escória. Renunciem e tudo ficará bem, renunciem a sua bondade e deixem que o destino dos seus afilhados seja brilhante – Chiang”.
Renunciar a bondade? Hum, que ridículas aquelas palavras, não faria aquilo só porque Chiang errou no passado, aquele era o legado deles, eles não errariam, não podiam.
Asafe guardou a carta no bolso, deixou suas coisas ali e partiu para a reunião, em direção aonde o caos se espalhavam, pois todos estavam agitados demais com aqueles sentimentos rondado em suas mentes. Assim que Asafe chegou, todos se calaram, Pandora e Kane foram os únicos que notaram algo estranho, afinal, já havia sido avisados por Dandara, enquanto a mesma olhava para o lado de fora, perdida em seus pensamentos. Ele se sentou ali e Pandora foi a responsável por contar tudo que estava acontecendo em Poneros, desde o dia em que todos saíram, até o momento, envolvendo naquela explicação, tudo que Balthazar queria e tudo que ela já havia descoberto.
Ao final, nenhum deles disse nada, apenas assimilaram e não demorou para Asafe mostrar a carta, confirmando tudo que já sabia e tudo que necessitavam fazer, mas eles não queriam, pelo menos alguns deles ainda brigava com o lado ruim, não achava certo que pessoas tão especiais tivessem um destino tão trágico, muitos deles já haviam se afeiçoado aos seus afilhados, era impossível que aceitassem de bom grado o que lhes esperavam no final, bem, menos Eleanor é claro, aquela já havia aceitado a sua ganância, e não deixaria ninguém impedi-la de ter o que queria, mesmo que isso lhe tornasse uma vilã antes do tempo.
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