Just A Villain
11 A garantia de um final feliz

A garota bateu na porta e logo ouviu um entre, a sala era clara, com móveis claros e tudo ali parecia ter sido feito para um instrutor confiável e gentil, mas Pandora duvidava que era realmente aquela a face de Chiang ou de qualquer um que já passara por ali.
Depois de ler aquela carta e ter Balthazar grudado a suas costas, desconfiava de toda a verdade que um dia fora lhe apresentada.
— Mandou me chamar? – Pandora pergunta, ainda estava de pé, parada na frente da porta entreaberta.
— Sim querida – o homem sorriu e se levantou, indo entregar um pergaminho para ela, que franziu o cenho ao ver aquele pergaminho cor de gelo – é uma garota que está prestes a nascer, ela não tem madrinha, mas se quiseres pode ser você.
Ela olha do pergaminho para Chiang, não desejava tocar naquele objeto, tinha medo de fazê-lo mudar só de toca-lo, afinal, parecia que Balthazar estava se alimentando de tudo ao redor deles.
— Não a escolherei mestre, não tenho esse direito, se essa criança não nasceu com uma madrinha ou padrinho, então não será minha – ela fala firme, mas duvidava que Chiang houvesse a escutado, pois suas falas ignoravam tudo isso.
— O nome dela será Elsa, e terá um poder incrível, como nenhum outro – Chiang fala sorrindo e Pandora semicerrou os olhos, era impressão dela ou Chiang adorava poderes absolutos capazes de gerar o caos? Agora entendia porque Balthazar desejava matá-lo cada segundo do dia, era devido aquilo, aquela ganância não era só porque ele havia renunciado para a sua verdadeira face, ele era naturalmente daquela forma, e bem, mesmo que ele odiasse os Perrault’s como dizia odiar, ainda assim, ele os obedeciam cegamente, então não era melhor do que nenhum dos outros.
— Eu recuso – Pandora cruza os braços e sorri pequeno, quase como um deboche – eu realmente não desejo mexer com coisas que estão fora do meu alcance e ainda estou esperando pelo meu afilhado, então eu me manterei aqui.
— Sabe Pandora, a verdade é que você não terá um afilhado – Chiang suspira, voltando a sua mesa e deixando o pergaminho ali em cima, como se fosse uma lembrança a ela, que deveria aproveitar o que estava lhe sendo oferecido.
— Por mim tudo bem, eu sempre odiei crianças mesmo – ela dá de ombros e aponta com o polegar para a porta – já posso ir ou o senhor ainda tem alguma oferta irrecusável para fazer?
— Bem, aí depende – ele dá de ombros e suspira – tem mais duas crianças, Merida e Moana, mas é você quem sabe.
Ela semicerra os olhos para ele, quase incrédula, ele era mesmo um mestre de padrinhos? Céus, como alguém tão falso podia ser tão cínico naturalmente?
Mate-o, ele não merece viver, fora sussurrado no seu ouvido, mas ela não deu atenção.
— Sabe senhor Chi, eu posso até não ter um afilhado destinado para mim, mas acho que estou mais feliz aqui onde estou, do que seria tendo um felizes para sempre – Pandora sorri e se aproxima da mesa dele, apoiando as mãos, se inclinando para sussurrar algo – assim eu posso manter meus olhos em você e esperar pelo momento em que Balthazar deixará aquele livro, para que sua cabeça seja... bem, você sabe o que acontece com traidores.
Ela dá de ombros e conserta sua postura, enquanto o rosto de Chiang tomava uma tonalidade nem um pouco habitual, branco não combinava com ele. Então ela apenas sorriu com escárnio e deixou a sala, é claro que ela não desejava que Balthazar se soltasse, o que seria inevitável de qualquer forma, mas ela realmente odiava Chiang ao ponto de não se importar se uma força maligna estava atrás dele, ou se poderia destruí-lo.
Ela caminhou pelo corredor, pretendendo retornar ao seu quarto, mas parou na porta do quarto do garoto de cabelos azuis e sorriso quadrado. Declan estava chorando, enquanto suas lágrimas caiam no pergaminho que antes dourado, agora estava perdendo a cor, não, de novo não.
Ela adentrou ao quarto sem ser convidada e segurou o garoto pelo rosto, fazendo-o levantar a cabeça para encará-la.
— Eu fiz tudo errado Pamy, eu... – ele chorava copiosamente, seu coração doía e agora doía em Pandora também.
— O que tinha no pergaminho meu príncipe? – Pandora pergunta com calma, enquanto alisava o rosto de Declan, que estava focado em admirar o brilho nos olhos de Pandora.
— Você tem lindos olhos Pandora, como pode ser tão má? – ele pergunta e ela suspira, de certa forma entendia, eles viam a si mesmos como eram verdadeiramente, e viam também o que seriam em breve, sem nenhuma máscara.
— O que tinha no pergaminho? – ela tornou a perguntar, ainda não havia largado o rosto dele, se mantinha ali, na mesma posição.
— Hércules não nascerá, pois eu impedirei ele de ter vida, porque a minha magia do tempo é mais poderosa do que qualquer magia do destino – ele diz, não chorava mais, agora tinha apenas vazio em seus olhos – esse conto não existe mais, assim como o do Kane.
Pandora apenas assente e suspira, largando o rosto dele, deixando-o que abaixasse se quisesse, mais os olhares continuaram conectados.
— Porque somos tão poderosos? Porque tanto poder, se vamos usá-lo para o mal?
— O mal também tem seus princípios Declan, não somos maus porque queremos ser, somos ruins por dentro porque podemos ser – Pandora diz e lhe lança um sorriso triste – há crianças poderosas nascendo, Elsa, Moana, elas... elas tem os poderes dos deuses, mas não podemos toca-las, precisamos acabar com isso de uma vez.
— Chiang lhe ofereceu?
— Sim, e eu as recusei, porque seja lá para o que eu nasci, sei que não foi para ser madrinha, e meus poderes – ela olha para as mãos e suspira – ele pode destruir tudo que temos.
— Belladona não é a mais poderosa daqui – ele segura as mãos dela e a faz olhar para ele – é você, eu sei o que irá acontecer, e sei que você odeia tanto quanto eu, mas será necessário, porque esse poder é o que garantirá que os finais felizes ainda aconteçam.
Pandora sorri e assente, no fim Declan tinha razão, ele sempre teria e agora que não tinha mais afilhado, havia mais um na luta contra todos aqueles que lhes deram destinos que não poderiam, aquilo iria de mal a pior.
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