Just A Villain

12 Engolida por sua própria ganância


Harriet leu mais duas vezes o pergaminho, semicerrando os olhos, em dúvidas se estava enxergando aquilo mesmo ou se era apenas sua mente lhe pregando uma peça, não podia ser errado, óbvio que não, nada daquilo estava sobre o seu controle.

— É meu – ela gritara e arremessara o pergaminho longe, tomada pela fúria, Harriet destruiu todos os pertences que podiam ser quebrados no quarto, estava furiosa, aquilo não podia estar acontecendo, não consigo, com eles poderia, mas não com ela, ela precisava daquilo, ou pelo menos achava que precisava.

Sua fúria era tanta que ela mal percebeu o sumiço do pergaminho, ou de qualquer coisa que lhe pertencera ali em Auradon, ela não deixaria aquele lugar, se recusava.

A sua ganância é a sua destruição, dissera a voz, ele sentia a fúria dela e gostava, mas não podia correr o risco dela se descontrolar ali, ele não estava pronto, os outros contos precisavam ser abertos, ele precisava de mais força e então, o mundo poderia chover fogo, que ele estaria satisfeito.

— Eu... – ela aperta a mão no peito, havia desespero em si, havia tantos sentimentos negativos em si de uma vez, que ela não sabia administra-los, ela precisava solta-lo, precisava trazer à tona a sua verdadeira face, e foi aí que seus olhos antes castanhos escuros, começaram a ficar roxos.

Eu cuidarei de você minha criança, ele diz terno e ele realmente cuidou, encaminhou a não tão lúcida Harriet até um lugar onde ninguém a encontraria, pois em breve ele a usaria como receptáculo, e precisava dela bem.

Se bem que era um pouco da sua culpa o fato da garota estar descontrolada, afinal, ele havia tirado dela a única coisa que a mantinha sã, o poder de fazer o que quisesse, mas não fizera aquilo sozinho, pois um deles estava o ajudando.

O pergaminho de Kuzco fora claro, quando dissera que Harriet ou melhor, Yzma, nunca fora madrinha do imperador, pois ele já havia sido transformado em uma lhama por causa de um objeto enfeitiçado por Rumpel, desde que o pergaminho surgira.

E bem, tudo que estava descrito nos pergaminhos ainda iriam acontecer, mas alguns já havia sido realizados, até porque se não a realidade não teria alterações, e mais ainda, o futuro não teria sido moldado. Por isso, alguns ainda tinham esperança de mudar o conto e impedir que acontecesse, mas aqueles que haviam perdido seus afilhados como Kane, Declan e agora Harriet, tinham que voltar para casa e juntar tudo que tinham, para reverter a realidade ou para dar um fim definitivo a aquele lugar, afinal, pra que existia felizes para sempre, não é mesmo? Se ninguém lhe conta o que vem depois do fim.

Pandora, Kane e Declan encaravam os oito pergaminhos sob a prateleira e quando o nono apareceu eles suspiraram, Harriet o havia aberto, e como todos já sabiam o que estava acontecendo, tinha certeza de que a veria em breve. Mas eles estavam enganados, e aquilo se provou real depois de três dias passados e nenhum sinal da presença de Harriet.

— Onde acha que ela está? – Connor pergunta, novamente estavam todos reunidos ali, para saber se algum deles tinha notícia sobre o paradeiro de Harriet.

— Não fazemos ideia – Kane suspira frustrado – mas sabemos que ela perdeu o afilhado.

Aquilo sim era uma novidade, poucos haviam o perdido, os outros apenas precisavam impedir o destino, uau, que bela ironia, tentaria impedir o destino, aquele mesmo que eles pretendiam seguir.

— Quem são vocês? – Pandora pergunta de repente, atraindo a atenção de todos – seus álter egos, quem são?

— Gargamel – Kane fala com o cenho franzido, não entendia o que se passava na cabeça de Pandora, mas definitivamente aquilo lhe daria uma pista mais tarde do que de fato estava acontecendo.

— Eu sou Hades – Declan diz dando de ombros, e todos viram que seu cabelo havia criado uma canalização própria com um fogo azul.

— Jafar – Connor fala e dá um sorrisinho de canto.

— Malévola – Belladona diz, estava muito pensativa, estava daquela maneira desde que havia lido o pergaminho de Harriet.

— Eu sou Gothel e a Leo, a rainha de copas – Naomi conta.

Ah, aquela era outra novidade no caminho deles, Eleanor havia ficado catatônica e não saia mais do quarto, por isso também não estava presente ali.

— Eu sou a Rainha Má, não que haja distinção entre mim e o meu alterego, me poupe – a loira dá de ombros e Pandora nega, estava certa quando dissera que Ravenna havia desejado a pequena Branca em um caixão de vidro.

— E eu Ursula – Dandara sorri, tinha as mãos apoiadas na mesa e uma pequena pérola brilhava em seu pescoço.

— Isso é da Ariel? – Owen pergunta e a mesma assente – é lindo, posso ficar?

— A vontade – ela entrega para ele, não era algo valioso, mas seria nas mãos erradas, ou nas certas.

— Quem ainda não abriu o pergaminho não sabe o nome do alterego, o que você procura? – Asafe pergunta interessado, talvez um pouco demais aos olhos de Pandora.

Os que mentem olhando nos seus olhos são os piores, são a escória deste mundo, mate-o, mate-o e veja seu sangue podre escorrer pelos lábios, Rumpel sempre fora astuto, não o deixe escapar. Era a primeira vez que Pandora ouvia Balthazar resmungar tanta coisa de uma vez, ele estava a confundindo, mas ela não se permitia, ela sabia muito bem de quem seria a mão demoníaca que os empurrariam no abismo.

Bem, isso é retórico, mas no caso de Harriet, essa mão seria mesmo aquela que a condena.

Horas se passaram, e ninguém parecia sentir ou mesmo ver em que lugar de Auradon estava Harriet, bem, eles realmente nunca a encontrariam, pois dentro da floresta dos condenados, não havia luz ou qualquer outra coisa que pudesse indicar onde ela se escondera.

E como os seus amigos um dia, ali estava ela, encarando o livro de páginas azuis, em dúvida sobre pega-lo ou não, mas ela não ligava mais, ela queria o seu conto de fadas, ela queria o feitiço de transformação, ela queria poder e condenava o maldito Rumpelstichen, aquele ser odioso, aliás, quem era mesmo ele?

— Eu sou a sua dona e você obedece a mim – Harriet gritara para o objeto, enquanto tentava abrir a caixa que permanecia lacrada.

Eu não pertenço a você ou ao menos este livro pertence, eu pertenço a mim mesmo e agora, você também pertencerá, a risada de Balthazar ecoou por toda a clareira e Harriet naquele instante fora engolida.