Just A Villain
13 Não haveria seres poderosos brincando de deuses

O garoto foi puxado para dentro do quarto e os olhos bicolores lhe encararam com fúria, aquela era a face de Cruella, e Asafe não poderia acha-la mais linda.
— Diga que não foi você quem amaldiçoou Kuzco, diga que não foi você quem tirou Harriet da única coisa que a mantinha em paz – Pandora dita entre dentes, desde que havia descoberto que ele era o maldito Rumpel, mas conseguiu se conter em desejar arranca-lhe a cabeça.
— Porque eu diria? Se tudo que diz sobre mim é verdade – ele sorria, enquanto a encarava de cima e mirava os olhos preto e branco – eu não sou bom Pandora, nunca fui, mas você me mantinha são, mas agora – ele estala a língua e nega sorrindo – eu sou livre e sabe o que é melhor? Eu posso fazer qualquer coisa, eu posso fazer tudo.
— Você é um traidor Asafe, estamos todos correndo contra o tempo, até procurando magia antiga para reverter todos os contos e você jogando sujo, contra todos nós – Pandora se afasta e o encara.
— Foi ele – os dois ouvem e se viram um pouco para a porta, vendo Belladona, Connor e Kane passar por ali. Pandora franze o cenho confusa – tudo começou porque ele disse ao Owen para nos desafiar, você viu, não viu?
— Bella, Bella, querida Bella – ele ri com escarnio – você demorou tanto para descobrir.
— Eu soube no momento em que o conto de Kuzco foi revelado e sinceramente, antes tarde do que nunca – Belladona diz com os braços cruzados e a expressão dura – você fingiu esse tempo todo, porque?
Ele não respondeu, ao invés disso puxou o pergaminho do bolso e deixou na altura dos olhos de todos.
— Vocês querem ouvir uma história? – ele ri histericamente, parecia um verdadeiro louco – eu vou lhes contar... “era uma vez, um lindo príncipe de nome Shrek, ele vivia em um reino prospero que fazia fronteira com Tão, Tão Distante, e apesar de ambos serem fortalezas para seus povos, eles viviam de forma completamente opostas, pois o reino do príncipe pertencia a floresta, eles amavam a natureza e a veneravam. Mas isso, não os fez seguros, pois o que aqueles reinos tinham em comum, era o fato de que um temível dragão assolava suas terras e assustava a todos. Obrigado pelos seus pais, Shrek teria que se casar com a princesa do reino vizinho e bem, os dois eram tão patriotas, que morreriam pelo seu povo, então aceitaram se casar. O que acabou chamando a atenção de um temível feiticeiro de nome Rumpelstichen, ele não gostou da ideia de acabarem com o dragão e muito menos de juntar aqueles dois, pois isso significava perder e ele jamais aceitaria aquilo, por isso sem ter outra solução, ele amaldiçoou aquelas terras, amaldiçoou o príncipe Shrek, que perdeu seus pais, e se transformou em um horrível ogro, condenado a viver sozinho no seu reino. Depois de Shrek, a princesa foi posta sob um feitiço, uma maldição, bela de dia e a noite, como um monstro, fim.”
A essa altura os quatro presentes tinham expressões nem um pouco amigáveis, Asafe era tão ruim assim? Quando fora que seu coração ficara tão podre?
— Você não escreveu isso – Kane se negava a acreditar.
— Nós deveríamos ser Fiona e Shrek Pamy, acho que daríamos uma sorte melhor – ele morde o lábio sedutor e sorri – o conto era lindo, mas eu precisei dar uma incrementada.
— Como você pôde? – Pandora pergunta incrédula.
— Eu cansei de resistir aos meus verdadeiros poderes – ele dá de ombros, fazendo pouco caso – eles são tão deliciosos, que eu nem acredito que estou com essa bola toda – ele dá uma pausa e semicerra os olhos – ah, sabe o que mais? Balthazar está quase saindo daquele livro, talvez Harriet tenha dado o pontapé final, e logo, tudo que vocês conhecem irá pelos ares.
Ele lançou um sorriso aos amigos e deixou o quarto, nenhum deles estava acreditando, será que alguém mais havia sucumbido, ou ainda lutavam pelo que eles achavam que era certo? Esperava que realmente ninguém mais tivesse seguido o pior deles.
— Naomi – Kane fala de repente – droga, droga, droga, ela...
— Ela o que? – Pandora pergunta com a expressão cansada.
— Ela aceitou a proposta de Balthazar – Connor fala – antes de virmos, ela ficava dizendo a flor será minha, ela estava bem, mas continuava repetindo como um mantra.
— Mas ela me pareceu bem – Belladona fala de cenho franzido.
— E ela está, mas não quer dizer que tudo está no seu lugar – Kane diz – ela parece estar sugando a energia da Eleanor, e por isso aquela lá ficou catatônica, não para de gritar cortem as cabeças de dez em dez minutos.
— Se Balthazar está sugando a energia do pergaminho, e Asafe está o ajudando colocando mais maldade ainda em cada um, onde a Naomi e a Eleanor entram? – Pandora pergunta confusa.
— Talvez Balthazar tenha recrutado elas, assim como recrutou o Asafe, e agora está sugando a energia da Eleanor para fazer o mesmo que Asafe – Connor fala e todos assentem, aquilo fazia sentido, até demais.
— Quantos contos faltam? – Bella pergunta.
— Quatro, eu acho – Pandora responde dando de ombros.
— Simba, Tiana, Peter Pan e…
— Shrek, que acabou de ser esfregado na nossa cara – Connor revira os olhos e Kane apenas morde o lábio.
Estavam todos apreensivos e as coisas pareciam só piorar.
— O que faremos com Asafe? Ou com a Naomi? – Bella pergunta olhando de um para outro.
— Nada – Pandora diz pensativa – se Harriet sumiu, ela pode estar na floresta, e logo tudo irá pelos ares, o que precisamos fazer agora é achar aquele feitiço, precisamos tê-lo para quando tudo eclodir, nenhum outro conto de fadas seja atingido, mesmo que pra isso...
E ali ela se calou, não precisava ser um gênio, ou pensar demais, estava claro e estampado. Mesmo que para isso, Poneros devesse deixar de existir. Bem, ela deixaria em breve, porque mesmo que a intenção de Balthazar nunca tenha sido destruir tudo aquilo, ainda assim ele o faria, porque não poderia mais haver padrinhos, não deveria mais existir qualquer menção ou lembrança dos Perrault’s, não haveria seres poderosos brincando de deuses.
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