Duas semanas haviam se passado desde o incidente na floresta. Ninguém foi descoberto, mas também aquela fora a última vez que alguém poderia dizer que Connor ainda tinha amigos, afinal, ele fez questão de se afastar de todos, incluindo os que caminharam com ele na floresta e os que ficaram de fora, causando um estranhamento em todos.

Naquele dia em especial, cada um receberia finalmente os seus contos de fadas, pois haviam terminado seus ensinamentos e poderiam finalmente ser os padrinhos e madrinhas responsáveis por seus pequenos, os acompanhariam de crianças, até que crescessem e pudessem aceitar finalmente o seu felizes para sempre.

— Asafe – chamou o ancião, recebendo total atenção do garoto que parecia distraído com algo do lado de fora – seu afilhado será o príncipe Shrek – um pergaminho surge na frente do mesmo, fazendo-o assentir, sua missão deveria guiar o príncipe Shrek até a princesa Fiona e para isso, cuidaria do garoto até que ele pudesse cumprir seu destino.

— Estou pronto – Asafe assente para o ancião, que sorri mínimo em sua direção.

— Belladona – a garota direciona sua atenção a ele e recebe o mesmo pergaminho, mas de uma cor diferente – cuidará da princesa Aurora.

— Sim senhor – é rápida em confirmar, estava mais do que pronta para começar sua missão.

— Connor, você cuidará da princesa Jasmine, ela deve encontrar o príncipe Aladdin que estará sobre os cuidados do Jinn – o ancião fala e Connor assente sem tirar os olhos do pergaminho, todos os seus amigos lhe encaravam, e por saber disso, ele mantinha seus olhos baixos – Dandara, a pequena Ariel esperará por você nos sete mares, achamos que estaria mais confortável em sua forma de cecaelia, e depois do seu pedido, acabamos confirmando.

— Ficarei sim, obrigada por considerarem meu pedido – Dandara agradece com um sorriso, recebendo seu pergaminho.

— É um prazer – o ancião assente olhando para o próximo nome da lista – Declan, seu afilhado será Hércules.

O garoto de cabelos azuis e aparência asiática assente com um sorriso quadrado, estava mais do que radiante em poder cumprir o que passou todos os anos até ali, treinando para fazer.

— Eleanor, para a lindíssima Alice – lhe entrega o pergaminho fazendo a garota de lindos cabelos vermelhos sorrir um pouco triste, não que não quisesse cumprir sua missão, mas teria que se separar da sua irmã, esta que nascera com linhagem de princesa – Harriet – chama a morena que estava aérea – você ficará com o pequeno imperador Kuzco.

Harriet revira os olhos lentamente, como uma forma de protesto, pois Kuzco era de uma classe diferente dos contos de fadas, ele não era propriamente um príncipe, mas sim um imperador, o que a deixara terrivelmente irritada, pois ela odiava qualquer coisa que não se mantivesse no fluxo dos contos de fadas originais. Na verdade, ela praticamente não tinha muito apreço pelos contos de fadas ou pelos propósitos para qual foram criados, achava perda de tempo e baboseira.

— Kane, você cuidará de um smurf, para ser preciso a pequena Smurfette – o ancião fala fazendo o moreno rir, mas não em forma de deboche e sim diversão, afinal a pequena de pele azul era muito divertida.

— Sim senhor – ele assente pegando também o seu pergaminho.

— Kian – chama o garoto de cabelos longos – ajude o menino Peter – após um aceno de cabeça, ele continuou encarando a morena de cabelos cheios e escuros como a noite – Naomi, fique com a Rapunzel e não faça besteira.

A garota alarga seu sorriso, tinha uma grande fama de ser desastrada e as vezes muito atrasada. Mas não tão desastrada quanto Ravenna que já ria da amiga enquanto derrubava seus desenhos da sala, pela milésima vez desde que entraram naquela sala.

— Owen, seu afilhado é o jovem Simba – fala e recebe um aceno também positivo – Pandora – um suspiro escapa dos lábios do homem – você não terá um conto de fadas, por isso ficará em Poneros até que o seu conto seja finalmente escrito, temos algumas opções vagas, caso queira conhece-las depois.

A garota apenas assente, sabia muito bem que seu conto de fadas não havia sido revelado.

— Sinto muito – Belladona sussurra para a amiga que apenas nega, lhe lançando um sorriso, ela tinha noção de que isso poderia acontecer, pois tinha noção do nascimento de cada criança da realeza e talvez para quem cada um seria destinado, lhe deixando sem opções.

— Ravenna, você será responsável pela menina Branca – o ancião fala e a morena revira os olhos, péssimo nome para uma criança, Branca de Neve, quem se chama assim céus – e por fim, Ross, nossa pequena Tiana está a sua espera.

— Estou pronto para cuidar dela – Ross assente.

— Bem, já que todos vocês receberam seus pergaminhos e afilhados, desejo-lhes boa sorte em Auradon, e que todos vocês sejam felizes para sempre.

Todos agradecem com ânimo e aos poucos vão deixando a sala de aula, sobrando apenas a jovem Pandora, que após se despedir de Belladona e Asafe, decidiu ficar para falar com o ancião. Ela se aproxima do homem com cuidado e ele lhe olha com dúvida.

— Senhor Chi – começa um tanto temerosa de iniciar aquela conversa – por que eu não fui escolhida?

— Querida – ele alisa seu rosto com um carinho paterno – você é poderosa demais, talvez o destino esteja lhe guardando para algo maior.

— Mas senhor, a Bella também é poderosa e ela ficou com a menina Aurora.

— Todos os contos são diferentes Pandora, e tudo bem não ter sido escolhida ainda, você não é a primeira que passa por isso – ele fala segurando nas mãos da garota – eu também não fui escolhido na primeira vez, e fui tão bom padrinho quanto os meus colegas.

Ela se cala assentindo, apesar daquilo ainda estar martelando em sua mente, fazendo-a imaginar que talvez, só talvez, que não fosse tão boa assim, que não estivesse tão preparada assim para ter o seu afilhado ou afilhada.

Mentiroso, a voz soprada em seu ouvido fez a garota olhar para a frente em dúvida, mas o rosto do senhor a sua frente não esboçava nenhuma reação.

— Ficará bem?

— Sim senhor Chi, precisando de mim, sabe onde me encontrar – ela sorri na direção dele e se retira da sala, podendo finalmente respirar, desde que havia saído da floresta, parecia que tinha uma presença grudada em suas costas, sussurrando coisas e manipulando suas emoções.

Descubra a verdade eles mentiram para você, fora sussurrado fazendo-a olhar para os lados na dúvida se aquilo era real ou apenas sua imaginação, por fim, decidindo que sim, ela estava imaginando coisas que não existia.

Após voltar para o seu quarto, ela pôde ver sua amiga terminar de arrumar suas malas, todos partiriam no dia seguinte e ela ficaria sozinha, a espera do nascimento de uma nova criança que poderia ser ou não o seu afilhado.

— No que tanto pensa? – Belladona pergunta se sentando na cama da garota.

— Sou só eu ou tem algo estranho por aqui? – a castanha suspira com aquela sensação estranha.

Belladona sorri doce, amava a amiga, mas as vezes ela era realmente estranha e fora de série, como quando insistira em usar metade do cabelo branco e a outra preta.

— Você deve estar estressada, treinou bastante e agora terá que ficar aqui – Bella supõe, recebendo um aceno negativo da amiga.

— Não é só isso – ela suspira, nem ao menos sabia o que dizer, como explicaria para sua amiga que andava ouvindo coisas? – deixa para lá, não é nada.

Bella apenas dá de ombros e volta para a sua arrumação, conhecia Pandora suficiente para saber que ela não voltaria no assunto, pelo menos não por insistência.

— Você irá na reunião hoje a noite? – Belladona pergunta mirando a castanha de esguelha, e só por isso pôde ver a amiga negar com a cabeça – hm, imaginei.

— Eu prefiro dormir – ela se vira na cama dando as costas para a outra, estava cansada de pensar sobre os motivos de precisar ficar ali, ou se despedir dos amigos que iriam embora no dia seguinte e mal sabiam quando voltariam, se realmente voltariam.

A conversa entre as duas se encerra ali, pois a castanha não estava disposta a conversar e a morena ainda tinha muitas coisas para fazer, antes de ir em sua festa de despedida.

A noite chegou rapidamente em Poneros, e com ela, a ilustríssima festa de fabulas, esta que era destinada aos padrinhos e madrinhas que estavam se formando e recebendo o seu conto, para começar sua aventura em Auradon. Quando Belladona saiu do seu quarto em direção a festa, Pandora ainda dormia, estranhamente inquieta, mas por saber do temperamento da amiga, preferiu não arriscar a tirando de seu sono.

Cruella, fora soprado no ouvido da garota adormecida, levante-se Cruella, é hora da vingança. Ela se mantinha adormecida em completa inquietação, aquela maldita voz a chamando de Cruella De Vil a deixara completamente irritada. Quem diabos poderia ser Cruella, ela se chamava Pandora, aquilo parecia nome de vilão, mas ela não era ruim, não poderia.

Seus olhos se abriram, tirando a garota de um pesadelo, o que era aquilo agora? Quem poderia ser aquele garoto franzino que fora banido para dentro de um buraco escuro?

Ela olha para o relógio ao lado da sua cama e suspira ao perceber que estava de madrugada e seus amigos provavelmente estava aproveitando a festa. Ela se deita novamente na cama e encara o teto, com medo de adormecer novamente e ver aquele garoto gritar e implorar por ajuda, ela não era vidente, então por que de repente estava sonhando com alguém que não conhecia? Aquilo não fazia sentido.

O que Pandora não sabia é que aquele sonho não era só um sonho, tinha algo a mais nele, era mais do que ela poderia esperar, e quando finalmente descobrisse, tudo que conheceu, tudo que um dia já viu, ruiria e se tornaria cinzas, um passado distante.