“Era uma vez, um jovem casal que desejava ter uma filha, e por obra do destino sua primogênita viera em uma noite magica, onde as estrelas cintilantes derramava sobre o reino a benção da flor dourada. Essa flor magica deixara sobre a recém-nascida Rapunzel uma magia bonita, mas traiçoeira, capaz de viciar todos aqueles que ansiassem por poder. Temerosos pela segurança da bela Rapunzel, seus pais decidiram tranca-la na torre mais alta, sem portas ou entrada, onde apenas uma janela podia liberta-la e por muito tempo a garota se acostumou a aquela situação, afinal, tinha sua madrinha e fiel amiga Gothel, esta que descia da torre sobre o peso dos cabelos de Rapunzel, que a àquela altura era enorme e difícil de ser cortado, já que a magia que havia nele não podia ser danificada. Entre essas descidas de Gothel, um belo príncipe avistou a moça cantando na janela, encantado, ele subiu pelos cabelos estendidos, assustando a pobre garota, o que resultou em uma queda dele sobre os espinhos, deixando-o cego, fim”.

— Fim? – Naomi balbucia incrédula – que diabos é esse conto, isso...

Nem ao menos fazia sentido para ela, como poderia um conto de fadas se parecer com aquilo? Como poderia ser tão cruel e tão... Não havia palavras para descrever, e se Naomi estava sendo nomeada para cuidar da pequena Rapunzel que tecnicamente deveria ser filha dos reis de um reino ali em Auradon, quem era Gothel?

O espelho em sua frente a desperta de toda e qualquer dúvida que possa aparecer logo após. Ela segura o espelho e vê a imagem de Pandora e Kane se formar ali.

— O que há Pan? – Naomi pergunta, enquanto ainda tentava se livrar de todas as dúvidas.

— Eu sei que vai parecer estranho, mas o conto da Rapunzel é o que você esperava? – Pandora pergunta, imaginando que não, o conto de Rapunzel não estava nada da forma que deveria.

O silencio de Naomi já afirmava a teoria de Pandora, e mesmo que eles não soubessem certamente o que estava acontecendo, eles desejavam saber e por qual motivo eles eram os primeiros a serem afetados por aquele tipo de confusão.

— O que está acontecendo Pan, por que de repente o conto dela se transformou em algo ruim? – Naomi pergunta.

— Quão ruim é? – Kane pergunta e Naomi trata de ler para os dois ali, carecendo de compreensão, sobre o que realmente acontecia com eles, será que era culpa deles próprios por incompetência ou algo realmente estava acontecendo ao ponto de afetar todos eles.

Ao final Kane encara Pandora com um olhar significativo, se Kane precisava criar Smurfette e havia recebido um nome diferente, e agora Naomi estava sendo referida como Gothel, algo dizia que este poderia ser seu alterego, a parte ruim do seu ser, aquela que todos nós tentamos tranca-la de qualquer maneira.

— Sou eu? Eu sou ruim e por isso estou afetando o conto dela? – Naomi pergunta tirando os dois de seus devaneios.

— Não sei Nami – Pandora fala solidária enquanto baixava seu olhar – tem algo acontecendo conosco, com os nossos contos, e bem, isso foi depois da...

— Floresta dos condenados – Naomi assente com a cabeça, tinha compreensão de que algo havia mudado desde aquele dia, afinal, ela podia sentir seu outro eu, sentia inveja e desejo de poder o tempo inteiro – o que vocês realmente encontraram naquele lugar?

— Uma clareira, uma caixa de vidro, um livro dourado de páginas azuis e uma parede de pedra azul – Pandora conta.

— Mexeram na caixa ou no livro? – Kane pergunta e Pandora nega.

— Seja o que for que tinha lá, não precisava que o tocássemos, sua energia já está entranhada naquele lugar e saiu conosco.

— Vocês precisam ir lá – Naomi fala séria – precisam pegar aquele livro e descobrir o que tem dentro dele.

— Não é o que, é quem. Há alguém trancado dentro do livro, seu nome é Balthazar, aparentemente houve algo no passado que não sabemos, e ele parece querer nos dizer isso, mas...

— Ele quer vingança – Kane completa com um sorriso de escarnio – eu também iria querer se me prendessem em um livro, eu odeio estudar.

— Tem certeza de que é um padrinho? – Naomi pergunta incrédula, como aquele cara podia ser tão ranzinza quando queria?

— Tecnicamente eu não sou mais um padrinho – o moreno dá de ombros desinteressado – eu sou o dono das palavras minha querida, se eu quiser um afilhado, tenho que criar, porque o livro deliberou.

— É isso, o livro – Pandora fala de repente, fazendo os dois se calarem e olhar para ela de cenho franzido – os pergaminhos que descobri tinham alterações, mas no livro ele era diferente, e se o livro que temos não for o verdadeiro? E se o livro da floresta for o verdadeiro livro de Douros?

Temos uma gênia aqui, Balthazar soa nas costas de Pandora, fazendo a garota revirar os olhos entediada.

— Faria sentido – Kane concorda pensativo – mas como ele estaria afetando os contos?

— Não sei, não pensei nessa parte – Pandora morde o lábio frustrada.

Sabia que era esmola demais para o santo, resmunga o homem.

— Espera, que pergaminho você está falando? – Naomi pergunta confusa, até então não tinha nenhuma informação sobre o que Pandora havia descoberto, apenas a castanha, o moreno e Connor sabiam, pois, Pandora precisava de um aliado que estivera na floresta com ela.

— Há outros pergaminhos que foram alterados, mas eles não batem com o livro que temos na sala dourada – Kane conta resumidamente o que já havia ouvido de Pandora.

Naomi assente meio incerta do que dizer ou pensar, por fim, eles desligam a chamada, mas não antes de pedir que Naomi tentasse cumprir um destino bom para a pequena Rapunzel, e que evitasse a cegueira do príncipe, mas aquela era uma questão mais complicada, afinal, a bela de cabelos cheios e encaracolados estava se sentindo tentada o suficiente para querer o poder do cabelo de Rapunzel e se ela sequestrasse a garota e a pusesse na torre ela mesma? Não, não devia, mas a tentação era tão grande.

A flor pode ser sua minha querida, basta querer, basta pedir e eu lhe darei o conto que quiser, falara a voz ao seu ouvido, trazendo para ela mais uma tentação, mas um sentimento de que aquilo realmente acontecesse.

— Eu quero – Naomi sorri encarando o pergaminho dourado – eu quero a flor mágica e ninguém mais além de mim poderá tê-la.

Então eu lhe darei.

Naomi pisca distraída, vendo seu pergaminho sumir diante dos seus olhos, finalmente teria o que queria, poderia ser poderosa e fazer o que quisesse.

Flashback On.

O garoto caminhou pelos corredores do castelo enquanto tinha ao seu lado o seu fiel escudeiro e padrinho, eles se davam muito bem, desde que Chiang havia chegado ali para treina-lo e guia-lo até o seu felizes para sempre, eles andavam juntos, como irmãos.

— Chi, você já olhou o meu pergaminho? – Balthazar pergunta.

O garoto era da realeza, possuía o título de nobreza, mas além disso, ele sempre foi muito humilde, assim como sua família, e pretendia casar-se com a camponesa que estava apaixonado, seu conto não lhe era respeito, apenas de seu padrinho, mas ele desejava muito saber como seria a sua vida depois do casamento e se aquela era a mulher certa.

— Já disse para deixar de curiosidade Balt – Chiang sorri divertido – estas escolhendo bem, não há nada de diferente, ou eu não estaria lhe incentivando em sua decisão, será um bom rei meu amigo, e vivera bem e feliz com a mulher que deseja.

Balthazar sorri animado, e segue seu caminho, Chiang fecha seu sorriso assim que vê o garoto sumir no corredor, podendo soltar todo o seu ar, se sentia um inútil, um traidor, por que aquilo estava acontecendo? O que os Perrault haviam feito para decidirem mudar o conto do seu afilhado de uma hora para outra, será que havia surgido uma nova visão na fonte?

Naquele dia, ele descobriu da pior forma que segredos nunca são bem-vindos, que segredos podem destruir tudo e alterar o destino de qualquer um, não só dos contos de fadas, mas de todos aqueles envolvidos.

Flashback Off.

Os dois folheavam as páginas dos livros com certa lerdeza e tédio, estavam cansados de procurar por aquilo, parecia até mesmo um caminho sem saída, a procura de uma agulha no palheiro, se é que essa maldita expressão faz sentido para alguém.

— Tenho fome – Kane resmunga pela milésima vez em menos de três horas.

Pandora olha para ele e revira os olhos completamente entediada das palavras que lia e da chatice de Kane em retrucar a mesma coisa, sendo que ele havia comido não tinha nem vinte minutos.

— Sua existência me causa nervos – ela resmunga.

— Porque choras Cruella De Vil? – ele larga o livro e se deita.

A garota apenas o ignora e continua folheando o livro que tinha entre suas pernas, eles não faziam ideia do que estavam procurando, mas esperavam encontrar algo que pudesse ajuda-los naquele mistério que se apresentava diante dos seus olhos.

— Acha que os outros vão demorar a descobrir que tem algo de errado? – Kane pergunta, finalmente chamando a atenção de Pandora, sem nenhum tipo de ironia ou resistência, tendo apenas frustração e confusão no olhar da garota.

Ela olha para a prateleira acima deles, no alto havia o ano de 2010 e só três pergaminhos havia retornado, o de Connor, Naomi e Kane, indicando que os outros ainda não haviam aberto, ou estavam esperando um momento melhor para fazê-lo. Aquilo poderia ser considerado um bom sinal, mas considerando a realidade que estavam vivendo, aquilo era no mínimo sufocante.

— Eu espero que não, mas se o fizerem, que não retornem a Poneros – ela fala com pesar, sabia da responsabilidade em estar ali, tão vulnerável ao seu alterego, talvez envolvido com energias que se quer poderiam controlar.

— Somos ruins por dentro Pandora, criados apenas para um proposito, quantos de nós não desejou uma família e invejou os felizes para sempre? – o moreno fala recebendo um olhar indecifrável em sua direção.

— Ele está replicando – Kane franze o cenho completamente alheio a aquela ideia que ela acabara de expressar, não compreendia, por isso ela fez questão de explicar – Balthazar. Os contos antigos foram alterados pelos Perrault’s, ele já disse que era um príncipe, um mocinho, então significa que o conto dele também foi alterado.

— Mesmo que isso seja por vingança, algo ainda não faz sentido.

— O que?

— Não tem ninguém aqui para ele se vingar – Kane fala ainda de cenho franzido, processando suas ideias – se ele teve o conto alterado, não deveria querer isso para os outros.

— Faz sentido – Pandora suspira cansada – mais se ele era um mocinho como se tornou um vilão e porque a floresta dos condenados, porque a troca dos livros, há muitas coisas que não fazem sentido Kane.

— Você tem razão – Kane assente – precisamos do livro original.

Pandora nega com cansaço, não queria tirar aquele livro da floresta, mesmo com todo aquele mistério, era errado, aquilo poderia acarretar mais problemas do que os que já estavam surgindo, precisavam descobrir sozinhos, sem ajuda do livro.

— Não podemos, não agora.

— Então vamos continuar procurando.