Just A Villain
8 A pequena Aurora

A garota caminhava tranquilamente pelos corredores do castelo, enquanto observava a pequena garota loira saltitar a sua frente, a pequena estava radiante enquanto falava com as três pequenas fadinhas sobre o seu aniversário de oito anos que ocorreria em dois dias, as suas pequenas madrinhas eram as responsáveis por organizá-lo e a pequena Aurora deixava claro que queria tanto que fosse naquele lugar especial na floresta, bem, ela estava se referindo ao lugar onde morava os Mors, uma espécie mágica que habitava aquele reino, a mesma espécie que fazia parte da família de Belladona.
Aurora havia amado a presença da madrinha por ali, achava incrível o fato da mulher ter asas tão lindas, e isso de fato não a assustara, isso a encantara, porque Aurora se encantava por qualquer coisa, ela era pura e delicada.
— Aurora, não corra, cuidado com os degraus – Belladona a alertava, mas a garotinha não a ouvia, deixando para a Mor, a missão de impedir que ela descesse a escada rolando.
Belladona não costumava usar muita magia em Poneros, usava apenas o necessário em suas lições, mas ali, ela a usava a cada minuto, se admirava que a garota ainda estivesse viva, porque era muito distraída e diversas vezes era salva, fosse dos penhascos ou sacadas, até mesmo das escadas e do tapete do castelo.
Belladona acompanhou a pequena Aurora até o quarto dela, onde havia pessoas ali já prontas para ajudá-la com o banho. Aproveitando essa deixa, ela deixou o quarto da princesa e entrou no seu, que ficava ao lado, vendo assim que passou pelo arco que havia uma coisa estranha por ali. E isso se confirmou quando ela avistou o pergaminho sobre a cama, ela estranhou, afinal, o pergaminho de Aurora era rosa e ainda não havia sido aberto por ela. Mesmo assim ela pegou o pergaminho preto desgastado pelo tempo e o abriu, em cima havia o nome Balthazar, e sob as linhas, uma história completamente sinistra das que ela estava acostumada a ver como um conto de fadas, seria aquilo uma brincadeira dos seus amigos? Seria aquilo uma recepção calorosa de alguém que deseja ser um Perrault? Bella não sabia, mas leu atentamente o pergaminho.
“Era uma vez um belo príncipe dotado de uma magia rara, ele podia criar novas coisas apenas de imagina-las e essa era a coisa mais bela que seus pais podiam se quer pensar. Apesar de pertencer à realeza o pequeno Balthazar foi ensinado a ser humilde, pois seus pais eram dessa forma e era assim que mantinha seu reino fértil e próspero. Por isso, Balthazar tinha liberdade para amar e casar-se com quem quisesse. Os anos foram se passando e um amor lindo e puro foi criado entre Balthazar e uma bela camponesa de nome Lia, eles estavam destinados e tudo ia incrivelmente bem, mas a alegria de Balthazar não durou muito, pois em determinado dia, a sua amada teve o dedo espetado por uma roca enfeitiçada que a fez dormir, ninguém sabia como curar aquela maldição e nem o beijo do amor verdadeiro foi capaz de acordar lhe. Condenando Balthazar a um destino cruel, em que ele apenas foi banido para um lugar onde os finais felizes nunca acontecem”.
Belladona franziu o cenho, que tipo de conto de fadas mais sem noção era aquele? Que tipo de brincadeira de mal gosto era aquela? Deveria haver um final feliz ali, aquele pergaminho era mágico, então de onde ele havia vindo? E porque era tão importante que ela soubesse daquele fato? Bem, as suas perguntas lhe foram reveladas quando ela finalmente abriu o pergaminho de Aurora, derrubando ali uma lágrima, por imaginar que o destino seria tão cruel com uma garota tão doce.
O pergaminho era claro, ela e Aurora travariam uma guerra entre humanos e mors no dia em que Aurora finalmente completasse seus 18 anos e conhecesse o príncipe por quem estava apaixonada, levando-a a ter o dedo espetado em uma roca que a própria Malévola enfeitiçou.
Mas afinal, quem era Malévola?
Belladona fechou o pergaminho de Aurora e no mesmo instante ele desapareceu de sua mão, sendo mandado de volta para seu lugar, mas mesmo com o sumiço dele, os pensamentos dela permaneceram, e ela não fazia ideia do que fazer ou do que falar, por isso apenas se manteve em sua cama, olhando o nada, será que seus amigos estavam bem? Ou será que algo ruim estava acontecendo em Poneros?
Seus pensamentos foram interrompidos pela pequena de pijama de ursinho que adentrara o quarto.
— Madrinha, me conta uma história para dormir? – a menina piscava docemente, fazendo Belladona a encarar, não era possível que precisava falar de contos enquanto havia acabado de ler uma história de terror – por favor – ela junta as mãozinhas e pisca com um sorrisinho fofo.
— Vamos lá pequena – Bella fala e se levanta, levando a garotinha de volta ao quarto dela, era triste que Aurora fosse a reencarnação de uma história que não dera certo, e mesmo que Belladona não soubesse naquele momento, ela quis que o destino fosse diferente, porque mesmo que seu interior ansiasse por poder, ela tinha plena consciência de que ninguém deve nascer para ser infeliz, por isso naquela noite, Belladona contou uma história linda para a pequena Aurora, contou a história que gostaria que fosse verdade, aquela onde o amor verdadeiro tudo vence e por um instante, considerou aquele o futuro de Aurora, porque se fosse para ver a garota sofrer, definitivamente ela não queria ser aquele tipo de madrinha.
— Madrinha, eu terei um conto de fadas tão bonito quanto esse? – a criança pergunta, quando tinha os olhinhos fechados e um bocejo longo deixando seus lábios.
— Se depender de mim, você será muito feliz, tanto quanto esse conto minha pequena Aurora – Bella lhe deixa um beijo na testa e ajeita o edredom sob a garotinha.
Belladona suspira ao pensar que talvez ela esteja mentindo, mas ela tinha uma chance de mudar aquilo ainda, então precisava valer a pena. Por isso ela se levantou da cama e voltou ao seu quarto, tratando de fazer seu cajado aparecer e seus olhos brilhar em verde.
Bella abriu um portal e surgiu dentro do quarto de sua amiga, não a via ou falava com ela há semanas.
— Quem é vivo sempre aparece – a garota fala, enquanto ainda lia o livro.
— Não seja rancorosa Pandora, sabe que não combina consigo – Bella caminha até a cama e o portal se fecha.
— Ao que devo sua presença?
Belladona se mantém calada por um instante, finalmente, o que diria para Pandora? Como poderia dizer aquilo sem parecer uma louca? Mas a presença do outro interrompeu qualquer fala sua.
— Pandora – o garoto de cabelos pretos a encara, e semicerra os olhos para a morena na cama – o que você faz aqui? Seu conto de fadas também foi cagado?
— Kane, tenha modos – Pandora retruca, fechando o livro e colocando na mesa de estudo – o que você quer aqui Gargamel?
— Não me chame de Gargamel, pilantra – ele retruca e volta a olhar para Belladona que observava a cena com o cenho franzido – ainda não me respondeu, seu conto de fadas foi cagado?
— Como assim? – Belladona parecia confusa, apesar de saber que aquele palavreado chulo era referido a algo errado.
— Bem, eu a Naomi, e a Eleanor tivemos uma surpresa e tanto com os nossos contos, eu até voltei para casa porque Smurfette não existe mais.
Belladona com certeza estava confusa com toda aquela informação sendo jogada sobre si.
— O que está acontecendo conosco? – Belladona pergunta temerosa.
— Bem – Pandora olha para Kane e volta a olhar para Bella – estamos perdendo o nosso mundo, e não vai demorar para que tudo que conhecemos seja destruído.
Belladona ouvia atentamente e seus amigos trataram de lhe explicar tudo, desde o início, com todos os detalhes, se Belladona estava voltando com mais um conto alterado, então logo todos os outros também voltariam.
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