Just A Picture

20 Capítulo XX


Notas iniciais
Mais um capítulo aqui! Sei que não respondi os comentários passados, mas é que eu estou tentando recuperar o tempo que eu perdi sem escrever, escrevendo loucamente. Boa leitura!

CAPÍTULO XX

Quinn mantinha as mãos enterradas nos bolsos da jaqueta enquanto andava de um lado para o outro pelos corredores. Sabia que tinha o olhar de Santana nela sempre que passava pela sala da latina, mas estava nervosa demais para parar de andar. Passou as mãos nervosamente pelo cabelo e entrou na copa. Assustou-se ao ver que Carla estava sentada em um sofá com uma xícara de café e também aparentava estar assustada por ela estar ali.

— Hey. – Cumprimentou rapidamente e andou com passos rápidos até a geladeira, abrindo-a e pegando uma garrafa de suco de maçã.

Tentando relaxar o máximo possível enquanto enchia um copo com o suco. Apesar de tentar bastante, sua mão ainda tremia e espirrou um pouco de suco para fora do copo e derramou na bancada ao lado da pia, fazendo-a bufar irritada.

— Tudo bem?- Escutou Carla perguntar, e percebeu que ela não estava mais no sofá, e sim ao seu lado.

Quinn lançou-lhe um olhar rápido e deu de ombros, soltando uma risada nervosa.

— Sim, claro. – Deu de ombros mais uma vez e fechou a tampa do suco, devolvendo-o para a geladeira.

Pegou o copo e virou de costas, apoiando-se na pia e tomando um gole do suco, tentando se concentrar na sensação do liquido gelado descendo por sua garganta.

— Tem certeza? – Escutou ela perguntar e apenas acenou distraidamente, tentando ignorar a sua própria perna balançando enquanto tomava mais um gole do suco.

Carla franziu o rosto e colocou a xícara de café na pia, afastando-se um pouco para apanhar as coisas no sofá. Quinn assistiu seus movimentos enquanto tomava longos goles do seu suco de maçã, vendo como Carla parecia estar agindo mais lentamente do que o normal. Foi a vez de Quinn franzir o cenho.

— Agora eu tenho que perguntar. Está tudo bem? — Quinn questionou logo depois se virando para colocar o copo dentro na pia e voltando-se para Carla, que lhe encarava tristemente do outro lado da sala.

Carla pareceu hesitante, o que fez Quinn entender o que estava se passando na mente dela. Soltou um suspiro pesado e passou uma mão pelo cabelo. Ela estava preocupada demais com Rachel para pensar em qualquer coisa e, realmente não queria ter que lidar com os sentimentos de alguém além dos seus e os da sua futura namorada.

— É só que... faz um tempo que não a vejo e então você está aqui e... – Carla solta um suspiro exasperado e Quinn franze o rosto, lambendo os lábios antes de desencostar da pia.

— Carla. – Começou, sem saber exatamente o que iria falar, mas não queria ter que lidar com Carla, então precisava resolver o assunto. – O que a gente teve, não passou de uma noite. Eu sei que foi bom, mas você precisa...

E ela parou de falar quando viu que os olhos claros de Carla estavam cheios de lágrimas. Quinn realmente não queria ter que lidar com isso.

— Eu sei que não foi a mesma coisa pra você do que foi pra mim. – Carla choramingou e soltou um suspiro longo. Quinn rezou pra que esse suspiro fosse um indicio de que ela não iria chorar. – E eu vou parar de agir estranho perto de você é que... eu sei que você passou o mês passado inteiro com a sua namorada, que ninguém conhece, mas eu sei disso.

Quinn franziu o cenho com a menção indireta de Rachel e apenas pigarreou, engolindo em seco logo em seguida.

— É... bem... – Não soube como iria responder o que Carla tinha dito, então apenas desviou o olhar desconfortavelmente.

— Eu vou... superar. – É o que ela diz antes de sair da copa.

Quinn fica olhando para a porta por alguns segundos. O que tinha acabado de acontecer? Em um minuto ela estava nervosa andando de um lado para o outro, evitando qualquer contato. Porque mesmo ela não continuou assim pelo resto do dia? Seria muito melhor ter evitado esse contato com Carla.

— Quantas vezes eu tenho que te chamar pra você entender que estou falando com você? – A voz de Santana a tirou o torpor.

Quando foi que a latina entrou na copa?

— De onde você apareceu? – Indagou curiosamente e Santana apenas revirou os olhos.

— Foda-se. Eu quero falar com você, vamos pra minha sala.

Quinn não teve tempo de comentar ou argumentar, Santana já saia da copa e se dirigia para sua sala. Então a fotógrafa apenas a seguiu.

— Quando é que você vai me falar o motivo de estar criando um buraco nos corredores? – Foi a primeira coisa que Santana disse assim que a porta da sua sala foi fechada.

Quinn franziu o rosto e passou uma mão pelo cabelo. Santana já sabia de toda a história, porque Quinn teve que explicar detalhadamente para que a latina ficasse com o seu cachorro enquanto ela ia pro Canadá com Rachel. E também para poder faltar o trabalho.

— Rachel vai fazer um depoimento hoje. No tribunal. – Pigarreou e cruzou as mãos em frente ao corpo, apertando os dedos em nervosismo. – E eu realmente não quero que ela cruze com aqueles agentes.

— Então é isso que está deixando você tão nervosa? – Santana revirou os olhos. – Puck não disse que ela ia ficar em segurança?

— Sim, ele disse, mas...

— Então cala a boca e senta em uma cadeira e começa a trabalhar. Já passou do meio dia e você não fez uma só coisa produtiva. – Santana resmungou revirando os olhos e Quinn soltou um bufo antes de caminhar para sair da sala, mas antes que pudesse sair, a latina falou mais uma vez. – E comece a preparar seus assistentes, Helena vai chegar semana que vem para a sessão de fotos.

Quinn voltou-se para Santana.

— Você realmente vai levar a minha ideia pra frente? – Perguntou sorrindo animada e vendo Santana revirar os olhos.

— Primeiro lugar, a ideia não é sua, como você mesma disse quando me falou, é da sua namorada. Segundo lugar, não temos nada melhor.

Quinn soltou uma risada.

— Obrigada. – E saiu da sala mais tranquila, mesmo sabendo que Santana não tinha feito nada para lhe tranquilizar. Na verdade, ela não tem ideia do porque de ter agradecido Santana.

—_

Quinn estava na sua sala, mexendo nas suas câmeras quando escutou uma batida tímida na sua porta. A única pessoa que passou por sua mente foi Carla, depois da conversa que tiveram mais cedo – que foi bem unilateral – Quinn temeu que fosse ela. Não queria ter que lidar com os problemas da sua secretária agora.

— Entre. – Murmurou e levantou os olhos da lente da câmera para ver quem era. – Sim?

Era Carla, com um olhar constrangido.

— Você tem visita. – Ela avisou e Quinn olhou para o telefone que Carla deveria ter ligado para lhe avisar, mas ignorou, a secretária não parecia confortável por estar ali.

Franziu o cenho para o que Carla disse. Quem iria lhe visitar as três horas da tarde?

— Pode mandar entrar. – Disse ainda aparentando confusão e voltou seus olhos para a câmera, limpando a lente antes de colocá-la de volta no lugar.

— Quinn?

E ela levantou a cabeça tão rápido que seu pescoço estalou, que resultou em um grunhido leve de dor. Levando a mão até a nuca, levantou-se da cadeira para se aproximar de Rachel, que estava na sua frente, com um sorriso suave e as mãos cruzadas segurando a bolsa na frente do corpo.

— Porque está aqui? O que aconteceu? – Quinn soltou antes que pudesse se aproximar de Rachel para lhe cumprimentar.

Rachel soltou uma risada antes de passar os braços pelos ombros de Quinn e beijando seus lábios suavemente.

— Sua secretária é bem interessante. – E o tom de Rachel não era o que Quinn esperava.

— Rach? Eu quero saber como foi. – Quinn lembrou e Rachel lambeu os lábios antes de se afastar, cruzando os braços e virando de costas para a fotógrafa. – Rachel?

— Foi ela, não foi?

Quinn não estava esperando isso.

— Rachel...

Sabe como eu sei disso? – Rachel voltou-se para Quinn e a fotógrafa viu o olhar em seu rosto, deixando-lhe levemente assustada. – O olhar que ela me deu quando pedi para entrar na sua sala.

Rachel. — Pediu e Rachel apenas soltou um suspiro.

Eu sei que não deveria me incomodar com isso, afinal, não estávamos realmente juntas naquela época...

Mas eu fiz a merda. Prometi que não iria me envolver com mais ninguém e dormi com Carla. — Confessou, seu tom de voz tornando-se levemente duro e isso fez com que Rachel virasse para ela com as sobrancelhas franzidas. — Eu me desculpei por isso, Rachel.

Rachel acenou e lambeu os lábios antes de andar pela sala e se encostar na mesa de Quinn.

— Não posso dizer que isso é de todo ruim. — Rachel admite e solta uma risada sem humor. Quinn estava ficando nervosa. A morena estava evitando o assunto desde que entrou na sua sala. Isso não pode ser um bom sinal. — Nos levou até aonde estamos agora.

Quinn assistiu Rachel alisar os próprios ombros antes de voltar-se para ela, sorrindo-lhe suavemente. A fotógrafa andou até a poltrona que havia em sua sala, sentando-se e soltando um longo suspiro.

— Porque está trazendo isso agora, Rachel? — Questionou e viu a morena soltar uma risada sem humor. Já era a segunda desde que ela entrou na sua sala. Quinn não estava nem um pouco relaxada.

— Eu passei tanto tempo com tanto medo do que poderia acontecer se eu me abrisse de verdade pra você. — Rachel admite e cruza os braços dando de ombros e soltando o fôlego antes de erguer a cabeça para Quinn mais uma vez. — E eu me culpo por alguns pensamentos que você teve nesse meio tempo.

— Isso é ridículo, Rachel.

— Eu sei que pode ser, mas... se desde o momento em que você disse que não iria impedir-se de se apaixonar por mim, eu deveria ter feito a mesma coisa. Mas passei tempo demais pensando no que deveria fazer, como agir, como falar sem expor muito sobre mim. — Rachel continua admitindo, soltando tudo com a voz levemente sussurrada.

Quinn teve que se levantar da cadeira, querendo se aproximar de Rachel para impedir que a morena continuasse falando esse tipo de coisa.

— Porque está falando isso agora, Rachel? — Quinn perguntou, praticamente implorando para que a morena falasse o que estava lhe incomodando tanto.

— Eu sei que agora estamos as claras em relação aos nossos sentimentos, Quinn. — Rachel começou a seus olhos foram para os verdes da fotógrafa. — Mas nós nunca conversamos sobre o que aconteceu antes. Apenas decidimos pular.

— Não tem nada pra conversar, Rachel.

— Tem sim, Quinn. Sempre tem. — Ela passou a mão pelo cabelo. — Nós estavamos usando uma a outra por sexo, Quinn.

— Não tem o que conversar sobre isso, Rachel. Nós duas concordamos com isso.

— Sim, eu sei disso. — Ela soltou um suspiro e Quinn franziu o rosto.

— O que está acontecendo, Rachel? O que aconteceu lá?

Rachel passou alguns segundos olhando para baixo e Quinn esperou, ela tinha que esperar para que a morena lhe falasse a verdade sem temer, então ela o fez, cruzando os braços e forçando a si mesma para não dar um passo e envolvê-la num abraço.

— Antes que eu saisse da sala hoje mais cedo Joana se esgueirou para dentro dela. — Rachel começou a falar e Quinn engoliu em seco, seu corpo inteiro fervendo por dentro. Puck tinha prometido que Rachel ficaria em segurança... — Não culpe Noah por isso! — Rachel pediu antes que Quinn pudesse falar alguma coisa.

— Ele me prometeu, Rachel. — Quinn rosnou e enfiou a mão no bolso para pegar o celular, estava pronta para enviar uma mensagem para que ele lhe encontrasse no seu apartamento, quando Rachel colocou a mão sobre a sua. Quinn não tinha escutado seus passos até ali, e assustou-se quando a viu parada na sua frente. — Rachel...

— Noah disse que isso pode usar a meu favor, então não foi uma coisa ruim. Tinham câmeras lá, Quinn. Joana só não sabia disso. — Rachel falou rapidamente e Quinn relaxou um pouco, mas muito pouco, ela ainda estava fervendo de ódio. — Ela só disse algumas coisas...

— Ela te...

— Sim, ela me ameaçou. — Rachel cortou e Quinn quase recuou com o tom de voz duro da morena. — E eu contei tudo para o Noah, ele me disse que isso pode ser usado como prova. Então eu estou feliz que ela me ameçou.

A risada forçada que Rachel deu fez com que Quinn estremecesse. Ela não gostou dessa risada. Nem um pouco.

— O que mais ela disse?

— Ela disse que sabia desde o inicio. — Rachel soltou um suspiro e desceu os olhos para sua mão que ainda estava sobre o celular na mão de Quinn. — Disse que sabia o que tinha acontecido no dia que nos conhecemos.

Quinn repassou o que tinha acontecido. Lembrando de como Rachel se desfez em seus braços pela primeira vez. Foi apenas duas salas depois daquela que estavam no momento.

— Isso não pode ter te chateado, Rachel. O que mais ela te disse? — Quinn perguntou e Rachel deixou a mão cair, mas a fotógrafa pegou mais uma vez, puxando-a para o sofá e sentando-se ao seu lado.

— Ela disse... disse que você não é quem eu penso que é. Disse que fez uma pesquisa sobre sua vida, sobre seu passado... passado esse que você nunca me falou sobre. — Seus olhos foram para os de Quinn, deixando-a tensa.

Quinn engoliu em seco.

— Rachel...

— Você disse que aquela casa era da sua irmã. — Rachel começou a falar e Quinn fechou os olhos, soltando as mãos da morena e virando-se de frente, evitando ter que olhar para ela. — Mas sua irmã... ela...

— Morreu. — Quinn completou.

— Porque não me disse isso antes? Porque mentiu pra mim?

— Eu realmente não quero falar sobre isso, Rachel. — Quinn pediu e abaixou a cabeça, escondendo o rosto nas mãos. — Depois eu posso falar sobre isso, mas agora não...

— Você matou alguém, Quinn. — E o corpo da fotógrafa tensionou. — Quando você ia me falar isso?

Quinn levantou-se do sofá, sentindo sua cabeça doer e seu corpo tremer. Não gostava do assunto que tinha surgido, nem um pouco. Ela odiava. Muito.

— Rachel... Eu não quero falar sobre isso agora. — Pediu e sentiu suas pernas tremendo enquanto andava para longe da morena.

— Quando então? — Rachel não parecia irritada, mas sim chateada. Quinn não gostava disso. — Eu preciso que você me dê uma razão para continuar insistindo nisso, Quinn.

Sentiu seus olhos arderem e passou as mãos pelo rosto, aproveitando que estava de costas para Rachel.

— Você está bem? — Foi o que Quinn perguntou, baixinho e trêmulo.

— Porque...?

— Apenas me responde, Rachel. — Quinn pediu no mesmo tom.

— Sim, eu estou. — Respondeu meio incerta.

— Então já é o suficiente. — E pegou sua mochila em cima da mesa, virando-se para Rachel e encontrando os olhos castanhos cheios de confusão. — Vou pra casa. Se não tiver como ir para a sua casa, me siga.

Claro que isso não era comum de Quinn, afinal, Rachel estava morando no seu apartamento desde que voltaram do Canadá. E Quinn sabia que sua expressão denunciava o quanto não estava gostando da situação, mas que só estava fazendo isso porque precisava de um tempo afastada de Rachel. Rachel nunca deveria ter feito essas perguntas. Nunca deveria ficar sabendo dessas coisas. O passado nunca deveria ter voltado a incomodar Quinn mais uma vez.

—_

Rachel entendeu que não deveria ter falado com Quinn daquele jeito depois que entraram no carro juntas. Conseguia perceber que o corpo da fotógrafa estava tenso enquanto dirigia. Pensou se deveria falar alguma coisa, apenas para relaxar Quinn até que chegassem no seu apartamento, mas não teve muito tempo para falar, quando o carro parou em frente ao apartamento que Rachel dividia com James.

— Eu achei que...

— Eu preciso de um tempo. — Quinn murmurou e Rachel virou o rosto para ela, vendo a mandibula cerrada da fotógrafa.

— Quinn... me desculpe por ter falado daquele jeito, mas você não tem ideia do quão assustada eu fiquei... — Tentou e se sentiu levemente vitoriosa quando percebeu o corpo ao seu lado relaxar um pouco. — Eu exagerei, sei disso. Mas por favor, não me afaste.

O corpo de Rachel relaxou mais ainda quando viu que os lábios de Quinn curvaram em um leve sorriso.

— Eu nunca poderia te afastar, Rachel. — Ela murmurou e finalmente virou-se para a morena. Os olhos levemente opacos. Como se ela estivesse ali, mas não totalmente. Sua mente estava em um lugar completamente diferente. Rachel sentiu seu peito arder com uma vontade de chorar. Ela fez isso com Quinn. — Amanhã eu te pego aqui e voltamos para o meu apartamento. Então... poderemos conversar, mas agora... eu preciso de um tempo.

E Rachel só poderia concordar com a fotógrafa. Ela não poderia dizer que queria ficar com Quinn. Ela precisava da fotógrafa depois do que aconteceu. Depois das ameaças que Joana lhe lançou, ela realmente queria dormir nos braços de Quinn. Desceu do carro e subiu para o seu apartamento, sabendo que James já estava lá com Kyle.

E o amanhã de Quinn, acabou se tornando uma semana depois.

Rachel estava extremamente nervosa. Era sua culpa, e ela sabia disso. Mas queria consertar, e tentou. Ligou para Quinn diversas vezes durante essa semana, deixando mensagens, perguntando qual será o dia em que ela iriam conversar. Mas Quinn não lhe retornou.

Mesmo passando por tudo isso, Rachel ainda tinha que trabalhar. Kyle lhe deixava no estúdio e ela gravava as cenas do dia e ele ia lhe buscar com um sorriso enorme. Rachel sabia que ele estava feliz por estar fazendo tudo aquilo, ele era o namorado de James e ele era recompensado por isso. Mas Rachel queria que fosse Quinn quem estivesse lhe buscando.

Mas precisava, temporariamente, esquecer de Quinn e focar na sua carreira. Noah sempre estava mandando-lhe mensagens, avisando sobre como estava sua situação e Rachel lhe agradecia milhões de vezes todos os dias.

Seus colegas de elenco não faziam ideia do que estava se passando na sua vida, e isso era fantástico. Quando Joana tomava conta da sua vida, ela não tinha esse direito. E talvez por isso, estava começando a ter amigos dentro do set de filmagem. As pessoas vinham lhe perguntar como estava, se tinha feito uma boa viagem. Rachel gostava disso.

Mais uma semana se passou e Rachel estava inquieta.

O primeiro episódio da sua série estaria indo ao ar neste dia, e Rachel queria estar com Quinn, mas a fotógrafa ainda não disse coisa alguma para ela. Então Rachel resolveu fazer o primeiro movimento.

Ela foi até o apartamento de Quinn. O porteiro lhe deixou entrar tranquilamente, mas Rachel não perdeu o olhar confuso dele. Ela até entendia. Ele sempre lhe via quando ela estava com Quinn, nunca sozinha. Ou ele poderia achar que ela já morava lá.

Tocou a campainha do apartamento de Quinn e esperou. Escutou um latido e um sorriso curvou-se em seus lábios involuntáriamente. Rachel sentia falta de Arrow. Logo depois do latido, escutou o som de chaves e o som delas sendo colocadas na porta.

Aguardou ansiosamente a porta abrir e encontrou os olhos verdes de Quinn. Mas a imagem não era boa.

— Eu estava imaginando quando você iria aparecer. — Quinn resmungou, Rachel não entendeu claramente o que ela tinha dito por sua fala sair toda enrolada.

Quinn estava bêbada.

O cabelo loiro todo desarrumado, suas roupas não pareciam convencionais. Quinn usava um short preto e curto, junto com uma camisa xadrez preta e azul completamente desgrenhada, por baixo dela tinha uma camiseta branca. Conhecendo Quinn como Rachel fazia, essa mulher na sua frente não era a mesma que estava com ela há três semanas.

— O que aconteceu? — Rachel questionou encarando a expressão cansada de Quinn.

— Álcool. — Foi o que ela disse antes de se afastar da porta, deixando-a aberta para Rachel entrar. A morena o fez, fechando-a atrás de si e trancando-a logo em seguida, quand virou-se para Quinn, a fotógrafa já estava com uma garrafa de vodca em mãos, tomando um gole antes de se afastar estremecendo. — Odeio vodca.

— Então porque está virando uma garrafa? — Rachel questionou, ao perceber o tom que usou, quis recolher o que disse, mas já era tarde, Quinn já lhe lançava um olhar confuso e irritado.

— Porque está aqui, Rachel?

— Você me disse que no dia seguinte falaria comigo. — Rachel lembrou e Quinn franziu o rosto.

— Sim?

— Já se passaram duas semanas, Quinn.

— Duas semanas?

Quinn torceu o rosto em confusão. Rachel ergueu as sobrancelhas quando entendeu a expressão da fotógrafa. Ela não fazia ideia de que tinham se passado duas semanas.

— Você trabalhou algum dia desses, Quinn? — Rachel perguntou já se afastando para procurar o celular da fotógrafa.

— Não sei, exatamente. — Quinn murmurou e Rachel olhou pro cima do ombro para encontrar a fotógrafa jogada no sofá com uma mão na cabeça.

Encontrou o celular dela em cima da cama, debaixo de todas as cobertas. Bufou e tentou ligá-lo, sentando-se na cama para se concentrar, mas o celular não ligava. Estava descarregado. Esse era o motivo de Quinn não atender suas ligações.

— Como foi que você não percebeu que se passaram duas semanas, Quinn? — Rachel rosnou e plugou o celular na tomada, voltando-se para a fotógrafa sentada no sofá. — Duas semanas. Ninguém simplesmente não sente duas semanas se passarem!

Quinn apenas gemeu. Rachel revirou os olhos e andou até ela, pegando-a pelo pulso.

— O que...? — Quinn tentou, mas Rachel continuou puxando-a para dentro do banheiro.

Rachel abriu o box do chuveiro e colocou Quinn debaixo dele ainda com roupas. Quinn não relutou muito, mas verdade, ela parecia agradecida por estar debaixo d'agua. Rachel não entrou no box, apenas fechou a porta e ficou observando Quinn pelo vidro. Sentou-se no vaso sanitário fechado e continuou observando a fotógrafa, esperando o momento em que ela iria começar a aparentar estar sóbria.

Um tempo depois, Quinn encostou-se na parede e escorregou para o chão, ainda debaixo do chuveiro. Ela cruzou as pernas e jogou a cabeça para trás, apoiando-a na parede. Rachel franziu o rosto e levantou-se para abrir o box.

— Porque você tinha que falar aquelas coisas, Rach? — Quinn murmurou e pelo olhar levemente chateado, Rachel percebeu que ela já estava começando a ficar sóbria.

— Faz um tempo que eestamos juntas, Quinn. E eu não sei uma só coisa sobre sua vida. — Rachel respondeu baixinho e se agachou para ficar na altra da fotógrafa. — Joana investigou toda a sua vida quando percebeu o que estava acontecendo entre a gente. E quando ela me contou eu... eu fiquei mais transtornada do que imaginava.

Quinn olhou fixamente para a parede ao lado de Rachel antes de fixar-se na morena. O beicinho que surgiu em seus lábios fez com que Rachel soltasse uma risada sauve.

— Então... acho que vou ter que te falar. — Ela resmungou e Rachel soltou um suspiro, acenando logo em seguida.

— Eu quero ter um relacionamento de verdade com você, Quinn. — Rachel confessou e Quinn tentou erguer as sobrancelhas, mas a água ainda caía na sua cabeça, fazendo-a cerrar os olhos. Rachel levantou-se e desligou o chuveiro, agachando-se na frente de Quinn. — E para um relacionamento dar certo, precisa ser livre de segredos.

Quinn respirou fundo e segurou a respiração, fazendo suas bochechas inflarem. Ela continuou assim por alguns segundos antes de acenar, soltando o ar.

— É. Acho que sim.

Rache acenou e sorriu suavemente, levantou-se e saiu do box.

— Termine de tomar banho. Vou pegar umas roupas pra você. Vou fazer também um café para que você melhore mais um pouco e não tenha ressaca amanhã. — Rachel foi dizendo e virou-se na porta do banheiro para ver Quinn levantando-se e desabotoando a camisa xadrez. — Eu te amo, Quinn. E confio em você, mas preciso que você também confie em mim.

Quinn ergueu os olhos pra ela e soltou um suspiro. Acenando e passando a mão pelo cabelo molhado, empurrando-o para trás, para longe dos olhos.

— Eu vou te falar o máximo que eu posso... E Rachel...eu confio em você.- Quinn murmurou e Rachel acenou lentamente e sorriu de canto. — E eu também te amo.

Rachel riu a acenou mais uma vez.

— Tome seu banho. — Apontou para ela e saiu do banheiro, fechando a porta atrás de si.

Notas finais
Gostaram? Eu não sei ainda se estamos na reta final, ainda estou pensando se vou deixar essa fanfic mais longa ou se termino por aqui mesmo. Então por enquanto, é isso. Espero que tenham gostado. Obrigada pelos comentários nos capítulos passado e até a próxima semana! Aguardo o Feedback e até mais!