Just A Picture
10 Capítulo X
Notas iniciais
CAPÍTULO X
Rachel não precisou abrir os olhos para sentir a dor de cabeça imensa se concentrando acima dos seus olhos. Gemeu baixinho e enterrou-se nos lençóis, rodando na cama para enfiar a cabeça no travesseiro. Não fazia a mínima ideia de onde estava, mas sabia que não era o seu quarto e nem a sua cama. Ao enfiar a cabeça no travesseiro, sentiu um cheiro de amaciante de avelã, fazendo-a abrir os olhos e erguer o corpo.
— Rachel?- Uma voz muito rouca surgiu e Rachel virou-se na direção dela, rodando na cama e sentando-se de supetão.
O que não foi uma boa ideia, e ela só foi perceber isso quando o apartamento rodou e ela caiu de volta na cama. Escutou uma risada melodiosa e passos se aproximando.
— Nunca mais vou beber. – Gemeu levando a mão até os olhos e rosnando quando a cabeça latejou dolorosamente.
— Essa frase é velha, mas eu vou fazer questão de lembrá-la disso. – A voz de Quinn surgiu mais uma vez e Rachel tirou a mão dos olhos e abrindo-os, cerrando-os para não sofrer tanto com a dor de cabeça. – Aqui, tem uma aspirina e um suco de laranja.
E a cama afundou com Quinn sentando-se na beira e entregando-lhe um copo com um liquido amarelado e uma pílulaRachel sentou-se calmamente e gemeu quando o quarto rodou mais uma vez.
— Argh, eu odeio isso. – Gemeu mais uma vez e pegou o suco e a aspirina, tomou e entregou o copo para Quinn, deitando-se mais uma vez.
Rachel sabia que Quinn ainda estava ali. Sentia sua presença ao seu lado e a mão dela ao lado da sua, pronta para entrelaçar seus dedos. Não lembrava bem do que tinha acontecido na noite anterior, mas lembrava de Quinn lhe trazer para o apartamento dela. E Rachel a agradecia por isso, afinal, James iria lhe encher o saco se ela chegasse bêbada no apartamento deles.
Mas voltando-se para Quinn, Rachel não sabia como reagir a fotógrafa e recém loira. Elas passaram um mês sem se falar. Um mês que Rachel passou promovendo a própria carreira e agindo como uma esposa decente. Consequentemente, um mês de frustração sexual.
Mesmo assim, Rachel não respondeu as mensagens nem ligações de Quinn. Estava chateada. Irritada. E, estranhamente, magoada. Odiou saber que Quinn tinha dormido com outra mulher porque passaram uma semana sem se falar. Mas Rachel também tinha uma ideia de que, quando elas começaram a ser exclusivas, alguém iria acabar burlando essa parte do suposto ‘acordo’ que tinham. E Rachel era muito tapada por não ter sido a primeira. Afinal, Quinn passou uma semana em Londres. Rachel poderia ter arrumado algum rabo de saia e transado loucamente, mas ela aguardou calmamente até Quinn voltar, mesmo não sendo tão calmamente assim, já que ela acabou indo para o apartamento da fotógrafa e foi flagrada se masturbando na cama dela.
Com tudo isso, Rachel não entendia o porquê de se sentir tão mal ao saber sobre Quinn, e isso a fez pensar. E passar todo esse mês tentando se manter ocupada por estar pensando demais sobre o assunto. E também a fez pensar que Quinn estaria comendo mais alguns rabos de saia nesse mês que passaram separadas.
— Tudo bem ai? – Quinn perguntou tirando-a dos pensamentos. – Ficou calada de repente. Achei que tinha dormido de novo.
Rachel abriu os olhos e encontrou os verdes que fizeram seu corpo arrepiar e seu coração acelerar.
Era estranho como reagia quando Quinn simplesmente olhava pra ela.
— Sim, eu só... estou tentando lembrar do que aconteceu ontem. – Usou uma desculpa qualquer, que não era bem assim, já que ela estava, realmente, tentando lembrar do que aconteceu no dia anterior.
— Ah, bem. Eu posso te ajudar com isso. – Quinn se ofereceu dando de ombros suavemente e sorrindo para Rachel.
E Rachel sentiu suas entranhas se apertarem. Quinn a fazia se sentir estranha.
— Okay então. Pode ir falando. – Rachel pede e se arruma para sentar na cama, encostando as costas na cabeceira.
— Bem, eu estava saindo do trabalho quando Brittany me ligou do seu celular, ela disse que estava precisando da minha ajuda. Kendrick estava chorando desesperada e você estava muito bêbada. Então eu fui para onde ela me esperava.
Quinn terminou de falar dando de ombros e Rachel a olhou por alguns segundos. Por algum motivo, tinha a certeza de que nem tudo que Quinn disse, era verdade. E que tinha algumas mentiras pela história.
— Pelo menos eu não vomitei. – Foi o que disse dando de ombros e soltando uma risada sem humor.
— Acredite, eu fico feliz por isso também. – Quinn concorda e levanta-se, caminhando na direção da cozinha. – Quer comer algo? Acho que tem algumas torradas e geleias em algum lugar.
— Sempre que eu acordo na sua cama você em oferece torrada com geleia. – Rachel brinca e tenta se levantar da cama, ficando meio tonta quando já estava de pé, mas andando até a cozinha tentando não tropeçar. – E eu sempre nego e a gente acaba indo para uma padaria comer alguma coisa.
Quinn soltou uma risada e Rachel sentou-se no banco em frente ao balcão da cozinha. A fotógrafa andava pela pequena cozinha, colocando os pães na torradeira e esperando que ficassem prontas. Virou-se para Rachel, que ainda tinha os olhos nela.
Rachel franziu o rosto quando percebeu um olhar cansado na fotógrafa. E ela estava mais pálida. Mais do que o normal.
— Quer ir numa padaria?- Quinn perguntou e Rachel fez uma careta, negando com a cabeça.
— Não, não tenho condições de me mover mais do que isso. – Ela aponta para si mesma. – Então vou aceitar suas torradas com geleia.
— Finalmente. – Quinn brinca e se encosta no balcão, passando uma mão pelo cabelo, a mão tremeu um pouco e ela soltou um suspiro cansado logo em seguida, parecia que o movimento tinha sido cansativo.
Mesmo assim, o movimento fez com que Rachel perdesse o fôlego por alguns segundos.
— O que aconteceu com você nesse mês? – Rachel pergunta quando Quinn se vira para pegar as torradas e colocá-las em um prato.
— Nada demais. Fizemos a edição com a Gal Gadot da Mulher Maravilha e foi fantástico e estamos pensando o que fazer para a edição de maio. Talvez sobre a Anne Hathaway, afinal ela é mãe de primeira viagem. – Quinn explica rapidamente e entrega o prato com torrada e geleia. – E você?
— Ah, bem. Depois de lançar o filme e muita gente ver, vou começar a fazer uma série de TV. – Rachel explica e começa a comer, gemendo baixinho com o gosto da geleia de morango. Era a melhor geleia que já comeu.
— Sério? E sobre o que é? – Quinn parecia verdadeiramente curiosa e Rachel sentiu-se bem com isso.
— É série policial. Querem que eu seja uma detetive. – E deu de ombros. Ainda não tinha visto o roteiro por ter recebido há dois dias, mas tinha conversado com um dos produtores.
Quinn colocou café em sua xícara antes de sentar no banco alto do balcão e inclinar-se sobre ele, segurando a xícara firmemente entre as mãos.
— Você vai ficar linda. – Quinn comenta sorrindo carinhosamente para Rachel, assustando-a por alguns segundos e fazendo com que ela fitasse suas torradas nesse tempo.
— Hm. Sim. Obrigada. – E pigarreou voltando a comer, mesmo que seu estômago estivesse revirando de nervosismo e a fome já tinha esvaído. – Não vai comer?
Quinn balançou a cabeça em negação, Rachel não perdeu o olhar levemente enojado dela, mas não comentou.
E elas não falaram mais até que Quinn terminou o café e Rachel terminou as torradas, tomando café logo em seguida. Depois voltou para a cama e caiu com um suspiro. Desde que tinha se afastado de Quinn, uma das coisas que sentia falta, era do conforto da cama da fotógrafa.
Odiava dormir na mesma cama que James, até porque não conseguia adormecer com o rapaz do lado. Então acabava levantando no meio da noite e indo dormir no sofá, que já tinha se tornado uma cama de tanto que passava noites lá.
— O que quer fazer? – Quinn perguntou quando terminou de lavar os pratos e apareceu perto da cama com um pano enxugando as mãos.
— Dormir. Pra sempre. – Rachel resmungou e abraçou um travesseiro, enterrando o rosto nele.
Escutou uma risada de Quinn e passos se afastando antes de voltar a se aproximar.
— Podemos conversar? – E Rachel ficou alarmada. Quinn nunca tinha usado um tom tão tímido com ela. Na verdade, não lembrava se Quinn já tinha sido tímida perto dela.
Levantou a cabeça e encontrou os olhos verdes.
— Sobre o quê?
Quinn não conseguia olhar em seus olhos, sempre desviando para qualquer lugar menos seus olhos. Rachel ficou incomodada com isso.
— Sobre nós? – A voz da fotógrafa tinha tremido um pouco no final. E Rachel percebeu as mãos dela se amassando. – Se você quiser...
Era disso que Rachel não queria falar. Ela estava evitando isso o mês inteiro e não queria falar sobre isso agora. Não quando estava sentindo-se enjoada e cansada. Não quando estava confusa sobre o que estava acontecendo dentro de si enquanto estava diante de Quinn.
— O que tem pra conversar, Quinn? Achei que já tínhamos conversado. – Rachel falou e suspirou cansada. Desviou o olhar para o lençol da cama antes de sentar-se e encostar-se na cabeceira.
Quinn mordeu o lábio inferior e acenou lentamente antes de levantar da cama com um suspiro.
— Okay. Quando quer que eu te deixe em casa? – Essa pergunta foi feita de costas para Rachel, e ela não gostou nem um pouco disso.
— Quinn. Olhe pra mim. – Pediu e escutou um bufo antes que a fotógrafa se virasse. – O que você quer que eu faça?
— Eu não sei. Conversar? – Ela bateu as mãos nas pernas antes de levantar uma para passar pelo cabelo. Quando foi que o cabelo de Quinn tinha ficado maior?
— E o que tem pra conversar?
— Pelo amor de Deus! – Quinn exclama e rosna antes de levar ambas as mãos até o cabelo loiro, amassando-o. – Eu não gosto disso, Rachel! Não gosto de ficar longe de você. Não gosto de não ver você. Não gosto. Não gosto nem um pouco!
Rachel engoliu em seco antes de desviar o olhar por um tempo.
— E o que eu faço com isso? — Rachel indagou rouca.
Quinn a olhou por um tempo. Como se não soubesse o que falar diante da indagação da morena. Rachel pensou se deveria ter falado isso, mas tudo estava tão estranho na sua mente e no seu coração que se viu sem outra opção.
— Eu vou te deixar em casa. — Quinn anunciou e Rachel estremeceu com sua voz. Soltou um suspiro e viu a fotógrafa dar as costas logo em seguida se afasta e entra no banheiro.
Não iria insistir. O que tinha na sua mente precisava estar de acordo com o que tinha no seu coração, enquanto isso não estivesse certo, ela tinha que manter distância de Quinn Fabray. Mesmo sabendo o quanto queria estar perto da sua fotógrafa.
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Quinn estava se sentindo péssima. Sua cabeça doia de um jeito irritante. Suas mãos apertavam o volante enquanto dirigia para levar Rachel até o apartamento que dividia com James. Quinn não estava se sentindo bem desde que acordou, sentia-se enjoada e seu estômago revirava dolorosamente. E não comentou nada com Rachel por ter certeza de que ela estava de ressaca e que precisavam conversar.
E também por achar que isso era apenas ansiedade.
Comprimia os lábios e engolia saliva para não parar o carro e colocar tudo o que comeu para fora. Rachel não fazia ideia do que acontecia ao seu lado, e Quinn queria que continuasse assim. Mas não conseguiu.
Parou o carro no acostamento e jogou-se para frente, encostando a testa no volante e respirando fundo.
— Quinn? — Rachel chamou baixo e com a voz cheia de preocupação.
— Hm. — Murmurou em resposta e jogou-se para trás, deitando a cabeça no banco e fechando os olhos com força. — Espera um pouco... eu vou te deixar lá.
— Está tudo bem?
— Não.
Rachel soltou o próprio cinto e virou-se para Quinn. A fotógrafa sentiu as mãos da morena em seu pescoço e sua testa.
— Deus do céu! Quinn! Você está pegando fogo!
— Eu me sinto assim. — Quinn gemeu e soltou um suspiro.
— Vamos pra casa. — Rachel avisou e abriu a porta do carro, indo para o outro lado e abrindo a porta de Quinn. — Vamos, eu dirijo.
Quinn abriu os olhos e os cerrou para Rachel.
— Você não vai dirigir o meu volvo.
— Não é um pedido, Quinn. Eu estou exigindo. Mais para ordenando. — Rachel levou uma mão até o cabelo loiro e acariciou os fios levemente úmidos de suor. — Passe para o outro banco.
— Ugh, não faça nada errado. — Quinn resmungou antes de impulsionar para o lado e pular o cambio, caindo no banco com um gemido.
— Tanto faz, só não vomite. Ao menos não agora.
Rachel entrou no carro e fechou a porta, parecendo confusa quando ligou o automóvel. Quinn cerrou os olhos para ela mais uma vez. Lambeu os lábios antes de falar:
— Não bata o meu carro, Rachel Berry. – Apesar de estar extremamente cansada e tonta e também enjoada, Quinn estava muito preocupada com o seu amado volvo v40.
— Cale a boca. – Rachel apenas murmurou e saiu andando lentamente pelas ruas.
De certo modo, ajudou Quinn com o seu enjoo. O carro andando calmamente pelas ruas, não fazia muito movimento no interior dele, fazendo com que Quinn relaxasse um pouco e parasse de querer vomitar no painel do seu lindo carro.
Rachel deu a meia volta e dirigiu calmamente pelas ruas de Nova Iorque – com a sinfonia de buzinas logo atrás delas. Ao chegar ao apartamento de Quinn, a morena estacionou e a fotógrafa logo saiu do carro, dirigindo-se ao elevador cambaleante.
— Quando você começou a se sentir assim? – Rachel perguntou quando entraram no apartamento de Quinn, a fotógrafa já tinha se jogado no sofá e tinha um braço jogado sobre os olhos.
— Desde quando acordei. – Quinn resmungou e soltou um suspiro. – Eu nunca fiquei doente, nunca. Nunca.
— Nunca diga nunca. – Rachel cantarolou e sentou ao lado do corpo de Quinn, levando uma mão até os fios loiros e puxando-os para trás, tocando sua testa. – Tem algum remédio por aqui?
Quinn soltou mais um suspiro e sentou-se no sofá, assustando-se levemente quando viu que Rachel estava mais próxima do que imaginava. Engoliu em seco e sentiu a garganta seca, arranhando quando ela pigarreou logo em seguida.
— Tem no armário da cozinha. – Explicou e levantou-se do sofá com Rachel levantando-se logo em seguida e seguindo-a até a cozinha.
Quinn abriu o armário e tirou uma cesta verde cheia de caixas de remédios, colocando-a em cima do balcão.
— Pra alguém que não fica doente, você é bem precavida. – Rachel murmurou e enfiou a mão na cesta, catando os remédios para Quinn enquanto a fotógrafa se encostava no balcão e gemia levando uma mão até o estômago.
— Minha irmã que compra esses remédios. Ela diz que eu tenho que tomar conta de mim, mas eu não preciso. Porque não fico doente. Ao menos, não ficava. – E tudo isso foi falado entre suspiros e ofegos.
— Então ela sempre esteve certa... você tem uma irmã? – Rachel levantou os olhos atentos para Quinn e a fotógrafa revirou os olhos dramaticamente.
— Sim, eu tenho.
Rachel soltou uma risada suave e separou os remédios para Quinn tomar. A fotógrafa foi tomando calmamente um por um, logo em seguida foi para o banheiro tomar um banho enquanto Rachel foi preparar algum chá para ela.
Rachel estava se sentindo estranhamente protetora com Quinn. Ao ver a fotógrafa sentindo-se realmente mal, a sua vontade de tomar conta dela foi maior do que o seu medo do Anthony ou de Joana. E ela fez o que sua vontade maior exigia.
Preparou o chá e deixou esfriando um pouco em cima do balcão enquanto Quinn ainda estava tomando banho.
Pensou na conversa que tinham tido mais cedo. Em como Quinn queria conversar com ela e como ela queria arrumar as coisas, mas Rachel não se sentia pronta para conversar. Não sentia-se pronta para conversar sobre a conversa que tiveram no mês passado, nem para falar sobre a pessoa que Quinn dormiu.
Sua mente não parava de trabalhar enquanto passava no que Quinn provavelmente fez no mês inteiro. Se ela andou dormindo com várias modelos como sempre fez, se ela resolveu arrumar outra pessoa para a ser a sua exclusiva. Se a outra pessoa era a mulher com quem ela dormiu no mês passado e contou para Rachel. Rachel não parava de pensar nesse tipo de coisa, e talvez por isso, não conseguia conversar com Quinn sobre o assunto. Talvez estivesse assustada. Com medo de se decepcionar mais ainda com Quinn.
Logo quando começaram a fazer o que faziam, Quinn tinha dito que não tinha nada de errado em se apaixonarem uma pela outra. E, talvez, Rachel estivesse vendo que Quinn não tinha evitado se apaixonar por ela. Ou talvez Rachel apenas estivesse se autopromovendo com suposições e Quinn apenas quisesse voltar a ter um sexo selvagem e gostoso como sempre tinham.
Mas... Alguma coisa tinha mudado nos olhos lindos e maravilhosos de Quinn. Ela só não conseguia ver o que era.
— Rachel? – A morena levantou os olhos e viu Quinn diante dela com os óculos de volta ao rosto. Sorriu involuntariamente. Quinn ficava linda de óculos.
— Sim?
— Está tudo bem? Você está bem pensativa hoje. – Quinn comentou e dirigiu-se para a cama, deitando-se com um bufo e Arrow logo subiu na cama para ficar ao lado da dona, encolhendo-se ao lado da coxa da fotógrafa. – Ei rapazinho.
— Sim, só estou pensando na conversa que vamos ter. – Rachel anunciou e sentou-se na cama ao lado de Quinn, inclinando-se para acariciar as costas de Arrow antes de voltar-se para Quinn.
— Conversa? – Quinn ergueu uma sobrancelha.
— Sim.
— Que conversa?
— A conversa que você quis que nós tivéssemos hoje mais cedo.
Quinn agora tinha ambas as sobrancelhas erguidas. Rachel inclinou-se sobre ela, tocando sua testa com as costas da mão e soltou um suspiro, franzindo o rosto antes de se afastar.
— Ainda está quente.
— Você quer conversar? – Quinn indagou parecendo confusa. – Achei que não quisesse conversar, e que já tínhamos conversado sobre isso e que...
— Quinn. – Rachel interrompeu e sorriu para a fotógrafa. – Eu sei o que eu disse, e sei também que não deveria ter dito, afinal, nós precisamos conversar.
— Então vamos conversar!
Quinn organizou-se para sentar, mas Rachel não deixou, empurrou a fotógrafa para ficar deitada e soltou uma risada quando viu o beicinho nos lábios rosados.
— Agora não, Quinn. – Rachel disse e voltou a se afastar da fotógrafa. – Nós vamos conversar, mas não agora. Eu preciso de um tempo... só mais um pouquinho.
Quinn lhe encarou resignada.
— Porque precisa de tempo para conversar? Rachel! Nós só precisamos falar, não precisa pensar.
— Talvez você não precise, Quinn, mas eu preciso.
O beicinho de Quinn voltou.
— Certo. Não vou insistir.
Rachel sorriu satisfeita.
— Muito bem, agora vá dormir. — Pediu e acariciou os fios loiros antes de levantar. – Eu preciso ir, mas deixei isso aqui pra você.
Apontou para a xícara de chá em cima da mesa de cabeceira de Quinn. A fotógrafa olhou para a xícara antes de voltar-se para Rachel.
— Você já vai? – A voz de Quinn tinha ficado baixinha e Rachel quase desistiu de ir, mas ela precisava.
— Eu preciso, Quinn. – Sorriu para a fotógrafa e se afastou da cama.
Quinn tentou pestanejar, mas a sonolência bateu e ela ficou grogue, resmungando alguma coisa antes de piscar algumas vezes para tentar se manter acordada.
Rachel sorriu e apanhou a chave do apartamento de Quinn, saiu dele e fechou por fora, mandando a chave por baixo da porta e caminhando para o elevador.
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— Aonde estava? — James questionou assim que Rachel entrou no apartamento.
— Não lhe interessa. — Respondeu quase rosnando.
— Chegou de táxi e não aparece desde ontem. — James continuou falando e Rachel revirou os olhos irritada. — Dormiu com aquela lá mais uma vez?
Rachel colocou a bolsa na mesa da sala e jogou as chaves em cima dela antes de se virar para o seu suposto marido.
— Você não tem direito algum de falar dela assim. — Rachel rebateu e lambeu os lábios demoradamente. — E também não tem direito algum de falar de mim assim, sabe? Você não dorme aqui desde a semana passada.
James arregalou os olhos e olhou ao redor. Rachel temia que ela estivesse enlouquecendo, ou já estivesse louco.
— Isso não quer dizer que eu estou dormindo com outra pessoa, Rachel. – James tenta rebater e Rachel revira os olhos mais uma vez.
— Você sabe que eu sei que você está dormindo com o assistente do seu cabeleireiro.
James parou de parece assustado e soltou um suspiro, jogando-se para trás no sofá e levando uma mão até o cabelo perfeitamente penteado.
— Nós estamos mais do que dormindo juntos. – Ele falou e Rachel franziu o rosto.
— Como assim?
— Ele disse que me ama. – Explicou e Rachel ergueu ambas as sobrancelhas.
— Ele disse?
— Sim, e... e eu não consegui dizer de volta. – James solta um suspiro e joga a cabeça para trás. – Ele estava bem magoado, mas fingiu que estava tudo bem.
— E porque você não conseguiu dizer de volta? – Rachel sentou-se na poltrona ao lado do sofá e inclinou-se para frente.
— Porque fiquei com medo. – Confessou e olhou para Rachel. – Com medo de não dar certo por causa dessa merda que nos metemos.
Rachel abaixou a cabeça e soltou um bufo cansado.
— Sim, eu sei exatamente como se sente. – Finalmente viu a oportunidade para colocar pra fora o que tinha dentro de si. – Estamos tão enterrados nisso que não conseguimos ver o topo.
James inclinou-se para frente e apoiou os cotovelos nos joelhos, imitando a posição de Rachel.
— Você a ama? – Ele perguntou e Rachel franziu o rosto olhando nos olhos azuis brilhantes do seu marido.
— Eu não sei. – Confessou com um suspiro. – Estou tão cansada disso que estamos passando, que não sei o que estou sentindo em relação a qualquer coisa.
James balançou a cabeça.
— Sei como é. – Ele soltou uma risada sem humor. – Nós vendemos nossa alma sem nem ler os termos de contrato.
— Exatamente como eu penso. – Rachel levanta-se da poltrona e solta um suspiro pesado. – Vou tomar banho e ligar para Quinn.
— Por quê? Aconteceu alguma coisa? – James ergueu as sobrancelhas. Finalmente estava com alguma sanidade para perceber a situação em que estavam e Rachel sentiu-se grata por isso. Ela não queria segurá-lo nessa situação que estavam.
— Ela não amanheceu bem e... Eu a deixei dormindo. Quero saber se ela acordou.
— Você não esteve bem nesse mês... Não estava vendo-a, né? Quando você a via, parecia que iria explodir de felicidade. – James indagou e Rachel sorriu tristemente pra ele.
— Algumas coisas aconteceram, mas... Acho que estamos resolvendo. Não sei. Ela fez algo no mês passado e eu meio que... não me senti bem sobre isso e não quis vê-la.
Não entendeu o porque de ter confessado isso para James. Mas não tinha muito que pensar, James estava tão enterrado nisso quanto ela. Eles poderiam se ajudar.
— Okay. – James levantou-se com um suspiro, passando as mãos pela bermuda preta. – Pensa bem. Se ela quer resolver a situação, quer dizer que ela soube que o que fez foi errado. Você pode não saber o que sente, mas talvez ela já saiba.
E ele passou por ela, entrando no quarto e deixando a porta aberta para Rachel entrar. Mas Rachel continuou parada no meio do corredor, encarando o nada.
Antes que pudesse pensar em alguma coisa, seu celular tocou no bolso da bolsa. Virou-se rapidamente e o arrancou de lá vendo que era Brittany Snow lhe ligando.
— Brittany? – Chamou assim que o colocou no ouvido.
— Rach? Ei! Como você tá? Quinn cuidou bem de você?— Brittany parecia animada do outro lado da linha.
— Sim, sim. Ela me levou para o apartamento dela. – Murmurou distraidamente enquanto ia mexendo na bolsa para retirar algumas outras coisas.
— E vocês se resolveram? Espero que sim. Ela esteve tão preocupada com você ontem. – E Rachel parou ao escutar isso.
— Como assim?
— Como assim o quê?
— Ela esteve preocupada?
— Claro que sim. Você ligou pra ela e ainda estava chorando no meio da ligação. Teve sorte que eu tirei o celular da sua mão antes que ela atendesse.— Brittany parecia distraída. – Então ela veio correndo como uma heroína. Você até disse que ela era o seu Batman particular.
Rachel corou tanto que ela percebeu ao olhar para a mesa e viu o seu reflexo no vidro.
— Então ela veio atrás de mim porque eu liguei pra ela?
— Sim, ela fez isso. Foi bem fofo. Mas então, vocês resolveram?
Mas Rachel desligou sem responder.
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