Juntos pelo acaso
21 Voando
Notas iniciais
Assim que descemos do ônibus — um pouco mais calmos —, meu pai veio nos cumprimentar animadamente. Ele abraçou a todos, comentando que estava feliz em rever Sali tão cedo. Ela sorriu constrangida e desviou o olhar, dizendo que sentia o mesmo. Eu esperava que aquele momento pudesse acontecer mais vezes. Esperava que o relacionamento entre Sali e meu pai deixasse de ser constrangedor em algum momento, tamanha a frequência que eles se vissem.
Mesmo sabendo que seria quase impossível.
Mesmo sabendo que poderia ser a última vez que eu veria aquele acontecimento.
Segurei na mão de Sali quando seguimos até o carro de meu pai que, com surpresa, percebi ser o normal. Nada de carro alugado. Nada de sete lugares.
— Pai, não cabe todo mundo aí — comentei, apontando deliberadamente para o carro.
Ele sorriu de modo conspiratório para mim.
— Ah, não? Que falta de pensar…
Respirei fundo enquanto tentava entender o que meu pai planejava. Corri os olhos pelo estacionamento à procura de algum carro maior ou de qualquer coisa que indicasse o que faríamos. Meus olhos se detiveram em um carro que eu bem conhecia. Uma mulher que eu também conhecia muito bem saiu dele com extrema elegância.
Rafa reagiu imediatamente.
— Mãe! — ele exclamou, correndo até ela e abraçando sua cintura. — O que tá fazendo aqui?
Ela sorriu e abraçou-o, andando com ele até o resto de nós.
— Eu não podia perder essa oportunidade — ela deu de ombros. — Assim que descobri que vocês iriam ao cânion, não pude me aguentar. Era algo que fazíamos em família. E ainda somos uma família.
Se eu não estivesse acompanhado de tantas pessoas, provavelmente meus olhos teriam se enchido de lágrimas. Depois que percebi, porém, quais eram as pessoas que me rodeavam, não pude evitar que meus olhos se enchessem de lágrimas da mesma forma. Éramos uma família. Todos nós. Eu estava entre todos os que me amavam e entre todos os que eu amava também; não havia motivos para me constranger diante de todos eles, porque minhas lágrimas eram de felicidade por tê-los por perto. De eterna felicidade.
Eu estava em casa.
Sali apertou mais a minha mão e, de relance, vi um sorriso feliz em seus lábios.
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O dia estava perfeito para o passeio que tínhamos planejado. Mesmo que fosse inverno, não estava tão frio ao ponto de precisarmos usar uma tonelada de roupas, assim como não estava quente ao ponto da caminhada se tornar insuportável. Estava do jeito certo, com o sol delicadamente iluminando tudo ao seu redor e deixando as paisagens de tirar o fôlego.
— É um longo caminho — expliquei a Sali assim que saímos do carro de meu pai. O resto da família tinha ido no carro de minha mãe. — São aproximadamente cinco mil e trezentos metros de caminhada. Ida e volta. Infelizmente, tem um trecho bem íngreme no caminho e ele é bem “pesado” pra subir.
Sali franziu o cenho e me olhou por um tempo séria, até que um sorriso gentil suavizou sua expressão.
— Por que me disse tudo isso, Guto?
— Porque as pessoas geralmente se surpreendem na primeira vez que vem aqui — dei de ombros. — E também porque estou um pouco preocupado que você se canse muito.
— É bonitinha a sua preocupação, mas eu realmente aguento o tranco — ela riu e segurou em meu braço, apontando adiante. — Aliás, acho que sua família te espera.
Sorri novamente. Minha família. Minha família completa.
— Nos espera — corrigi, puxando-a junto comigo. — Vamos lá. Vamos ver até onde você aguenta o tranco.
Ela riu.
— Não me subestime, Gustavo.
— Acredite em mim: eu não te subestimo — porque você clareou meus pensamentos e me conquistou de um jeito que nunca fui conquistado, quis acrescentar.
Adorava ter Sali tão presa a mim, sem constrangimentos que outras pessoas percebessem nosso relacionamento. Ela estava tão solta e alegre, apesar do pequeno problema que tinha ocorrido durante a manhã. Quis entrar em sua mente para conseguir entendê-la. Mas qual seria a graça se eu conseguisse desvendar Sali?
— Prontos? — meu pai perguntou assim que o alcançamos.
— Sim, capitão — Lipe bateu continência, fazendo todos rirem.
— Pare de se exibir, Felipe — Bia o empurrou para o lado, apesar de rir da situação. Gostava do clima de brincadeira entre eles.
— Faz parte de mim, Beatriz — ele disse, segurando em sua mão. — Foi exatamente por isso que você se apaixonou.
Ela franziu o cenho e o empurrou novamente.
— Sai fora, Felipe. Eu não me apaixonei por nada seu — ela enfatizou. — Não se iluda. Não sei de onde tirou isso.
Ele riu.
— Me desculpe informar, mas a iludida aqui é você.
Sali riu e apertou meu braço. Balancei a cabeça negativamente e resolvi interromper antes que se transformasse em uma discussão séria.
— Certo, certo. Cada um guarde suas opiniões para si — revirei meus olhos. — Apesar de achar que Lipe está certo…
— Gustavo! — Bia exclamou.
— Tá bom — ergui uma de minhas mãos em rendimento; a outra estava gentilmente presa entre os dedos de Sali. — Vamos começar a caminhada logo, então? Antes que isso se torne algo um pouco… sério.
Lipe revirou seus olhos.
— Não se tornaria sério.
— Vou fingir que não escutei isso — resmunguei, puxando Sali para que fosse na frente junto comigo.
— Realmente, acham que não conhecemos vocês? — Sali completou, me ajudando na conspiração.
— Ah, qual é! — exclamou Lipe.
— Calma, crianças — disse meu pai logo atrás, andando abraçado a Rafa. Seu tom era brincalhão. — Não quero que comecem a brigar pra eu não precisar resgatar vocês no final desse morro. Porque vocês certamente desceriam rolando.
A gargalhada de Rafa foi tão contagiante que todos acabaram rindo da piada tosca de meu pai. Até mesmo a minha mãe, que até então estava em silêncio.
Boa parte do caminho Rafa tagarelou sem descanso. Imaginei como ele conseguia falar tantas coisas sem perder o fôlego. Fiquei em silêncio quase todo o caminho, apenas fazendo comentários necessários quando era exigido. Não estava triste, apesar de tudo. O meu silêncio era consequência de meu respeito; eu nunca falava muito quando ia àquele lugar. Gostava de apreciar cada detalhe da paisagem, cada sensação que todo aquele lugar me causava. Gostava de admirar o quanto a natureza era poderosa e incrível.
Quando estávamos nos pequenos panelões de água e todos brincavam e tiravam fotos, perguntei a Sali se ela escreveria algum texto sobre o lugar.
— Com certeza — ela respondeu. — Não posso desperdiçar isso. Imagine, dará um texto incrível! — ela sorriu, apontando então para minha mãe preocupada que Rafa estava se aproximando da queda d'água.
— Rafael! Volte para cá agora! — ela exclamava, se aproximando furiosa. — Ficou louco? Quer cair daí? — ela vociferou, segurando em seu braço.
— Não, mãe — ele riu. — Eu só queria ver. Olhe para frente.
Mesmo que relutante, minha mãe ergueu seus olhos e viu o que Rafa dizia. A pequena cachoeira descia livremente pelas pedras irregulares, como se atravessasse uma escada da natureza. Era realmente uma paisagem bonita.
Soltei discretamente da mão de Sali e me aproximei de minha mãe, que deixou que o momento a envolvesse delicadamente.
— Até você ficou sem palavras, senhora Sandra? — provoquei-a, passando um de meus braços pelos seus ombros.
— Já vim tantas vezes aqui… mas acho que me esqueci do quão fabuloso era.
— Nós sempre nos esquecemos. Mas é bom! Porque desse modo nos surpreendemos sempre mais. Cada vez mais.
Ela apoiou-se em mim.
— Sim, Guto — suspirou. — Com certeza. E eu pretendo esquecer muito mais vezes…
Sorri.
— Você vai.
Ela suspirou.
— Foi aqui que eu beijei seu pai pela primeira vez — ela sussurrou, olhando ao redor para ver se havia alguém por perto. Todos estavam afastados tirando fotos e se divertindo. — Éramos amigos e ele me trouxe aqui. Foi durante o verão. Mergulhamos em um desses panelões de água juntos e… bem, o resto você já sabe — ela riu um pouco constrangida. — Seu pai já me olhou exatamente da forma como você olha Sabrina. E eu já o olhei da mesma forma que Sabrina te olha — ouvi sua voz se embargando. — Espero que o relacionamento de vocês dê certo. Que dure para sempre. E que vocês nunca, jamais, tenham a ilusão de que o tempo possa piorar um relacionamento. É apenas ilusão. Não é real cansaço.
Apertei mais seus ombros.
— Se quer saber, ele ainda te olha dessa forma — murmurei. — E tenho certeza de que adoraria entrar em um desses panelões com você novamente.
Ela soltou um pequeno suspiro de lamento.
— Não sei se ainda pode funcionar. De qualquer modo, logo superaremos.
Acariciei seus cabelos.
— Não que a minha opinião importe muito, mas… eu não gostaria que vocês superassem.
Minha mãe sorriu e acariciou meu rosto.
— Eu tenho tanto orgulho de você, Guto…
E aquelas palavras me abraçaram como se, em um dia de geada, eu pudesse ficar na cama mais cinco minutos antes de ir para a escola.
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Quando chegamos à placa que indicava o caminho para o mirante ou para a cachoeira, coloquei minhas duas mãos sobre os olhos de Sali. Ela respirou fundo e colocou suas mãos suavemente em meus antebraços. Pude imaginar seu sorriso.
— Por que vendou meus olhos, Guto? — ela perguntou com a voz divertida.
— Você logo vai descobrir — sussurrei em seu ouvido, empurrando-a delicadamente adiante.
Ela apertou mais meus antebraços e interrompeu seus passos.
— Não vai me deixar cair, não é?
Sorri.
— Estou te segurando, Sali. Você não vai cair.
Ela riu um pouquinho e me deixou guiá-la pelo caminho irregular. O tempo todo ela parecia ansiosa com o que estava por vir. E eu tinha certeza de que, assim que descobrisse o que era, amaria. Assim como eu tinha amado na primeira vez que tinha ido no lugar.
— Guto, eu quero ver logo — ela apertou mais meu braço.
— Estamos perto. Bem perto… — sorri ao ver que estávamos quase na beirada do mirante. — Agora eu preciso que você solte de meu braço e deixe suas mãos esticadas.
— Por quê?
— Apenas faça isso, Sali.
Ela respirou fundo e me obedeceu, logo interrompendo nossos passos ao conseguir segurar a barreira que impedia as pessoas de caírem do mirante. Respirei fundo e apoiei minha cabeça em seu ombro, tendo que me curvar consideravelmente. Lipe, Bia, Rafa, meu pai e minha mãe estavam mais distantes, observando a paisagem de outro ângulo.
— Agora, abra seus olhos — sussurrei em seu ouvido, tirando as mãos de seus olhos.
Ela ofegou assim que viu a paisagem deslumbrante. Era como se flutuássemos acima de um lugar incrível. Embaixo de onde estávamos, a água corria livremente entre dois morros. O sol pairava acima de nós, deixando tudo ainda mais lindo e emocionante. Eu não me cansava de me fascinar com aquela paisagem. E podendo desfrutar daquilo com Sali ao meu lado… era mil vezes melhor.
Envolvi sua cintura, abraçando-a por trás. Ela apoiou a cabeça em meu ombro.
— Isso é… incrível, Guto — ela sussurrou. — E eu sinceramente estou me sentindo como a Rose em Titanic, só que sem um navio — ela riu um pouquinho. — Eu estou voando.
Sorri.
— Também tenho a impressão de voar. É como se, por um momento, eu pudesse enfrentar o mundo.
Ela apertou minhas mãos que envolviam sua cintura.
— O que vou dizer é clichê e tal, mas… nós somos infinitos, Guto.
— Infinitos. Invencíveis — sorri e a virei em minha direção, olhando em seus olhos. — Nós temos o mundo.
Ela segurou meu rosto entre suas mãos e ficou na ponta dos pés, aproximando nossos rostos. Sua expressão se tornou intensa.
— Nós podemos vencer qualquer coisa, Guto. Nós vamos vencer o mundo.
De repente, senti um nó na garganta. A mãe de Sali tinha desconfiado sobre nós. E era capaz de impedir que nos víssemos, era capaz de qualquer método que pudesse nos separar. E se eu perdesse Sali? A minha Sali? Logo quando tínhamos finalmente acertado o passo e ficado juntos.
Franzi meu cenho.
— Qualquer coisa? — perguntei, a voz meio embargada.
Ela sorriu e encostou nossos lábios. Por um momento, não havia ninguém ao nosso redor. Somente nós dois, tendo o mundo em nossas mãos. O mundo nos pertencia.
— Tudo — ela sussurrou.
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— E chegamos ao fim de nossa jornada — meu pai exclamou assim que chegamos à última cachoeira.
Sali sentou-se em uma pedra enquanto observava a paisagem. Sentei-me ao seu lado. Mais adiante havia uma mulher, provavelmente alguém que informava que visitantes haviam chegado seguramente ao último ponto da trilha. Lipe e Bia se afastaram um pouco, ficando abraçados em um canto, e meu pai e minha mãe, acompanhados de Rafa, começaram a conversar com a mulher que já estava no lugar. Fiquei feliz em ver minha família tão unida.
— Eu não aceitei a separação deles imediatamente — murmurei, achando que Sali tinha o direito de saber.
Ela ficou em silêncio algum tempo, apenas absorvendo a informação. Então sussurrou com a voz rouca e destreinada:
— E como foi?
— Horrível — franzi meu cenho. — Em um momento eu tinha minha família toda unida e no outro… não. Recusava-me a dar atenção a Rafa. Quase não ficava em casa. Não suportava a ideia de que um relacionamento bonito pudesse terminar — respirei fundo. — Não era capaz de compreender. Foi uma época difícil, provavelmente a mais difícil de minha vida. E eu não gostaria de repetir aquilo.
Ela suspirou e acariciou meu braço.
— Sinto muito — sussurrou. — Mas o importante agora é que vocês estão todos juntos, mesmo que eles ainda estejam separados.
Assenti.
— Ainda assim... queria que eles voltassem. Queria morar na mesma casa com os dois juntos.
— Bem, pelo menos eles já são adultos o suficiente para decidirem isso — ela sorriu e me olhou. — E, se voltarem, será para o bem de todos. Com a cabeça clara. Mais maduros.
Sorri fraquinho.
— Eles se separaram por causa da pressão de ter dois filhos — balancei minha cabeça. — Dívidas. Trabalho. Dois filhos para criar. Meu pai recebeu uma promoção para mudar de cidade e, já que precisávamos de dinheiro, ele teve que aceitar. Só que… o casamento não se sustentou. Era muito mais que os sentimentos deles. Era a saudade, a dificuldade… tudo.
— Mas agora eles parecem bem melhores. E ainda se olham como se vivessem a primeira fase do amor.
— Eles vivem — expandi meu sorriso. — E tenho esperança que reconheçam isso logo, antes de se relacionarem com outras pessoas e acabarem com tudo.
Sali suspirou.
— Eles vão reconhecer, Guto. Não se preocupe — e a certeza na voz de Sali acalmou as batidas de meu coração.
Ao longe, meus pais observavam a queda d'água. Não se abraçavam, apesar de estarem perto. Perto como um casal. Bastava meio centímetro para as mãos se tocarem. E, naquele momento, pude sentir que estavam próximos de reatarem e de reconhecerem. Eram almas gêmeas, assim como Sali e eu.
Eu tinha certeza.
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— Eu… tô… cansado — Rafa ofegou, sofrendo para caminhar assim que o caminho se tornou mais íngreme.
Respirei fundo e, mesmo que também estivesse cansado, me agachei em sua altura. Ele sorriu vitorioso ao perceber que tinha conseguido o que queria.
— Vai ficar mais difícil pra você, Guto — ele comentou, segurando em meu pescoço e fechando suas pernas ao meu redor.
Segurei na curva de seu joelho e peguei um impulso para levantar. Rafa não era pesado, mas não seria fácil carregá-lo em um caminho íngreme. Já tinha tido a mesma experiência outras vezes.
— Não seria a primeira vez — dei de ombros. — E eu bem sei que você gosta disso, Rafael.
Ele gargalhou alegremente em meu ouvido.
— Sério isso? — Sali perguntou apontando para nós. — Você realmente vai carregá-lo em suas costas?
— O que você esperava? Que eu deixasse ele reclamando o resto do caminho? — balancei minha cabeça enfaticamente. — Não mesmo.
— Uau — ela riu e começou a seguir em frente. — Você é sortudo, Rafa. Muito sortudo.
Não pude esconder o sorriso satisfeito que surgiu em meu rosto. Pude ver, de relance, meus pais me olhando com malícia ao perceber os sentimentos que tinham me invadido.
— Não sou o único — Rafa completou inocentemente, como se não soubesse o duplo sentido de suas palavras.
Sali continuou andando como se não tivesse ouvido, mas tive quase certeza de que seu sorriso espelhava o meu. Eu esperava que espelhasse.
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— Vendo tudo o que caminhamos, você não se sente invencível?
Sali sorriu.
— Eu me sinto exatamente da mesma forma que me senti quando chegamos ao mirante — ela segurou em minha mão. — Sinto como se o mundo me pertencesse. Como se qualquer pudesse ser superada.
— E realmente pode.
Ela suspirou.
— E vai. Não tenha tanto medo, Guto. Não procure tanta confirmação. Eu continuarei aqui.
— Ainda acho que estraguei tudo…
— Você teria estragado tudo se não tivesse me feito esse convite maravilhoso — ela se aproximou, envolvendo minha cintura e olhando todo o caminho que percorremos. — Eu não me arrependo de nada, Gustavo. Nadinha.
Apoiei minha cabeça na sua e passei meu braço pelos seus ombros.
— Eu também não. Não me arrependo principalmente de ter dado uma nova chance a esse sentimento avassalador, destruidor.
— Destruidor, mas capaz de construir os alicerces mais firmes de felicidade.
— E também os alicerces mais firmes de tristeza.
Ela levantou seus olhos para mim.
— Qual seria o valor da felicidade se não existisse a tristeza?
Sorri.
— Nenhum.
— Então está tudo bem, não é? Porque tendo a tristeza do impedimento, alcançamos a felicidade do encontro. Da conquista.
— Do amor.
Ela fechou seus olhos.
— Do amor — ela assentiu. — Principalmente do amor.
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