Juntos pelo acaso
13 Plano
Notas iniciais
— Isso não vai funcionar, Sali — reclamei.
— É óbvio que vai, Guto. E nós prometemos que iriamos ajudá-los — Sali argumentou. — Você não vai dar para trás, vai?
Respirei fundo.
— Essa ideia não é boa, Sali. Isso que eu quero dizer.
— Guto, é uma ideia boa sim — ela insistiu. Imaginei-a dando pulinhos através de seu quarto. — Por favor, por favor, vamos tentar.
Bufei e apertei o telefone contra minha orelha.
— Eu te odeio, Sabrina. Sério.
Ela riu do outro lado da linha.
— Então nos vemos amanhã, Guto, para arrumarmos os preparativos para pôr o nosso primeiro plano em prática.
Imaginei-a com um sorriso maléfico e com os olhos brilhantes no meio de seu quarto que era desconhecido para mim. Ela estava bonita em meus pensamentos…
Deus, eu tinha que parar de pensar na beleza de Sali. Ela costumava me distrair sem que eu percebesse nos momentos mais infortúnios; o que me trazia confusões repentinas que logo evaporavam de minha mente. Afinal, ela era somente minha amiga. A melhor que eu havia encontrado até então.
Balancei minha cabeça para afastar os pensamentos e ouvi com atenção a empolgação de Sali. Segundo ela, nunca tinha “juntado” um casal antes e aquilo era a coisa mais divertida que ela estava fazendo na vida dela.
— Mais divertido que se aventurar em um cemitério comigo no meio da madrugada?
Ela riu.
— Na verdade, desde que você entrou na minha vida eu estou saindo da rotina e fazendo coisas bem divertidas do tipo juntar casais e ir a cemitérios no meio da madrugada.
— E, algum dia, ainda vai passar um final de semana comigo na casa de meu pai e ver como tudo pode se tornar muito mais divertido.
Ela ficou quieta por alguns instantes.
— Algum dia — concordou.
E aquela foi a evolução mais clara sobre o assunto até então. Não pude evitar um sorriso precipitado e vitorioso. Algum dia ela iria comigo até a casa do meu pai e passaria um final de semana comigo; em minha mente, seria a coisa mais divertida que faríamos.
Estava prestes a continuar a conversa quando Rafa entrou correndo em meu quarto segurando uma pilha de gibis. Ele se jogou em minha cama e cruzou os braços, indicando que tinha acabado o tempo de ficar no telefone com Sali.
— Sali, o Rafa quer ler — expliquei-me. — Vou ter que desligar.
— Você lê em voz alta para ele?
— Sim.
— Você não quer…? — ela engoliu ruidosamente. — Não, esquece.
— Diga.
Ela respirou fundo.
— Deixe o telefone no viva voz. É que… eu gostaria de participar desse momento.
Por alguns segundos, fiquei sem reação. Era o pedido mais estranho que alguém já tinha feito; o mais estranho e mais incrível.
— Tudo bem — sussurrei e apertei no botão do celular, deixando-o na cama. — Rafa, a Sali vai ler com a gente.
— Isso aí — ela disse do telefone.
— É sério, Sá? — ele se empolgou. — Você vai ouvir o Guto lendo pra mim? Você não quer ler algum livro depois também?
Ela riu.
— Claro que quero, Rafa.
— Legal — ele sorriu.
— Que livro você vai ler pra ele hoje, Guto?
— Hum — peguei os quadrinhos que tinha em cima da cama e comecei a procurar por algum que fosse bom para ler. Sem demora, achei uma edição antiga de Homem-Aranha. — Rafa, onde você encontrou esse gibi?
— O pai me deu acho que… sei lá, no final de semana passado. Ele é bom?
— Ele é um dos primeiros de 1963. É uma raridade.
— Isso significa bom?
— Isso significa muito bom.
— Então você vai ler Homem-Aranha de 1963, Guto? — Sali perguntou.
— Mas é claro! — exclamei e me ajeitei na cama, abrindo espaço para o Rafa se acomodar ao meu lado.
— Qual história é?
— “Espantoso Homem-Aranha – O Lagarto”.
— Ei, essa não é a história que passa no filme “Amazing Spider-Man”? — ela perguntou.
— Bem, vamos conferir isso agora.
Em poucos minutos de leitura, já estava absorvido pela história. Sali interrompia-me algumas vezes para comentar pontos que ela considerava importantes — muitas das vezes Rafa se irritou com ela por fazê-lo desviar a concentração, no entanto ele achava suas opiniões divertidas. Ele não fazia ideia que meninas podiam gostar de super-heróis.
— Isso não faz sentido — ele disse no meio da leitura, depois de um dos muitos comentários de Sali.
— O que não faz sentido, Rafa? — perguntei.
— A Sá é uma menina e gosta de super-heróis. As meninas da minha escola não gostam de super-heróis, elas gostam de Barbie.
Sali riu.
— Rafa, as meninas podem gostar daquilo que elas quiserem. E as Barbies são uma espécie de super-heroínas em suas histórias. Mas eu, particularmente, sempre fui vidrada pelo Homem-Aranha.
— E pelos outros super-heróis, Sali? — perguntei.
— Nunca gostei muito dos outros. O Homem-Aranha sempre foi o meu favorito, o que é meio irônico porque eu também tenho medo de aranha.
— Está aí um medo que você não tinha me dito ainda.
Imaginei-a sorrindo.
— Você ainda tem muitas coisas para descobrir sobre mim, Gustavo — ela murmurou.
Não vejo a hora de fazê-lo.
Rafa respirou fundo ruidosamente.
— Entendi. Agora a gente pode continuar lendo?
— Sim, senhor.
Ao final da leitura, Sali e eu chegamos à conclusão de que a história dos quadrinhos era diferente da história do filme. Não totalmente, mas ainda assim…
— Vocês não têm a primeira história?
Revirei as revistas sobre a cama somente para descobrir o que já sabia: a única história do Homem-Aranha era a que incluía o Lagarto como protagonista.
— Negativo.
— Na minha opinião, eles juntaram vários elementos de várias histórias diferentes. E adaptaram outras coisas. Primeiro porque o Lagarto não vivia nos pântanos e a forma como ele queria contaminar o mundo era diferente. Segundo porque nessa história não ocorre a transformação do Homem-Aranha. Terceiro porque a Gwen não aparece.
— De fato — confirmei as teorias de Sali e bocejei. — E eu acho que meu pai poderia ter encontrado outros gibis do Homem-Aranha para a gente desenvolver melhor essa teoria.
— Qual é, Guto — Sali protestou. — Não deve ser tão simples encontrar os primeiros gibis. São de 1963!
— Realmente — suspirei.
Depois de uma pausa silenciosa, Rafa se manifestou, mudando o rumo da conversa drasticamente.
— Sá, você disse que ia ler alguma coisa.
— Disse mesmo — ela confirmou. — Mas acho que levaremos alguns dias para ler toda a história que estou planejando.
— Qual livro que é, Sali?
— É uma coleção chamada “Escola da Fama”. Eu tenho cinco de seis livros. Achei que pudesse ser divertido.
Rafa pulou de exaltação.
— Claro que é divertido, Sá! Pode começar hoje?
Ela riu.
— Posso sim. Mas não leremos tudo hoje, ok? — ela suspirou. — O primeiro da coleção se chama “Alcançando as Estrelas”. Preste bastante atenção… “Cléo estava sozinha, vestindo jeans preto e um top cor-de-rosa. Quando a música começou, ela estava parada com seus braços soltos ao longo do corpo e apenas um calcanhar se movia ligeiramente no ritmo da música…”.
.
— Emprestou um caderno do Lipe? — foi a primeira coisa que Sali me disse depois de passar pela porta.
— Sim — suspirei, o peguei em minha mochila e o entreguei a Sali.
— E da Bia?
— Ela não quis me emprestar — expliquei. — Disse que eu era irresponsável por não ter conseguido copiar durante a aula e blablablá.
Ela sorriu.
— A Bia é das minhas, então. Mas… você não tem nenhuma anotação dela? Eu realmente preciso conhecer a letra.
— Ela vive escrevendo nas margens dos meus cadernos — dei de ombros. — Quer ver?
— Sim, né?
Peguei o primeiro caderno meu que vi na frente e me sentei, sendo imitado por Sali em seguida. Ela não tardou a analisar o meu caderno, procurando por qualquer evidência de Bia nas margens. No entanto, o que ela encontrou não me agradou.
— Guto — Sali gargalhou, deitando a cabeça na mesa. Lágrimas escorriam dos cantos de seus olhos. — O que… foi isso… que a Bia… escreveu…
Puxei meu caderno para mim e, ao ler o recado de Bia, corei violentamente.
“Lindo, tesão, bonito e gostosão… Talvez em outra vida. Sorry, Guto, nessa você não deu sorte. Assinado: sua (pior) amiga, Bia :3”.
— Sali…
— Muito bom o que ela escreveu — ela disse ainda em meio a gargalhadas. — Vou ter que… agradecer… a ela… por me fazer… rir… desse jeito…
Escondi meu rosto com as mãos.
— Porra, Sali — exclamei.
Ela se recostou na cadeira e colocou a mão sobre o coração, tentando controlar sua respiração. O som estava chiado.
— Seu idiota — ela riu. — Fez eu ficar atacada de asma.
— Então a culpa é minha? — perguntei, retirando as minhas mãos do meu rosto.
Ela riu e tossiu mais um pouco até conseguir se controlar totalmente. E, mesmo quando conseguiu, continuou sustentando o meu olhar com um sorriso terno em seu rosto.
— Guto, por que você ficou tão constrangido? — sua voz era gentil.
Era uma boa pergunta. Talvez a mais confusa. Imediatamente, a primeira consideração foi de que eu tinha ficado constrangido pelas palavras que Bia tinha escrito. No entanto, quando pensei melhor no assunto, percebi que o meu constrangimento tinha se estendido ao fato de Sali ter dito que o que Bia tinha escrito era muito bom. O que era muito bom? A parte que eu tinha que tentar ser bonito em outra vida e que naquela eu não tinha dado sorte?
O que foi mais estranho, contudo, foi que com Bia eu não tinha me incomodado. Até mesmo achei muito engraçado — e divertido — na ocasião que ela escreveu e, além de tudo, não houve nenhum constrangimento. E já com Sali… estava extremamente incomodado que ela concordasse com Bia. E que fosse induzida a reparar em coisas como minha beleza.
Engoli em seco.
— Porque é isso que eu faço — soltei um riso nervoso. — Eu fico constrangido por coisas sem sentido.
Sali me encarou; já sem o sorriso em seus lábios. Sustentei o seu olhar porque… bem, porque eu não queria desviar o olhar. Porque ela era linda. Sua mão, trêmula, ergueu-se na altura de meu rosto e se aproximou hesitantemente. A ponta de seus dedos frios roçou em minha bochecha; e estava prestes a fechar meus olhos para aproveitar o toque quando fui bruscamente trazido para a realidade. Sali recuou. Parecia que tinha despertado de algum transe.
Preparei-me para perguntar o que tinha acontecido, mas ela já tinha encontrado um assunto distante do fato ocorrido.
— Não sei se consigo copiar a letra do Lipe — ela disse. Estava séria e não me olhava nos olhos. — Da Bia eu tenho certeza que sim, mas do Lipe acho que não.
Franzi o cenho.
— Tá. Eu copio a do Lipe. O que tem que escrever?
— Escreva: “Encontre-me na pracinha perto de nossa casa às três horas da tarde. Assinado: Lipe”. Acha que consegue?
O fato de ela não me olhar nos olhos me incomodava.
— Posso tentar.
Ela assentiu ainda sem me olhar e começou a tentar copiar a letra de Bia. No entanto, a maioria das tentativas era frustrada e fazia Sali apertar suas mãos em punhos. Depois de meia hora de tentativas falhas, ela jogou o caderno longe e segurou seu rosto entre as mãos.
— Sali?
Ela respirou fundo e passou a mão pelo seu cabelo, parando na nuca. Seus olhos estavam fechados.
— Desculpa — murmurou. — Não é um bom dia.
— Por que não é um bom dia?
Ela abriu seus olhos e me olhou. Sua expressão era suave.
— Se eu falasse, teria que te matar.
Sorri.
— Eu corro o risco.
Ela riu e me jogou seu estojo.
— Idiota — felizmente, sua expressão normal tinha voltado.
Suspirei.
— Não quer mesmo desistir dessa ideia maluca?
— Gustavo!
Ergui as mãos em rendimento.
— Tudo bem. Não está mais aqui quem falou.
Ela sorriu e balançou a cabeça negativamente, logo retomando o seu complicado trabalho. Eu, assim como ela, estava tendo dificuldades ao falsificar a letra de Lipe; ela era demasiadamente relaxada para que eu conseguisse fazer um garrancho ruim o suficiente.
Depois de mais meia hora de tentativas, ambos finalmente conseguimos escrever bilhetes que poderiam ser considerados. Respirei fundo e chacoalhei meu braço.
— Nunca vi alguém com uma letra tão… horrível de ser falsificada — resmunguei.
— A Bia não tinha uma letra tão difícil de ser copiada. É só que eu sou um pouco… perfeccionista.
Revirei meus olhos.
— E o que, exatamente, eu tenho que fazer amanhã?
— Você tem que colocar os bilhetes nos materiais deles de modo que tenha certeza que eles vão ver. Não pode acontecer só de um ver que o nosso plano dá errado.
— Seu plano — corrigi com um sorriso irônico em minha face. — E eu ainda acho ele extremamente arriscado.
Ela colocou sua mão sobre a minha em um gesto despreocupado. Seus dedos ainda estavam frios e um choque elétrico percorreu meu corpo involuntariamente.
— Meu caro amigo dramático — ela imitou meu sorriso debochado. — Você está sinceramente parecendo uma menininha. Tem coragem de ir no cemitério de madrugada, mas não de juntar um casal?
Respirei fundo.
— Eu tenho coragem sim, tá?
— Então prove — ela retirou sua mão de cima da minha; fazendo-me sentir um vazio repentino. — E coloque esses bilhetes em seus devidos lugares amanhã.
Joguei minha cabeça para trás em um gesto de indignação.
— É que eu acho que vai dar errado.
— Não vai dar nada errado — ela me tranquilizou. — Sério, Guto. Relaxe.
Expirei e olhei o seu sorriso tranquilo e satisfeito. Sali era mais bonita quando estava segura. Na verdade, ela não tinha o costume de parecer insegura. Ela era segura até mesmo quando a timidez a invadia por completo e a fazia desviar o olhar. Ela era segura em suas ideias, convicções e decisões. Ela tinha a dose necessária de tudo; o que costumava deixá-la mais linda do que apenas a aparência.
— Guto, você não quer me mostrar a edição do Homem-Aranha que você tem de 1963? Fiquei curiosa para vê-la.
— Claro. Eu vou buscar no meu quarto — levantei-me e somente quando estava no meio do caminho que percebi um dos muitos fatos que rodeavam o meu relacionamento com Sali: ela não conhecia meu quarto. Virei-me. — Sali, não quer vir comigo?
Ela franziu o cenho.
— Como?
— É que… eu pensei… você ainda não conhece meu quarto, então…
Ela sorriu sem mostrar os dentes.
— Tudo bem — murmurou ao se levantar e começar a me seguir através de minha casa.
Andamos os poucos passos que nos distanciavam de meu quarto. Minha mão se deteve no trinco.
— Eu não tenho certeza se está arrumado — avisei. — Mas talvez você queira conhecer minha bagunça.
Ela riu.
— Eu adoraria conhecer a sua bagunça, Guto.
Sorri e abri a porta finalmente, apresentando-a ao lugar onde eu tinha passado tantas tardes. Era simples. Havia somente um guarda-roupa, uma cama, uma escrivaninha com meu notebook e uma estante de livros improvisada. Felizmente, não estava tão bagunçado. Somente com algumas roupas e materiais jogados de qualquer jeito.
— Certo — falei enquanto pegava as coisas aleatórias espalhadas através do lugar. — Preciso que você se vire para eu poder abrir meu guarda-roupa.
— É muito perigoso eu ver a situação dele?
— Situação de extremo perigo.
Ela sorriu e se virou para eu poder jogar dentro de meu guarda-roupa as coisas que tinha encontrado. Suspirei e me encostei nas portas fechadas quando concluí o trabalho.
— E então, o que achou do meu casulo?
Ela girou lentamente em torno de si mesma para avaliar o local por completo. Uma insinuação de sorriso pairava sobre seus lábios; sorriso que me fez ter vontade de pegar meu celular e tirar uma foto. Naquela tarde ela trajava uma calça jeans e um cardigã por cima de uma blusinha básica. Perguntei-me se ela não estaria com frio.
Perguntei-me também por que meu coração estava tão acelerado.
— Tem seu cheiro — ela sussurrou. — E o seu jeito. É simples e grandioso ao mesmo tempo — ela andou até a estante de livros e começou a roçar seus dedos nas lombadas. — É simples na estrutura, mas essa estante engrandece o lugar. Porque, desse modo, eu sei que a pessoa que aqui dorme já viveu muitas vidas. Já teve muitas experiências. Já cometeu muitos erros. E já consertou todos eles.
— É assim que eu sou? — murmurei.
— Sim, Guto, é assim que você é — ela continuou falando baixinho. Parecia absorta em seus pensamentos. — Simples e grandioso. Esse lugar diz tudo sobre você.
— E tem o meu cheiro?
— Sim — ela disse. — E eu gosto dele.
Sorri fracamente e me aproximei dela, brincando com a ponta de sua trança. Ela sorriu sem mostrar os dentes.
— Seu cheiro também é bom — sussurrei. — Pergunto-me se seu quarto tem ele.
— Deve ter.
Com cuidado, passei meus braços ao redor de seus ombros. Temi que ela me afastasse de forma discreta e definitiva, mas ela apenas encostou sua cabeça em meu peito e rodeou a minha cintura. O abraço era permitido.
Seu abraço era gostoso. Ela apertava a minha cintura e apoiava sua cabeça em meu peito; de modo que parecia pequena, mas não vulnerável. Era quente. E cheiroso. Cheirava a amaciante, shampoo e perfume adocicado. Cheirava a segurança.
Perguntei-me por que estava percebendo detalhes tão frívolos. E por que gostava tanto de seu abraço. E não gostei do rumo que meus pensamentos e atitudes estavam tomando; eles me assustavam. Afinal, o meu episódio com Laura ainda não estava superado.
Ou será que eu desejava dessa forma? Ou será que eu — e somente eu — tinha criado uma barreira que não permitia notar os sinais, os detalhes?
Estava confuso. Confuso e agitado. E a única coisa que me trazia calma era o abraço de Sali. Apoiei minha cabeça na sua e tentei me esquecer de meus pensamentos e ignorar as minhas atitudes. Naquele momento, nada mais importava.
— Será que nosso plano vai funcionar, Guto? — Sali me perguntou e, quando afastei-me um pouquinho para analisar sua expressão, vi somente uma ternura maternal.
Não havia nada além de uma ternura maternal. Quis entender a minha decepção.
— Espero que sim. Porque detesto ver casais que se gostam e não ficam juntos.
Ela sorriu.
— É, eu também, Guto. Eu também.
Ela me abraçou de novo. Perguntei-me se tinha percebido as batidas aceleradas de meu coração.
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