Juntos pelo acaso
14 Execução
Notas iniciais
— Tem certeza que é uma boa ideia, Guto? — Sali perguntou agachando-se ao meu lado.
Sorri.
— Absoluta — confirmei e arrumei o celular de modo que ele pudesse captar a cena e não caísse.
— Não acredito que você quer filmar um momento tão íntimo.
Revirei meus olhos.
— Quem trouxe os binóculos mesmo? Fui eu? Não, Sali, foi você. Mas com os binóculos não podemos ouvir a conversa e com o celular… sim — soltei o celular com um ar vitorioso. — E eu certamente quero escutar o que eles vão falar.
Ela riu.
— Idiota.
— Eu sei que você me ama — gabei-me, levantando-me e esfregando as mãos uma na outra. — Agora só falta eles chegarem… e veremos se nosso plano funcionará.
— Agora o plano é nosso? — ela reclamou e se levantou também, indignada. — Ontem você não parecia tão empolgado com ele.
— Não estava mesmo — confirmei. — Mas na saída do colégio eles estavam tão animados e trocando tantos olhares que tive certeza que nosso plano funcionaria.
— Vai funcionar sim — ela sorriu e olhou o seu relógio de pulso. — É melhor nos escondermos logo, Guto. Algum deles pode chegar adiantado e não vai ser legal se estivermos por aqui.
— Tudo bem — concordei.
Seguimos para nosso esconderijo. Era uma moita que nos cobria de modo que ninguém que estivesse na praça pudesse nos ver, no entanto tinha falhas que nos permitia observar a cena de camarote. Sali pegou os binóculos e me estendeu um deles, segurando o outro firmemente em seu rosto. Ela tinha um sorriso presunçoso nos seus lábios.
— Tem que funcionar — resmungou com os dentes cerrados e ofegou quando Lipe chegou na praça e se sentou em um dos balanços. — Ele chegou, Guto — ela agarrou meu braço com sua mão livre.
— Shh — reclamei rindo.
Lipe parecia nervoso. Apoiou os braços nos joelhos e entrelaçou seus dedos, retorcendo-os repetidamente. Imaginei o turbilhão de pensamentos que o invadiu; ele deveria estar confuso. O que diria a Bia? Eles se beijariam naquele dia? Senti-me tão nervoso quanto ele quando observei a figura de Bia virando a esquina.
Ele não tinha a visto. Encarava o chão, em vez disso. Ela parecia ansiosa, saltitando ao andar em sua direção. Quando percebeu que ele não tinha a visto, contornou a praça e silenciosamente se pôs atrás dele, cobrindo seus olhos com suas mãos.
Sali agarrou o meu braço e escancarou a boca.
— Guto — ofegou. — Meu Deus! Eles tem que se beijar agora!
Ri de seu jeito eufórico e observei o desenrolar da cena.
Lipe se virou surpreso e sorriu, levantando-se e a abraçando. Ela sorriu e retribuiu, parecendo satisfeita. Ambos se sentaram nas balanças depois disso — sem beijo — e começaram a conversar. Não deu um minuto para que eu visse as expressões confusas e chateadas que eles compartilhavam.
E só então percebi a pior falha do plano.
— Sali? — perguntei.
— Eu sei — ela sussurrou. — Era uma possibilidade. Vamos ver o que eles vão fazer agora.
Bia se levantou e começou a andar de um lado para o outro; parecia questionar alguma coisa a Lipe. Ele continuava confuso e sentado. Ela pegou um papel em seu bolso e o estendeu para Lipe; mesmo de longe pude ver sua mão tremendo. E então ambos se encararam profundamente e pareceram entender. Lipe se levantou em um impulso e exclamou algo, ao mesmo tempo que Bia. Ela, por sua parte, cobriu a boca com suas mãos e começou a correr em direção à sua casa.
Lipe pareceu arrasado. Por algum tempo, simplesmente ficou parado no meio da praça, tentando digerir o acontecido.
— É, o nosso plano deu errado — suspirou Sali, afetada.
Seu celular começou a vibrar e na tela estava gravado o nome de Bia. Ela deu de ombros e murmurou algo como “previsível” antes de atender.
Distraído por Sali, não vi quando Lipe pegou seu próprio celular e discou um número. Infelizmente, era meu número. E — pior — o meu celular estava no meio da praça, apoiado em um banco entre alguns arbustos. E ainda, para completar a sucessão de tragédias, ele não estava no silencioso.
Quando Lipe ouviu o toque do meu celular ridiculamente próximo de si, faltou explodir. Com um suspiro de lamento, saí de meu esconderijo e andei calmamente até o lugar onde meu telefone estava. Não havia escapatória. O meu assassinato aconteceria naquele dia.
Perguntei-me qual seria a reação de minha mãe quando recebesse a notícia.
— Eu te odeio! — Lipe rosnou e veio para cima de mim, pegando-me pela gola de minha camiseta e me chacoalhando. — Você não sabe como eu estou te odiando nesse momento, Gustavo. E não sabe como vou guardar essa mágoa pelo resto de minha vida.
Respirei fundo.
— Calma, Lipe.
— Não me venha com “calma, Lipe”, seu sacana dos diabos — ele grunhiu. Questionei-me em qual livro ele tinha visto aquela expressão. — Você estragou tudo, tudo, entre mim e Bia. E ainda vem com “calma, Lipe”?
— Eu nem sei direito o que aconteceu aqui — defendi-me e tentei me desvencilhar de seu aperto nada gentil, mas ele não quis ceder.
— Ah, é? E você não estava atrás daquela maldita moita? — ele me empurrou um pouco, sem desgrudar seus dedos de minha camiseta.
— Sim — revirei meus olhos. — Mas não dava para ouvir de onde eu estava. E… Lipe, você pode me soltar? Minha camiseta vai ficar amarrotada.
Ele estreitou seus olhos e não diminuiu seu tom de voz.
— Acha que eu te devo essa consideração?
— Na verdade, sim — falei e ele me empurrou mais uma vez. Emendei rapidamente: — Mas vamos considerar sua opinião por um momento. Você supostamente não me deve essa consideração, Lipe, só que essa camiseta realmente é bem bonita. E eu odiaria ter que parar de usá-la por causa desse mal entendido.
— Mal entendido? — ele questionou, descrente.
— Isso. E eu posso te explicar se você me soltar.
Ele suspirou e me soltou, jogando-se no banco onde antes estava meu celular.
— Por que seu celular estava aqui, aliás, Gustavo?
Engoli em seco.
— Justamente para eu poder entender a situação — sentei-me ao seu lado.
— O que você quer… — ele parou por um momento enquanto entendia a informação. — Você não filmou, né?
— Hmmm. Talvez eu tenha feito um pouco disso.
— Seu… — ele ergueu o braço na minha direção, no entanto o interceptei antes que me atingisse.
— Agora não, Lipe. Deixe-me entender a situação, por favor.
— Eu te odeio — ele repetiu. — Você não sabe o quanto.
— Eu posso imaginar.
— Mais do que você odeia a Laura — ele completou; e eu sabia que era intencional. Ele queria me magoar do mesmo modo que eu o tinha magoado.
Estava prestes a dizer que, se fosse assim, então deveria ser bastante, quando me surpreendi percebendo os meus sentimentos por Laura. Eu não a odiava; nunca o tinha feito, na verdade. Mas também não estava mais apaixonado por ela. Ela não me tirava o sono e quase nunca invadia meus pensamentos. E, quando invadia, não me afetava.
Se fosse em outros tempos, o comentário de Lipe teria me deixado no mínimo raivoso.
Naquele dia, ele foi apenas um comentário.
E eu percebi que tinha acontecido aquilo que meu pai tinha dito: “Só que um dia… um dia você vai olhar para ela e não sentir absolutamente nada. Nem ódio ou amor. Simplesmente nada, sabe?”.
E então eu estava livre.
— Eu sei, Lipe — murmurei, porque também lamentava o que tinha acontecido. — Sinto muito, tá?
Ele não me respondeu. Abri o vídeo no meu celular e comecei a vê-lo.
*
“Por que me convidou para vir até aqui, Bia?”, Lipe perguntou de modo animado.
Ela o olhou com uma expressão confusa.
“O quê? Mas… foi você quem me convidou, Lipe”, ela reclamou.
Ele riu e balançou a cabeça negativamente.
“De jeito nenhum. Foi você quem deixou aquele bilhete no meu estojo”, ele completou.
Bia, de repente juntando os fatos, se levantou e começou a andar de um lado para o outro.
“Lipe, o que estava exatamente escrito nesse bilhete que encontrou no seu estojo?”.
“Como assim? Você o escreveu e não sabe?”.
“Felipe”, ela disse pausadamente. “Apenas me responda”.
“Ok. Tá. Acho que estava escrito algo como: “Encontre-me na pracinha perto de nossas casas às três horas da tarde. Assinado: Bia”. Foi isso que você escreveu mesmo?”
Ela respirou fundo e pegou algo no bolso de trás de sua calça. Era um papel amassado. Quando o entregou para Lipe, ele percebeu que sua mão estava tremendo.
“Encontre-me na pracinha perto de nossas casas às três horas da tarde. Assinado: Lipe.”
“Bia…”, murmurou e olhou-a nos olhos, entendendo também.
Levantou-se em um salto e exclamou: “Guto”, ao mesmo tempo que ela dizia: “Sali”.
Ela cobriu sua boca com as duas mãos e saiu correndo, deixando-o plantado no meio da praça questionando o motivo dela ter saído tão depressa. “Por que ela acusou Sali?”, perguntou-se, logo se esquecendo do detalhe.
O que realmente importava era Gustavo. O seu amigo que havia tentando “juntá-los” e falhou miseravelmente, separando-os ainda mais.
*
— Por que ela acusou Sali? — perguntou Lipe depois que terminei de ver a gravação. Ele parecia mais calmo, mesmo que ainda estivesse chateado. — E por que saiu correndo?
Avaliei se seria justo com Bia se contasse sobre ela ter ido pedir ajuda a Sali. Lipe gostaria que eu contasse para Bia que ele tinha vindo me procurar para ajudá-lo, mesmo que ela tivesse feito a mesma coisa?
Percebi que aquilo não importava, afinal. Eu simplesmente tinha que deixar claro que o sentimento era recíproco e que eles deveriam ficar juntos antes que fosse tarde demais.
— Lipe — murmurei. — Quando você percebeu o que estava acontecendo, por que não disse que não importava que fosse um encontro forjado? Que, se estivesse com ela, tudo estaria bem?
— E eu lá tenho capacidade de pensar uma coisa dessas? — ele reclamou. — O romântico clichê aqui é você, Guto.
Não pude evitar uma risada.
— E, além de tudo, eu te fiz duas perguntas antes — ele me lembrou.
Respirei fundo e me recostei no banco.
— Certo. Bia procurou Sali para ajudar ela a ficar com você. Você me procurou para te ajudar a ficar com Bia. Nós dois nos juntamos e tentamos juntá-los, mas vocês são dois cabeças duras que não sabem aproveitar as oportunidades.
Lipe franziu o cenho.
— Bia procurou por Sali?
Sorri misteriosamente.
— E saiu correndo porque ficou constrangida ao entregar esse fato de bandeja acusando Sali pelo acontecido — alarguei mais ainda meu sorriso ao constatar a confusão de Lipe. — E você continua aqui, perdendo tempo ao me odiar.
— O que quer dizer?
Fechei meus olhos.
— Felipe — falei pausadamente. — Vá atrás da Bia nesse exato momento. Não perca essa oportunidade.
Ele riu maravilhado e se levantou.
— Guto, isso quer dizer que ela gosta de mim? A Bia gosta de mim, Guto?
— Mais do que você imagina, Lipe — disse Sali atrás de mim. Ela seguia em nossa direção. — Ela está bem constrangida e não quer definitivamente falar com ninguém, mas você deveria tentar. E realmente insistir. Quem sabe — ela deu de ombros, mantendo um sorriso gentil nos lábios o tempo todo.
— Ah, Sabrina — Lipe suspirou e deu um beijo estalado na bochecha de Sali assim que ela estava perto o suficiente. — Eu te amo! — exclamou, já correndo na direção da casa de Bia.
— Ei, eu ajudei também! — gritei.
— Mas você não é menina, Guto — Lipe riu. — Ou quer um beijo na bochecha?
— Não, obrigado!
Ainda dava para ouvir os ecos da risada de Lipe mesmo quando ele desapareceu ao dobrar a esquina. Sali riu e se sentou ao meu lado.
— Talvez o nosso plano não tenha dado tão errado assim — ela esfregou a mão na bochecha. — E barba pinica.
Balancei a cabeça negativamente e ri.
— É. Mas é só porque a gente realmente sabe consertar um plano, porque o plano original era horrível. E você tinha percebido isso — resolvi ignorar seu último comentário.
— Óbvio que sim, fui eu que o inventei — ela revirou os olhos. — Mas decidi correr o risco. E, mais que isso, eu sabia que de alguma forma funcionaria.
— O que quer dizer?
Ela desviou o olhar.
— Quero dizer que eles se entregariam. E que se havia uma pessoa tentando juntá-los, era porque pelo menos um deles tinha sentimentos pelo outro. E você viu como eles se entregaram?
— Se entregaram direitinho — assenti.
— Exato — ela suspirou e se levantou, caminhando até uma das balanças. — E agora é só deixar que eles cuidem do resto.
Franzi o cenho.
— Sério? A nossa missão termina aqui?
Ela se sentou e começou a mover os pés, se embalando.
— Quem sabe — ela deu de ombros. — Eles vão nos contar alguma hora, não é? Mas esteja preparado porque minha cabeça está sempre fervilhando de ideias.
Ri e levantei-me também, postando-me atrás do balanço e a empurrando mais forte para que fosse mais alto. Vi seu sorriso amplo e satisfeito no meu primeiro impulso; percebi também que ela fechou seus olhos para aproveitar a sensação.
— Jack — ela disse em voz alta por cima do barulho da balança. — Eu estou voando, Jack.
— Que bom, Rose — retruquei.
— Ei! — ela reclamou. — Estragou com toda a emoção de Titanic.
— Mas não estamos em uma proa de navio.
— Mas eu estou voando! — ela riu. — E é isso que importa!
Acompanhei-a nas risadas. Tudo estava tão colorido. Tão incrível.
— Sali, por que você não pula?
— O quê?! Como quando éramos crianças?
— Sim! Era a melhor sensação.
Ela analisou enquanto continuava se embalando.
— Ai, meu Deus… Ok! Eu vou pular — ela respirou fundo. — No três. Um… dois… três!
O mundo ficou em câmera lenta.
O corpo de Sali se esticou assim que abandonou a balança, parecendo finalmente se libertar de algo. Ela parecia leve como uma pluma; e realmente dava a impressão de voar. Era suave e gentil. Delicada. Linda.
Quando aterrissou, contudo, não manteve a graciosidade. Andou alguns passos a mais ao tentar manter o equilíbrio e acabou ajoelhada no chão, logo deitando de costas e cobrindo o rosto com as mãos. Percebi que ria.
Corri para o seu lado e me sentei, averiguando a situação antes de acompanhá-la nas risadas.
— Se machucou?
— Não, Guto — ela descobriu seu rosto e sorriu para mim. — Eu tô ótima. Melhor impossível.
Suspirei e me deitei de costas ao seu lado, fechando os olhos.
— Ótimo — comentei. — Porque foi realmente engraçado.
Não tínhamos rido até que trocássemos os primeiros olhares. Depois foi quase impossível parar. Deitados na areia de uma pracinha abandonada, ríamos da falta de jeito de Sali ao pousar no chão. Por algum motivo, era simplesmente hilário.
Eu não me lembrava a última vez que tinha rido tanto.
Quando finalmente paramos de rir, concentrei-me nas nuvens e em seus desenhos. Eu costumava ficar horas olhando para o céu tentando decifrar as nuvens quando era pequeno. Já tinha visto um anjo, um gato e diversas outras coisas. Eu via um novo mundo.
— Eu pensava que os desenhos nas nuvens indicavam o que aconteceria na minha vida — sussurrou Sali. — Tentava decodificar eles.
— Algum exemplo?
— Uma vez vi o formato de um cachorro e imaginei que o cachorro de minha avó fosse me morder — ela riu. — Ele nunca me mordeu.
Balancei a cabeça.
— Bastante imaginação.
— Muita — ela concordou.
O fato de Sali ter me contado um detalhe tão frívolo e íntimo de sua vida me deu a liberdade para fazer o mesmo. Fechei meus olhos e murmurei:
— Quando eu descobri que Laura tinha me traído, vim para cá junto com Bia e Lipe. E deitei no chão, exatamente como agora.
Senti uma inquietação por parte de Sali.
— E como foi?
— Entorpecedor. Eu não conseguia acreditar, entender… Foi tão horrível.
Os dedos frios de Sali envolveram minha mão e a apertaram.
Senti-me completo.
— E agora, como está sendo? — ela sussurrou.
Abri meus olhos e a fitei. Ela sustentou meu olhar.
— Incrível.
E, somente naquele momento, quando disse aquela palavra carregada de sinceridade olhando em seus olhos castanhos, que pude entender.
Senti aquilo se expandindo, tomando forma dentro de mim, se tornando uma forma que eu conseguia compreender, apesar de ser um pouco difusa. Não consegui domar meus pensamentos ou fazer meu coração desacelerar. Não consegui desviar o olhar ou fugir da prisão de seus olhos. Ah!, seus olhos! Aqueles olhos que me deixavam ler seus pensamentos e entender seus sentimentos, aqueles olhos que eram a porta para sua alma, alma que eu conseguia enxergar.
Eu estava livre.
Naquele momento, não havia mais barreiras.
Não havia Laura. Não havia dúvidas. Tudo o que antes era apenas uma massa disforme e confusa passou a se alinhar. O mundo entrou nos eixos naqueles segundos.
Senti que tinha mergulhado para dentro de seus olhos, para dentro de sua cabeça e de seu universo e que só então tinha conseguido compreender o óbvio. O que negava cansativamente. O que era maravilhoso.
A Sali era o sopro de vida em mim. Ela que havia me ensinado a superar, a esquecer e a viver. Ela que era inteligente, linda e engraçada. Ela que era meiga, tímida e segura. Ela que não soltava o cabelo, que ficava mais bonita com o meu moletom e que saía escondido todas as tardes comigo — mesmo que nunca tenha feito isso com ninguém. Ela que era a minha melhor amiga, conselheira e escritora.
Ela era a garota que eu sempre tinha procurado sem saber.
Ela era a garota certa.
E foi naqueles segundos que percebi o óbvio: eu estava apaixonado por Sali.
Tanto que fiquei assustado.
E, mesmo assim, achei incrível.
Eu sorri para ela. Ela me retribuiu, sem saber da verdade incontestável que eu tinha acabado de perceber. Mas ela saberia.
Algum dia.
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