Notas iniciais
Ooooi, tudo bem? Aqui estou eu, mais uma sexta! Espero que gostem de descobrir mais um pouquinho sobre o nosso (tão amado) Guto! Boa leitura :*

— Anda logo, Guto — Rafa exclamou dando pulinhos animados ao redor da minha cama. — Já tá quase na hora. A gente tem que pegar o ônibus para ir visitar o pai.

— Só mais cinco minutinhos…

— Você sempre diz isso — ele cruzou os braços e se sentou na cama. — E a gente sempre se atrasa.

— Mas a gente sempre consegue pegar o ônibus, certo? — joguei o meu braço em minha cara para tentar deixar o quarto escuro novamente.

— Sim — ele bufou puxando o meu braço. — Mas eu não quero sair correndo de casa pelo menos um dia. Olha que eu vou jogar um copo d'água em você se não se levantar agora…

— Experimente, pestinha.

Ele experimentou.

E foi horrível, o equivalente a me afogar do avesso. Eu estava com a boca aberta e me engasguei penosamente, tossindo e tentando alcançar Rafa, que ria da minha cara com muita satisfação. Saltei da cama e comecei a correr atrás dele, deixando que escapasse de minhas mãos algumas vezes. Não teria graça se eu ganhasse tão cedo.

Quando o alcancei comecei a cutucar suas costelas e fazer cócegas. Ele se deixou cair na cama e soltou gargalhadas misturadas com pedidos de socorro. Adorava o som de suas risadas; eram tão contagiantes que eu não conseguia me controlar, rindo tanto quanto ele.

— O que… aconteceu aqui? — perguntou nossa mãe, encostando-se ao batente da porta. Ela estava com os olhos arregalados.

— Esse pestinha jogou um copo d'água em mim — acusei Rafa, despenteando seu cabelo.

— Ele não queria levantar e a gente ia se atrasar de novo!

— Rafa! — exclamou a nossa mãe, andando até nós. — Agora você molhou a fronha e o lençol…

Por alguns segundos vi que Rafa congelou. Seus olhos se arregalaram e ele me olhou com uma pontada de desespero. Tive que me segurar para não rir de sua expressão.

— A sua sorte é que eu ia mesmo pôr essas peças pra lavar hoje — ela lançou um sorriso tranquilizador para Rafa. — E você tinha que ensinar uma lição pra esse preguiçoso que não consegue acordar.

— Vou fazer a mesma coisa com você quando crescer mais um pouco e deixar de ser elétrico — ameacei. — Você tem muita energia de sobra. Quero ver quando ficar mais velho…

— Você fala como se fosse um velho de oitenta anos — Rafa estreitou seus olhos. — Você ainda tem dezessete, Guto. Não devia ser um pouco mais animado?

Respirei fundo.

— É a regra, não? Acho que sou uma exceção…

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Nosso pai nos levou para fazer um passeio de trem descendo uma serra, o que foi bem divertido. Nunca vi o Rafa sorrir tão pronunciadamente ao ver as paisagens passando ao nosso redor.

— Olha lá, Guto! — ele falava com frequência e sempre apontava alguma coisa, procurando o meu olhar com expectativa.

— É lindo, né? É tudo lindo…

— É sim.

Eu gostava dos finais de semana. O meu pai era sempre presente e se empolgava com as nossas visitas. Gostava de vê-lo sorrindo alegremente e tentando agradar ao Rafa (o que não precisava, se fosse considerar o quanto ele já amava o nosso pai). Sempre fazíamos alguma coisa diferente e empolgante.

— Gostou do passeio, Rafa? — nosso pai perguntou depois de nos pagar dois sorvetes.

— Eu amei, pai! — ele exclamou. — Você viu aquela hora…

Ele repetiu essa frase pelo menos dez vezes. Rafa citou cada segundo de nossa viagem, repassando-os com tanta empolgação que era difícil não escutá-lo. Eram coisas que eu já tinha visto, mas ver pela perspectiva de meu irmão mais novo… Era como se ele seguisse o conselho do texto de Sali: “Porque cada dia é um novo dia e pode muito bem ser o seu último. Mas o viva como se fosse o primeiro, como se você estivesse descobrindo os milagres, como se o sorriso fosse fácil, como se qualquer preocupação fosse tola.”

Ele realmente vivia como se fosse o primeiro dia.

Imaginei o que Sali teria escrito se tivesse feito o passeio de trem. Aquelas paisagens eram inspiradoras e ela certamente encontraria algum detalhe para ser enfatizado; escritores costumam enxergar tudo. Eles veem o mundo.

Pensei em comentar sobre isso mais tarde com ela, mas no momento estava muito ocupado tendo um ótimo sábado com meu pai e meu irmão.

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Gustavo Clegg: Fiz um passeio de trem. Fiquei imaginando o que você escreveria se tivesse feito também e visto as paisagens. Elas eram inspiradoras!

Estava no quarto que sempre dividia com Rafa quando vínhamos à casa de nosso pai. Ele estava muito ocupado jogando videogame para ligar que eu mexia no notebook sentado em minha cama e nem lhe dava atenção. Pelo contrário, estava adorando isso. Jogava Need For Speed porque queria treinar para uma “corrida” contra mim, visto que eu geralmente ganhava, e ele não me queria azucrinando-o em seus treinos.

Menos de um minuto depois eu já tinha uma resposta.

Sabrina Connor: Você não é chegado em dar “oi”, né? Hahahaaha.

Gustavo Clegg: Dar “oi” não adianta hahahaha. O assunto escapa e você não acha um jeito de abordar ele. Já vou direto ao ponto hahahaha.

Sabrina Connor: Acho que talvez eu possa me acostumar hahahahaha. O passeio foi legal?

Gustavo Clegg: Foi bem divertido. O Rafa ficou tão empolgado que eu não sei como todos do vagão não reclamaram hahahaha.

Sabrina Connor: Quem é Rafa?

Gustavo Clegg: Meu irmão mais novo.

Sabrina Connor: Você só tem ele de irmão?

Gustavo Clegg: Aham. E você?

Sabrina Connor: Também hahahaha. Mentira, eu não tenho irmãos, mas a minha prima vem tanto aqui em casa que já penso nela como minha irmã mais velha hahahaha.

Gustavo Clegg: Nunca fui próximo de primos…

Sabrina Connor: Mas você tem um irmão! Já é legal o bastante!

Gustavo Clegg: É, acho que sim hahahaha. Mudando de saco pra mala… ou melhor, voltando no assunto do texto que você teria escrito se tivesse feito a viagem (hahahaha), no que você se inspira quando escreve, Sali?

Sabrina Connor: Na vida. No mundo. Em tudo ao meu redor e no meu interior. É nisso que eu me inspiro.

Gustavo Clegg: Já se inspirou com alguma paisagem?

Sabrina Connor: Não exatamente, mas já.

Gustavo Clegg: Posso ler?

Três minutos…

Sabrina Connor: Tá bom hahahaha.

“E então quando o sol se libertou, fazendo longos raios amarelados escaparem pelos vãos da nuvem de algodão, foi como se o mundo tivesse suspirado em uníssono.

Como se o dia renascesse.

Como se a vida recomeçasse.

Aquele sol escondido por trás das nuvens apareceu e iluminou o mundo com o seu brilho. Cegou. Esquentou a pele. Fez as pálpebras ficarem vermelhas.

A esperança de um novo dia. O sol saindo de trás das nuvens foi similar a um sorriso iluminando uma carranca. Ou ao sorriso do olhar. O sorriso do olhar…

O meu olhar sorriu e a minha pele ferveu. Ficou dourada, brilhante.

O sol brilhava lá fora.

E eu me sentia renovar.”

Gustavo Clegg: Não é sobre uma paisagem…

Sabrina Connor: Mas foi durante uma viagem. Eu olhei pela janela e vi o sol escondido pelas nuvens. E pensei que daria um bom texto, mesmo que curto e simples.

Gustavo Clegg: Ficou ótimo. De verdade. Simples e ótimo.

Sabrina Connor: Obrigada. Eu gosto dele. Acho leve e inspirador. Esperançoso.

Gustavo Clegg: Sim, ele mostra que sempre há o sol por trás das nuvens. Que sempre há uma esperança.

Sabrina Connor: E não é a verdade? Não há sempre uma esperança?

Gustavo Clegg: Há sempre um resquício de vida, mesmo na morte. Há sempre o sol, a esperança, a luz e o calor, mesmo durante a noite. Porque nem a luz da lua não é própria; o sol está sempre por lá.

Sabrina Connor: O sol. Enquanto houver um sol, haverá vida. Plantas, animais, tudo. Haverá tudo.

Gustavo Clegg: Sim… Uau. Que conversa mais profunda hahahahaha.

Sabrina Connor: Não gosta?

Se eu gostava? Eu amava! Conversar com ela sobre assuntos relacionados a seus textos me deixava muito mais próximo de desvendar mais sobre o que ela era. Tinha quase certeza de que ela não me responderia algumas coisas se eu as perguntasse diretamente. No entanto, se analisasse cada linha de seus textos talvez eu pudesse descobrir aos poucos com quem estava lidando.

Gustavo Clegg: Pelo contrário, amo hahahahaha. Olha, a gente pode conversar sobre isso por muuuuuito tempo. Vai dormir cedo?

Sabrina Connor: Geralmente sim.

Mas, naquela noite, Sali não foi dormir até que eu me despedisse. Conversamos até as três da madrugada.

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— Guto! — reclamou Rafa. — Que horas você foi dormir ontem? Tá horrível.

Arrastava-me pelas calçadas acompanhado de Rafa e de meu pai. Era o passeio matinal de domingo que sempre fazíamos e eu costumava adorá-lo, mas estava com muito sono às 7h30min daquela manhã. Sali era muito boa para manter uma conversa interessante. Discutimos sobre o sol e a esperança por muito tempo, até que começamos a comentar sobre outros assuntos igualmente amplos e que davam muito espaço para discussões. Era agradável conversar com ela.

— Ahn… não tão cedo — murmurei, chutando uma pedra no chão.

— Mas você sabia que a gente ia caminhar!

— Eu sei, eu sei — joguei a cabeça para trás. — A gente sempre faz isso. Mas… Rafa, você não ia conseguir entender.

— Eu ia — disse meu pai com um sorriso torto.

Respirei fundo.

— Eu fiquei conversando com uma pessoa — me rendi.

— A conversa era tão legal assim?

Ri do jeito espantado de Rafa.

— Sim. Legal como as nossas conversas. Você não ficaria horas conversando comigo?

— Ficaria. Com você, sim. Mas com um amigo meu eu não sei… a conversa some, sabe?

— Sei — puxei-o pelos ombros. — Só que tem pessoas que é ótimo de conversar, que você nem vê o tempo passar.

— Era uma garota, Guto? — perguntou meu pai com um sorriso malicioso em seus lábios.

Engoli em seco.

— Era.

— Laura?

Ele sabia sobre Laura. Durante três meses eu fiz comentários soltos sobre ela: que queria que ele a conhecesse, que ela era incrível, que eu a amava, coisas assim. Enchi-a de elogios, para agora ser capaz de destruir a visão que meu pai tem dela em dois segundos. Eu contaria para ele… mais tarde talvez. Não agora.

— Nós terminamos — falar aquelas palavras mais uma vez era doloroso. Mais doloroso do que eu me lembrava que fosse. Eram tão definitivas…

— Ah — ele murmurou. — Eu não sabia, me desculpe…

— Tudo bem — forcei um sorriso. — Não faz muito tempo. Você não teria como saber.

Ele assentiu e seguimos mais uma parte do percurso em silêncio; silêncio que me fez pensar desesperadamente em Laura. Na noite passada, enquanto me perdia em conversas com Sali, não pensei nela nem por um segundo. Ela não estava lá, tentando retomar o seu lugar de costume em meus pensamentos. Ela tinha desaparecido. No entanto, naqueles instantes de caminhada silenciosa ela estava nítida em minha mente. Laura… minha Laura… As coisas poderiam ter dado certo, ela podia ter tentando me amar com mais afinco. Mas eu era um objeto e não significava nada além disso para ela. Não era nada além de uma peça em um jogo sujo de conquista.

Aqueles pensamentos estavam me deixando enjoados. Quando parava para pensar no que ela tinha feito comigo e não no que sentia por ela… quase a odiava. Não obstante. Eu nunca a odiaria. Não era possível algo assim.

Só queria que ela deixasse os meus pensamentos em paz.

— Pai — Rafa me tirou dos meus devaneios quando começou a puxar a camiseta de nosso pai. — Olhe aquele campinho de areia ali… Posso ir jogar? Eu quero tanto jogar futebol, pai. Por favor.

Algumas crianças jogavam futebol em um pequeno campo de areia nos arredores. Imaginei a disposição de acordar cedo no domingo para jogar futebol… mas eu não acordava cedo para ir caminhar? Bem, não era espontâneo no meu caso. E aquelas crianças pareciam se divertir de verdade.

— Tá bom — meu pai suspirou, empurrando-o suavemente para o campo. — Se quer tanto…

— Eu quero, pai — Rafa dava pulinhos animados. — Eu quero sim — e então disparou campo adentro, pedindo para entrar no jogo junto com os outros.

Sentei-me em um banco vago perto do lugar junto com meu pai, que ficou em silêncio por um tempo simplesmente observando Rafa jogar animadamente. Nuances de orgulho escapavam de seu olhar.

— Guto… — ele murmurou por fim, encarando seus próprios joelhos. — O que aconteceu? Como vocês terminaram?

Forcei-me a ficar com uma expressão indiferente. Queria não me importar. Droga, queria esquecer de uma vez! Queria que ela desaparecesse de dentro de mim, queria que nunca tivesse roubado meu coração. Recostei-me no banco.

— Ela me traiu — tentei que minha voz passasse de um sussurro esganiçado. — E eu a evitei por dias, tentei ignorá-la na escola, tentei esquecê-la. Mas eu acabei procurando por ela para terminarmos oficialmente — respirei fundo e fechei meus olhos. — Ela me traiu em uma festa no domingo passado com um cara, o Edgar. Pelo que sei ela sempre foi apaixonada por ele e me usou para fazer ciúme. Segunda-feira eu cheguei na escola e todos me olhavam esquisito. Ela me evitou… até o próprio Edgar vir comentar comigo com um ar debochado. Nunca senti tanto ódio por alguém… — me concentrei em acalmar minha respiração. — Eu queria bater nele, talvez matá-lo. Mas não fiz nada. Fui para casa e tentei me esquecer de tudo fazendo tarefas e cuidando do Rafa. Na terça-feira ela mudou de sala. E eu evitei todos os lugares que ela ia na escola, conseguindo ficar vários dias sem vê-la… até sexta-feira. Fui até sua casa para terminar oficialmente com ela e tentar tirá-la de minha vida, mas… — pressionei os meus olhos com as pontas dos dedos. — Ela fica voltando para os meus pensamentos. É insuportável.

— Você não vai conseguir esquecê-la tão rápido, Guto — meu pai murmurou, afagando as minhas costas. — Eu sei por mim… Você a amava, não?

Sem levantar a cabeça e tirar as mãos do rosto, assenti.

— Certo — ele puxou o ar por entre os dentes. — Ela errou, de verdade. E é bom que você tente esquecê-la. Mas, Guto… se você ficar pensando que quer esquecê-la, vai se lembrar dela cada vez mais.

— Tá — bufei. — E o que eu tenho que fazer então?

— Viver as situações sem pensar no passado ou nos inúmeros e se que elas exigem — ele respirou fundo. — Enquanto conversava com essa outra garota, você pensou nela?

— Não é como se eu estivesse flertando com essa outra menina — me defendi levantando a cabeça. Meu pai me olhava calmamente. — É que… eu encontrei uma carta na biblioteca e foi essa garota que a escreveu. Era um texto inspirador. E eu só queria conhecer ela, sabe? Não usá-la para esquecer Laura. Longe disso… é um jogo sujo demais — suspirei. — Ela é boa conversando. E me faz esquecer que existe outra coisa além dela.

Ele sorriu.

— Você está certo em não querer usá-la para esquecer Laura. É sujo mesmo — ele desviou o olhar e ficou um tempo em silêncio. — Eu sei como é difícil, Guto. Mas você é jovem e vai superar tão discretamente que nem vai perceber. Só que um dia… um dia você vai olhar para ela e não sentir absolutamente nada. Nem ódio ou amor. Simplesmente nada, sabe?

Não pude segurar a minha língua; a questão martelava no fundo de minha mente.

— É assim que se sente com a mãe?

O sorriso diminuiu.

— Quase, Guto. Quase — ele suspirou com ar cansado. — Eu… encontrei outra mulher. A gente tá saindo, mas não é nada muito sério. E ela faz eu me sentir bem, sabe?

Um silêncio delicado preencheu as lacunas de nossa conversa. Eu não tinha o que falar diante da revelação. Como eu me sentia? Traído? Feliz? Satisfeito? Triste? Eu não sabia. Não queria saber.

— Você quer deixar de sentir alguma coisa pela mãe?

Ele sorriu de canto. Seus olhos me esquadrinharam com astúcia.

— Você é esperto — e soltou um fraco riso pelas narinas. — Bem… Talvez eu não queira. Talvez eu só queira seguir em frente, mas sem deixá-la totalmente para trás.

— Não é justo com essa outra mulher…

— Eu sempre vou ter um elo muito forte com sua mãe — ele me interrompeu. — E nem que queira eu não posso afastá-la totalmente de mim ou me esquecer de tudo o que vivemos. Pode não parecer justo com essa outra mulher… mas alguma hora vai passar, sabe? E eu não posso esperar superar a sua mãe sem tentar fazer isso. O que é diferente de seu caso.

— Por que diferente?

— Porque eu vejo o rosto de sua mãe quando olho para você e para Rafa. Todos os fins de semana. Eu vejo toda a vida que construímos juntos. E não posso simplesmente ignorar para esquecer… eu tenho que tentar de verdade superá-la. Mas não estou sendo injusto, não totalmente. Quando fico com essa outra mulher eu não penso em sua mãe. Não é como se eu estivesse dividido ou em dúvida. Eu só preciso… superá-la totalmente. Mas eu não quero apagá-la da minha vida; isso sim seria injusto.

Suspirei.

— Você a amou muito, não é?

— Eu a amei com toda a minha vida — ele sorriu gentilmente. — E só porque acabou o casamento não quer dizer que acabou os sentimentos. Eu ainda a amo, Guto. Como uma irmã. Como alguém que me deu dois filhos de presente.

Desviei o olhar para ver uma criança do time de Rafa marcar um gol. Quando falei, estava sendo totalmente sincero.

— Eu torço por você, pai. De verdade. Torço para você seguir em frente, porque sei que não dá mais para vocês voltarem atrás.

Um silêncio emocionado caiu sobre nós.

— Obrigado, Guto. Eu também torço por você. Você vai ser um campeão melhor do que eu fui.

Esperei que sim porque… bem, o meu pai era o maior vencedor da vida que eu já tinha conhecido.

Notas finais
E entããããão? Gostaram? Digam-me suas opiniões! Eu particularmente amei escrever esse capítulo de JPA. Mas o que importa é o que vocês pensam! Até sexta ♥