Juntos
6 Capítulo 6
Notas iniciais
– Molly
Enquanto tomávamos nosso café da manhã uma chuva de verão começou a cair. Funcionários do hotel nos informaram que é comum nessa época do ano e passaria rápido. Vejo um sorriso enviesado nos lábios de Sherlock e ele parece pensar o mesmo que eu.
– Tomar banho de chuva após comer pode dar congestão. — Lembro-me de quando ele me repreendeu por entrar na piscina depois de tomar café, em nosso sonho, e dou risada.
– Nesse caso eu acho que valeria o risco.
Sorrio para ele e nos levantamos, indo até o imenso jardim do hotel. As gotas são grandes e começam a nos molhar rapidamente. Olho para cima e deixo que elas caiam em meu rosto. Gosto da sensação de liberdade que ela me traz enquanto sinto a mão de Sherlock me segurando em terra firme. Ouço ele rir e me viro para olhá-lo.
– O que? — Eu pergunto, mas não consigo deixar de sorrir.
– Você. — Ele diz de uma forma tão simples e que quer dizer tantas coisas... Vejo a água escorrendo pelos cabelos dele e não resisto em levar minha mão até lá. Sherlock segura minha cintura e me puxa para um beijo.
– Molly, a inoportuna visita de Mycroft não muda nada entre a gente e você sabe disso, não sabe?
Às vezes esqueço que Sherlock pode ler muitas coisas que não são ditas.
– Só fiquei um pouco... Sei lá, chateada com ele dizendo aquelas coisas sobre tédio, envolvimento etc. Como se eu não significasse nada.
Parecíamos dois malucos conversando na chuva, mas tudo bem. Já está sendo comum todos pensarem isso sobre nós.
– Não posso dizer nada em favor de Mycroft, talvez ele sempre verá você assim, como a pessoa que me tirou dos trilhos. Mas posso falar por mim e não é porque ele é um idiota arrogante que eu também sou. Tudo bem, talvez eu seja um pouco. Mas você é a parte que mais importa para mim agora, Molly. — Ele encosta sua testa na minha. — Nunca duvide disso.
– Eu não duvido. — Sem que eu perceba meus dedos vão até a pequena cicatriz próxima ao seu pulso, e ele sorri.
– Pensou sobre minha proposta?
Não entendo e ele percebe que fico confusa. Ele se aproxima do meu ouvido e diz baixinho:
– Case-se comigo, Molls.
Estanco, me afastando um pouco dele, que segura minha mão. Oi? Ele me chamou de Molls? Tudo bem, não é por isso que fico paralisada.
– Você... — Eu aponto pateticamente em direção à recepção do hotel. — Você... Estava falando sério lá dentro? Com Mycroft? — Sinto-me uma idiota, olhando de Sherlock para a recepção. Ele está sério e confirma balançando a cabeça.
– Não é...
– Sim, Molly, é. É muito cedo, é muito rápido, é maluco, é inconsequente. E vamos ouvir isso mais um milhão de vezes de todas as pessoas que souberem. Mas nós compartilhamos um coma viajando por uma ilha deserta, então qualquer outra coisa é comum para nós... Por acaso você pensa na possibilidade de voltarmos para Londres e morarmos separados?
Só balanço a cabeça, mordendo os lábios. Casar!
– Então, que diferença faz? Não estou pedindo para que a gente feche o hotel e você entre de véu e grinalda, pelo amor de Deus!
Não consigo não rir da cara de horror que ele faz. Isso era tudo que eu não queria, e agradeço por Sherlock também não ter essas ideias tradicionais.
– Molly... Você vai demorar muito para me responder? Será que vou mesmo precisar ajoelhar na grama molhada?
Percebo que ainda estou parada encarando-o e rindo que nem boba.
– Não vai fazer diferença, você já está todo molhado mesmo. — Brinco com ele logo antes de me desesperar ao vê-lo se abaixar. — Não, não. Sherlock, levante, seu idiota.
Sinto meu rosto ficar vermelho e já acho que está todo mundo nos olhando. Talvez estejam mesmo.
– Vai aceitar logo ou eu vou ficar ajoelhado aqui que nem bobo por muito tempo? Você me aceita como seu legítimo esposo? — Ele sorri ironicamente e é claro que eu me derreto.
– Sim...
– Não ouvi, Molly.
– SIM. – Digo um tom mais alto.
– Oi?
– Filho da puta... SIMMMMMMMMM! – Eu grito o mais alto que consigo, tentando não chamar (muita) atenção e torcendo para que a chuva tenha abafado alguma coisa. Sherlock se levanta rindo como uma criança e me pega no colo. Hoje é mesmo dia de chamar atenção de todos.
– Agora vamos adiantar nossa lua de mel.
Ele só me coloca no chão quando chegamos de volta ao bangalô. Estamos encharcados e sua camiseta está transparente, colada em seus músculos. Eu o ataco com beijos, explorando cada pedaço do corpo que pertence a mim. Sim, a mim.
Tiro a camiseta dele e ele faz o mesmo com minha regata. Não perco tempo e abro o botão da bermuda que ele usa.
– Posso continuar o que comecei mais cedo?
Não espero que ele responda e o seguro, sentindo sua ereção em minha mão. Ele não deixa que eu abuse dele por muito tempo, prende minhas mãos nas suas e me leva até a cama, retirando o resto de minhas roupas.
Ele me distrai com beijos e eu não percebo minhas mãos algemadas na cabeceira da cama até que seja tarde demais. Sherlock se afasta de mim, sorrindo maliciosamente. Eu puxo meus braços, vendo que não me soltarei, e olho para ele.
– Que tipo de pessoa trás uma algema para uma viagem de férias?
– Pessoas que querem se vingar por terem sido amarradas antes.
Um arrepio percorre meu corpo quando escuto o tom baixo e rouco de sua voz. Vejo ele caminhar pelo quarto e voltar com uma camiseta preta.
– Desculpe, Molls, mas você não verá nada.
E a última coisa que vejo é ele sorrindo para mim antes de colocar a blusa sobre meus olhos.
Meus sentidos são aflorados assim que me vejo no escuro. Escuto ele se movendo e sua respiração. Uma música começa a tocar e ele parece abrir nosso frigobar. Estou nua, algemada e vulnerável a qualquer coisa que ele queira fazer comigo. Isso me excita.
Ele sobe na cama ao meu lado e assusto-me quando passa um dedo gelado por minha barriga. E grito quando ele solta uma pedra de gelo em cima de mim.
– Quieta.
Ele desliza o pequeno cubo por meu corpo e para em meus seios, circulando-os. Já começo a me contorcer e a sensação é extasiante quando Sherlock troca o gelo por sua língua. Ele mordisca meus mamilos e minhas costas arqueiam. Uma de suas mãos me segura no lugar e logo começa a descer.
Um gemido escapa dos meus lábios quando seus dedos gelados alcançam meu clitóris. Droga, que dedos! Sinto seu rosto próximo ao meu e quero me soltar. Agora sei o que ele passou quando o amarrei. E irei fazer isso de novo. É uma promessa da qual ele não precisa saber.
Meus lábios estão entreabertos e quando menos espero Sherlock os contorna com a língua, pouco antes de me beijar. Os dedos dele continuam me torturando e de novo, quando já não aguento mais, ele para.
– Ainda não, Molly.
Ele desce, passando por meu pescoço, de novo por meus seios e demora ainda mais em minha barriga. Tento tocá-lo com meu pé, mas ele me segura.
– Não me faça ter que amarrá-los também. – Sherlock aproveita que está me segurando e recomeça os beijos a partir de meu pé e vai subindo por minha perna, enquanto uma de suas mãos desliza pela outra.
Quando ele separa minhas pernas, percebo que morrerei um segundo antes que ele comece a usar a língua novamente. Dessa vez ali. E de novo eu começo a me contorcer e ele segura firmemente minhas coxas, impedindo que eu atrapalhe seu “trabalho”. O ordinário sabia usar tudo que podia em seu favor. Eu me puxo toda e meus pulsos doem.
– Você vai se machucar, lembre-se de como ficaram meus pulsos.
– Cale a boca e não pare!
Escuto ele rir antes de continuar com a minha tortura particular. Dessa vez ele não para e meu orgasmo vem em ondas que me estremecem inteira, fazendo com que gemidos altos saiam de minha boca sem que eu perceba. Agora ele faz o caminho inverso dos beijos e sinto meu gosto em sua boca.
Sherlock retira a camiseta de meus olhos e eu encaro sua expressão desejosa. Ele solta meus braços também, beijando meus pulsos com carinho. Eu finalmente posso tocá-lo e seguro em seus ombros enquanto ele se acomoda entre minhas pernas.
Ele me tem lentamente, diferente da noite anterior, e hoje eu estou bem com isso. Eu quero isso. Nosso ritmo é lento e ele me olha apaixonado. Perdemos a noção de tempo e espaço. Tudo que existe somos nós. Droga, por que tenho que amá-lo tanto?
–--
Mais tarde eu estou deitada sobre seu peito e ele massageia meus pulsos. Novas marcas.
– Quando vamos casar? – A pergunta me surpreende. Sherlock estava com pressa de se casar?
– Não sei. Você tem alguma sugestão?
– Sim... Eu tenho.
Então eu começo a ouvi-lo com atenção.
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