Juntos

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Só digo uma coisa, vocês precisam ouvir com essa música: https://www.youtube.com/watch?v=K6SyQ4XvBxg

– Sherlock

Dois dias depois nós caminhamos até uma praia deserta. O sol começa a se por e o brilho do sol sobre os cabelos de Molly é algo que deve ser observado e registrado. Tudo nela merece isso. Desde o modo dela caminhar até o brilho peculiar em seus olhos.

Uso calça e camisa de cores claras e Molly veste um delicado vestido branco sem mangas. Ela carrega nos braços uma manta de cor azul e um pequeno pote de vidro, com pequenos detalhes. Eu trago comigo nossa champanhe, que consegui no hotel ao lembrar de contar que somos recém-casados. Bom, seremos em breve.

Sorrimos um para o outro a todo instante enquanto fazemos nosso caminho. Demoramos a chegar, mas vai valer a pena. Quando finalmente achamos o cenário perfeito, Molly estende a manta azul na areia e nós sentamos sobre nossos calcanhares, de frente um para o outro.

Molly está tímida. E contrariando tudo que eu acho possível, parece que me apaixono um pouco mais por ela. Seguro suas mãos nas minhas e decido que devo começar a falar.

– Eu prometo estar sempre ao seu lado. Dos momentos mais felizes até os mais sofridos, porque eu sei que eles virão. Nós não escaparemos da dor em algum momento de nossas vidas. Farei o possível para que suas lágrimas não caiam, e apararei todas as que caírem. – Começo fazendo isso agora, porque lágrimas já começam a cair dos seus olhos e ela ri, como se dissesse “o que posso fazer?”. Minha voz fica embargada, mas eu continuo. – Nós trilharemos nossos caminhos e sempre estaremos juntos. Faremos tudo aquilo que foi dito em nosso sonho. Examinaremos corpos, correremos atrás de pistas, faremos bolos de chocolate e cafés da manhã...

Ela respira fundo e coloca um dedo em meus lábios, me interrompendo.

– Morarei com você em Baker Street, porque não consigo imaginar outro lugar ideal para nós dois. Quero ficar com você, aninhada em seus braços, nos dias de frio e de calor. E sim, nós faremos bolo, mesmo que não sobre calda para ele. — Ela ri, mas volta a ficar séria em seguida. — Sherlock, eu respeitarei os momentos em que você precisará de silêncio e solidão, desde que você compense depois, é claro. – Eu sorrio, é óbvio que compensarei. – Eu prometo estar lá por você. E sempre que você voltar à vida depois de um caso extenuante, eu estarei esperando por você.

Eu ergo meu corpo, ficando de joelhos, e me aproximo dela. O pouco vento que existe na praia faz com que os cabelos dela se movam. Ergo minha mão e os arrumo.

– Nunca deixarei você. Por nenhum caso. E mesmo que eu precise de tempo para organizar meus pensamentos e seguir pistas, eu sempre estarei lá para te abraçar ao dormir e para te ver acordar. Você não terá mais pesadelos se eu puder evitar. E já vou avisando que nós faremos sexo naquele seu escritório estranho no St. Barts... Sempre me atraiu aquele seu jaleco. – Faço ela rir, porque adoro ver seu sorriso. E também porque o que digo não é mentira. – E estou pensando seriamente em instalar uma banheira em algum canto do nosso apartamento.

– Eu iria adorar.

– Eu sei. – Nós estamos muito próximos agora, as pontas dos nossos narizes quase se tocando. Resisto para não beijá-la, porque sei que não pararei. E ainda não chegamos à parte do “pode beijar a noiva”. Lembro-me de tudo que passamos e me preparo para dizer o que ainda me causa dor quando penso. – Meu pior momento foi quando acordei naquele hospital e me fizeram lembrar do acidente e que eu não estive em ilha alguma. A parte mais difícil foi visitar você no quarto sem saber que você se lembrava de nós, e não poder te tocar. Quando voltei para Baker Street era como se eu nunca estivesse estado lá antes. Não era minha casa, não era minha vida... Não havia você. Eu olhava para todos os lados em busca da areia que prometemos levar para que lembrássemos de que era real. Não existia. Não pude acreditar que não fosse real. Tinha que ser. – Ela assente, provavelmente se lembrando que sentiu o mesmo que eu, e recomeça a chorar. Meus olhos marejam também e de novo minha voz falha. – Não há palavras para definir o que eu senti quando você, parecendo tão derrotada quanto eu, me disse que se lembrava. Eu já tinha planos para te chamar para vir para cá comigo, mas não tinha tido coragem ainda. Nunca me esquecerei de suas palavras. E nunca me esquecerei da forma a qual meu coração bateu acelerado, quase saltando de meu peito. Nós salvamos um ao outro e foi dessa forma que nos encontramos...

Molly não resiste e passa uma mão pela minha nuca, me puxando e encostando nossas cabeças. Vejo de pertinho suas lágrimas rolarem. As minhas cairão em breve. Sinto um nó em minha garganta e isso dói. Não consigo mais falar. Ouço a voz dela, tão emocionada quanto a minha.

– Eu tive tanto medo... Tanto medo que você não soubesse de nada. Não sabia o que fazer e a maior loucura que já fiz na vida foi decidir te contar aquilo sem o menor sinal de que você se lembraria. E ao mesmo tempo essa foi a minha melhor decisão. Você se tornou parte de mim, Sherlock. Uma parte tão profunda que já não sou mais capaz de separar, de definir o que é quem. E dessa vez nós teremos a areia, e nos lembraremos de que tudo foi real. Sempre foi.

Ficamos em silêncio por alguns momentos até que nos separamos e Molly pega o singelo pote de vidro que está vazio. Olhando em meus olhos, ela afunda uma das mãos na areia e, pegando um punhado, o coloca dentro do recipiente. Eu faço o mesmo. Um símbolo do que nos une. Fecho nosso pequeno pote e ali nós temos o nosso papel de casamento assinado. O mar se encarrega de nossa benção, com seu som imponente. As ondas se quebram como um brinde a nós. E nossas alianças estão gravadas em nossos braços, em forma de queimaduras.

– Posso beijar a noiva?

Olho nas profundezas dos seus olhos amendoados, e sei que sim. Eu posso. E eu o faço. Coloco todo amor que possuo dentro de mim nesse beijo. A carga de emoções contida nele quase me derruba. Não é nosso beijo mais apaixonado ou o mais ardente. Mas com certeza é o mais memorável. É o que faz meu coração, que antes talvez fosse de pedra, virar definitivamente algo vivo. Tão vivo que suas batidas desesperadas chegam a doer.

Quando, com muito custo, nos separamos, eu pego a garrafa de champanhe e a abro. Nós dividimos a bebida. Molly bebe um pouco, e quando volta a me beijar sinto o gosto adocicado em sua boca. Isso aflora meus instintos e deslizo uma das alças do seu vestido para ter acesso ao seu ombro. A beijo ali e subo por seu pescoço. Não demora para que ela esteja entregue a mim e, sentada em meu colo, dá início a lenta abertura dos botões de minha camisa.

Fazemos tudo sem pressa dessa vez. A única iluminação agora é da luz da lua, que faz a pele clara dela reluzir aos meus olhos. Cada peça de roupa é tirada com carinho, quase que com cuidado. Curtimos cada momento, cada toque. Consigo sentir todos os pontos onde Molly me toca com as pontas dos dedos e ela reage a cada movimento meu.

Nos deitamos na manta azul quando já estamos sem as nossas roupas, e não tiramos os olhos um do outro. Eu beijo cada marca que deixei no corpo dela nos dias que passaram. Algumas já sumiram, outras estão amareladas. Sou louco por ela. De qualquer forma.

As mãos dela me procuram e me encontram. Passeiam por meu corpo, me fazendo ter espasmos ao invés de simples arrepios. Nunca me senti tão sensível assim. Ela enlaça as pernas em minha cintura para me receber, puxando-me de encontro ao seu corpo e eu não resisto a isso. Somos um só agora.

Ela é minha salvação. É parte do que sou. É o melhor que posso ser.

Notas finais
Amei escrever esse capítulo e espero que tenha passado a emoção desses dois... :)