Juntos

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Mais um pouquinho de Mike! :)

– Sherlock

Eu mereço mesmo! Após uma noite de sexo perfeita, quem aparece para me incomodar? Claro, meu querido irmão.

Já devia imaginar que após desligar o telefone em sua cara e sumir com o aparelho, me tornando incomunicável, ele daria um jeito de aparecer aqui para atrapalhar tudo. Droga! Eu pretendia dar continuidade à minha noite com Molly. E ela me mostrava pensar o mesmo ao me provocar enquanto eu estava no telefone, só parando quando ouviu o que eu ouvi. Mycroft Holmes. Aqui.

Permito que Molly me acompanhe nesse embate, afinal ela é parte da minha vida agora e isso a envolve também. Confesso que me divirto quando ela não tenta esconder as manchas roxas da noite anterior. Mycroft ficará chocado e tem coisa melhor que isso? Bom, tem, mas ele atrapalhou tudo.

Nós chegamos à sala em que ele nos espera e quando se vira ele mede Molly de cima a baixo, isso já faz meu sangue borbulhar em minhas veias e quero arrastar seu rosto esnobe pela areia. Ou pelas pedras. Tanto faz. O que doer mais.

Ela parece não ligar e, sorrindo após cumprimentar o insuportável, senta-se displicentemente em uma poltrona. Eu quero ficar com ela e não discutindo sabe-se lá o que com o retardado do meu irmão. Sinto meus olhos arderem de raiva. Talvez eu precise mesmo das habilidades de Molly em dissecação.

– Espero que você diga rápido o que veio fazer aqui. Cada minuto que corre, é um minuto a menos das minhas férias.

E um minuto a mais que você tem chance de morrer. Essa parte eu omito.

– Me desloquei até aqui para entender a loucura que vocês dois – ele diz isso olhando de mim para Molly – estão fazendo e saber se vocês tem o mínimo de consciência sobre isso.

– E eu queria entender onde está o problema nisso tudo. Mas que drama vocês estão fazendo! – Eu começo a andar de um lado para o outro da sala, querendo enforcar Mycroft.

– Vocês abandonaram seus empregos!

– Não, não, não! Nós tiramos licença. Estamos nos recuperando de um trauma. De um coma!

– Sim, agora percebo que vocês bateram forte com a cabeça. Londres precisa de você Sherlock.

Eu suspiro. Grande coisa.

– E Molly precisa de mim aqui. Não precisa? – A olho e ela sorri pra mim, me derreto um pouquinho.

– Oh sim. Com certeza eu preciso. — Ela pisca um olho para mim no final da frase e vejo Mycroft arregalar os olhos, surpreso com nossa cumplicidade. Penso se ainda é possível que eles no internem como loucos.

– Sherlock... De onde surgiu isso? Desde quando vocês tem esse... Relacionamento?

Hum. Pergunta errada. Hora de ativar a improvisação.

– Nós nos aproximamos após o acidente. Molly me perdoou, nós conversamos, faltaram palavras... Você consegue deduzir sozinho a partir daí? Se quiser a gente mostra.

Ouço ela rir e não consigo segurar, sorrio de volta, olhando de canto de olho na direção dela.

– Vocês passaram dias presos em Baker Street! Não acreditei quando John me contou... E agora isso!

– Sim, e se você nos der licença rápido, gostaríamos de voltar a ficarmos presos.

– O que ela fez com você, Sherlock?

Antes que eu quebre a cara arrogante desse que dizem ser meu irmão e que ousa falar nesse tom de Molly, ouço sua voz responder.

– Sexo, oras. Ou você acha que as marcas são de espancamento? Não seja inocente. Você não imagina quantas deduções Sherlock pode fazer em um corpo feminino. É surpreendente, Mycroft.

Ela tenta dizer isso seriamente, mas os sorrisos escapam de seus lábios. Mycroft fica sem reação. A amo ainda mais a partir de agora. Vou até a poltrona que ela está sentada e sento-me no braço, ao lado dela, e nossos dedos logo se juntam e ela me acaricia automaticamente.

– Mycroft, você precisa entender que nós somos adultos e fazemos o que quisermos de nossas vidas. Eu não vou voltar para Londres até que a gente, e com isso quer dizer eu e Molly, decida que seja assim.

– Você não pode estar falando sério. Onde está aquele Sherlock entediado e em busca de casos?

– Ah, você acha que estou com tempo para ficar entediado? Não seja obtuso, Mycroft.

Vejo-o suspirar. Espero que finalmente ele se vá.

– Pelo visto posto esperar qualquer coisa de vocês.

– Ah sim. Talvez eu me case. Se Molly aceitar, é claro. Você aceita, Molly?

– Por que não? – Percebo que ela não me levou a sério e precisarei corrigir isso mais tarde. É algo que já passava pela minha cabeça, uma vez que provavelmente iremos morar em Baker Street de qualquer maneira.

Mycroft balança a cabeça, incrédulo mais uma vez.

– Vou embora. Espero que vocês saibam o que estão fazendo. Se envolver não é seguro, Sherlock.

De novo essa ladainha.

– Viajar de avião também não é. – É Molly quem responde, deixando no ar a continuação da frase, que deduzo que seja “mas você o fez para nos importunar”.

Mais uma vez ela o deixa desconcertado. Com alívio, vejo ele caminhar para a saída. Já vai tarde.

– Adeus para vocês dois.

Nós só acenamos com a cabeça e ele se vai. Até que enfim.

Levanto-me da poltrona e puxo Molly comigo. Ela me abraça forte, como se tivesse medo que eu desaparecesse. Talvez não tenha deixado transparecer, mas acho que a visita do meu amado irmão a assustou de alguma forma. Acho que ela ainda tenha medo de que eu volte atrás. Nunca farei isso. Outra coisa que preciso conversar com ela depois. Não quero que haja nenhuma sombra de dúvida entre nós.

Deixo que minha mão deslize pelos cabelos dela e ficamos assim por algum tempo, até que ela se afasta e me dá um rápido beijo.

– Estou com fome, Sherlock.

Descubro que também estou e que por conta da interrupção ridícula de Mycroft, nós não tomamos café. Seguro a mão dela e nós vamos juntos até o salão do hotel, onde a comida nos aguarda.

Notas finais
Voltamos agora à programação normal de Sherlock + Molly, only... hauahauahaua