Juntos

4 Capítulo 4


– Molly

Já é tarde quando saímos da banheira e vamos para cama. Enquanto seco meus cabelos, Sherlock me aguarda na cama e passa pelos canais da TV, entediado. TV nunca será o forte dele. Olho-me no espelho e vejo as marcas espalhadas por meu pescoço, ombros e seios. Será uma beleza sair do quarto amanhã, praticamente o mesmo que escrever na testa tudo que fizemos agora a pouco.

Apesar do que possam pensar, e de ficar um pouco tímida em exibir as manchas roxas por aí, eu gosto delas. Acho que desenvolvi um carinho especial por marcas e afins. Gosto de ter em mim as provas do que Sherlock é capaz de fazer. Sorrio para mim mesma no espelho, tiro minha toalha e visto uma discreta camisola – dessa vez é discreta mesmo.

Vou para cama e Sherlock desliga a TV ao me ver, chamando para que eu me junte a ele e eu me aninho em seu corpo. Ele está sem camisa e consigo ver as marcas que deixei, talvez não tão evidente quanto as minhas, mas estão lá.

– Você se incomoda com isso? – Sherlock me pergunta enquanto passa um dedo por uma das marcas.

– Eu gosto delas. – Olho para ele enquanto digo isso. – Faz com eu me sinta sua.

Os olhos dele se destacam na meia luz do quarto. Brilhantes. Olhando-me profundamente.

– Você é minha.

Se eu não estivesse tão cansada, acho que teria começado tudo que aconteceu no banheiro novamente. Aproximo meu rosto do dele e o beijo com carinho. É só nossa primeira noite, e eu ainda tenho muitos planos para Sherlock.

– E você é meu.

– Ninguém mais me teve tão completo quanto você tem. Sinta-se privilegiada por isso. – Ele sorri.

E eu me sinto. A pessoa mais sortuda do mundo. Ele sabe disso, assim como eu sei se sente igual em relação a mim. Só somos completos quando estamos juntos.

Sherlock ajeita nossos corpos e não demora muito para que a gente durma, embalados pelos braços um do outro.

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Pela manhã, estou no banheiro escovando os dentes enquanto aguardamos o café da manhã e escuto o telefone do quarto tocar. Sherlock atende com cara de poucos amigos, ele realmente não gosta quando somos interrompidos mesmo se não estamos fazendo nada. Não é tão fácil imaginar que estamos numa ilha perdida quando as pessoas não param de incomodar e nos telefonar.

– O que? Eu dei ordens expressas de que não queria ser incomodado. E isso não exclui ninguém. – Ele passa as mãos pelos cabelos, exasperado, e até isso eu acho sexy. Termino de escovar os dentes e vou até ele, abraçando-o por trás enquanto ele continua ao telefone. – E para todos que ameaçam vocês abrem exceções? – Eu beijo sua nuca, dando leve mordidas, e ele ri, apertando minha coxa. Não quero saber de interrupções. Passo a mão por sua barriga e começo a descer. Droga, eu quero sexo.

– Desligue. – Digo baixinho. E ele nega com a cabeça, parecendo chateado.

– Ok. E qual o nome dessa pessoa?

Então, eu paro o que estou fazendo, porque também escuto o nome que o atendente com sotaque engraçado fala do outro lado do aparelho.

– Mycroft Holmes.

Ok. Que beleza.

Sherlock solta minha perna e leva a mão aos olhos. Eu continuo abraçando-o, mas paro com minhas investidas maliciosas. Pelo visto temos um enorme abacaxi nas mãos para descascar.

– Avise a ele que estarei na recepção em cinco minutos. Arrume uma sala privada, por favor.

Percebo que Sherlock está com raiva, muita raiva. Ele me dá um rápido beijo e se levanta, indo para o banheiro.

– Terei que ir até a recepção falar com esse idiota. Nós nunca teremos paz?

Ah teremos, ou vou acabar matando um ainda.

– Eu vou com você.

Ele para e olha para mim. Sei que ele pensa em negar, mas não o faz. E também não adiantaria se fizesse.

– Sei que é seu irmão, mas não vou ficar aqui enquanto ele me culpa por te arrastar para o fim do mundo.

– Ele não... Sim, provavelmente ele vai culpar você. – Sherlock ri por um momento. – Mycroft acha que eu tenho doze anos. Você tem certeza que quer ir? Pode ser que eu o mate, não sei se você gostaria de ver isso.

– Posso ajudar a esconder o corpo.

– Sempre me esqueço dessas suas habilidades. – Ele pisca para mim e entra no banheiro. Eu escolho um short e uma regata que deixará em evidência todas as marcas da noite passada. Inclusive encontro algumas em minhas pernas que não tinha visto anteriormente.

Fico pensando se Sherlock achará ruim eu aparecer assim, mas quando ele volta para o quarto tudo que faz é rir ao observar as roupas que visto. E eu percebo que apesar da camiseta branca que ele colocou tampar a maior parte das minhas dentadas, ainda existem algumas em evidência em seu pescoço. Acho que iremos matar Mycroft do coração, e é isso que diverte Sherlock.

Caminhamos de mãos dadas pelo hotel e quando chegamos à recepção, nos informam que encontraremos Mycroft em uma pequena sala privada à esquerda. Vamos até lá e quando entramos o irmão de Sherlock está de costas para nós. Ele se vira e me encara de cima a baixo, os olhos parando por algum momento nas partes roxas da minha pele.

– Olá, Mycroft. – Sorrio para ele, que força um sorriso em retribuição e acena com a cabeça.

– Srta. Hooper.

Vou até uma grande poltrona e me sento nela, sobre uma de minhas pernas. Assistirei de camarote o embate entre os dois Holmes. Os olhos de Sherlock parecem faiscar, e eu me arrepio toda em vê-lo assim.

Notas finais
Capítulo curtinho... Mike enchendo o saco... hahahahaha