Juntos
15 Capítulo 15
– Sherlock
A volta para Londres foi menos traumática do que eu imaginava e em poucos dias estávamos adaptados novamente. Voltar ao trabalho também não foi tão difícil assim. Nós nos ajudávamos e sempre que podíamos ficávamos juntos. Foram poucas as vezes em que precisamos recorrer ao celular para suprir alguma carência momentânea. E agora eu tinha um motivo muito importante para ficar horas no hospital fazendo experiências.
Devo acrescentar que meu fetiche com o jaleco e o escritório de Molly foi alimentado com sucesso, e mais de uma vez. Sorte a nossa que os mortos não podem ver e nem falar nada.
Agora, quase quinze dias após nossa volta, estamos em uma festa. Uma festa para comemorar o que? A nossa volta. Os parabéns pela criatividade devem ser dados para os queridos Watson que tão brilhantemente reuniram todos os nossos conhecidos em sua casa. Odeio festas.
Tudo bem que Molly vestiu um novo vestido preto que já fez minha imaginação voar quando ela tirou o casaco ao entrar na casa deles. E junto havia meias que eu podia imaginar onde terminavam. Isso tudo eram motivos bom demais para que eu quisesse ir embora dessa festa o mais cedo possível.
Tive que encarar uma conversa com Lestrade. Céus. Nessas horas meu cérebro voava lá para a ilha e eu queria correr para lá de novo. Alguém perguntou se nós nos casaríamos e tivemos que dizer que isso já aconteceu, gerando surpresa em todos os presentes. E agora eles acharam outro motivo pelo qual comemorar, de modo que essa festa não acabava nunca.
Até Mycroft apareceu por lá. Veja bem, Mycroft! Ficou tempo suficiente para ser grosseiro com Molly e tirar minha paciência, partindo logo em seguida. Graças a Deus.
Já tarde da noite Molly passou o braço por minha cintura e cochichou em meu ouvido se poderíamos ir embora. Como se fosse preciso perguntar. Poderíamos ter ido embora depois dos primeiros dois minutos. Demos uma desculpa qualquer sobre fuso horário e cansaço mesmo depois de quinze dias, e nos encaminhamos para a saída.
Molly não colocou o casaco ao sair da casa e eu estranhei. Ela entrou em nosso carro, e eu logo descobri o porquê da falta de casaco. Quando ela sentou no banco do carro, seu vestido subiu deixando a mostra a renda de onde acabava sua meia. Ela não o arrumou, deixando-o assim para que eu visse. Ah Molly...
Tentei fingir que não vi nada de mais, mas acho que a força com que segurava o volante me denunciava. Talvez o modo como eu dirigia também. Arrisquei uma olhada para Molly e vi que ela estava com um sorriso mal disfarçado em seus lábios. Ela sabia como acabar comigo. Sabia como me por aos seus pés. E é o que acontece quando chegamos em casa e ela tenta parecer indiferente a mim. Indiferente até que eu a puxo pelo braço no meio de nossa sala.
– Você está tentando me enlouquecer de novo? – Minha voz já começa a sair no tom estranho de quando estou em uma ebulição de desejos.
Ela está rindo e aproxima-se para começar uma trilha de beijos por meu pescoço
– Acho que você já está louco.
Ah sim, nisso ela está certa. Eu já estou. A empurro e nós caímos sobre o sofá. Passo a noite mostrando para ela como estou louco e do que sou capaz quando estou assim. E ela não para de me provocar por um só minuto até que eu a deixe exausta.
Molly tem razão. Não é o lugar, somos nós.
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2 anos depois.
Chego em casa após finalizar um caso estressante e estou eufórico por ter conseguido. Comuniquei Molly logo após ter descoberto e ajudado o idiota do Lestrade a prender o culpado. Sei que ela me espera em casa para comemorarmos e essas comemorações sempre me surpreendiam positivamente.
Cumpri a promessa que fiz a Molly quando casamos e mesmo em meio a esses casos que tiram quase tudo de mim eu sempre estava ali para ela. Talvez me perdesse em pensamento às vezes, mas estava ali. E ela também cumpriu sua parte, dando-me todo o espaço necessário para que eu organizasse minhas ideias, além de me ajudar muito com exames e tudo que eu precisasse do St. Barts. Nós tínhamos organizado nossas carreiras e nossa vida pessoal da melhor forma que conseguimos, e estava dando certo.
Subo as escadas correndo, sinto falta de estar com ela sem ter outra coisa atrapalhando meus pensamentos. Não consigo esperar mais nenhum segundo para ter só ela dominando tudo que sou. E ela me recebe com beijos quando eu passo pela porta, já me animando ainda mais.
– Estive desenhando... – Ela diz baixinho pra mim enquanto me leva para que eu sente em minha poltrona.
– É mesmo? Desde quando você é dada a desenhos? – Estranhei... Molly nunca tinha desenhado antes, que eu soubesse pelo menos.
– Desde essa semana, eu acho. – Ela para e pensa, então ri. – É, desde essa semana.
– Espero que tenha feito um desenho para mim, então.
– Sim, é para você mesmo.
Então ela me entrega um desenho, uma metade de uma folha mal desenhada. Fico confuso e vejo uma tentativa de demonstrar nossa ilha. O sol parece se por, levando em consideração as cores que ela usou. Nós caminhamos pela areia. Duas pessoas feitas com alguns traços pretos e... Espere aí.
– Molls... O que é esse pequeno bonequinho entre nós? – Eu levanto o rosto para encará-la e a encontro sorrindo para mim com lágrimas nos olhos. Deus... Não pode ser...
Eu finalmente entendo, de uma forma lenta que não é meu habitual... Vou ser pai. Puxo Molly para meu colo e a abraço, não sei o que dizer. Estou terrivelmente emocionado com o desenho em meus dedos. Vou ser pai.
– Puta que o pariu, Molly, você não poderia ter dado a notícia de outra forma? Quer me fazer enfartar? – Ela dá uma gargalhada e eu a acompanho. Sinto lágrimas em meus olhos. É uma emoção que não consigo evitar.
Como eu não percebi antes? Agora eu vejo, olhando para ela, que os sinais estavam todos ali. Na minha frente. Vendo-a todos os dias e com esse caso que levou meses para ser concluído, eu não percebi. Levo minha mão até sua barriga, acariciando. Nosso bebê está ali. Mais lágrimas aparecem em meus olhos e ela entrelaça a mão na minha.
– Você está feliz? – Lágrimas escorrem dos olhos dela e não consigo segurar as dos meus no lugar.
– Como nunca estive antes, Molls. – Enxugo uma lágrima que cai dos seus olhos e ela faz o mesmo comigo. Nós nos abraçamos.
Tenho a certeza que seremos os melhores e mais estranhos pais do mundo.
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