Juntos

14 Capítulo 14


– Molly

A volta para Londres passou de forma até que tranquila. Eu pulei para a poltrona de Sherlock durante a noite e me aninhei em seu corpo porque a distância entre nós estava me incomodando, ainda que fosse pouca. Quando a comissária veio chamar minha atenção, Sherlock conseguiu convencê-la a me deixar ali, alegando que eu não estava passando bem porque tinha medo de voar. O importante é que funcionou. A culpa não era do voo, ficar longe dele é que não me fazia bem.

A viagem não foi tão animada quanto a ida, quando convenci Sherlock a me encontrar no banheiro do avião. Dessa vez ficamos quietos e abraçados, conversando eventualmente. Estávamos em um momento um tanto quanto nostálgico e triste.

Chegamos ao aeroporto de Londres pela manhã e, obviamente, não havia ninguém nos esperando. Ninguém sabia que estávamos de volta, nem celulares tínhamos para avisar. Claro que poderíamos ter enviado um e-mail ou ligado do hotel, mas acho que não queríamos de qualquer forma. Precisávamos fazer isso sozinhos.

Nos encaramos quando paramos no saguão do aeroporto e, surpreendentemente, após alguns segundos sérios nós começamos a rir. Estávamos de volta, e dessa vez nos lembrávamos de tudo. Andamos em direção a saída em busca de um táxi. Sherlock empurrava o carrinho com nossas malas e eu caminhava ao seu lado, com o braço entrelaçado ao dele.

Sra. Hudson foi a primeira a se assustar e correr para nos abraçar quando chegamos à Baker Street. E era bom revê-la. Mesmo apesar de todos os bons momentos passados fora, era bom estar de volta.

Nós subimos as escadas e encaramos o apartamento 221B. Sherlock encostou no batente da porta e sorriu.

– Eu devo pegar você no colo? – A pergunta se referia à tradição dos noivos. E eu faço uma careta.

– Por favor, Sherlock, não me faça passar por isso.

Ele ri e me beija, colando-me contra a parede.

– É a nossa casa agora. – Ele diz isso com sua testa colada a minha.

– Não é assim um bangalô ou uma ilha... Mas acho que consigo sobreviver. – Dou risada quando ele me aperta por dizer isso. Estou brincando, eu adoro Baker Street e ele sabe disso.

Nos separamos e quando passo na sua frente para entrar, sou surpreendida por seus braços me erguendo do chão.

– Não podemos quebrar a tradição, Molls.

– Idiota. – Digo enquanto bato em seu braço. Mas ele não me solta até que me jogue na cama.

Horas depois nós estamos batendo na porta dos Watson, que quase desmaiaram ao nos ver ali com toda a cara de pau que conseguimos reunir. Isso não foi muito difícil para Sherlock, mas para mim foi. Me sentia totalmente envergonhada.

– Oi. – Disse para Mary enquanto Sherlock só sorria indiferente ao meu lado. O tonto deixou toda a responsabilidade para mim.

Mary demorou segundos demais para me responder e eu estava quase arrependida de aparecer assim, sem mais nem menos. Então, surpreendendo-me, ela se jogou em meus braços com lágrimas nos olhos, deixando-me sem reação.

– Achei que você nunca mais ia voltar. – Olha, bem que eu não queria... Pensei em dizer, mas não seria de bom tom. – Foi se envolver justo com esse daí!

– Como assim “esse daí”, Mary? – Sherlock se aproximou e deu um beijo em sua bochecha quando ela me largou. – Não posso dizer que sentimos saudades, porque seria mentira. Não me olhe assim, Molly, é a verdade.

Sherlock, sendo sincero nos piores momentos.

John desceu as escadas e quase caiu para trás. Seu rosto ficou escarlate e por alguns momentos achei que ele bateria em Sherlock, mas então ele também o abraçou.

– Vocês são dois cretinos. Você e ela. – Ele disse apontando para nós dois e eu só pude rir.

– Olha, nós voamos por horas... Seria interessante se vocês nos convidassem para entrar. E nós não somos cretinos, somos apaixonados, é diferente. – Os olhos dos Watson quase saltaram de seus rostos ao verem Sherlock dizendo isso. Definitivamente eles não estavam acostumados com Sherlock falando sobre sentimentos, o que era algo que já quase não me chocava. Quase.

Nós entramos e passamos uma divertida tarde com os Watson. Foi diferente do que eu imaginei que seria. Ter mais pessoas em nossa vida além de nós dois talvez não fosse tão chato assim, acho que conseguiríamos equilibrar as coisas. Decidimos visitá-los o mais rápido possível porque devíamos alguma explicação, mesmo que não fosse a real. Sherlock ainda reclamou um pouco, queria ficar na cama o dia todo, mas o convenci a fazer isso.

Explicamos mais ou menos o que aconteceu da mesma forma que fizemos a Mycroft. Mary ainda pareceu um pouco desconfiada de nossa história, mas acho que conseguimos obter sucesso. Eles ficaram felizes por nós no final das contas.

Conversamos horas sobre como era o hotel em que ficamos e como nos divertimos por lá. Omitimos inúmeras partes, é claro. E demos boas risadas ao lembrar como Mycroft apareceu por lá nos importunando. Acabamos sendo convidados para jantar.

Fomos embora já tarde e decidimos ir caminhando até Baker Street. Apesar dos pesares, tínhamos saudades de Londres. A noite estava bonita, apesar de fria. Era até possível ver algumas estrelas no céu.

– Como se sente?

Sherlock olha para mim e é possível ver que ele está preocupado de verdade comigo.

– Estou feliz. – Olho para ele e sorrio. E estou sendo sincera no que digo.

– Mesmo?

– No final das contas, Sherlock, percebi que não é o lugar... É você. Somos nós. Independente de onde estivemos. – Meu tom é apaixonado, assim como minha expressão para ele.

Sherlock para de andar e seus olhos brilham para mim.

– Podemos ser felizes aqui, não podemos Molls?

– Nós vamos ser, Sherlock. Em qualquer lugar.

Nos abraçamos no meio da rua e ficamos assim até que o frio nos faz caminhar novamente. Estou certa de que seremos felizes, porque o amor nos acompanha por todos os lugares. Não importa para onde vamos. O amor sempre nos manterá unidos.

Voltamos para Baker Street e eu cantava e dançava tentando puxá-lo para junto de mim.

– Molly, as pessoas estão vendo.

– Está frio, Sherlock, venha!

Chegamos ao apartamento em meios a risadas e beijos. Sherlock me agarrou já logo na escada e só pude ouvir um grito de espanto da Sra. Hudson enquanto ele me levava para cima aos tropeços.

Ah sim, nós seríamos felizes ali.