Junho

2 A carta substituta


Escrevi uma carta e perdi. Talvez ela seja uma memória esquecida de um pensamento efêmero ou uma ampla visão do meu atual cotidiano.

Eu perdi muita coisa ao longo do caminho.

Atingo o âmago quando atingo o vazio.

Cá estou olhando para os cacos de vidro de algo que eu não quebrei. Uma alucinação de algo que se quebrou e eu insisto em acreditar.

Penso no futuro e me incomodo com o presente.

A vida quer sair pelos poros mas há um tiro saindo pelo culatra. Sou um tumulto de pensamentos. Mas vejo beleza nisso. Enxergo beleza onde ninguém quase nem vê.

Só sei que a tempos venho tentado fazer algo e quando consolido o cristal na água descubro que eu estava fora do meu corpo, em projeção, em sonho, longe da realidade, longe de mim.

Isso tudo é loucura. Não te aconselho a ler. Te aconselho a ler o que te interroga e te faz pensar. Se você vê isso em mim, continue. Se não, nada posso fazer nada quanto a isso.

Não posso ouvir seu grito silencioso e seu pedido de socorro inacabado.

Eu sempre quis dizer isso. Leia agora.