Notas iniciais
Meninas, mil desculpas pela demora, mas minhas vida está muito corrida e eu quase não estou tendo tempo de escrever. Espero que gostem do capítulo que eu preparei com tanto carinho. Boa leitura!

CAPÍTULO 36

POV. OLÍVIA

ALGUNS ANOS DEPOIS...

Eu sabia que não deveria comer biscoitos antes do almoço.

Isso fazia parte das regras e eu deveria segui-las, pois mamãe ficava muito zangada quando eu me comportava mal.

Mas, aqueles biscoitos tinham um cheiro tão bom que eu não era capaz de resistir.

Além do mais, mamãe não deixou que eu os comesse na noite passada e eu apenas estava indo atrás da porção diária que era minha por direito.

Arrastei a cadeira para perto do armário e subi, me apoiando no balcão para alcançar o pote de biscoitos, que ficava na prateleira mais alta, do armário mais alto.

Tinha uma porção de outros doces ali, mas, nesse momento, apenas os biscoitos com gotas de chocolate me interessavam.

Toddy, que era meu cachorro labrador, começou a latir com medo que eu caísse e eu o olhei de cara feia, sabendo que se ele continuasse iria chamar a atenção do meu pai, que ainda estava dormindo, e eu estaria seriamente encrencada.

_ Shii... Eu já vou descer. Mas, se o papai vir aqui, você não ganha nem um biscoito..._ Eu falei séria e ele fez um barulho estranho, baixando as orelhas e se sentando no chão, enquanto esperava que eu terminasse de pegar meus biscoitos.

Mamãe dizia que Toddy era só um cachorro, mas eu sabia que ele era capaz de me entender, principalmente se a palavra “biscoitos” fosse dita.

Ele estava comigo desde que eu era bem pequenininha e havia se tornado meu melhor amigo, ou minha sombra, como papai costumava chama-lo.

Na verdade, eu não me lembrava ao certo de quando Toddy entrara para família. Eu só sabia que o amava demais, apesar de ele ser bem barulhento e um pouco fofoqueiro.

Bastava eu me meter em algum problema, mesmo que fosse bem pequenininho, para ele correr em direção aos meus pais em busca de ajuda e esse fato, na maioria das vezes, fazia com que eles me castigassem por minhas travessuras, que se não fosse por Toddy, nem seriam notadas.

Papai dizia que era esse o papel de um cachorro, mas eu queria que ele fosse menos fofoqueiro, pois isso iria me poupar algumas broncas e castigos.

Desci da cadeira, tomando cuidado para não derrubar o pote de biscoitos e fui silenciosamente para a varanda, onde me sentei e me servi de um biscoito, que estava muito bom.

Toddy, é claro, latiu exigindo sua recompensa e eu ri quando ele engoliu rapidamente o biscoito que eu lhe ofereci e me olhou atentamente, a espera de outro.

_ Eu não devia dividir com você, pois ficou latindo o tempo todo e quase acordou o papai._ Eu reclamei e ele latiu outra vez, como se estivesse se desculpando e eu ri, beijando sua cabeça e lhe dando mais um biscoito.

_ Só por que você é o meu melhor amigo, pois se não eu ia comer tudo sozinha..._ Eu falei, comendo mais um biscoito e ele latiu, querendo outro.

Só esperava que ele não tivesse uma dor de barriga por ter comido biscoitos, como aconteceu quando ele devorou toda a sobremesa de chocolate que a mamãe preparara para um almoço de domingo, quando o vovô Charlie e a vovó Renée vieram nos visitar.

Ele passara dias vomitando uma gosma estranha e fedida e só melhorara depois que o levamos ao veterinário.

Mas, acho que dessa vez não tinha perigo, pois ele só comeria alguns biscoitos, que eram os melhores do mundo todo.

Mamãe era uma grande cozinheira, além de ser a mulher mais linda de todo o universo.

Ela fazia biscoito toda à semana e sempre me deixava comer, desde que fosse depois das refeições importantes, repletas de alface, cenoura e brócolis.

Mas, hoje eu estava com muita vontade e não iria conseguir esperar até depois do almoço, que ainda iria demorar um montão.

O papai ainda não tinha acordado e a Mercedes, que fazia o almoço, não tinha voltado do mercado.

Então, como eu estava com fome, nada melhor do que comer biscoitos.

Depois de comer todos os biscoitos que cabiam na minha barriga, voltei para cozinha e tratei de guardar o pote quase vazio, mas quando eu estava descendo do balcão, senti duas mãos me segurando pela cintura e soube que, apesar de todo o meu cuidado, eu havia sido descoberta.

_ Posso saber o que a senhorita fazia aí em cima?_ Meu pai perguntou e eu arregalei os olhos, sabendo que não poderia mentir, mesmo que quisesse.

Mamãe dizia que eu havia puxado para ela nesse sentido e mesmo que tentasse mentir, não conseguiria, pois eu era transparente demais.

_ Eu estava guardando o pote de biscoito..._ Eu falei baixinho e meu pai suspirou, me colocando no chão e se abaixando a minha frente, enquanto me encarava seriamente.

Meu papai também era lindo, mas eu não gostava de vê-lo zangado como agora.

As caretas que ele fazia quando estava pronto para me dar broncas o deixava meio feioso.

_ Biscoitos, Liv? Qual é a regra para os biscoitos nessa casa?_ Ele perguntou e eu baixei o olhar, não porque estivesse arrependida, mas porque eu sabia que se eu parecesse triste, sua bronca seria menor.

Foi a tia Alice que me ensinou esse truque, dizendo que o papai não era capaz de resistir aos meus biquinhos.

E sempre funcionava.

_ Mas, eu estava com muita vontade. A mamãe não me deixou comer nenhum ontem..._ Eu falei e papai suspirou mais uma vez, levantando meu queixo e me fazendo encará-lo.

_ Ontem, a senhorita não quis jantar, pois se empanturrou de sorvete e só por isso ficou sem biscoitos. Eu não acho que a mamãe estava errada nesse ponto, não é?

_ Foi o tio Emmett que me deu sorvete. Não tenho culpa se minha barriga é pequena e não aguenta sorvete e brócolis ao mesmo tempo..._ Eu respondi e meu pai mordeu os lábios de maneira estranha.

_ E aí você resolveu roubar o pote de biscoitos?_ Ele perguntou, disfarçando um sorriso e eu franzi o cenho, não gostando da palavra que ele usara.

_ Roubar é uma palavra muito feia, papai. Eu não roubo, pois sou uma pequena dama... Eu só peguei emprestado._ Eu expliquei e ele riu, levantando-se e me pegando no colo.

Eu adorava estar em seu colo, pois me sentia muito alta e poderosa, como os super-heróis dos desenhos que eu assistia todas as manhãs.

_ Eu não vou falar nada para a mamãe a respeito desse seu furto, pois não quero que ela fique zangada. Mas, eu não quero mais saber da senhorita desobedecendo às regras dessa casa. Eu e a mamãe queremos apenas o seu bem... Nós dois sabemos o que é melhor para você e, por isso, precisamos que você nos obedeça... Certo?_ Meu pai perguntou e eu assenti, abraçando-o pelo pescoço e dando-lhe um beijão no rosto.

Ele era o melhor pai do mundo e merecia todos os beijos do universo.

Sempre que ele podia, me livrava das broncas da mamãe e isso era uma coisa boa, já que eu não gostava de vê-la chateada comigo e nem de ficar de castigo.

Eu sabia que às vezes merecia suas broncas, mas se eu pudesse, nunca iria deixa-la triste, por que ela também era a mamãe mais linda e perfeita de todo o universo.

_ Agora baixinha, vamos tomar um banho e tomar café, pois eu preciso deixa-la no balé antes de ir trabalhar e nós não podemos nos atrasar, caso contrário a mamãe terá muitos motivos para nos dar broncas hoje..._ O papai falou e eu assenti, aceitando ser levada para o banheiro, mesmo estando limpa, já que eu acabara de acordar.

Papai encheu a banheira e pediu que eu tirasse a roupa só depois que ele já tivesse saído.

Mamãe me disse que ele me dera muitos banhos quando eu era bebê, mas depois que eu virara uma mocinha, ele só me dava banho se eu estivesse de calcinha.

Acho que tinha a ver com o fato de eu ser uma menininha e ele um menininho.

Segundo tia Alice, meu papai não tinha uma vagininha como a minha e sim uma torneirinha chamada pênis, que era igual, só que um pouco maior, que a do meu priminho Thomas, filho do tio Emmett e da tia Rosalie, e só por isso ele não gostava de me dar banho, já que para isso eu precisava ficar peladinha.

E não era correto ficar peladinha perto de meninos.

Pelo menos era o que o papai sempre me dizia.

E é claro, que eu sempre iria obedecê-lo, pois não queria que nenhum menino visse minha vagininha.

Ela era só minha.

Terminei de tomar banho e fui para meu quarto, onde vesti minha calcinha e coloquei minha roupa do balé.

Fui atrás do meu pai para que ele pudesse prender meu cabelo e, após tomar meu mingau, fomos para o carro e logo estávamos a caminho do estúdio de dança.

Eu adorava o balé, mas gostava muito, muito, muito mais as aulas de música que eu tinha com o papai todas as noites.

Ele era o melhor tocador de violão do mundo todo e como tínhamos aulas todos os dias, eu já havia aprendido a tocar várias canções.

Mamãe dizia que eu era a melhor tocadora de violão que ela havia conhecido e eu esperava que ela estivesse certa e não dissesse isso apenas porque eu era sua filha.

_ Bichinha, já chegamos. O papai tem uma cirurgia agora e é a tia Rosalie que virá busca-la. Você vai almoçar na casa dela, mas é para comer comida de verdade. Nada de sorvete e batata frita, caso contrário conto para sua mãe sobre o furto dos biscoitos. Combinado?_ Papai falou, estendendo a palma de sua mão direita para que eu firmasse nosso acordo e eu fiz uma careta, sabendo que não teria como me livrar do brócolis dessa vez.

_ Tudo bem... Que horas você vai me buscar?

_ A mamãe passa para te pegar a tarde. Nos vemos no jantar, gatinha..._ Papai falou, me dando um beijo no rosto e me entregando minha mochila e eu entrei no estúdio, indo direto para o alongamento.

Tia Rosalie veio me buscar, como o prometido e eu passei a tarde toda em sua casa, brincando com Thomas e com o tio Emmett, que era o tio mais legal do mundo todo.

Ele me chamava de bonequinha e sempre brincava comigo, me fazendo cócegas e me jogando pra cima, como se eu não pesasse quase nada.

Minha mãe e a vovó Esme não gostavam quando ele fazia aquilo, mas eu não me importava e sempre que elas não estavam por perto, fazíamos a festa.

Meu priminho Thomas ainda era pequeno e não apreciava muito as brincadeiras do seu pai.

Ele tinha só dois anos e sempre acabava chorando quando tio Emmett o jogava para cima, fazendo com que tia Rose ficasse muito zangada e desse alguns tapas no meu tio, que apenas ria e se desculpava.

Tio Emmett era jogador e só trabalhava aos fins de semana, o que deixava bastante tempo livre para nossas brincadeiras.

Eu estava ficando na casa deles nas últimas semanas, pois papai e mamãe trabalhavam e não conseguiam encontrar uma babá para trabalhar lá em casa.

Mamãe dizia que não queria nenhuma vadia perto do meu pai e, por isso, recusava todas as moças que iam lá em casa.

Eu não sabia o que era uma vadia, mas imaginava que devia ser uma coisa muito ruim, já que todas as vezes que mamãe dizia isso ela parecia estar muito zangada.

Minha mamãe era arquiteta e já havia ajudado a construir muitas casas.

Ela trabalhava bastante, mas sempre arrumava um tempinho para estar com a gente e cozinhar coisas gostosas.

Ela era muito bonita e o papai sempre ficava com ciúmes por ela trabalhar com outros homens, mas mamãe sempre dizia que ele era bobo e que ela amava só a ele.

Eu acreditava nisso, já que os dois estavam sempre se beijando.

Na verdade, eu achava aquilo um pouco nojento, mas eles pareciam gostar, já que faziam isso o tempo todo.

Papai também gostava muito do bumbum da mamãe, pois sempre que estavam sozinhos, achando que eu não estava por perto, ele mantinha as mãos lá.

Mamãe brigava com ele, dizendo que não era para ele fazer aquilo, pois eu podia aparecer, mas papai apenas ria e continuava com a mão no mesmo lugar.

O tio Emmett também gostava do bumbum da tia Rose e quando perguntei por que, ele me disse que quando eu fosse adulta iria entender.

Eu não acreditava nisso, pois não via nenhuma graça em bumbuns.

Escutei o som da campainha e corri para abrir a porta, agarrando as pernas da minha mãe assim que eu a vi.

_ Ouu... Também estou feliz em ver você, princesa..._ Mamãe falou, beijando meus cabelos e eu ri, apertando-a ainda mais.

_ Eu estava com saudades, mamãe... Nem te vi hoje..._ Eu falei e ela sorriu, acariciando meus cabelos, enquanto cumprimentava meus tios.

Quando eu tinha aula, era ela que me acordava todos os dias para me aprontar para as aulas.

Mas, como eu estava de férias, quando eu acordava, ela já tinha saído e eu sentia um montão de saudades da minha mamãe.

_ Como foi o trabalho?_ Tia Rosalie perguntou, oferecendo um copo de suco a minha mãe e ela se sentou no sofá, comigo no colo.

_ Uma loucura. A reforma daquele hotel ainda vai me deixar louca...

_ Mas, vai garantir uma boa quantidade de dólares a sua conta, não é, cunhadinha?_ Tio Emmett falou e minha mãe riu, assentindo.

_ Ah, sim... Ultimamente eu só trabalho se for por muitos dólares. Afinal, sou a melhor arquiteta de Seattle, premiada duas vezes e mereço um reconhecimento financeiro por tanto trabalho._ Minha mãe falou e eu sorri quando me lembrei dos prêmios que ela havia ganhado.

Eu não entendia nada sobre aquilo, mas sabia que depois da reforma de um grande hotel ela havia sido premiada como a melhor arquiteta de Seattle, o que deixara toda a família com um sorriso bobo nos lábios enquanto ela recebia um troféu em cima de um palco.

Mamãe havia recebido dois prêmios e os troféus que ela ganhara estavam no escritório da nossa casa.

_ Onde Chloe está?_ Tia Rosalie perguntou, referindo-se a minha irmãzinha de dois anos e minha mãe suspirou, levantando-se e ajeitando a bolsa no ombro, o que significava que já estávamos de saída.

_ Hoje ela estava bem enjoadinha e eu a levei ao pediatra. Depois, como ainda estou sem babá, Alice se ofereceu para ficar com ela, dizendo que quer ganhar prática para o bebê que ela e Jasper planejam ter..._ Minha mãe falou e tia Rose riu, pegando Thomas no colo e lhe oferecendo um biscoito.

_ Alice quer ter um bebê? Tenho pena desta pobre criança... Não sei como você confia em deixar Chloe sob seus cuidados. É capaz de ela alimentar a menina apenas com sorvete e batata frita... _ Tia Rosalie falou e minha mãe fez uma careta, como se sorvete e bata frita fossem coisas ruins.

Bem... Pelo menos eu gostava...

_ Chloe a adora, assim como Olívia... Além do mais, hoje eu não tinha opção, pois Edward tinha uma cirurgia marcada e eu não podia de forma alguma ficar com nossa pequenina, pois tinha que ir para a construtora e supervisionar as reformas no hotel. Como você já iria ficar com Olívia, não quis sobrecarrega-la. De qualquer forma, minha mãe está vindo de Forks para ficar com as meninas até que eu encontre outra babá..._ Minha mãe falou e eu sorri ao saber que vovó Renée estava vindo.

Isso significava muitos bolos de chocolate e muitas panquecas deliciosas.

_ Outra babá que tenha mais de quarenta, não é?_ Tio Emmett perguntou rindo e minha mãe assentiu, pegando uma almofada do sofá e tacando nele.

_ No mínimo... Se pudesse, contrataria alguém com mais de cinquenta para não correr o risco de tê-la desejando meu marido. Mas, como isso está difícil, já me contento com alguém de meia idade, casada e com filhos... Nada de meninas assanhadas, que desfilam de roupa curta em frente ao meu médico lindo...

_ Sorte sua que Edward é fiel... Eu sempre lhe falei que aquela babá queria entrar na cueca do seu marido. Se Edward não te amasse tanto, certamente teria caído em tentação._ Tia Rosalie falou e eu a olhei curiosa.

Por que será que Melissa queria usar as cuecas do papai?

Será que ela não tinha calcinhas?

_ Eu pensei que vigiá-la seria o suficiente. Mercedes me ajudava com isso e como depois de algum tempo ela se casou, achei que não teria mais problemas. Mas, nem todos sabem respeitar o terreno alheio e eu precisei despedi-la, não sem antes garantir que ela não trabalharia nunca mais em qualquer casa que tivesse um homem atraente como morador. Aquela vadia nunca mais vai mexer com meu marido ou com o marido de qualquer outra mulher..._ Minha mãe falou e eu franzi o cenho ao ouvir a palavra vadia mais uma vez.

_ Vadia é uma coisa feia?_ Eu perguntei para minha mãe e ela me olhou assustada, colocando as mãos sobre os lábios, o que fez com que meus tios caíssem na gargalhada.

_ Sim, amor... Muito feia. Nunca diga essa palavra. A mamãe promete que nunca mais vai repeti-la._ Mamãe falou e eu assenti, decorando mais uma palavra que não poderia ser dita por mim.

_ Isso, Liv... Deixa para usar essa palavra quando você tiver um namorado e odiar as garotas que ficarão atrás dele..._ Tia Rosalie falou, mas antes que eu pudesse perguntar o que ela queria dizer com aquilo, minha mãe segurou meus ombros e começou a me empurrar para fora da casa dos meus tios.

_ Agradeço por vocês terem cuidado da minha filha, mas agora eu tenho que ir resgatar Chloe e sair daqui, antes que nossa conversa corrompa minha filha de apenas sete anos de idade._ Minha mãe falou, despedindo-se dos meus tios e de Thomas e eu fiz o mesmo, seguindo-a até o carro.

Fomos para casa de tia Alice e descemos rapidamente para pegarmos Chloe, que estava toda suja de chocolate.

Minha irmãzinha tinha dois anos de idade e, segundo minha mãe, era igualzinha a mim quando eu era bebê.

Meu pai a chamava de Buuh, porque, segundo ele, Chloe fora um grande susto para ele e para a mamãe, que não planejavam ter outro bebê além de mim.

A mamãe ficou gordona quando estava esperando Chloe e até hoje ela ainda não tinha me dito como minha irmã fora parar dentro da sua barriga.

Eu só me lembro de que um dia, quando eu acordei, mamãe tinha sumido e algumas horas depois, papai me levou para conhecer minha irmã, que era uma coisinha bem estranha, enrugada e vermelha.

Mas, com o tempo ela foi se tornando bem engraçadinha, apesar de ser incrivelmente barulhenta e babona.

E eu pudera comprovar que éramos bastante parecidas, já que minha mãe tinha muitas fotos de quando eu era bebê e Chloe realmente se parecia muito comigo.

Nossos olhos eram azuis, nossos cabelos loiros e nossa pele super clara.

Não tinha como não dizer que éramos irmãs.

_ Chocolate, Alice? O que você fez com meu bebê?_ Minha mãe perguntou, enquanto limpava a boca de Chloe e tia Alice sorriu, vindo até mim e beijando meu rosto.

_ Foi só um pedaço de Bolo, Bella... Não seja chata. E antes que me pergunte, ela foi alimentada de maneira adequada. Essa foi a única extravagância do dia._ Tia Alice falou e minha mãe suspirou, terminando de limpar Chloe e pegando suas coisas que estavam sobre o sofá.

_ Obrigada por ter cuidado dela... Minha mãe chega amanhã e eu espero conseguir uma babá em breve para não ter que sobrecarregar nem a você e nem a Rosalie. Além do mais, assim que eu entregar o hotel, vou tirar uma longa temporada de férias para curtir minhas princesas e meu marido..._ Mamãe falou e eu sorri empolgada.

Sempre que a mamãe mencionava a palavra férias significava que nós íamos viajar para algum lugar e eu adorava viajar.

_ Relaxa, Bella... Eu adoro ficar com as meninas e tenho certeza que Rosalie também não se importa. Faça tudo ao seu tempo, pois nós somos uma família e estamos aqui para nos ajudar..._ Tia Alice falou e minha mãe sorriu, despedindo-se dela e nos dirigindo para o carro.

Fomos direto para casa e assim que chegamos, eu convenci a mamãe a brincar na piscina interna com a gente.

Passamos algum tempo lá e quando já estava anoitecendo, mamãe nos levou para dentro, dizendo que já não era mais hora de menininhas estarem na água.

Quando Chloe e eu já estávamos limpinhas e cheirosas, papai chegou e ficou brincando com a gente na sala, enquanto a mamãe preparava o jantar.

Ele e eu tocamos violão, mesmo com Chloe tentando a todo custo pegar o braço do violão do papai, que apenas ria e a colocava de lado.

_ Princesa, assim o papai não consegue tocar nada. Fica sentadinha aí e nos acompanhe com palminhas..._ O papai falou para Chloe e ela sorriu, começando a bater palminhas antes mesmo de papai e eu iniciarmos outra canção, o que nos fez rir.

Papai deixou o violão de lado e pegou minha irmãzinha no colo, apertando-a e enchendo-a de beijos, o que me fez sentir uma pontinha de ciúmes.

Antes de Chloe nascer, ele era todo meu e eu não tinha que dividir sua atenção, seus beijos e suas brincadeiras com ninguém, ao não ser com a mamãe.

Eu gostava da minha irmãzinha, mas, às vezes, sentia vontade de ter o papai e a mamãe somente para mim outra vez.

_ Ei, pequena... O que foi? Junte-se a nós..._ Papai convidou e eu sorri, deixando meu violão no chão e indo me jogar em cima dele, fazendo-o rir.

Ficamos rolando no chão por bastante tempo, até que mamãe veio nos chamar para o jantar.

_ Olívia, vá lavar as mãos e leve sua irmã..._ Mamãe instruiu, sentando-se no colo do papai e beijando seus lábios e eu fiz uma cara de nojo, enquanto levava Chloe para o banheiro.

Por que eles tinham que fazer isso o tempo todo?

Beijar me parecia algo tão nojento que eu achava que jamais seria capaz de fazer isso.

Papai achava excelente essa minha opinião sobre beijos, mas mamãe tinha certeza que eu mudaria de ideia.

_ Liv, tá sujo?_ Chloe me perguntou, erguendo as mãozinhas em minha direção e eu ri, enquanto despejava sabonete líquido em suas palmas e a ensinava a lavar da maneira correta.

_ Tem bichinhos bem pequenininhos que a gente não vê, mas que não podem estar em nossas mãos na hora das refeições. Por isso devemos lavá-las sempre... _ Eu repeti a explicação que a mamãe havia me dado um dia e ela assentiu como se tivesse entendido, estendo as mãos para a água que escorria da torneira, enxaguando-as e imitando todos os meus movimentos.

Seguimos juntas para a sala de jantar, onde nossos pais já nos esperavam com a comida no prato.

Olhei para os legumes que minha mãe preparara e tentei não fazer uma careta.

Eu sabia que se quisesse ficar bonita como minha mãe, eu precisava me alimentar bem, mas eu sinceramente não gostava de cenoura, beterraba e brócolis.

_ Coma tudo, mocinha... Só assim vou me esquecer do seu assalto ao pote de biscoitos._ Minha mãe falou e eu arregalei os olhos, encarando meu papai traidor.

Como ele pudera contar para ela, quando me prometera que não faria isso?

Bem que a tia Alice falava que homens não eram confiáveis.

_ Não me olhe assim, amor... Eu não disse nada a sua mãe. Mas, ela viu o pote de biscoitos quase vazio e deduziu que foi você..._ Papai explicou e eu suspirei, sabendo que era quase impossível esconder as coisas da minha mãe. Ela sempre sabia de tudo.

_ Me desculpe, mamãe... Eu estava com muita vontade de comer biscoitos..._ Eu falei baixinho e minha mãe sorriu, acariciando meu rosto de leve.

_ Tudo bem, amor... Eu só não quero que você faça isso de novo. Os biscoitos ficam no alto e eu não quero que você se machuque ao tentar alcança-los. Quando eu achar que é hora de você comê-los, darei a você. Mas, caso sua vontade seja muito grande, você deve nos pedir e jamais escalar o armário na tentativa de alcança-los... Combinado?_ Minha mãe perguntou e eu assenti, me sentindo aliviada por ter me livrado de um castigo.

Comi tudo o que estava no meu prato e como recompensa ganhei sorvete e biscoitos de sobremesa.

Chloe foi comer no colo do papai, já que sempre fazia a maior bagunça quando tentava comer sozinha.

Papai e eu jogamos xadrez por um tempo, enquanto mamãe colocava os pratos na lava louça e Chloe assistia seu desenho na TV, deitada sobre Toddy como se aquele fosse o melhor lugar do mundo.

Eu estava ficando muito boa no xadrez, mas desconfiava que papai me deixava ganhar às vezes, apenas para que eu não desistisse de jogar com ele.

Mamãe se juntou a nós, me ajudando a jogar contra o papai e quando ele nos venceu, ela disse que amanhã teríamos revanche, mas hoje estava tarde e Chloe e eu precisávamos ir para cama.

Ela ajudou minha irmãzinha a escovar os dentes e a colocar o pijama e depois seguiu para meu quarto, acomodando Chloe em minha cama e pegando o livro que ela havia iniciado na noite passada, começando a lê-lo e eu sorri satisfeita.

Eu adorava a voz da mamãe.

Toda e qualquer história que ela lesse se tornava especial, pois minha mãe tinha uma maneira única de conta-la.

Quando eu era menor, eu me deitava em seu colo para ouvir as histórias, mas agora, esse lugar era de Chloe.

As histórias eram sempre lidas no meu quarto, pois segundo o papai, eu era bem mais pesada para transportar do que minha irmã.

Assim, nós três nos acomodávamos em minha cama, mas Chloe sempre acabava deitada no colo da mamãe, que era seu lugar preferido no mundo todo, assim como o meu.

Minha mãe tinha um cheiro muito gostoso e estar com ela era sempre muito bom.

Quando ela terminou de ler o capítulo, eu já estava quase dormindo, mas percebi quando ela saiu do quarto, carregando Chloe.

Depois de alguns minutos, ela voltou para me beijar e apagar a luz, mas eu pedi que ela se deitasse comigo um pouquinho.

_ O que foi, amor?_ Ela perguntou, me abraçando e acariciando meus cabelos e eu sorri, fechando os olhos e me encaixando no seu corpo.

_ Sinto sua falta, mamãe..._ Eu declarei baixinho e ela suspirou, me apertando contra seu corpo.

_ Ah, querida... Eu também sinto sua falta. Mas, a reforma do hotel já está acabando e logo eu poderei passar mais tempo com vocês... Eu prometo.

_ Eu sei... Não é disso que eu estou falando... É que... Eu... Eu sinto falta de ter você só para mim. Antes, eu precisava dividi-la apenas com o papai. Mas, agora tem a Chloe e você passa muito tempo com ela..._ Eu falei baixinho e minha mãe ergueu meu queixo em sua direção, me encarando seriamente.

_ Olívia, nós já conversamos sobre isso... Chloe é pequena e precisa de mais atenção do que você, já que não sabe fazer quase nada sozinha. Ela é sua irmãzinha e você deve amá-la e cuidar dela. Eu continuo te amando da mesma forma que antes... O amor de uma mãe nunca se divide, ele só aumenta... Não importa quantos filhos eu e o papai tenhamos, você sempre será nossa pequena dama e nossa filha amada. Entretanto, minha atenção precisa estar dividida entre as duas, pois eu preciso cuidar muito bem das princesas que Deus me deu._ Mamãe falou e eu suspirei, assentindo de leve e fazendo-a sorrir.

_ Eu amo minha irmãzinha, mamãe... Mas, eu queria que ela tivesse nascido láaaa no futuro..._ Eu declarei e minha mãe riu, beijando meu rosto.

_ Na verdade, esse era o plano. Eu teria outro filho apenas quando você fosse maior. Mas, aqui nessa família nada sai como o planejado. Você foi a maior surpresa que eu recebi na vida e com Chloe não foi diferente..._ Mamãe falou e eu sorri, me lembrando de uma pergunta que ela nunca me respondera.

_ Como Chloe e eu entramos na sua barriga, mamãe?_ Eu perguntei e ela me encarou muda e um pouco assustada.

Será que essa era uma pergunta proibida?

_ Bem... Eu... Amor, que tal deixar essa pergunta para outra hora?

_ Por quê? Você não sabe a resposta?_ Eu perguntei confusa e ela sorriu, sentando-se na cama e ajeitando minhas cobertas.

_ Eu sei, mas tenho que pensar em como editá-la para uma criança de sete anos... Agora, chega de papo e vamos dormir... Até amanhã, minha princesa._ Ela falou, beijando meu rosto e eu suspirei, sabendo que não adiantava insistir em saber a resposta para a minha pergunta, por que ela não me diria hoje.

_ Até amanhã, mamãe... Eu te amo._ Eu falei, já me sentindo sonolenta e ela sorriu, antes de apagar a luz.

_ E eu te amo mais, Olívia... Te amo para sempre._ Ela falou e fechou a porta e eu adormeci em poucos minutos, guardando na mente a pergunta sobre bebês que eu faria para o tio Emmett no dia seguinte.

Eu tenho certeza que ele me contaria.

**********

BELLA

Após me certificar que minhas filhas dormiam tranquilamente, fui para meu quarto em busca da companhia do meu marido.

Ele estava sentado no meio de nossa cama, rodeado por uma infinidade de papeis e com o notebook no colo, mas eu não me importei, afastando tudo e me aninhando em seus braços, fazendo-o rir.

_ Eu nem queria terminar de examinar esses laudos mesmo..._ Ele falou divertido e eu suspirei, me agarrando ainda mais ao seu corpo quente e cheiroso.

_ Eu sou uma péssima mãe..._ Eu declarei e ele riu alto, me afastando de seu corpo e me fazendo encará-lo.

_ Princesa, você é uma mãe maravilhosa. Nossas filhas têm muita sorte e tê-la como mãe. Jamais duvide disse.

_ Isso não é verdade. Olívia acabou de me dizer que sente minha falta. Minha filha de sete anos acabou de me cobrar a respeito da minha ausência e você me diz que eu sou uma mãe maravilhosa? Eu estou trabalhando demais e não estou dando toda a atenção necessária a minhas filhas..._ Eu reclamei e Edward suspirou, beijando meus lábios com carinho.

_ Bella, nós somos adultos e precisamos trabalhar. Mas, isso não faz de nós péssimos pais. Olívia é uma garotinha maravilhosa e isso prova que fizemos um bom trabalho... Chloe está indo pelo mesmo caminho e eu me sinto orgulhoso pelo nosso desempenho como pais, apesar da nossa inexperiência e pouca idade. Além do mais, mesmo trabalhando, passamos todo nosso tempo disponível ao lado de nossas filhas... Brincamos com elas, as educamos, cuidamos delas... Nosso tempo ao lado delas tem qualidade... Não era você que sempre me dizia que isso era o mais importante?_ Edward me perguntou e eu fiz uma careta ao me lembrar das minhas próprias palavras quando Edward teve uma crise parecida há alguns anos atrás.

Eu era boa em aconselhar as pessoas, mas definitivamente não era boa em seguir meus próprios conselhos.

Sentir que o tempo passado ao lado das minhas filhas não era suficiente era umas das piores sensações que eu sentira na vida e agora eu entendia o que Edward sentira na época do nascimento de Olívia.

_ Não era o momento de termos tido outra filha..._ Eu falei baixinho e ele suspirou, me aninhando em seu peito e acariciando minhas costas.

_ Realmente... Eu também acho que devíamos ter esperado mais... Mas, o que podemos fazer se nossas filhas surgem de maneira totalmente inesperada?_ Ele perguntou e eu sorri, me lembrando do desespero que eu sentira ao me descobrir grávida de Chloe.

Olívia estava com apenas quatro anos de idade quando eu começara a me sentir mal continuamente.

Os enjoos eram terríveis e as minhas mudanças de humor estavam deixando todas as pessoas que conviviam comigo meio malucas.

Eu quase não ficava com minha filha, já que estava trabalhando demais, mas quando estava com ela, não conseguia aproveitar o tempo como devia.

Durante o dia, Liv ficava com a babá e a noite, quando eu tinha tempo para ficar com ela, tudo o que eu queria era que minha pequena fosse dormir o mais rápido possível, para que eu pudesse fazer a mesma coisa.

Foi nessa época também que o ciúme que Edward sentia de Riley, meu chefe, alcançou níveis inimagináveis e se não fosse pelo medo que eu tinha de ir para a cadeia, teria assassinado meu marido com toda certeza.

_ Você está passando mal outra vez? Sabe há quanto tempo estamos sem fazer amor, Bella? Já faz duas semanas. Sempre que eu me aproximo você vem com esse papo de enjoo e mal estar e me evita. Qual é o verdadeiro problema?_ Meu marido me perguntou irritado, quando eu disse que não queria fazer amor e eu o encarei séria.

Será que eu não podia, simplesmente, não querer fazer sexo?

Eu tinha que estar disposta todos os dias?

_ Você acha que eu estou mentindo, Cullen? Que motivo eu teria para fazer isso?

_ Não sei... Me diga você... Será que suas recusas não têm a ver com seu chefe babaca?_ Ele me perguntou e eu arregalei os olhos, encarando-o incrédula.

De que merda ele estava me acusando?

_ Você acha que eu estou transando com o Riley? É isso mesmo, Edward Cullen?_ Eu perguntei, me levantando da cama e ele me encarou mudo, ainda parecendo irritado.

_ Foi você que chegou a essa conclusão... Eu não disse isso._ Ele se defendeu e eu bufei.

_ Então como Riley veio parar nessa discussão? Você insinuou que o fato de eu não fazer sexo com você estava relacionado ao meu chefe e o que isso quer dizer? Que como ele me satisfaz eu não preciso de você?

_ Algo assim..._ Ele resmungou e eu bufei mais uma vez, atirando uma almofada em seu rosto.

_ Você é um grande idiota Edward Cullen, mas eu me recuso a ceder à sua paranoia. Riley é apenas meu chefe e eu não faço sexo com chefes... Mas, posso mudar de ideia caso você não pare de ser imbecil, pois se você tem tanto ciúme dele é sinal de que Riley tem algum encanto..._ Eu falei ríspida, indo para o banheiro e deixando-o sozinho no quarto, antes que eu voasse para cima do babaca do meu marido e acabasse com sua raça.

_ Bella... Amor... Abre a porta. Eu quero me desculpar com você..._ Edward falou, batendo na porta depois de alguns minutos e eu suspirei, virando a chave e permitindo que ele entrasse._ Eu te amo, princesa e me desculpe por eu ser um babaca... Mas, eu estou ficando seriamente preocupado com essa sua falta de vontade de fazer amor._ Edward falou me abraçando por trás e eu suspirei, deitando minha cabeça sobre seu peito, me sentindo um pouco mais calma.

Ele ainda era um babaca, mas era uma droga ficar brigada com ele.

_ Eu não sei de onde vêm todos esses mal- estares. Eu gosto de fazer amor com você, mas eu estou sempre tão cansada, irritada e enjoada que meu desejo simplesmente desaparece..._ Eu falei baixinho e ele suspirou, beijando meus cabelos e me encarando através do espelho.

_ Acho que você tem que diminuir o ritmo de trabalho, Bella... Por mais que sejamos jovens, é necessário respeitar os limites do nosso corpo. Você não precisa trabalhar tanto, amor... Vá com calma e tudo ficará bem..._ Edward falou e eu sorri, me virando e beijando seus lábios.

_ Prometo tentar ir mais devagar... Acho que estou realmente exausta. Além do mais, eu não estou passando tempo suficiente com nossa filha e isso precisa ser mudado. Mas, agora vamos dormir, pois eu estou muito cansada e amanhã tenho que acordar bem cedo... E você também... Prometo que amanhã faremos amor, mas hoje eu realmente preciso dormir. _ Eu falei, nos dirigindo para o quarto e me aninhando em seu peito quando nos deitamos na cama.

Edward me abraçou com carinho e dormimos agarrados, como todas as noites, tendo a certeza de que tudo ficaria bem, apenas para no outro dia levarmos o maior susto de nossas vidas.

Quer dizer, o segundo maior susto.

Eu estava inspecionando uma obra quando senti uma vertigem muito forte.

Lembro-me de ser amparada por Riley, mas quando minha consciência voltou de fato, eu estava em um quarto de hospital, com uma agulha horrível enviando soro para meu organismo através da minha veia.

Edward estava lá e sorriu ao me ver acordada, vindo em minha direção e beijando minha testa com carinho.

Ele parecia preocupado e esse fato acendeu um alerta em minha mente.

_ Oi, princesa... Que susto, hein..._ Ele falou, acariciando meus cabelos e eu suspirei, sentindo meu corpo dolorido.

_ O que houve?

_ Você desmaiou e Riley te trouxe para cá. Eu vim assim que soube e..._ Ele parou de falar, desviando o olhar do meu e eu arfei, pensando que talvez todo esse mal-estar fosse indício de alguma doença grave.

Será que eu iria morrer?

Pensei imediatamente em minha filha pequena e senti meus olhos marejados.

_ O que foi? O que eu tenho?_ Perguntei aflita e Edward suspirou, sorrindo em seguida e sentando-se na beirada da minha cama.

_ Você está grávida..._ Ele falou e eu demorei longos segundos para entender o significado daquela sentença.

Como assim eu estava grávida?

Eu não podia estar grávida.

Eu tomava a merda do anticoncepcional religiosamente todas as manhãs.

Eu nunca, desde o nascimento de Olívia, havia me esquecido de uma única pílula.

Como diabos eu engravidara?

_ Isso é impossível, Edward..._ Eu declarei e ele sorriu, se inclinando sobre meu corpo e beijando meus lábios.

_ Não, não é. Somos casados e sempre tivemos uma vida sexual muito ativa. Nenhum método é cem por cento seguro e o que você usava falhou. É melhor aceitar, pois seremos pais outra vez em menos de sete meses._ Edward falou sorrindo largamente e eu o encarei desconfiada.

_ Você gostou da ideia, não foi?_ Eu perguntei, ainda me sentindo atordoada com a notícia, e seu sorriso aumentou ainda mais.

_ Gostei muito... Eu adoro fazer filhos com você e amo o fato de nossa família estar prestes a aumentar. Mas, o que me deixou ainda mais feliz foi saber que agora você não terá mais desculpas para deixar seu emprego e seu chefe idiota._ Meu marido declarou e eu revirei os olhos ao ouvir aquilo.

_ Não acho que eu precise parar de trabalhar, Edward...

_ Você precisa sim... Como marido e médico eu peço que você fique em casa cuidando da sua saúde e da saúde do nosso bebê. Além do mais, Olívia vai precisar de toda a nossa atenção, já que vai perder seu posto de única princesinha da casa em breve..._ Edward explicou e eu suspirei, sabendo que ele tinha razão.

Eu estava grávida e precisava diminuir o ritmo de trabalho para não colocar a vida do meu bebê em risco.

E eu também queria passar mais tempo com Olívia, pois sentia muita falta da minha bonequinha e não queria que ela sofresse nem um pouco com a chegada do irmãozinho.

Dessa forma, no dia seguinte, pedi demissão da construtora de Riley e passei a trabalhar em casa, em alguns projetos independentes, o que garantia que meus dias ficassem ocupados.

Olívia adorou me ter em casa e durante o período da minha gravidez, aproveitamos bastante a companhia uma da outra.

A família toda estava em festa com a chegada do novo bebê e apesar de não acreditar que aquele fosse o melhor momento para uma gravidez, eu também estava feliz por estar grávida de outro filho de Edward.

Dessa vez, não existia medo ou insegurança quanto ao meu futuro, pois eu sabia que Edward estaria comigo o tempo todo, me apoiando em tudo aquilo que eu precisasse.

Edward aproveitou o período das suas férias e nos levou para uma viagem incrível pela Europa.

Eu estava grávida de quatro meses, mas mesmo assim consegui aproveitar todos os passeios incríveis que fizemos por Londres, Itália, Paris e Espanha.

Voltamos para Seattle e em poucos meses Chloe nasceu.

Minha caçula era a cópia fiel de Olívia e eu me senti um pouco injustiçada por dar a luz a crianças que se pareciam apenas com Edward, mas eu não podia negar que elas eram lindas.

Chloe veio para deixar nossa vida ainda mais perfeita.

Edward era totalmente apaixonado pelas filhas e eu me sentia uma mulher muito sortuda por tê-lo ao meu lado.

Conforme minhas princesas foram crescendo, eu voltei a assumir alguns projetos, pois não conseguia ficar muito longe do meu trabalho.

Quando Chloe completou um ano, eu assumi a reforma de um grande hotel e meu trabalho ficou muito bom, o que me rendeu dois grandes prêmios como melhor arquiteta do ano.

Depois disso, eu passei a ser muito requisitada e Carlisle insistiu em montar uma construtora para mim, que hoje, era um verdadeiro sucesso.

Eu me especializara em reformas de prédios antigos e estava me saindo muito bem, sendo que hoje, cinco anos após minha formatura, eu era uma das arquitetas mais requisitadas e bem pagas de Seattle.

Minha vida profissional era ótima, mas depois da conversa que tivera com Olívia hoje, eu me sentia culpada por estar trabalhando tanto.

Nada valia sacrificar o bem estar da minha família e isso deveria ser revisto, pois Edward, Olívia e Chloe eram as pessoas mais importantes do meu mundo.

_ Bella? Tudo bem amor? Você ficou tão calada de repente. _ Edward me disse, me tirando dos meus devaneios e eu suspirei, encarando-o e beijando seus lábios de leve.

_ Só estava pensando em tudo o que aconteceu desde que me descobri grávida de Chloe..._ Eu falei e ele sorriu, beijando meus lábios mais uma vez.

_ Nossa vida mudou bastante, né? Mas, aquela pequenininha linda só veio trazer mais felicidade para nossa vida.

_ Realmente... Apesar de que eu ainda não acho que estava preparada para comportar mais uma criança em minha rotina.

_ Tudo vai se acertar, amor... Ainda estamos em processo de adaptação, mas tudo vai se acertar... Eu não tenho a menor dúvida sobre isso. Mas, agora, já que você interrompeu meu trabalho honesto, o que acha de nós dois fazermos um trabalho sujo?_ Edward me perguntou, balançando as sobrancelhas e eu ri, beijando-o com vontade e me deitando sobre seu corpo.

_ Eu adoro trabalhos sujos, Dr. Cullen... _ Eu falei sugestivamente e ele sorriu, me virando na cama e subindo as mãos pela minha barriga, até alcançar meus seios.

_ Então eu acho que combinados, Sra. Cullen. Trabalho sujo com você é sempre um imenso prazer..._ Ele falou, tirando minha blusa e eu suspirei, já sentindo meu corpo esquentar em lugares bem impróprios.

Nossa vida sexual era ótima.

Apesar da correria, sempre encontrávamos tempo para nos dedicar um ao outro e eu adorava as horas passadas ao lado do meu marido lindo.

Gemi quando seus lábios finalmente alcançaram meus seios e desci as mãos por suas costas, puxando sua camisa e deixando-o nu da cintura para cima.

Em pouco tempo, estávamos rolando nus e apaixonados pela cama, como se o mundo lá fora simplesmente não existisse, uma vez que naquele momento, tudo se resumia a beijos, suspiros, carícias e gemidos.

Depois do amor, tomamos um delicioso e demorado banho e após verificar as meninas mais uma vez, dormimos abraçados, como acontecia desde que fomos morar juntos.

Na manhã seguinte, meus pais chegaram cedo e eu pude ir trabalhar mais tranquila, sabendo que Olívia e Chloe estavam bem cuidadas e que eu não precisaria mais incomodar minhas cunhadas, que também tinham suas vidas e não podiam ficar sempre ao dispor das minhas filhas.

Trabalhei o dia todo e me alternei entre atender meus clientes, comandar o trabalho da minha equipe e ligar para casa para me assegurar que tudo estava realmente bem.

Ao fim da tarde, me encontrei com Alice e Rosalie para o nosso drink semanal, já avisando que teria que ser breve, pois precisava ir para casa ficar com minha família.

_ Esse é o nosso único momento juntas e você já vem nos dizendo que tem que ir embora? Não seja chata, Isabella Cullen!_ Alice falou, bebericando seu coquetel e eu revirei os olhos, enquanto Rosalie ria.

_ Eu tenho filhos, marido e responsabilidades, Alice. Não posso ficar a vida toda aqui..._ Eu falei e minha cunhada bufou, me encarando seriamente.

_ Eu sei de tudo isso, Bella... Mas, quero curtir a companhia das minhas cunhadas e amigas e dividir a melhor notícia da minha vida com elas..._ Ela falou empolgada e seus olhos brilharam, o que só podia significar uma coisa.

_ Não vai me dizer que o Jasper finalmente acertou o alvo e fez um filho em você?_ Rosalie perguntou, nada sutil e Alice mostrou-lhe o dedo, antes de assentir animada, fazendo com que Rosalie e eu soltássemos gritinhos e nos levantássemos para cumprimenta-la.

_ Isso é muito legal, Ali... Estou muito feliz por você._ Eu declarei e ela sorriu, levando seu canudinho aos lábios.

Mas, ela não pode beber seu drink, pois Rosalie tomou o copo de suas mãos e jogou o conteúdo no canteiro que ficava atrás de nossa mesa, fazendo Alice lhe encarar incrédula.

_ Ei... Ficou louca? Isso era meu e esse drink é caro...

_ Você está grávida, pequeno pigmeu. Grávidas não ingerem bebidas alcoólicas._ Rosalie declarou e Alice bufou, chamando o garçom e pedindo que ele lhe trouxesse um suco de morango.

_ Esse negócio de gravidez é novo para mim. Não sei quais são as proibições... Só sei que desde que eu descobri que vou ser mãe, estou tão ansiosa que esse drink realmente me faria bem..._ Alice reclamou e Rosalie e eu rimos de seu biquinho manhoso, muito parecido com os que Olívia e Chloe faziam.

_ Quando descobriu?_ Perguntei interessada.

_ Hoje pela manhã... Jasper está muito animado com a ideia de tornar-se pai. Finalmente teremos uma família...

Alice e Jasper estavam casados há dois anos e desde o início sempre falavam em ter filhos.

Acho que o fato de seus irmãos já serem pais influenciou Alice a querer começar a própria família e há alguns meses ela iniciou a operação bebê.

_ Filhos são lindos e eu amo o Thomas, mas tenho que dizer que se eu soubesse o quanto ele iria mudar minha rotina com Emmett, teria esperado um pouco mais para me tornar mãe..._ Rosalie falou e eu sorri, me lembrando do meu lindo sobrinho de olhos verdes e cabelos cacheados, que era extremamente apegado à mãe, o que dificultava bastante a rotina da minha cunhada, já que o filho não aceitava ser cuidado por qualquer um.

Desde o nascimento do filho, Rosalie deixara de lado os trabalhos como modelo e se dedicara totalmente a ele.

Emmett e ela se casaram quando Olívia completou dois anos e sempre viveram muito bem, curtindo o casamento com viagens, passeios, festas e noites animadas, até que Rosalie se descobrira grávida de Thomas.

Ela e o marido ficaram felizes com a chegada do pequeno, mas como Rose dissera, Thomas mudara totalmente suas vidas e se ambos não tivessem uma relação sólida, talvez não tivessem suportado tantas modificações.

_ Bella se saiu muito bem com Olívia, mesmo não tendo tido tempo para curtir o início do casamento. Ela gostou tanto da ideia de ser mãe, que até se animou em engravidar outra vez..._ Alice falou debochada e eu revirei os olhos, lhe mostrando o dedo do meio.

_ Você sabe que não foi bem assim. Chloe apareceu de surpresa, mas só veio para aumentar a felicidade que Edward e eu dividimos. Não me arrependo pelas minhas filhas, mas se pudesse, teria esperado mais para ser mãe. Hoje, com todo o trabalho que tenho, não estou tendo tempo de curtir minhas filhas como se deve e isso faz com que eu me sinta muito culpada. Olívia e Chloe estão crescendo depressa e eu sinto que estou perdendo o tempo que devia passar ao lado delas com coisas totalmente dispensáveis..._ Eu me lamentei e Rosalie e Alice me encararam seriamente.

_ Ah, Bella... Você é ótima com as meninas. Ter uma carreira de sucesso foi algo pelo que você batalhou e não acho que você tenha que abrir mão dela para estar com suas filhas. É possível conciliar os dois como você vem fazendo... E nunca mais diga que sua carreira é dispensável, Bella... Você é a melhor arquiteta de Seattle e isso é grande, amiga... Muito grande._ Rosalie falou e eu ri, bebericando minha cuba.

_ Rose tem razão, Bella... Suas filhas são umas fofas e isso é sinal de que você e meu irmão fizeram um ótimo trabalho como pais. Essa história de que a mulher tem que ficar em casa cuidando dos filhos é passado... Uma mulher moderna e descolada trabalha, tem filhos, cuida da casa e ainda faz sexo com o marido todas as noites, para não dar chance para a concorrência._ Alice falou, e ergueu o copo em nossa direção, fazendo com que Rosalie e eu imitássemos o seu gesto._ Um brinde a nós, mulheres lindas, gostosas e desejadas por nossos maridos, que podem ser mãe, esposas e profissionais de sucesso, mesmo que o universo conspire contra nós._ Alice propôs e nós rimos, tocando nosso copo no dela.

Pedimos um aperitivo e após muitas conversas e risadas nos despedimos, seguindo cada uma para sua própria casa.

Eu adorava nossas sextas feiras, quando nos encontrávamos para esse happy hour, pois era um momento só nosso, onde podíamos conversar e nos divertir sem a presença dos nossos maridos ou filhos.

Isso era importante para preservar os velhos laços de amizade e não nos sentíamos culpadas por deixar nossos homens de lado nesse momento, já que eles também se encontravam aos sábados para jogar bola e nós nunca os acompanhávamos.

Era um momento deles e eu considerava esses programas totalmente saudáveis para o casamento, já que permitia que mantivéssemos nossa individualidade, mesmo tendo uma vida em comum.

Cheguei em casa por volta das sete e encontrei meu pai, minha mãe, as meninas e Edward fazendo um pequeno churrasco na área externa e eu fiquei feliz em ver Charlie conversando animadamente com meu marido.

_ Boa noite, família..._ Eu falei, chamando a atenção de todos e Olívia e Chloe correram em minha direção, seguidas por Toddy.

_ Mamãe... Que saudade!_ Olívia falou, se jogando em meus braços e eu sorri, abraçando-a e me abaixando para receber o cumprimento da minha caçulinha, mas acabei caindo sentada e minhas pentelhas se aproveitaram para subir em cima de mim, o que fez com que todos rissem, principalmente depois que eu recebi uma série de lambidas do Toddy.

_ Meu Deus! Eu fui atacada. Preciso de ajuda..._ Eu falei em tom de brincadeira e minhas filhas riram.

_ E eu vou ajudar nesse ataque... Seja bem vinda, minha princesa..._ Edward falou, ajoelhando-se ao meu lado e beijando meus lábios.

_ Eca! Por que vocês sempre têm que fazer isso?_ Olívia falou e Edward e eu rimos, nos beijando mais uma vez.

_ Eu concordo com Olívia... Acho desnecessário essas demonstrações exageradas de carinho em minha frente, que sou seu pai, Bella..._ Charlie falou e minha mãe revirou os olhos.

_ Não seja chato, Charlie... Eles são jovens, bonitos, se amam e tem mais é que beijar na boca e fazer amor a todo o momento..._ Minha mãe falou e eu arregalei os olhos em sua direção, enquanto Edward me ajudava levantar, sabendo que Olívia estava muito antenada em nossa conversa e iria começar sua sessão de perguntas.

_ Como se faz amor?_ Ela perguntou e eu gemi baixinho, olhando seriamente para minha mãe, enquanto pegava Chloe no colo e me dirigia para a mesa.

_ Isso não é assunto para pequenas damas, Liv... Deixa isso para quando você tiver, no mínimo, trinta anos._ Edward falou emburrado e meu pai riu, servindo-se de um suculento pedaço de filé.

_ Pois eu desejo que ela comece a namorar em breve, querido genro... Vai ser bom ver você no lugar de pai quando alguém vier para levar sua princesinha para longe e “fazer amor com ela”._ Meu pai falou debochado, diminuindo o som da voz nas últimas palavras e meu marido estreitou os olhos em sua direção.

_ Isso não vai acontecer... Olívia e Chloe não irão querer fazer esse tipo de coisa._ Edward resmungou, servindo-se de um filé e eu revirei os olhos para sua grande teimosia nesse assunto.

Desde que Olívia era apenas um bebê, Edward insiste em dizer que ela jamais irá namorar.

Ele não suporta a ideia de que um dia deverá entrega-la a um homem, para que esse a ama e a faça feliz.

Na mente do meu príncipe, nenhum homem, por mais perfeito que seja, será capaz de merecer nossas filhas.

_ Edward, querido, não quero desanimá-lo, mas a beleza de suas filhas só me diz que elas terão uma imensidão de pretendentes a sua porta e, portanto, você deve se conformar, já que nenhuma delas me parece adepta a vida religiosa..._ Minha mãe falou e eu ri, quando meu marido bufou mais uma vez, fechando a cara e se concentrando em seu filé.

Terminamos de comer e aos poucos Edward voltou a interagir, esquecendo-se do assunto sobre seus futuros e temidos genros.

Ajudei minha mãe com a louça, enquanto Edward e Charlie disputavam uma partida de xadrez e Olívia e Chloe assistiam seus desenhos, usando Toddy de travesseiro.

_ Esme e Carlisle vão vir pra cá nesse fim de semana?_ Minha mãe perguntou e eu assenti, enquanto colocava pó de café na cafeteira.

_ Sim... É aniversário de casamentos dos dois e eles reservaram uma mesa para todos nós naquele hotel que eu reformei no ano passado._ Eu respondi sorrindo, enquanto me lembrava dos planos de Esme para o domingo.

Elas e Carlisle fariam trinta anos de casamento e nós tentamos convencê-los a fazer uma viagem.

Mas, eles se recusaram, pois não queriam ficar longe dos filhos e dos netos em uma data especial e acabaram por planejar um almoço incrível para toda a família em um dos hotéis mais incríveis de Seattle.

Edward e eu resolvemos que apenas um almoço seria pouco e como presente, compramos duas passagens para um cruzeiro pela costa europeia, que eu sabia que eles iriam adorar.

_ Eu e seu pai decidimos fazer uma viagem para comemorar nossos trinta anos. Mas, ainda não sei o destino._ Minha mãe comentou e eu sorri, enquanto arrumava as xícaras em uma bandeja.

_ Europa? Posso lhe passar um roteiro maravilhoso. Acho que vocês irão adorar..._ Eu comentei e minha mãe sorriu, terminando de secar a pia e se virando para me encarar.

_ Quem diria que você, uma menininha simples criada em uma pequena cidade chuvosa, se tornaria uma arquiteta de renome, teria uma família tão linda como essa e teria dinheiro suficiente para viajar para a Europa quando desejasse?

_ Fui agraciada pelo destino mãe e não poderia me sentir mais feliz... O dinheiro foi apenas uma consequência. Edward e eu nos demos bem em nossas carreiras e agora estamos colhendo os frutos. É claro que tivemos muita ajuda do Carlisle, que sempre nos apoiou financeiramente até que tivéssemos estabilidade, mas muito desse sucesso e dessa felicidade se deve aos nossos próprios esforços e isso me deixa orgulhosa de tudo o que construímos desde que nossa história começou de maneira tão tumultuada há alguns anos atrás. A Europa foi só um bônus..._ Eu falei, piscando para minha mãe e ela riu, me ajudando a servir o café.

_ Até seu pai admite que seu envolvimento com Edward só lhe trouxe felicidade. Você está tão bem, filha... É evidente que vocês são felizes. As meninas são ótimas, educadas e bem ajustadas, essa casa é linda, sua carreira é um sucesso, sua conta bancária um arraso... É filha, eu acho que você é o que se pode chamar de pessoa bem sucedida.

_ Mãe, meu maior presente foi o Edward. Tudo o que aconteceu depois foi consequência desse amor maravilhoso que dividimos e que eu tenho certeza que só irá aumentar. Mesmo que fossemos pobres, morando em um apartamento alugado e andando de ônibus, seríamos felizes, pois o que realmente importa é nosso amor... O resto é bônus, bem vindos, eu admito, mas apenas bônus..._ Eu declarei e Renée riu, pegando a bandeja e se dirigindo para sala, onde serviu o café.

Bati um milk shake para as meninas e quando elas terminaram de beber, as levei para o andar de cima, começando nosso ritual noturno que antecedia a hora de dormir.

Li mais um capítulo do livro e quando minhas princesas dormiram, eu desejei boa noite aos meus pais e fui para meu quarto, desfrutar da companhia do meu belo príncipe.

Fizemos amor apaixonadamente e dormimos abraçados, nos dando o luxo de ficarmos na cama até mais tarde no dia seguinte, apenas para ser acordada por duas garotinhas praticamente idênticas, que pularam em cima de nós sem nenhuma cerimônia.

O dia amanheceu estranhamente ensolarado e por isso resolvemos aproveitar nossa piscina externa, que raramente era usada.

Já fazia cinco anos que morávamos nessa casa, já que quando Olívia começou a crescer, o espaço do apartamento que eu dividia com Edward tornou-se extremamente pequeno para suas travessuras.

Dessa forma, começamos uma busca frenética pela casa ideal e a encontramos em uma região bucólica de Seattle, que era excelente para se criar os filhos.

Tratava-se de uma construção imensa, com três quartos e três suítes no andar de cima, sala de estar com lareira, sala de jantar, cozinha americana, sala de tv, sala de música, escritório, lavanderia e uma grande piscina aquecida, que ficava em uma área coberta e dividia espaço com uma sauna, muito usada por Edward.

Do lado de fora, tínhamos um belo jardim, uma área com cozinha e churrasqueira e uma imensa piscina, que só era usada em dias de sol e calor.

Eu adorava minha casa, principalmente pelo fato de que fui eu que a reformei e decorei, mas aquele apartamento que eu dividira com Edward quando iniciamos nossa vida a dois sempre seria o lugar mais especial do mundo para mim, pois foi ali que minha felicidade realmente começou.

Hoje, eu podia dizer que a vida era engraçada, às vezes.

Durante os anos da nossa infância e adolescência, passamos muito tempo imaginando e planejando o nosso futuro.

Criamos um roteiro perfeito em nossa mente, escolhendo a profissão, o grande amor, a cor das paredes de nossa futura casa, a quantidade de filhos, o modelo do vestido de noiva e tudo o que vai compor nossa vida tão minuciosamente projetada.

Mas, nem tudo sai como o esperado, e durante o longo caminho que nos separa da fase adulta, tropeçamos em algumas situações inusitadas, que não estavam em nosso roteiro original e que mudam nossa vida completamente.

Algumas mudanças são boas, outras nem tanto, mas é exatamente esse grande hiato entre o almejado e o acontecido que torna a vida interessante.

Aceitar as mudanças pode ser difícil, já que somos extremamente apegados aos nossos sonhos, mas tudo é de certa forma, consequência de nossas escolhas e enquanto crescemos é imprescindível que saibamos lidar com cada uma delas.

Eu, Isabella Swan Cullen, era um exemplo prático do quanto uma vida pode mudar.

Tudo aquilo que eu planejara durante minha curta infância e adolescência caíra por terra no momento em que um cara lindo, de eternos cabelos bagunçados e olhos verdes cruzara o meu caminho.

Durante muito tempo, eu o vira apenas como irmão da minha melhor amiga e amigo do meu namorado, mas bastou um pequeno acidente para que ele se transformasse diante dos meus olhos.

Eu me vira completamente envolvida por seus encantos e, em uma bela noite, depois de boas doses de alguns drinks, eu me entregara a ele, fazendo com que minha vida desse um giro de trezentos e sessenta graus.

Em pouco tempo, eu me descobrira mãe, trocara de namorado, mudara para outra cidade e interrompera a faculdade, provando a mim mesma que não era inteligente de nossa parte se apegar tanto às expectativas que criamos para o futuro, pois a vida está cheia de surpresas e, de uma hora para outra, tudo pode mudar.

De certa forma, eu sofrera com essas mudanças, mas jamais iria me arrepender de ter me entregado a Edward naquela noite.

Aquelas poucas horas passadas ao seu lado haviam me dado meu maior presente que era, sem dúvida alguma, a família linda que meu príncipe e eu construímos juntos.

Edward me ensinara o verdadeiro significado do amor, e apesar dos problemas que enfrentamos desde o início do nosso relacionamento até hoje, nada poderia se comparar a imensa felicidade que compartilhávamos ao lado um do outro.

Além do mais, me desentender com Edward tinha suas vantagens, já que fazer as pazes com meu marido era delicioso em qualquer circunstância.

Sorri de leve ao me lembrar das noites maravilhosas que eu passara em seus braços após nossas brigas e cheguei à conclusão de que os problemas pelos quais passamos serviram apenas para apimentar nossa relação, que já era naturalmente bastante ardente.

Éramos um casal normal e brigar, discutir e discordar fazia parte da dinâmica do casamento e do convívio a dois, tornando a relação mais madura, intensa e interessante.

Mas, se fossemos levar em conta tudo o que passamos juntos, não tínhamos tido tantos desentendimentos assim. Nos dávamos bem na maior parte do tempo, dividindo momentos maravilhosos, muitos beijos, carinhos e sorrisos.

Meu príncipe e eu já estávamos casados há oito anos e a única coisa que não mudara nesse tempo era a intensidade do amor que sentíamos um pelo outro.

Na verdade, eu achava que esse sentimento só aumentava com o passar dos anos, já que era impossível pensar em minha vida sem Edward e ele dizia sentir-se da mesma forma.

O fato era que, apesar de todas as mudanças que aconteceram em minha vida e que me fizeram deixar de lado tudo àquilo que eu planejara para meu futuro, eu não mudaria nem uma vírgula na minha história.

Tudo era perfeito do jeito como estava e se fosse preciso viver tudo outra vez apenas para ser feliz da forma como eu era hoje, eu faria isso de bom grado.

As consequências das minhas escolhas não foram ruins, porque foi através delas que eu conheci o amor.

O amor mais real, verdadeiro e perfeito e eu nunca poderia me arrepender de amar Edward Cullen.

Ele era meu e seria para sempre, assim como eu era dele.

...FIM...

Notas finais
Gostaram? Sejam sinceras... Sou péssima com finais. Não ficou da forma como eu queria, mas eu gostei do resultado. Comecei esse capítulo diversas vezes, até que decidi iniciá-lo pelo ponto de vista de Olívia e acho que ficou legal. Quis mostrar a vocês os conflitos de uma família real, que apesar de ser rodeada por harmonia e amor, enfrentam problemas e inseguranças como qualquer família normal. O próximo capítulo é o Epílogo e eu vou preparar uma despedida linda para essa fic que me trouxe apenas momentos bons. Espero encontrá-las em Olhos de Luar que estréia em breve. Grande beijo!